segunda-feira, 30 de abril de 2012

Flagrante futebolístico do Gervásio

Texto e charge: Gervásio Castro

PRA QUE AS TORCIDAS NANICAS ENTENDAM O QUE ESTÁ ACONTECENDO!!!

NA MANCHETE DE "O JORNAL" ESTÁ ESCRITO: "DEUSES DO FUTEBOL DECIDEM DAR FÉRIAS AOS TRÊS MAIORES DO MUNDO: FLAMENGO - REAL E BARCELONA"

Papiros e pergaminhos primitivos dos evangelhos





José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com

Carlos Krisnamurt tem apenas 16 e já se interessa pela leitura dos evangelhos. Saído, há pouco, de um Encontro de Jovens com Cristo, leu a crônica JESUS CRISTO FORA DA BÍBLIA. Carlos solicita esclarecimentos sobre a autenticidade dos quatro evangelhos, "para eu poder trocar ideias com meus colegas." Outros leitores manifestaram-se, curiosos ou encantados: Prof. Cincinato Siqueira: "Sua pesquisa ajuda a crer no Jesus histórico"; escritor Chico Castro: "Estou em Brasília, belo texto, pena que acaba abruptamente"; médico Gisleno Feitosa: "Belo texto com belo desfecho"; Prof. Antônio Carlos: " O evento Jesus Cristo não encontra testemunho somente nos evangelhos, mas em escritores históricos"; Paulo Roberto Barreto: "Fiquei embevecido com a leitura desses escritos históricos"; Lisete Napoleão: "Belo texto que nos incita a curiosidade de mais leitura"; Francisco de Assis Meneses: "Podemos ver Jesus com menos olhos cegos da fé e mais sadios da razão".
Perguntinha curiosa não só embevece o estudante Carlos, mas quem se inicia na fé em Jesus Cristo. Pinta logo a curiosidade: "Os evangelhos merecem crédito? Seriam invenções ou acréscimos de membros eclesiásticos?" Os mais interessados em descobrir, cientificamente, a autenticidade dos evangelhos foram ateus racionalistas da Revolução Francesa. Inimigos da Igreja Católica, como Voltaire, Rousseau, Renan, dedicaram décadas de pesquisas. Surpreenderam-se e , "dando mão à palmatória." Graças às pesquisas, descobriram-se preciosas relíquias de primitivos manuscritos, em pergaminhos e papiros, dos quatro evangelhos. Não os originais, mas cópias, ainda dos primeiros séculos do cristianismo, hoje em museus de Filadélfia(USA), Florença(Itália), Viena(Áustria), Paris, Londres, Estrasburgo, Roma, Cambridge, Vaticano, Moscou, Leningrado. Em 1949, foram descobertos fartos manuscritos nas grutas de Qumran, próximas do Mar Morto, de antes e pouco depois de Cristo. Vi-os no Museu de Israel. Alguns textos reproduzem passagens da Bíblia. Impressionou-me a perfeição das letras, tão miúdas, em pergaminhos finos e lisos que lembram uma página de jornal.
Conhecem-se cerca de 5.336 manuscritos(cópias) do texto original grego do Novo Testamento. O mais valioso, uma cópia do evangelho de João, do ano 120. O apóstolo escrevera o original, aproximadamente no ano 100.
Damos crédito a obras de famosos escritores da Antiguidade, cujos manuscritos(cópias) só foram descobertos muitos séculos depois. Por que duvidar dos textos bíblicos? Manuscritos(cópias) de Júlio César só foram encontrados 900 anos depois; Virgílio, 350 anos; Platão, 1.300 anos; Tito Lívio, 500 anos após.
Portanto, Carlos, creio que, se depender desta crônica, você vai deitar e rolar, quando trocar ideias com seus colegas. Saiba, porém, Deus é uma experiência pessoal, não uma discussão, que, quase sempre, em vez de construir,enerva. E não convence.

domingo, 29 de abril de 2012

PARA EDILEUSA, PROSTITUTA AOS 15 ANOS



Jonas Fontenele


Teus olhos inocentes sentem medo da noite, do mundo
Dos pênis ávidos a gozar, dos beijos nojentos com gosto de cachaça
Que tu ainda nem sabes beber

O Snoopy da tua camiseta não pensa e nem vê
Até onde tua tristeza pode alcançar

Teu sorriso puro e os dentes ainda perfeitos,
Rescendendo a pasta, não imaginam o futuro próximo que virá

E as balas que minha consciência dispara
Te atingem e me matam
Por ferir mais a mim do que a ti

Lágrimas sentidas

sábado, 28 de abril de 2012

A terceira margem da espera



Rosidelma Fraga (*)


Espalhei os cacos da solidão
e cantei a aurora da penumbra.
Estive distante de meus sabores, 
e naveguei
no rio negro de tua alma. 

Esta crua realidade visita-me
toda noite no além-mar.
Zombeteira,
ela despe as duas vidas que tive:
uma coberta de nada,
a outra camuflada de vazios.

O que importa não é a terceira
margem da espera
no outro lado do rio?

É por isso que prezo a lembrança
do inesperado
do encontro desmarcado
e das horas esperadas.
Afinal,
O que importa não é a hora da chegada
Mas o sentido imensurável da busca.
Importa é a cicatriz de teu corpo 
na pele oculta da minha ausência. 


(*) Poema de Rosidelma Fraga, enviado por e-mail por Francisco Miguel de Moura.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

