quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Histórias de Évora - Capítulo XXVIII


HISTÓRIAS DE ÉVORA

Este romance será publicado neste sítio internético de forma seriada (semanalmente), à medida que os capítulos forem sendo escritos.

Capítulo XXVIII

Moto contínuo

Elmar Carvalho

No Sábado de Aleluia o Mário Cunha apareceu na casa de Marcos com uma galinha grande e gorda. Perguntou se dona Rita poderia fazer um frito para que eles levassem para o balneário do Rocio, situado no rio Paraguaçu, a uns três quilômetros do centro da cidade. Na época era costume, sobretudo entre os jovens, a subtração de galináceo na Semana Santa, para a comemoração da morte de Judas.

Não era isso entendido como furto, mas como uma brincadeira, que poderia integrar a parte comemorativa da malhação do velho Iscariotes. E normalmente as vítimas eram parentes, vizinhos ou amigos. Dona Rita indagou sobre a origem da galinha, tendo Mário assegurado que fora sua mãe quem lhe dera a “penosa”. Ante a aquisição haver sido lícita, ela prometeu fazer seu famoso e elogiado frito, já saboreado em outras ocasiões.

Ficou acertado, entre os rapazes, que no dia seguinte, Domingo de Páscoa, Mário seguiria em sua bicicleta Gulliver, mais cedo, e o Fabrício, em sua lambreta, pegaria Marcos (e o frito) na casa deste. Combinaram se encontrar no balneário, por volta de onze horas. Fabrício prometeu levar uma legítima cachaça serrana, de doze anos, que comprara de um mascate, de sua confiança, e mais uma paçoca de carne de sol, preparada em sua casa. De modo que estavam bem abastecidos, em termos de comes e bebes.

A região do Rocio, nessa época, era bem preservada, com a mata ciliar exuberante, a proteger o rio, a exibir grandes árvores copadas. O rio se apresentava saudável, estreito e fundo. Na margem direita havia uma espécie de corredeira. A água passava com estrépito por entre grandes pedras, que formavam uma garganta, um tanto apertada, o que imprimia à água uma forte correnteza e turbilhão. Chamavam esse ponto de Passagem da Apertada Hora.

As águas ondulavam e produziam uma toalha de espuma. Um poeta disse que as pedras eram bilros das pedras tecelãs. O turbilhão se transformava em verdadeira hidromassagem. Alguns jovens, no auge da adolescência e da libido, a contemplar as garotas de biquíni na margem próxima, chegavam ao orgasmo sem sequer se tocarem, em verdadeiro onanismo inefável, etéreo, quase imaterial, como corolário de profunda excitação platônica e fantasiosa, turbinada pelo turbilhão da corredeira.

Mas muitos garotos afoitos, sobretudo no período das grandes chuvas, em que o rio se mostrava mais caudaloso, em lugar de êxtase e prazer, ali encontravam a morte. Eram arrastados e ao caírem num rodamoinho não tinham força para vencer a correnteza. Os mais cautelosos se amarravam a uma corda, firmada na margem ou em alguma das pedras. Entretanto, fora desse ponto agitado, as águas eram calmas, e chegavam a formar um remanso na parte mais frequentada, que tinha uma praia de branca, macia e finíssima areia.

Os amigos se acomodaram debaixo de imensa mangueira, que lhes dava uma refrescante sombra. Tomando sol, a pequena distância, estava um pequeno grupo de garotas. Duas mais recatadas estavam de maiô, enquanto as outras quatro usavam biquíni, a exibir suas coxas e feminis curvas. Nessa idade em que tudo sorri e floresce, Marcos achava que uma mulher tinha a obrigação de ser bela, ao menos bonitinha. Fabrício, invocando os versos de Vinicius, achava que a beleza, conquanto efêmera, era fundamental; pelo menos enquanto durasse.

No meio das moças, estava Laura, de estatura mediana, morena clara, de cabelos e olhos negros, de curvas muito bem delineadas, sem faltas e sem excessos. Mesmo de maiô suas formas eram ressaltadas e se destacavam, aliciantes. Seus olhos eram profundos e negros, como nos versos de Castro Alves. Tinham o negrume das noites sem luar, assim como seus ondulados cabelos tinham o encanto do mar.

Marcos já lhe percebera, algumas vezes, quando passava na frente de sua casa, com destino ao campo de futebol que ficava perto, o olhar discreto, mas interessado. Fabrício já comentara isso, e até dissera que quando tivesse oportunidade iria fazer “o meio de campo” ou a ponte entre eles, pois fora colega dela em um Encontro de Jovens promovido pela igreja Católica. Mas ainda estava encantado com o namoro furtivo e proibido que mantinha com sua bela normalista.

Três ou quatro alentadas doses depois, Fabrício foi até o local onde estavam as moças, já agora debaixo de um imenso pé de tamboril, que estava muito verde e muito frondoso. A árvore lhes propiciava uma sombra agradável e aconchegante, ainda mais porque bem perto havia um grande cajueiro e uma imensa e odorífera cajazeira.

Marcos sabia que ele estava intermediando uma aproximação entre ele e Laura. Ficou um pouco ansioso e apreensivo, mas tentou manter a calma e não saiu de seu lugar, enquanto esperava o retorno do amigo. Via-o gesticular e se mover um pouco, como se estivesse em animada conversação. Fazia gestos incisivos, com os quais parecia sublinhar seus argumentos, como se estivesse querendo convencer a garota de alguma coisa que ela tentasse refutar.

Quando voltou estava radiante, e exibia seu triunfo com sorrisos e gargalhadas.
– Olha, mestre Marcos, você me deve essa conquista. Não foi tão fácil assim não. Quando eu disse pra menina que você estava a fim dela, ela disse que você é meio metido a besta, e que nunca olhou pra ela; que sempre passava todo enxerido, como se não a visse, na porta da casa dela. Eu, então, tive que usar toda a minha astúcia e lábia de vendedor, para explicar que no início você é meio encabulado e tinha receio de um fora. Só então ela deu um meio sorriso e disse para você tirá-la para dançar na festa que vai haver no próximo sábado, no Évora Clube; que lá vocês poderão se acertar. E ainda de quebra deixei uma das lebres praticamente abatida, aquela lourinha, cujos cabelos faíscam ao sol. Um encanto de ninfeta deste bosque fluvial.
– Grande Fabrício, que magnífica notícia você acaba de me dar. Meu dia já está ganho. Um brinde a esse excelente presente que você acaba de me ofertar. Obrigado, cara!

