segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
BARRABÁS! BARRABÁS! BAR...RA...BÁS!
BARRABÁS! BARRABÁS!
BAR...RA...BÁS!
José Maria Vasconcelos
Cronista,
josemaria001@hotmail.com
Jovens, adultos, católicos, evangélicos e demais confissões vêm
substituindo a folia carnavalesca pelos retiros espirituais. Geralmente,
concentram-se em sítios, debaixo de árvores, para louvar o Senhor com músicas,
entusiasmo, orações, palestras, lazer, comida frugal, confraternização. Quem já
participou uma vez quer repetir a experiência, ano seguinte. Quase sempre, os
grupos se reencontram, em outras oportunidades. Convidaram-me para ministrar
palestra, nesta quaresma, sobre a figura bíblica de Barrabás. O tema cai bem na
atual crise moral de corrupção e violência.
Barrabás, assassino, baderneiro,
assaltante, conforme relato dos evangelistas Lucas (capítulo 23) e Marcos
(capítulo 15). Ou de Pedro em Atos dos Apóstolos (capítulo 3). Barrabás
integrava a facção dos zelotes, que hostilizava o poder romano, em Israel.
Preso, condenado à morte, aguardava o dia da execução na cruz.
Naqueles dias, Jesus Cristo
dirigiu-se a Jerusalém para festa de Páscoa. Multidão de romeiros também
pegavam estrada. Aproximando-se da cidade santa, Jesus entra na casa de Lázaro,
falecido há quatro dias. Acompanhado de familiares do morto, dirigiu-se à
sepultura de Lázaro e o ressuscitou. Romeiros que assistiram ao estupendo
milagre divulgaram a notícia em Jerusalém. Multidões entusiasmadas foram ao
encontro de Jesus. Montaram-no em jumento, aclamaram-no rei, espalhando vestes
e galhos de oliveira à sua passagem. O delírio coletivo acendeu a cólera das
autoridades, especialmente da classe sacerdotal e dos fariseus, que exploravam
a população com altos dízimos, ofertas e corrupção. Iniciava-se processo para
prender o Mestre e entregá-lo às autoridades romanas.
A multidão, inflamada pela
retórica distorcida e populista dos líderes, vociferava, exigindo do governador
Pilatos a condenação do Mestre, e liberdade para o bandido Barrabás. Covarde e
conivente com a classe iníqua de magistrados e fariseus, Pilatos foi, mais
tarde, deposto do cargo, levado para Roma, condenado à masmorra, em Viena.
A História está repleta de
contrastes, quando a população, seduzida pela retórica dos discursos
inflamados, substitui o senso crítico pela submissão ideológica. Hítler, cabo
raso na Primeira Guerra Mundial, oratória inflamada, chegou ao poder
ditatorial, atacando a causa da desgraça social e econômica da Alemanha, os
judeus. Mussoline inaugurou o fascismo na Itália, movimento político e
filosófico ou regime, que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os
valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado
na figura de um ditador: Stálin, da Rússia; Franco, na Espanha; Salazar, em
Portugal; Getúlio Vargas, no Brasil; Peron, na Argentina; Mao Tsé Tung, China.
Além das republiquetas, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, entre outras. O
princípio se estabelece na demagogia, no ataque feroz ao capitalismo, na
distribuição de pão e circo para engabelar a população e extorqui-la no voto,
porém acumulando, disfarsadamente, fortunas, quebrando o Estado. A população,
coitada, paga caro por substituir o trigo pelo joio. A virtude pelo vício. A
dignidade pela corrupção da consciência. O sagrado pelo profano.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Seleta Piauiense - Lucídio Freitas
Perscrutadoramente
Lucídio Freitas (1894 - 1921)
Perscrutadoramente os olhos ponho
No que fui, no que sou, no que hei de ser,
E alucinado dentro do meu sonho
Sinto a inutilidade do nascer.
Minha origem componho e recomponho,
Venho do berço ao túmulo... viver
Um instante só, e após, ermo e tristonho,
Sob o ventre da terra apodrecer.
Homem — parcela humilde, humilde e obscura,
Que anda perdida e desapercebida
Buscando os vermes de uma sepultura —
O que foste? o que és? para onde vais?
Esta angústia maldita da tua vida
Foi a maldita angústia dos teus Pais!
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Lançamento de "Estação Saudade" em Oeiras
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| Fonte da foto: Mural da Vila |
LANÇAMENTO DO LIVRO: “ESTAÇÃO SAUDADE” DE DAGOBERTO CARVALHO EM OEIRAS
Moises Reis
Caros
amigos! Este é um momento de vívida e intensa emoção, próprio para ser
conduzido, sobretudo, por alguém que, como dizia Cervantes, faz da pena a
língua da alma: o escritor, o poeta. Sim, são eles os únicos capazes de
interpretar, com fidelidade, a alegria e o prazer de outro escritor e poeta.
Estes últimos, os poetas, são profundos filósofos e somente eles são
dimensionados para sentir as emanações prazerosas do esforço poético do outro.
Como
veremos, “Estação Saudade”, um misto de artigos, crônicas, discursos
acadêmicos, atinge a sublimação com as poesias ali colacionadas, que o autor
chama de “Canto da lembrança da Província”. Valerá a pena seguir o voo das
ideias, para, certamente, ouvir a melodia interior das palavras e sentimentos
expressados do âmago do coração do autor. Ao final o leitor haverá de concluir
que “Estação Saudade” nada mais é do que a revelação de um estado de
existência, desnudando segredos, denunciando acendrado amor telúrico e
confirmando a preocupação do autor com a proteção da memória de sua terra, do
seu povo.
De
indiscutível razão a assertiva do grande vate francês, Vitor Hugo: “os poetas
possuem em si um condensador, a emoção. Daí os grandes feixes luminosos que
saem de seu cérebro e que vão brilhar para sempre sobre a tenebrosa muralha
humana”.
Sem
os dotes apropriados, e sem talento para tanto,
reconheço a ousadia de aceitar o encargo de apresentar esta obra literária produzida por este oeirense,
cujo telurismo é o distintivo maior de sua personalidade.
Moveu-me,
no entanto, para investir-me na missão delegada pelo autor de “Estação Saudade”
um sentimento maior e único, qual seja o de que é possível adquirir a condição
de escritor e poeta, na medida em que sejamos idealistas e sonhadores.
E
foi exatamente com esta sensação e compenetrado de um só ideal, o de servir
sempre que possa às boas causas, que resolvi estar aqui nesta Terra tão querida
de todos nós.
De
fato. Não escondo desta distinta platéia que também o fato de poder estar em
Oeiras, foi outro motivo encorajador de exercer, nesta noite engalanada em que
se respira ar de profundo civismo pelo dia de amanhã, 24 de Janeiro, o papel de
analista da alma do Autor que, tal qual rouxinol solitário, com grande
sensibilidade e poético saudosismo, canta sua terra e seu povo defendendo a
preservação da cultura local.
Senhoras
e Senhores,
Mesmo
abrigando tanto seres humanos, marcados pela volúpia do querer mais, do ter
mais o mundo continuará reservando um lugar especial para os escritores e poetas.
É que a necessidade de usar da pena para exprimir sentimentos, de escrever para
posteridade; a necessidade do recolhimento, do voltar-se para si mesmo, de
abrigar-se na sua interioridade é mais forte no homem do que a busca do ter e
do poder. É assim o Autor.