CACHOEIRA DO ROBERTO



Reginaldo Miranda
Presidente da Academia Piauiense de Letras


Uma das mais antigas povoações do sudoeste pernambucano é a vila de Cachoeira do Roberto, cujas raízes históricas remontam ao princípio do século XIX, quando ali se estabeleceu com seus rebanhos o agropecuarista piauiense e capitão da guarda nacional Roberto Ramos da Silva.
Cachoeira era um inculto terreno que pertencera primeiramente ao português Valério Coelho Rodrigues, estabelecido na fazenda Paulista, hoje Paulistana, no Piauí, onde faleceu em 1783. Depois, teria passado ao seu filho Estêvão Rodrigues Coelho que, alguns anos depois, sem desenvolver qualquer atividade econômica no imóvel, o vendeu ao referido Roberto Ramos por cinco contos de réis. Desde então o adquirente estabeleceu-se com sua família e escravos no lugar, assentando a caiçara de seus currais e desenvolvendo laborioso trabalho de agricultura e pecuária. Porém, com seu rebanho já em número avantajado passou a enfrentar dificuldades com a escassez de água e pastagens em face das constantes estiagens que ainda hoje afligem aquela região do semiárido nordestino. Consta que era católico fervoroso e, segundo a tradição, em pagamento de promessa pela mantença de seu rebanho, em 1817 construiu em frente à sua residência uma capela sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, santa de sua devoção. Também, deu início à tradicional festa do Divino Espírito Santo. Para o primeiro empreendimento contou com o concurso de Fr. Ângelo Maurício de Niza, missionário capuchinho italiano, que desde 1803 catequizava em missões pelo alto sertão, terminando os seus dias em 1824, no aldeamento da Baixa Verde, hoje cidade de Triunfo, em Pernambuco, conforme anotou o festejado historiador F. A. Pereira da Costa em seus Anais Pernambucanos(vol. 5, p. 568/569). Desde então, o padre em desobriga passou a celebrar a missa e desenvolver as atividades católicas no novo templo que, inclusive, serviu de sede paroquial entre os anos de 1867 e 1870. E o lugar ficou conhecido por “Cachoeira do Roberto”, em homenagem ao seu proprietário e fundador.
Depois de seu óbito foi sucedido na administração e conservação do templo, bem como na organização da festa do Divino, por sua filha Ana Maria, que, juntamente com o esposo, José Santana, tomaram para si essa responsabilidade, tornando-se benfeitores do lugar.
O capitão Roberto Ramos da Silva, também conhecido por “Roberto da Cachoeira”, era natural da cidade de Oeiras, então capital da capitania de S. José do Piauí, sendo filho do português Jorge Ramos, fazendeiro e funcionário do real serviço, e de sua esposa Delfina Rodrigues Seabra, que ao lado de Fr. Henrique, capuchinho italiano, construiu o cemitério de Cachoeira do Roberto, sendo, porém, sepultada no altar-mor da referida capela de Nossa Senhora das Dores, quando faleceu aos 105 anos de idade. Consta que Roberto da Cachoeira fez-se latifundiário construindo invejável patrimônio que, posteriormente, foi dividido entre seus 16 filhos.
A povoação possuía localização privilegiada, situando-se entre os rios Pontal e S. Francisco, à margem da antiga estrada real, onde demandavam os viandantes, vaqueiros, tropeiros e boiadas no percurso entre os sertões do Piauí, Pernambuco e Bahia. Por essa razão, “era muito frequentada pelos viandantes, que estacionavam na localidade, pelos recursos que proporcionava, vindo daí o seu desenvolvimento e sua importância”, anotou o citado F. A. Pereira da Costa, primeiro escritor a narrar a fundação e desenvolvimento do lugar. Acrescenta o mesmo autor: “Muito habitada, ela teve vida própria e animada pelo seu movimento comercial, com uma boa feira semanal, e um clima ameno e agradável, proporcionando excelente e abundante água potável, com a sua capelinha curada e um cemitério em conveniente situação, já teve a povoação o predicamento de paróquia com a remoção da sede da do Senhor Bom Jesus da Igreja Nova, ou Boa Vista, em virtude da Lei Provincial n.º 758 de 5 de julho de 1867 e servindo de igreja matriz a sua capela de N. S. das Dores, e depois da de Santa Maria Rainha dos Anjos de Petrolina, até que foi transferida para a sua própria sede pela Lei Provincial n.º 921 de 18 de maio de 1870” (op. cit).
Em face dessa vantajosa posição, em 1851 a sede de fazenda já se tornara um povoado próspero e prometedor, progredindo ao ponto de, em 1868, contar com cerca de 80 casas, informa F. A. Pereira da Costa (Anais Pernambucano. vol. 5, p. 568/569). Pertencia originalmente ao Distrito de Santa Maria da Boa Vista, depois cidade e município de mesmo nome. Todavia, pela Lei Provincial n.º 530, de 07 de junho de 1862, que criou o município de Petrolina, passou a este, retornando para o município original pela Lei n.º 601, de 13 de maio de 1864, que extinguiu este último. Por fim, já como sede distrital retornou a Petrolina pela Lei Provincial n.º 921, de 18 de maio de 1870, que restabeleceu sua autonomia administrativa. No entanto, conforme se disse, em face de seu desenvolvimento foi elevado a sede distrital e paroquial pela Lei Provincial n.º 758, de 05 de julho de 1867, permanecendo integrando o Município de Petrolina e, como tal, permaneceu por largos anos.
Todavia, o progresso da povoação estacionaria a partir de 1926, como efeito da construção da inconclusa Estrada de Ferro Petrolina/Teresina que, ao invés de passar pela tradicional vila de Cachoeira do Roberto, em novo traçado passou pela vizinha fazenda “Inveja”, sucessivamente de Francisco Rodrigues da Silva e Francisco Rodrigues Coelho. Então, esse novo lugar que, a partir de 1928 recebeu o nome de São João de Afrânio, em homenagem ao Engenheiro Afrânio de Melo Franco, um dos responsáveis pela obra, prosperou em prejuízo de Cachoeira do Roberto. Por fim, essa decadência econômica se completaria com a edição do decreto-lei estadual n.º 235, de 09 de dezembro de 1938, que extingue o distrito de Cachoeira do Roberto, sendo seu território repartido entre os distritos de Afrânio(ex-São João de Afrânio), Rajada e Poço da Anta.
E permanece a povoação de Cachoeira do Roberto nessa situação decadente até a criação do novo município de Afrânio, pela lei estadual n.º 4.983, de 20 de dezembro de 1963, com instalação oficial em 31 de maio do ano seguinte. Então, nesse interregno, pela lei municipal nº 28 de 23 de dezembro de 1963, é restabelecido o distrito de Cachoeira do Roberto, não sendo, porém, instalado, o que só ocorre depois de ser recriado pela Lei Municipal n.º 13-A, de 20 de outubro de 1967, agora com novos limites territoriais e pertencente ao novo município, em cuja situação permanece até à atualidade. Aos poucos a povoação retoma os caminhos do progresso. Segundo o jovem historiador Ricardo de Araújo Rodrigues – que exerce o magistério em Afrânio –, o distrito sobrevive da agricultura de subsistência, pecuária extensiva, indústria cerâmica e comércio de gêneros alimentícios. Atualmente possui 90 domicílios e 300 habitantes(IBGE – Censo, 2011) e possui um cartório de registro civil das pessoas naturais.
Segundo informações que temos, a festa do Divino Espírito Santo é muito tradicional em Cachoeira do Roberto, reunindo grande número de fiéis no novenário que encerra-se no dia de “Pentencostes”, com festas e quermesses.
No que se refere aos 16 filhos do capitão Roberto Ramos da Silva (Roberto da Cachoeira), sei apenas que um de nome Roberto Ramos da Silva Filho, estabeleceu-se no vizinho território de Casa Nova(BA), onde faleceu em avançada idade, no ano de 1934, deixando descendência. Ao que sei a referida filha, Ana Maria Ramos, foi casada com o fazendeiro José Santana, ao que parece descendente do português Valério Coelho Rodrigues, gerando entre outros filhos: Francisco Martins Santana, que foi casado com Domingas Santana e Bertolina Maria de Jesus, que foi casada com José Marreiros. O primeiro casal gerou, entre outros filhos, meu bisavô Teodoro Francisco Martins, que foi casado com sua prima Adriana Maria de Jesus(minha bisavó), filha do segundo casal e que depois de viúva mudou-se para São João do Piauí, onde faleceu em 19 de fevereiro de 1959, aos 92 anos de idade. Esses últimos são os pais de treze filhos, entre esses minha avó paterna, Antonia Maria da Conceição, nascida na Cachoeira do Roberto, em 1907, onde viveu sua infância e juventude, casando-se na mencionada capela de Nossa Senhora das Dores, em 07 de julho de 1925, com meu avô paterno Joaquim da Silva Brasil, natural do arraial de Santa Rita, município de Casa Nova(BA), depois de alguns anos passando ao sul do Piauí, onde faleceram.
Com essas notas coligidas entre informações esparsas presto uma homenagem a esta antiga povoação pernambucana, pela qual nutro simpatia em face de ser a terra de meus avoengos e sobre a qual muito ouvi falar na meninice, na voz de meus ancestrais.