Nisso, ao longe, ia passando um ciclista, a pedalar com todo vigor para vencer a areia do caminho. Fabrício, contente de haver ajudado o amigo a conquistar a garota, lançou-lhe um desafio:
– Agora, Marcos, prove que é mesmo um poeta. Faça um improviso sobre aquele ciclista, que vai pedalando feito um doido naquele areal. O poeta, ainda tonto e esfuziante com a alvissareira notícia, não se fez de rogado:
– Ó bicicleta / em ti o ciclista anda / anda, anda, anda...

Com a cabeça já um pouco anuviada pelo álcool e entontecido pela inebriante perspectiva de namoro com a linda cachopa, Marcos se embolou todo e não conseguiu a desejada rima. Ficou nesse desatinado “anda, anda, anda”, em busca de inspiração, até finalizar de forma canhestra, mas que pretendia apoteótica:
– E nunca para de andar!

Fabrício vergastou esses versos de forma abrupta e irônica:
– Porra, poeta, só se esse ciclista tiver um motorzinho na bunda para conseguir andar tanto assim... Ou então se tiver descoberto o moto contínuo do poeta Leonardo de Carvalho Castelo Branco, que você tanto admira e exalta.


E os três amigos prosseguiram na feliz libação, a degustarem o delicioso frito e a não menos deliciosa paçoca, sem outro compromisso a não ser a falta de compromisso da quadra que viviam.     

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

LITERATURA: UMA ENTREVISTA DE LEYLA PEERRONE-MOISÉS


LITERATURA: UMA ENTREVISTA DE LEYLA PEERRONE-MOISÉS
   
Cunha e Silva Filho

             Este artigo  parte de reflexões despertadas pela leitura  de uma entrevista da conhecida  e conceituada  ensaísta Leyla Perrone-Moisés, sob o título “Em defesa da Literatura”  concedida ao jornalista Leonardo Cazes, publicada no  Globo Caderno Prosa & Verso de 29/10/2016. O núcleo  do tema  é a discussão do papel da literatura  e da crítica literária  de nossos dias, independente do alcance  geográfico face aos caminhos e  perplexidades  em que se encontram  a criação literária, o seu  julgamento e os leitores.
         É evidente que  o tema considerado em seu sentido  lato  envolve discussões derivadas do binômio literatura-crítica literária, i.e.,  questões como  o ensino  da literatura,  currículo  escolar  do ensino médio e estudos literários  na universidade e, por último, o lugar  de maior destaque que vem ocupando a indústria cultural que nada trouxe de bom  para o antigo  prestígio obra literária que, segundo Perrone-Moisés, até os meados do século passado,  teve a literatura.
          Em outras palavras,  o espaço  conquistado  pela indústria do entretenimento, com a sua natureza  passageira, o seu facilitário  junto às massas,  provocou o declínio   do fascínio, sacralização e áurea da literatura  de alta qualidade artística. Nesses tempos diluidores,  tudo passou   por um espécie  de  nivelamento  comum  do bom e do ótimo  e do produto   descartável através  da via  da mera comunicação, inclusive e sobretudo da linguagem.
          Daí, se queixar a ensaísta do rebaixamento ou da importância  da disciplina estudo da literatura no currículo escolar  do ensino médio. Reconhece a ensaísta que  o  fenômeno  não se só  no Brasil  mas é internacional.Naturalmente Perrone-Moisés atribui esse desprestígio dos  estudos literários  a um desvio na formulação de estratégias  de mercado  de trabalho destinado  a  preparar  candidatos  a funções  profissionais  para as quais  a literatura    seria,  por assim dizer,  “inútil.”  A questão, a meu ver,  vai mais fundo,  porque está vinculada  a projetos governamentais  de desenvolvimento    em  plena  efervescência   da globalização   e  das necessidades  imperiosas   de contingentes  de mão de obra, assim como de reserva de mercado. 
        A questão não é tão-somente educacional, porém  político-ideológica. Fenômeno similar  já se havia  registrado no país  no tempo  da ditadura  militar, anos 1970, e na fase do chamado  “milagre brasileiro,”com a criação e difusão dos cursos  profissionalizantes, principalmente no ensino privado, coincidentemente  época em  que se iniciaram mudanças  drásticas  no ensino  de literatura  com  a atenção especial  dispensada  ao papel  da comunicação,   ao aproveitamento   dos estudos linguísticos e à ênfase  dada à teoria da comunicação. Só se falava, nas aulas de literatura  e de língua  portuguesa  a partir do ensino  médio, nas funções da linguagem  formuladas  pelo linguista russo  Roman Jakobson (1896-1982).  Era  o tempo em que os estudos linguísticos  se imbricaram   com  os estudos  literários para o bem e para o mal.
        “Comunicação “ passou a ser a palavra chave e  o lugar  antes  privilegiado  do ensino de literatura brasileira e de língua portuguesa  foi  posto em segundo  plano e se misturando  ao que, mais tarde,  o MEC,  designou como “Linguagens, códigos e suas tecnologias,” segundo  lembra  Perrone-Moisés  em tom  irônico. 
         A ensaísta ainda  , em tom  francamente   crítico,   alude ao novo  plano de ensino médio ao falar  este de ‘linguagem’. Ao que ela,  irônica e perplexa,   se interroga: “Mas de que linguagem se trata?”
       Pondera   Perrone-Moisés  que as os alunos(eu acrescentaria as pessoas em geral)  não só precisam  de estudar  as línguas, mas  sobretudo  necessitam de  exercitar  a reflexão  crítica,  de aprofundar  suas visões da vida  e do mundo. A ensaísta não perde tempo para censurar  uma “falsa democracia”  no meio  do ensino e da educação em âmbito oficial, onde o “essencial”  é apenas  disponibilizar ao  aluno os textos mais   digeríveis, quando o que caberiam  fazer os responsáveis  pela educação   seria  elevar  “progressivamente”  o nível do educando, o que para ela seria, sim,  uma prática  democrática.
  