É
vital para o cidadão separar o mundo exterior, onde se sobressai o indivíduo,
do mundo interior, onde reina o fluxo espontâneo de poderosos sentimentos. É a
sensibilidade interior, de quem não guarda para si os seus tesouros que dá vida
e alma ao ofício de quem, como o Autor, escreve para o mundo.
Com
razão e perfeitamente justificada a presença distinta dos poetas neste mundo
globalizado, marcado, cada vez mais, pela violência, e pela simples busca do
poder pelo poder. É que a vida não se limita a isto. É preciso também sonhar. O
homem há que, de quando em vez, sair por aí a contar estrelas, revivendo tempos
passados, como fazem os poetas. Como fez Dagoberto nesta obra.
Não
é sem razão que devemos nos apressar em agradecer ao Dagoberto por mais esta
contribuição em favor da cultura piauiense e especialmente pelas manifestações
e defesa dos valores culturais de nossa cidade, “vivendo o presente, não de
costas para o passado – mas tendo-o como inspiração para novas conquistas e de
frente para o futuro”, com está dito por ele em documento registrado neste
livro, apresentado no 8º Festival de Cultura de Oeiras.
Cantemos
em uníssono, nesta noite, cantando em sincero canto, uma ode à criação do
escritor\historiador e também poeta que não fez da poesia um caminho para a
eloqüência e a retórica. É verdade! Os poemas do Conde de Oeiras, no dizer de
Nilo Pereira, são de evocação e saudade. Sejamos percucientes na leitura e
descobrir-se-á cântico de saudades; de esperança; de anseios vagos, desejos
inexprimíveis, como nestes versos pinçados do poema:
“ INSONIA”
“Madrugada insone de lembranças e
desejos;
Acorda a noite secular da Praça;
O Riacho, a ponte;
Os fantasmas do “Sobrado”.
Procissão do tempo,
Flores do “Passo” e de saudade”
“Estação
Saudade” é mais uma das inúmeras contribuições literárias do historiador em
homenagem aos cem anos da Academia Piauiense de Letras. A rigor, a obra não
precisaria de apresentação. Discípulo do grande mestre português, Eça de
Queiroz, tanto tem sido marcante sua presença no mundo da intelectualidade, que
seus livros são recebidos com a certeza de conteúdo rico de boa prosa, daquela
que eleva o espírito e inspira sentimentos nobres.
Bem
disse outro poeta da Academia Piauiense de Letras, autor do célebre poema “Noturno de Oeiras”, Elmar Carvalho, ao referir-se à obra: “As crônicas e os
poemas são entranhados de suave saudosismo telúrico e lirismo. Ele é um mestre
da prosa bem trabalhada, e nos faz lembrar os mestres do classicismo português,
porém, como não poderia deixar de ser, temperada de contemporâneas “especiarias”.
Senhores!
Os livros são os abençoados clorofórmios do espírito, especialmente quando são
feitos com alegria e prazer. E as obras
escritas com prazer, são quase sempre as melhores, assim como os filhos do amor
são os mais belos.
Todos
já nos acostumamos à leitura dos livros de Dagoberto. São obras literárias
merecedoras de indiscutíveis encômios. Sua preocupação, como de outras vezes,
com a cidade mafrensina, desejoso de assegurar aos pósteros em registro de
suave pena, a verdade histórica da Primeira Capital do Piauí, mais uma vez se
repete neste livro. Dagoberto tomou boa nota da lição de Eça de Queiroz,
segundo a qual “só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo” E este
“chão glorioso, encravado em sertão bruto, onde jazem heróis verdadeiros, no
dizer de Arimatea Tito, necessita ter sua história resguardada.
Consciente
dessa verdade é um obstinado por contribuir, através de seu lirismo, de suas
emoções, para que fiquem nos anais da história, os feitos e passagens da
“capital perene das tradições do Piauí”.
John
Ruskin, britânico, crítico de arte, poeta e desenhista, realçava a verdade de que “Os livros
dividem-se em duas classes: livro do momento e o livro de todo momento. Aqueles
podem ser lidos ora na sala ora na cozinha; já os livros de todo momento, como
verdadeira prova de seu valor, são lidos tanto na sala quanto na cozinha”.
Não
titubeio em afirmar, categórico, que esta obra certamente merecerá de todos nós
que a leiamos pela casa inteira, porque se trata de um bom livro, mais um
legado precioso que Dagoberto deixará para a posteridade.
Na
primeira parte da obra estão os artigos e ensaios, em que o historiador explora
temas diversos, com o seu já conhecido estilo, próprio, perfeito, definido e
sempre denunciador do sentimento de “filho extremado e amante da terra em que
nasceu”.
Os
Discursos Acadêmicos emolduram a obra com o refinamento intelectual de seus
conteúdos. De sua vez, as “Crônicas Reencontradas”, pinceladas com as cores
vivas do respeito a piauienses de escol e a notáveis oeirenses – Possidônio Queiroz, Costa Machado, Balduíno
Barbosa – é resultado da inspiração do Autor ao prestar homenagens à memória de
pessoas que muito serviram ao Piauí e especialmente a Oeiras.
Extremamente
engenhoso na arte de versejar, o livro se completa coroado pelos poemas em o
que autor explorando sutilmente a natureza, o telúrico, a angústia existencial
do homem moderno e recordações pessoais, divaga saudosamente, como neste poema:
NATAL
Alegres noites de dezembro
Demoram-me na lembrança
Que não passa
Natal de outros natais.
Promessas de vida nas luzes da
festa,
Reflexos de sonhos nas cores da
praça.
Parabéns
ao amigo oeirense, Dagoberto Carvalho, por mais este presente que dá a Oeiras e
ao Piauí. Sob a inspiração do mestre Paulo Nunes, digo que a “Estação Saudade”
não é obra para ser lida, apenas, mas para ser degustada.
Oeiras, invicta, 23 de Janeiro de
2015.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
A PROPÓSITO DA CRIAÇÃO OAB/PARNAÍBA
A PROPÓSITO DA
CRIAÇÃO OAB/PARNAÍBA
O
conceituado jornal NORTE DO PIAUÍ,
edição de 30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016, publicou um texto -
"HONORABILIDADE" - com informações sobre a fundação da Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção
de Parnaíba..
Como a informação do jornal é
incorreta, sinto-me obrigado a prestar
esclarecimentos sobre o assunto, sem o menor interesse em criar polêmica, até
porque não tenho mais idade nem vaidade para isso.
A
história da luta pela criação da OAB/Parnaíba até o referendo pelo Conselho Federal da OAB compreende
dezembro/1979 a agostol984.
Nesse período importantes fatos ocorreram, todos eles fundamentais para
que se chegasse finalmente à inauguração da
subseção de Parnaíba, em 12.01.1985, única data lembrada pelo citado
jornal.
Além de graves omissões quanto a
datas, o jornal pecou ainda por não
citar todos os idealizadores e
fundadores que, conforme
documento anexo, subscreveram em 30.12.1979
o requerimento de criação da Subseçãod OAB de Parnaíba, dirigido ao presidente da
OAB/Piauí e de
"que se originou o Processo nº 004/80 aprovado
à unanimidade em 17.06.80 e referendado pelo Conselho Federal da OAB em
data de 28.08.84", conforme consta da anexa CERTIDÃO expedida pela OAB/Parnaíba e assinada pelo presidente Marco Antônio Siqueira, em 03.12.1992.