(Artigo publicado originalmente no jornal Meio Norte, de Teresina – PI, edições de 23 e 30 de março de 2012, com alterações promovidas pelo autor). 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

VIÇOSA, SEMPRE VIÇOSA E CHEIA DE GRAÇA (2)



26 de abril

VIÇOSA, SEMPRE VIÇOSA E CHEIA DE GRAÇA (2)

Elmar Carvalho

No domingo acordei cedo e acordei bem. Bem por isso, fui ao centro de Viçosa escolher os locais onde iria fazer umas fotografias. Em seguida aproveitei para tomar um delicioso caldo numa lanchonete da Praça General Tibúrcio. Constatei que os preços eram normais, sem nenhuma exploração de eventual turista. Voltei ao sítio. Preparamos as bagagens e fomos novamente ao centro histórico para tirar as fotografias, não sem antes irmos à lanchonete, de cujo caldo eu fizera entusiasmada propaganda.

Na mira da câmera, enquadrei o general Tibúrcio, ereto no topo de seu pedestal, em cujo lado frontal estão consignados dados de sua biografia. Numa das faces laterais do monumento foram estampados os nomes das principais batalhas de que ele participou, sagrando-se herói da Guerra do Paraguai. Lá, encarapitado no alto da coluna, o general parece ainda ditar suas ordens, pois a cidade me pareceu ordeira, aconchegante, limpa e bem cuidada, porquanto não vi papéis nem lixos espalhados nos logradouros. Aliás, observamos garis trabalhando em plena manhã de domingo.

A seguir, fui me postar aos pés do monumento erigido em homenagem ao grande jurista Clóvis Beviláqua, cuja esposa foi a escritora piauiense Amélia de Freitas Beviláqua. Ainda hoje é ele um nome respeitado da cultura jurídica nacional. Foi autor de importante livro sobre a história da Faculdade de Direito de Olinda e Recife. Esse grande jurista nacional foi o grande artífice do Código Civil de 1916, que vigorou até o ano de 2002.

Da Comissão dos 21, encarregada da elaboração desse Código, foi relator o piauiense Anísio Auto de Abreu. Ao que parece, o trabalho de realização dessa obra provocou uma espécie de ciúme em Rui Barbosa, que passou a atacar-lhe supostos erros, mormente gramaticais. Anísio de Abreu, de forma altiva e firme, retrucava, em defesa de seus pares, chegando a ironizar o excessivo rigor da Águia de Haia. Rebatendo o mestre do vernáculo e do Direito, Anísio de Abreu mostrou que Rui também errava, que Rui também cochilava: “Na via dolorosa da publicidade a que nos arrastaste, atrelados ao carro dos teus triunfos, permite que digamos. Mestre! Tu também és humano, tu também és frágil, tu também és mortal! Como nós – estás sujeito ao erro e também erraste!” E apontava-lhe os equívocos, um a um.
Antônio José, Miguel Carvalho, Canindé Correia e Elmar,  próximos à estátua de Clóvis Beviláqua

Na estátua, Clóvis Beviláqua segurava um livro, como símbolo de seu saber, de sua cultura e de sua dedicação aos estudos. Conta-se que ele era um homem bom, envolto numa aura de quase santidade. Li que pássaros revoavam no interior de sua casa, talvez porque pressentissem que ali morava um homem que os amava, e que jamais os maltrataria. O escultor, cujo nome não anotei, bem parece ter captado essa faceta da personalidade do grande jurista, visto que o semblante da escultura deixa transparecer certo ar de paz, de tranquilidade, de beatitude mesmo. A desembargadora Águeda Passos Rodrigues Martins, que foi presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, instalou em Viçosa o Memorial de Clóvis Beviláqua, que bem merecia a homenagem.

Por fim, fui à Praça da Matriz, onde fotografei a vetusta igreja de Nossa Senhora da Assunção, de coloniais linhas sóbrias, austeras, exceto no frontispício, de discreta sinuosidade. Sua inauguração data de 15 de agosto de 1700, porém o povoamento de Viçosa do Ceará começou bem antes, remontando a 1590, quando franceses provenientes do Maranhão tiveram contato com os índios da região, até sua expulsão em 1604 por Pero Coelho de Sousa. Segundo o padre Ascenso Gago, superior dos missionários ibiapabenses, a data de fundação da urbe seria 1695. O fato é que nesse período existia a missão dos padres jesuítas, que tentavam catequizar os índios Tabajaras, dando origem à Aldeia da Ibiapaba.

Essa povoação, em 7 de julho de 1759, foi elevada à categoria de vila, passando a chamar-se Vila Viçosa Real da América. No adro do templo, após a missa, vi as pessoas envergando suas fatiotas domingueiras. Aos poucos, sozinhas ou em pequenos grupos, desceram as escadarias e seguiram pelas ruas, algumas estreitas e um tanto sinuosas. No centro histórico ainda são conservados velhos solares, vetustos casarões, testemunhas de um outro tempo, que ainda se insinua das janelas e escorre pelos becos da imperial cidade serrana.

Quando estive na lanchonete, num rompante de alegria e entusiasmo pela bela cidade, pelos jardins bens cuidados de suas praças, pelas encostas arborizadas de seus morros, inclusive com plantas ornamentais, disse, em tom de discurso, uma frase de efeito, feita ao sabor do improviso: “A nossa Viçosa está cada vez mais viçosa!” Alguns circunstantes sorriram, parecendo gostar da galanteria. A esse arroubo, talvez um tanto condoreiro, gostaria, agora, de acrescentar: “Mais viçosa e mais cheia de graça”.

Café com Chá (IBENS) apresenta Da Costa e Silva


quarta-feira, 25 de abril de 2012

VIÇOSA, SEMPRE VIÇOSA E CHEIA DE GRAÇA (1)




25 de abril   Diário Incontínuo

VIÇOSA, SEMPRE VIÇOSA E CHEIA DE GRAÇA (1)

Elmar Carvalho

Alguns meses atrás, disse para o amigo Vicente Miranda, notável historiador, autor de Três Séculos de Caminhada, que revela a saga de sua família, e consequentemente termina por conter importantes dados históricos do Ceará e do Piauí, porquanto fala de velhas estirpes de Viçosa do Ceará e de Piracuruca, que estava desejando adquirir um pequeno lote de terra em sua aprazível terra natal. Ele, então, me recomendou ter calma, e me ofereceu seu sítio para passar um final de semana, para que eu pudesse procurar um imóvel de melhor preço e de boa localização. Embora no momento eu tenha abortado essa ideia, pedi-lhe a chave do sítio, que ele me oferecera espontaneamente, e fui passar o sábado e o domingo na serrana e imperial Viçosa.

