sábado, 5 de setembro de 2015

Refletindo um pouco sobre a desistência de ser escritor


Refletindo um pouco sobre a desistência de ser escritor
            

Cunha  e Silva Filho


      Um amigo, arguto ensaísta e leitor  voraz (sou testemunha de sua  grande  capacidade  de ler muito e continuadamente), nascido, na Bahia, conversando comigo  pelo  telefone sobre literatura,   projetos de escritor,  vida de escritor,  subitamente  comentou  que um seu  colega ou amigo  havia desistido da literatura. Ficara  decepcionado,   desestimulado,  triste, enfim,  com   os grandes  espinhos que  pontilham  a travessia  de quem  se decide a ser  escritor no  Brasil.

      O amigo,  antes tão  entusiasmado com  a vida literária,  com  toda a sua  longa  quilometragem de leituras,  de  dedicação  à área,  finalmente  deu um adeus, não às armas, mas  às letras. Adeus definitivo,  não sei, mas adeus. Foi  o que meu amigo  ensaísta  me contou.

      Estranho essa atitude que,  por vezes,  ocorre a quem escreve e deixa a caminhada  beletrista  no meio do caminho ou até mesmo no  início do caminho. As razões que o levaram a  tomar  esta  decisão não sei quais foram.Tampouco sei se foram  informadas ao meu  amigo ensaísta.

    Um ato  extremo  desses me leva a procurar  os fundamentos  da decisão drástica. Na história da literatura  brasileira,   não são muitos os que  desistem  da vida de escritor,  ou seja,  da vontade  de continuar produzindo independente de ser ou não aceito  pela crítica e pelo  público. Tomemos  o exemplo de Raduan Nassar,  o  consagrado autor de Lavoura arcaica (romance,1975), Um copo de cólera (novela,1978) e Menina a caminho (1994).

    O  escritor não mais  escreveu.. Preferiu  outra atividade  alheia à criação  artística. Ressalta encarecer que  esse   ficcionista foi  muito premiado, traduzido para outras línguas, ou seja,  tinha tudo para dar continuidade à sua produção. Preferiu, no entanto, abandonar a literatura,  a celebridade, para morar num sítio de sua cidade  natal, Pindorama, São Paulo, onde nasceu em  1935 e, em seguida,  fixar residência  em Buri, interior de São Paulo.

    Entretanto,   o tema me instiga a aprofundar  minhas  reflexões, quer dizer,  o que  na realidade  leva  um  escritor a mudar  o rumo  de uma  atividade criativa, seja na  poesia, seja na ficção,  seja  no teatro?  Creio que  isso mais acontece no campo da literatura, mas não tenho  conhecimento de que   essa ruptura com a arte da palavra se dê também  em outros campos da vida  artística,  na escultura,   pintura,    na dança,  na música, na arte cênica,  no cinema.

  Vou arriscar algumas razões de uma  decisão  deste  porte. Uma delas seria  o desestímulo de que se vê cercado  o escritor, querendo afirmar com isso  que este precisa, como qualquer outro artista ou mesmo  indivíduos  de outras  profissões, de reconhecimento,  de  ter alguma  certeza de que  sua obra  é válida, tem  qualidades, merece ser  lida. A não-constatação  disso talvez seja um dos motivos básicos  que  conduzam  o autor a desistir de si mesmo  como  personalidade artística, e a de  seguir outro  curso  de vida  produtiva.

   Uma segunda razão é a competitividade que, hoje mais do que antigamente, enfrenta  um  escritor na sua  área de  produção. Competitividade - diga-se melhor -,   em virtude de  que no  mundo de hoje o número de escritores em todos os gêneros,  aumentou   assombrosamente, com o agravante de que, no exemplo dos ficcionista,    os ensaísta, críticos e teóricos, também  se enveredam pelo universo ficcionistas. Ora, esta situação aumenta ainda mais o número  de escritores não só  no país mas no  mundo inteiro.Tem-se a impressão  de que todo mundo  quer ser  ficcionista, sobretudo  os  já  possuem grande visibilidade  no seu campo  específico não-ficcional. Vasto é o  mundo, diria  Carlos Drummond de Andrade( 1902-1987)), e  o  escritor  espantado com  esse cenário regional,  nacional e mundial  se sente  diminuto,  impotente, como se fora  um pingo de areia no  oceano  da imaginação  criadora. 

    Em geral,  pode-se  adiantar,   ensaísta e teóricos podem  produzir  obra  ficcional que não vingam,  porque, muitas vezes,  não passam de   projetos   fertilizados  com arcabouço  teórico,  numa   estratégia  bem diferente  dos  escritores  de talento  indiscutível. Há quem  possa  apresentar  argumentos  até fortes,  como, por exemplo,  Machado de Assis (1839-1908)).Contudo,  se a crítica  que escreveu  Machado  é boa, ele  não se  distinguiu soberanamente  neste gênero, nem tampouco  na grande  poesia,  mas na ficção apenas, que o consagrou  até nosso  dias.

   Uma outra razão da desistência  está  vinculada  diretamente ao mercado  editorial,  aos  interesses  do lucro, às acomodações  que se obrigam  a fazer  os escritores sem   público e sem  nome. Diante disso,  como  enfrentar  os obstáculos  vários do mundo  da publicação,  das editoras  que necessitam de vender seus  estoques e,  portanto,   se sustentam  e se mantêm  com o indispensável   sucesso dos livros que lhes passaram  pelo crivo,  quer subjetivo,  quer  objetivo,  de seus editores?  

   Quem apostaria num desconhecido  ainda que   tivesse  valor  a sua obra?  A não ser nos  casos  de autores  consagrados nos seus diversos  gêneros (aqui  incluindo  até os chamados grandes  poetas), os quais   têm ainda  fácil  acesso  a republicações de suas obras, que espaço  teriam  os  anônimos e numerosos  escritores  de todos os gêneros  com seu  livros encalhados  e sem perspectivas  de um  salto para o   reconhecimento.

  É nesse  ponto que vejo  mais um   motivo da desistência.Todavia,   alguns teimosos,  novos  ou velhos, continuam  resistindo  aos  solavancos  da  indiferença  pela suas obras,  pelos seus  possíveis méritos.Na minha  opinião,  são verdadeiros  heróis na adversidade   de seus ideais. Não os  reprovo  por serem assim. Afinal,  eles ainda  acreditam que, a despeito de tudo, persistem como  Sísifos na vida literária,  ainda que de certa forma  anônima.


   A dificuldade de ser bem  acolhido, os óbices para ser editado, o gigantismo da competição,   a indiferença  dos editores,  o cansaço  que  faz parte da vida de quem escreve,  os gastos com   as compra de livros  novos  para atualização, entre outros fatores de  desestímulos, concorrem  seriamente  para que alguns desistam  da vida  de escritor e se encaminhem  para o isolamento  coberto de    frustrações  e   mágoas.  

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SOBRE AS ORIGENS DE CAMPO MAIOR

IGREJA DE SANTO ANTÔNIO DO SURUBIM DE CAMPO MAIOR
Construída pelo Pe. Tomé de Carvalho e Silva, com a ajuda do mestre de campo Bernardo de Carvalho e Aguiar. Teve sua obra inciada em 1711, logo feita matriz, batizada a 12.11.1712, com a instalação da Freguesia, que antes era um curato fundado em 1706 pelo Pe. Tomé. Foi demolida em 1944, sendo em seu lugar edificado a atual catedral de Santo Antônio, benta em 15.08.1964, pelo Pe. Mateus Rufino com a presença de Dom Avelar Brandão Vilela.

