terça-feira, 24 de abril de 2012

Jesus Cristo fora da Bíblia



José Maria Vasconcelos
josemaria001@hotmail.com

No feriado da Semana Santa, recolhi-me no sítio. Recolher-se, acolhendo familiares, tarefa saudável, porém complicada pelo barulho e cozinha farta. Precisava saciar-me o espírito, estudando a história de Jesus Cristo, fora dos relatos bíblicos. Selecionei cronistas confiáveis, do início do cristianismo, sem enxertos lendários e sentimentais, como projeta o cinema e vendedores de ficção. Em seguida, fui atrás do que ainda se conserva dos primitivos pergaminhos e papiros dos evangelhos. O resultado foi grata satisfação para minha surpresa, de me aprofundar em Jesus Cristo, histórico, na fé inteligente, sem melosidade. Aprecie comigo valiosos depoimentos de testemunhas primitivas, fora da Bíblia. Papiros e pergaminhos dos evangelhos ficam para outra oportunidade.
Publius Cornelius Tacitus, nascido no ano 55, depois de Cristo, e morto em 120, escritor, orador e cônsul romano, falando do incêndio de Roma, ano 64: "Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vem-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador romano Pôncio Pilatos..."
Plínio Jovem, governador da Bitínia, na Ásia Menor, escreveu ao imperador Trajano, no ano 112 "...os cristãos estavam habituados a se reunir, em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus." Caius Suetônius Tranquillus, historiador romano, referindo-se ao reinado do imperador Cláudio(41 a 54): "Ele expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestrós (forma grega de Cristo), causadores de frequentes tumultos." Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos (cap.18), escrito pelo evangelista Lucas: "Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma." O Talmud (coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos posteriores a Jesus, que eles próprios combatiam: "Na véspera da Páscoa, suspenderam a uma haste(cruz) Jesus de Nazaré. Durante 40 dias, um arauto, à frente dele, clamava:"Merece ser apedrejado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo a justificar venha proferi-lo!" Nada porém se encontrou que o justificasse, então suspenderam-no à haste, na véspera da Páscoa."
Flávio Josefo (37 a 100), historiador judeu, fariseu, que acompanhou e descreveu de destruição de Jerusalém pelos exércitos romanos, também deixou esta preciosa informação em seu livro, Antiguidades Judaicas: "Por essa época, apareceu Jesus, homem sábio, se há lugar para chamarmos homem. Porque Ele realizou prodígios...arrastou judeus e gregos...Ele era o Cristo...Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-O ao suplício da Cruz...ao terceiro dia apareceu ressuscitado, como anunciaram os divinos profetas, juntamente com mil outros prodígios. Ainda hoje subsiste o grupo, que recebeu o nome de cristãos."
Existem dezenas de evangelhos não aceitos por exegetas sérios. Trata-se, segundo eles, de textos apócrifos, isto é, que não apresentam inspiração divina, mas interferência de sentimentos pessoais dos autores..
Meio a árvores, plantas, frescor, pássaros e silvo da floresta, fica fácil experimentar a presença e estudo de Deus. Porque o bem não faz barulho nem o barulho faz bem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Considerações acerca do centro histórico de Campo Maior




Joca Oeiras

Na sexta-feira,13 e no sábado, 14, passados estive em Campo Maior. Fiz a viagem a propósito de assistir, no sábado pela manhã, a uma palestra do renomado arquiteto Olavo Pereira da Silva Filho, convidado, que fora, pessoalmente, por ele. A palestra –fragmentariamente reproduzida abaixo – versou sobre o Centro Histórico de Campo Maior do ponto de vista de sua preservação e desenvolvimento.
 A Academia Campomaiorense de Artes e Letras - ACALE promoveu o evento que contou com o apoio da Prefeitura de Campo Maior – o prefeito Paulo Martins se fez presente – de lojas maçônicas, Lions Clube e Sol Clube. A superintendente do IPHAN no Piauí, arquiteta Claudiana Cruz dos Anjos  também estava lá.Durante o evento foi passado um abaixo-assinado dirigido ao IPHAN solicitando àquele Instituto abertura de um processo para o tombamento do Centro Histórico de Campo Maior, a exemplo do que já ocorreu em Oeiras, Parnaíba e Piracuruca.

O Olavo, de quem, por seu incansável trabalho preservacionista, o Piauí  (e não apenas o Piauí) é devedor, ficou surpreso com a minha presença e declarou-se grato por ter-me deslocado de Oeiras até a Terral dos Carnaubais apenas para vê-lo palestrar. Até presenteou-me com o belo livroArquitetura Luso-Brasileira no Maranhão.
Claro que há um pouco de exagero nisso pois fiz um passeio bastante agradável, saboreei a melhor carne de sol do nordeste brasileiro e é sempre um prazer, para mim, visitar a simpática e acolhedora terra dos Heróis do Jenipapo, independente de qualquer motivação para tanto

Tratar da preservação de uma paisagem histórica, especialmente de estruturas arquitetônicas e urbanísticas é como  tratar do próprio corpo humano. Como um médico para prescrever um tratamento, preventivo ou curativo, das doenças da mente, do corpo e da alma, prescinde de um diagnóstico. Também no planejamento urbano necessitamos de investigações, de reflexões e dessa visão holística da saúde urbana, dos descuidos e intervenções que acarretam seqüelas irremediáveis.
E é nesse sentido precisamos evidenciar os impactos físicos e sociais que contribuem para a perda de identidade de uma cidade. Em síntese, esta é uma proposta de reflexão e de urgentíssimas ações de salvaguarda.
Aqui não cabe falar de culpados, mas, não podemos ignorar nossas responsabilidades. Portanto, não se espantem com as imagens, um tanto quanto agressivas, que vou projetar, mas isso é necessário para uma apreensão mais ampla de uma paisagem cultural.
Campo Maior há muito vem sendo louvado, sobremaneira por acadêmicos, desta e de outras casas, alguns aqui presentes, outros que já não se encontram entre nós, como H.Dobal e Odylo Costa, f, campomaiorenses não nativos deste campo, mas, pelo sentimento ecumênico e visceral, no dizer de Manuel Bandeira, projetaram esse lugar ao mundo como uma das maiores provas de nossa identidade cultural.