Fomos, além de mim, minha mulher, Fátima, meu pai, Miguel, minha mãe, Rosália, minha irmã Maria José e o seu filho Almeida Neto. Meus pais vieram de Campo Maior, em companhia do meu irmão Antônio José e de sua mulher Maria de Jesus. A minha irmã veio de Parnaíba, onde reside. Ainda desta cidade vieram o tenente Nonato Freitas (Natim), sua namorada Ana Paulo, o Beré, meu cunhado, e o meu amigo e compadre Canindé Correia. No meu carro foram também minha filha Elmara, sua amiga Williane e meu amigo Zé Francisco Marques, instrumentista, compositor e professor da rede pública e particular, que recentemente foi premiado pelo governo estadual como o melhor professor de Campo Maior, através de eleição em que os votantes foram os alunos.

Ao chegarmos, fui buscar as chaves da casa, que se encontravam com Antônio Pedro, irmão do Vicente Miranda, e que, em sua motocicleta, seria nosso guia, até o sítio. Ele tratou de me entregar um litro da legítima e pura cachaça serrana, por recomendação vicentina, para rebater o frio da Ibiapaba. Quis desobrigá-lo da missão de nos guiar, porquanto, em Teresina, o nobre Vicente me fizera desenhar um mapa, sob sua orientação, onde anotei os detalhes suficientes para não me embaraçar na localização da chácara. Mas Antônio Pedro foi firme e enfático:
- De maneira nenhuma, tenho que orientá-los, se não o Vicente vai se chatear.

Fomos os primeiros a chegar, mas um pouco depois chegaram os demais companheiros, vindos de Parnaíba. Após nos instalarmos, com os trabalhos de armação de redes e colocação das bagagens nos aposentos adequados, fomos dar início aos trabalhos de pasto e de cautelosa libação. Ficamos num dos alpendres, a olhar a floresta e os cerros a se azularem na distância. Para nossa maior satisfação, quando foi por volta de 3 horas da tarde, caiu um repentina e generosa chuva. O clima serrano, agradável, temperado, tornou-se ainda mais frio. Parecia até uma carícia celestial a nos afagar a pele. De imediato formaram-se densas névoas, por entre o verde das árvores e nos cabeços dos montes. Então, pela primeira vez, ouvi o canto melodioso e alegre de uma sericora, a saudar a chuva que caía.

Quando foi às quatro horas da tarde o Canindé anunciou que ia dormir, pois iria às 18 horas iria com o Natim assistir a um jogo, pela televisão, na cidade, que fica a poucos quilômetros. Pensei que ele iria ser traído pelo sono, mas, quando foi precisamente no horário marcado, acordou e cobrou do Natim o cumprimento do trato. Este honrou a palavra, e os dois foram assistir ao futebol, porém retornaram antes do início do segundo tempo. A conversa e a música prosseguiram noite adentro. O Zé Francisco Marques estava deveras inspirado, e com certeza não perderia para o Turíbio Santos numa disputa entre violonistas consumados.

Quando paramos de perturbar o mestre com pedidos e mais pedidos para que ele tocasse determinada música, e ele pôde seguir o seu próprio repertório, por sinal de muito bom gosto, a sua performance solo transformou-se num verdadeiro espetáculo musical, com músicas que transitavam da velha guarda à velha jovem guarda, passando pela velha e boa bossa nova e pela tropicália, sem descurar de uma belas pepitas da MPB.

Obviamente, não teve vez a famigerada axé music, o horripilante funk e nem o enfadonho forró eletrônico, em que imperam as letras grosseiras, de evidente mau gosto. A música prosseguiu no silêncio e na solidão da chapada da Ibiapaba até o cansaço e o bom senso nos recomendarem o repouso e o sono. Dormi muito bem. Ainda que eu pudesse, não precisaria desligar o ar condicionado da fria madrugada serrana.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Jesus Cristo fora da Bíblia



José Maria Vasconcelos
josemaria001@hotmail.com

No feriado da Semana Santa, recolhi-me no sítio. Recolher-se, acolhendo familiares, tarefa saudável, porém complicada pelo barulho e cozinha farta. Precisava saciar-me o espírito, estudando a história de Jesus Cristo, fora dos relatos bíblicos. Selecionei cronistas confiáveis, do início do cristianismo, sem enxertos lendários e sentimentais, como projeta o cinema e vendedores de ficção. Em seguida, fui atrás do que ainda se conserva dos primitivos pergaminhos e papiros dos evangelhos. O resultado foi grata satisfação para minha surpresa, de me aprofundar em Jesus Cristo, histórico, na fé inteligente, sem melosidade. Aprecie comigo valiosos depoimentos de testemunhas primitivas, fora da Bíblia. Papiros e pergaminhos dos evangelhos ficam para outra oportunidade.
Publius Cornelius Tacitus, nascido no ano 55, depois de Cristo, e morto em 120, escritor, orador e cônsul romano, falando do incêndio de Roma, ano 64: "Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vem-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador romano Pôncio Pilatos..."
Plínio Jovem, governador da Bitínia, na Ásia Menor, escreveu ao imperador Trajano, no ano 112 "...os cristãos estavam habituados a se reunir, em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus." Caius Suetônius Tranquillus, historiador romano, referindo-se ao reinado do imperador Cláudio(41 a 54): "Ele expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestrós (forma grega de Cristo), causadores de frequentes tumultos." Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos (cap.18), escrito pelo evangelista Lucas: "Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma." O Talmud (coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos posteriores a Jesus, que eles próprios combatiam: "Na véspera da Páscoa, suspenderam a uma haste(cruz) Jesus de Nazaré. Durante 40 dias, um arauto, à frente dele, clamava:"Merece ser apedrejado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo a justificar venha proferi-lo!" Nada porém se encontrou que o justificasse, então suspenderam-no à haste, na véspera da Páscoa."
Flávio Josefo (37 a 100), historiador judeu, fariseu, que acompanhou e descreveu de destruição de Jerusalém pelos exércitos romanos, também deixou esta preciosa informação em seu livro, Antiguidades Judaicas: "Por essa época, apareceu Jesus, homem sábio, se há lugar para chamarmos homem. Porque Ele realizou prodígios...arrastou judeus e gregos...Ele era o Cristo...Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-O ao suplício da Cruz...ao terceiro dia apareceu ressuscitado, como anunciaram os divinos profetas, juntamente com mil outros prodígios. Ainda hoje subsiste o grupo, que recebeu o nome de cristãos."
Existem dezenas de evangelhos não aceitos por exegetas sérios. Trata-se, segundo eles, de textos apócrifos, isto é, que não apresentam inspiração divina, mas interferência de sentimentos pessoais dos autores..
Meio a árvores, plantas, frescor, pássaros e silvo da floresta, fica fácil experimentar a presença e estudo de Deus. Porque o bem não faz barulho nem o barulho faz bem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Considerações acerca do centro histórico de Campo Maior