SOBRE AS ORIGENS DE CAMPO MAIOR

Valdemir de Castro Miranda
Professor, historiador e genealogista

Campo Maior tem sua origem ligada à figura do mestre de campo Bernardo de Carvalho e Aguiar, fundador da Fazenda Bitorocara no ano de 1695, na confluência dos rios Longá com o Surubim. Por volta de 1706, o Pe. Thomé de Carvalho e Silva fez desobriga na região, fundando ali um curato. Mais tarde, com a ajuda de Bernardo de Carvalho e Aguiar, construiu a Igreja de Santo Antonio, batizada a 12.11.1712, com a instalação da Freguesia de Santo Antonio do Surubim ou Longá, a segunda do Piauí e ainda ligada ao Bispado de Pernambuco. O procedimento para a instalação da nova Freguesia, foi o mesmo adotado pelo Pe. Miguel de Carvalho quando da instalação da Freguesia da Mocha, reuniu os moradores da região para definir o local da edificação do templo. Não contando com a ajuda dos arrendatários das fazendas da região, mas com o cel. Bernardo de Carvalho e Aguiar que construiu a capela a suas custas, conforme consta em carta do Pe. Thomé de Carvalho e Silva,  Vigário confirmado na Matriz de Nossa Senhora da Vitória do Piauí de Cima em toda ela Vigário da Vara, pelo  ilustríssimo Sr. Dom Manuel Álvares da Costa, Bispo de Pernambuco e do Conselho de Sua Majestade, que Deus guarde:

“Certifico que sendo esta minha Freguesia muito dilatada pelas grandes distâncias, principalmente a ribeira dos Longases, aonde não podia desobrigar a tempo de acudir com os Sacramentos nas necessidades dos meus fregueses residentes nela, pelos muitos rios que tem em meio para esta minha igreja, requeri ao Sr. Bispo de Pernambuco, mandasse fazer Igreja curada na dita ribeira dos Longases, por assim convir ao serviço de Deus, Nosso Senhor, ao que deu logo cumprimento. O dito Sr. Bispo mandou-me ordem para a poder fazer e, indo a esta parte, convoquei os principais moradores e, tomando-lhes os seus votos na parte que havia de erigir a nova Capela, que por invocação tem o nome do Glorioso Santo Antônio, lhe não achei possibilidade pra fazerem, dando várias desculpas pelos poucos escravos que tinham, e estando ocupados em fazendas que tinham os seus donos na Bahia as não podiam desamparar. Nestes termos, me vali do Coronel Bernardo de Carvalho que, com pronta vontade, buscou um carapina a quem pagou, e foi pessoalmente com seus escravos ajuntar as madeiras e os mais materiais, trabalhando o dito com grande zelo. E, com efeito, fez a capela à sua custa, tanto de escravos como gastos, farinha e dinheiro. E o acho com ânimo de gastar nela cabedal. Outrossim se me ofereceu com o gado que necessitasse para a nova ereção desta Matriz de Nossa Senhora da Vitória, e me prometeu 200$000 (duzentos mil reis) para uma Custódia para a dita Matriz e que se custasse mais o daria”.
(MELO, Pe. Cláudio. Fé e Civilização, 1991, p. 47-8).

A povoação de Santo Antonio do Surubim foi formada a partir de muitas fazendas de gado, ali estabelecidas, na segunda metade do século XVII, dentre elas a dos descendentes de d. Francisco da Cunha Castelo Branco. Em 1713, o governador do Maranhão, Cristóvão da Costa Freire, nomeou Manoel Carvalho de Almeida, morador da freguesia, para o cargo de Comissário Geral da Cavalaria do Piauí (CASTELO BRANCO, 1980, p. 219).

É possível que o distrito da povoação seja de 1757 (BASTOS, 1994, p. 102). É, certamente, anterior a 1761, pois, em 03.03.1761, presta juramento e toma posse no cargo de tabelião público, judicial e notas da povoação de Santo Antonio do Surubim de Campo Maior, Manoel Rodrigues dos Santos. Em 03.04.1761, prestou juramento e tomou posse no cargo de primeiro juiz de órfãos Manoel Simões do Vale, sendo seu fiador Constantino Lopes Ribeiro, e testemunhas abonadoras Domingos Pinto da Silva e José Delgado dos Santos (COSTA, 1974, p. 143). Nesse ano, é, também, nomeado o juiz ordinário Domingos Fernandes Barbosa.

A vila de Campo Maior foi oficialmente instalada a 08.08.1762, pelo governador da Capitania João Pereira Caldas e o Ouvidor Geral da Justiça Francisco Marcelino Gouveia. Na oportunidade foi autorizada a construção de Pelourinho, que ficou no pátio da matriz. Constava de um pilar quadrado sobre degraus de pedra, o qual se conservou até 1844, quando foi desfeito por se achar desmoronado pelo tempo. Três dias depois, a 11.08.1762, ocorreu, na Igreja Matriz, a eleição dos membros do Senado da Câmara da vila, que ficou assim composta: Antonio de Sousa Carvalho, juiz ordinário e presidente; João Peres Nunes e José da Cunha Freire, vereadores e Bernardo da Rocha Fontes, procurador. Os mesmo foram empossados no dia seguinte.

No dia 21.08.1762, foram criados dois lugares de almotacés da Vila de Santo Antonio de Campo Maior, e promovidos, para os mesmos, João Rodrigues de Aguiar e Manoel Gomes de Figueiredo, que prestaram juramento perante o Senado da Câmara e logo entraram no exercício de suas funções.
Em 20.02.1775, na casa do juiz ordinário e órfãos, o provedor comissário na Arrecadação das Fazendas dos Defuntos e Ausentes, da vila de Santo Antonio de Campo Maior, comarca da cidade de Oeiras, capitão Manoel Gomes Figueiredo, foi feito o processo de justificação de fidalguia e nobreza requerido por d. Francisco da Cunha e Silva Castelo Branco (COSTA, 1974, V. I, p.183-5).

Em Campo Maior, a 19.09.1821, teve lugar, no paço municipal da Vila, a solenidade de juramento da Constituição portuguesa, decretada pela assembleia constituite de Lisboa.

Em 05.02.1823, Leonardo de Carvalho Castelo Branco, a exemplo do que já havia feito em Piracuruca, proclama, ali, a adesão do Piauí à Independência do Brasil.

Nas margens do riacho Jenipapo, em Campo Maior, ocorreu a 13.03.1823, a Batalha do Jenipapo, a segunda com derramamento de sangue pela adesão do Piauí à independência no Brasil de Portugal.
A vila de Campo Maior foi oficialmente elevada à categoria de cidade pelo Decreto nº 01 de 28.12.1889, do governador republicano do Piauí, Gregório Taumaturgo de Azevedo.

A resolução de 08.05.1811 criou o distrito judiciário de Campo Maior, compreendendo Campo Maior e Parnaíba. Em 1833, por deliberação do Conselho Provincial, em virtude da execução do disposto no Código Criminal, a sede passou a ser em Parnaíba. Criada a comarca pela Resolução provincial nº 30 de 20.08.1839, compondo-se de Campo Maior e Poti [Teresina]. Pelo decreto nº 437, de 14.10.1845, reuniu-se os termos de Barras, Campo Maior, Parnaíba e Piracuruca. Extinta pela Resolução nº 1.127, de 12.12.1883, sendo anexada a União. Recriada, foi extinta por ato de 1894, da Assembleia Legislativa. Restaurada pela Lei nº 86, de 12.06.1896.

A igreja Matriz de Santo Antonio do Surubim, Freguesia do Longá, construída por Bernardo de Carvalho e Aguiar, foi demolida em 1944, sendo em seu lugar construída a atual catedral de Santo Antonio, benta a 15.08.1964, pelo Pe. Mateus Rufino com a presença de Dom Avelar Brandão Vilela.

Castro, Valdemir Miranda de. Enlaces de Famílias. Teresina: Halley Gráfica, 2014, p. 46-8).
Este livro genealógico encontra-se à venda na livraria Aliança e Entrelivros em Teresina-PI. 
  

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

FÉRIAS EM BARRAS DO MARATAOÃ


3 de agosto   Diário Incontínuo

FÉRIAS EM BARRAS DO MARATAOÃ

Elmar Carvalho

Parte II

Em Rua da Glória, esse grande livro de memórias – grande tanto pelos seus quatro volumes, como por ser um belo trabalho de literatura – o autor, ao tempo em que narra fatos acontecidos com sua pessoa e com os familiares mais próximos, também conta episódios interessantes de que foram protagonistas amigos e parentes mais remotos. Termina sendo um grande contador de histórias, que se entrelaçavam ou seguiam paralelas à história de sua própria vida, como comprovo com o episódio que passo a recontar de forma sintética.

Nas férias em Barras, ele fez amizade com a senhora Maria Pires da Mota e com suas duas filhas, Marieta e Senhorinha, todas bem mais velhas que ele, que ainda se avizinhava de seus 14 anos de idade. Marieta era a mais velha, e também a mais circunspecta, mais sisuda, mas que também lhe dava atenção.

Senhorinha, nas palavras do memorialista, “era muito expansiva e simpática”. Tornou-se compadre “de fogueira” desta última, com quem fazia passeios pela pequena urbe. Numa das vezes, visitaram a casa do coronel Regino Melo, na qual se encontrava o interventor federal do Piauí, Leônidas de Castro Melo, que passava uns dias de descanso na casa de seu pai.