Eis, pela ordem das assinaturas, os dezoito (18) advogados que
subscreveram o REQUERIMENTO acima mencionado:
- Alcenor
Rodrigues Candeira Filho (OAB-Pi nº
754/72 )
- Francisco de
Assis Costa Bacelar (OAB-Pi nº 635/68)
, - Israel José
Nunes Correia (OAB-i nº1103/9)
- Marco Antônio
de S. Correia (OAB-Pi nº370/79)
- Lauro Andrade
Correia(OAB-Pi nº 390)
- Jozely Maciel
Broder (OAB-Pi nº905/75)
- Antônio Cajubá de Brito Neto (OAB-Pi nº 1067/78)
- Francisco de Assis
Cajubá de Brito (OAB-Pi nº 580/68)
- ASSINATURA
NÃO IDENTIFICADA (OAB-Pi nº 784/73)
- Haydée Lima de
Castelo Branco (OAB-Pi nº 1002/77)
- Maria do Amparo
Coelho dos Santos (OAB-Pi nº 1081/78)
-Eduardo Ferreira
de Oliveira ( OAB-Pi nº 08/79-B)
- Francisco das Chagas E. e Silva (OAB-Pi nº 868/75)
- Antono Raposo
Mazulo (OAB-Pi nº 25/79-A)
- Heitor rrie de Susa (OAB-Pi nº 111/41)
- Yonésia Mendes
dos Santos (OAB-Pi nº 944/77)
- Leônidas Melo
Sobrinho (OAB-Pi nº 583/54)
- Jaime de
Oliveira Lopes (OAB-Pi nº ?)
Como a história de qualquer instituição deve se fundamentar em fatos
comprovados, junto a este texto os seguintes documentos, todos devidamente
assinados, datados e esclarecedores
sobre a criação da OAB-Subseção de Parnaíba:
- doc
nº 01: Requerimento de criação da
OAB/Parnaíba, com dezoito (18) assinaturas e data de 30.12.1979.
- doc. nº
02: Carta de 15.01.1980 subscrita pelo advogado Alcenor Rodrigues Candeira
Filho e endereçada ao dr. Reginaldo dos Santos Furtado, Presidente da
OAB/Piauí.
- doc. nº
03: Carta de 18.06.80 subscrita pelo presidente da OAB/Piauí Reginaldo dos
Santos Furtado e endereçada ao advogado Alcenor Ridrigues Candeira Filho.
- doc. nº
04: OFÍCIO OAB-PI/Nº 02/81, de 05.01.1981, assinado pelo presidente Reginaldo
dos Santos Furtado e dirigido ao advogado Alcenor Rodrigues Candeira Filho.
- doc. nº
05: CERTIDÃO expedida pela OAB/Parnaíba em 03.12.1992 e assinada pelo
presidente Marco Antônio Siqueira, certificando, dentre outras coisas, haver sido o advogado
Alcenor Rodrigues Candeira Filho "um dos que mais lutaram pela instalação
desta Subseccional de Parnaíba, subscrevendo em primeiro lugar o requerimento
de criação da mesma."
Parnaíba, 11 de fevereiro de 2016.
Alcenor
Rodrigues Candeira Filho
OAB-PI Nº 754/72
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
AS BICAS AQUANINDÉ E O VEXAME DO TREMEMBÉ
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| Canindé, Natim, Elmar e Francié |
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| Canindé, Elmar, Carlos Eduardo, Francié, Carlos Mendes e Natim |
AS BICAS
AQUANINDÉ E O VEXAME DO TREMEMBÉ
Elmar Carvalho
Não pretendia
voltar a falar no Tremembé neste Diário, uma vez que já pretendia encerrá-lo
com uma espécie de posfácio, exceto se algo digno de nota acontecesse. Feliz ou
infelizmente, o fato notável aconteceu.
Fomos passar o
período momesco em Parnaíba e na Várzea do Simão, zona rural de Buriti dos
Lopes. No domingo, com o Parnaíba cheio e, portanto, bastante convidativo a
esportes, resolvemos eu, Natim Freitas e Francié darmos um passeio de barco,
ainda cedo da manhã. Pretendíamos atingir a localidade Barra do Longá, que fica
a aproximadamente catorze quilômetros a montante. A 1.500 metros, mais ou
menos, passamos por dois pescadores, que estavam numa canoa movida a motor de
rabeta longa. Perguntamos-lhes se já tinham peixes para vender, mas eles
disseram não os ter, de modo que prosseguimos em nossa viagem.
Um pouco
depois, sem ver e sem para que, o motor estancou. Após várias tentativas, diante
da inutilidade de nossos esforços, desistimos de tentar fazê-lo funcionar. O
nosso motor de popa não fez jus, portanto, ao nome que lhe dei em homenagem aos
intrépidos Tremembés. Ainda bem que nossa viagem foi rio arriba, como diria o
poeta Da Costa e Silva, porquanto isso nos permitiu deixar a pequenina
embarcação ao sabor da correnteza. Só não ficamos à deriva porque tivemos a
precaução de levar dois remos.
Tornamos a
passar pelos pescadores. Pouco depois eles, na sua pequena canoa, nos
socorreram. Achei uma suprema humilhação o Tremembé ser rebocado por um
minúsculo motor de rabeta, e ainda por cima antigo. Demos uma gratificação aos
dois canoeiros, que ficaram satisfeitos, e demos a aventura náutica por
encerrada.
Essa ajuda foi providencial, pois a consciência me manda dizer que o
nosso preparo físico era insuficiente para vigorosos e demorados exercícios de
remos, mais adequados a uma galera romana. Como já assinalei em outra ocasião,
fiz a troca do casco inflável por um de alumínio; agora sinto, para minha
consternação financeira, que serei forçado a trocar de motor, o que só farei na
época das “vacas gordas”. Ou, quiçá, nas calendas gregas.
Fomos passar um
tempo na Toca do Velho Monge, que fica perto do “porto” (na verdade apenas uma
rampa de chão batido), quando recebemos a notícia de que o Canindé, meu amigo e
compadre, viera nos visitar, e se encontrava no Sítio Filomena à nossa espera.
De imediato seguimos ao seu encontro. Anunciei-lhe que iria dar como
“oficialmente” inauguradas as bicas que levam o seu nome. Fizemos uma espécie
de breve solenidade, em que o homenageado discursou. Ele agradeceu a singela
homenagem e falou de sua já antiga estima pela Várzea do Simão, cuja beleza
bucólica e aquática disse admirar.
Em minha fala,
justifiquei a homenagem, ao enaltecer a admiração que ele tinha pela localidade
e por seu esforço em tentar conseguir-lhe algum benefício e melhoria. Falei da
luta e esforço familiar para construirmos nosso pequeno sítio. Relatei que a
Fátima, dez anos antes de podermos construir a casa, plantara as árvores
frutíferas e ornamentais, que do alpendre víamos; que inicialmente a bica foi
apenas um cano preso a uma estaca rústica. Estiveram presentes, além do
homenageado e dos anfitriões: Carlos Mendes, Reginaldo, Carlos Eduardo
Coutinho, Francié e Natim Freitas.