Nesse complexo urbano, É esse equilíbrio entre os valores dos terrenos e das edificações que consolida identidade e garante a auto-sustentabilidade de um cenário. É com esse cenário de sentimento integrado que podemos evitar o paternalismo patrimonial. A perspectiva uniforme das casas perfiladas e agarradas umas às outras, justapostas às testadas dos lotes, associadas à aplicação de componentes estruturais, expressa uma interdependência construtiva e confere uma unidade urbana embasada em antigas Posturas, difundidas por todo o tempo colonial e imperial e que ainda referência essa paisagem.
Nesses telhados não há 2 telhas iguais. Nessas paredes não há 2 tijolos de mesmo peso, 2 janelas de mesmo vão, 2 casas de mesmo volume. Mas, as formas se espelham, os telhados se unificam, os vãos se correspondem. Que paisagens, então podemos associar a essa identidade? A de feituras imanentes do fenômeno plástico, referências ao sentimento estético, substratos de uma arquitetura de alma flamejante, filtrada numa paisagem elegíaca, sensível à estética, ou de simbologias do pseudo progresso urbano? Ou a da desconstrução de identidade? Cada vez mais, cenários tradicionais vêm se tornando impossíveis de apreensão, frente às mutações não de desenvolvimento planejado, mas de crescimento desordenado, amparado na doutrina positivista de progresso e desenvolvimento, arbitrado na inconseqüência social, que de bom tempo estão anulando a identidade da cidade. Nesse cenário, que antropólogo, pesquisador ou turista viria aqui para apreciar um prédio de supermercado ou esse tipo de arquitetura?

Esse é um vestíbulo, lugar de receber e que também reflete hospitalidade e uma organização de uma época que em nada prejudica o uso atual. Imaginem essa casa sem essa setorização característica, sem essa antecâmara separando a área intima da social. Sem essa cancela, provida de postigo vazado, que deixava o interior reservado, sem maior exposição aos estranhos, e que facilmente permitia a identificação de quem chegava. Imaginem essa casa só com fachada. Quanto se perderia pela destruição dessa configuração? Há nisso, uma coesão espacial ordenando as frontarias e articulando o interior com os planos das fachadas, coberturas e sistemas construtivos, confirmando a aplicação de antigos esquemas reguladores. De frentes cerradas e formais, sem alpendre e de fundos abertos e relaxados a casa da cidade é a casa de campo. Desprendida de intenção alegórica, é a essência artística de um tempo, mesclada no engenho português e na conveniência do semi-árido. Forma que é a estrutura. A origem rural dos primeiros núcleos urbanos do Piauí, aliada a um parcelamento relaxado do solo, iria conferir um caráter rústico à casa da cidade. Esses sistemas construtivos expressam formas e modos do habitar e construir que formataram essa cidade. Numa rápida comparação com as casas antigas de Minas, se destacam peculiaridades locais de materiais e sistemas construtivos próprios. Se ao clima frio, opulência e relações senhor - escravo se baliza maior resguardo e desenho fechado daquela. Ao calor abrasivo, despojamento e relações senhor - vaqueiro se formata aberta e relaxada esta.

Uso e conservação atuais refletem o potencial da cidade,  como um lugar muito especial para se viver, com o conforto e qualidade de vida que a tecnologia atual proporciona. As varandas abertas para os quintais e as fachadas fechadas para o exterior, com vãos protegidos de guilhotinas, rótulas e calhas, não foram apenas uma preocupação de acomodação às condições climáticas do sertão abrasivo. Mas, ajustamento de posturas urbanísticas e dos recursos técnicos então disponíveis. Os desaprumos acentuam a estética artesanal enquanto arrojadas estruturas de carnaúba amarradas com relho cru fazem a diferença. A religiosidade, presente na imaginária e nesses singelos abrigos de devoção, e o zelo com os bens móveis existentes são também expressões presentes no uso dessas moradias.

Ver, passa por essa perspectiva ousada e profundamente perturbadora do tecido urbano, em toda sua diversidade cultural. Por trás dessas fachadas, recobertas de escórias, encontram-se os fundamentos sociais, econômicos e culturais que alicerçaram essa cidade.

A arquitetura não é apenas um prédio com determinada função de uso, mas também o que agrega e ressoa em seu redor. Os desequilíbrios entre os valores comerciais dos terrenos e das edificações anteriores, é assim, fatal para a perda de estruturas arquitetônicas.

A responsabilidade dos educadores é muito grande e maior ainda a dos gestores públicos, porque mais importante que saber desenhar o alfabeto é saber ler uma paisagem.


Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhi recebeu, em 2008, o prêmio Rodrigo Melo Franco conferido, anualmente, pelo IPHAN, a iniciativas que se destaquem na defesa e preservação do Patrimonio Cultural brasileiro

Fonte: site da Fundação Nogueira Tapety. Autor: Joca Oeiras.

domingo, 22 de abril de 2012

INSÔNIA



INSÔNIA

Elmar Carvalho

No silêncio abissal
da noite estagnada
a engrenagem pesada
do tempo se desenrola
e desaba sobre mim.

As botas cadenciadas
das horas marcham
- lentas lesmas –
marcham infinitamente
na noite sem fim...

sábado, 21 de abril de 2012

ANTOLOGIA DO NETTO


Texto e charge: João de Deus Netto


RAMSÉS RAMOS

Ramsés Bahury Ramos nasceu em Teresina, Piauí, em 1962, descendente de família de músicos. Viveu em Brasília e trabalhou nas Nações Unidas, como chefe do Cerimonial e de Relações Internacionais. Viveu também na Tchecoeslováquia e na Espanha. Faleceu na Rússia em 1998.

Lançou seis livros de poesia: Dois Gumes (1981), com Rosário Miranda; Envelope de Poesia (coletivo); Dança do Caos (1981), com Kenard Kruel, Eduardo Lopes, William Melo Soares e Zé Magão; Percurso do Verbo (1987); Baião de Todos (coletivo, 1996); e Poemas da Paixão (Praga, 1992).

sexta-feira, 20 de abril de 2012

FAP recebe Mostra SESC: PoeMitos da Parnaíba, Poesia e Charge



A Faculdade Piauiense recebeu na tarde desta quinta-feira (19), a mostra “PoeMitos da Parnaíba – poesia e charge”, baseada no livro “PoeMitos da Parnaíba”, de autoria de Elmar Carvalho e do chargista Gervásio Castro.
A Mostra “PoeMitos da Parnaíba” ficará em exposição na instituição até o dia 02 de maio. O acervo possibilita conhecimentos estéticos e históricos sobre Parnaíba.

Fonte: FAP e Portal Proparnaíba.

