quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Entre o "diário perdido" e a recuperação pela memória




Entre o "diário perdido" e a recuperação pela memória

 Cunha e Silva Filho

              As memórias  são construídas entre o perdido  e relembrado. Ao escrever suas memórias o autor muitas vezes lamenta consigo mesmo porque não havia feito a cronologia dos principais lances de sua  própria  história. Ah, se tivesse  escrito  aqueles lances que tanta significação  teriam no futuro! As memórias, assim, perdem momentos iluminados do ser diante da passagem da vida.  Incidentes que não deveriam ser  apagados mas escritos na velha forma de diários, de um  diário  que  anotasse, ao longo da vida, nomes, paisagens, diálogos, pensamentos, confissões,  divagações sobre as artes, o ser humano, a  existência, aqueles  bons ou maus instantes do pretérito.
            Só na ficção poder-se-ia recapturar todo esse novelo de fatos através da manipulação livre  através do recursos narrativos das anacronias ou  meramente  pela cronologia  tradicional.  As memórias sobrevivem de perdas e de esquecimentos voluntários ou  inconscientes.
            Aquele encontro com a primeira namorada,  com um grande amigo,  com um professor  que nos encantou,  com  as inúmeras conversas com nossos pais. Quantas coisas  perdidas para sempre  que não podem mais  ser socorridas  pela  capacidade  limitada da retentiva! Que  pena! Perderam-se,  desta forma,  talvez os melhores pedaços  de nossas vidas na infância,  na adolescência,  na vida adulta. O que ficou  foi a súmula incompleta de retalhos do passado. Por essa razão, as memórias são apenas  uma parte que nos vem à tona de forma  involuntária ou  porque forçamos a barra  para que  fatos acontecidos,  diálogos, incidentes e acidentes possam vir  ao presente.
       As memórias não são  apenas  relatos  lembrados, mas  reconstruções  do passado  pela linguagem que,  muitas vezes,  as ficcionaliza a fim  de  preencher os gaps, as ausências,  as impossibilidades  amnésicas.
      A essas impossibilidades  de recuperação do  tempo perdido chamaria de "diário  perdido". Todo ser humano  tem em  potencial  esse "diário  perdido". Seria possível escrever-se  um  tipo de  cronologia  dessa natureza? Creio que não. Mesmo porque quando somos tão  crianças  ainda não estamos   preparados  para botar no papel o que nos aconteceu  há cinquenta anos, por exemplo.  Mas, quanto lamentamos  a perda  do tempo  que vivemos, sobretudo os melhores  dias  de nossas   vidas: a infância e a adolescência. Contudo,  é claro que  esse "diário perdido" levaria o narrador quase a uma reprodução  mais abrangente dos fatos  passados. Já imaginaram um romance  que pudesse  ter acesso a esse  "diário perdido"?
       O mesmo se dá com  as fotos  que não tiraram de nós quando pequeninos. Eu mesmo nunca saberei  como  foi a minha  fisionomia  de bebê, com três anos,  com  sete anos, em foto em    que aparecesse  os meus pais  junto de mim . Hoje em dia,  que profusão de fotos possuem  os novos  pais com a facilidade  permitida  pelos celulares,  pela   internet. As crianças de hoje  não terão, na sua maioria,  esse problema  de  lamentar  as imagens perdidas, nunca  gravadas pelas  câmeras dos celulares,  tabletes etc.
      Vivemos a época mais intensa das imagens  de nossos corpos, de paisagens, de  eventos, de closes  e  ainda mais  de  filmagens  de tudo e de todos.   Tudo se grava,  tudo  se fotografa. É o reinado do vídeo. Além de o vídeo   nos mostrar a imagem,  ainda  nos permite ouvir a  voz de todos que nele   aparecem.
      Ora, todas essas novidades virtuais serão úteis aos memorialistas do futuro,  que lidarão cm  novos  instrumentos  de recuperação  de  fatos de sua  história pessoal ou coletiva.  Quem sabe, as memórias do futuro serão apenas em parte  faladas,  em  parte  vistas.
      Mas, o que me traz a este artigo são as memórias à moda antiga, aquelas cultivadas por escritores, me limitando apenas aos nossos, Joaquim Nabuco,  Humberto de Campos, Gilberto Amado,  Graciliano Ramos,  Álvaro Moreira, Érico Veríssimo.
      No Piauí, já contamos com um bom número de livros de memórias ou que se assemelham a estas, ou mesmo  se  incluiriam em memórias ficcionais. Já formaria  assim um corpus de matéria memorialística para pesquisadores. Quem se aventura?
      Só para citar os autores que me chegaram ao conhecimento: Eleazar Moura (Amarante antigo – alguns homens e fatos; Nasi Castro (Amarante – um pouco da  história e da vida da cidade, Amarante – folclore e memória; Cunha e Silva (Copa e cozinha);Homero Castelo Branco (Ecos de Amarante); Celso  Barros Coelho (Tempo de memória); Olemar de Souza Castro (Minhas duas pátrias, Sob o sol  poente); Assis  Fortes (Memórias de mim, histórias dos outros); Francisco Miguel de Moura (O menino quase perdido); William  Palha  Dias (Memorial de um  obstinado); José Ribamar  Garcia (E depois, o trem); Jesualdo  Cavalcanti Barros (Tempo de contar); Elmar Carvalho (Confissões de um juiz);Geraldo Almeida Borges (Província submersa – crônicas Teresinenses (século XX).

     Na impossibilidade deste tão ansiado "diário perdido",  os autores, todavia,   não abdicam  de seu direito de recordar o que de outra forma seria para sempre  sepultado como matéria  rememorativa, perdendo com isso  grandes relatos   de escritores  sobre si e sua época. Sem obras dessa natureza, empobreceria também, no seu  conjunto, a história literária  brasileira.   

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Um exímio contador de histórias

Pastor José Pedro Araújo, pai do cronista

Um exímio contador de histórias

José Pedro Araújo
Romancista, cronista e historiador

Sou de uma geração que muito preza as histórias contadas nas calçadas em noites de lua cheia. Entretanto, sou péssimo depositário de uma grande parte das mais belas que ouvi com tamanho encantamento. A minha memória ainda resiste e não se esquece do prazer que sentia ao ouvi-las, mas deixou que se perdesse o conteúdo delas. Quanto a minha alma, por outro lado, agasalhou com o cuidado de um banqueiro avarento o guião de cada uma delas e não revela nem mesmo para mim.

Assim mesmo, ou por isso mesmo, sou escravo delas. Divirto-me apenas com as lembranças desses momentos como se visitasse um ambiente de locação de um filme, mesmo sem saber o seu roteiro. Sei apenas que o tema era belíssimo e que a história, apesar de bem guardada no meu intimo, não consigo recordar.

Meu pai era diferente. Tinha uma memória fantástica para armazenar informações que ouvia ou fatos que presenciava. Coisa de bom matemático que ele era, que nunca se esquecia das fórmulas necessárias para a resolução dos problemas. Por conta disso, tinha a memória perfeitamente fresca e arejada para armazenar novas informações. Se vivo estivesse, faria agora dia 17 de fevereiro oitenta e nove anos.

E uma vez caída na sua memória, jamais se apagava. Essa capacidade de reter as histórias que ouvira na sua meninice ou que lera em algum folhetim usava também com maestria para nos reter em casa, nas noites escuras do meu Curador. Para evitar que fôssemos brincar com as outras crianças nas vielas de puro breu, ele arrumava os travesseiros da sua cama como encosto e desfiava uma série ininterrupta de belas estórias de Trancoso sem repetir uma única vez qualquer delas. Enquanto isso, deitávamos em torno dele sem perder uma palavra do que dizia, até que adormecíamos um por um. E ele considerava sua missão concluída quando nos colocava nas nossas redes para acordarmos somente no dia seguinte.