Expliquei que o
nome Aquanindé fora uma invenção do amigo Zé Francisco Marques, por causa da
fissura do Canindé em tomar repetidos, refrescantes e revigorantes banhos, sejam
de água doce ou salgada, sejam de piscina ou de bica. Esclareci que “aqua” se
referia a água, e “nindé”, evidentemente, era as duas últimas sílabas do nome
Canindé. Encerrei minha incipiente oratória lendo os dizeres da placa: “BICAS
AQUANINDÉ – Homenagem ao Dr. Francisco de Canindé Correia, amigo do Sítio
Filomena e da Várzea do Simão”. E a tarde prosseguiu de forma auspiciosa.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Carta da Suécia e dos leitores
Carta da Suécia e dos leitores
José Maria Vasconcelos
Cronista,
josemaria001@hotmail.com
Crimes de lesa-pátria, corrupção epidêmica e violência assombram
brasileiros. Paira no ar a sensação de desânimo, a vontade de buscar outras
pátrias. O pior de tudo, porém, é não reagir, permanecer de boca fechada. Ou em
italiano, Bocca Chiusa (pronúncia quiusa).
A crônica POLÍTICOS SUECOS VERSUS
POLÍTICOS BRASILEIROS provocou uma série de manifestações de leitores de
diversas regiões, inclusive da Suécia. Professora Maurienne, piauiense, casada
com cidadão sueco, residindo, há dez anos, naquele país, em longo texto, mostra
aspectos da sociedade sueca. Resumi algumas passagens do e-mail de Maurienne,
bem como de outros leitores:
“Fui indagada por meu professor, aqui
na Suécia: ‘Fala-se muito de corrupção no Brasil. Você acha que há corrupção
aqui na Suécia?’ Respondi-lhe convicta: ‘Claro que sim. Há corrupção na Suécia!
Ao que ele reagiu com olhos arregalados e uma suspensão de fôlego: ‘O que você
está dizendo? Por que você acha isto?’ E retruquei: ‘O que vocês fazem aqui
ainda é elementar, solto, quase pequeno, um monstrinho de estimação. Ao passo
que, o que ocorre no Brasil, infelizmente, é orgânico, sistemático,
transmissível e vicioso, um monstro gigante engolindo a nação que o alimenta!
Triste e desapontada por ter eu mesma dito aquilo pra um sueco”.
Ademir de Castro Lima escreveu: “Vou
embora pra Pasárgada” Não ... Para a Escandinávia. Dinamarca, em pesquisa
recente, o país menos corrupto do mundo. O Brasil me envergonha muito”. Ângelo de Sousa: “Como sempre, algo pertinente
e importante para refletir, e cada um fazer sua parte, contudo, o próprio
Estado exemplifica que, infelizmente, o crime compensa”. Beto Carvalho: “Faltou
leitura deste texto na reunião do conselhão, em Brasília, realizada ontem. Bastava isto para salvar o
tempo perdido ali e se iniciar um plano de sobrevivência para o Brasil”. Maria
Dolores Teles: “Você escreveu o que está dentro da sua consciência e com o
coração mostrando o descompasso das sociedades que vivenciam situações
heterogêneas, dado o tipo de políticos que são eleitos”. Professor e doutor
Jota Carlos: “Parabéns, professor, pela excelente crônica. Contrasta com a
nossa situação, há primórdios tempos . Sirva de embasamento e lição para nós,
brasileiros, sabermos optar por escolher nossos representantes”. Aurélio Jaques, de Araripina-PE: “Bem
lembrado, professor: tapa na cara, mesmo! Tem que haver mudança, a começar pelo
voto, acredito”. Gerardo Oliveira exerceu magistratura em Brasília: “Meu filho que
reside em Stockholm, há mais de cinco anos, disse que a realidade política dos
representantes do povo, naquele país escandinavo, é realmente como informa o
nosso cronista. Faço apenas uma
ressalva: ministros e deputados federais recebem do Estado, durante o mandato,
apenas o local para morar e não recebem qualquer tipo de subsídios”. Juiz João Batista Rios: “Tripudiamos a vida
dos políticos ... Que temos feito em defesa da moralidade, ética, e "modus
vivendi" daqueles que ousam nos representar em qualquer esfera
politico-administrativa?”. Cincinato Leite (Mecejana-CE): “Você está certo: Cidadãos brasileiros
precisam extrair lições da Escandinávia
para eleger líderes patrióticos e éticos de qualquer confissão religiosa
ou partidária”.
Manifestaram-se, ainda, Marcelf
Lopes, Marcelo Aragão, Francisca Machado, jornalista Herbert Fonseca, Professor
Cassy Távora (Caucaia-Ce), Antônio Carlos Sampaio, entre dezenas de leitores
que curtiram a matéria nas redes sociais.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
(IR)REAL
(IR)REAL
Elmar Carvalho
Eu busco as
mais loucas sinestesias
em minha mente alucinada,
onde as cores aromáticas
se agregam a sons macios,
misturados com aromas térmicos.
A loucura vem do cosmo
em taças de cristal com sangue,
em aortas com água,
na alucinação total
de um homem que
se diz lúcido.
Na noite calma
um cão ladra
na solidão de
luzes irreais de
um cemitério de
cruzes partidas e
de esqueletos quebrados.
(E outro cão
responde em mim.)
De repente, eu levito
e me deixo transportar
em êxtase ao
país dos mortos-vivos
e lá eu vejo todos os mortos
e todos os vivos como simples
mortos-vivos.
Depois, eu me sinto preso
em todos os extremos do Universo
e sinto que conquistei
a liberdade cósmica,
pregado no infinito.
Pba, 24.11.77
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
No Brasil delinquentes matam por "maldade"
No Brasil delinquentes matam por
"maldade"
Cunha e Silva Filho
Leitor que por acaso me
lê, saiba que está
acontecendo em nosso país algo que
há tempos extrapolou todos os limites da paciência da sociedade.
Quero aludir à sanha de bandidos, criminosos,
assassinos – faço questão de acentuar a minha indignação empregando pelo menos estes três adjetivos disfêmicos
- que
já estão matando por mera
maldade, em atos de tamanha
violência sem precedentes em
nosso país para vergonha das nações civilizadas, o que leva o Brasil a se alinhar
quase solitário entre as
nações que mais fazem vítimas fatais, covardemente,
inocentes, crianças, jovens, adultos
idosos, enfim, os desprotegidos (porque só os facínoras no
país têm armas de fogo, (amiúde até mais do que policiais) deste país que ora vivem a tragédia do fracasso político-financeiro-moral.
No país das inversões de valores, no país em que ainda funcionam normalmente, não obstante
tantas imperfeições, os três
poderes, em que se tem uma presidente, em que se tem um Código
Penal, um número grande
de juristas do mais alto porte,
bons advogados, causa muita
espécie que nos deparemos com
tanta carnificina aqui, em todos
os estados brasileiros, sobretudo no eixo Rio-São Paulo. Esse ignominioso estado de coisas que aterroriza impunemente o
cotidiano de quem trabalha,
de quem tem seu negócio,
de quem paga
impostos, juros altíssimos, de
quem sai à rua, exige mudanças drásticas na legislação
penal brasileira, pela implantação
com urgência, ainda que por
tempo limitado, a prisão perpétua e, nos casos mais escabrosos,
a pena de morte. Não me venham
dizer que sou fascista, porque
não o sou. Fascistas são os que
deixar perpetuar essa infâmia de sociedade cercada por ladrões de todos os níveis,
sobretudo os white collars, fascistas são os que mantêm
a impunidade para milhares
de assassinos soltos,
andando livremente nas ruas do
Brasil e cometendo as piores atrocidades contra o nosso povo.