HOMENAGEM E EMOÇÕES

João Alves Filho e sua esposa Geni


Antônio de Pádua Aragão da Silva
Mestre instalado


O maçom e escritor João Alves Filho, membro emérito e ativo da Loja Maçônica Costa Araújo nº03, que tem como Venerável o maçom José Flávio Furtado Marinho, foi o centro das atenções por tão significativa homenagem que as Lojas Maçônicas lhe prestaram na noite de ontem, dia 18.04.12, em reunião ordinária da Loja do homenageado, nas comemorações dos seus 42º aniversários de atividades maçônicas, sem nenhuma interrupção ao longo desse longo período.
Foi uma noite muito especial e compareceram para brindarem com a Loja Costa Araújo,por ter no seu quadro irmão da estirpe de João Alves Filho, as lojas co-irmãs: Mestre Araújo Chaves nº12; Pátria e Liberdade nº02; Fraternidade Campomaiorense e Monge do Tibet. Fez parte da comitiva que se deslocou de Teresina para cumprimentar o maçom João Alves Filho, o irmão José Carlos, candidato a Grão Mestre, da Soberana Grande Loja Maçônica do Estado do Piauí.
O homenageado foi surpreendido com uma comissão de cunhadas, lideradas pela esposa Geni Maria Gonçalves da Costa Araújo Alves. A comissão recebeu atenção especial do Venerável Flávio Marinho e sentaram do lado norte da Loja.
O Venerável designou o irmão Antônio de Pádua Aragão da Silva, para proferir o discurso de saudação ao irmão homenageado João Alves, formalizado, tarefa que passou ao irmão secretário João Leal sobrinho, que proferiu com excelente desempenho.
Falou o homenageado afirmando que dois terços de sua vida, hoje, com 67 anos de idade, têm sido dedicados à maçonaria e que se fosse necessário, começaria tudo de novo, pois, a maçonaria é realmente a grande escola da vida. João Alves fez o seu emocionante pronunciamento, de uma eloqüência clara e sentimental, de improviso, para encanto dos maçons presentes, que o aplaudiram de pé.
O irmão Herivelto da Silva Cordeiro (2º Vigilante), presidente da Academia Piauiense de Mestres Maçons-APMM, fez sua saudação acadêmica, enaltecendo a dedicação do irmão maçom e do escritor João Alves, por tantos livros publicados, todos de ótimas qualidades literárias. O irmão e Deputado Federal acadêmico Domingos José de Carvalho, representante do Grande Oriente do Estado do Piauí, que se fazia acompanhado do Venerável José Faustino dos Reis, saudou o homenageado João Alves, em nome da Loja Maçônica Fraternidade Campomaiorense. Pronunciaram-se com suas homenagens em nome de suas Lojas, o irmão Gilmar Saraiva, da Loja Mestre Araújo Chaves nº12; Irmão José Narciso do Monte, da Loja Monge do Tibet; Irmão Reis, Venerável da Loja Pátria e Liberdade nº2; o irmão João Leal Sobrinho – Secretário da Costa Araújo; o irmão José Carlos, candidato a Grão Mestre.
Foi o que pude registrar.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

QUASE UM CONTO


20 de abril   Diário Incontínuo

QUASE UM CONTO

Elmar Carvalho

Uma pessoa falou para minha mulher que a polícia militar foi executar uma blitz em determinado local da periferia de Teresina, onde costumam se reunir viciados em substâncias tóxicas, inclusive o famigerado e terrível crack. Ao flagrarem um usuário desta última droga, não se sabe ao certo por que motivo, ou mesmo se sem motivo específico, um policial começou a espancar violentamente o rapaz, que já estava rendido, e sem esboçar qualquer gesto de resistência.

O policial deu-lhe vários socos e pontapés. Uma mulher da vizinhança, conhecida do rapaz espancado, condoeu-se de seu sofrimento. Foi buscar o seu bebê, de poucos dias de nascido, botou os seios para fora, fingindo amamentar a criança, e começou a gritar, como se estivesse desesperada, com os cabelos desgrenhados. Pediu ao soldado não matasse o seu marido, afirmando que ele podia ser um viciado em droga, mas que não era um bandido, e que não fazia mal a ninguém, a não ser somente a ele mesmo.

Ante o clamor e o desespero da mulher, o policial parou de espancar o dependente químico, como se diz hoje, na linguagem considerada como politicamente correta. Aquela mulher não era atriz e nem era parente daquele homem; arriscou-se até ao incômodo de ser conduzida a uma Delegacia de Polícia, quando ainda estava de resguardo. O que a teria levado a agir daquela maneira? Decerto o amor ao próximo, o repúdio à violência desnecessária contra o próximo. Com certeza tinha um bom coração, e com sua inteligência e astúcia feminina armou aquela encenação que fez cessar a arbitrariedade, que poderia ter levado à morte o infeliz viciado.

Poderia ter ido dormir, sem remorso ou peso na consciência, sob o argumento de que não tinha nada com aquilo, de que não fora causa do espancamento, e de que precisava cuidar de seu tenro bebê. Talvez ao engendrar o seu plano para livrar o rapaz da sanha brutal do soldado, foi possuída por forte emoção, quem sabe a pensar que no futuro aquela cena de murros e coices poderia acontecer com seu filho, e tornou-se convincente como atriz improvisada, ao sentir como sua realidade o que poderia ser a realidade de uma outra mulher, de uma outra mãe – a mulher ou a mãe daquele pobre e infeliz ser humano. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Poetisa Marleide Lins recebe título de cidadania teresinense


Olegário Borges

A poetisa Marleide Lins receberá título de cidadania teresinense nesta quinta-feira (19). A honraria é proposta pela vereadora Rosário Bezerra (PT), sendo aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores. A solenidade de entrega será realizada no plenário da Câmara Municipal, às 19h. 

Natural de São Paulo, Marleide Lins de Albuquerque é poetisa, teatróloga, produtora fonográfica e designer gráfico. Ela participou dos movimentos culturais da década de 70 e encontra-se radicada em Teresina desde então. Foi coordenadora de Literatura e Editoração da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e também editora e designer das revistas “Cadernos de Teresina” e “Presença”.

O trabalho de Marleide Lins é memorável. A autora já participou de uma série de obras literárias pelo Brasil inteiro, enaltecendo o nome do Piauí e de Teresina nos círculos literários. Ainda por cima, é creditada como poetisa em diversos livros sobre literatura piauiense. Ou seja, é uma homenagem muito justa”, destaca a vereadora Rosário Bezerra. 

Marleide Lins de Albuquerque publicou os livros Sub-Vivo (1979) e Plexo Solar (2010), assim como as peças Baile da Morte (1982) e Bay, Bay, Baygon (1985), em co-autoria com Adalmir Miranda. É servidora da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e, desde 1996, desenvolve trabalho em seu próprio estúdio de arte.