Joca Oeiras

Na sexta-feira,13 e no sábado, 14, passados estive em Campo Maior. Fiz a viagem a propósito de assistir, no sábado pela manhã, a uma palestra do renomado arquiteto Olavo Pereira da Silva Filho, convidado, que fora, pessoalmente, por ele. A palestra –fragmentariamente reproduzida abaixo – versou sobre o Centro Histórico de Campo Maior do ponto de vista de sua preservação e desenvolvimento.
 A Academia Campomaiorense de Artes e Letras - ACALE promoveu o evento que contou com o apoio da Prefeitura de Campo Maior – o prefeito Paulo Martins se fez presente – de lojas maçônicas, Lions Clube e Sol Clube. A superintendente do IPHAN no Piauí, arquiteta Claudiana Cruz dos Anjos  também estava lá.Durante o evento foi passado um abaixo-assinado dirigido ao IPHAN solicitando àquele Instituto abertura de um processo para o tombamento do Centro Histórico de Campo Maior, a exemplo do que já ocorreu em Oeiras, Parnaíba e Piracuruca.

O Olavo, de quem, por seu incansável trabalho preservacionista, o Piauí  (e não apenas o Piauí) é devedor, ficou surpreso com a minha presença e declarou-se grato por ter-me deslocado de Oeiras até a Terral dos Carnaubais apenas para vê-lo palestrar. Até presenteou-me com o belo livroArquitetura Luso-Brasileira no Maranhão.
Claro que há um pouco de exagero nisso pois fiz um passeio bastante agradável, saboreei a melhor carne de sol do nordeste brasileiro e é sempre um prazer, para mim, visitar a simpática e acolhedora terra dos Heróis do Jenipapo, independente de qualquer motivação para tanto

Tratar da preservação de uma paisagem histórica, especialmente de estruturas arquitetônicas e urbanísticas é como  tratar do próprio corpo humano. Como um médico para prescrever um tratamento, preventivo ou curativo, das doenças da mente, do corpo e da alma, prescinde de um diagnóstico. Também no planejamento urbano necessitamos de investigações, de reflexões e dessa visão holística da saúde urbana, dos descuidos e intervenções que acarretam seqüelas irremediáveis.
E é nesse sentido precisamos evidenciar os impactos físicos e sociais que contribuem para a perda de identidade de uma cidade. Em síntese, esta é uma proposta de reflexão e de urgentíssimas ações de salvaguarda.
Aqui não cabe falar de culpados, mas, não podemos ignorar nossas responsabilidades. Portanto, não se espantem com as imagens, um tanto quanto agressivas, que vou projetar, mas isso é necessário para uma apreensão mais ampla de uma paisagem cultural.
Campo Maior há muito vem sendo louvado, sobremaneira por acadêmicos, desta e de outras casas, alguns aqui presentes, outros que já não se encontram entre nós, como H.Dobal e Odylo Costa, f, campomaiorenses não nativos deste campo, mas, pelo sentimento ecumênico e visceral, no dizer de Manuel Bandeira, projetaram esse lugar ao mundo como uma das maiores provas de nossa identidade cultural.

Nesse complexo urbano, É esse equilíbrio entre os valores dos terrenos e das edificações que consolida identidade e garante a auto-sustentabilidade de um cenário. É com esse cenário de sentimento integrado que podemos evitar o paternalismo patrimonial. A perspectiva uniforme das casas perfiladas e agarradas umas às outras, justapostas às testadas dos lotes, associadas à aplicação de componentes estruturais, expressa uma interdependência construtiva e confere uma unidade urbana embasada em antigas Posturas, difundidas por todo o tempo colonial e imperial e que ainda referência essa paisagem.
Nesses telhados não há 2 telhas iguais. Nessas paredes não há 2 tijolos de mesmo peso, 2 janelas de mesmo vão, 2 casas de mesmo volume. Mas, as formas se espelham, os telhados se unificam, os vãos se correspondem. Que paisagens, então podemos associar a essa identidade? A de feituras imanentes do fenômeno plástico, referências ao sentimento estético, substratos de uma arquitetura de alma flamejante, filtrada numa paisagem elegíaca, sensível à estética, ou de simbologias do pseudo progresso urbano? Ou a da desconstrução de identidade? Cada vez mais, cenários tradicionais vêm se tornando impossíveis de apreensão, frente às mutações não de desenvolvimento planejado, mas de crescimento desordenado, amparado na doutrina positivista de progresso e desenvolvimento, arbitrado na inconseqüência social, que de bom tempo estão anulando a identidade da cidade. Nesse cenário, que antropólogo, pesquisador ou turista viria aqui para apreciar um prédio de supermercado ou esse tipo de arquitetura?

Esse é um vestíbulo, lugar de receber e que também reflete hospitalidade e uma organização de uma época que em nada prejudica o uso atual. Imaginem essa casa sem essa setorização característica, sem essa antecâmara separando a área intima da social. Sem essa cancela, provida de postigo vazado, que deixava o interior reservado, sem maior exposição aos estranhos, e que facilmente permitia a identificação de quem chegava. Imaginem essa casa só com fachada. Quanto se perderia pela destruição dessa configuração? Há nisso, uma coesão espacial ordenando as frontarias e articulando o interior com os planos das fachadas, coberturas e sistemas construtivos, confirmando a aplicação de antigos esquemas reguladores. De frentes cerradas e formais, sem alpendre e de fundos abertos e relaxados a casa da cidade é a casa de campo. Desprendida de intenção alegórica, é a essência artística de um tempo, mesclada no engenho português e na conveniência do semi-árido. Forma que é a estrutura. A origem rural dos primeiros núcleos urbanos do Piauí, aliada a um parcelamento relaxado do solo, iria conferir um caráter rústico à casa da cidade. Esses sistemas construtivos expressam formas e modos do habitar e construir que formataram essa cidade. Numa rápida comparação com as casas antigas de Minas, se destacam peculiaridades locais de materiais e sistemas construtivos próprios. Se ao clima frio, opulência e relações senhor - escravo se baliza maior resguardo e desenho fechado daquela. Ao calor abrasivo, despojamento e relações senhor - vaqueiro se formata aberta e relaxada esta.

Uso e conservação atuais refletem o potencial da cidade,  como um lugar muito especial para se viver, com o conforto e qualidade de vida que a tecnologia atual proporciona. As varandas abertas para os quintais e as fachadas fechadas para o exterior, com vãos protegidos de guilhotinas, rótulas e calhas, não foram apenas uma preocupação de acomodação às condições climáticas do sertão abrasivo. Mas, ajustamento de posturas urbanísticas e dos recursos técnicos então disponíveis. Os desaprumos acentuam a estética artesanal enquanto arrojadas estruturas de carnaúba amarradas com relho cru fazem a diferença. A religiosidade, presente na imaginária e nesses singelos abrigos de devoção, e o zelo com os bens móveis existentes são também expressões presentes no uso dessas moradias.

