terça-feira, 4 de agosto de 2015

Exército ou as construtoras?



Exército ou as construtoras?

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com


            Primeiramente, cuspa qualquer ranço amargo aos militares, exaurido das esquerdas, que tentaram implantar no país o comunismo, teleguiado por Moscou, via Cuba. Ou por delírios de Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Argentina, mais recentemente. A interferência do Exército Brasileiro no governo do Brasil visava não permitir o comunismo de ditadores sanguinários, sob a batuta da corrupção desenfreada, assalto à propriedade privada. As desastrosas consequências que ocorreram em países socialistas, como Rússia e China (antes), Cuba, Coreia do Norte e leste europeu servem de advertência.

         Apesar de algumas mazelas atribuídas à ditadura militar, especialmente na limitação das manifestações públicas e liberdade de imprensa, tem-se que erguer o braço, bater continência à gigantesca operação das forças armadas para resgatar o Brasil do atraso, que servia até de deboche dos argentinos, mais prósperos e europeizados, antes do peronismo populista.

         O país, no começo dos anos 60, não dispunha de estradas asfaltadas, do Rio Grande do Sul ao Oiapoque. Em Teresina, privilégio só no aeroporto, e mixuruca. Viajar por estradas nordestinas, aventura arriscada, poeira de lascar, ônibus sem ar refrigerado, uma eternidade. Comunicação eletrônica, somente por telegrafia. Cartas demoravam meses para chegar ao destinatário. Boa mesmo, excelente, antes da ditadura, a educação pública, de invejar a rede privada, de produzir celebridades.

O governo militar implantou sistema de comunicação, através de milhares de torres da Embratel, espalhadas pelo Brasil, depois via satélite, interligando-se ao resto do mundo. Claro que o gigantismo do projeto de modernização nacional custou caro e oneroso às futuras gerações. Todavia a corrupção custava bem mais aos aventureiros denunciados.

Vinte anos de regime militar! Nenhum presidente nem  ministros saíram encastelados em fortunas da corrupção. A tropa das forças armadas ainda continua, em geral, em condições franciscanas, nas residências oficiais, nos carros de passeio. Louvável, impressionante o sentimento patriótico e ético que comanda a formação militar. A AMAN e ITA servem de paradigma e continuam seduzindo a juventude estudiosa.

         O Batalhão de Engenharia de Construção (BEC), organização militar criada em 1955, construiu, na ditadura militar, as melhores e mais duráveis estradas asfaltadas do país, para vergonha das atuais tapiocas da corrupção. A engenharia militar data do início da colonização. Atua em obras conveniadas com órgãos públicos, na construção de pontes,  poços artesianos e tubulares, açudes, portos, viadutos. Infelizmente, construtoras, com a complicidade de governos corruptos, usurpam a honrosa atribuição do Exército. Os batalhões de engenharia andam à míngua ameças de fechamento, como o comando de Picos.

         Duro de se entender: vale a pena regime democrático, gerenciado pela liberdade de se roubar, para, depois, cidadãos pagarem a conta? Chegou a hora de se entregarem, pelo menos, as obras de engenharia aos militares. É hora de se trocar o ranço amargo por sabor licoroso da decência.   

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

AMARANTE - 144 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Autor da pintura: Di Kuka (Abinabel Kunha)

AMARANTE - 144 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Luís Alberto Soares (Bebeto)

Origem e evolução

        AMARANTE tem sua origem numa aldeia mento indígena. Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, 2º Governador da Província do Piauí, em 1771, aldeou os índios Acaroás e Guegueses perto da nascente do riacho Mulato, no mesmo lugar onde hoje é a cidade de Regeneração, dando a essa missão o nome de São Gonçalo de Amarante, em homenagem ao santo de seu nome. A história de Amarante está ligada ao então propósito do Governador da Província, utilizando mercenários em busca de ouro e consequentemente acumulando riquezas, aldeavam e na maioria das vezes trucidavam índios que viviam às margens do Rio Mulato na antiga Vila de São Gonçalo (hoje Regeneração). Devido à navegação do Rio Parnaíba e o consequente avanço comercial que já se fazia notório, em 16 de julho de 1861, em conformidade com a lei nº. 506 de 10 de agosto de 1860, a sede foi transferida para o Porto de São Gonçalo de Amarante, ficando a atual Regeneração reduzida a uma simples povoação denominada de São Gonçalo Velho.
AMARANTE fica na Zona Fisiográfica do Médio Parnaíba, Microrregião 4 e ocupa uma área de 1.150 Km2, limitando-se ao NORTE com Palmeirais – ao LESTE, Angical do Piauí e Regeneração – ao SUL, Francisco Ayres e Floriano e a OESTE com São Francisco do Maranhão. O município de Amarante foi formado com território desmembrado de Jerumenha e de Valença. Desmembrou terras para a formação de outros municípios, como: Angical do Piauí, Francisco Ayres e Arraial. Atualmente o município de Amarante é constituído por sete Datas: Boa Esperança, Muquilas, Araras, Sítio do Meio, Saco dos Melo e Conceição. A cidade de Amarante está encravada na Data de Boa Esperança.  Assentamentos do INCRA: Flor de Maio, Santa Helena, Araras, Ararinha, Mimbó, Salobro, Nova Conceição e Ponta da Várzea. Do Crédito Fundiário: Vila Feliz, Chapada dos Marcos, Chapada do Filomeno e Chapada do Bacuri. População do município: 17.316 (CENSO/2010). Amarante ocupa a trigésima primeira posição dos municípios mais populosos do Piauí.
Na segunda metade da década de trinta, do século XX, os hidroaviões da Companhia “Condor” faziam escala semanal em Amarante. Pousavam no rio, frente à cidade, e atracavam ou paravam em local apropriado. Transportavam passageiros, encomendas e    malas    do  Correio.  Traziam muita vida  à   cidade   e   promoviam   o   intercâmbio   sócio-cultural.   Era um dia  movimentado.  A presença do hidroavião atraia e motivava o comparecimento de muitas pessoas, levadas pela curiosidade.
O PRIMEIRO RÁDIO a ser instalado na cidade de Amarante foi o do movimentado Bar do Antônio Costa. Para muitos, era coisa de outro mundo. Vinha gente de todos os lugares de Amarante somente para escutar a grande invenção sonora. O bar ficava superlotado de curiosos, que o diga a senhora Clotildes Ribeiro da Silva, popular Coló, 103 anos de idade, mãe de José Pereira, o conhecido Zé Besouro. Ela presenciou a novidade e diz para a nova geração que teve muita gente que quando escutou o rádio, fazia o sinal da cruz, dizendo que aquilo era uma “pintura do cão”.