Dona Maria e as filhas pertenciam a tradicional estirpe barrense e piauiense. Moravam numa das mais antigas casas solarengas da cidade, que ele descreve como sendo “magnífica representante da arquitetura urbana piauiense. Era uma morada inteira de porta e seis janelas, com caixilhos largos de madeira e folhas pesadas”.

Esse vetusto solar escondia um mistério. Recluso num dos quartos, sem nenhum contato com o mundo exterior e com pessoas de fora, vivia Neno, “o filho doente de dona Maria”. Formado em odontologia, exercera a profissão em União, de forma correta e competente. Segundo o relato do livro, “era um rapaz alto, bonito que fizera suspirar as moças casadoiras do local”.

Contudo, tempos depois, Neno passou a abandonar o seu consultório, para fazer escavações nos arredores da cidade, próximo a um dos outeiros dos arredores. Cada vez mais ele se dedicava a esse grosseiro labor, e progressivamente se extenuava nesse misterioso mister, pesado e inglório, chegando ao ponto de emagrecer.

Os comentários começaram a se espalhar na pequena comunidade. Alguns achavam que alguma alma penada lhe indicara algum local onde existiria um tesouro. Os curiosos começaram a espiar a sua dura labuta, em que o dentista, em lugar de leves e delicados instrumentos, passou a manobrar vigorosamente pás, enxadas e pesadas picaretas.

Foi constatado que a escavação se ramificava, de forma intrincada, como se fora emaranhado labirinto. Nesse trabalho estéril de uma inútil construção, Neno “vivia ensimesmado e mudo. Isolado do mundo”. Precisou ser afastado à força dessa sua labuta estafante, em que definhava de forma acentuada.

Após essa providência, passou a viver recluso, como dito, num dos dormitórios da casa senhorial de sua mãe, em Barras, da qual o jovem Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, sentado na sala de visitas, lhe ouvia o murmurar, que deixava perceber-lhe a voz possante e grave. O escritor acha que ele talvez fosse vítima de esquizofrenia, em caso um tanto semelhante ao que acometera o bailarino Nyjinsky.

Neno foi o Dédalo e o Minotauro de seu próprio labirinto. E talvez tenha sido uma espécie de esfinge que não conseguiu decifrar o enigma de sua própria vida, de uma beleza cintilante e improfícua, como uma estrela cadente que se exaure no átimo culminante de sua glória.       

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

DAVID CALDAS - O Profeta de República

Foto antiga de Barras, terra natal de David Caldas

DAVID CALDAS - O Profeta de República

Chico Acoram Araújo (*)

Recentemente, escrevi uma crônica com título Barras do Marataoan: o Retorno que generosamente foi publicada, para minha enorme satisfação, no blog “Folhas Avulsas” do ilustre escritor José Pedro Araújo Filho, e também postada no prestigiado Blog Poeta Elmar Carvalho. Nesse escrito, descrevo uma viagem que realizei ao meu torrão natal, que tem como destaque principal o elenco dos ilustres barrenses que fizeram com que Barras fosse conhecida pelo epíteto de “Terras dos Governadores e dos Poetas”. Nessa crônica, além de relacionar os principais vultos da minha terra querida, apresentei um resumo da história da cidade, além de relembrar alguns fatos ocorridos quando da minha infância em Barras.

Dentre as biografias sobre os notáveis barrenses mencionados na referida crônica, a de David Caldas - o “Profeta da República” - foi a que mais despertou a minha atenção. Talvez por curiosidade ao seu cognome. Embora sendo eu de Barras, quase nada sabia a respeito desse famoso conterrâneo; apenas conhecia uma rua no centro de Teresina e outra na cidade de Barras com o seu nome, além de um povoado localizado no município União, que teve como origem um antigo Núcleo Colonial Agrícola, criado Governo Federal. O destaque que ora faço desse grande barrense, não significa dizer que seja ele mais importante do que seus conterrâneos intelectuais Celso Pinheiro, João Pinheiro, Matias Olímpio de Melo, Arimathéa Tito Filho, Wilson Carvalho Gonçalves e tantos outros filhos ilustres de Barras do Marataoan; todos, indistintamente, estão na galeria dos grandes escritores e poetas do Piauí. Escolhi este porque muito me atraiu a sua vida de lutas, mas, e também, pela ética, coragem, integridade, honestidade e idealismo com que se houve durante toda a sua vida.

De acordo com os apontamentos biográficos de Monsenhor Chaves, insigne historiador Piauiense, David Moreira Caldas nasceu em 22 de maio do ano de 1836, em uma fazenda conhecida como Morrinho, nas imediações da antiga Capela das Barras. Era filho do Capitão Manuel Joaquim da Costa Caldas e de Manuela Francisca Caldas. Na época do nascimento do menino, a propriedade da família já não era tão rentável; o patrimônio do Capitão, com o passar do tempo, diminuía cada vez mais o seu valor, mormente pelo agravamento das secas de 1823 e 1826, bem como pelas consequências dos conflitos dos Balaios ocorridos na região, em 1839. 

Era desejo do pai que o jovem David tomasse conta de suas terras, tornando-as novamente produtiva. No entanto, a vida do campo não despertava muito a atenção daquele rapaz. O que desejava mesmo era entrar no mundo das letras. Para tanto teve uma importante ajuda do Dr. Francisco Xavier de Cerqueira, Juiz de Direito da comarca, que lhe ensinou português, latim, francês e aritmética. Aos dezenove anos, David Caldas tornou-se promotor público de Campo Maior, cargo que abdicou por conta de uma depressão nervosa que lhe acometeu.

Vendo que David era um jovem prodígio nos estudos, o pai o enviou para Recife a fim de terminar os preparatórios para ingressar na Faculdade de Direito de Olinda. O Capitão Manuel, embora passando por uma situação financeira difícil, não mediu sacrifícios. E o jovem partiu para a Veneza brasileira em 27 de janeiro de 1860. No entanto, segundo Monsenhor Chaves, no dia treze de agosto daquele mesmo ano, uma infeliz notícia lhe chegou ao seu conhecimento. Seu pai tinha falecido dias antes, mais exatamente no dia 1 de agosto, após dias de padecimentos. Decidido, no dia seguinte, retornou para Barras, para ajudar sua mãe e sua irmã naquele momento tão difícil. Diante dessa fatalidade, David Caldas sacrificou todos seus sonhos, aspirações e esperanças. Sua vida mudou radicalmente. Ele agora era o chefe da família; tomou para si a responsabilidade pela administração da fazenda, o que o impediu de se dedicar à cultura ou às atividades jornalísticas. Cabe aqui salientar que, conforme nos informa o historiador Wilson Carvalho Gonçalves, no seu Dicionário Enciclopédico Piauiense Ilustrado, David Caldas iniciou sua vida profissional na imprensa, no jornal Arrebol, por ele fundado em 1859.

Em que pese a boa vontade do jovem David Caldas, positivamente ele não fora amoldado para a vida dura do interior, descreve Monsenhor Chaves em sua importante obra. Optou por um emprego de professor de letras que conseguiu em Barras, e casou-se, a 12 de dezembro de 1862, com Benvinda de Queiroz, filha de importante fazendeiro de União. No ano seguinte, o emérito historiador vai encontrar David Caldas em Teresina trabalhando como redator, ao lado de Deolindo Moura, em um periódico liberal progressista chamado “Liga e Progresso”. Diz também Monsenhor Chaves que o ano de 1863 foi marcante para a vida de David Caldas, iniciando ali uma brilhante carreira burocrática. Em 1864 passou a oficial da Secretaria da Presidência da Província, além de ministrar aulas na antiga Escola Normal. E, continuando a sua ascensão no serviço público, em 1867 obteve, por merecimento, promoção a Oficial-Maior da Secretaria do Governo. Ainda naquele mesmo ano, o talentoso David Caldas passou em um concurso público para professor vitalício em uma Cadeira no Liceu Piauiense. Paralelo a isso, David Caldas participa, entre 1965 e 1968, da redação do jornal “A Imprensa”, um semanário oficial do Partido Liberal, de propriedade também do mencionado Deolindo Moura.

No ano de 1867, David Caldas já era bastante popular devido a sua ascendente carreira burocrática, bem como pelas suas atividades de jornalista e professor. Por ser bem conceituado na sociedade, decide concorrer às eleições para a Assembleia Provincial. Obteve uma expressiva votação, ficando em primeiro lugar entre os deputados eleitos para o período de 1965 a 1968.