Ver, passa por essa perspectiva ousada e profundamente perturbadora do tecido urbano, em toda sua diversidade cultural. Por trás dessas fachadas, recobertas de escórias, encontram-se os fundamentos sociais, econômicos e culturais que alicerçaram essa cidade.

A arquitetura não é apenas um prédio com determinada função de uso, mas também o que agrega e ressoa em seu redor. Os desequilíbrios entre os valores comerciais dos terrenos e das edificações anteriores, é assim, fatal para a perda de estruturas arquitetônicas.

A responsabilidade dos educadores é muito grande e maior ainda a dos gestores públicos, porque mais importante que saber desenhar o alfabeto é saber ler uma paisagem.


Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhi recebeu, em 2008, o prêmio Rodrigo Melo Franco conferido, anualmente, pelo IPHAN, a iniciativas que se destaquem na defesa e preservação do Patrimonio Cultural brasileiro

Fonte: site da Fundação Nogueira Tapety. Autor: Joca Oeiras.

domingo, 22 de abril de 2012

INSÔNIA



INSÔNIA

Elmar Carvalho

No silêncio abissal
da noite estagnada
a engrenagem pesada
do tempo se desenrola
e desaba sobre mim.

As botas cadenciadas
das horas marcham
- lentas lesmas –
marcham infinitamente
na noite sem fim...

sábado, 21 de abril de 2012

ANTOLOGIA DO NETTO


Texto e charge: João de Deus Netto


RAMSÉS RAMOS

Ramsés Bahury Ramos nasceu em Teresina, Piauí, em 1962, descendente de família de músicos. Viveu em Brasília e trabalhou nas Nações Unidas, como chefe do Cerimonial e de Relações Internacionais. Viveu também na Tchecoeslováquia e na Espanha. Faleceu na Rússia em 1998.

Lançou seis livros de poesia: Dois Gumes (1981), com Rosário Miranda; Envelope de Poesia (coletivo); Dança do Caos (1981), com Kenard Kruel, Eduardo Lopes, William Melo Soares e Zé Magão; Percurso do Verbo (1987); Baião de Todos (coletivo, 1996); e Poemas da Paixão (Praga, 1992).

sexta-feira, 20 de abril de 2012

FAP recebe Mostra SESC: PoeMitos da Parnaíba, Poesia e Charge



A Faculdade Piauiense recebeu na tarde desta quinta-feira (19), a mostra “PoeMitos da Parnaíba – poesia e charge”, baseada no livro “PoeMitos da Parnaíba”, de autoria de Elmar Carvalho e do chargista Gervásio Castro.
A Mostra “PoeMitos da Parnaíba” ficará em exposição na instituição até o dia 02 de maio. O acervo possibilita conhecimentos estéticos e históricos sobre Parnaíba.

Fonte: FAP e Portal Proparnaíba.

HOMENAGEM E EMOÇÕES

João Alves Filho e sua esposa Geni


Antônio de Pádua Aragão da Silva
Mestre instalado


O maçom e escritor João Alves Filho, membro emérito e ativo da Loja Maçônica Costa Araújo nº03, que tem como Venerável o maçom José Flávio Furtado Marinho, foi o centro das atenções por tão significativa homenagem que as Lojas Maçônicas lhe prestaram na noite de ontem, dia 18.04.12, em reunião ordinária da Loja do homenageado, nas comemorações dos seus 42º aniversários de atividades maçônicas, sem nenhuma interrupção ao longo desse longo período.
Foi uma noite muito especial e compareceram para brindarem com a Loja Costa Araújo,por ter no seu quadro irmão da estirpe de João Alves Filho, as lojas co-irmãs: Mestre Araújo Chaves nº12; Pátria e Liberdade nº02; Fraternidade Campomaiorense e Monge do Tibet. Fez parte da comitiva que se deslocou de Teresina para cumprimentar o maçom João Alves Filho, o irmão José Carlos, candidato a Grão Mestre, da Soberana Grande Loja Maçônica do Estado do Piauí.
O homenageado foi surpreendido com uma comissão de cunhadas, lideradas pela esposa Geni Maria Gonçalves da Costa Araújo Alves. A comissão recebeu atenção especial do Venerável Flávio Marinho e sentaram do lado norte da Loja.
O Venerável designou o irmão Antônio de Pádua Aragão da Silva, para proferir o discurso de saudação ao irmão homenageado João Alves, formalizado, tarefa que passou ao irmão secretário João Leal sobrinho, que proferiu com excelente desempenho.
Falou o homenageado afirmando que dois terços de sua vida, hoje, com 67 anos de idade, têm sido dedicados à maçonaria e que se fosse necessário, começaria tudo de novo, pois, a maçonaria é realmente a grande escola da vida. João Alves fez o seu emocionante pronunciamento, de uma eloqüência clara e sentimental, de improviso, para encanto dos maçons presentes, que o aplaudiram de pé.
O irmão Herivelto da Silva Cordeiro (2º Vigilante), presidente da Academia Piauiense de Mestres Maçons-APMM, fez sua saudação acadêmica, enaltecendo a dedicação do irmão maçom e do escritor João Alves, por tantos livros publicados, todos de ótimas qualidades literárias. O irmão e Deputado Federal acadêmico Domingos José de Carvalho, representante do Grande Oriente do Estado do Piauí, que se fazia acompanhado do Venerável José Faustino dos Reis, saudou o homenageado João Alves, em nome da Loja Maçônica Fraternidade Campomaiorense. Pronunciaram-se com suas homenagens em nome de suas Lojas, o irmão Gilmar Saraiva, da Loja Mestre Araújo Chaves nº12; Irmão José Narciso do Monte, da Loja Monge do Tibet; Irmão Reis, Venerável da Loja Pátria e Liberdade nº2; o irmão João Leal Sobrinho – Secretário da Costa Araújo; o irmão José Carlos, candidato a Grão Mestre.
Foi o que pude registrar.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

QUASE UM CONTO


20 de abril   Diário Incontínuo

QUASE UM CONTO

Elmar Carvalho

Uma pessoa falou para minha mulher que a polícia militar foi executar uma blitz em determinado local da periferia de Teresina, onde costumam se reunir viciados em substâncias tóxicas, inclusive o famigerado e terrível crack. Ao flagrarem um usuário desta última droga, não se sabe ao certo por que motivo, ou mesmo se sem motivo específico, um policial começou a espancar violentamente o rapaz, que já estava rendido, e sem esboçar qualquer gesto de resistência.

O policial deu-lhe vários socos e pontapés. Uma mulher da vizinhança, conhecida do rapaz espancado, condoeu-se de seu sofrimento. Foi buscar o seu bebê, de poucos dias de nascido, botou os seios para fora, fingindo amamentar a criança, e começou a gritar, como se estivesse desesperada, com os cabelos desgrenhados. Pediu ao soldado não matasse o seu marido, afirmando que ele podia ser um viciado em droga, mas que não era um bandido, e que não fazia mal a ninguém, a não ser somente a ele mesmo.