O HEROICO MACAQUINHO


18 de abril   Diário Incontínuo

O HEROICO MACAQUINHO

Elmar Carvalho

Nos tempos em que a TV ainda não havia escravizado as pessoas, em que os bandidos eram poucos e os ladrões eram sutis, praticamente invisíveis, já que os furtos e roubos eram praticados discretamente, nas caladas das frias madrugadas; nos tempos em que as pessoas podiam ficar à porta de suas casas, sentadas em cadeiras postas sobre as calçadas, os vizinhos conversavam à vontade e sem pressa, enquanto as crianças brincavam, ao som das cantigas de roda, que ainda hoje ressoam na memória dos saudosistas. Nesse tempo as pessoas contavam estórias de Trancoso e de outros geniais mentirosos. Muitas eram estórias do tempo em que os bichos falavam, como se dizia, geralmente na abertura da narrativa. Macacos, onças, cachorros, jacarés e outros animais de menor “ibope” povoavam essas fábulas, muitas de fundo moralizante ou edificante.

Além dessas estórias, li ou ouvi alguns poemas cuja temática eram peripécias em que os protagonistas eram os bichos. Dois desses textos narravam episódios que tinham como heróis cachorros. Não mais recordo os detalhes do entrecho. Talvez estejam disponíveis na internet, mas não fui averiguar. Num deles, um dono levou o seu cão sarnento, velho e doente num barco, para soltá-lo distante da praia, para dessa forma matá-lo e livrar-se do animal, que já se lhe tornara um fardo. Todavia, para sua surpresa, ao amanhecer, encontrou o animal morto à sua porta. O animal, numa devoção impressionante ao dono, resgatara das águas um chapéu da maior estima do homem, caído quando este se curvara para lhe arremessar nas ondas.

Em outro longo poema, o dono da casa, ao regressar de madrugada ao seu lar, encontrou o quarto de sua filhinha revirado, com o berço fora do lugar; como não ouvisse choro e notasse manchas de sangue em seu cão, deduziu que ele havia matado sua filhinha. Imediatamente o abateu a tiro. Um pouco depois, descobriu um lobo morto, e viu que a sua criança dormia com a despreocupação de um anjo. Arrependido, torturado pelos aguilhões do remorso, constatou que o seu cachorro travara medonha luta com o lobo, para salvar sua filha. Eram dois poemas comoventes, que levavam as pessoas às lágrimas.

Dias atrás, soube pela internet de um caso verídico, acontecido com um filhote de cão e um pequeno macaco. Durante um grande incêndio numa fábrica chinesa, em que houve intervenção do corpo de bombeiros, quando menos se esperava irrompeu de dentro do prédio, tomado pelas chamas, de modo espetacular e surpreendente, um macaquinho a trazer, seguro pelas patas dianteiras, um filhote canino, quase do seu tamanho. O macaco, ereto sobre as patas dianteiras, curvava o corpo para trás, em tremendo esforço, para equilibrar o peso do cãozinho, que conduzia à sua frente, segurando-o com suas mãos. Notava-se que o macaco estava com os olhos esbugalhados, totalmente focado no esforço descomunal que fazia para salvar o filhote que não era seu, que sequer era de sua espécie.

Numa época em que vemos seres, ditos humanos, matarem seu semelhante por causa de um celular, um relógio ou alguns centavos, em assalto a mão armada, esse episódio me comoveu profundamente. Achei um episódio sublime, digno de uma epopeia como as de antigamente, merecedor de que um Homero ou um Camões o narrasse, em versos magistrais. Fiquei a imaginar o que levara o macaquinho a violentar o seu instinto de sobrevivência, para retirar do prédio em chamas aquele filhote de cachorro, quase do seu tamanho; que amor, que desprendimento o levara a cometer aquele ato de bravura, quase loucura?

Acredito que, enquanto o homem maltratar os animais, com chicotadas e pontapés, ainda terá muito o que aprender e evoluir; enquanto os maltratar, impondo-lhes a escravidão de lhes carregar fardos pesados, sob o terror das chibatadas, o ser humano ainda estará muito distante da santidade. Por milênios e milênios, cavalos, burros, jumentos, camelos, bois e dromedários têm sido alimárias, a cumprirem jornadas estafantes de penoso trabalho, em prol do homem, que lhes domestica, escraviza e maltrata. Talvez seja chegado o momento de se criarem leis que libertem esses animais. O homem, de há muito, já tem as próteses dos carros e motocicletas, e bem poderia alforriar esses nossos irmãos, como disse Gonzaga e padre Vieira (não o Antônio, o sacro orador).

Muito ainda precisa ser feito. Florestas são dizimadas, sem maiores preocupações com os animais que lhes habitavam. A reserva florestal deveria ser fiscalizada com rigor, e as punições deveriam ser severas. O egoísmo individual não pode predominar sobre o interesse da coletividade e de toda a fauna. Como ainda nos alimentamos de carne, que ao menos os animais não sejam abatidos com sofrimento. Que a bravura e o altruísmo do macaquinho nos sirvam de lição e advertência. Lição para que lhe sigamos o exemplo; advertência para que não maltratemos os animais, cujos sentimentos, reações e tipo de inteligência sequer conhecemos. Lembremo-nos sempre de que viajamos na mesma nave, ao redor do Sol. E se a nau for a pique, também iremos com ela.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Da necessidade do estímulo e do reconhecimento na literatura