Daí em diante, começa a derrocada do nosso ilustre barrense. A política partidária lhe foi cruel. Monsenhor Chaves ressalta que devido a atuação de David Caldas na Câmara, defendendo os interesses do povo mais humilde de Teresina, desperta uma enorme “antipatia de certos grupos sociais que se sentem ameaçados com sua pregação populista”. Na época, a maioria da população morava em miseráveis casas de palha que ficavam na beira do rio Parnaíba e na periferia ou até mesmo em alguma parte do centro da cidade. Por essa razão, o deputado David Caldas apresentou, dente outros, um audacioso projeto para beneficiar os pobres que residiam nesse tipo casa. Seu projeto consistia em instituir o “imposto da décima urbana, que seria aplicado na construção de casas populares de telha, que seriam entregues ao povo mediante contribuições módicas”. Sua estratégia era evitar a construção de palhoças em Teresina. Disso, pode-se concluir que David Caldas era um homem de visão; um homem à frente do seu tempo. Caso fosse aprovado esse projeto, certamente teria se evitado os misteriosos incêndios ocorridos em meados do século XX na cidade de Teresina.

Cada dia que passava, o ódio de seus opositores recrudescia cada vez mais; não desejavam as mudanças propostas por David Caldas. O próprio Partido Liberal, ao qual era filiado, não o apoiou. Por conta disso, desligou-se dessa agremiação partidária e também da redação da “A Imprensa”. Em 1968 funda seu próprio jornal com o nome de “O Amigo do Povo”. Este jornal, segundo a Doutora Ana Regina Rêgo, em seu artigo OITENTA E NOVE, Monitor Republicano do Piauhy, “já nasceu republicano embora não o reconhecesse como tal”. Contudo, afirma a emérita professora da UFPI, que os textos do referido jornal são de combate à monarquia, seus vícios e práticas de corrupção. A partir da criação do “Amigo do Povo, David Caldas se transformou em um contumaz crítico do governo de D. Pedro II, mormente quanto as suas constantes mudanças de opinião. De fato, referido jornal tornou-se o baluarte dos ideais do valente David Caldas. Em 14 de janeiro do ano de 1872, o “Amigo do Povo” já aparece, no seu cabeçalho, com o subtítulo de Órgão do Partido Republicano da Província do Piauí. Pelos seus textos publicados nesse periódico, via-se que o combativo jornalista tinha embasamento político para argumentar sobre os variados temas, sobretudo com relação ao Império Brasileiro. Na realidade, David Caldas tornou-se um dos maiores propagandistas republicanos na Província do Piauí. Monsenhor Chaves ressalta que as ideias republicanas de David Caldas já vinham desde o ano de 1849, quando tinha apenas 13 anos de idade.

A partir de 1872, quando David Caldas publicamente se declara republicano, seus inimigos o perseguiram implacavelmente, chegando a perder todos os empregos que obtivera por seus próprios méritos, excetuando-se o cargo de professor vitalício da cadeira do Liceu Piauiense, uma vez que tinha sido admitido através de concurso público. Mesmo assim, ele pediu demissão daquele cargo, afirmando que não devia receber salários provenientes de um Governo que ele combatia. Conforme registro de Monsenhor Chaves, o valoroso jornalista, para sobreviver, passou a dar aulas particulares, haja vista que o “O Amigo do Povo” não lhe proporcionava rendas suficientes para o sustento da sua família. Em 1873, David Caldas muda o nome do seu jornal para “Oitenta e Nove”, em alusão ao último exemplar, o nº 89, do periódico até então em circulação. Este periódico teve 31 edições em circulação. O jornal, por falta de recursos financeiros e da grande inadimplência no pagamento das assinaturas, não pode mais ser impresso.

O historiador Wilson Gonçalves nos relata que, na edição do primeiro número do jornal “Oitenta e Nove”, David Caldas escreve um artigo manifesto contra as instituições imperiais, ao tempo em que conclama à Proclamação da República Federativa do Brasil para, exatamente, o ano em que o movimento aconteceu, ou seja, em 1989. Alguns estudiosos dizem que David Caldas profetizou o advento da República em 1989: atribuiu ao seu jornal o dístico Oitenta e Nove. E como se sabe, o primeiro número do novo periódico tem data de 1º de janeiro de 1873, quer dizer, quase uma década e meia antes da Proclamação da República. Sobre essa profecia, Monsenhor Chaves está de acordo, mesmo no sentido de conjectura. Outros, como Abdias Neves, não comungam dessa ideia de profecia, pois se “cingem obstinadamente ao sentido religioso da palavra”, o que também concorda o Monsenhor Chaves. Em que pese os argumentos de Abdias Neves e outros discordantes, David Caldas passou a ser conhecido como o Profeta da República, de forma lendária e histórica, como afirma o notório escritor Wilson Carvalho Gonçalves.

Para corroborar com a tese da profecia de David Caldas sobre a Proclamação da República em 1989, Chaves transcreve dois tópicos do emblemático artigo escrito por David Caldas no primeiro número do combatente jornal “Oitenta e Nove”:

“... (os patriotas mineiros) acabaram por ser outros tantos mártires da liberdade, outras tantas vítimas imoladas ante o altar druídico, em forma de trono, onde se achava exposta à veneração dos fiéis a mentecapta Maria, digna bisavó do atual imperador do Brasil, a quem Deus guarde, quando muito, até 1889...”.

“... seja-nos permitido ter a fé robusta de ver a República Federativa estabelecida no Brasil, pelo menos daqui a 17 anos, ou em 1989, tempo assaz suficiente, segundo pensamos, para a educação livre de uma geração, para a qual ousamos apelar, cheios da maior confiança”.

Em seu mencionado artigo, a ilustríssima professora Ana Regina Rêgo enfatiza que David Caldas, além de não ter condições para continuar com o seu jornal, também não teve forças para criar o Partido Republicano na Província do Piauí, mesmo porque a grande maioria dos importantes cidadãos do Estado estavam a favor do sistema monárquico vigente. Por conta disso, ele retornou, a convite expresso do Partido Liberal, para o jornal “A Imprensa”, onde atuou de forma moderada, mas sempre com os ideais republicanos e crítico à Monarquia, completa a professora. Antes disso, em 1874, David Caldas funda o jornal de nome “O Papiro”, que teve duração efêmera. Em 1887, também cria outro jornal conhecido como “O Ferro em Brasa”, também de curta duração. Há registros históricos de que ele fundou um outro jornal – “O Bom Menino”. Como se nota, David Caldas teve uma vida bastante atuante na imprensa de Teresina nas décadas de 60 e 70 do século XIX.

No seu Dicionário Enciclopédico Piauiense Ilustrado, Wilson Gonçalves evidencia que David Caldas, além da sua extraordinária atividade jornalística, elaborou e escreveu importantes trabalhos de ordem científica, pedagógica e literária, entre os quais destacam-se: “Relatório de Viagem Feita de Teresina à Cidade de Parnaíba” (no ano de 1867, pelo rio de mesmo nome); um trabalho de “retificação de uma planta de Teresina” (1867); a “Planta Topográfica do Rio Parnaíba” (1867); e o “Dicionário Histórico e Geográfico do Piauí”. Escreveu também inéditas poesias tais como “Tímidos Acentos” e “A Musa Triforme”. Lamentavelmente, não se tem conhecimento do paradeiro dessas obras.  David Caldas é Patrono da Cadeira nº 4 da Academia Piauiense de Letras e da nº 8 da Academia Vale do Longá.

Segundo Monsenhor Chaves, David Caldas era um homem desprendido. Em que pese sua situação financeira bastante precária, em 1974, levou para morar em sua casa a irmã, e mais quatro filhas, em razão do falecimento do cunhado.

Diz ainda Wilson Gonçalves que, ante às perseguições e injustiças pungidas pelos seus ferrenhos inimigos, o seu estado de pobreza o levou, em fins de 1877, a uma profunda depressão nervosa, perdendo o contato com a realidade, e passando a viver de abstrações. Um exemplo disso: lançou os princípios de uma nova ciência, a Coincidenciologia, onde se declarava em formação de trindade humana com Gonçalves Dias e Deolindo Moura, o que tentou provar através de cálculos coincidenciológicos, conforme reforça a professora Ana Regina Rêgo.

Em Teresina a 03 de janeiro de 1879, paupérrimo, morre David Caldas, o maior dos republicanos na Província do Piauí.