Só para ilustrar vi, num programa de
televisão bem conhecido de quem gosta
de acompanhar a sombria
realidade do crime no país, um senhor
de cinquenta e poucos anos
trabalhando no recinto de sua lanchonete. Está sozinho. De repente, entram três jovens armados, anunciam um assalto e se mostram determinados a fazer qualquer coisa má a fim de
arranjar dinheiro fácil, sendo bem provável que algum deles seja “de menor.”
O trio, com dois claramente
exibindo revólveres, entra
na lanchonete em direção àquele proprietário (ou gerente responsável).
Pela fisionomia, usam
palavrões, ameaçam, dão safanões na vítima,
pedem dinheiro, sempre
com gestos de
extrema violência sem que o moço
possa fazer nada. Empurram-no
contra a parede, e um dos meliantes
dá uma facada que vai rasgar verticalmente
do estômago até o umbigo do moço.
Em nenhum
momento o moço revidou qualquer ataque contra os vagabundos. Naturalmente exigiram
que o moço lhes mostrasse onde
estava o dinheiro da caixa registradora.
Essa cena trágica, pavorosa,
diabólica nos causa asco e imprecações contra
esses desalmados. É apenas um exemplo
de uma cena que se repete, com
algumas diferenças de níveis de selvageria, na vida
diária do brasileiro. Quando os
degenerados foram levados para a delegacia, riram
na cara do delegado pelo que
tinham feito na lanchonete. Infames!
Essa cena já se naturalizou, se banalizou
e o povo honesto, trabalhador, cumpridor de suas obrigações para com o Estado brasileiro se encontra numa enrascada. Tem que sair porque necessita
de trabalhar ou resolver algum problema
fora de casa. Mas a voz corrente se resume no que, de vez em quando, afirma desesperançada: “A gente sai, porém
não tem certeza de volta incólume para casa. Só Deus pode nos proteger.”
Ora, leitor, isso é mais do que suficiente para caracterizar um cenário preocupante
para a sociedade civil. Ressalto que há tempos venho defendendo
posições mais rígidas contra a violência
que ataca em todos os flancos, horas e lugares não só no asfalto mas nas
favelas brasileiras conhecidas pela
balas perdidas que podem vir
tanto da polícia quanto da
bandidagem.
Há quem pense sejam os programas que
desmascaram a crua violência
brasileira sensacionalistas, da imprensa marrom, que só mostram violência pura a fim de
dar altos índices de audiência. Não vejo assim e adianto mais
que a recusa de pessoas e, sobretudo, das autoridades competentes - legisladores,
a própria presidente da República, a pessoa do ministro da justiça, enfim todos os setores públicos responsáveis pela segurança nacional -, a assistirem
a esses programas me parece algo elitista e perigosamente omissa.
Assim também a recusa de todas as classes sociais com respeito ao
problema da violência só contribui
para agravar essa questão e
afundar-se na alienação e na indiferença
a um tema que diz respeito a todos nós.
Dois são os caminhos, a meu ver,
para enfrentar a violência
sedenta de vítimas diárias no
país: 1) acabar ou reduzir a impunidade,
o que vai mexer com a legislação penal; 2) reduzir por tempo
determinado a maioridade penal para, no mínimo, dezesseis anos. Isto faria com que os “de menor” muitas
vezes rapazes com altura
de homens feitos, com várias
passagens na polícia por
delitos de toda a sorte e de todos os níveis, até mesmo crimes hediondos. Neste caso,
implantar-se-ia, por tempo determinado,
a pena de prisão perpétua e a
pena de morte para os casos mais diabólicos de
crueldade, ou seja, o grupo de
bestas-feras.Todavia, os psicopatas
seriam destinados a prisões psiquiátricas. Para esses
casos, sob hipótese alguma, não
haveria brechas legais para que
se lhes abreviassem a pena a ser cumprida.
Sei o quanto são controvertidas e
complexas as questões da redução da
maioridade penal, que implica uma série
de componentes sociais, econômicos e culturais, da mesma sorte
que são altamente polêmicos
o regime de prisão perpétua e a sentença mais extrema, que é a pena de morte, sendo
que esta última envolve, além de outros fatores relevantes, a questão religiosa no país
mais católico do mundo. Ma o país é laico.
Penso que todas as considerações aqui
levemente abordadas têm que ser levadas em conta de forma urgente, porquanto a próxima vítima de criminosos
inveterados pode ser qualquer um de nós. Pode ocorrer com
nossos filhos, netos,
parentes, amigos, com
qualquer classe social. Fica,
pois, o debate em aberto e que não
seja postergado por muito tempo.
A vida não tem preço, como se diz vulgarmente.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
O MOSQUITO
O MOSQUITO
Pádua Santos – APAL, Cadeira nº
01
Há
um dito popular sertanejo que reza o seguinte: “Homem que bebe e joga; mulher
que erra uma vez; cachorro que come bode; são errados todos três”. Decorei isto
quando menino, e,se agora o relembro, é porque ficou na minha lembrança a
imagem de um fato trágico – uma triste cena do holocausto que infelizmente era
feito, à época, aos infelizes cachorros que aprendiam com as onças a mania de
comer bodes.
Foi na minha fazenda São Pedro da
Boa Sorte, mais conhecida por Alto dos Borges, localizada no município de
Caxingó, onde presenciei a aplicação desta draconiana e consuetudinária lei. E
lembro bem que na hora da execução, como se tratava de uma cadela simpática e
querida pelos moradores da localidade, tornou-se difícil a escolha do carrasco.
Mas o certo é que ela foi executada, e quem teve a coragem de aceitar friamente
o posto de algoz foi um elemento que pouco se sabia do seu nome, posto ser
conhecido apenas e simplesmente pela alcunha de “Mosquito”. Vê-se, portanto,
que ali naquela margem do Rio Longá, foi o “mosquito”o grande temor dos
cachorros delinquentes.
Mas
não se atribua somente aos cachorros tal temeridade. É atualmente de igual
modo aterrorizante o famoso mosquito “Aedes Agegyti” - o transmissor da Dengue, da
febre “Chikungunya” e do danoso vírus “Zica”- malvado pernilongo voador que
desde os anos cinquenta judia com as pessoas e, como se não bastasse, aparece
agora com a novidade de fazer com que as crianças venham ao mundo com
microcefalia. É ele atualmente a maior preocupação da saúde de vários países, por
ser o animal que mais provoca temor às mulheres, principalmente naquelas que se
encontram em estado interessante.
Por
outro lado, nem tudo é novidade. Já faz muito tempo que os mosquitos perseguem
os homens. O sempre festejado escritor Humberto de Campos, no seu excelente
livro de crônicas intitulado Lagartas e Libélulas, dá conta de que em prisca
era, mais precisamente no apogeu das grandiosas conquistas romanas, quando
triunfava a bravura do regime dos Césares, o glorioso Imperador Tito Flávio
Vespasiano Augusto morreu repentinamente por força de um insignificante
mosquito que penetrou em suas narinas.