     Na mencionada  entrevista,  Perrone-Moisés levanta a questão de uma tendência atual  da ficção, conhecida  como autoficção, termo cunhado, em 1977,  por Serge Doubrowski,   no âmbito da crítica literária, que funde autobiografia  com  ficção, numa combinação de traços contraditórios para esse tipo de  subgênero  literário. aparentado, segundo  se pode  constatar,da biografia e  das memórias  para  designar esse  tipo de ficção  na qual  o narrado fica a cargo do “eu” do autor, ainda que seja  dirigido em terceira pessoa, ou mesmo em primeira (por que não?). Por acaso, uma terceira pessoa  não poderia escamotear  a primeira ou vice-versa?
       Na opinião dela, esse tipo de subgênero literário é fruto do nosso  tempo e tem a ver com  a impossibilidade com que o escritor,  um autor se defronta  diante  do seus  “limites” de “compreensão da totalidade” num  mundo  altamente  complexo  como  é o que    estamos  vivenciando a duras  penas.
      Ora,  esse fato  determinante conduz o escritor  para uma forma de  escapar  daquela   impossibilidade,  fazendo com que se volte para a sua própria  identidade,    a sua  história  pessoal  e os seus  dilemas específicos.
      No então,  assinala a ensaísta,  a vida  pessoal  de um autor  não constitui em si  uma chancela  para que  sua  autoficção se torne  uma  feliz elaboração  estética.  É precisos que o autor vá mais além das peripécias pessoais e adentre as condições fundamentais  de produção de  textos   que tenham algo mais a  dizer  em termos  de linguagem  e de  composição estética. Seria preciso que a obra de autoficção não só desvele  “autoconhecimento,” mas também  “compreensão dos outros.”  .Ou seja,  não é o dado  narcisista que é relevante, mas  a realização  literária  pela linguagem, pela excelência do nível estético e humano.
        Mais um tópico de que fala a ensaísta refere à sua desfavorável posição com  respeito às abordagens conhecidas como  culturalistas na literatura. Não  negando  a validade da  literatura   como manifestação  histórico-cultural, a ensaísta  toma  posição  mais  ousada  e  muito aderente  ao elemento  da “imaginação” e da forma da linguagem  da escrita literária que,  para ela,  são componentes  intrínsecos  do fenômeno  literário.    
        Ao afirmar que  não se opõe às discussões  de temas políticos e  polêmicos  como  o feminismo,  o homoerotismo, por exemplo,  a ensaísta   reforça a ideias de que literatura não é “panfleto” nem “manifesto.” Nada, segundo ela, contra as questões políticas, desde que  estas não se sobreponham  às qualidades  do fazer   literário, desde que não abra mão  do ato criativo com “valor  estético”  e cognitivo”
         Ao  abordar  a situação da literatura  no meio  universitário,   ela  chama a atenção  para o fato de que hoje em dia  as comunicações acadêmicas em congressos  só interessam, em alguns  casos,  aos iniciados, aos  universitários de letras.Sua entrevista  reage com firmeza contra   quem  entende ser a “obra  de arte” um  produto comerciável,  consumível,  descartável, com  produto  passageiro,  isso tudo na contramão do sentido de “conservação”   e valorização e perenidade   da arte literária.
           No balanço que faz da literatura contemporânea, ela reconhece que a literatura  tem agora uma “presença  frágil” na mídia.”  Para que sobreviva,  ela precisa  de alavancar  meios   de melhorar a leitura e o ensino  da literatura.

       . Contraditoriamente, concluo, a ensaísta frisa que o número de  publicações  literárias  é muito   animador  e  mesmo   grande e suas palavras para a atividade da crítica  literária  ela deixa perceber  que os críticos  perderam o antigo reconhecimento  que alcançou seu apogeu “nos meados do século XX, o mesmo  valendo  para a literatura   que,  no seu juízo,  perdeu  seu  lugar de destaque passando, com o tempo, a se misturar  com  o rótulo geral  e insosso  no meio de  outras   vias de comunicação, resultante, é óbvio, do avanço  incontrolável, da indústria  cultural  e, todas as suas nuanças.O leito  interessado na discussão  de todas  essas questões  encontrará  o aprofundamento   delas  na nova  obra da ensaísta, razão  da entrevista,  Mutações da literatura no século XXI (Companhia das Letras).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Panegírico

CONVITE



            A Academia de Medicina do Piauí tem o prazer de convidá-lo (a) para panegírico dos acadêmicos , Dra. Rosa Amélia Tajra França e Dr. Luiz Nódgi Nogueira Filho, que ocorrerá no dia 03 de novembro de 2016, às 19h30, no Sindicato dos Médicos, Rua Paissandu, 1665, Teresina - Piauí.

            A Academia de Medicina do Piauí sentir-se-á honrada com a sua presença.


Atenciosamente,


Acadêmico Dr. José Itamar Abreu Costa
Presidente da Academia de Medicina do Piauí

  
Traje: Acadêmicos, passeio completo.
Convidados, esporte fino  

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

POLÍTICA PARNAIBANA A PARTIR DE 1950 (Partes V, VI e VII)

Governador Chagas Rodrigues

POLÍTICA PARNAIBANA A PARTIR DE 1950 (Partes V, VI e VII)

Alcenor Candeira Filho

V.             R E C O R D I S T A S

A)           No EXECUTIVO MUNICIPAL: família Moraes Correia, com 8  mandatos e 32 anos à frente do Executivo Municipal:

                      - 1899-1900: Francisco Severiano de M. Correia
                      - 1901-1904: Jonas de Moraes Correia
                      - 1905-1912: Luiz Antônio de Moraes Correia
                      - 1913-1914: Constantino de Moraes Correia
                      - 1951-1954: João Orlando de Moraes Correia
                      - 1963-1966: Lauro Andrade Correia
                      -1989-1992: Francisco de Assis de M.  Souza
                      -1997-2000: Antônio José de Moraes S. Filho



B)           Em NÚMERO DE MANDATOS DE PREFEITO: José Hamilton Furtado Castelo Branco, com 12 anos no poder durante3 mandatos:

                 - 1993-1996
               - 2005-2008
               - 2009-2012

C)           No EXERCÍCIO DE MANDATOS ELETIVOS: Alberto Tavares Silva, com cerca de 38  anos de mandato:

- Prefeito de Parnaíba: 1948-1950e  1955-1958
- Deputado Estadual: 1950 (renunciou)
- Governador do Piauí: 1971-1975e  1987-1991
- Deputado Federal: 1994-1997e  2007-2009)
- Senador da República: 1979-1986  e  1992-2006


D)           Em NÚMERO DE VOTOS EM ELEIÇÃO NO MUNICÍPIO: Mão Santa, com mais de 90%dos votos dos parnaibanos nas eleições para Governador do Piauí em 1994.