Para finalizar, Monsenhor Joaquim Chaves anota que o poeta “Licurgo de Paiva, que lhe assistiu nos últimos instantes, diz que ele morreu balbuciando os versos do hino litúrgico – ‘Glória in excelsisDeo’. Poucas horas antes exclamava: “É chegado o dia de vos dar minhas contas ... Sabaoth ... Sabaoth ... Sabaoth ... Três vezes sábio... Três vezes santo...” A igreja católica, contudo, lhe negou sepultamento cristão. Essa negação, de fato, é confirmada pelo grande escritor e poeta, Celso Pinheiro, em seu livro “História da Imprensa”. Ali, Pinheiro enfatiza os continuados atos discriminatórios contra David Caldas:

“Mas nem a morte fez arrefecer a vingança dos áulicos imperiais contra o grande republicano. Como a Igreja Católica era ligada ao Estado, David, apesar de grande crente em Deus, e membro da Irmandade do Santíssimo Sacramento, era oficialmente considerado ateu e, como tal, não teve o direito de ser enterrado no cemitério. Cavaram-lhe um túmulo em frente ao portão principal do cemitério São José, debaixo de um velho jatobazeiro ali existente, túmulo que alma caridosa mandou cercar com grade de ferro. Só na década de 1930, quando do calçamento da rua, foram exumados seus ossos e transladados para dentro do cemitério, assim como outros túmulos de protestantes junto ao seu existente”.


(*) Chico Acoram Araújo é funcionário público federal, contista, cronista, poeta e futebolista aposentado.

sábado, 29 de agosto de 2015

Mistérios e sonhos da Quarta Vigília


Mistérios e sonhos da Quarta Vigília

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com

  
            Antigos sábios afirmavam que o espírito levita e passeia, enquanto o corpo dorme. Povos bíblicos e orientais dividiam a noite em quatro vigílias, três horas cada, a partir das 18. Na quarta vigília, entre  as 3 e 6 da manhã, corpo e espírito, já restaurados das forças, experimentavam sensações indescritíveis com seres celestiais. Alcançar esse estágio não é fácil, especialmente na vida moderna agitada e insone.

            Privilégios da quarta vigília  só ocorrem com pessoas que dormem cedo, exercitam espiritualidade, oração e virtudes. No passado, de noites sem  luminosidade elétrica e barulhenta, de vida menos estressada e egoísta, havia espaços para a oração e a presença de Deus.

            Na quarta vigília da noite, as pessoas de fé despertam, tocadas por espíritos celestiais, recebem avisos, como ondas psicanalíticas freudianas. A Bíblia relata experiências fantásticas e proféticas através de imagens oníricas recebidas. José, filho de Jacó, irritava os irmãos, quando relatava sonhos de futuro reinado. Decifrou o pesadelo de Faraó sobre sete anos de vacas gordas e sete de terrível seca (Gênesis, 7). Quando criança, o profeta Samuel acordara, três vezes, na mesma noite, despertado por uma voz divina. Só parou, quando respondeu: “Fala, Senhor, que teu servo escuta!” O Senhor, então, avisou-lhe o fim trágico de Heli, sacerdote de conduta irregular (1 Samuel, cap. 3). Os reis magos foram avisados, em sonho, para não retornarem a Jerusalém.  José ouviu, quando dormia, aviso do anjo para  levar a criança e a esposa Maria para o Egito. Nas caladas da noite, Jesus costumava recolher-se nos montes para repousar e orar. No evangelho de Mateus, capítulo 14, durante repouso e oração da quarta vigília, ele se desloca e aparece andando nas águas do Mar da Galileia, e resgata os apóstolos de naufrágio. No Monte Tabor, resplandeceu, e três apóstolos o contemplaram dialogando com Moisés e Elias, profetas que viveram quase mil anos antes. Os Atos dos Apóstolos relatam aparição de anjo ao apóstolo Pedro, altas horas, enquanto dormia na prisão, e o libertou. Francisco de Assis recebeu, em sonho, aviso divino para reconstruir a Igreja cambaleante de vícios do clero. Outrossim, o Papa Inocêncio, também em sonho, viu um monge tentando segurar as torres decadentes da igreja do Vaticano. Referia-se a Francisco, que tentava registrar sua Ordem.

      São João Bosco, em sonho, ouviu uma voz dizendo-lhe que uma cidade seria construída entre os paralelos 15 e 20 e grande lago próximo.  Faltavam quase 70 anos para a fundação de Brasília.

      Quando se fala em vigília e avisos proféticos, geralmente o assunto é visto com sensacionalismo, indiferença e tapeação. É preciso cautela com oportunistas da propagação da fé, prevendo apocalipse ou previsões de ano novo.

      Grandes pensadores, desde Aristóteles a Freud, debruçaram-se sobre os mistérios dos sonhos e manifestações oníricas. Avisos, premonições e pesadelos envolvendo desastres, afogamentos, perda de emprego, vingança, ganhos e fortunas, quase sempre são resultado da má digestão e de conflitos do cotidiano. Sonhos que tentam desafogar a mente ou atender a alguma necessidade do corpo e do espírito. Sonhos e embriaguês revelam quem somos.

      Sem intenções exibicionistas, confesso que já me dei com experiências fantásticas na quarta vigilia da noite. Até me aporrinha cortar meu sonho. Premonições saudáveis e trágicas, como a que ocorreu, quatro dias antes da morte de meu adolescente sobrinho, Marcos Hidd Júnior, vítima de acidente de moto. Aprendi de pessoas espirituosas que, em casos assim, submete-se a corrente oração para desviar a carga negativa. Dito e feito: avisado em sonho de que minha irmã morreria em acidente caseiro, reuni meus pais e oramos. Aconteceu o acidente, mas sem consequências graves.

      É hora de as pessoas de bem refugiarem-se nas vigílias da oração. Os dasatinos dos que comandam o Brasil se aceleram. Se demorarem as mãozinhas da proteção, nem levitação acordará o país.    

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

FÉRIAS EM BARRAS DO MARATAOÃ


27 de agosto   Diário Incontínuo

FÉRIAS EM BARRAS DO MARATAOÃ

Elmar Carvalho

Parte I

Na reunião de sábado, oito de agosto, na Academia Piauiense, vários confrades se referiram, de forma efusiva e elogiosa, ao livro Rua da Glória, da autoria de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, professor universitário, geógrafo e escritor, nascido em Teresina. Rua da Glória é a atual Lisandro Nogueira, onde ele nasceu, na casa de sua avó materna, e na qual viveu a sua infância e parte da juventude.

O acadêmico Pedro da Silva Ribeiro lhe enalteceu as qualidades do estilo e do conteúdo. Disse que além de sua importância genealógica, o livro discorre sobre o crescimento de Teresina. Elogiou-lhe ainda a correção gramatical. Fonseca Neto, na mesma toada e quase em uníssono, lhe fez calorosos elogios, e disse que foi um dos que sugeriram o nome do autor para receber o título de Doutor Honoris Causa, que lhe foi concedido pela Universidade Federal do Piauí.

Acrescentou que os quatro volumes de suas memórias também se reportam a Campo Maior, Barras, União e Miguel Alves, e que cada um se refere a uma geração de parentes e ancestrais do autor. Informou, ainda, que o autor passou mais de vinte anos a escrever essa notável obra memorialística.

O escritor e poeta Dílson Lages Monteiro, recém eleito para a nossa Academia, não lhe regateou palavras de elogio. Aliás, foi bastante enfático, quando falou da capacidade de síntese do memorialista, e quando se referiu ao lirismo de sua linguagem, inclusive qualificando-a como uma obra que merece ser relida. Coroando suas palavras, disse que o seu texto é comovente, e comparável às memórias de Pedro Nava, observando-se, claro, as propostas e peculiaridades de cada um.

Diante dessas palavras de fartos e entusiasmados elogios, e também considerando o que eu já tinha ouvido e lido sobre Rua da Glória, tomei a decisão de adquiri-lo. Na segunda-feira seguinte, logo na parte da manhã, me dirigi à livraria Monsenhor Melo, da Editora da UFPI – EDUFPI, dirigida pelo professor e economista Ricardo Alaggio Ribeiro, onde adquiri os quatro alentados volumes, que ainda trazem belas ilustrações feitas pelo autor, inclusive as da capa. Disse-lhe, uma vez que gosto de dar boas notícias, que as memórias de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro tinham sido calorosamente elogiadas na sessão de sábado.

Em virtude de projeto literário pessoal que desenvolvo no momento, sobretudo a continuidade deste Diário Incontínuo, previsto para ser encerrado no final do corrente ano, e serviços de postagem (publicação) de textos em meu blog e em sites em que mantenho blogs ou colunas, como Entretextos e Proparnaíba, não pude ler esse monumento memorialístico na íntegra, como ele bem merece.