Escultura de Braga Tepi. Foto: Elmar Carvalho


Cunha e Silva Filho

Há um conhecido e admirado compositor de nossa música popular, Nelson Cavaquinho ( 1911-1986), que costumava dizer que, se alguém quisesse homenageá-lo, que o fizesse enquanto vivo fosse. Disso está bem seguro e pimpão o ex-presidente José Sarney, que tem, no Maranhão, busto, estátua ou algo parecido. No entanto, seria preciso fazer uma distinção entre os que merecem o reconhecimento pelo seu valor intrínseco (artístico, cultural, científico, religioso, humanitário etc) e os que o recebem apenas por razões subalternas concedidas por áulicos, por agremiações oficiais, por deferências nem sempre meritórias, como amiúde se vê pelo país e mundo afora. No segundo caso, nada acrescentam que engrandeçam o homenageado. São favas mortas, areia em deserto estéril.
Limitemos o alcance desta crônica ao campo da literatura. É nesse universo que talvez se cometam as mais graves injustiças. Nas histórias da literatura brasileira que conhecemos, dificilmente o historiador não comete crassas omissões, sobretudo ao selecionar o corpus de autores que irão figurar no seu trabalho. Neste sentido, as dificuldades só têm paralelo na organização das antologias poéticas ou ficcionais.
Reconheço a complexidade da tarefa, espinhosa e tendente ao erro da omissão, sobretudo quando o historiador não se deu ao beneditino trabalho de olhar para fora do eixo Rio-São Paulo. Como, numa pesquisa, selecionar, com segurança e objetividade, um autor que mereça ter um valor nacional? Esta pesquisa, se não for conduzida com muito cuidado e imparcialidade crítica, pode levar a relativizações estimativas, incluindo autores imerecidamente ou levar o historiador a desistir de seu trabalho nessa direção, preferindo, ao contrário, se acomodar aos nomes há tempos consagrados no cânone nacional.
Cada vez mais, reconheço ser este o nó que deve ser criteriosamente desatado na pesquisa do historiador. Não estou pedindo que ele vá enfileirando a esmo nomes de autores sobre os quais não detém um conhecimento de leitura mais profunda . A este impasse, avento uma saída: por que, primeiro não conhecer os mais representativos autores regionais e, em seguida, filtrar realmente aqueles que não podem permanecer sempre na condição de mérito apenas regional, quando há muito tempo deviam estar incluídos no cânone nacional. Para isso, há sempre fontes de histórias da literatura dos estados brasileiros, nas quais o historiador escrupuloso pode “descobrir” grandes talentos com boa produção local e que são conhecidos apenas no restrito grupo de intelectuais de cada região brasileira. A inclusão ou exclusão de nomes de autores em todos os gêneros literários não pode ser um mero capricho do pesquisador, que vai atender a apelos não rigorosamente de valorização estética mas de amizades fortuitas, ou motivado por questões que se situam fora do estritamente artístico.
A historiografia literária no país, sem exceções, gostaria de adiantar, tem cometido injustificáveis omissões e erros de avaliações de autores em todos os tempos da nossa produção literária. Na contemporaneidade, onde é imensa a safra de novos autores, a dificuldade ainda pode bem maior. Arrisco a afirmar que, no futuro, graças aos benefícios trazidos pela informática, as histórias literárias serão escritas em grandes unidades periodológicas equivalentes a uma a uma bem acabada história literária nos moldes das que atualmente conhecemos, i.e., abrangendo todos os períodos literários conhecidos, mas escritas - e aqui reside uma das lacunas em obras desta natureza - num único volume, como a de Alfredo Bosi, ou algumas outras. As sínteses são bem-vindas, porém são insuficientes.
Alguém poderá argumentar: mas já existem umas poucas mais ou menos nos parâmetros que sugeri atrás, ou seja, por exemplo, como a de Massaud Moisés ( escrita em três volumes só por ele), a de Sílvio Castro (coletiva) e a mais antiga, a de Afrânio Coutinho, também coletiva. Claro, existem na atualidade todas essas histórias literárias, porém incompletas, não atualizadas até o momento, além de incompletas na sua amplitude relativa a novos e jovens autores. Além disso, na maioria repetem sempre conhecidos cânones, os que alhures chamei, imitando alguém, de happy few. Recorde-se, a propósito, que no passado, Sílvio Romero (1851-1914) e José Veríssimo ( 1857-1916) – sozinhos – já haviam publicado suas histórias literárias da literatura brasileira em vários volumes. As visões e os métodos de elaboração de pesquisas não são tão velhos assim como parecem. Os novos tempos apenas alteram e se ajustam às necessidades do presente.
As divisões periodológicas, como as que propôs Afrânio Coutinho (1911-2000), na sua bem conhecida Introdução à literatura brasileira, se adaptadas aos nossos tempos, poderão ser aprofundadas e quantitativamente aumentadas no que concerne a nomes de autores de alto nível literário, que até agora se encontram em situação de estagnados em termos de reconhecimento e visibilidade nacionais. Em razão do enorme estoque de autores de primeira plana, mais se justificaria uma mudança, uma necessária atualização do corpus de autores. Essa lacuna precisa ser preenchida sob pena de incidirmos em imperdoáveis omissões de nosso patrimônio cultural, inclusive no que se refere ao passado. O poeta maranhense, Joaquim de Sousa Andrade( 1832-1902), Sousândrade, não é nossa única e grandiosa “descoberta”.
Vejo que, em futuro próximo, na área de letras, haverá necessidade de maior especialização de professores e pesquisadores em determinado período literário, não se permitindo, no entanto, é evidente, na sua formação geral, que deve ser sólida, que eles desconheçam o conjunto geral de nossa história literária. É que a fragmentação de períodos só terá a aproveitar com o conhecimento mais profundo do especialista, notadamente desde Modernismo de 22 até o período um tanto difuso do que se convencionou chamar contemporaneidade – período histórico-literário que, pela imensidade de autores e de diferentes rumos temáticos e formais por que tem passado o fenômeno literário, nos seus dois eixos maiores, a poesia e a ficção, se torna, assim, muito mais complexo.

Nota ao leitor: O texto acima foi revisado por força de o autor desejar que fossem sanadas algumas imperfeições de digitação e de estrutura conceitual de alguns parágrafos.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O CÍRCULO SE FECHA


O CÍRCULO SE FECHA

Elmar Carvalho

O infinitamente grande
tende ao tudo.
O infinitamente pequeno
tende ao nada.
Estes dois extremos se tocam.
Em Deus.

Flagrante do Gervásio Castro


Texto e charge: Gervásio Castro

Francisco de Assis Lemos nasceu em Altos (PI), trabalhou em jornais de Teresina, foi sacaneado, comeu o pão que o patrão amassou, mas não desistiu de fazer o que gosta: desenhar. Sua determinação justifica o apelido na sua incansável batalha pela sobrevivência, bar em bar, noite a dentro em Parnaíba (PI), cidade que adotou. 15 de abril é o dia mundial do desenhista. É dia de Ufal - o Guerreiro, mais de que qualquer outro que conheço!

domingo, 15 de abril de 2012

Arquiteto e ativista pelo patrimônio histórico edificado profere palestra descolonizaste em Campo Maior