  RUAS E VÁRIAS CASAS DE AMARANTE recebiam iluminação através de lampiões a querosene ou a “petromax” (estilo Aladim). Em 07 de setembro de 1933, a empresa Morais & Cia, de Parnaíba, instalou em nossa cidade, a energia elétrica movida por máquina a vapor (caldeira à lenha e água), das 06 às 11 horas da noite. Anos depois, a Prefeitura de Amarante foi responsável pelo fornecimento da energia elétrica gerada pelo mesmo processo da Morais & Cia. Em seguida, o fornecimento de energia foi gerado por máquinas a óleo por conta da CERNE, instalada no prédio hoje pertencente ao Iate Clube Amarantino, também das 06 às 11 horas da noite. Havia prorrogação de energia nos acontecimentos especiais. Por último, a CEPISA – respondendo pelo atual abastecimento em todo Estado do Piauí.
 AMARANTE é uma fonte de riqueza natural. A cidade é de porte médio, mas a sua posição geográfica, entre três rios, circundada nos versos de nosso poeta maior, “Da Costa e Silva”, que a cognominou de “uma ilha alegre e linda”. A coroa do Rio Parnaíba, especialmente aos domingos do mês de julho, há grande aglomeração de banhistas, observadores e comerciantes de vários municípios do Brasil. Tem também o morro de São Benedito, defronte à Rua Antonino Freire, onde há o velho “ESCORREGA  BUNDA”, que muitas gerações de amarantinos ilustres, na sua infância, ali se entretinham brincando. Tem ainda as principais atrações turísticas: o panorama do alto da Escadaria “Da Costa e Silva”, casarões em estilo colonial, o Sítio Floresta, a Casa Odilon Nunes que abriga a Biblioteca e o Museu da Cidade, O Museu do Divino Espírito Santo, a Pousada Velho Monge - onde se descortina a bela paisagem das serras de São Francisco do Maranhão.
           O HINO E A BANDEIRA MUNICIPAL DE AMARANTE são de autoria do heraldista e vexilologista, professor Arcinoe Peixoto de Faria, da Enciclopédia Heráldica Municipalista com sede em São Paulo – Capital.  Oficializados pela Lei Municipal nº 411, de 28 de março de 1977.  Administração: Emília da Paixão Costa (Bizinha). O Hino Municipal de Amarante com letra de Monsenhor Isaac José Vilarinho e música do maestro Luís Santos. Oficializado pela Lei Municipal nº 411, 28 de março de 1977.
               HISTORIADORES contam nos seus arquivos que na época da transferência da Vila de São Gonçalo para o Porto (cidade de Amarante), surgiu a 1ª professora de nosso município. Logo mais, foram criadas duas escolas públicas estaduais: uma para meninos, dirigida por um professor e outra para meninas, dirigida por uma professora - denominadas: Escola Pública do Sexo Masculino e Escola Pública do Sexo Feminino.
            VIA PÚBLICA - A primeira rua da cidade de Amarante chamava-se Rua Grande, devido sua ampla largura, partindo no Morro do Pontal à margem do rio Parnaíba. Foi o caminho da Vila de São Gonçalo para o Porto. Hoje, nomeada Avenida Desembargador Amaral em homenagem ao primeiro juiz de Direito de Amarante, Desembargador José Mariano Lustosa de Amaral. Havia uma arborização muito frondosa de “mamoranas”, árvores de origem portuguesa. Nas laterais, iluminação por lampiões a querosene. As árvores são as que o nosso poeta maior, “Da Costa e Silva” se refere no soneto Saudade. Em 1932, um projeto do amarantino, engenheiro, Dr. Manoel Sobral (alto comerciante), a Avenida foi transformada com figueiras e fícus benjamim. Em seguida iluminada por petromax. Em 07/09/1933, a Avenida recebia luz elétrica da usina Morais & Cia., trazida por Zeca Correia, que implantou outros benefícios no município.



   A NAVEGAÇÃO FLUVIAL A VAPOR teve início com a chegada do vapor Uruçuí ao porto da então Vila de São Gonçalo, ocorrida a 10 de junho de 1862. Foi o avanço para o progresso, o comércio desenvolveu-se rapidamente. Em 04 de agosto de 1871, a Vila passou à cidade, com o nome de AMARANTE e seu porto fluvial logo se tornou de importância semelhante ao de Parnaíba, tornando Amarante o empório comercial da região sul do Piauí e Maranhão, estendendo sua influência a Goiás. Tudo ia bem, era o progresso, Amarante chegou a manter transações comerciais internacionais. Esteve em franco progresso até o surgimento de Floriano que lhe arrebatou essa força comercial. A partir daí, começou a decadência de Amarante. Carneiro da Câmara, Dr. Archimedes Nogueira Paranaguá, Dr. Rogério de Castro Matos, Dr. Thomaz Gomes Campelo, Dr. Geraldo Majella de Carvalho, Dr. Alair Rocha, Dr. Luís Fortes do Rego, Dr. José Arimathéa Tito Neto, Dr. Raimundo Fortes de Oliveira, Dr. Francisco Isaias de Arêa Almeida, Dr. Henrique Oliveira do Vale, Dr. Herbet Belisário dos Santos, Dr. José Raimundo Belo, Dr. Antenor Barbosa de Almeida Filho, Dr. Fernando Lopes da Silva Filho e Dr. Netanias Batista de Moura, desde outubro de 1997.
   OS PRIMEIROS PROFESSORES DE AMARANTE: Efigênia Maria de Azevedo, Odilon Nunes, Cunha e Silva, Luiz Moura da Cunha, Amora Cunha e Silva, Ditosa Fonseca, Raquel Costa (Quesinha), Júlia do Monte Lustosa, Júlia Leitão, Zilda Sampaio, Nair Conde, Carolina Freire, Nailde Ribeiro, Joca Vieira, Arysnede Cavalcante Corrêa Lima.
OS PRIMEIROS JUÍZES DA COMARCA DE AMARANTE: (1861 a 1900): Dr. Higino Cunha, Dr. José Mariano Lustosa de Amaral, Dr. Gastão Ferreira de Gouveia Pimentel Beleza, Dr. José Piauhilino Mendes Magalhães, Dr. Umbelino Moreira de Oliveira Lima, Dr. Sesostris Silvio Mendes de Moraes Sarnamento, Dr. Pedro Emigdio da Silva Rios, Dr. Antonio Martins da Silva Porto, Dr. Jesuino José de Freitas, Dr.Joaquim Ribeiro Gonçalves, João Leopoldino Ferreira, Dr. César do Rego Monteiro, Dr. Ernesto José Batista, Dr. Eduardo Olímpio Ferreira. Os quinze últimos: Dr. Ausônio Carneiro da Câmara, Dr. Archimedes Nogueira Paranaguá, Dr. Rogério de Castro Matos, Dr. Thomaz Gomes Campelo, Dr. Geraldo Magella de Carvalho, Dr. Alair Rocha, Dr. Luís Fortes do Rego, Dr. José Arimathéa Tito Neto, Dr. Raimundo Fortes de Oliveira, Dr. Francisco Isaias de Arêa Almeida, Dr. Henrique Oliveira do Vale, Dr. Herbet Belisário dos Santos, Dr. José Raimundo Belo, Dr. Atenor Barbosa de Almeida Filho, Dr. Fernando Lopes da Silva Filho e Dr. Netanias Batista de Moura, desde outubro de 1997.
   OS PRIMEIROS MÉDICOS QUE CLINICARAM EM AMARANTE: Manoel Joaquim Rodrigues Macedo (22-02/1862); Júlio César Audreíno - amarantino nato (1883); Bonifácio Ferreira de Carvalho - amarantino nato (1890); Manoel Rodrigues de Carvalho (1891); Antonio Sobral - amarantino nato; Antonio Ribeiro Gonçalves – amarantino nato; Francisco Ayres Cavalcante - amarantino nato (1915); Evanilda Neiva Pacheco (1959); Misael Dourado Guerra (1964).

  
            VELHA ECONOMIA - Há várias décadas, a economia do município de Amarante era voltada à cana de açúcar plantada com abundância nas margens do riacho Mulato.  A historiadora Maria Santana Vilarinho Santos, recentemente fez um documentário sobre a importância desse precioso produto agrícola. Havia vários engenhos. Dois deles, movidos a vapor e caldeiras alimentadas pelo bagaço da cana moída. Os outros engenhos eram movimentados por bois. Fabricava-se açúcar, rapadura e cachaça. Esses produtos eram exportados para diversos municípios através de animais e balsas que trafegavam no rio Parnaíba. A velha economia de Amarante estendia-se ainda na geração de muita mão-de-obra. A historiadora amarantina menciona no seu belo documentário o Engenho do Sítio Santa Rosa de propriedade de seu saudoso pai, Pedro Gonçalves Vilarinho. Ela relata que era servido um café com paçoca e que os trabalhadores eram divididos em grupos: cortadores de cana e cambiteiros que levavam a cana cortada nas costas de animais. Havia ainda aqueles que exerciam atividades diversas. A lenha era transportada para aquecer as caldeiras por carros de madeira puxados por bois.
  VELHOS CABARÉS. - A cidade de Amarante viveu por várias décadas num movimentado clima de prostíbulo, reverenciado em nosso meio como Cabaré e Tabocal. Os ambientes para a prática sexual ocorriam especialmente à noite com maior movimentação nos finais de semana. As prostitutas, populares raparigas, eram de várias localidades e os frequentadores de todas as classes sociais. Existiram três agitados setores de cabarés na cidade: “Cai N’agua”, à margem do rio Parnaíba, próxima do Hotel Pousada. Teve vários proprietários. Entre eles, os populares João Garapeira (falecido) e Raimundinho da Dorica. Lá era promovido o Baile Cor de Rosa e o Forró Pé de Serra. Na conhecida Rua do Fogo tinha várias casas do ramo: Os cabarés das populares Marizô, Carmozina (falecida), Chica Preá (falecida) e Irene Casadinho (falecida) e tantas outras. Havia também muito forró e muitos bares com músicas bregas e apaixonadas, tocadas em radiolas ou em vozes de bêbados, acompanhados por um violão. Próximo à Rua do Fogo, na beira de um grotão, teve o movimentado cabaré “Casa Amarela” de propriedade do popular Estevão Galinha D´gua (falecido), onde também havia muito forró e o Baile Amarelo. Tinha ainda o ponto: “As Meninas dos Olhos” do engraçado Quixaba, localizado no “Sovaco do Cão” à margem do rio Parnaíba. “Inferno Verde” foi o apelido dado pelo popular Reis Felix, considerado uns dos maiores frequentadores de cabarés de Amarante, a um animado setor da prostituição, localizado na Rua São Benedito, perto do Clube Os Quarentões. Teve vários donos de cabarés, neste setor, como: Cecílio Dias (falecido), as populares: Chicuta, Ducarmo Tataira, Rita Macambira, Biluca e Helena Preta. Tinha ainda Nazaré Cambão, a “Rainha da Panelada”. Havia ainda nos prostíbulos de Amarante outros nomes de bailes, o Branco e o Azul. Vale esclarecer que as prostitutas eram muito discriminadas: não podiam estudar em colégios, frequentar igrejas e nem de participar de muitos atos da sociedade. Em várias ocasiões, muitas mulheres casadas foram atrás de seus maridos nos cabarés. Existem ainda em nossa cidade, três prostíbulos: “Paraíso do Amor” do popular Doutor do Cícero Casadinho (bairro Dois Coqueiros), BR 343; Casa de Encontros da popular Ducarminha, Rua Da Costa e Silva, perto do rio Parnaíba (Cai N´agua) e o da Chiquinha Sousa, Rua do Fogo.