Optei por ler inicialmente as belas páginas em que o memorialista narra e descreve as suas férias em Miguel Alves e Barras. E pude constatar que as louvações de meus confrades foram justas. Parafraseando o poeta Torquato Neto, eles louvaram o que bem merecia ser louvado.   

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Sobre “Bernardo de Carvalho – o fundador de Bitorocara”, por Elmar Carvalho



Sobre “Bernardo de Carvalho – o fundador de Bitorocara”, por Elmar Carvalho
  
Gilberto de Abreu Sodré Carvalho
Romancista, historiador e genealogista

Foi publicada a segunda edição, revista e ampliada, de “Bernardo de Carvalho, o fundador de Bitorocara”, neste ano de 2015, como livro eletrônico pela AMAZON. A qualidade historiográfica da obra me enseja, irresistivelmente, a falar sobre ela.
A segunda edição é tão rica em novidades e na criação de contextos históricos importantes, que poderia ter um novo título. Acresce que o “volume” digital contém anexos muito úteis de matéria relacionada com o corpo do texto.
Outro ponto, que me encanta, é que o festejado poeta e ensaísta Elmar Carvalho, meu primo remoto, com quem compartilho o mesmo sobrenome Carvalho, nos remete, aos dois juntos, o escritor e eu, o seu leitor, aos nossos velhos antepassados Carvalho de Almeida do Piauí. Nada mais prazeroso, para ele, eu imagino, como seria para mim (que tiro proveito fazendo esta resenha), que escrever sobre Bernardo de Carvalho e Aguiar. Esse herói foi tio dos nossos ancestrais, em comum, Manuel e Antônio Carvalho de Almeida, e dos seus irmãos párocos: Miguel de Carvalho, Tomé de Carvalho e Silva, e Inocêncio de Carvalho, esse último ativo no sul.
O livro é um ensaio histórico, com sustentação bibliográfica pertinente, sobre Bernardo de Carvalho, senhor da fazenda Bitorocara, da qual se originaram Campo Maior e outras cidades. Foi ainda o realizador da conquista portuguesa das terras nortenhas do Piauí.   
A questão da localização geográfica da antiga fazenda Bitorocara, que pertenceu ao grande Bernardo, sugere algumas palavras minhas sobre o assunto, em linha com o que é trazido de informação pelo autor. O assunto é bem coberto por Elmar Carvalho, no bojo da sua ágil e agradável narrativa sobre a vida notável de Bernardo de Carvalho, mestre de campo e cavaleiro da Ordem de Cristo.
A velha vila de Campo Maior, no Piauí, teve uma extensão original vasta, na medida em que correspondeu a boa parte da área que esteve sob o domínio de Bernardo, no final do século 17 e início do 18. Com o tempo, desde o ano de 1762, data da criação da vila, o seu território foi sendo reduzido, com a formação de entidades políticas novas, ou seja, vilas e municípios, mediante desmembramentos. Tais novos municípios surgiram a partir do desenvolvimento de antigas ou de novas circunscrições proprietárias, a dizer, fazendas com seus currais, em combinação com freguesias, no sentido de paróquias católicas ao mesmo tempo que unidades políticas seminais.
Na fase histórica anterior à organização político-administrativa do Brasil, os rios foram importantes. Eles serviam tanto para dar acesso a novas áreas para a conquista e ocupação da América Portuguesa, como para nomearem-se as regiões e os sítios, na falta de outras alternativas mais pertinentes. São assim comuns em todo o Brasil, e no Piauí, topônimos que remetem a um rio, quase sempre antecedido por um nome de santa ou de santo. Os rios garantiam aos conquistadores o comércio, o transporte de gente comum e de guerra, a nutrição direta mediante os peixes e os demais, as melhores pastagens as suas beiras, a água para a irrigação da lavoura e a energia para os moinhos.
Elmar Carvalho, em seu ensaio histórico, registra, com desenvoltura e ótima síntese, a argumentação do saudoso padre Cláudio Melo sobre a localização da fazenda Bitorocara, do final do século 17. Tal fazenda foi a origem, por via do povoado do Arraial Velho, nela situado, da freguesia, da vila e da posterior cidade de Campo Maior.
O fato, comprovado pelo Padre Melo, com o imediato acatamento de Odilon Nunes (que antes pensava o rio Bitorocara ser o rio Piracuruca), é de que a fazenda Bitorocara tinha, por território nuclear, a região da confluência dos rios Longá, Surubim e Jenipapo. Se o rio Bitorocara fosse o rio Piracuruca, a fazenda Bitorocara não poderia geograficamente corresponder a Campo Maior. São justamente os elementos de convicção, de natureza geográfica, que levam a entender-se que o rio Bitorocara é o mesmo que foi, em seguida, chamado de rio Longá. Disso, dessa conclusão, percebe-se a antiga fazenda Bitorocara no seu verdadeiro lugar. 
Ocorre que, de antes, no tempo de Bernardo e por conta de ele o ter chamado desse modo, o rio Longá era conhecido como rio Bitorocara, e o rio Surubim era chamado de rio Cobras. O nome Bitorocara só consta da “Descrição do sertão do Piauí”, escrita, em 1697, pelo padre Miguel de Carvalho, sobrinho do grande Bernardo.
A argumentação de Elmar Carvalho, sobre a origem do atual município de Campo Maior na fazenda Bitorocara, é a apresentada originalmente, com bastante documentação, pelo Padre Cláudio Melo no seu “Os primórdios de nossa história”, de 1983, páginas 167 a 176, reafirmada por Afonso Ligório Pires de Carvalho, em “Terra do gado – a conquista do Piauí na pata do boi”, Brasília: Thesaurus, 2007, e, mais recentemente, por Valdemir Miranda de Castro, em “Enlaces de famílias”, 2014.
Existem, em Elmar Carvalho, mais argumentos em favor de o berço de Campo Maior ser a fazenda Bitorocara, com sua sede na confluência do rio Longá, antigo Bitorocara, com o rio Surubim e o rio Jenipapo. Mais exatamente, na junção do Longá com o Surubim. Ocorreu de a fazenda Bitorocara ter abrigado um arraial militar, chamado, após os anos, de Arraial Velho. É, com esse nome, que consta do testamento de Miguel de Carvalho e Aguiar, filho de Bernardo, que o passa à sua neta. Tal sítio - de encontro de homens de guerra lusos, mestiços e indígenas - foi estratégico na conquista do norte do Piauí aos índios. Do Arraial Velho, ou seja, da povoação permanente que lá se instalou, surgiu uma freguesia, sendo o primeiro pároco o padre Tomé de Carvalho e Silva, sobrinho de Bernardo e irmão inteiro do padre Miguel de Carvalho. Dela, da freguesia, em seguida, se teve a vila e, por fim, o município de Campo Maior.
Bitorocara, na confluência dos três rios, dava meios para deslocamentos variados de forças armadas de portugueses e índios aliados. Neste cenário físico, o mestre de campo Bernardo de Carvalho e Aguiar, cavaleiro da Ordem de Cristo, era o chefe militar, sendo seu lugar-tenente Manuel Carvalho de Almeida, seu sobrinho e irmão inteiro do padre Miguel de Carvalho.

Em suma, a obra de Elmar Carvalho é uma leitura importante para os campomaiorenses, para os estudiosos da formação histórica do Piauí e do Brasil e para os piauienses e brasileiros em geral. A leitura da biografia desse grande homem é muito relevante em um tempo de penúria cívica.      

domingo, 23 de agosto de 2015

Seleta Piauiense - Hermínio Castelo Branco


Este mundo é um rebolo

Hermínio Castelo Branco (1851 - 1889)

É um rebolo este mundo:
A manivela – o dinheiro,
Os homens – amoladores,
Trabalham de cuteleiro.

Principiando do alto,
Do chefe desta nação,
Vê-se o mestre diretor
Nas artes da amolação.

Contra-mestres no ofício,
Ministros, seus delegados,
Que amolam todo este mundo,
Mas também são amolados.

Os juízes preguiçosos,
Nos dias de audiência,
Dos empregados e partes
Amolam a paciência.

O astuto advogado,
De acordo co’o escrivão,
São perfeitos no ofício,
Ou arte da amolação.

Nas tesourarias públicas,
E noutras repartições,
Em cada banda se encontra
Um maço de amolações.