Exímio contador de narrativas fantásticas, sua vida também daria um belo compêndio de histórias. Histórias verdadeiras, cheias de atos folhetinescos e hiláricos, gostosamente contadas por ele, e também atestadas por testemunhas de ilibada e incontestável estofo moral.

Acredito mesmo que os poucos leitores das crônicas que escrevo aqui nesse blog, também devem está lembrando algo parecido enquanto passa os olhos por essas singelas linhas. Pais, na acepção da palavra, são todos iguais. Exortam, admoestam, e até mesmo desferem alguns cascudos quando o mau comportamento dos filhos extravasa. Mas termina o dia sempre da mesma forma também: com a filharada em sua volta para ouvi-los contar belas histórias, fictícias ou não.

            Uma dessas histórias que muito me causava admiração aconteceu quando ele, ainda jovem, pouco depois de atingir a maioridade, sentou praça na Policia Militar do Maranhão. Nessa época, o estado passava por uma grave crise politica e institucional em decorrência do descontentamento causado pelo resultado das últimas eleições para governador do estado.

A história: quando foi anunciado como eleito naquele pleito majoritário o empresário Eugênio Barros, incontinente, as Oposições Coligadas reclamaram de fraude nas apurações e conclamaram a população de São Luís a sair às ruas para impedir a continuação do mandato do governador que rapidamente havia sido empossado no cargo maior do Estado. Ao cabo de uma semana a revolta já estava instalada em toda a cidade, culminando com algumas ações de violência explicita que desaguaram na depredação das casas do Desembargador Henrique Costa Fernandes e do Juiz Rui Morais. Estes dois magistrados haviam tido atuação decisiva no resultado do pleito, pelo que consta. Algumas casas de populares também foram queimadas e a culpa pelo acontecido foi jogada para um e outro lado, acirrando ainda mais a disputa que tomava contornos de tragédia.

O palanque das oposições estava armado em plena Praça João Lisboa, a poucos quarteirões do palácio do governo, ao tempo que alguns oposicionistas armados haviam se entrincheirado, a princípio, na igreja da Sé, defronte à sede do governo. A história da revolta encontra-se registrada nos anais da politica maranhense, mas, a que desejo contar foi vivida por meu pai e relata uma passagem engraçada daquele instante em contraponto ao momento de profunda incompreensão que se vivia naqueles tempos de extrema violência.

Instalado no Palácio dos Leões, sede do governo do estado, Eugênio Barros determinou que se fizesse um reforço na guarnição que lhe dava proteção. Temia pela sua própria vida. O comandante buscou no destacamento da capital alguns homens de porte físico avantajado e munidos de reconhecida coragem para enfrentar a população conflagrada que ameaçava invadir o palácio a qualquer instante. Foi nessa ocasião que meu pai foi destacado para servir na guarda palaciana. E mesmo entre esses homens destemidos, havia certo receio de se ficar de sentinela na guarita instalada no portão lateral do palácio, cidadela mais avançada e mais propensa a um ataque. De fato, algumas escaramuças sempre ocorriam principalmente no final da tarde, quando alguns oposicionistas faziam incontáveis disparos de arma de fogo em direção ao palácio, acobertados pela penumbra que começava a cobrir a cidade nessas horas e protegidos pelas espessas portas da catedral.

Certo dia estava meu pai como sentinela mais avançada na famigerada guarita, quando um velho cabo da guarda palaciana se aproximou dele e indagou como estavam as coisas. A pergunta fazia sentido porque estava se aproximando a hora em que se realizavam os costumeiros disparos em direção à sede do governo. O cabo não era reconhecido pelos companheiros de farda como um homem de muita coragem. Além disso, era motivo de chacota em razão de um defeito de nascença que fazia com que seus pés se voltassem para dentro, conhecidos entre nós como tesourinha. Claudicante, o velho militar passou em frente à sentinela e continuou se movendo lenta e receosamente rumo à calçada. Nesse momento, meu pai, a sentinela, esquecendo todas as normas militares que exigem respeito ao superior hierárquico, soltou um grito de alarme: “cuidado, cabo! Os homens vão começar o ataque!”. O pobre homem tentou voltar para a segurança do palácio, mas as pernas lhe faltaram e ele caiu sentado ao chão. E como os membros inferiores não atendessem ao comando do cérebro, voltou engatinhando para dentro. A gargalhada foi geral. Humilhado, o cabo apelou para a sua autoridade e disse que ia denunciar o soldado Araújo aos seus superiores. No que o transgressor lhe respondeu: “denunciar como, Pé-de-porco, se tu não sabes escrever”? O apelido, empregado em razão do seu caminhar bamboleante, deixava o pobre homem ainda mais injuriado. Mas, a verdade sobre o seu analfabetismo o deixava mais propenso ainda à gaiatice dos colegas. E por essa razão, não conseguia formular nenhuma denúncia contra os subordinados que estavam sempre a tirarem brincadeiras com ele. Ao concluir a história, sempre se dizia arrependido de ter assim procedido com uma pessoa que nunca lhe havia feito mal. E que contava aquilo como exemplo de como não se deve proceder com as pessoas portadoras de deficiências que elas não tinham culpa de possuir.

Outra história que gostava de contar teria ocorrido quando ele já se encontrava destacado no novo município de Presidente Dutra. Naqueles tempos, a má fama sobre a violência que imperava na cidade já havia chegado à capital, São Luís. E era tamanha, que fazia com que poucos policiais se aventurassem a servir na cidade, mesmo a despeito de receberem um aditivo ao soldo para prestar serviço na região do Japão, como era conhecida. Animado pelo incremento no salário e estimulado pela notícia de boas oportunidades na região que começava a se desenvolver com certa rapidez, o soldado Araújo veio prestar os seus serviços na longínqua cidade de Presidente Dutra. E, de fato, não encontrou vida fácil no município. Apesar do seu tamanho diminuto, a cidade não parava de produzir novos fatos que serviam para aumentar ainda mais a sua fama de terra violenta. Naquele tempo, a ingerência politica era também um dos principais problemas com o qual a polícia tinha que conviver, talvez mais ainda do que a que se observa hoje em dia.

Certo dia, o soldado foi chamado para atender a uma ocorrência. Certo cidadão havia chegado embriagado em casa e promovera bárbaro espancamento na sua pobre esposa. Não era a primeira vez que isso ocorria e nem a primeira em que a polícia era chamada para impedir a continuação do grave delito. O problema era que o sujeito, useiro e vezeiro em grave atentado à vida da pobre mulher, sempre recebia a proteção do maior líder politico local e em poucas horas já estava na rua novamente. E sabendo-se acobertado pela autoridade que lhe esquentava as costas, o homem já saía desafiando a policia quando era levado preso após desferir mais uma sessão de espancamentos contra a maltratada esposa. Nesse dia, porém, ele não contava com uma mudança na situação que iria influenciar sua vida para sempre.