  REVOLUÇÃO - Os inesquecíveis amarantinos contam que Amarante viveu momentos de terror com a passagem da Coluna Prestes na cidade, no período de 20 a 27 de dezembro de 1925. Foram várias colunas das forças revolucionárias que deixaram o povo do município assustado. A 1ª Coluna, a do Capitão João Alberto, chegando à meia noite em nossa cidade. Logo após, os revoltosos arrombaram as portas do Telégrafo, onde se instalaram. Horas depois, chegaram os grupos chefiados pelo Coronel Dutra e Capitão Euclides. Em seguida, outras caravanas comandadas pelo Cel. Juarez Távora e Sr. Bernardino.  No mesmo dia, chegaram também à nossa cidade as colunas do Cel. Carlos Prestes e a do Sr. Siqueira Campos. As forças revolucionárias arrombaram portas de comércios e saquearam grande estoque de mercadoria. Os estabelecimentos comerciais de Abdon Moura e Joaquim de Castro Ribeiro (Quincas Castro), avô materno da ilustre amarantina Maria Cirene de Castro Sousa, de grande movimentação e sortimento, foram os mais afetados com os roubos dos revoltosos. Eles ainda forçaram comerciantes em geral, pagarem uma conta altíssima de guerra. Dizem que os revoltosos derramaram perfumes em toda a cidade. Houve, também, invasão residencial, de onde os revoltosos levavam tudo que encontravam e  determinaram o fuzilamento dos expressivos Senhores de Amarante: Abdon Armindo de Moura, Cel. Luiz Gonçalves Ribeiro, Major Sátiro de Castro Moreira, Capitão Francisco José de Lima, Miguel Arcoverde Vieira, Amâncio José Pereira Lopes, Raimundo Gonçalves Vilarinho,  Acilino Neiva, Eugênio Barbosa, Gerson Ernestino de Sousa, João Ribeiro de Carvalho (João Pinga), José Maria Gonçalves, Gonçalo S. Antônio Costa. Felizmente ficou só na ameaça. O saudoso Francisco Felix da Silva testemunhou toda ousadia dos revoltosos com o povo amarantino, a exemplo do inesquecível Odilo de Sousa Queiroz, pai do professor e jornalista Virgílio Queiroz, que sabia das ações das forças revolucionárias em vários lugares do Brasil. A secular Clotildes Ribeiro da Silva, a popular Coló, residente em Amarante, conta com detalhes as atrocidades dos revoltosos em nossa cidade.
  CONEXÃO - A cidade de Regeneração a 18 km do centro de Amarante, historicamente conectada à nossa cidade desde o início de sua povoação. Vale ressaltar que a conceituada Regeneração quando era pequeno povoado, recebeu outros nomes: São Gonçalo de Amarante, São Gonçalo Velho, e São Gonçalo de Regeneração. Ela também foi muito chamada de Vila. Ainda hoje, existem pessoas que pronunciam esse apelido. Para suprir sua necessidade comercial através de transporte fluvial no rio Parnaíba, a nossa vizinha Regeneração, fez estabelecer o “Porto”, origem do município de Amarante. Regeneração passou por um bom tempo, vinculada em nossa municipalidade. Continua a influência mútua comercial, educacional, cultural, social e política desses municípios.


               MINÉRIO EM AMARANTE - Segundo o geólogo amarantino João Castor do Nascimento Silveira, há grande possibilidade da existência de minério na Serra da Arara, município de Amarante, devido à formação sedimentar da área, principalmente por arenito. A Petrobrás esteve no local onde perfurou há longos anos, um poço pioneiro. O resultado constituiu uma ligeira emanação de gás. Esclareceu ainda o geólogo João Castor que no lugar Canto, neste município, limitando-se com Francisco Ayres, há uma boa quantidade de GIPSITA (sulfato de cálcio), matéria prima para obtenção de gesso. Análise já foi feita em laboratório de São Paulo por intermédio do geólogo João Castor da Silveira.
             AMARANTE às vezes é chamada por este Brasil afora como “Terra do Papagaio”. Por quê? A historiadora Maria Santana Vilarinho Santos, um dos membros de nossa cultura, tem uma versão do motivo desse chamamento. “Há muito tempo... Numa grande enchente dos rios Parnaíba e Canindé, desciam enormes blocos de terra, contendo árvores, animais e outros. Num desses blocos vinha um papagaio. Ao chegar na cidade de Amarante, a ave perguntou - onde estou? Responderam – em Amarante.  Ele deu uma risada e disse: prefiro a morte. Aqui, é terra de poetas, escritores, governadores, não há lugar para papagaio... Ah! Ah! Ah!”.
              AMARANTE, berço de grandes nomes: Dirceu Mendes Arcoverde, Antonino Freire, Waldir Arcoverde, Eduardo Neiva, “Da Costa e Silva”; Luís Mendes Ribeiro Gonçalves, Osvaldo Da Costa e Silva, Dr. Antonio Ribeiro Gonçalves, Taumaturgo Sotero Vaz (poeta), Odilon Nunes, Cunha e Silva, Clóvis Moura, Carvalho Neto, professor Antonio Veríssimo de Castro (Tonhá), historiadora Raimunda Nonata de Castro (Nasi), Coronel Joaquim Vilarinho, Coronel Miguel de Almeida Lira, Geraldo de Sousa Vilarinho (oficial superior do Exército), Dr. Francisco da Cunha e Silva Filho, Dr. Francisco Ayres Cavalcante, professor Afrânio Nunes, Homero Castelo Branco, Dr. Antonio Pereira Lopes, Dra. Eulália Maria Ribeiro Gonçalves do Nascimento Pinheiro, Coronel Clidenor Lima, Coronel Walker Prado, Coronel Manoel Mendes de Melo, Cel. Solange Maria Macedo Lima, Major Antonio Soares Ribeiro, Capitão Deodato Lopes da Silva, Dr. Eleazar Moura, José Moura Lima,  Dr. Adoniais Carvalho, Dr. José Moacy Leal, João Elias Teixeira e Silva, Rafael Sousa Fonseca, Dra. Maria Celestina Mendes da Silva, José Dias Feitosa (Capitão Zeca) e outros famosos. Amarante, por vários motivos, é apelidada: a Capital da cultura piauiense.
            TÍTULO A AMARANTE. O sistema Meio Norte de Comunicação, por meio do Portal Meionorte. com, via rede social, abriu concurso em 2012, através de votos, para eleger os novos sete locais mais belos de nosso Estado. A riqueza arquitetônica de Amarante e sua tradição histórica, o fator principal para que nossa cidade recebesse o título de Sétima Maravilha do Piauí.

Textos extraídos do livro AMARANTE, PERSONALIDADES E FATOS MARCANTES   

domingo, 2 de agosto de 2015

Seleta Piauiense - Licurgo José Henrique de Paiva


Pomba dos amores

Licurgo José Henrique de Paiva (1842 - 1887) 

Por que te foste, pomba dos amores?
Por que nos ermos me deixaste só?
Tiveste medo de que eu te perdesse,
Ou que de um tiro te arrojasse ao pó?