E)            Em MANDATOS NA CÂMARA MUNICIPAL: Custódio Amorim, com 8 mandatos  e mais de trinta anos  no Legislativo.

F)            Em INVENCIBILIDADE ELEITORAL: Antônio José de Moraes Souza, que disputou 6 eleições vencendo todas: 5 vitórias para deputado estadual a partir de 1983 e 1 vitória para deputado federal em 2002

VI.          P A R N A I B A N O S     Q U E E X E R C E R A M      MAND A T O     D E      D E P U T A D O       E S T A D U A L A P A R T I R D E  1950:

- Alberto Tavares Silva
- Epaminondas Castelo Branco
- Antônio José de Sousa
- José Alexandre Caldas Rodrigues
- Francisco das Chagas Ribeiro Magalhães
-Elias Ximenes do Prado
- Elias Ximenes do Prado Júnior
- José Francisco da Paz
- João Batista Ferreira da Silva
- João Silva Neto
- Paulo Silva
- Cândido Oliveira
-Antônio José de Moraes Souza
- Antônio José de Moraes Souza Filho
- Francisco de Assis de Moraes Souza (Mão Santa)
- Mirocles Veras Neto
- Paulo Eudes Carneiro
- Hélio Oliveira
- José Hamilton Furtado Castelo Branco
- Tiago José da Silva
- Juliana Falcão

  
V II.   P A R N A I B A N O S Q U E G O V E R N A R A M O O E S T A D O      D O      P I A U Í

A)           GOVERNADOR FRANCISCO DAS CHAGAS CALDAS RODRIGUES

          Iniciou a carreira política elegendo-se deputado federal pela UDN (1951-1955). Outros mandatos de deputado federal, agora pelo PTB: 1955-1958,1963-1967,  1968-1971 (cassado pelo AI-5/1968).  Governador do Estado do Piauí (1959-1962)e  Senador da República
(1987-1994).
           A candidatura de Chagas Rodrigues ao Governo do Estado em 1958 foi lançada quando faltava um mês para a realização das eleições, em razãodo desastre automobilístico que ceifou a vida de Demerval Lobão Veras e de Marcos Parente, candidatos pelas oposições a Governador e a Senador respectivamente. Chagas Rodrigues e Joaquim Parente foram os substitutos dos candidatos falecidos.
          Principais realizações:

- criação da Companhia de Desenvolvimento Econômico (CODESE)
- construção de pontes de concreto armado sobre os rios Maratoan, Longá e Gurgueia
- construção de rodovias
- construção do edifício de 4 pavimentos do DER em Teresina
- montagem do novo Centro Telefônico de Teresina
- constituição de Telefones do Piauí S.A.-TELEPISA
- reaparelhamento do Diário Oficial
- construção do Abrigo São Francisco para atender tuberculosos
- construção do Abrigo Santa Teresinha e do Abrigo São Vicente para atender idosos
- instituição do “Sopa do Pobre”
- estadualização do Ginásio Parnaibano (Colégio Estadual Lima Rebelo)
- estadualização da Escola Normal Francisco Correia
- luta pela construção da Barragem Hidroelétrica de Boa Esperança.

B)           GOVERNADOR ALBERTO TAVARES SILVA

                  Sua candidatura em 1971 ao Governo do Estado por meio de eleição indireta começou a ser construída em Fortaleza através do Coronel Virgílio Távora , Governador do Estado do Ceará, sendo consolidada em Parnaíba, com o apoio de quase todos os grandes líderes políticos, independentemente de filiação partidária.
               A união dos políticos parnaibanos em torno de Alberto Silvafoi correta e produziria bons frutos. Ele já havia administrado satisfatoriamente a cidade por duas vezes e como diretor da CENORTE, sediada em Fortaleza, trouxe para Parnaíba a energia elétrica de Paulo Afonso, antecipando-se à solução definitiva, a energia de Boa Esperança.
                 Nas eleições diretas de 1986, Alberto Silva derrotou Antônio de Almendra Freitas Neto, assumindo novamente o Governo do Estado do Piauí.
                 No livro PERSONALIDADES ATUANTES DA HISTÓRIA DE PARNAÍBA ONTEM E HOJE, de Aldenora Mendes Moreira (Parnaíba, Edição da autora, s/d., p. 166/167) foram elencadas as principais realizações nos dois períodos em que Alberto Silva governou o Estado do Piauí (1971-1975  e  1989-1991):

-Implantação da reforma de ensino
- Ampliação da rede escolar
- Edição e reedição de obras literárias de autores piauienses
-construção de hospitais
- Reforma do Hospital Getúlio Vargas e sua transformação em Centro Integrado de Medicina, sem similar no Norte do Brasil
- Interiorização da Assistência Médica e Odontológica
- Construção de rodovias federais e estaduais:Transpiauí, Vale do Babaçu e ligação de Luís Correia a Cristalândia
- construção do Estádio de futebol Alberto Tavares Silva,o “Albertão”, em Teresina
- Reforma do Hotel Piauí e do Paláciode KarnaK (Sede do Governo),  em Teresina
- Ampliação e reforma do Theatro4 de Setembro, em Teresina
- Construção do Monumento aos Heróis da Batalha do Jenipapo, em Campo Maior, e instituição do Museu do Jenipapo
- Criação do Centro Materno-Infantil, em Parnaíba
- Criação da Companhia de Distritos Industriais do Piauí –CODIPI
- Implantação do Projeto Piauí
- Criação da Empresa Piauiense de Turismo – PIEMTUR
- Criação da Secretaria de Indústria e Comércio
- Ampliação da rede elétrica e da sede de abastecimento de  Água, no Estado
- Implantação domiciliar da rede de esgoto, em Teresina
- Fomento à agricultura e à pecuária
- Implantação do sistema de comunicação via EMBRATEL , e da televisão
- Criação do Parque Zoobotânico de Teresina
- Construção de casas populares
- Instituição da Ordem Renascença do Piauí
- Construção do Monumento à Imperatriz Teresa Cristina,uma  Homenagem da Capital à ilustre mulher que lhe deu o nome
- Criação da Secretaria de Cultura do Estado
- Posse do terceiro Arcebispo do Piauí, Dom José Freire Falcão
- Assinatura do Convênio com o Governo Federal, para a construção da penitenciária agrícola  de Teresina, Penitenciária Major César Oliveira
- Criou o Instituto de Educação, em Teresina
- Construção de aeroportos no interior do Piauí
- Implantação do Metrô, em Teresina
- Criação do Parque de lazer – POTYCABANA, em Teresina.
- Construção da Maternidade Evangelina Rosa, em Teresina