Destacado para cumprir a missão, Araújo saiu da delegacia prometendo a si mesmo que precisava adotar uma postura diferente em relação àquele caso que já lhe estava enchendo as medidas. Chegando à casa do reincidente espancador de mulheres, o militar encontrou um quadro pavoroso. Com o rosto muito inchado pelas agressões e o resto do corpo todo lanhado em razão de inúmeras chibatadas recebidas, a mulher estava naquele momento sofrendo novas agressões. Com uma chibata em uma das mãos, o marido havia iniciado nova sessão de espancamentos, quando foi impedido pelo soldado que acabava de adentrar ao quarto do casal, alertado pela gritaria que se ouvia do lado de fora da casa. Revoltado com o quadro dantesco que acabava de presenciar, o policial tomou o chicote das mãos do agressor e passou a tratar-lhe da mesma maneira, aplicando-lhe uma série de chicotadas no lombo. Atingido pelas tiras de couro cru, o homem começou a gritar e a espernear, incomodado bastante com o mesmo remédio que costumava aplicar na pobre esposa. Concluída a abordagem, o militar arrastou o homem rua acima no sentido da delegacia de polícia. E como vinha acontecendo nas outras vezes, o salafrário começou a gritar pedindo ajuda ao seu protetor e dizendo-se agredido e humilhado pelo policial. Nesse momento o soldado o repreendia, e por fim, cansado do estardalhaço feito, mandou que ele gritasse mais alto ainda, e mostrasse a sua falta de vergonha para toda a cidade. A situação continuou assim até chegarem à delegacia. A comunidade inteira saia à porta para presenciar a cena que deixava a todos com um sorriso nos lábios, satisfeito com o novo desfecho daquele caso que já estava virando requentado angu de caroço.

Não se sabe se por já está agastado com os problemas causados pelo insano aliado politico ou se por respeito, desta vez, às leis vigentes, o certo é que o homem não recebeu cobertura nenhuma do seu protetor, e permaneceu um bom par de dias preso. Certo mesmo, é que quando a prisão foi relaxada, ele pegou a família e desapareceu. Mudou-se para lugar desconhecido ou ignorado. A história não terminaria ai, entretanto. Anos depois, paisano novamente e desempenhando a nobre profissão de mascate para sustentar a família recentemente formada, meu pai transitava certo dia por uma estrada erma tocando um burro carregado de mercadorias, quando avistou dois sujeitos que vinham ao seu encontro. O da frente, montava um belo cavalo muito bem ajaezado. Vinham em marcha acelerada. Papai julgou reconhecer o homem que encabeçava aquele pequeno cortejo, ocasião em que passou pela sua cabeça toda a história acontecida naquele triste dia, quando teve que se rebelar contra a sua natureza e partir com descontrolada fúria contra o agressor.

Ao se aproximarem, os homens diminuíram a marcha e encararam o outro viajante com muita insistência. Meu pai confessou ter temido pela sua vida. Desarmado como estava, viu o homem à sua frente parar de um tranco só, forçando-o a adotar igual procedimento. E por baixo da camisa que ele mantinha aberta até quase a altura do umbigo, avistou o cabo branco de um volumoso revólver. Era chegada a hora do acerto de contas, pensou meu pai.

“Soldado Araújo”? – indagou o viajante com voz forte e autoritária. “Ex-soldado Araújo” – respondeu meu pai no mesmo tom – “Com quem tenho a honra de falar?” - tentou também ganhar tempo enquanto pensava em alguma saída. Nesse instante o homem estendeu a mão para cumprimentá-lo e perguntou se ele não estava reconhecendo o sujeito que havia dado tanto trabalho para a polícia lá no Curador. Meu pai disse que lembrava sim, mas que aquilo era coisa do passado. O homem sorriu como se tivesse entendido o receio que provocava naquele instante. E soltando uma gargalhada disse que meu pai estava agora apertando a mão de um homem verdadeiro. E agradecia pela surra que havia tomado naquele tempo, fato que o fez mudar de cidade, e de vida também. Ele agora era um verdadeiro pai de família e agradecia isso à lição recebida naquele dia. Pôs-se ainda à disposição afirmando que sua casa estaria sempre de portas abertas para receber os amigos. Falou ainda que a mudança de vida havia permitido que ele conseguisse amealhar um considerável patrimônio também.

Quando ouvi esta história à primeira vez, indaguei do papai se ele não havia ficado com medo daquele encontro. Sorrindo gostosamente ele me respondeu: “Medo que só passou quando a poeira levantada pelas montarias daqueles dois homens se dissipou na estrada”.


Estas foram apenas duas das histórias vividas pelo meu pai, um piauiense que viveu a vida intensamente e que escreveu a maior parte dela em terras do velho Curador.  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Café Literário homenageia Patativa do Assaré e Pedro Costa


BARRABÁS! BARRABÁS! BAR...RA...BÁS!


BARRABÁS! BARRABÁS! BAR...RA...BÁS!

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com

          Jovens, adultos, católicos, evangélicos e demais confissões vêm substituindo a folia carnavalesca pelos retiros espirituais. Geralmente, concentram-se em sítios, debaixo de árvores, para louvar o Senhor com músicas, entusiasmo, orações, palestras, lazer, comida frugal, confraternização. Quem já participou uma vez quer repetir a experiência, ano seguinte. Quase sempre, os grupos se reencontram, em outras oportunidades. Convidaram-me para ministrar palestra, nesta quaresma, sobre a figura bíblica de Barrabás. O tema cai bem na atual crise moral de corrupção e violência.

         Barrabás, assassino, baderneiro, assaltante, conforme relato dos evangelistas Lucas (capítulo 23) e Marcos (capítulo 15). Ou de Pedro em Atos dos Apóstolos (capítulo 3). Barrabás integrava a facção dos zelotes, que hostilizava o poder romano, em Israel. Preso, condenado à morte, aguardava o dia da execução na cruz.

Naqueles dias, Jesus Cristo dirigiu-se a Jerusalém para festa de Páscoa. Multidão de romeiros também pegavam estrada. Aproximando-se da cidade santa, Jesus entra na casa de Lázaro, falecido há quatro dias. Acompanhado de familiares do morto, dirigiu-se à sepultura de Lázaro e o ressuscitou. Romeiros que assistiram ao estupendo milagre divulgaram a notícia em Jerusalém. Multidões entusiasmadas foram ao encontro de Jesus. Montaram-no em jumento, aclamaram-no rei, espalhando vestes e galhos de oliveira à sua passagem. O delírio coletivo acendeu a cólera das autoridades, especialmente da classe sacerdotal e dos fariseus, que exploravam a população com altos dízimos, ofertas e corrupção. Iniciava-se processo para prender o Mestre e entregá-lo às autoridades romanas.

A multidão, inflamada pela retórica distorcida e populista dos líderes, vociferava, exigindo do governador Pilatos a condenação do Mestre, e liberdade para o bandido Barrabás. Covarde e conivente com a classe iníqua de magistrados e fariseus, Pilatos foi, mais tarde, deposto do cargo, levado para Roma, condenado à masmorra, em Viena.

A História está repleta de contrastes, quando a população, seduzida pela retórica dos discursos inflamados, substitui o senso crítico pela submissão ideológica. Hítler, cabo raso na Primeira Guerra Mundial, oratória inflamada, chegou ao poder ditatorial, atacando a causa da desgraça social e econômica da Alemanha, os judeus. Mussoline inaugurou o fascismo na Itália, movimento político e filosófico ou regime, que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador: Stálin, da Rússia; Franco, na Espanha; Salazar, em Portugal; Getúlio Vargas, no Brasil; Peron, na Argentina; Mao Tsé Tung, China. Além das republiquetas, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, entre outras. O princípio se estabelece na demagogia, no ataque feroz ao capitalismo, na distribuição de pão e circo para engabelar a população e extorqui-la no voto, porém acumulando, disfarsadamente, fortunas, quebrando o Estado. A população, coitada, paga caro por substituir o trigo pelo joio. A virtude pelo vício. A dignidade pela corrupção da consciência. O sagrado pelo profano.      