Neste sábado, 14 de abril, o premiado e militante cultural Campomaiorense, Olavo Pereira da Silva, palestrou para um grupo de pessoas e autoridades no centro paroquial católico sobre o patrimônio histórico Campomaiorense.
Ao iniciar o evento o consagrado arquiteto falou sobre a terrível concepção positivista de progresso que é “Deixar o povo sem diversidades referencias, prevalecendo um elitismo restringente e que procura destruir tudo que seja ‘velho’ para dar lugar ao novo”. O positivismo é a mesma doutrina que impôs seu Lema (Ordem e Progresso) na bandeira nacional, fato ainda muito criticado, devido o símbolo nacional simbolizar todas as diversidades, assim não cabendo lema de nenhuma doutrina.
Para o estudioso “Cidades são pessoas, casas são livros”. Argumentou fazendo crítica aos poetas que muito louvam aspectos discursistas como a Batalhado jenipapo e açude, mas que pouco evidenciam o patrimônio histórico cultural edificado em suas poesias. Para ele “é preciso também fazer os tombamentos poéticos das construções existentes ou já demolidas, a ferrovia, ruas praças, e edificações outras”. O arquiteto especialista em urbanismo cultural disse ainda que é equivocada a lei municipal que manda preservar apenas as fachadas e com mais de 80 anos: “É como se o que construímos agora não detalhasse a época e o que adianta preservar só a fachada? Como ficariam essas construções sem a riqueza interna? Ficaríamos sem a essência de um tempo , moldados com suas diversidades. Isso invalida o discurso ou intenção de preservar” , sustentou Olavo, que é marido da atual superintendente do IPHAN-PI.
No evento cultural o presidente da ACALE, João Alves, resumiu dizendo que “O município precisará dar apoio logístico às ações de preservação. Para que Campo Maior também seja a Campo maior da recuperação e respeito ao patrimônio histórico”. Costumes são estruturas com fortes raízes, pois, quase concomitante ao evento tratores do poder público haviam desmontado trecho de um bem material histórico e logístico que é a ferrovia.
Ao finalizar o evento tribunou(falou) o prefeito municipal, Paulo Martins, que iniciou sua fala citando o fato de um fazendeiro de Campo Maior, José Luis Paz, está investindo na cultura de criação de gado “Pé-duro” para não deixar que a raça seja extinta e permaneça como patrimônio histórico e biológico da região. O gestor falou ainda que os 250 anos de Campo Maior “O fato que de estarmos celebrando nossos 250 anos, mais que nos credencia para assuntos e necessidades de preservação”, finalizou Paulo Martins.
A palestra foi organizada pela Academia Campomaiorense de Artes e Letras - ACALE, com apoio de lojas maçônicas, Lios Clube e Sol Clube e contou com a participação do ativista cultural, Joca Oeiras.

Texto: Comissão organizadora/ACALE

Ministério Público promove debate sobre o museu de Arte Sacra de Oeiras



O promotor de Justiça Carlos Rubem Campos Reis, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Oeiras, coordenou hoje (13/04) audiência sobre a gestão do Museu de Arte Sacra da cidade, que está fechado mesmo depois de reforma e reinauguração. O museu abriga peças seculares e de valor inestimável, mas não há servidores para a manutenção diária. Através de parecer apresentado e lido na reunião, a Procuradoria-Geral do Estado alegou que o convênio celebrado entre a Fundação Cultural do Piauí (FUNDAC) e a Diocese de Oeiras não obedece aos preceitos legais. A PGE manifestou-se pela assinatura de um novo acordo, dessa vez com observação aos ditames da lei de responsabilidade fiscal. A Diocese de Oeiras propôs que o convênio possibilite a criação de um comitê gestor local, que ficaria responsável pelos cuidados com o museu. O Procurador da Diocese discordou da PGE, afirmando que o convênio anteriormente firmado está dentro da legalidade e vigora normalmente. De acordo com ele, o Estado deve contribuir não com recursos financeiros, mas com disponibilização de funcionários.
  
A Promotora de Justiça Maria Carmen Cavalcanti de Almeida, titular da 30ª Promotoria de Justiça de Teresina - com atribuições em defesa do meio ambiente - acompanhou toda a audiência e sugeriu que o Secretário Estadual de Turismo, Sílvio Leite, marque reunião com o Governador do Estado, com o intuito de obter decisão definitiva acerca da situação. O secretário concordou. Para o Ministério Público, também é fundamental que o Conselho Estadual de Cultura desempenhe a função de alicerce das discussões, realizando um encontro com representantes da Secretaria Estadual de Educação e Cultura, da Secretaria Estadual de Turismo e da Procuradoria-Geral do Estado.
 
O Pe. Possidônio Ferreira Barbosa Júnior, da Diocese, apontou as necessidades do Museu de Arte Sacra: três guias, um zelador, quatro seguranças e um coordenador, que poderiam ser selecionados entre os estudantes do curso de História da Universidade Estadual do Piauí - Campus Oeiras, como estagiários, ou entre servidores efetivos da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.
 
A Promotora de Justiça Cléia Fernandes também participou, e fez uma exposição sobre o valor do Museu de Arte Sacra para o patrimônio cultural no Piauí.
 
Foi marcada outra audiência para o dia 07 de maio, quando deve ser apresentada proposta de acordo ao Governo do Estado.
Fonte das fotos e do texto: site do Ministério Público do Estado do Piauí.

sábado, 14 de abril de 2012

A palestra sobre os casarões de Campo Maior


João Alves Filho

Hoje, a comunidade de Campo Maior viveu um dia especial. A palestra do Dr. Olavo Pereira, que atendeu convite da Academia Campomaiorense de Letras, que faz cordial parceria com a Academia Piauiense de Letras e Academia de Letras do Vale do Longá-ALVAL, recebeu especial atenção do seleto auditório, composto por médicos, professores, advogados, empresários e muitos jovens. No auditório, representações do Lions Clube de Campo Maior, Academia Piauiense de Mestres Maçons, Sol Club de Campo Maior, a grande maioria dos acadêmicos da ACALE. Presentes ainda as Lojas Maçônicas: Costa Araújo nº3; Fraternidade Campomaiorense e Mestre Araújo Chaves nº12. A Diretora do  IPHAN no Estado do Piauí, o Prefeito Municipal Paulo Martins e Secretários do município. Os acadêmicos avaliaram a palestra, considerando ter sido de um aproveitamento total. Presidi o ato da palestra,  que teve como Mestre de Cerimônias o acadêmico Domingos José de Carvalho. Presentes: Acadêmico Itamar Costa (Academia de Letras do Vale do Longá, Ernâni Napoleão Lima (Academia Piauiense de Mestres Maçons), José Narciso do Monte, Ex-Prefeito Jaime da Paz e esposa, médico e maçom Everardo Leite Pereira, Arquiteto Tote Portela, médico José Luiz da Paz e muitos outros amigos. A hora é agora. Vamos recuperar a nossa querida Campo Maior.

O UNIVERSO POÉTICO DE LUIZ FERNANDES...


Francisco Miguel de Moura

  Todos nós sabemos que a poesia tem um valor que a realidade mais rala e simplória da vida não alcança. Mas ninguém contestará que Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, por exemplo, não engrandeceram o mundo dos homens, tornando-os mais humanos e mais sábios no sentido em que “todos os poetas” podem ser chamados de criadores do espírito pela palavra e responsáveis pela humanização do homem.  Assim: Luiz Fernandes da Silva – ele e sua poesia: “Tuas palavras são novas dimensões nos meus sentidos, onde pousam nas malhas do remorso.” Como são sonorosos e belos estes versos!