C)           GOVERNADOR MÃO SANTA

          Nos anos 70 Parnaíba conviveu com a forte liderança política de duas famílias que já pontificavam a partir dos anos 40: João Tavares Silva Filho e Alberto Tavares Silva, Francisco das Chagas Caldas Rodrigues e José Alexandre Caldas Rodrigues.
          Foi nessa década que os irmãos Antônio José de Moraes Souza e Francisco de Assis de Moraes Souza (Mão Santa) começaram a consolidar grande liderança em Parnaíba, sendo eleitos sucessivas vezes para cargos relevantes na cidade e no Estado ao longo da carreira política. Mão Santa mais espontâneo e popular; Antônio José, mais cauteloso e cerebral.
          Na campanha de 1994 para o Governo do Estado, Mão Santa foi vitorioso no segundo turno contrariando todos os prognósticos. O candidato adversário foi o deputado federal Átila Lira, apoiado pela maioria dos caciques políticos piauienses.
          Reeleito em 1998, Mão Santa assumiu pela segunda vez o cargo de Governador, tendo o mandato cassado pela Justiça Eleitoral em novembro de 2001, por abuso de poder econômico na campanha. Foi substituído no cargo por Hugo Napoleão do Rego Neto, derrotado na referida eleição.
          Principais realizações de Mão Santa nos dois períodos em que governou o Estado:

- aquisição do prédio para instalação da Academia de Polícia Militar do Estado do Piauí
- execução do Projeto “Sanear” em Teresina
- criação do Programa “Sopana Mão”
- criação de novos cursos na UESPI
- construção e recuperação de estradas
- construção de postos de saúde
- construção e asfaltamento de ruas e avenidas
- recuperação e construção de estradas de rodagem
- instituição do “Luz Santa”                                        

D)             GOVERNADOR ANTÔNIO JOSÉ DE MORAES SOUZA FILHO

          Antônio José de Moraes Souza Filho (Zé Filho) assumiu o Governo do Estado em 04-04-2014, como sucessor de Wilson Nunes Martins , que havia renunciado para candidatar-se a Senador, permanecendo no cargo até 31-12-2014.
          Principais realizações no curto período de mandato:
- início da recuperação e duplicação da estrada para a Pedra do Sal
- asfaltamento de ruas e avenidas em Parnaíba e em outros municípios

          Antônio José de Moraes Souza Filho foi deputado estadual em duas legislaturas, prefeito de Parnaíba e é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Piauí.

domingo, 30 de outubro de 2016

Seleta Piauiense - Carvalho Neto


Chamamento

Carvalho Neto (1944)

rouba da gaivota ao voo a musicalidade
e na cidade faz a partitura de tuas dores
criatura com mãos de todos os andores
encharcadas de suor, de mil licores
constrói a nova poesia
guarda a solidão da praça vazia
no bolso do casaco
e com pés e direitos feridos, abre estradas
amadas, demais amadas, marcadas
como versos na rocha
rouba aos olhos todos os rancores
que os senhores não abaterão teu brio
teu amanhã será depois de amanhã
e não ficarás na outra margem do rio.              

sábado, 29 de outubro de 2016

Missiva a um jovem poeta (*)


Missiva a um jovem poeta (*)

Elmar Carvalho

Com data do dia 20/10/2016, recebi o seu e-mail, com o seguinte e sucinto conteúdo:
“Senhor Elmar lhe escrevo com sinceridade para pedir-lhe que leia o material que lhe envio e me remeta um feedback. Tenho escrito poesias, algo muito amador já que não sou tão versado nas letras, mas tenho um enorme interesse em aprender mais sobre a escrita e suas artes, portanto tenho buscado alguém que possa dividir conselhos sobre como tornar melhor o material que tenho escrito, portanto lhe envio algumas de minhas poesias para que possas me ajudar se assim for possível. Desde já agradeço.”

Tentarei respondê-lo.

Por e-mail, pedi a Ualace Costa, remetente do bilhete eletrônico, que me dissesse a sua idade e a sua instrução formal, para que eu pudesse ter uma ideia de como deveria formular a minha resposta.

Fiquei sabendo que tem curso superior e que tem a idade de apenas vinte e poucos anos. Isso me fez lembrar estes versos da música de Belchior, que tanto ouvi no início de minha já distante e bisonha juventude: “Tenho 25 anos de sonho, de sangue / E de América do Sul”.

Também tive meus sonhos, e um deles era ser poeta, o melhor que eu pudesse ser. Contudo, não faço mais versos. Não os faço, não por desejo próprio, mas porque eles não mais me procuram. E não os desejo fazer à força. A genuína poesia é caprichosa e só nos aparece quando bem deseja.

De início, devo dizer que é uma tarefa muito difícil, e acredito que mesmo impossível, um poeta ajudar outro poeta a tornar melhores os seus poemas. Talvez possa dar algumas dicas, algumas pistas ou alguns “bizus” como dizem os professores de pré-vestibular.

Prefiro fazê-lo em forma de breve depoimento, que você deverá aplicar à sua própria experiência, mutatis mutandis, para gastar um pouco de meu incipiente latinório.

Senti que a poesia ganhava força em mim a partir de meus dezenove anos, e sobretudo quando alcancei a idade que você tem agora, mesmo tendo sido um leitor de poesia desde os meus dez anos.

Não tive pressa em publicar livros, apesar de que publiquei algumas crônicas e contos no jornal A Luta (de Campo Maior), a partir de meus 16 anos. Depois, aos 19, em jornais de Parnaíba e Teresina, comecei a publicar meus poemas. Muitos, apesar de não renegá-los, não os recolherei em livros; fazem parte de minha experiência literária.