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Em Defesa do Rio Parnaíba


Seleta Piauiense - Lucídio Freitas


Perscrutadoramente

Lucídio Freitas (1894 - 1921)

Perscrutadoramente os olhos ponho
No que fui, no que sou, no que hei de ser,
E alucinado dentro do meu sonho
Sinto a inutilidade do nascer.

Minha origem componho e recomponho,
Venho do berço ao túmulo... viver
Um instante só, e após, ermo e tristonho,
Sob o ventre da terra apodrecer.

Homem — parcela humilde, humilde e obscura,
Que anda perdida e desapercebida
Buscando os vermes de uma sepultura —

O que foste? o que és? para onde vais?
Esta angústia maldita da tua vida
Foi a maldita angústia dos teus Pais!    

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Lançamento de "Estação Saudade" em Oeiras

Fonte da foto: Mural da Vila


LANÇAMENTO DO LIVRO: “ESTAÇÃO SAUDADE” DE DAGOBERTO CARVALHO EM OEIRAS

Moises Reis

                                Da certeza de que outro de reconhecido calibre intelectual deveria estar aqui para a apresentação desta obra literária, ESTAÇÃO SAUDADE - não tenho a mínima dúvida. Afinal, cada qual no seu canto. Quem é mais capaz de entender a alma deste amigo escritor, historiador  e poeta, Dagoberto Carvalho, que não guarda para si os seus tesouros e os reparte com os outros, que não aquel’outro da mesma estirpe, que se distingue do cidadão comum pela imaginação inspirada, pela profundidade intelectual e pelo devaneio?

                               Caros amigos! Este é um momento de vívida e intensa emoção, próprio para ser conduzido, sobretudo, por alguém que, como dizia Cervantes, faz da pena a língua da alma: o escritor, o poeta. Sim, são eles os únicos capazes de interpretar, com fidelidade, a alegria e o prazer de outro escritor e poeta. Estes últimos, os poetas, são profundos filósofos e somente eles são dimensionados para sentir as emanações prazerosas do esforço poético do outro.

                               Como veremos, “Estação Saudade”, um misto de artigos, crônicas, discursos acadêmicos, atinge a sublimação com as poesias ali colacionadas, que o autor chama de “Canto da lembrança da Província”. Valerá a pena seguir o voo das ideias, para, certamente, ouvir a melodia interior das palavras e sentimentos expressados do âmago do coração do autor. Ao final o leitor haverá de concluir que “Estação Saudade” nada mais é do que a revelação de um estado de existência, desnudando segredos, denunciando acendrado amor telúrico e confirmando a preocupação do autor com a proteção da memória de sua terra, do seu povo. 

                               De indiscutível razão a assertiva do grande vate francês, Vitor Hugo: “os poetas possuem em si um condensador, a emoção. Daí os grandes feixes luminosos que saem de seu cérebro e que vão brilhar para sempre sobre a tenebrosa muralha humana”.

                               Sem os dotes apropriados, e sem talento para tanto,  reconheço a ousadia de aceitar o encargo de apresentar esta  obra literária produzida por este oeirense, cujo telurismo é o distintivo maior de sua personalidade.

                               Moveu-me, no entanto, para investir-me na missão delegada pelo autor de “Estação Saudade” um sentimento maior e único, qual seja o de que é possível adquirir a condição de escritor e poeta, na medida em que sejamos idealistas e sonhadores.

                               E foi exatamente com esta sensação e compenetrado de um só ideal, o de servir sempre que possa às boas causas, que resolvi estar aqui nesta Terra tão querida de todos nós.

                               De fato. Não escondo desta distinta platéia que também o fato de poder estar em Oeiras, foi outro motivo encorajador de exercer, nesta noite engalanada em que se respira ar de profundo civismo pelo dia de amanhã, 24 de Janeiro, o papel de analista da alma do Autor que, tal qual rouxinol solitário, com grande sensibilidade e poético saudosismo, canta sua terra e seu povo defendendo a preservação da cultura local.

                               Senhoras e Senhores,

                               Mesmo abrigando tanto seres humanos, marcados pela volúpia do querer mais, do ter mais o mundo continuará reservando um lugar especial para os escritores e poetas. É que a necessidade de usar da pena para exprimir sentimentos, de escrever para posteridade; a necessidade do recolhimento, do voltar-se para si mesmo, de abrigar-se na sua interioridade é mais forte no homem do que a busca do ter e do poder. É assim o Autor.

                               É vital para o cidadão separar o mundo exterior, onde se sobressai o indivíduo, do mundo interior, onde reina o fluxo espontâneo de poderosos sentimentos. É a sensibilidade interior, de quem não guarda para si os seus tesouros que dá vida e alma ao ofício de quem, como o Autor, escreve para o mundo.

                               Com razão e perfeitamente justificada a presença distinta dos poetas neste mundo globalizado, marcado, cada vez mais, pela violência, e pela simples busca do poder pelo poder. É que a vida não se limita a isto. É preciso também sonhar. O homem há que, de quando em vez, sair por aí a contar estrelas, revivendo tempos passados, como fazem os poetas. Como fez Dagoberto nesta obra.

                               Não é sem razão que devemos nos apressar em agradecer ao Dagoberto por mais esta contribuição em favor da cultura piauiense e especialmente pelas manifestações e defesa dos valores culturais de nossa cidade, “vivendo o presente, não de costas para o passado – mas tendo-o como inspiração para novas conquistas e de frente para o futuro”, com está dito por ele em documento registrado neste livro, apresentado no 8º Festival de Cultura de Oeiras.

                               Cantemos em uníssono, nesta noite, cantando em sincero canto, uma ode à criação do escritor\historiador e também poeta que não fez da poesia um caminho para a eloqüência e a retórica. É verdade! Os poemas do Conde de Oeiras, no dizer de Nilo Pereira, são de evocação e saudade. Sejamos percucientes na leitura e descobrir-se-á cântico de saudades; de esperança; de anseios vagos, desejos inexprimíveis, como nestes versos pinçados do poema:

“ INSONIA”
“Madrugada insone de lembranças e desejos;
Acorda a noite secular da Praça;
O Riacho, a ponte;
Os fantasmas do “Sobrado”.
Procissão do tempo,
Flores do “Passo” e de saudade”

                               “Estação Saudade” é mais uma das inúmeras contribuições literárias do historiador em homenagem aos cem anos da Academia Piauiense de Letras. A rigor, a obra não precisaria de apresentação. Discípulo do grande mestre português, Eça de Queiroz, tanto tem sido marcante sua presença no mundo da intelectualidade, que seus livros são recebidos com a certeza de conteúdo rico de boa prosa, daquela que eleva o espírito e inspira sentimentos nobres.

                               Bem disse outro poeta da Academia Piauiense de Letras, autor do célebre poema “Noturno de Oeiras”, Elmar Carvalho, ao referir-se à obra: “As crônicas e os poemas são entranhados de suave saudosismo telúrico e lirismo. Ele é um mestre da prosa bem trabalhada, e nos faz lembrar os mestres do classicismo português, porém, como não poderia deixar de ser, temperada de contemporâneas “especiarias”.

                               Senhores! Os livros são os abençoados clorofórmios do espírito, especialmente quando são feitos com alegria e  prazer. E as obras escritas com prazer, são quase sempre as melhores, assim como os filhos do amor são os mais belos.