Sem deixar de ser um homem fincado na realidade da vida, meu amigo Luiz Fernandes da Silva – nome simples para um poeta simples, simples e humilde – abebera-se da realidade da vida e se alça aos altos sonhos de poeta que ama e trabalha, sente, plurifica e humaniza, generoso em suas ações, cordial em seus cumprimentos, sincero em suas palavras e atos.
  
Como jornalista, mantém há muito custo de sua paciência e carência de bens materiais, o jornal alternativo “Correio da Poesia”, publicando gregos e baianos, sulistas e nortistas, dando asas aos que escrevem em verso e prosa, divulgando cultura. Além disto, ele está presente nos movimentos culturais de sua terra, a Paraíba, dando força aos que iniciam e aos já iniciados. 

Pois é desse poeta da Paraíba que recebo “O Universo Poético”, livro de cerca de 200 páginas, uma espécie de testamento de toda a sua vida no terreno da emoção e do pensamento filosófico, que sempre conduz toda boa poesia. E a sua é da melhor, garanto. Publicado na Província, pela Editora Idéia, 2010, organizado pelos professores Marinalva Freire da Silva e Rafael Francisco Braz, contando com palavras fortes de críticos como Teresinka Pereira, Sérgio Galo, Edilberto Coutinho e Virgínius da Gama Melo, o poeta logo no primeiro poema que a dupla de especialistas selecionou, levanta sua segunda cosmogonia no “Canto da Gaivota”: “O canto da gaivota / rasgou a paisagem, / abriu o caminho / com seu vôo / elevou sua sonata / num gesto estilístico / e sumiuuuuuuuuuuu....”.

Grande lírico, é preciso que o louvemos diante dos que ainda não conhecem e diante dos invejosos de sua simplesa e de sua sabença, de seu poder de convencer pela poesia, essa deusa que todos querem mas que poucos merecem. É simplesmente formidável o seu lirismo em “Afago”, pequena joia que oferece a Rosa de Lima: “Deixa eu acariciar / a tua consciência / esculpir meu sonho / no teu rosto, / encontrar o meu universo / no teu corpo / e depois traçar / o mormaço do meu destino.” Acompanhemos a “Grande tragédia” de Van Gogh, na sua visão de sutis comparações, que se afastam e se abraçam: “Na parada / o pálido perfil de Van Gogh / informa o labirinto / com a paisagem acesa / escrevendo suas angústias. / / Girassóis invadindo no meu / íntimo e tentando / encontrar o amor / que o tempo não trouxe.”

Por último, uma característica que não gostaria de deixar escapar: é que o poeta Luiz Fernandes da Silva não tem muito interesse no verso longo, prefere também não medir seus versos nas medidas tradicionais, corta-os no estilo próprio enganosamente de crônica. Mas carregados de imagens, metáforas e outras imagens singulares que fazem do poeta Luiz o poeta Luiz Fernandes da Silva idêntico a ele mesmo. E eu já disse noutros lugares que nenhum elogio á maior a um poeta do que dizer que ele é único, parece-se com ele próprio e mais ninguém, em língua, voz e sensibilidade.

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*Francisco Miguel de Moura, autor deste artigo, escritor com mais de 30 obras publicadas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

CENTRO HISTÓRICO E OS CASARÕES DE CAMPO MAIOR

PANEGÍRICO A BENJAMIN DO REGO MONTEIRO NETO


Será neste sábado, dia 14, às 10 horas, no auditório da Academia Piauiense de Letras, o panegírico em homenagem ao saudoso professor e acadêmico Benjamin do Rego Monteiro Neto, falecido no dia 24 de fevereiro em Teresina.
A oração será proferida pelo acadêmico e advogado Celso Barros Coelho.

Flagrante do Gervásio Castro

Em lembrança do dia 11-04-12, quando Chico Anysio completaria 81 anos 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

JOÃO CARVALHO – O POETA E O MÉDICO

Charge: Netto (Blog Penapicinês)

12 de abril   Diário Incontínuo

JOÃO CARVALHO – O POETA E O MÉDICO

Elmar Carvalho

Quando oito anos atrás assumi a Comarca de Capitão de Campos, o nome de João Carvalho ainda era lembrado, como um bom homem, como um médico humanitário, desprovido de empáfia e de não-me-toques ou de nós-pelas-costas, como diz o ditado popular. Tratei de adquirir o seu livro Ítacas, e logo percebi que se tratava de um verdadeiro poeta, de bom traquejo na arte de versejar, cortejado pelas musas da música, da poesia e da inspiração. Soube que era das terras do velho Mocha, e isso foi mais um fator que concorreu para que eu procurasse me aproximar dele.

No primeiro contato, imediatamente percebi que era ele um cidadão simples, simpático, sem afetação. Em suas notícias biográficas, constava a informação que ele presidia a Associação Brasileira de Alzheimer – Regional Piauí, o que era bem consentâneo com a sua profissão de neurologista. Só que ele dirigia essa entidade por ter um vívido e visível comprometimento com as pessoas portadoras dessa terrível doença. Além de poeta e médico, João Carvalho ainda arranca acordes maviosos das “cordas de um sonoro violão”, além de ter dedos hábeis e harmoniosos em um teclado. O ritmo da música e da poesia lhe vai na alma. É professor de neurologia no curso de Medicina da Novafapi.

Nascido na zona rural de Oeiras, mais precisamente na fazenda Santo Antônio, onde passou os seis primeiros anos de sua existência, admira a paisagem bucólica, e a defendeu em versos telúricos, em que revela o seu amor à natureza. Mas também já entoou versos aos vetustos casarões de Oeiras. Leitor dos grandes poetas do Brasil e do mundo, os seus poemas fogem do convencionalismo das rimas fáceis, dos trocadilhos rasos e simplórios. Sua poética, desprovida de laivo de certos eruditismos balofos, aborda os sentimentos do coração humano, em profundidade, ao largo do sentimentalismo repetitivo ou rebarbativo dos poetas menores.

É possível que a sua condição de neurologista lhe tenha dado o conhecimento teórico e prático, ao lidar com as mazelas da alma humana, para perscrutar o que vai nas profundezas do espírito do ser humano, por vezes desamparado na solidão do sofrimento e da doença. João Carvalho Fontes, poeta, músico e médico, soube garimpar daí a matéria prima que permeia a sua poesia, sóbria, por vezes quase solene em sua falta de solenidade, em seu despojamento das adiposidades dos transbordamentos emocionais. Dessa poesia está referto o seu livro Voz e Verso, que ele me enviou, com amável dedicatória, com a amável dedicatória dos que têm mérito e sabem reconhecer o mérito alheio.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

CAMPANHAS ELEITORAIS ACADÊMICAS



11 de abril   Diário Incontínuo

CAMPANHAS ELEITORAIS ACADÊMICAS

Elmar Carvalho

Devo dizer, inicialmente, que os oito candidatos às duas vagas da Academia Piauiense de Letras, com relação a mim, se comportaram com muita ética. Nenhum me pediu voto, muito menos com insistência, seja diretamente, seja através de meus parentes e amigos. Submeteram, sim, seus nomes, sua vida, seu currículo e/ou seus livros a meu exame. A situação me é um tanto difícil, porque tenho amizade a vários dos postulantes, e a todos admiro e considero. Entretanto, tenho apenas um voto para cada vaga, assim como também os demais acadêmicos.