O fato de você ir publicando de forma esparsa e entre amigos e professores, faz com que o poeta sinta a receptividade que seus textos estão tendo. Também não podemos ter a pretensão de achar que todos eles são bons. De qualquer sorte sempre é bom que a nossa autocrítica seja rigorosa. Mas é saudável que ouçamos os nossos leitores, amigos e críticos.

Penso que é indispensável ler muito mais do que escrever. Ao escrevermos, não nos devemos esquecer da borracha, da caneta vermelha ou da tecla de deletar. A concisão é necessária, mormente nos dias de hoje, em que há várias mídias, em que há uma multidão de livros, que abarrotam as livrarias, em que há escritores e poetas de mais e leitores de menos.

Por outro lado, pelo menos no Piauí (mas não só), a “carreira” literária é quase sem retorno, tanto de reconhecimento como em termo financeiro. Escreve-se a vida inteira em troca de pouco ou nenhum reconhecimento.

Não sou daqueles poetas que dizem acreditar apenas no trabalho. Acredito na transpiração, mas também acredito na inspiração. Posso dizer que muitas vezes tive o lampejo de um poema, que só veio à luz muito tempo depois. Alguns poemas já nasceram quase prontos, enquanto outros tive que polir, desbastar e acrescer, caso viesse a ter uma ideia que achasse interessante.

Outros poemas os imaginei por vários meses, e até mesmo por alguns anos. Tive que pesquisar para fazê-los. Deixei-os em estado latente, em meu cérebro, até que um dia senti a compulsão irrefreável de escrevê-los. Por vezes busquei esse momento e essas emoções, vendo prédios antigos, olhando velhas fotografias, rememorando certos fatos e situações.

Imprescindível ler os grandes poetas, tanto os do passado como os contemporâneos, para que possamos lhes descobrir as técnicas e macetes, os jogos de linguagem, mas sem que tenhamos a necessidade de nos tornarmos cerebralistas e artificiais. E lermos, um pouco, os maus poetas, para que percebamos muito bem a diferença entre um verdadeiro poeta e um poetastro. Aprendi muito com isso.

Um poeta deve ter coragem de ser poeta. Isto é, dizer o que deve ser dito, calar o que deve ser calado, mas sem a poda da autocensura. E sempre é válido, sem descurar do estudo da crítica e da teoria literária, ser também intuitivo, e não excessivamente racional e metódico.

Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Sobretudo a humildade para nos mantermos abertos a novas aprendizagens. Ao recomendar a humildade estou falando principalmente para mim mesmo. Manuel Bandeira, que era Manuel Bandeira, escreveu este verso: “Sou poeta menor, perdoai!”


Deixo que você medite sobre minhas pobres palavras, e tire as suas próprias conclusões. Desejo que elas possam lhe servir para alguma coisa. Considero o homem como uma obra em construção, e que ele próprio deve buscar o seu autoaperfeiçoamento. Caso sejamos crentes, poderemos orar, e pedirmos a ajuda de Deus.

Você é poeta. Tem garra para ser poeta. Seus poemas têm substância. Prossiga, sem pressa; prossiga com cautela, estudo e labor.

E sem esquecer a intuição e a inspiração, se é que essas duas palavras não nomeiam uma só e mesma coisa.

Atenciosamente,

Elmar Carvalho


(*) É bom que se leia “Carta a um jovem poeta”, do excelso vate Rainer Maria Rilke, que não consultei para escrever o vertente texto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Histórias de Évora - Capítulo XXVII


HISTÓRIAS DE ÉVORA

Este romance será publicado neste sítio internético de forma seriada (semanalmente), à medida que os capítulos forem sendo escritos.

Capítulo XXVII

O voo do Pardal

Elmar Carvalho

Entre as figuras mais notáveis de Évora se destacava o Eugênio. Eugênio Dantas. Fazia jus ao nome. Era um legítimo gênio eborense. Tinha dois ou três anos a mais que eu. Dominava todas as matérias, desde as de Humanidade, como História e Geografia, até as de Ciência, tais como Biologia, Física e Química. Matemática, então, era a sua disciplina predileta. Memória prodigiosa, decorava nomes e datas com facilidade, inclusive as escalações dos principais times brasileiros. Era ainda exímio desenhista e pintor. Foi ele quem idealizou e pintou o escudo do Liceu Eborense. Disso lhe adveio o apelido de Professor Pardal, que depois foi reduzido para Pardal.

Dentre os seus livros, lia com frequência um sobre os grandes inventores, as biografias de Santos Dumont e de Leonardo da Vinci. De grande habilidade manual, seus papagaios ou pipas se destacavam, tanto pela beleza como pela perfeita aerodinâmica. Em diferentes tamanhos e formatos, alguns imitavam aviões, navios, igrejas, sobrados e discos voadores. Um desses artefatos imitava o famoso 14 Bis de Santos Dumont.

Passou a construir objetos que se moviam ou voavam, com o uso de pólvora e bexigas ou balões, que funcionavam como turbinas de jatos, a impulsionar a geringonça. Num desses experimentos, saiu chamuscado, mas sem gravidade. Certa feita, na época do lançamento da Apolo 11, construiu um foguete, que soltou na praça central.

A engenhoca, impulsionada a pólvora, subiu com considerável rapidez, mas sem controle terminou caindo sobre o sobrado do major Américo Nepomuceno. Foram quebradas algumas telhas, fato que provocou grande descontentamento ao proprietário. O prejuízo foi pago pelo pai de Eugênio. O inventivo professor Pardal o ajudava em sua oficina eletrotécnica, a de maior clientela do município.

Na época dos festejos juninos, Pardal, com a ajuda financeira de amigos e de pessoas gradas da sociedade eborense, construía os maiores e mais belos balões, que encantavam as noites eborenses. Todos os rostos se voltavam para cima, para acompanhar os lindos objetos luminosos. Todavia, desde quando um desses balões caiu sobre um pequeno quintal, provocando diminuto incêndio, logo debelado, graças aos moradores e vizinhos, Eugênio não mais os construiu.

Passou, então, Pardal a alimentar outro sonho, que era o de construir uma espécie de asa delta para sobrevoar a Serra do Cachimbo. Seu pai, quando soube desse plano, o repreendeu severamente, e o advertiu para que jamais fizesse uma loucura desse tipo. Entretanto, o pai cada vez dependia mais de sua ajuda, e consequentemente, para incentivá-lo a prestar-lhe serviço, aumentava gradativamente a sua mesada.