Pobre pombinha! que no amor não cresces
Do caçador perdido no teu lar!…
Que não quisesses dar-lhe essa ventura
De na solidão escutar!…

E foste noutro bosque tão diverso,
Noutras plagas gemer e suspirar;
Talvez que nem te lembres mais da moita,
Onde à sombra, de tarde, ias cantar.

Depois daquele dia, assaz saudoso,
Em que batendo as asas foste lá,
Por Deus! mulher, que luto com a tristeza,
E cismo que minh’alma é morta já.

Nem sei mais quando é dia ou noite mesmo;
Pois tudo se confunde em meu pesar;
Só sinto a dor pungente da saudade,
Como um verme, em meus seios se arrastar.

Por que te foste, pomba dos amores,
Quando eu mais quis ouvir-te gorjear?
Por que te foste, em ermo abandonaste
O caçador perdido no teu lar?   

sábado, 1 de agosto de 2015

OPERAÇÃO CATA PIOLHO


OPERAÇÃO CATA PIOLHO

Jacob Fortes

Notório para os que viajam de automóvel por esse Brasil afora é o fato de que as rodovias federais, invariavelmente, passam ao largo das urbes populosas, mas tratando-se dos vilarejos e demais aglomerações rarefeitas do interior cortam-nas ao meio. É justamente nessas povoações ralas que se percebe, desde que desapressadamente, o estranho, particular e simiesco hábito que vige nessas comunidades vilarinhas e interioranas. Trata-se da tarefa (a batizei de “operação cata piolho”) de expurgar das densas cabeleiras femininas, raramente das masculinas, os infestos ectoparasitas: piolhos, lêndeas e animálculos em geral. Executada com raro zelo e prazer, a tarefa, que mais parece uma diversão, inicia-se no principiar das tardes dominicais.  Para tomar conhecimento da inusitada prática não precisa ao transeunte ter olhos de tetéu, nem ser observador arguto, pois o procedimento, ritualístico, ocorre à evidência, em alto relevo (na calçada, no terreiro, nos desvãos das portas), enfim em todos os locais onde habitam os que ainda não suspenderam a greve de assepsia. Tão logo a hospedeira, mais das vezes de cabeleira em tempestade, senta-se ao chão e espalda-se na entreperna da catadora, esta sentada à calçada ou num tamborete, dá-se início ao paciente trabalho de garimpagem. Enquanto a catadora, prazerosamente, vai arrepelando aquela cabeleira (poenta por falta de asseio) para subtrair e despejar as manadas invasoras, aninhadas no interior do latifúndio capilar, a hospedeira, por esquecidas horas, vai gozando, queda, as delícias de uns cochilos. Haja habilidade e dedos para filar tanto inseto! Melhor para as galinhas que espreitam, impacientadas, a colheita das larvas e pupas capturadas no interior do enorme cipoal. Afinal, neste mundo nada se perde, exceto vontade de pobre e guimba de cigarro. Mas a cabeça da catadora há de estar protegida por uma toca, ou pano, pois os fugitivos, em demanda de novos esconderijos, se abismam feitos pulgas e vão-se homiziar na maçaroca mais próxima. As cabeleiras densas e ingentes somente podem ser garimpadas por eito ou por talhão, hipótese em que a catadora carece de certos instrumentos de trabalho: pente de ferro tipo rastelo e piranha reforçada para piquetear o terreno. Sobre cada talhão arrepelado a catadora aplica um líquido oleoso e malcheiroso, símile ao azeite de mamona. A desconfortante cena, porém, mais inestética que estética (protagonizada pelas camadas mais puídas da sociedade), apenas vivifica legado reinol: a esquadra que trouxe a família real para o Brasil veio abarrotada não apenas de pessoas, mas principalmente de piolhos: “Afligida por tempestades e infestações de piolhos, a corte atravessa o oceano. Para combater a praga, as mulheres nobres tiveram de raspar os cabelos e untar as cabeças carecas com banha de porco e pó antisséptico à base de enxofre”.

A natureza dos fios capilares constitui curiosidade acessória: uns rijos e grossos semelhantes à cerda do caititu; uns negros da cor do azeviche; uns fulvos remetendo ao sarará; uns riçados, outros desenriçados e assim por diante.

Na falta de um parasitologista ou de um Ministério da Saúde para acudir na tarefa de despejar esses inquilinos parasitários — que dia e noite castigam os hospedeiros comichando-lhes a cabeça, — melhor fariam os donos desses latifúndios se derrubassem em corte cerce as suas florestas capilares e, na sequência à raspagem, aplicar produto desinfetante de enérgica propriedade antisséptica, a bem dizer o detefon.


Digno de espanto ou admiração, apupo ou ovação, conforme a opinião que se tem, verdade é que o costume é exemplo frisante desse enorme mosaico nacional: a identidade cultural brasileira.   

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Olha pro céu, meu amor!


Olha pro céu, meu amor!

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com

Semana de Lua Nova. Ou será que você não vislumbra o mágico firmamento? Uma simples fase lunar traz fenômenos, que nossos ancestrais não perdiam, contemplando os efeitos na agricultura, na vida animal, na navegação, nas reações mentais. Não é em vão que o termo lunático incorpora sentido de atitudes tresloucadas.  A Lua Nova provoca aquecimento do ar e do oceano, aumento de umidade, formação de nuvens e prováveis chuvas. Período fértil para germinação, floração, partos ou eclosão dos ovos.

Teresina, nesta quarta-feira, 22/7, amanheceu coberta de nuvens. Caiu uma chuvinha passageira, típica da fase lunar. E repetiu à noite, para floração das mangueiras e cajueiros.

Sou do tempo em que até as crianças se divertiam, contemplando o céu, especialmente à noite. Luar, milhares de estrelas, asteroides à deriva, espaço sideral repleto de mistérios e indagações. Supersticiosos não apontavam  estrela, que provocava verruga no dedo. Todo mundo sabia, de cor, nomes e posições das Três Marias, Cruzeiro do Sul, Sete Estrelas, Via Láctea, Sírio, a mais brilhante do firmamento, entre as mais próximas da Terra. Via Láctea, milhões de astros geminados, traçando luminoso caminho de leite derramado.

Encantador contemplar o firmamento, à noite, só possível, hoje, nas regiões distantes das encandecentes cidades. Noites de luar, romantismo, poesia amorosa: “Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo! (Luís Gonzaga). “Aquele beijo que te dei / nunca, nunca mais esquecerei. / A noite linda de luar / Lua, testemunha tão vulgar!” (Roberto Carlos). Ainda o rei: “Eu vou perguntar / Se na Lua há / Brotinho legal pra mim namorar”. Ou refletindo um mundo de poluição, guerras e carência afetiva, a era espacial também serviu de fonte inspiradora ao romantismo: “Será que os amores já morreram / Um astronauta eu queria ser / Para ficar sempre no espaço / Desligar os controles da nave espacial / Pra ficar sempre no espaço sideral”.  Cantor Raul Seixas pergunta: “Por que a solidão vem sempre junto com o luar?” Poeta Álvares de Azevedo: “Nas noites de luar, sempre descanso aqui, / E a Lua enche de amor a minha esteira”.

Só há uma explicação para tanto envolvimento com as drogas: o embrutecimento da vida moderna, que não permite horário sequer para o afeto familiar, as relações saudáveis, inclusive com  a natureza. Convivência que se traduz em sonhos. Basta um instante de contemplação do firmamento, de Lua Cheia, do cultivo de plantas, da assistência aos animais ou das generosidades desinteressadas.

Em tempo de intensa preocupação com o meio ambiente, vale a pena pais e educadores incentivarem nas crianças o contato com jardins, parques e animais. Enquanto redijo esta crônica, dezenas de sibites não param de cantar, próximos à minha janela, para sugarem água açucarada ou beliscarem frutas. Não param, mesmo. Lindos, pequenininhos, dóceis, a dois metros de mim. Lá vêm beija-flores cobrando-me também carinho. Não há droga que entorpeça, como as criaturinhas que me trazem sorrisos do Criador. Quanto mais olho pros céus, mais me encanta a terra, inclusive a chuvinha desta quarta-feira.    