No romance Farda, Fardão, Camisola de Dormir, Jorge Amado conta a saga e as peripécias de dois candidatos à imortalidade acadêmica, em que o autor destila certo humor ferino e satírico. Em seus Diários, em vários registros, Josué Montello revela alguns episódios de vários candidatos à Academia Brasileira de Letras, da qual foi ele presidente. Do mesmo modo, Humberto de Campos, que também foi imortal da ABL, em seu Diário Secreto, revela curiosos e pitorescos episódios dos bastidores de algumas campanhas para ingresso no secular sodalício. Alguns poderiam ser considerados hilários ou ridículos, ou até mesmo degradantes.

Pertencendo a mais de uma dúzia de entidades culturais, nove delas academias, creio ter alguma experiência para discorrer sobre o assunto assinalado no título deste texto. Muitas vezes o sucesso de um candidato depende das circunstâncias. Certos candidatos, numa outra disputa, poderiam ser eleitos, mas, ressentidos ou não, não mais concorrem. Alguns, ante o insucesso eleitoral, proferem palavras que lhe inabilitam para uma outra disputa. Já houve mesmo o caso de um candidato, que retirou sua candidatura, e com uma metralhadora giratória saiu atirando contra tudo e contra todos, dizendo que naquela agremiação acadêmica as cartas já estavam marcadas. Naturalmente, sentiu que o “clima” não lhe era propício; entendia, creio eu, que as cartas só não seriam marcadas se os imortais lhe houvessem prometido sufragar o nome.

Numa outra disputa, determinado candidato teve apenas um voto. Esse candidato declarou, em alto e bom som, que esse único voto lhe impedira de cometer suicídio. No meu entendimento, esse sufrágio solitário, embora discrepante dos demais, foi o mais importante, porquanto impediu que um intelectual viesse a óbito por suas próprias mãos. Teve também o caso, em certa academia de algum lugar do Brasil, em que um acadêmico resolveu votar por correspondência, e entregou o seu voto a um confrade. Consta que este imortal substituiu o voto por um outro que sufragava o seu candidato. A notícia se espalhou, de modo que chegou ao conhecimento do votante, que lhe determinou a devolução do voto, sob pena de ir votar pessoalmente, e ainda fazer um escândalo no local da votação, ao denunciar o fato.

Por outro lado as fofocas contam que em algumas academias já teria ocorrido barganha, e que alguns acadêmicos teriam votado em troca de emprego ou de alguma outra benesse. Não sei se isso realmente já aconteceu ou se ainda acontece, em alguma remota academia de nosso país, mas o fato é que existem comentários sobre essa, digamos, prática. Se é verdade, entendo que o eleitor e o candidato reciprocamente se merecem, na mesma intensidade. Prefiro acreditar que isso nunca aconteceu, e muito menos possa ainda acontecer.

Todos sabem que os critérios para uma pessoa se tornar “academiável” são vários, e não exclusivamente o do mérito literário. Como em tudo na vida, a amizade também possui o seu peso. A personalidade de cada candidato é levada em conta. Até mesmo a idade pode ter a sua influência, porquanto, como se diz, um candidato muito jovem “teria a vida inteira pela frente”, enquanto um de idade provecta poderia não ter outra oportunidade. De qualquer sorte, a longevidade pode significar experiência e serviços prestados à cultura.

A situação de acadêmico é vitalícia. Logo, pergunto: quem gostaria de conviver com uma pessoa problemática, de difícil convivência, turbulenta, encrenqueira, irascível, fofoqueira, cheia de arestas e de traumas pelo resto de sua vida? Quem responder afirmativamente a essa indagação, que atire a primeira pedra nas academias e em outros órgãos colegiados, de membros vitalícios. Por outro lado, quem já posou de antiacadêmico, e com sua baladeira estilhaçou as vidraças das academias, em desabrida e furiosa iconoclastia, provavelmente não irá ter a simpatia dos acadêmicos, na hora do voto. Sequer teria condições morais de pleitear ingressar em algo que denegriu com suas palavras mordazes e insultuosas.

Há os que criticam o fato de que uma academia nem sempre tem os melhores escritores de sua circunscrição territorial. Ora, para ter assento em uma associação acadêmica é condição sine qua non que o escritor se candidate a uma vaga. Se os pretensos grandes ficcionistas e poetas não se inscrevem, como poderiam fazer parte do silogeu (palavra repudiada pelos autoproclamados antiacadêmicos)? Soube que determinado medalhão esperou por muitos anos ser aclamado imortal; como isso nunca aconteceu, ele terminou tendo uma crise de humildade e tomou a iniciativa de inscrever-se a uma vaga. Para seu contentamento, terminou sendo eleito, mas não por aclamação, já que essa modalidade eleitoral não existe nos estatutos acadêmicos.

Dizem alguns, com ou sem razão, que no passado, em alguns momentos, predominou o critério do expoente. Ou seja, vencia a eleição o candidato que era famoso ou pelo menos notável em determinada profissão, e não na cultura ou nas letras. Pelo que tenho observado, esse critério, de muitos anos a esta parte, nunca mais foi observado isoladamente. Ao que me consta, os acadêmicos levam em conta vários critérios, como já disse acima. De qualquer sorte, como já tive oportunidade de dizer, o fato de uma pessoa ingressar numa academia não a tornará maior ou menor por causa disso; se era um grande escritor, continuará a sê-lo, mesmo que não seja eleito. E se era medíocre, continuará com a sua mediocridade, mesmo que seja vitorioso.

Atribuem-se a esses critérios determinado “peso” ou valoração, que pode variar de acadêmico para acadêmico, conforme seu ramo de atividade intelectual, seu grau de amizade e relacionamento com o candidato, sua individualidade e idiossincrasias. É feita, de modo subjetivo, uma espécie de média aritmética ponderada das qualidades pessoais e intelectuais de cada candidato. Cabe ao candidato aceitar o veredicto da contenda, porquanto todo postulante sabe que poderia ganhar ou perder a eleição. É como uma causa judicial, sobre a qual sempre pesa a possibilidade do ônus da sucumbência.