Contudo, o rapaz tinha as suas crises emocionais. Tornava-se cada dia mais ensimesmado, mais introspectivo, no seu sonho de se tornar um engenheiro eletrônico, com o que seu pai não concordava, porquanto desejava que ele o substituísse, no futuro, em sua oficina, mesmo que dividissem o lucro. Mas o fato é que o jovem tinha seus períodos de depressão, que na época as pessoas chamavam apenas de tristeza ou de esquisitice. Embora nunca o seu problema tenha sido diagnosticado por um psiquiatra, suponho que ele começou a ter uma progressiva esquizofrenia, que nunca teve tratamento.

A verdade é que ele, utilizando o galpão da quinta de um amigo, iniciou a construção da sua asa delta. Seguiu como modelo as que via nas ilustrações das revistas e livros, e também num filme de espionagem. Calculou a escala entre o tamanho do piloto e a asa. Após, fez a proporção entre o seu próprio tamanho e o de seu artefato planador. Construiu-o desmontável, dividido em três partes, que se encaixavam com segurança e perfeição.

Certo dia, às nove horas de uma manhã de domingo, Pardal apareceu na quinta a dirigir a perua Rural de seu pai, que em raras ocasiões lhe era cedida. Da melhor maneira possível, acomodou o artefato supostamente voador no carro. Seu amigo não estava, de modo que quem lhe abriu a porta do galpão foi a dona da casa, que não lhe fez nenhuma pergunta, por nada estranhar, na suposição de que o objeto fosse um enorme papagaio.

Quando deram duas horas da tarde, sem que Eugênio aparecesse para o almoço, seus pais começaram a se preocupar. Visitaram os amigos mais chegados do rapaz, mas nenhum soube dar qualquer notícia sobre o seu paradeiro. Um deles, todavia, informou que ele nos últimos tempos vinha tendo muito contato com um garoto residente numa quinta localizada na periferia da cidade. Deu o nome do rapaz e de sua mãe. O pai de Pardal, em companhia de um amigo, foi até essa residência.

Lá ficaram sabendo do projeto da asa delta artesanal e de que ele a recolhera. O amigo de Pardal ainda informou que ele tinha o sonho de sobrevoar a serra. Pretendia saltar do despenhadeiro chamado Boqueirão dos Ventos. Era um lugar visitado por alguns eborenses, embora ainda não pudesse ser considerado como ponto turístico, porque de lá se contemplava uma linda paisagem, com outros morros e paredões em derredor, que formavam um semicírculo, algo semelhante a um imenso anfiteatro, cujas gradações cromáticas, conforme a vista se alongasse ou não, variavam do mais tênue verde azulado ao mais profundo azul. Nas manhãs invernosas, em que o caburé com frio piava, piava, as névoas proporcionavam um mágico espetáculo.

Havia uma espécie de obelisco rochoso no centro do vale, aos pés do qual se descortinava um verdejante tabuleiro, forrado de capim mimoso e arbustos, que bem poderia servir para um pouso de emergência. O rapaz acrescentou que o plano de voo de Eugênio incluía o retorno ao ponto de partida, que tinha a estrada e era um planalto descampado, o que lhe facilitaria o pouso. Sem dúvida o carro estaria nas proximidades desse local.

Como já fosse noite era impossível a busca imediata. Porém, no dia seguinte, policiais, amigos e parentes de Eugênio foram à sua procura. Logo avistaram a Rural, estacionada perto do abismo do Boqueirão dos Ventos, cujo nome se devia ao fato de que o vento era canalizado pelas encostas circulares e parecia subir exatamente nessa espécie de garganta, que também era chamada de Goela do Eco. Nesse ponto as pessoas gostavam de gritar, para que os gritos se repetissem ampliados.

Todos compreenderam que o rapaz escolhera esse local para o seu voo inaugural porque nessa garganta da serra objetos leves flutuavam e não caíam no abismo, o que poderia ser o local ideal para a planagem de uma asa delta, que na verdade fora construída como um grande papagaio, com armação de tabocas e talas de buriti, recoberta por uma resistente lona encerada. Feita essa constatação e já com o auxílio de um nativo conhecedor dos segredos e mistérios do local, começaram a lenta descida. Fizeram os devidos contornos em busca de lugares menos íngremes e menos perigosos.

Após quatro horas de procura, encontraram a engenhoca voadora. Algumas talas estavam quebradas. Considerando-se o local do salto e o local onde o planador foi encontrado, os presentes acordaram em que o voo fizera o percurso de cerca de três quilômetros. Por vários dias ainda tentaram encontrar o rapaz, mas o seu corpo nunca foi localizado. As mais desencontradas e contraditórias hipóteses foram levantadas; algumas não passavam de mera fantasia, outras eram verossímeis, conquanto bastante divergentes entre si.

Alguns defendiam a tese de que Pardal ‘fora encantado pelo feitiço da serra’. Outros, pretensamente mais realistas, afirmavam que o rapaz fora arrastado para alguma gruta desconhecida por uma fera de grande porte. Tinha os que defendiam a suposição de que em lugar de fera algum animal fantástico o devorara com ossos e tudo. Houve ainda os que argumentaram que ele havia sido arrebatado para outra dimensão.

Não faltou quem levantasse a hipótese de que ele se suicidara em lugar esconso, para que seus pais nunca soubessem que ele teria cometido esse ato considerado pecaminoso e abominável. Para outros ele simplesmente simulara um acidente e fora morar em outro lugar distante, onde adotaria outra identidade.


O jornal A Batalha estampou a manchete: ‘O último voo do Pardal’, embora não se tenha notícia de ter havido outro voo anterior. No final da reportagem, o doutor Epaminondas Gondim cunhou a frase de efeito que ainda hoje reboa nas conversas, e se tornou o dístico do monumento erigido em sua memória: ‘Desapareceu em mistério e sortilégio o genial Eugênio, o legendário Ícaro Eborense’.”     

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Lançamento do livro Imagem do Sol Poente


Olhar pedagógico em Imagem do sol poente

Homero, sua esposa Hilma e vários de seus confrades da APL

Olhar pedagógico em Imagem do sol poente

Carlos Evandro M. Eulálio   
Professor, escritor e crítico literário                      

Devo confessar a imensa satisfação em apresentar esta significativa obra, Imagem do Sol Poente, do escritor Homero Castelo Branco, da Academia Piauiense de Letras, consagrado autor de vasta produção literária.