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Casa do Desterro

Foto meramente ilustrativa

Casa do Desterro

Valdemir Miranda de Castro

A origem da família MELO, no norte do Piauí, deve-se a figura de Onofre José de Melo, casado com Cecília Maria das Virgens, que provenientes de Pernambuco, foram os fundadores da Casa do Desterro na Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca. Do casal descendem os Melo de Piracuruca, Piripiri, Batalha, Barras e Campo Maior.
A Freguesia de Piracuruca, foi a terceira a ser fundada no território do Piauí, ainda sob jurisdição eclesiástica do Bispado de Pernambuco, possuía várias casas-grandes de Fazendas dos primeiros ocupantes de seu vasto território, que se estendida do vale do Longá ao litoral e até a costa leste do Maranhão.
A professora Judith Santana em seu trabalho “O Padre Freitas de Piripiri”, enumera que o território da freguesia possuía várias casas-grandes, que faziam a política da boa vizinhança, entrelaçavam-se por uniões matrimoniais entre seus descendentes (SANTANA, s.d., p. 28). Entre as fazendas citadas ressaltem-se a Gameleira, fundada por Francisco José do Rego Castelo Branco e Auta Inês de Castro, - a Casa das Lages, de Bernardo José do Rego e Cândida Rosa Castelo Branco, - a Casa do Desterro, de Onofre José de Melo e Cecília Maria das Virgens, e a Casa do Curral de Pedras, de Simplício Coelho de Resende.
I- Onofre José de Melo foi casado com Cecília Maria das Virgens, pernambucanos de origem, ela filha de um Padre Ponte, o casal foi pais de:
II-1 José Florindo de Melo
II-2 Gracinda Rosa de Melo
II-3 Carlota Rosa de Melo
II-4 Antônio Luís de Melo
II-5 Antonino José de Melo
II-6 Luís Antônio de Melo
II-7 Higina Rosa de Melo

II-2 GERACINDA ROSA DE MELO, casou-se com Diógenes Benício de Melo, foram os fundadores da Casa da Caiçara, foram pais de:

III-1 Filomena Rosa de Melo
III-2 Avelina Maria de Melo
III-3 Inácia Maria de Melo
III-4 Cecília Maria de Melo
III-5 Idalina Rosa de Melo
III-6 Onofre José de Melo
III-7 Prestetato José de Melo
III-8 Diógenes Benício de Melo

III-5 IDALINA ROSA DE MELO nascida e falecida no Termo de Batalha, Freguesia de Piracuruca. Casou-se com SALVADOR QUARESMA DOURADO DE MELO, nascido em Piracuruca e falecido em Batalha. Capitão da Guarda Nacional no Termo de Batalha. Pais de:

IV-1 Pussina Rosa de Melo
IV-2 Carmina Quaresma de Melo
IV-3 Luís Quaresma de Melo
IV-4 Altino Quaresma de Melo
IV-5 Conrado Quaresma de Melo
IV-6 Matias Quaresma de Melo
IV-7 Salvador Quaresma de Melo

IV-1 PUSSINA ROSA DE MELO, nasceu em 1886 e faleceu no Termo de Batalha. Casou-se com JOAQUIM JOSÉ DE MELO, nasceu em 1886, em Barras. Filho de Prestetato José de Melo e de Georgina Quaresma de Melo.

IV-2 CARMINA QUARESMA DE MELO, n. 20.02.1889, em Batalha.

IV-5 CONRADO QUARESMA DE MELO, nasceu em Batalha e faleceu a 03.03.1952, em Batalha. Chegou à vila de Boa Esperança nos primeiros dias de sua criação, tendo servido a nosso município pelo espaço de mais de tinta anos, tanto como político de destaque, como também na qualidade de funcionário do Departamento Nacional dos Correios de Telégrafos. Depois de aposentado, por motivo de saúde, voltou à sua terra natal, deixando entre nós um grande lastro de sólidas amizades (A. SAMPAIO, 1965, p. 88). Casou-se com INÁCIA DE ALENCAR MELO. Pais de:

V-1 Maria do Perpétuo Socorro Melo
V-2 Avelino Melo
V-3 Idalina Melo
V-4 Alice Melo

VI-1 MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO MELO, nome de solteira, MARIA DE ALENCAR MELO, nome de casada, nasceu a 10.01.1916, no lugar Palmeira, Município de Esperantina e faleceu a 16.07.1986, em Teresina. Casou-se a com CLÓVIS DE CASTRO MELO [primeiro do nome], nasceu a 31.12.1901, em Batalha, e faleceu a 22.10.1991, em Teresina. Filho de Messias de Andrade Melo e de Ana de Castro Melo.

VI-1 AVELINO MELO, nasceu a 02.01.1908 e faleceu a 03.10.197. Casou-se com GERACINA OLÍMPIO DE MELO, nascido a 22.08.1913 e faleceu a 03.11.1979. Pais de:

VII-1 José Olímpio de Melo
VII-2 Messias Melo
VII-3 Conrado Melo Neto
VII-4 Ana Inácia Melo

IV-6 MATIAS QUARESMA DE MELO, nasceu a 29.10.1891 e faleceu a 03.03.1963, em Batalha. Casou-se com SATURNINA BRAGA DE MELO nasceu a 22.03.1928 e faleceu a 14.04.1998. Pais de:

V-1 Maria de Fátima Braga de Melo, nascido em 22.04.1954 e falecido em 27.11.1957 s.s.g.

IV-7 SALVADOR QUARESMA DE MELO, nascido em 05.06.1892; falecido em 04.01.1962, em Batalha. Casou-se com MAROQUINHA MELO nasceu a 21.04.1905 e faleceu a 25.04.1992.

II-2 CARLOTA ROSA DE MELO, casou-se MIGUEL QUARESMA DOURADO, nascido em 1817, em Portugal. Constava da lista dos eleitores de Piracuruca, no ano de 1848, com 31 anos. Pais de:
II-1 Salvador Quaresma Dourado de Melo
II-2 Georgina Quaresma de Melo

II-1 SALVADOR QUARESMA DOURADO DE MELO, [Ver nº III-5 IDALINA].

II- 2 GEORGINA QUARESMA DE MELO, nascido no Termo de Batalha; falecido no Termo de Batalha, Freguesia de Piracuruca. Moradora do lugar Águas Livres, Batalha. Casou-se com PRESTETATO JOSÉ DE MELO nascido em Batalha e falecido no termo de Barras. Residente no lugar “A mais tempo”, Barras. Pais de:

III-1 Joaquim José de Melo

III-1 JOAQUIM JOSÉ DE MELO, nasceu 1886; faleceu no Termo de Batalha. Casou-se, a 08.01.1907, aos 21 anos, no Sítio Águas Livres, Batalha, com PUSSINA ROSA DE MELO nascida em 1886 e falecida em Batalha. Filha do capitão Salvador Quaresma Dourado de Melo e de Idalina Rosa de Melo. Foram testemunhas: o Capitão José Francisco de Melo e Diógenes Olímpio de Melo.

II-ANTÔNIO LUÍS DE MELO, casado que foi com Francisca Sinharia da Silva. Pais de:

III-1 Diógenes José de Melo

III-1 DIÓGENES JOSÉ DE MELO, nasceu a 25.01.1853, em Piracuruca, e faleceu a 22.11.1902, em Batalha, ambos sepultados no cemitério de São Gonçalo da Batalha. Alferes do Batalhão de Guarda Nacional de Infantaria do Município de Batalha, promovido a tenente, em 12.01.1878, depois capitão da Guarda Nacional (PIRES FERREIRA, 1992, V.2 p. 88-89). Tenente coronel do 4º Batalhão de Infantaria de Batalha, em 1902. Conselheiro a Câmara Municipal de Batalha, legislaturas 1872-1876, 1892-1896, 1896-1900 e 1900-1904, tendo falecido no exercício do cargo, em 1902, assumindo seu lugar na câmara Amaro José Machado. Proprietário da Fazenda Cachoeira, agricultor e criador. Fundador da Fazenda Malhado do Meio, no atual município de Esperantina, que foi herdada por sua filha Matilde de Castro Melo, primeira esposa do cel. Manoel Lages Rebêlo. Casou-se com UMBELINA INÊS DE CASTRO, nome de solteira, Umbelina de Castro Melo, nome de casada, nasceu a 05.04.1852, no termo de Batalha foi batizada a 02.12.1853, na Igreja Matriz de São Gonçalo da Batalha. Foram seus padrinhos: João Bartolomeu de Carvalho e sua mulher Mariana Rosa de Carvalho. Faleceu 03.04.1924, em Batalha, sendo ali sepultada. Pais de:

IV-1 Auta de Castro Melo
IV-2 Matilde de Castro Melo

IV-1 AUTA DE CASTRO MELO, casou-se com OLEGÁRIO ARLINDO DE CASTRO BEM nasceu a 11.06.1917, em Barras, e faleceu a 10.06.1999, em Batalha [primeiras núpcias deste]. Filho de Cândido Alfredo Castelo Branco e de Laurentina Inês de Castro. Primos entre si. Pais de:

V-1 Auta de Castro

V-1 AUTA DE CASTRO, [Autinha], casou-se com FRANCISCO NOGUEIRA DE AGUIAR [Dodô Aguiar] de tradicional família cearense.