Desse
modo, podemos conjeturar com larga margem de acerto:o aparentemente
mesquinho mosquito que vem atualmente, na sua qualidade de vetor biológico, preocupando
governos, provocando febres, dores, coceiras, conjuntivites, dengues e
microcefalia,pode muito bem ter sido o mesmo minúsculo inseto que no passado
remoto foi causador de considerável baixa no incontrastável Império Romano.
Eita bicho desalmado! O que tem de pequeno tem de perigoso.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
ANIVERSÁRIO DO HOMEM MAIS VELHO DE AMARANTE – 108 ANOS
ANIVERSÁRIO DO HOMEM MAIS VELHO DE AMARANTE – 108 ANOS
Luís Alberto Soares (Bebeto)
HOJE (02) é o aniversário do homem mais
velho de Amarante. Trata-se de JOSÉ PEREIRA DOS SANTOS, mais conhecido por LUIZ
BEZERRA, nasceu no dia 02-02- 1908 em Angical do Piauí e há mais de 90 anos
residindo em Amarante, onde morou por longos anos nas comunidades Poço D’anta e
Bonito há poucos km do Centro. Passou uns três anos com seu filho, Francisco, o
popular Tutê, em Brasília (DF). Atualmente morando no bairro Balão (Amarante)
ao lado de sua neta, Maria Francisca da Costa e Silva, sua procuradora.
O Senhor LUIZ BEZERRA ainda se dispõe
de muita lucidez e vigor físico impressionante; visão razoável e boa audição.
Gosta de passear, da música, assistir televisão, ouvir rádio e de saboreia umas
cachaças. Caminha constantemente pela cidade e, às vezes, sozinho para tratar
de negócio e, ainda anda de motocicleta como carona. Sua Neta, Maria, diz que
nas andanças de seu avô, teme motociclistas irresponsáveis. Quem o conhece
sabe, o secular LUÍS BEZERRA trata-se ainda de uma pessoa distinta e comunicativa.
LUIZ BEZERRA trabalhou longos anos na
agricultura, onde se aposentou. Ele conta detalhadamente vários acontecimentos
históricos de Amarante e do Brasil. Casou-se com Maria do Nascimento Santos,
falecida há longos anos. Do matrimônio, quatro filhos: Neusa, Orlinda,
Francisco (Tutê) e Antonio (falecido). Formando vários netos, bisnetos e
tetranetos.
Vale
esclarecer que o Senhor LUIZ BEZERRA foi passar uns dias na casa de um de seus
irmãos em Presidente Dutra – Maranhão.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Mensagem de Fonseca Neto sobre Retrato de meu pai
Na manhã de sábado (30.01.2016), entreguei ao amigo Fonseca Neto, na Academia Piauiense de Letras, o livrinho Retrato de meu pai. Já às cinco da tarde do mesmo dia dele recebi o seguinte e-mail, que desejo compartilhar com os leitores do blog:
"Boa tarde, poeta,
acabo de degustar o retrato do Miguel que vc elaborou, ponto
a ponto, com linhas cordiais, qual nervuras que querem ser razão mas sucumbem à
emoção. Li tudo de um fôlego, exceto o q disseram os netos... O farei mais
tarde.. Bela sua escritura, tão necessária neste tempo ainda mais fugidio que
todo tempo. Do pai, da mãe, irmãos, amigos; lugares e lugares dos cotidianos
reinventados pela mão literária, nada dócil ao rebuço... "Beatitude"!
Que belo emprego desse vocábulo....Valeu poeta, minha elmarina admiração, que
já é enorme, não sei como consegue crescer, mas cresce enormemente. Salve
Miguel, espadas arcanjas para dobrar 90 esquinas do tempo datado.
Ainda é janeiro, parabéns Miguel; ainda é e será poesia,
parabéns atencioso amigo Elmar. Estendo cumprimentos à Fátima, do bom Buriti, q
acho tão discreta... Um abraço, Fonseca Neto (ouvindo o tamborilar de um Corso
passando aqui por perto rsrsrs)."
Valeu, mestre Fonseca, muito obrigado!
domingo, 31 de janeiro de 2016
Seleta Piauiense - Nogueira Tapety
Quos Ego
Nogueira Tapety (1890 - 1918)
Nunca direi que te amo — esta
expressão
É muito fraca para traduzir
Esse mundo infinito de afeição
Que de dentro do meu ser anda a
florir ...
O que sinto é quase uma adoração,
Um desejo infinito de fundir
Nossos dois corações num coração
E as nossas almas numa só reunir;
É ânsia de ligar, de amalgamar
As nossas vidas que o destino
afasta
E que o próprio destino há de
juntar;
Uma afeição consciente e
excepcional
Que é humana demais para ser
casta
E demais pura
para ser carnaval.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Políticos suecos versus políticos brasileiros
Políticos suecos versus políticos brasileiros
José Maria Vasconcelos
Cronista,
josemaria001@hotmail.com
Imagine viver em um país, onde políticos ganham pouco, andam
de ônibus ou bicicleta, ocupam residência oficial de apenas 18 metros
quadrados, dormem em poltrona, que serve, também, de cama. Lavam e engomam a
roupa em lavanderia coletiva, cozinham a própria comida e são tratados de você.
Não se trata de utopia, mas do cotidiano da cultura sueca, vigilante e
cobradora. Os raros presos trabalham, estudam e não vivem entre grades. Filho
de magnata estuda com os do lixeiro em escolas públicas. Vereadores sem direito
a salário e secretária. Nenhuma autoridade, nem mesmo o rei, goza de regalias
que cidadãos comuns não recebem.
Suécia e toda a Escandinávia (Noruega, Finlândia,
extensivamente, Dinamarca e Islândia) formam o paradoxo da cultura brasileira,
acostumada a levar vantagem com dinheiro público, tripudiando cidadãos.
Como explicar tanto desenvolvimento, nações que enfrentaram
séculos de guerras e assassinatos, disputas religiosas, geográficas e políticas
no passado? A metamorfose começou, praticamente, há algumas décadas, depois da
conciliação entre católicos e luteranos. Adotaram paradigmas cristãos de
responsabilidade, honestidade, civismo, a partir da escola. Implantaram a
social democracia, em vez do capitalismo exacerbado. Severidade na aplicação e
administração dos recursos públicos. Punição implacável a corruptos. Pesada
tributação, que achata grandes fortunas, mas resulta em excelentes serviços
públicos de encantar a concorrência privada.
A Escandinávia, em décadas de educação moral e cívica,
desfruta da melhor qualidade de vida do mundo, graças, também, a missionários
alemães, especialmente evangélicos, em passado remoto.
Cláudia Wallin, jornalista brasileira radicada na Suécia,
registrou conversas com deputados e a população. Em seu livro, UM PAÍS SEM
EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS, descreve a conduta franciscana dos políticos, que
desconhecem tratamento de EXCELÊNCIA, não aumentam o próprio salário e não
entram na política para enriquecer. O livro serve de tabefe nas caras de pau
que assaltam a nossa dignidade nacional.