Ante o clamor e o desespero da mulher, o policial parou de espancar o dependente químico, como se diz hoje, na linguagem considerada como politicamente correta. Aquela mulher não era atriz e nem era parente daquele homem; arriscou-se até ao incômodo de ser conduzida a uma Delegacia de Polícia, quando ainda estava de resguardo. O que a teria levado a agir daquela maneira? Decerto o amor ao próximo, o repúdio à violência desnecessária contra o próximo. Com certeza tinha um bom coração, e com sua inteligência e astúcia feminina armou aquela encenação que fez cessar a arbitrariedade, que poderia ter levado à morte o infeliz viciado.

Poderia ter ido dormir, sem remorso ou peso na consciência, sob o argumento de que não tinha nada com aquilo, de que não fora causa do espancamento, e de que precisava cuidar de seu tenro bebê. Talvez ao engendrar o seu plano para livrar o rapaz da sanha brutal do soldado, foi possuída por forte emoção, quem sabe a pensar que no futuro aquela cena de murros e coices poderia acontecer com seu filho, e tornou-se convincente como atriz improvisada, ao sentir como sua realidade o que poderia ser a realidade de uma outra mulher, de uma outra mãe – a mulher ou a mãe daquele pobre e infeliz ser humano. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Poetisa Marleide Lins recebe título de cidadania teresinense


Olegário Borges

A poetisa Marleide Lins receberá título de cidadania teresinense nesta quinta-feira (19). A honraria é proposta pela vereadora Rosário Bezerra (PT), sendo aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores. A solenidade de entrega será realizada no plenário da Câmara Municipal, às 19h. 

Natural de São Paulo, Marleide Lins de Albuquerque é poetisa, teatróloga, produtora fonográfica e designer gráfico. Ela participou dos movimentos culturais da década de 70 e encontra-se radicada em Teresina desde então. Foi coordenadora de Literatura e Editoração da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e também editora e designer das revistas “Cadernos de Teresina” e “Presença”.

O trabalho de Marleide Lins é memorável. A autora já participou de uma série de obras literárias pelo Brasil inteiro, enaltecendo o nome do Piauí e de Teresina nos círculos literários. Ainda por cima, é creditada como poetisa em diversos livros sobre literatura piauiense. Ou seja, é uma homenagem muito justa”, destaca a vereadora Rosário Bezerra. 

Marleide Lins de Albuquerque publicou os livros Sub-Vivo (1979) e Plexo Solar (2010), assim como as peças Baile da Morte (1982) e Bay, Bay, Baygon (1985), em co-autoria com Adalmir Miranda. É servidora da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e, desde 1996, desenvolve trabalho em seu próprio estúdio de arte.

O HEROICO MACAQUINHO


18 de abril   Diário Incontínuo

O HEROICO MACAQUINHO

Elmar Carvalho

Nos tempos em que a TV ainda não havia escravizado as pessoas, em que os bandidos eram poucos e os ladrões eram sutis, praticamente invisíveis, já que os furtos e roubos eram praticados discretamente, nas caladas das frias madrugadas; nos tempos em que as pessoas podiam ficar à porta de suas casas, sentadas em cadeiras postas sobre as calçadas, os vizinhos conversavam à vontade e sem pressa, enquanto as crianças brincavam, ao som das cantigas de roda, que ainda hoje ressoam na memória dos saudosistas. Nesse tempo as pessoas contavam estórias de Trancoso e de outros geniais mentirosos. Muitas eram estórias do tempo em que os bichos falavam, como se dizia, geralmente na abertura da narrativa. Macacos, onças, cachorros, jacarés e outros animais de menor “ibope” povoavam essas fábulas, muitas de fundo moralizante ou edificante.

Além dessas estórias, li ou ouvi alguns poemas cuja temática eram peripécias em que os protagonistas eram os bichos. Dois desses textos narravam episódios que tinham como heróis cachorros. Não mais recordo os detalhes do entrecho. Talvez estejam disponíveis na internet, mas não fui averiguar. Num deles, um dono levou o seu cão sarnento, velho e doente num barco, para soltá-lo distante da praia, para dessa forma matá-lo e livrar-se do animal, que já se lhe tornara um fardo. Todavia, para sua surpresa, ao amanhecer, encontrou o animal morto à sua porta. O animal, numa devoção impressionante ao dono, resgatara das águas um chapéu da maior estima do homem, caído quando este se curvara para lhe arremessar nas ondas.

Em outro longo poema, o dono da casa, ao regressar de madrugada ao seu lar, encontrou o quarto de sua filhinha revirado, com o berço fora do lugar; como não ouvisse choro e notasse manchas de sangue em seu cão, deduziu que ele havia matado sua filhinha. Imediatamente o abateu a tiro. Um pouco depois, descobriu um lobo morto, e viu que a sua criança dormia com a despreocupação de um anjo. Arrependido, torturado pelos aguilhões do remorso, constatou que o seu cachorro travara medonha luta com o lobo, para salvar sua filha. Eram dois poemas comoventes, que levavam as pessoas às lágrimas.

Dias atrás, soube pela internet de um caso verídico, acontecido com um filhote de cão e um pequeno macaco. Durante um grande incêndio numa fábrica chinesa, em que houve intervenção do corpo de bombeiros, quando menos se esperava irrompeu de dentro do prédio, tomado pelas chamas, de modo espetacular e surpreendente, um macaquinho a trazer, seguro pelas patas dianteiras, um filhote canino, quase do seu tamanho. O macaco, ereto sobre as patas dianteiras, curvava o corpo para trás, em tremendo esforço, para equilibrar o peso do cãozinho, que conduzia à sua frente, segurando-o com suas mãos. Notava-se que o macaco estava com os olhos esbugalhados, totalmente focado no esforço descomunal que fazia para salvar o filhote que não era seu, que sequer era de sua espécie.

Numa época em que vemos seres, ditos humanos, matarem seu semelhante por causa de um celular, um relógio ou alguns centavos, em assalto a mão armada, esse episódio me comoveu profundamente. Achei um episódio sublime, digno de uma epopeia como as de antigamente, merecedor de que um Homero ou um Camões o narrasse, em versos magistrais. Fiquei a imaginar o que levara o macaquinho a violentar o seu instinto de sobrevivência, para retirar do prédio em chamas aquele filhote de cachorro, quase do seu tamanho; que amor, que desprendimento o levara a cometer aquele ato de bravura, quase loucura?

Acredito que, enquanto o homem maltratar os animais, com chicotadas e pontapés, ainda terá muito o que aprender e evoluir; enquanto os maltratar, impondo-lhes a escravidão de lhes carregar fardos pesados, sob o terror das chibatadas, o ser humano ainda estará muito distante da santidade. Por milênios e milênios, cavalos, burros, jumentos, camelos, bois e dromedários têm sido alimárias, a cumprirem jornadas estafantes de penoso trabalho, em prol do homem, que lhes domestica, escraviza e maltrata. Talvez seja chegado o momento de se criarem leis que libertem esses animais. O homem, de há muito, já tem as próteses dos carros e motocicletas, e bem poderia alforriar esses nossos irmãos, como disse Gonzaga e padre Vieira (não o Antônio, o sacro orador).