VI-2 MATILDE DE CASTRO MELO, nome de solteira, Matilde de Castro Melo Rebelo, nome de casada, nasceu a 14.03.1891, na Vila de Batalha e faleceu a 28.02.1933, na cidade de Boa Esperança, atual Esperantina. Casou-se, em 18.01.1908, em Batalha, com MANOEL LAGES REBELO nasceu a 18.07.1888, na Fazenda Santa Teresa, Município de Batalha, e faleceu a 24.12.1981, na cidade de Esperantina. Fazendeiro nos municípios de Batalha, Esperantina, Joaquim Pires e Luzilândia. Foi o responsável pela emancipação política do povoado Retiro da Boa Esperança do Município de Barras, em 1920, quando foi criado o Município de Boa Esperança, hoje Esperantina. Foi o primeiro intendente e o primeiro prefeito do Município de Esperantina. Filho de Umbelino Gomes Rebelo e de Maria da Assunção Pires Lages. Neto, pelo costado paterno, de Laurentino Gomes da Silva Rabelo e de Maria Madalena da Paz e pelo costado materno, de Manoel Rodrigues Lages e de Maria da Assunção Pires Lages. Pais de:

VI-1 Diógenes de Melo Rebelo
VI-2 Haydée de Melo Rebelo
VI-3 Odete de Melo Rebelo
VI-4 Delorme de Melo Rebelo
VI-5 Hamilton de Melo Rebelo
VI-6 Maria de Nazaré de Melo Rebelo

nn MANOEL LAGES REBELO, casou-se, em segundas núpcias, em com ZILDA NOGUEIRA DE AGUIAR, nasceu a 27.02.1918, na fazenda Boa Vista, então do Município de Barras, depois Esperantina, hoje Morro do Chapéu do Piauí. Filha de José Nogueira de Aguiar e de Eliza Nogueira de Aguiar. Pais de:

VI-7 Edmar Nogueira Rebelo
VI-8 Manoel Lages Filho
VI-9 Marilda Nogueira Rebelo.
(V. descendência em PIRES FERREIRA, 1992, V.2 p. 89 a 101).


II-6 LUÍS ANTÔNIO DE MELO, casado com HIGINA ROSA DE MELO, foram pais de:

III-1 Horácio Luís de Melo

III-1 HORÁCIO LUÍS DE MELO, casou-se em terceiras núpcias com Antônia Quitéria de Carvalho. Filha de João Bartolomeu de Carvalho e Mariana Rosa de Carvalho. Pais de:

IV-1 José Horácio de Melo

IV-1 JOSÉ HORÁCIO DE MELO, nascido a 05.08.1893 no lugar Campestre em Piracuruca e falecido em 13.08.1965 em Campo Maior. Casou-se com Maria Carlota. Pais de:

V-1 Rosália Maria de Melo Carvalho.

V-1 ROSÁLIA MARIA DE MELO CARVALHO, nascida em Piracuruca, em 20.11.1933 e falecida em Teresina, 26.04.2013. Casou-se com Miguel Arcângelo de Deus Carvalho. Pais de:

VI-1 José Elmar de Melo Carvalho, nascido em Campo Maior, em 09.04.1956, casado com Maria de Fátima de Sousa Carvalho, nascida em Buriti dos Lopes, em 14.05.1953. Pais de:
V-1.1   JOÃO MIGUEL DE SOUZA CARVALHO, nascido em Teresina, em 05.05.1986.
V-1.2 ELMARA CRISTINA DE SOUZA CARVALHO, nascida em Teresina, 07.03.1988.

Observações:

1.      José Elmar de Mélo Carvalho é irmão de João José, Antônio José, Maria José, Paulo José, Josélia (falecida), Joserita e Francisco José Nonato César, todos de sobrenome Melo Carvalho.
2.      O autor solicita que lhe enviem mais informações sobre a família Melo, sobretudo a do Piauí. Seu e-mail é valdemirmirandacastro@bol.com.br     

sábado, 25 de julho de 2015

RETALHOS DESBOTADOS, DAS RUAS


RETALHOS DESBOTADOS, DAS RUAS

Jacob Fortes

Quem, por demoradas imersões, se der ao trabalho de mergulhar nas profundezas da mendicidade e examiná-la com toda minudência, concluirá que o ofício esmoleiro é protagonizado por duas confrarias: uma é real, outra inverídica ou, a bem dizer, uma verdadeira outra falsa. Dificílimo distinguir uma da outra, pois, numa indistinção, apresentam a mesma cara, o mesmo indumento, enfim todos os traços caracterizadores da face dolorosa e pungente da miséria humana, que confeita as ruas. O propósito de ambas é o mesmo: mendigar. A verdadeira, em decorrência das fatalidades ou destino insidioso, pede por justa precisão, pela imprestabilidade laboral: invalidez, cegueira, aleijão, hemiplegia, decrepitude arrimada em cajado, enfim, os que sucumbiram. A falsa, porém, pede por comodidade, por desfastio, por malandrice, por aversão ao trabalho, por desvergonha abominável; que não choca mais a ninguém. Os personagens da falsa mendicidade, — hábeis na extorsão pelo rogo, em nome de Deus — buscam na representação, na fantasia, no simulacro, os recursos para delinear um cenário de enfermidades, dores e aniquilamento, impossível de ser recusado por qualquer pessoa: crédula, incrédula, cauta, incauta. Se do sexo feminino, de pronto se dizem viúvas, desamparadas. Costumam, envoltas em chalés pretos, pedinchar durante a noite ocasião em que puxam, eventualmente, um ou dois petizes, tão sonolentos quanto andrajosos, mais das vezes alugados da vizinha; acumpliciada. Nesse cenário de engambelar e iludir, maior serventia terão os petizes de caras borradas ou confeitadas de bexigas. Pedinchar à noite atesta maior lugubridade; passa a todos, até aos sovinas, dolorosa impressão de confrangimento. Há dentre as farsantes as que têm vocação lamurienta, as chamadas carpideiras que, por terem facilidade de verter, eventualmente são até contratadas para prantear mortos durante os funerais; haja lenço, o pranto é verdadeiro.

Pedinchando na via púbica, nas calçadas, na sacristia, no vão das portas, a malandrice, dotada de grande vocação dramática, vai-se aprovisionando à custa das pessoas de boa-fé.  Mas os pedintes embusteiros sabem que a esmola é óbolo incerto, depende da generosidade e estado psicológicos das pessoas, das circunstâncias. Daí a necessidade do emprego de recursos de grande poder de convencimento e comoção dentre os quais os patéticos “atestados”, (apócrifos evidentemente), que dizem o tamanho e a natureza da desgraça que lhes vão por casa: o acometimento de graves enfermidades; a prole faminta e numerosa; o cadáver à espera de caixão, invencionices correlativas e acessórias conforme a ocasião e o espectador. Há casos, insólitos, em que até se rojam para esmolar, é recurso extremado para fazer emergir a caridade hesitante. Mas nisto fiquem atentos os avarentos, que tanto prezam o dinheiro, pois óbolos reles podem desgostar os malandros, circunstância que, via de regra, enseja praguejamento em chuva.

Se, no bairro em que exploram a caridade pública aparece algum neófito os decanos vitalícios martirizam-no como nas escolas aos estudantes calouros. Pontos de pedinchar de alta cotação, os mais rentáveis, são, por vezes, vendidos como se fossem cadeiras de engraxate.

Se a mendicidade verdadeira é instada a pedir, e o faz incomodamente, a malandrice esmola foliando, com enorme alacridade de espírito. Ela vê na mendicância não somente um meio de vida, mas uma pândega, uma faina das menos fatigantes, sem responsabilidade.