                               Todos já nos acostumamos à leitura dos livros de Dagoberto. São obras literárias merecedoras de indiscutíveis encômios. Sua preocupação, como de outras vezes, com a cidade mafrensina, desejoso de assegurar aos pósteros em registro de suave pena, a verdade histórica da Primeira Capital do Piauí, mais uma vez se repete neste livro. Dagoberto tomou boa nota da lição de Eça de Queiroz, segundo a qual “só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo” E este “chão glorioso, encravado em sertão bruto, onde jazem heróis verdadeiros, no dizer de Arimatea Tito, necessita ter sua história resguardada. 

                               Consciente dessa verdade é um obstinado por contribuir, através de seu lirismo, de suas emoções, para que fiquem nos anais da história, os feitos e passagens da “capital perene das tradições do Piauí”.

                               John Ruskin, britânico, crítico de arte, poeta e desenhista,  realçava a verdade de que “Os livros dividem-se em duas classes: livro do momento e o livro de todo momento. Aqueles podem ser lidos ora na sala ora na cozinha; já os livros de todo momento, como verdadeira prova de seu valor, são lidos tanto na sala quanto na cozinha”.

                               Não titubeio em afirmar, categórico, que esta obra certamente merecerá de todos nós que a leiamos pela casa inteira, porque se trata de um bom livro, mais um legado precioso que Dagoberto deixará para a posteridade.

                               Na primeira parte da obra estão os artigos e ensaios, em que o historiador explora temas diversos, com o seu já conhecido estilo, próprio, perfeito, definido e sempre denunciador do sentimento de “filho extremado e amante da terra em que nasceu”.

                               Os Discursos Acadêmicos emolduram a obra com o refinamento intelectual de seus conteúdos. De sua vez, as “Crônicas Reencontradas”, pinceladas com as cores vivas do respeito a piauienses de escol e a notáveis oeirenses  – Possidônio Queiroz, Costa Machado, Balduíno Barbosa – é resultado da inspiração do Autor ao prestar homenagens à memória de pessoas que muito serviram ao Piauí e especialmente a Oeiras.

                               Extremamente engenhoso na arte de versejar, o livro se completa coroado pelos poemas em o que autor explorando sutilmente a natureza, o telúrico, a angústia existencial do homem moderno e recordações pessoais, divaga saudosamente, como neste poema:

NATAL
Alegres noites de dezembro
Demoram-me na lembrança
Que não passa
Natal de outros natais.
Promessas de vida nas luzes da festa,
Reflexos de sonhos nas cores da praça.

                               Parabéns ao amigo oeirense, Dagoberto Carvalho, por mais este presente que dá a Oeiras e ao Piauí. Sob a inspiração do mestre Paulo Nunes, digo que a “Estação Saudade” não é obra para ser lida, apenas, mas para ser degustada.

Oeiras, invicta, 23 de Janeiro de 2015.   

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A PROPÓSITO DA CRIAÇÃO OAB/PARNAÍBA


A  PROPÓSITO  DA  CRIAÇÃO  OAB/PARNAÍBA

                    O conceituado jornal  NORTE DO PIAUÍ, edição de 30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016, publicou um texto  -  "HONORABILIDADE"  -  com informações sobre a fundação  da Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção de Parnaíba..  
                    Como a informação do jornal é incorreta, sinto-me  obrigado a prestar esclarecimentos sobre o assunto, sem o menor interesse em criar polêmica, até porque não tenho mais idade nem vaidade para isso.
                    A história da luta pela criação da OAB/Parnaíba até o referendo pelo  Conselho Federal da OAB compreende dezembro/1979 a agostol984.
                    Nesse período importantes fatos ocorreram, todos eles fundamentais para que se chegasse finalmente à inauguração da  subseção de Parnaíba, em 12.01.1985, única data lembrada pelo citado jornal.
                    Além  de graves omissões quanto a datas, o jornal  pecou ainda por não citar todos os idealizadores e  fundadores  que, conforme documento anexo, subscreveram em 30.12.1979  o requerimento de criação da Subseçãod OAB de  Parnaíba, dirigido ao presidente da OAB/Piauí  e  de  "que se originou o Processo nº 004/80  aprovado  à unanimidade em 17.06.80 e referendado pelo Conselho Federal da OAB em data de 28.08.84", conforme consta da anexa  CERTIDÃO expedida  pela OAB/Parnaíba  e assinada pelo presidente  Marco Antônio Siqueira, em 03.12.1992.
                     Eis, pela ordem das assinaturas, os dezoito (18) advogados que subscreveram o REQUERIMENTO acima mencionado:
     - Alcenor Rodrigues Candeira Filho (OAB-Pi nº  754/72 )
     - Francisco de Assis Costa Bacelar (OAB-Pi nº 635/68)
,    - Israel José Nunes Correia (OAB-i nº1103/9)
     - Marco Antônio de S. Correia (OAB-Pi nº370/79)
     - Lauro Andrade Correia(OAB-Pi  nº 390)
     - Jozely Maciel Broder (OAB-Pi nº905/75)
     -  Antônio Cajubá de  Brito Neto (OAB-Pi nº 1067/78)
     - Francisco  de Assis  Cajubá de Brito (OAB-Pi nº 580/68)
     - ASSINATURA NÃO  IDENTIFICADA  (OAB-Pi nº 784/73)
     - Haydée Lima de Castelo Branco (OAB-Pi nº 1002/77)
     - Maria do Amparo Coelho dos Santos (OAB-Pi  nº 1081/78)
     -Eduardo Ferreira de Oliveira  ( OAB-Pi nº 08/79-B)
     -  Francisco das Chagas  E. e Silva (OAB-Pi nº 868/75)
     - Antono Raposo Mazulo (OAB-Pi nº 25/79-A)
     - Heitor rrie de Susa (OAB-Pi nº 111/41)
     - Yonésia Mendes dos Santos (OAB-Pi nº 944/77)
     - Leônidas Melo Sobrinho (OAB-Pi nº 583/54)
     - Jaime de Oliveira Lopes (OAB-Pi nº  ?)
                        Como a história de qualquer instituição deve se fundamentar em fatos comprovados, junto a este texto os seguintes documentos, todos devidamente assinados,  datados e esclarecedores sobre a criação da OAB-Subseção de Parnaíba:
            - doc nº  01: Requerimento de criação da OAB/Parnaíba, com dezoito (18) assinaturas e data de 30.12.1979.
            - doc. nº 02: Carta de 15.01.1980 subscrita pelo advogado Alcenor Rodrigues Candeira Filho e endereçada ao dr. Reginaldo dos Santos Furtado, Presidente da OAB/Piauí.
            - doc. nº 03: Carta de 18.06.80 subscrita pelo presidente da OAB/Piauí Reginaldo dos Santos Furtado e endereçada ao advogado Alcenor Ridrigues  Candeira Filho.
            - doc. nº 04: OFÍCIO OAB-PI/Nº 02/81, de 05.01.1981, assinado pelo presidente Reginaldo dos Santos Furtado e dirigido ao advogado Alcenor  Rodrigues Candeira Filho.
            - doc. nº 05: CERTIDÃO expedida pela OAB/Parnaíba em 03.12.1992 e assinada pelo presidente Marco Antônio Siqueira, certificando,  dentre outras coisas, haver sido o advogado Alcenor Rodrigues Candeira Filho "um dos que mais lutaram pela instalação desta Subseccional de Parnaíba, subscrevendo em primeiro lugar o requerimento de criação da mesma."

                              Parnaíba, 11 de fevereiro de 2016.