Cidadãos precisam extrair lições da Escandinávia para eleger líderes patrióticos e éticos de
qualquer confissão religiosa ou partidária. O ensino obrigatório de moral e
civismo deve retornar às salas de aula. Falta muito nos libertarmos do jeitinho
brasileiro de levar na malandragem a coisa pública. Por enquanto, só aprendemos
a conviver com a Síndrome de Estocolmo:
exaltar e eleger nossos corruptos, com a paixão de bela sequestrada pelo
sequestrador.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
SONHOS
28 de janeiro Diário Incontínuo
SONHOS
Elmar Carvalho
Ainda em minha
meninice, ouvia minha mãe dizer que os seus sonhos, quase sempre, lembravam
coisas que já tinham acontecido, ou se assemelhavam a fatos que iriam
acontecer. Os meus, além dos que se referem a outros conteúdos e cenários,
também se assemelham a fatos que já presenciei ou que acontecerão em futuro
próximo. Advirto, contudo, que não se trata de profecia (minhas pretensões não
chegam a tanto), uma vez que os sonhos apenas guardam semelhança, em maior ou
menor grau, com esses episódios futuros. Saliento que quase todos os meus
sonhos, por mais verossímeis que sejam, apresentam algum aspecto extravagante,
surpreendente ou insólito. Aliás, essas nuanças, tipicamente oníricas, foram
aproveitadas pelo surrealismo, seja na pintura, seja na literatura.
É sabido que
algumas pessoas ganham a vida como reveladores de sonhos. Aliás, há vários
livros sobre esse tipo de interpretação. Freud e Jung utilizavam-se dos sonhos
de seus pacientes em suas terapias. O primeiro é autor de um livro sobre esse
assunto. Apregoam vários profissionais da psicologia e da psiquiatria que
muitos sonhos revelam desejos ocultos da pessoa que os sonhou. De minha parte,
apesar de ser um leigo, defendo que nem sempre, porquanto alguns podem ser
catarse ou “exorcismos” do que não se deseja. Contudo, ao menos em potência,
parecem advertir de que poderíamos ser ou fazer o que somos ou fazemos em
nossos pesadelos. Um pouco de humildade, pois, não nos fará mal nenhum. Existem
ainda os que acreditam que durante os sonhos a alma do sonhador viaja para
outros lugares ou outras dimensões.
A interpretação
de sonhos, talvez para evitar abusos, pelo menos no tocante a previsões, foi
proibida pela Bíblia (Deuteronômio, 18:9-12), sendo esses pretensos profetas nivelados
a magos, feiticeiros e necromantes. Todavia, na Bíblia há várias passagens em
que Deus ou anjos falavam com os homens através de sonhos, dando-lhes avisos e
orientações importantes. O profeta Daniel ganhou prestígio perante o rei
babilônico Nabucodonosor, ao lhe revelar enigmático sonho, cheio de predições,
e José adquiriu poder junto ao faraó quando lhe interpretou sonhos, de modo a
permitir um adequado planejamento governamental durante as adversidades que
viriam.
No livro Deus
não está morto: evidências científicas da existência divina (ebook), de Amit
Goswami, retiro a seguinte citação, da autoria dos biólogos Francis Crick e
Graeme Mitchison (1983): “Sonhamos a fim de esquecer.” Mais tarde, em 1986,
estes dois autores mitigaram esta afirmação, ao dizerem que “sonhamos para
reduzir as fantasias e obsessões”. Por isso eles aduzem que talvez lembrar os
sonhos não devesse ser estimulado, uma vez que se trata de “padrões que o
organismo estava tentando esquecer”.
Durante algum
tempo, quando morei em remota comarca, pensei em escrever um livro baseado em
meus sonhos. Acabei desistindo da empreitada por várias razões. Muitas vezes
não recordava de nenhum sonho. Outras, a lembrança era muito vaga, e depois eu
terminava por esquecer completamente do que havia sonhado. Se eu fosse anotar o
sonho, poderia perder o sono, o que não achava conveniente. Por outra parte,
muitos eram excessivamente plásticos, visuais, podendo ser bom para um filme,
videoclipe ou pintura, mas não para a arte literária, porquanto exigiria
demasiada descrição. Entretanto, alguns contos e poemas extraí de sonhos que
tive.
Décadas atrás,
na petulância bisonha de minha juventude, escrevi o poema Deus, Deuses e o
Nada, em que, pretensiosamente tentando provar a existência de Deus, bradei:
“Num blefe descomunal / poderia até afirmar / que esta realidade não existe. /
Que tudo não passa do sonho / de um deus e que esse / deus sou eu.” No referido
livro de Amit Goswami, em que ele pretende provar a existência divina, através
da física quântica e de outras evidências, está posto que os místicos concordam
em que os sonhos “são criação do ‘pequeno eu’, e a vida em vigília é o sonho do
‘grande sonhador’ – Deus – dentro de nós”.
“Tenho em mim
todos os sonhos do mundo”, disse Fernando Pessoa. De certa forma isso
corresponderia ao sonho de ser um deus, pois somente Deus poderia ter todos os
sonhos do mundo. Também esse imenso poeta disse que o mito é o nada que é tudo.
Na verdade o mito é como se fosse o sonho acordado do homem, porquanto é fruto
exclusivo de sua imaginação, e muitos desses mitos são deuses imaginários ou
fictícios.
Ainda sobre
sonho cantou o mesmo poeta: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.” Deste
último verso pessoano podemos depreender que tudo nasce ou se concretiza do desejo,
do pensamento ou do sonho, seja de Deus ou do homem. Do grande vate português,
na temática de sonhos, vale a pena ler ou reler o extraordinário poema Eros e
Psique, no qual o sonhador se converte no sujeito sonhado (ou vice-versa),
cujos versos finais transcrevo: “Ergue a mão, e encontra hera, / E vê que ele
mesmo era / A Princesa que dormia.”
Em assunto tão
controverso e subjetivo, lembro a música Prelúdio, na qual Raul Seixas entoa em
refrão: “Sonho que se sonha só / É só um sonho que se sonha só / Mas sonho que
se sonha junto é realidade.” Por fim, pergunto: mas será se um sonho que se
sonha só é apenas um sonho, ou um sonho será sempre algo mais do que um simples
sonho?
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Passageiro clandestino
Passageiro clandestino
José Pedro Araújo
Romancista, cronista e contista
Três da tarde, tempo quente,
inverno findando, descíamos a pé a inclinada ladeira do Alto da Balança no
sentido da cidade. Voltávamos para casa depois de matar a sede dos animais
retidos na quinta localizada depois do rio Preguiça, obrigação de quase todos
os dias. Foi ai que avistamos o carro que acabava de passar o Riachinho e se
encaminhava sacolejando ao nosso encontro. Era um daqueles caminhões
boiadeiros, com grades bem altas, e sobre elas vários homens que se seguravam
como podiam, dificuldade aumentada pelos constantes solavancos que o veículo
emitia ao rolar pela pista esburacada. Atrás de si, uma nuvem de poeira
vermelha o acompanhava como uma fiel seguidora, evoluindo e se dispersando ao
sabor do vento morno.
Ao passar por nós, em começo da
ladeira íngreme, o carro diminuiu a marcha e o motor agitou-se agoniado,
fazendo força para superar a forte subida. Em meio à poeira que ia ficando para
trás, ouvi uma voz chamando pelo meu nome. Era o Zé Pretinho. Mulato simpático
e muito amigo das crianças que residiam nas proximidades da casa em que
morávamos na Rua Grande. Encarapitado lá no alto das grades do caminhão, agora
em marcha cada vez mais lenta, ele acenava para mim.