E enquanto não se pode distinguir o inverídico do real segue, à sombra da miséria verdadeira, o cortejo das práticas enganosas. A confraria sanguessuguense vai, à folia, amealhando provisões junto à toleima incauta dos que dão esmola. Enquanto existir mosaicos de povos e de consciências há de haver condutas picarescas: não há meios capazes (ainda mais quando se tem a descura do poder público) de dissuadir essa confraria da viciosa profissão: nem oferta de um bom trabalho, nem umas cócegas no dorso com corda de sedenho, nem um longo tour por essas enxovias bolorentas, mesmo porque muitos desses hipócritas são velhos frequentadores dos calabouços.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Extremos que se tocam: política e violência no Brasil


Extremos que se tocam: política e violência no Brasil

Cunha  e Silva Filho

           Aviso aos leitores: este texto não é um ensaio nem um  estudo  de especialista. É, antes,  de um observador dos fatos que acontecem em meu país e para os quais só aspiro a contribuir para lançar algumas  ideias com vistas à melhoria  de nossa sociedade.

Afastado há dias de temas  sociais, retomo  agora  temas que estão intimamente  interligados  no meio  brasileiro: as questões da  política  e da violência. Numa e noutra  há pontos  convergentes   que se equivalem, que se aproximam e são praticamente semelhantes se levar em conta componentes como  caráter  do  povo brasileiro,  condição  social  degradada  da população  e a famigerada   impunidade.

Creio que  o noticiário  da política  nacional,  mesmo  visto  pelas chamadas  das manchetes de jornais,  não é nada  abonador à imagem da situação – agônica -  em que  partidos  em geral e, sobretudo o PT, nos envolveram  e, o que é pior,  nos   envolveram  à nossa revelia.

As lutas intra-partidárias ou interpartidárias, ora  semelham a uma comédia, ora a uma tragédia  grega. A violência de parte a parte serve a um  propósito: confundir  as consciências alienadas  da maior parte da sociedade.O poder  delegado  aos  políticos  só é legítimo  porque  alguém,   sem  comprometimento   político algum,  por vezes por mera  farra ou molecagem, elemento  carnavalizador  do  votante  brasileiro,  vai às urnas  de forma  compulsória e vota  em  candidatos  sem a mínima   condição de  representar  o povo, e aí temos os  humoristas de segunda  classe, os artistas  oportunistas (até rimou), os esportistas   aproveitadores de seu passado de glórias  e de mau-caratismo. Seria isso  representação lídima de um  povo?

Não,  isso nunca  foi nem será  pleito eleitoral   verdadeiro, mas uma farsa  cooptada, consciente ou  inconscientemente, pelo  próprio  povo desunido,  dividido  em classes e,  assim,  presa fácil  do “reinado”  dos demagogos e dos politiqueiros de longa  e  breve data.

Por outro lado,  o  país  se modernizou. Funciona  até bem  em alguns setores  que até nos causa  espécie. O país é outro, se informatizou,   tem shoppings  espalhados  em muitas  partes  ao longo de seu  território. Os shoppings se tornaram uma espécie de segundo lar  do brasileiro. Desta  forma,  nos dá a impressão de que  vivemos bem no meio de  tanta   suntuosidade,  riqueza,  produtos sofisticados de comunicação  instantânea.

Os restaurantes de classe média, nos fins de semana,  sempre se encontram  lotados de gente com apetite pantagruélico. As bebidas  rolam  pelas goelas abaixo, os carros de luxo   desfilam pelas  ruas da alta   burguesia. A ilusão de ótica  nos dá a impressão de que estamos num mundo paradisíaco, num Éden, não  o bíblico,  mas o  do hedonismo  exibicionista,  uma afronta,  de certa maneira,  às camadas mais  precárias de nossa   sociedade, os merdunchos da vida, os esfolados  pela engrenagem  do capitalismo  mal  assimilado.

Enquanto isso,  no Planalto,   as lutas  persistem  aguerridas.    Parte da oposição rompe com o governo  petista via presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o qual, por seu turno,  é acusado de também ter recebido polpuda propina   de empreiteiras. Ou, por outra,   o oposicionismo  pró-governo federal (que confusão dos diabos e ausência de vergonha na cara a um só tempo!)  já não sabe  quem  é quem  no reinado  da luxúria  e da prestidigitação da politicalha.

Pipocam  as denúncias,  as delações   premiadas. Os executivos, com  a burra  cheia de dólares, depositados não sei onde,   surgem  perante os  telespectadores  das TVs ou das páginas dos jornais. Estão mesmo  presos ou apenas não passa  de um palco de encenação simbólica, de um simulacro?  Quero acreditar que não, que as prisões valerão  e serão cumpridas, não nos domicílios  dos acusados, mas atrás das grades para a execração pública e lição aos que  tentarem novas  maquinações   contra o dinheiro   do povo. Isso se as denúncias contra eles forem  realmente comprovadas. Aí sim,  passarei a crer em alguma  coisa séria do Estado Brasileiro e de suas instituições.

Entretanto,   enquanto os sinos  badalarem pedaladas   de reais  dos  governantes   no poder  à busca  voraz  de pecúnia   para  sustentar  a barriga  dos pobres e dos falsos  pobres que se beneficiam   do bolsa-família   e queijandos, manterei  minha  posição  firme  de descrença e de repúdio  contra o governo  petista. O Brasil, por enquanto, me parece caleidoscópico, camaleônico,  macunaímico, banânico,  bruzundanguense, em suma,   uma  miragem  perigosa  no deserto das ações  dos Palácio do Planalto.

Nesse ínterim,  na rua,  nua e crua,   a delinquência corre frouxa e sem medo  da decantada   redução da maioridade. Crimes hediondos são praticados diuturnamente,  notadamente nas grandes  cidades brasileiras, por  adolescentes  bandidos.  Oh, desamparados, coitadinhos,   “filhos” da  injustiça   social que,  no mínimo, em doze anos  de petismo   antropofágico, mistura  princípios  de  democracia de fancaria,  autoritarismo e  esquerdismo caviar.

Falso esquerdismo,  amante  dos louros do neoliberalismo, das viagens a Miami,  Nova Iorque e países  adiantados da Europa e de outros continentes  que estão na moda,  embora,   a todo  instante,   ameaçados do terrorismo  mundial fundamentalista. É a esquerda postiça, mui amiga dos pobres desde que fiquem sempre  pobres  e ganhem  as migalhas  do assistencialismo  populista. Contudo,  é uma “esquerda” que adora os  produtos  do capitalismo,  amam Nova Iorque,  os hotéis sofisticados,  a indumentária   dos milionários,  os carrões de luxo  e  a dolce vita  dos bacanas.”  Só  sociólogos europeus, norte-americanos e mesmo   brasileiros  de gabinetes,  avessos  ao contato com a arraia-miúda, posam de defensores do Lula, político  guindado a segundo  “pai dos pobres” de nossa  combalida Nação. Lula atualmente goza de uma posição  ambígua: a de  ser um  homem  bem  sucedido financeiramente  e de  estender  tudo isso à sua  família ilustre  que ama o doce capitalismo,  cujos frutos  já se multiplicam aos olhos   da patuleia basbaque e analfabeta

Esta a pátria amada  idolatrada, salve, salve que, com tantas evidências,  deixam, incólumes,  pelo menos  dois  responsáveis  pela  ópera-bufa  encenada  desde a guinada do embuste  esquerdizante do   voto  conseguido  às expensas  das  milionárias  propinas  do dinheiro  dos lucros das grandes estatais  através de diretores  nomeados pelo governo   federal  em conluio com grandes  empreiteiras e políticos  do governo   ou de partidos     aliados a ele.Tais  diretores de estatais se tornaram, destarte,      verdadeiros donatários baseados na Petrobrás e   disfarçados de bom-mocismo a serviço do “bem-estar” da Nação brasileira.

          Se no alto da pirâmide exemplos de lisura,  de  dignidade profissional,  de ética   pessoal é moeda  podre,  como  os que  estão na base da pirâmide podem se espelhar na ausência completa de caráter? Ora,  um país assim,  não pode dar certo. Conhecendo a estrutura  parcial  das leis brasileiras permitindo que a impunidade   passe ao largo dos graves  problemas   da violência  crônica  e   crescente  no dia-a-dia da nossa sociedade,  o cidadão  honesto,  contribuinte dos impostos,  vítima dos  juros  estratosféricos  que  funcionam como   se fossem  estelionatos   sob  a proteção  das leis do mercado, vive  sobressaltado de todos os lados, i,e,, vive  por sorte,  por milagre, em cidades   sem  a devida   e necessária  segurança que se espera há anos   das autoridades  responsáveis, tantos nos níveis municipais, estaduais  quanto federal.