                                        Alcenor Rodrigues Candeira Filho
                                                OAB-PI  Nº 754/72 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

AS BICAS AQUANINDÉ E O VEXAME DO TREMEMBÉ

Canindé, Natim, Elmar e Francié

Canindé, Elmar, Carlos Eduardo, Francié, Carlos Mendes e Natim
11 de fevereiro   Diário Incontínuo

AS BICAS AQUANINDÉ E O VEXAME DO TREMEMBÉ

Elmar Carvalho

Não pretendia voltar a falar no Tremembé neste Diário, uma vez que já pretendia encerrá-lo com uma espécie de posfácio, exceto se algo digno de nota acontecesse. Feliz ou infelizmente, o fato notável aconteceu.

Fomos passar o período momesco em Parnaíba e na Várzea do Simão, zona rural de Buriti dos Lopes. No domingo, com o Parnaíba cheio e, portanto, bastante convidativo a esportes, resolvemos eu, Natim Freitas e Francié darmos um passeio de barco, ainda cedo da manhã. Pretendíamos atingir a localidade Barra do Longá, que fica a aproximadamente catorze quilômetros a montante. A 1.500 metros, mais ou menos, passamos por dois pescadores, que estavam numa canoa movida a motor de rabeta longa. Perguntamos-lhes se já tinham peixes para vender, mas eles disseram não os ter, de modo que prosseguimos em nossa viagem.

Um pouco depois, sem ver e sem para que, o motor estancou. Após várias tentativas, diante da inutilidade de nossos esforços, desistimos de tentar fazê-lo funcionar. O nosso motor de popa não fez jus, portanto, ao nome que lhe dei em homenagem aos intrépidos Tremembés. Ainda bem que nossa viagem foi rio arriba, como diria o poeta Da Costa e Silva, porquanto isso nos permitiu deixar a pequenina embarcação ao sabor da correnteza. Só não ficamos à deriva porque tivemos a precaução de levar dois remos.

Tornamos a passar pelos pescadores. Pouco depois eles, na sua pequena canoa, nos socorreram. Achei uma suprema humilhação o Tremembé ser rebocado por um minúsculo motor de rabeta, e ainda por cima antigo. Demos uma gratificação aos dois canoeiros, que ficaram satisfeitos, e demos a aventura náutica por encerrada. 

Essa ajuda foi providencial, pois a consciência me manda dizer que o nosso preparo físico era insuficiente para vigorosos e demorados exercícios de remos, mais adequados a uma galera romana. Como já assinalei em outra ocasião, fiz a troca do casco inflável por um de alumínio; agora sinto, para minha consternação financeira, que serei forçado a trocar de motor, o que só farei na época das “vacas gordas”. Ou, quiçá, nas calendas gregas.

Fomos passar um tempo na Toca do Velho Monge, que fica perto do “porto” (na verdade apenas uma rampa de chão batido), quando recebemos a notícia de que o Canindé, meu amigo e compadre, viera nos visitar, e se encontrava no Sítio Filomena à nossa espera. De imediato seguimos ao seu encontro. Anunciei-lhe que iria dar como “oficialmente” inauguradas as bicas que levam o seu nome. Fizemos uma espécie de breve solenidade, em que o homenageado discursou. Ele agradeceu a singela homenagem e falou de sua já antiga estima pela Várzea do Simão, cuja beleza bucólica e aquática disse admirar.

Em minha fala, justifiquei a homenagem, ao enaltecer a admiração que ele tinha pela localidade e por seu esforço em tentar conseguir-lhe algum benefício e melhoria. Falei da luta e esforço familiar para construirmos nosso pequeno sítio. Relatei que a Fátima, dez anos antes de podermos construir a casa, plantara as árvores frutíferas e ornamentais, que do alpendre víamos; que inicialmente a bica foi apenas um cano preso a uma estaca rústica. Estiveram presentes, além do homenageado e dos anfitriões: Carlos Mendes, Reginaldo, Carlos Eduardo Coutinho, Francié e Natim Freitas.


Expliquei que o nome Aquanindé fora uma invenção do amigo Zé Francisco Marques, por causa da fissura do Canindé em tomar repetidos, refrescantes e revigorantes banhos, sejam de água doce ou salgada, sejam de piscina ou de bica. Esclareci que “aqua” se referia a água, e “nindé”, evidentemente, era as duas últimas sílabas do nome Canindé. Encerrei minha incipiente oratória lendo os dizeres da placa: “BICAS AQUANINDÉ – Homenagem ao Dr. Francisco de Canindé Correia, amigo do Sítio Filomena e da Várzea do Simão”. E a tarde prosseguiu de forma auspiciosa.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Carta da Suécia e dos leitores


Carta da Suécia e dos leitores

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com

          Crimes de lesa-pátria, corrupção epidêmica e violência assombram brasileiros. Paira no ar a sensação de desânimo, a vontade de buscar outras pátrias. O pior de tudo, porém, é não reagir, permanecer de boca fechada. Ou em italiano, Bocca Chiusa (pronúncia quiusa).

         A crônica POLÍTICOS SUECOS VERSUS POLÍTICOS BRASILEIROS provocou uma série de manifestações de leitores de diversas regiões, inclusive da Suécia. Professora Maurienne, piauiense, casada com cidadão sueco, residindo, há dez anos, naquele país, em longo texto, mostra aspectos da sociedade sueca. Resumi algumas passagens do e-mail de Maurienne, bem como de outros leitores:

         “Fui indagada por meu professor, aqui na Suécia: ‘Fala-se muito de corrupção no Brasil. Você acha que há corrupção aqui na Suécia?’ Respondi-lhe convicta: ‘Claro que sim. Há corrupção na Suécia! Ao que ele reagiu com olhos arregalados e uma suspensão de fôlego: ‘O que você está dizendo? Por que você acha isto?’ E retruquei: ‘O que vocês fazem aqui ainda é elementar, solto, quase pequeno, um monstrinho de estimação. Ao passo que, o que ocorre no Brasil, infelizmente, é orgânico, sistemático, transmissível e vicioso, um monstro gigante engolindo a nação que o alimenta! Triste e desapontada por ter eu mesma dito aquilo pra um sueco”.

         Ademir de Castro Lima escreveu: “Vou embora pra Pasárgada” Não ... Para a Escandinávia. Dinamarca, em pesquisa recente, o país menos corrupto do mundo. O Brasil me envergonha muito”.  Ângelo de Sousa: “Como sempre, algo pertinente e importante para refletir, e cada um fazer sua parte, contudo, o próprio Estado exemplifica que, infelizmente, o crime compensa”. Beto Carvalho: “Faltou leitura deste texto na reunião do conselhão, em Brasília,  realizada ontem. Bastava isto para salvar o tempo perdido ali e se iniciar um plano de sobrevivência para o Brasil”. Maria Dolores Teles: “Você escreveu o que está dentro da sua consciência e com o coração mostrando o descompasso das sociedades que vivenciam situações heterogêneas, dado o tipo de políticos que são eleitos”. Professor e doutor Jota Carlos: “Parabéns, professor, pela excelente crônica. Contrasta com a nossa situação, há primórdios tempos . Sirva de embasamento e lição para nós, brasileiros, sabermos optar por escolher nossos representantes”.  Aurélio Jaques, de Araripina-PE: “Bem lembrado, professor: tapa na cara, mesmo! Tem que haver mudança, a começar pelo voto, acredito”. Gerardo Oliveira exerceu magistratura em Brasília: “Meu filho que reside em Stockholm, há mais de cinco anos, disse que a realidade política dos representantes do povo, naquele país escandinavo, é realmente como informa o nosso cronista.  Faço apenas uma ressalva: ministros e deputados federais recebem do Estado, durante o mandato, apenas o local para morar e não recebem qualquer tipo de subsídios”.  Juiz João Batista Rios: “Tripudiamos a vida dos políticos ... Que temos feito em defesa da moralidade, ética, e "modus vivendi" daqueles que ousam nos representar em qualquer esfera politico-administrativa?”. Cincinato Leite (Mecejana-CE):    “Você está certo: Cidadãos brasileiros precisam extrair lições da Escandinávia  para eleger líderes patrióticos e éticos de qualquer confissão religiosa ou partidária”.