Nas boticas, nos hotéis,
E no comércio em geral,
É um freguês amolado
Duma maneira fatal.

Na tribuna o deputado
(À custa do seu dinheiro)
Com a língua de ferrugem,
Amola o mundo inteiro.

E no púlpito sagrado,
O vigário ignorante,
Com pragas e maldições
Nos amola a todo instante.

Deixando de parte, agora,
As públicas amolações,
Vamos na vida privada
Ver maiores fricções!

O velho pai de família,
Pelos anos alquebrado,
Tendo filhas bonitinhas, ´
É toda noite amolado...

Se por infelicidade,
Tiver sogra o desgraçado,
Pode contar, como certo,
Ser toda vida amolado.

As visitas repetidas,
Sem motivo imperioso,
São amolações tremendas,
Dum caráter perigoso.

O rapaz que, numa roda,
Quer passar por sabichão,
Sendo tolo, ignorante,
Amola com perfeição.

E aquele namorador
Por passatempo somente,
Sem ter em vista casar-se,
Amola perfeitamente.

E toda moça no baile,
Que se faz muito rogar,
Se pedindo uma quadrilha,
Sabe também amolar.

Ainda aquela que tem
Dez a doze namorados,
Jurando firmeza a todos,
Traz eles bem amolados.

Toda velha rabugenta,
Por demais conservadora,
Pretensiosa a namoro,
É tenaz amoladora.

Também o velho que traz
Preto bigode, pintado,
Amola as moças bonitas,
Supondo ser namorado.

Sendo assim o mundo todo
Composto de amoladores,
Eu também vou, por meu turno,
Amolando aos meus leitores.      

sábado, 22 de agosto de 2015

“Terra de ninguém” e o advento do livro digital


“Terra de ninguém” e o advento do livro digital

José Pedro Araújo

As novas ferramentas tecnológicas no campo da internet, trouxeram facilidades também para o meio cultural. E isso se reveste de grande importância em um momento em que este setor da vida quotidiana vem atravessando um período árido, difícil, com obstáculos tremendos para aqueles que gostariam de ver seus escritos publicados, e pretendem colocá-los à disposição da opinião pública. Publicar qualquer trabalho hoje é uma tarefa que acarreta enormes esforços, além de grandes dispêndios. No que pese todos os governos, seja ele federal, estadual ou municipal, possuírem a sua secretaria de cultura e propagandearem aos quatro ventos dedicação a este campo, torna-se quase impossível encontrar meios para a publicação de qualquer coisa com o patrocínio oficial. As tais secretarias são criadas apenas para acomodar aliados e não para tratar da cultura em si, é o que podemos depreender. E assim, quem dispõe de algum recurso sobrando, é obrigado a bancar a impressão do seu próprio trabalho. E são poucos os que se dispõem a arcar com mais essa despesa. O resultado disso é que tem muita gente boa por ai que continua com trabalhos interessantes guardados no fundo de uma gaveta, e que ficarão por lá, esquecidos, por séculos e séculos sem fim.

Felizmente, surgiram empresas que militam no cyber espaço que vieram para contrapor a esse grave problema editorial. É o caso específico da Amazon.com, maior livraria do mundo com atuação na internet e também a primeira editora em volume de livros digitais publicados. Hoje, qualquer cidadão que possua algo interessante no campo das letras e da cultura, pode publicá-lo gratuitamente na Amazon, que ainda oferece as ferramentas para a editoração do seu trabalho. Foi assim que publiquei alguns dos meus guardados recentemente. E não fosse através desse procedimento, dificilmente eles chegariam ao conhecimento do público.


Tenho publicado três contos através desse processo, que já estão à disposição do público: O Relógio da Matriz, Naná e Negociando com a Morte. Já está também à disposição dos leitores o meu primeiro romance, Terra de Ninguém, uma obra que trata da disputa litigiosa travada entre os estados do Piauí e do Ceará pela posse de uma grande possessão de terras. Trato ainda sobre a problemática da seca e de outros temas agudos que atingem a gente residente naquele espaço conhecido por eles como Terra de Ninguém. Endereço eletrônico:(www.amazon.com.br).  

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Casa do Desterro

Foto meramente ilustrativa

Casa do Desterro


Valdemir Miranda de Castro

Ao prezado amigo, poeta inspirado, Elmar Carvalho, como prova da mais distinta consideração.

A origem da família MELO, no norte do Piauí, deve-se a figura de Onofre José de Melo, casado com Cecília Maria das Virgens, que proveniente de Pernambuco, foram os fundadores da Casa do Desterro na Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca. Do casal descendem os Melo de Piracuruca, Piripiri, Batalha, Barras e Campo Maior.
A Freguesia de Piracuruca, foi a terceira a ser fundada no território do Piauí, ainda sob jurisdição eclesiástica do Bispado de Pernambuco, possuía várias casas-grandes de Fazendas dos primeiros ocupantes de seu vasto território, que se estendida do vale do Longá ao litoral e até a costa leste do Maranhão.
A professora Judith Santana em seu trabalho “O Padre Freitas de Piriripi”, enumera que o território da freguesia possuía várias casas-grandes, que faziam a política da boa vizinhança, entrelaçavam-se por uniões matrimoniais entre seus descendentes (SANTANA, s.d., p. 28). Entre as fazendas citadas ressaltem-se a Gameleira, fundada por Francisco José do Rego Castelo Branco e Auta Inês de Castro, - a Casa das Lages, de Bernardo José do Rego e Cândida Rosa Castelo Branco, - a Casa do Desterro, de Onofre José de Melo e Cecília Maria das Virgens, e a Casa do Curral de Pedras, de Simplício Coelho de Resende.
I- Onofre José de Melo foi casado com Cecília Maria das Virgens, pernambucanos de origem, ela filha de um Padre Ponte, o casal foi pais de:
II-1 José Florindo de Melo
II-2 Gracinda Rosa de Melo
II-3 Carlota Rosa de Melo
II-4 Antônio Luís de Melo
II-5 Antonino José de Melo
II-6 Luís Antônio de Melo
II-7 Higina Rosa de Melo

II-2 GERACINDA ROSA DE MELO, casou-se com Diógenes Benício de Melo, foram os fundadores da Casa da Caiçara, foram pais de:

III-1 Filomena Rosa de Melo
III-2 Avelina Maria de Melo
III-3 Inácia Maria de Melo
III-4 Cecília Maria de Melo
III-5 Idalina Rosa de Melo
III-6 Onofre José de Melo
III-7 Prestetato José de Melo
III-8 Diógenes Benício de Melo

III-5 IDALINA ROSA DE MELO nascida e falecida no Termo de Batalha, Freguesia de Piracuruca. Casou-se com SALVADOR QUARESMA DOURADO DE MELO, nascido em Piracuruca e falecido em Batalha. Capitão da Guarda Nacional no Termo de Batalha. Pais de:

IV-1 Pussina Rosa de Melo
IV-2 Carmina Quaresma de Melo
IV-3 Luís Quaresma de Melo
IV-4 Altino Quaresma de Melo
IV-5 Conrado Quaresma de Melo
IV-6 Matias Quaresma de Melo
IV-7 Salvador Quaresma de Melo

IV-1 PUSSINA ROSA DE MELO, nasceu em 1886 e faleceu no Termo de Batalha. Casou-se com JOAQUIM JOSÉ DE MELO, nasceu em 1886, em Barras. Filho de Prestetato José de Melo e de Georgina Quaresma de Melo.

IV-2 CARMINA QUARESMA DE MELO, n. 20.02.1889, em Batalha.

IV-5 CONRADO QUARESMA DE MELO, nasceu em Batalha e faleceu a 03.03.1952, em Batalha. Chegou à vila de Boa Esperança nos primeiros dias de sua criação, tendo servido a nosso município pelo espaço de mais de tinta anos, tanto como político de destaque, como também na qualidade de funcionário do Departamento Nacional dos Correios de Telégrafos. Depois de aposentado, por motivo de saúde, voltou à sua terra natal, deixando entre nós um grande lastro de sólidas amizades (A. SAMPAIO, 1965, p. 88). Casou-se com INÁCIA DE ALENCAR MELO. Pais de:

V-1 Maria do Perpétuo Socorro Melo
V-2 Avelino Melo
V-3 Idalina Melo
V-4 Alice Melo

VI-1 MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO MELO, nome de solteira, MARIA DE ALENCAR MELO, nome de casada, nasceu a 10.01.1916, no lugar Palmeira, Município de Esperantina e faleceu a 16.07.1986, em Teresina. Casou-se a com CLÓVIS DE CASTRO MELO [primeiro do nome], nasceu a 31.12.1901, em Batalha, e faleceu a 22.10.1991, em Teresina. Filho de Messias de Andrade Melo e de Ana de Castro Melo.