          O país está  hoje sofrendo a pior fase  de violência de toda a história brasileira. Os assassínios cometidos  se tornaram  banalizados. Apenas se noticiam  como dados  estatísticos. Os governos  estaduais e o federal não se importam mais com as matanças  de seres humanos. Assassinam-se pessoas de todas as idades por roubos de bicicletas, de motos, de carros,  de  “saidinhas de bancos,”  de assaltos à propriedade  privada,  de crimes  para compras  de drogas, de crimes no trânsito,  por estupros, seguidos de morte, de meninas  indefesas, de mortes sem motivação, ou seja,  mata-se  só por crueldade.

       Em quase todas  estas situações sumariamente   citadas aqui, sinto que  há um profundo vazio  de  compromisso do governo  federal para equacionar, com urgência  urgentíssima,   o teatro de horrores em que  se atolou o nosso país para  vergonha dos  povos  civilizados. Ainda mal  consigo  acreditar  como um país tão  atraente  turisticamente  como o nosso ainda  encontra   pessoas que viajam. É temeroso viver, agora,  no  Brasil,  sair sozinho a qualquer parte da cidade. Sempre ficamos com a pulga atrás da orelha. Infelizmente,  a população, sobretudo os mais  necessitados,  tem que sair de suas casas e enfrentar  o batente.

        Para os que creem só restam as orações,  os pedidos a Deus   a fim de que nos  poupe  do fantasma  da violência. Para finalizar, que Deus  nos  livre  da camarilha  pela qual é regida  em geral a  política brasileira. Que os órgãos de investigação da  Lava Jato encontrem os culpados da nossa  caótica crise financeira, não obstante intuirmos que não é tão  complicado assim indigitá-los com quase cem  por cento  de certeza.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

GENEALOGIA, HISTÓRIA E ECOLOGIA EM ESPERANTINA



23 de julho   Diário Incontínuo

GENEALOGIA, HISTÓRIA E ECOLOGIA EM ESPERANTINA

II PARTE

Logo após o término do panegírico, o Valdemir Miranda, coadjuvado pelo professor Assis Fortes, passou à segunda parte da solenidade, ou seja, à fundação do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico “Leonardo Castelo Branco”. Vários historiadores, genealogistas e intelectuais presentes (todos já referidos na I Parte), foram considerados sócios fundadores, e assinaram a ata lavrada e lida por Assis Fortes. Esses membros eram naturais de diferentes municípios do Vale do Longá, ou ao menos neles radicados.

Ato contínuo a assembleia passou a deliberar sobre a primeira diretoria da entidade, que foi eleita por aclamação unânime. Para presidente e secretário foram eleitos o Valdemir e Assis Fortes, idealizadores do Instituto. Foi aprovado o brasão criado por mestre Assis, que também é o autor da bandeira, do brasão e do hino de Esperantina. Valdemir comprometeu-se a realizar sessões do Instituto em diferentes cidades do Vale do Longá, naturalmente observando as datas magnas dessas urbes.

Após o lauto almoço, fomos conhecer a antiga casa-grande da Fazenda Olho d’Água (dos Negros ou dos Pires, se o leitor desejar algum desses acréscimos). Do notável e volumoso livro Enlaces de Família, de Valdemir Miranda de Castro, na página 82, colho a seguinte informação: “Fundada por Mariano de Carvalho Castelo Branco, em 1847, tombada como Patrimônio Histórico Estadual e desapropriada pela Prefeitura Municipal de Esperantina (...). O território que a cerca é um assentamento Quilombola. A casa-grande, hoje em ruínas, vem sendo depredada pelos remanescentes agregados da fazenda, e visitantes.”

Na mesma página, consta a fotografia de uma telha, com autógrafo de Mariano, na qual ele registrou a data de seu nascimento: “Hoje quarta-fª, 8 de dezembro de 1847 ajusto 47 anos de idade e três meses de idade”. Por conseguinte, nasceu no dia 8 de setembro de 1800. Essa fotografia, segundo informa Enlaces de Família, foi publicada nos livros Carnaúba, Terra e Barro na Capitania do Piauhy, p. 16, da autoria de Olavo Pereira da Silva Filho, que está indicado para integrar o IHGG Leonardo Castelo Branco, e A Mística do Parentesco – Os Castelo Branco, na 4ª capa, de  Edgardo Pires Ferreira. Leonardo era irmão do fundador do velho solar.

Advirto que se providências urgentes não forem tomadas a casa-grande, tombada pelo órgão do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Estadual, irá literalmente tombar, como já caiu a casa solarenga da Fazenda da Limpeza, construída pelo poeta e grande patriota Leonardo de Carvalho Castelo Branco em 1817, na qual nasceu a maioria de seus filhos, entre os quais Teodoro de Carvalho e Silva Castelo Branco, o poeta caçador. É uma construção frágil, uma vez que suas paredes são de adobe. Com a vinda de chuvas, as inúmeras goteiras completarão a ruína que já se propaga a olhos vistos.

Os saques já se alastram. Muitas telhas, janelas e portas já foram removidas. Creio que uma porta, que se encontrava retorcida e fora dos encaixes, só não fora retirada pelo gatuno, em virtude de seu enorme peso, pois era lavrada em grossa e maciça madeira. Seria uma verdadeira cruz e calvário para o larápio que pretendesse conduzi-la, mesmo peça por peça, após ser desmontada.

Mariano parecia ter talento pictórico, pois as telhas possuem desenhos da flora e da fauna local, como macacos, tamanduás, galináceos, jacus, abacaxis, sapucaias, buritis etc. Havia ainda citações da Bíblia, invocação a santos, além de ser traçado o perfil da família, com o registro de seus hábitos e costumes, conforme consignou Valdemir Miranda na página 81 de sua monumental obra genealógica.

Fomos olhar o olho d’água, de onde se originou o nome da fazenda. Foi circundado por uma parede rústica de pedras, aparentemente antiga, e ao que tudo indica sem comprometimento dos veios ou minadouros. Entretanto, a água se apresentava muito barrenta e escura, como se fora toldada por animais ou ação humana.

Foi-nos informado que uma construtora utilizara essa fonte de forma predatória ou danosa, de modo que ela perdera a sua natural limpidez. Fica numa várzea, onde pontificam imponentes buritizeiros. A mata que se espalha pelas encostas dos morros e pelo vale ainda se mostra exuberante, viçosa e muito verde.

Foram tiradas várias fotografias da casa, do entorno, da mata, do olho d’água, do brejo e dos visitantes. Também foram feitas várias filmagens, de vários locais, uma vez que o Elias Medeiros Júnior pretende realizar um documentário sobre essa histórica casa-grande, na qual deve ter estado várias vezes o grande Leonardo, em visita a seu irmão Mariano. O filme deverá registrar a história da vetusta residência e mostrar o seu precário estado de conservação, no intuito de fortalecer a luta em prol de sua restauração, que deverá ser empreendida pelo Instituto.

Elias Medeiros Júnior, misto de jornalista, radialista, ator, diretor cenográfico, ambientalista etc., entrevistou várias pessoas. Fui filmado no quintal da Casa do Olho d’Água, à sombra refrescante de frondosa árvore. Falei que o prédio se mostrava bastante arruinado, pela falta de conservação e pela fragilidade do material de que fora construído. Até invoquei a alma de Leonardo, para que nos transmitisse o seu espírito guerreiro, para melhor defendermos a restauração e preservação do solar arruinado.

Entretanto, ressaltei que o manancial d’água ainda se mostrava perene, e que a floresta e o buritizal da várzea ainda se apresentavam exuberantes e relativamente bem conservados. Ante essas considerações, defendi em meu depoimento a ideia de que esse patrimônio desapropriado pelo Poder Público Municipal fosse transformado num parque de proteção ambiental, e que a antiga casa solarenga fosse transformada numa espécie de museu e/ou pousada.

Com essas providências, estariam salvos a floresta e o buritizal do entorno, a fauna e o patrimônio arquitetônico já tombado. Quando eu concluía meu depoimento, ao entardecer, o canto mavioso e inaudito de um pássaro, que não identificamos, nos encantou em verdadeiro alumbramento auditivo, como um arremate sinfônico de tudo que expusemos. Talvez essa ave canora estivesse estampada numa das telhas da casa-grande.


Resta-me torcer para que os órgãos governamentais a serem contatados não transformem a justa reivindicação em “abacaxi”, através de embaraços burocráticos, e nem os oportunistas da má política demagógica nos deem abraços de tamanduá, conforme Mariano de Carvalho Castelo Branco desenhou nas telhas do vetusto e decrépito solar. Decrépito, mas que ainda pode e deve ser restaurado.