Manifestaram-se, ainda, Marcelf Lopes, Marcelo Aragão, Francisca Machado, jornalista Herbert Fonseca, Professor Cassy Távora (Caucaia-Ce), Antônio Carlos Sampaio, entre dezenas de leitores que curtiram a matéria nas redes sociais.  

domingo, 7 de fevereiro de 2016

(IR)REAL


(IR)REAL

Elmar Carvalho

Eu busco as
mais loucas sinestesias
em minha mente alucinada,
onde as cores aromáticas
se agregam a sons macios,
misturados com aromas térmicos.
A loucura vem do cosmo
em taças de cristal com sangue,
em aortas com água,
na alucinação total
de um homem que
se diz lúcido.
Na noite calma
um cão ladra
na solidão de
luzes irreais de
um cemitério de
cruzes partidas e
de esqueletos quebrados.
(E outro cão
responde em mim.)
De repente, eu levito
e me deixo transportar
em êxtase ao
país dos mortos-vivos
e lá eu vejo todos os mortos
e todos os vivos como simples
mortos-vivos.
Depois, eu me sinto preso
em todos os extremos do Universo
e sinto que conquistei
a liberdade cósmica,
pregado no infinito.

           Pba, 24.11.77   

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No Brasil delinquentes matam por "maldade"


No Brasil delinquentes matam por "maldade"

Cunha e Silva  Filho

       Leitor que por acaso  me  lê,  saiba  que está  acontecendo em nosso país algo que  há tempos extrapolou  todos  os limites da paciência da sociedade.
        Quero aludir  à sanha de bandidos,  criminosos,  assassinos – faço  questão de  acentuar a minha indignação empregando   pelo menos estes três adjetivos disfêmicos -    que  já estão  matando por mera maldade,  em atos de  tamanha  violência  sem precedentes em nosso  país para vergonha das nações  civilizadas, o que leva o Brasil  a se alinhar  quase solitário entre  as nações  que mais  fazem vítimas fatais, covardemente, inocentes, crianças,  jovens,  adultos   idosos,  enfim,  os desprotegidos (porque só os facínoras no país  têm armas de fogo,  (amiúde até mais do que  policiais) deste país  que ora vivem a tragédia do fracasso  político-financeiro-moral.
       No país das inversões de valores,  no país em que  ainda funcionam normalmente, não obstante tantas imperfeições,  os três poderes,  em que se tem  uma presidente, em que se tem um Código Penal,  um  número grande  de juristas  do mais alto  porte,  bons advogados, causa muita  espécie  que nos  deparemos com  tanta carnificina  aqui, em todos os estados brasileiros,  sobretudo  no eixo Rio-São Paulo. Esse ignominioso  estado de coisas que aterroriza impunemente o cotidiano de   quem  trabalha,  de quem  tem  seu negócio,  de  quem  paga  impostos, juros altíssimos,   de quem sai à rua,  exige  mudanças drásticas  na legislação  penal  brasileira, pela  implantação  com urgência, ainda que por  tempo  limitado,  a prisão perpétua e,  nos casos mais   escabrosos,  a pena de morte. Não me venham  dizer que sou fascista,  porque não o sou. Fascistas são os que  deixar  perpetuar  essa infâmia de sociedade  cercada por ladrões de todos os níveis, sobretudo os white collars, fascistas são os que  mantêm  a impunidade para  milhares de  assassinos  soltos,  andando  livremente nas ruas  do  Brasil e cometendo as piores atrocidades contra o nosso  povo.
     Só para ilustrar vi, num programa de televisão bem  conhecido de quem  gosta  de  acompanhar  a sombria  realidade do crime  no país,   um senhor  de cinquenta e poucos   anos trabalhando no recinto de sua lanchonete. Está sozinho. De repente,  entram três jovens armados, anunciam  um assalto e se mostram  determinados a fazer qualquer coisa  má a fim de  arranjar dinheiro fácil, sendo bem provável que algum deles seja  “de menor.”
     O trio, com dois  claramente  exibindo  revólveres,  entra  na lanchonete  em direção  àquele proprietário (ou gerente responsável). Pela  fisionomia,  usam  palavrões,  ameaçam, dão safanões    na vítima,   pedem  dinheiro,  sempre  com  gestos  de  extrema  violência sem que  o moço  possa  fazer nada. Empurram-no contra a parede, e   um dos   meliantes  dá uma facada que vai  rasgar  verticalmente  do estômago até  o umbigo  do moço. 
     Em nenhum  momento  o moço   revidou qualquer ataque contra  os vagabundos. Naturalmente  exigiram  que o moço lhes mostrasse  onde estava o dinheiro da caixa  registradora. Essa cena  trágica, pavorosa, diabólica  nos causa asco   e imprecações  contra  esses desalmados. É apenas um exemplo  de uma cena que se repete, com  algumas  diferenças  de níveis de selvageria,   na vida  diária do brasileiro. Quando  os degenerados  foram  levados para a delegacia,  riram  na cara do delegado  pelo que tinham  feito na lanchonete. Infames!
    Essa cena já se naturalizou, se  banalizou  e o povo honesto,  trabalhador,  cumpridor de suas obrigações para com  o Estado brasileiro se encontra  numa enrascada. Tem que sair porque necessita de trabalhar ou resolver algum  problema fora de casa. Mas a voz corrente se resume no que, de vez em quando,  afirma desesperançada: “A gente sai, porém não tem certeza de volta incólume para casa. Só Deus pode nos proteger.”
     Ora, leitor, isso é mais do que  suficiente para caracterizar um cenário  preocupante  para a sociedade civil. Ressalto que há tempos venho  defendendo  posições mais rígidas contra a violência  que ataca em todos os flancos, horas e lugares não só no asfalto mas nas favelas  brasileiras conhecidas  pela   balas  perdidas que podem vir tanto da  polícia quanto  da  bandidagem.
    Há quem pense  sejam os programas  que  desmascaram  a crua violência brasileira  sensacionalistas, da   imprensa marrom, que só mostram  violência pura  a fim de  dar  altos índices  de audiência. Não vejo assim e adianto mais que a recusa de pessoas e, sobretudo, das autoridades competentes -  legisladores,  a  própria  presidente da República, a  pessoa do ministro da  justiça, enfim todos os  setores públicos  responsáveis    pela segurança nacional -,  a assistirem  a esses programas  me parece  algo elitista e perigosamente  omissa.
   Assim também a recusa de todas as classes sociais com respeito ao problema da violência só contribui  para   agravar essa questão e afundar-se  na alienação e na indiferença a um tema que diz respeito a todos nós.
   Dois são os caminhos,  a meu ver, para  enfrentar  a violência  sedenta de vítimas  diárias no país: 1) acabar ou  reduzir  a impunidade,  o que vai  mexer com  a legislação penal; 2) reduzir por tempo determinado  a maioridade  penal para, no mínimo, dezesseis  anos. Isto faria com que os “de menor” muitas vezes  rapazes  com altura  de  homens feitos, com várias passagens  na  polícia por  delitos de toda a sorte e de todos os níveis, até mesmo  crimes hediondos. Neste caso, implantar-se-ia, por tempo determinado,  a pena  de prisão perpétua e a pena de morte  para os casos mais  diabólicos de  crueldade, ou seja,   o grupo de bestas-feras.Todavia, os psicopatas  seriam   destinados a prisões  psiquiátricas.  Para esses  casos, sob hipótese alguma,   não haveria  brechas legais  para que  se lhes  abreviassem  a pena a ser cumprida.
   Sei o quanto  são controvertidas e complexas as questões  da redução da maioridade penal, que  implica  uma série  de  componentes sociais,  econômicos e culturais, da mesma sorte que  são altamente  polêmicos  o regime de  prisão  perpétua e a sentença   mais extrema, que é a pena de morte, sendo que esta última envolve, além de outros fatores relevantes,  a questão religiosa  no país  mais católico do mundo. Ma o país é laico.