Muito ainda precisa ser feito. Florestas são dizimadas, sem maiores preocupações com os animais que lhes habitavam. A reserva florestal deveria ser fiscalizada com rigor, e as punições deveriam ser severas. O egoísmo individual não pode predominar sobre o interesse da coletividade e de toda a fauna. Como ainda nos alimentamos de carne, que ao menos os animais não sejam abatidos com sofrimento. Que a bravura e o altruísmo do macaquinho nos sirvam de lição e advertência. Lição para que lhe sigamos o exemplo; advertência para que não maltratemos os animais, cujos sentimentos, reações e tipo de inteligência sequer conhecemos. Lembremo-nos sempre de que viajamos na mesma nave, ao redor do Sol. E se a nau for a pique, também iremos com ela.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Da necessidade do estímulo e do reconhecimento na literatura

Escultura de Braga Tepi. Foto: Elmar Carvalho


Cunha e Silva Filho

Há um conhecido e admirado compositor de nossa música popular, Nelson Cavaquinho ( 1911-1986), que costumava dizer que, se alguém quisesse homenageá-lo, que o fizesse enquanto vivo fosse. Disso está bem seguro e pimpão o ex-presidente José Sarney, que tem, no Maranhão, busto, estátua ou algo parecido. No entanto, seria preciso fazer uma distinção entre os que merecem o reconhecimento pelo seu valor intrínseco (artístico, cultural, científico, religioso, humanitário etc) e os que o recebem apenas por razões subalternas concedidas por áulicos, por agremiações oficiais, por deferências nem sempre meritórias, como amiúde se vê pelo país e mundo afora. No segundo caso, nada acrescentam que engrandeçam o homenageado. São favas mortas, areia em deserto estéril.
Limitemos o alcance desta crônica ao campo da literatura. É nesse universo que talvez se cometam as mais graves injustiças. Nas histórias da literatura brasileira que conhecemos, dificilmente o historiador não comete crassas omissões, sobretudo ao selecionar o corpus de autores que irão figurar no seu trabalho. Neste sentido, as dificuldades só têm paralelo na organização das antologias poéticas ou ficcionais.
Reconheço a complexidade da tarefa, espinhosa e tendente ao erro da omissão, sobretudo quando o historiador não se deu ao beneditino trabalho de olhar para fora do eixo Rio-São Paulo. Como, numa pesquisa, selecionar, com segurança e objetividade, um autor que mereça ter um valor nacional? Esta pesquisa, se não for conduzida com muito cuidado e imparcialidade crítica, pode levar a relativizações estimativas, incluindo autores imerecidamente ou levar o historiador a desistir de seu trabalho nessa direção, preferindo, ao contrário, se acomodar aos nomes há tempos consagrados no cânone nacional.
Cada vez mais, reconheço ser este o nó que deve ser criteriosamente desatado na pesquisa do historiador. Não estou pedindo que ele vá enfileirando a esmo nomes de autores sobre os quais não detém um conhecimento de leitura mais profunda . A este impasse, avento uma saída: por que, primeiro não conhecer os mais representativos autores regionais e, em seguida, filtrar realmente aqueles que não podem permanecer sempre na condição de mérito apenas regional, quando há muito tempo deviam estar incluídos no cânone nacional. Para isso, há sempre fontes de histórias da literatura dos estados brasileiros, nas quais o historiador escrupuloso pode “descobrir” grandes talentos com boa produção local e que são conhecidos apenas no restrito grupo de intelectuais de cada região brasileira. A inclusão ou exclusão de nomes de autores em todos os gêneros literários não pode ser um mero capricho do pesquisador, que vai atender a apelos não rigorosamente de valorização estética mas de amizades fortuitas, ou motivado por questões que se situam fora do estritamente artístico.
A historiografia literária no país, sem exceções, gostaria de adiantar, tem cometido injustificáveis omissões e erros de avaliações de autores em todos os tempos da nossa produção literária. Na contemporaneidade, onde é imensa a safra de novos autores, a dificuldade ainda pode bem maior. Arrisco a afirmar que, no futuro, graças aos benefícios trazidos pela informática, as histórias literárias serão escritas em grandes unidades periodológicas equivalentes a uma a uma bem acabada história literária nos moldes das que atualmente conhecemos, i.e., abrangendo todos os períodos literários conhecidos, mas escritas - e aqui reside uma das lacunas em obras desta natureza - num único volume, como a de Alfredo Bosi, ou algumas outras. As sínteses são bem-vindas, porém são insuficientes.
Alguém poderá argumentar: mas já existem umas poucas mais ou menos nos parâmetros que sugeri atrás, ou seja, por exemplo, como a de Massaud Moisés ( escrita em três volumes só por ele), a de Sílvio Castro (coletiva) e a mais antiga, a de Afrânio Coutinho, também coletiva. Claro, existem na atualidade todas essas histórias literárias, porém incompletas, não atualizadas até o momento, além de incompletas na sua amplitude relativa a novos e jovens autores. Além disso, na maioria repetem sempre conhecidos cânones, os que alhures chamei, imitando alguém, de happy few. Recorde-se, a propósito, que no passado, Sílvio Romero (1851-1914) e José Veríssimo ( 1857-1916) – sozinhos – já haviam publicado suas histórias literárias da literatura brasileira em vários volumes. As visões e os métodos de elaboração de pesquisas não são tão velhos assim como parecem. Os novos tempos apenas alteram e se ajustam às necessidades do presente.
As divisões periodológicas, como as que propôs Afrânio Coutinho (1911-2000), na sua bem conhecida Introdução à literatura brasileira, se adaptadas aos nossos tempos, poderão ser aprofundadas e quantitativamente aumentadas no que concerne a nomes de autores de alto nível literário, que até agora se encontram em situação de estagnados em termos de reconhecimento e visibilidade nacionais. Em razão do enorme estoque de autores de primeira plana, mais se justificaria uma mudança, uma necessária atualização do corpus de autores. Essa lacuna precisa ser preenchida sob pena de incidirmos em imperdoáveis omissões de nosso patrimônio cultural, inclusive no que se refere ao passado. O poeta maranhense, Joaquim de Sousa Andrade( 1832-1902), Sousândrade, não é nossa única e grandiosa “descoberta”.
Vejo que, em futuro próximo, na área de letras, haverá necessidade de maior especialização de professores e pesquisadores em determinado período literário, não se permitindo, no entanto, é evidente, na sua formação geral, que deve ser sólida, que eles desconheçam o conjunto geral de nossa história literária. É que a fragmentação de períodos só terá a aproveitar com o conhecimento mais profundo do especialista, notadamente desde Modernismo de 22 até o período um tanto difuso do que se convencionou chamar contemporaneidade – período histórico-literário que, pela imensidade de autores e de diferentes rumos temáticos e formais por que tem passado o fenômeno literário, nos seus dois eixos maiores, a poesia e a ficção, se torna, assim, muito mais complexo.

Nota ao leitor: O texto acima foi revisado por força de o autor desejar que fossem sanadas algumas imperfeições de digitação e de estrutura conceitual de alguns parágrafos.