Joguei o cabresto que trazia
comigo para o meu companheiro e corri em direção ao carro. Havia acabado de
decidir me juntar ao grupo que se segurava como podia nas elevadas grades. Ia
fazer um passeio de carro. Atrás de mim o colega começou a gritar pedindo que
não fosse em frente. Nem me dei ao trabalho
de justificar o meu ato, precisava aproveitar que o caminhão ainda estava
próximo.
Subi sem muitas dificuldades e,
logo, me encontrava do lado do Zé Pretinho. Perguntei-lhe para aonde iam. Ele
me respondeu que iam apanhar algumas cabeças de gado numa fazenda um pouco
distante. Dei de ombros e me acomodei no poleiro; não importava para onde
estávamos indo, contanto que voltássemos logo. Além do mais, estava gostando
daquela aventura que estava só no começo e que, como veremos logo à frente, me
traria muitos dissabores.
A fazenda, diferentemente do que
afirmara o Zé Pretinho, não ficava muito próximo. De onde apanhei o caminhão
até lá ainda levou uns bons dez minutos para vencermos a distância. Ficava
quase nos Poços, região belíssima e de terras muito férteis. Mas, acabou aí a
beleza da minha aventura. Dali para frente as situações foram se encadeando no
sentido de me trazer dissabores. Para começar, não havia embarcadouro por lá.
Foi necessário cavar um buraco no chão para que o caminhão pudesse penetrar
nele e o para que o gado a ser embarcado tivesse acesso à carroceria. Isso
demorou muito tempo. Pelo nervosismo demonstrado pelo motorista vi que aquele
serviço não estaria completado antes da noite chegar. Ai quem ficou nervoso fui
eu.
Cava daqui, discute dali, vi que
a tal rampa estava demorando demais para ficar pronta, apesar do terreno ainda
está um pouco úmido. A ferramenta utilizada para escavar o chão também não era
muito apropriada, e por isso demorou tanto para aquilo ficar do jeito que o motorista
achava que estava legal. Trabalho enfim concluído, ai começaria outro
trabalhão: o gado não se mostrava muito satisfeito com a possibilidade de
entrar naquela carroceria, e os homens encarregados de conduzi-los até lá
pareciam pouco afeitos à tarefa.
A minha preocupação somente
aumentava com o passar das horas e com a possibilidade da chegada da escuridão.
Finalmente deram por completada a empreitada e começaram a arrumação para a
partida. Já era quase noite quando terminaram de colocar o gado sobre o
caminhão. Agora parecia que tudo havia terminado. Era só acionar a chave no
contato e colocar o bicho para funcionar. Até ai, tarefa cumprida: o motor
pegou que foi uma beleza. Nesse momento, meu coração já começava a aquietar-se,
pois, mesmo chegando já noite em casa, não deveria ser muito tarde, e talvez
conseguisse me safar bem.
Mas qual! Ninguém havia contado
com um problema a mais: a carga embarcada ficou muito pesada, e isto fez com
que o caminhão começasse a afundar no terreno ainda um pouco molhado logo que o
motorista deu a partida. Patina daqui, afunda dali, logo vimos que daquele
jeito não conseguiríamos jamais sair dali. E como sair daquele imbróglio, foi
motivo de grande discursão. Cada um queria dar uma ideia mais estapafúrdia. Até
que decidiram aliviar a carga. Aliviar a carga significava retirar algumas
reses e colocá-la de volta no curral. Aliviar a carga também significava
demanda de tempo.
Nesse momento, meus nervos já
estavam em pandarecos. Agora a coisa estava complicada. Era certo que não
chegaria em casa tão cedo. E como ninguém sabia por onde eu andava, imaginei
como deveria estar os meus familiares, e como seria a minha recepção na volta.
Retiraram a metade da carga. Os
animais até facilitaram. Tudo, desde que saíssem daquele aperto. E com isso, já
era possível fazer-se uma nova tentativa. Dessa vez foi o caminhão que se negou
a colaborar. Parecia que a bateria tinha descarregado. Porca miséria! Meu
desespero chegou ao ápice.
O motorista desceu do carro
irritadíssimo, e começou a lançar impropérios para todos os lados. E não tendo
outra coisa a fazer, pois na situação em que o veículo estava, era impossível
empurrá-lo, voltou para a boleia e mais uma vez deu com a chave no contato.
Alvíssaras! Não é que o estúpido pegou! E meu herói do dia conseguiu fazer com
que o bichão saísse do buraco de uma só tentativa. Gritos de alegria, palmas,
assobios, era certo que ninguém queria passar a noite por ali. Eu, mais que
todos.
Mas, ai alguém se lembrou de
perguntar como iriamos embarcar o restante da carga retirada. Para isso não
encontraram respostas. E o motorista resolveu demonstrar a sua autoridade: não
levaria mais do que a carga que já estava embarcada. Pronto. E assim fez. Todos
a bordo, enfim!
Ai um desgraçado olhou para mim
quando subia na carroceria e falou que eu não poderia ir com eles. Não tinha
nada a fazer ali, nem havia ajudado em nada! Meu desespero foi ao limite.
Aquele infeliz estava se arvorando de dono de uma coisa na qual ele não tinha
outra relação a não ser a de ajudante. Mas o Zé Pretinho me salvou daquela
situação. Disse que eu havia ido com ele e que ninguém me impediria de retornar
com ele também. O imbecil ainda tentou argumentar, mas foi contido pelo meu
amigo ao preço de uma cara fechada, de poucos amigos. Pronto, subi nas grades e
me arrumei para partir.
A noite estava muito escura,
daquele tipo no qual é impossível se divisar algo a dois metros de nós. Mas, o
motorista ligou os faróis, acelerou e foi encurtando a distância para a minha
casa. Ou mais precisamente, aumentado a proximidade do meu ajuste de contas com
meus pais.
Dai a poucos instantes chegamos
perto da travessia do rio Preguiça. Precisávamos passar por uma ponte de
madeira, velha e carcomida pelo tempo. E isso era também motivo para
preocupação de alguns dos que ali estavam. No presente caso, como diz a Lei de
Murphy, “qualquer coisa que possa correr mal, ocorrerá mal, no pior momento
possível”. Não chegamos a subir na ponte. O caminhão atolou logo na sua
cabeceira. E atolou até o eixo naquele massapé que não deixa dúvidas para
ninguém: dali para frente somente um trator resolveria o caso.
Não era o meu dia! Resolvemos
completar o trajeto a pé. E fomos, rompendo aquela escuridão tremenda, do tipo
que se diz de “meter o dedo no próprio olho”. Já havíamos andado alguns minutos
quando eu ouvi uma voz conhecida perguntando se eu não estaria naquele grupo. A
voz era de um tio meu. Haviam, finalmente, lembrado de perguntar ao rapaz que
me acompanhava quando fomos dar de beber aos animais, conforme mencionei no início
deste texto, o que ele sabia sobre o meu sumiço. E ele falou que eu havia
embarcado em um caminhão ainda no Alto da Balança. Aquele tio meu foi destacado
para investigar o caso e terminou por descobrir que o transporte tinha ido
apanhar um gado na fazenda do Senhor Raimundo Claro. Foi como ele me encontrou.
Vou parar por aqui. O texto já
está muito longo e eu não vou matar a curiosidade de ninguém. Sei que tem muita
gente querendo saber o resultado dessa história. Como foi dolorosa demais para
mim, não vou atender a ninguém. Imagina!
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