    Penso que todas as considerações  aqui  levemente  abordadas   têm que ser levadas  em conta de forma urgente, porquanto  a próxima vítima  de criminosos  inveterados   pode ser   qualquer um de nós. Pode ocorrer  com  nossos  filhos,  netos,  parentes, amigos,  com qualquer  classe  social. Fica,  pois, o debate em aberto e que não  seja postergado  por muito tempo. A vida não tem preço, como se diz vulgarmente.    

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O MOSQUITO


O MOSQUITO

Pádua Santos – APAL, Cadeira nº 01

                Há um dito popular sertanejo que reza o seguinte: “Homem que bebe e joga; mulher que erra uma vez; cachorro que come bode; são errados todos três”. Decorei isto quando menino, e,se agora o relembro, é porque ficou na minha lembrança a imagem de um fato trágico – uma triste cena do holocausto que infelizmente era feito, à época, aos infelizes cachorros que aprendiam com as onças a mania de comer bodes.

            Foi na minha fazenda São Pedro da Boa Sorte, mais conhecida por Alto dos Borges, localizada no município de Caxingó, onde presenciei a aplicação desta draconiana e consuetudinária lei. E lembro bem que na hora da execução, como se tratava de uma cadela simpática e querida pelos moradores da localidade, tornou-se difícil a escolha do carrasco. Mas o certo é que ela foi executada, e quem teve a coragem de aceitar friamente o posto de algoz foi um elemento que pouco se sabia do seu nome, posto ser conhecido apenas e simplesmente pela alcunha de “Mosquito”. Vê-se, portanto, que ali naquela margem do Rio Longá, foi o “mosquito”o grande temor dos cachorros delinquentes.

                Mas não se atribua somente aos cachorros tal temeridade. É atualmente de igual modo aterrorizante o famoso mosquito “Aedes Agegyti” - o transmissor da Dengue, da febre “Chikungunya” e do danoso vírus “Zica”- malvado pernilongo voador que desde os anos cinquenta judia com as pessoas e, como se não bastasse, aparece agora com a novidade de fazer com que as crianças venham ao mundo com microcefalia. É ele atualmente a maior preocupação da saúde de vários países, por ser o animal que mais provoca temor às mulheres, principalmente naquelas que se encontram em estado interessante.

                Por outro lado, nem tudo é novidade. Já faz muito tempo que os mosquitos perseguem os homens. O sempre festejado escritor Humberto de Campos, no seu excelente livro de crônicas intitulado Lagartas e Libélulas, dá conta de que em prisca era, mais precisamente no apogeu das grandiosas conquistas romanas, quando triunfava a bravura do regime dos Césares, o glorioso Imperador Tito Flávio Vespasiano Augusto morreu repentinamente por força de um insignificante mosquito que penetrou em suas narinas.


                Desse modo, podemos conjeturar com larga margem de acerto:o aparentemente mesquinho mosquito que vem atualmente, na sua qualidade de vetor biológico, preocupando governos, provocando febres, dores, coceiras, conjuntivites, dengues e microcefalia,pode muito bem ter sido o mesmo minúsculo inseto que no passado remoto foi causador de considerável baixa no incontrastável Império Romano. Eita bicho desalmado! O que tem de pequeno tem de perigoso.  

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

ANIVERSÁRIO DO HOMEM MAIS VELHO DE AMARANTE – 108 ANOS


ANIVERSÁRIO DO HOMEM MAIS VELHO DE AMARANTE – 108 ANOS

Luís Alberto Soares (Bebeto)

       HOJE (02) é o aniversário do homem mais velho de Amarante. Trata-se de JOSÉ PEREIRA DOS SANTOS, mais conhecido por LUIZ BEZERRA, nasceu no dia 02-02- 1908 em Angical do Piauí e há mais de 90 anos residindo em Amarante, onde morou por longos anos nas comunidades Poço D’anta e Bonito há poucos km do Centro. Passou uns três anos com seu filho, Francisco, o popular Tutê, em Brasília (DF). Atualmente morando no bairro Balão (Amarante) ao lado de sua neta, Maria Francisca da Costa e Silva, sua procuradora.

         O Senhor LUIZ BEZERRA ainda se dispõe de muita lucidez e vigor físico impressionante; visão razoável e boa audição. Gosta de passear, da música, assistir televisão, ouvir rádio e de saboreia umas cachaças. Caminha constantemente pela cidade e, às vezes, sozinho para tratar de negócio e, ainda anda de motocicleta como carona. Sua Neta, Maria, diz que nas andanças de seu avô, teme motociclistas irresponsáveis. Quem o conhece sabe, o secular LUÍS BEZERRA trata-se ainda de uma pessoa distinta e comunicativa.

       LUIZ BEZERRA trabalhou longos anos na agricultura, onde se aposentou. Ele conta detalhadamente vários acontecimentos históricos de Amarante e do Brasil. Casou-se com Maria do Nascimento Santos, falecida há longos anos. Do matrimônio, quatro filhos: Neusa, Orlinda, Francisco (Tutê) e Antonio (falecido). Formando vários netos, bisnetos e tetranetos.

                Vale esclarecer que o Senhor LUIZ BEZERRA foi passar uns dias na casa de um de seus irmãos em Presidente Dutra – Maranhão.   

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mensagem de Fonseca Neto sobre Retrato de meu pai


Na manhã de sábado (30.01.2016), entreguei ao amigo Fonseca Neto, na Academia Piauiense de Letras, o livrinho Retrato de meu pai. Já às cinco da tarde do mesmo dia dele recebi o seguinte e-mail, que desejo compartilhar com os leitores do blog:

"Boa tarde, poeta,

acabo de degustar o retrato do Miguel que vc elaborou, ponto a ponto, com linhas cordiais, qual nervuras que querem ser razão mas sucumbem à emoção. Li tudo de um fôlego, exceto o q disseram os netos... O farei mais tarde.. Bela sua escritura, tão necessária neste tempo ainda mais fugidio que todo tempo. Do pai, da mãe, irmãos, amigos; lugares e lugares dos cotidianos reinventados pela mão literária, nada dócil ao rebuço... "Beatitude"! Que belo emprego desse vocábulo....Valeu poeta, minha elmarina admiração, que já é enorme, não sei como consegue crescer, mas cresce enormemente. Salve Miguel, espadas arcanjas para dobrar 90 esquinas do tempo datado.


Ainda é janeiro, parabéns Miguel; ainda é e será poesia, parabéns atencioso amigo Elmar. Estendo cumprimentos à Fátima, do bom Buriti, q acho tão discreta... Um abraço, Fonseca Neto (ouvindo o tamborilar de um Corso passando aqui por perto rsrsrs)."

Valeu, mestre Fonseca, muito obrigado!