VI-1 AVELINO MELO, nasceu a 02.01.1908 e faleceu a 03.10.197. Casou-se com GERACINA OLÍMPIO DE MELO, nascido a 22.08.1913 e faleceu a 03.11.1979. Pais de:

VII-1 José Olímpio de Melo
VII-2 Messias Melo
VII-3 Conrado Melo Neto
VII-4 Ana Inácia Melo

IV-6 MATIAS QUARESMA DE MELO, nasceu a 29.10.1891 e faleceu a 03.03.1963, em Batalha. Casou-se com SATURNINA BRAGA DE MELO nasceu a 22.03.1928 e faleceu a 14.04.1998. Pais de:

V-1 Maria de Fátima Braga de Melo, nascido em 22.04.1954 e falecido em 27.11.1957 s.s.g.

IV-7 SALVADOR QUARESMA DE MELO, nascido em 05.06.1892; falecido em 04.01.1962, em Batalha. Casou-se com MAROQUINHA MELO nasceu a 21.04.1905 e faleceu a 25.04.1992.

II-7 HIGINA ROSA DE MELO, casou-se MIGUEL QUARESMA DOURADO, nascido em 1817, em Portugal. Constava da lista dos eleitores de Piracuruca, no ano de 1848, com 31 anos. Pais de:
II-1 Salvador Quaresma Dourado de Melo
II-2 Georgina Quaresma de Melo

II-1 SALVADOR QUARESMA DOURADO DE MELO,  [Ver nº III-5 IDALINA].

II- 2 GEORGINA QUARESMA DE MELO, nascido no Termo de Batalha; falecido no Termo de Batalha, Freguesia de Piracuruca. Moradora do lugar Águas Livres, Batalha. Casou-se com PRESTETATO JOSÉ DE MELO nascido em Batalha e falecido no termo de Barras. Residente no lugar “A mais tempo”, Barras. Pais de:

III-1 Joaquim José de Melo

III-1 JOAQUIM JOSÉ DE MELO, nasceu 1886; faleceu no Termo de Batalha. Casou-se, a 08.01.1907, aos 21 anos, no Sítio Águas Livres, Batalha, com PUSSINA ROSA DE MELO nascida em 1886 e falecida em Batalha. Filha do capitão Salvador Quaresma Dourado de Melo e de Idalina Rosa de Melo. Foram testemunhas: o Capitão José Francisco de Melo e Diógenes Olímpio de Melo.

II-ANTÔNIO LUÍS DE MELO, casado que foi com Francisca Sinharia da Silva. Pais de:

III-1 Diógenes José de Melo

LUÍS ANTÓNIO DE MELO, casou-se em segundas núpcias com HIGINA ROSA DE MENESES, foram pais de:

III-3 Horácio Luís de Melo

III-1 DIÓGENES JOSÉ DE MELO, nasceu a 25.01.1853, em Piracuruca, e faleceu a 22.11.1902, em Batalha, ambos sepultados no cemitério de São Gonçalo da Batalha. Alferes do Batalhão de Guarda Nacional de Infantaria do Município de Batalha, promovido a tenente, em 12.01.1878, depois capitão da Guarda Nacional (PIRES FERREIRA, 1992, V.2 p. 88-89). Tenente coronel do 4º Batalhão de Infantaria de Batalha, em 1902. Conselheiro a Câmara Municipal de Batalha, legislaturas 1872-1876, 1892-1896, 1896-1900 e 1900-1904, tendo falecido no exercício do cargo, em 1902, assumindo seu lugar na câmara Amaro José Machado. Proprietário da Fazenda Cachoeira, agricultor e criador. Fundador da Fazenda Malhado do Meio, no atual município de Esperantina, que foi herdada por sua filha Matilde de Castro Melo, primeira esposa do cel. Manoel Lages Rebêlo. Casou-se com UMBELINA INÊS DE CASTRO, nome de solteira, Umbelina de Castro Melo, nome de casada, nasceu a 05.04.1852, no termo de Batalha foi batizada a 02.12.1853, na Igreja Matriz de São Gonçalo da Batalha. Foram seus padrinhos: João Bartolomeu de Carvalho e sua mulher Mariana Rosa de Carvalho. Faleceu 03.04.1924, em Batalha, sendo ali sepultada. Pais de:

IV-1 Auta de Castro Melo
IV-2 Matilde de Castro Melo

IV-1 AUTA DE CASTRO MELO, casou-se com OLEGÁRIO ARLINDO DE CASTRO BEM nasceu a 11.06.1917, em Barras, e faleceu a 10.06.1999, em Batalha [primeiras núpcias deste]. Filho de Cândido Alfredo Castelo Branco e de Laurentina Inês de Castro. Primos entre si. Pais de:

V-1 Auta de Castro

V-1 AUTA DE CASTRO, [Autinha], casou-se com FRANCISCO NOGUEIRA DE AGUIAR [Dodô Aguiar] de tradicional família cearense.

VI-2 MATILDE DE CASTRO MELO, nome de solteira, Matilde de Castro Melo Rebelo, nome de casada, nasceu a 14.03.1891, na Vila de Batalha e faleceu a 28.02.1933, na cidade de Boa Esperança, atual Esperantina. Casou-se, em 18.01.1908, em Batalha, com MANOEL LAGES REBELO nasceu a 18.07.1888, na Fazenda Santa Teresa, Município de Batalha, e faleceu a 24.12.1981, na cidade de Esperantina. Fazendeiro nos municípios de Batalha, Esperantina, Joaquim Pires e Luzilândia. Foi o responsável pela emancipação política do povoado Retiro da Boa Esperança do Município de Barras, em 1920, quando foi criado o Município de Boa Esperança, hoje Esperantina. Foi o primeiro intendente e o primeiro prefeito do Município de Esperantina. Filho de Umbelino Gomes Rebelo e de Maria da Assunção Pires Lages. Neto, pelo costado paterno, de Laurentino Gomes da Silva Rabelo e de Maria Madalena da Paz e pelo costado materno, de Manoel Rodrigues Lages e de Maria da Assunção Pires Lages. Pais de:

VI-1 Diógenes de Melo Rebelo
VI-2 Haydée de Melo Rebelo
VI-3 Odete de Melo Rebelo
VI-4 Delorme de Melo Rebelo
VI-5 Hamilton de Melo Rebelo
VI-6 Maria de Nazaré de Melo Rebelo

nn MANOEL LAGES REBELO, casou-se, em segundas núpcias, em com ZILDA NOGUEIRA DE AGUIAR, nasceu a 27.02.1918, na fazenda Boa Vista, então do Município de Barras, depois Esperantina, hoje Morro do Chapéu do Piauí. Filha de José Nogueira de Aguiar e de Eliza Nogueira de Aguiar. Pais de:

VI-7 Edmar Nogueira Rebelo
VI-8 Manoel Lages Filho
VI-9 Marilda Nogueira Rebelo.
(V. descendência em PIRES FERREIRA, 1992, V.2 p. 89 a 101).


II-6 LUÍS ANTÔNIO DE MELO, casado com HIGINA ROSA DE MENESES, foram pais de:

III-1 Horácio Luís de Melo

III-2 HORÁCIO LUÍS DE MELO, casou-se em terceiras núpcias com Antônia Quitéria de Carvalho. Filha de João Bartolomeu de Carvalho e Mariana Rosa de Carvalho. Pais de:

IV-1 José Horácio de Melo

IV-1 JOSÉ HORÁCIO DE MELO, nascido a 05.08.1873 no lugar Campestre em Piracuruca e falecido em 13.08.1965 em Teresina a 13.08.1965 em Campo Maior. Casou-se com Maria Carlota. Pais de:

V-1 Rosália Maria de Melo Carvalho

V-1 ROSALIA MARIA DE MELO CARVALHO nascida em Piracuruca, em 20.11.1933 e falecida em Teresina a 26.04.2013. Casou-se com MIGUEL ARCÂNGELO DE DEUS CARVALHO. Pais de:

VI-1 José Elmar de Melo Carvalho.


Obs.: Texto do trabalho em elaboração: A colonização do Vale do Longá.

Valdemir Miranda de Castro
Licenciado em Letras Português
Bacharel em Direito
Pós-graduado em Metodologia do Ensino e em Direito Penal.