Ao contato com suas primeiras páginas, percebi estar diante de um livro cujo mérito não se deve apenas ao conteúdo literário de suas histórias, mas à intensidade artística com que o autor as escreve.
“As obras belas são filhas de sua forma.” Diz Paul Valéry.

O livro reúne um conjunto de crônicas ou relatos breves versando sobre temas diversos, escritos em linguagem simples e espontânea, correta, criativa, fluente e bem humorada. Por vezes, as crônicas de Homero Castelo Branco tomam a forma do ensaio filosófico ou do relato memorialista e de circunstância, confirmando, portanto, o caráter híbrido desse gênero textual cuja matéria prima, na visão de Luís Fernando Veríssimo, “são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido.” 

É recorrente, nessas duas modalidades de gênero mencionadas, o propósito pedagógico do autor, quando intenta transmitir ao leitor sábias lições   decorrentes não só da sua experiência existencial, por sinal inseparável da atividade de escritor, mas também do farto repertório de leitura que possui e que projeta com exuberância de detalhes nos textos que escreve, resultantes de suas incursões no universo da filosofia, da história, da poesia e das artes em geral.

Conforme José Carlos Libâneo, “pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, direta ou indiretamente, ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação ativa de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação humana definidos em sua contextualização histórica. Em outras palavras, pedagogo é um profissional que lida com fatos, estruturas, contextos, situações referentes à prática educativa em suas várias modalidades e manifestações” (LIBÂNEO, 1996). Esse conceito amplia a noção de educador quanto ao campo de atuação: não é somente profissional da educação aquele cujo exercício docente restringe-se apenas à escola, mas também é alguém cuja prática educativa ocorre num espaço que ultrapassa as fronteiras da sala de aula. No ensaio A Literatura e a formação do homem, Antônio Cândido destaca a função formadora da literatura “que atua como instrumento de educação, de formação do homem, uma vez que exprime realidades que a ideologia dominante tenta esconder.” Essa citação ratifica o poder que tem a literatura de influir na formação intelectual do leitor. O conhecimento que Homero Castelo Branco transmite nas crônicas de Imagem do sol poente, sem arrogância intelectual, é também isento de transbordamentos pretensiosos, porque o seu propósito não é comunicar verdades absolutas, mas refletir com o leitor sobre temas que têm relevância para uma maior compreensão de mundo, a fim de que possa atuar na sociedade como cidadão crítico, considerando valores morais e éticos.

A reflexão pessoal e intimista é o fio condutor das histórias e relatos. Pelo viés da memória e tomado de afeto e emoção, Homero revive nas páginas da obra Imagem do Sol poente suas diversas fases da vida. São acontecimentos que constituem uma série de textos, formando um grande painel em que se sucedem os encontros e viagens, os antepassados, a família, a infância, a adolescência, a velhice, os tempos de estudante e de político, os episódios vividos em Fortaleza, em Teresina ou “entre lençóis e travesseiros” na casa do sítio Marathaoan.

Na mensagem ao leitor no início do livro, o próprio autor adverte: “Que livro é este? Perguntam. Dê a esta narrativa o título que quiser. Certamente não é romance nem ficção. Também não é ensinamento. O ser humano possui uma sabedoria secreta e cada leitor sabe mais do que eu sobre como viver, como ser feliz, como amar.”

Homero Castelo Branco assim explicita sua vocação pedagógica: “o conhecimento é uma dádiva. Saber dividi-lo é um exemplo de sabedoria. [...] Ninguém nasce sabendo, portanto pergunto. Todo dia é uma existência em miniatura, procuro sempre aprender uma coisa nova. [...] Todo sábio sabe que não sabe nada. Aristóteles, filósofo grego sabia disso e olhe quem era. Ninguém precisa entender as estrelas, nem contá-las, nem nada, basta apreciá-las, respeitá-las, enternecer-se com o brilho delas pelo infinito afora.” 

Mário Sergio Cortella alude a esse fato, ao afirmar que  “Não nascemos prontos...Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. (CORTELLA, 2010). E lembra Guimarães Rosa, quando dizia que “o animal satisfeito dorme.”

No texto Sonho com minhas viagens, por exemplo, Homero dá lições de turismo ao leitor, mostrando-lhe a importância de compreender e sentir a vida histórica, social e cultural da cidade que visita, embora às vezes tenha de sair da zona do conforto: “Lamento ver pessoa que dá volta ao mundo e se angustia diante de situação que costumo ficar maravilhado. Que torce o nariz para o odor dos tanques de curtidor e tintureiro de pele em Fez, no Marrocos. [...] Viajar sem estar minimamente informado sobre o destino escolhido é bem parecido como não viajar. É assistir a um show de música no Central Park, mas não tira o olho do ipad; ir ao Rio de Janeiro, mas tem medo de visitar a Lapa; ir a Buenos Aires, mas não pensa em prestigiar o tango – programa de velho. Olha tudo de cima, julgando, depreciando, como se o fato de se entregar ao local visitado fosse uma espécie de servilismo – como se tivesse vergonha de ser turista”.

Para Homero, toda viagem exige espírito aberto, aquela disposição de enfrentar o desconhecido. Aos que só se lembram das coisas que deram errado nas viagens, adverte que “viajar é um convite ao inesperado.” Sobre viagens disse José Bonifácio, nosso Patriarca da Independência: “Homens que de sua terra não saem são navios que acabam no estaleiro... Errando por esse mundo se aprende a não cometer erros.”

A cidade sempre foi matéria de interesse da literatura. Nas narrativas de Rubem Fonseca, a modernização e o progresso das cidades não contiveram o avanço da violência e a desumanização da sociedade. Assim também é a Cidade Verde dos anos 1960, vista pelo autor, ao resgatar pela memória um cenário urbano muito distante de nós, que vale a pena ser conhecido na obra Imagem do sol poente pelos que não tiveram o privilégio de ter vivido em Teresina, na época em que “Havia cadeira nas calçadas para a conversa,” diz o autor. Com nostálgico desencanto, Homero também testemunha as transformações que o fazem rever a cidade “com os olhos da saudade [...]. A Teresina de meus amores não existe mais, a não ser na recriação de minha nostalgia.” É a cidade que Homero escolheu para viver: “Devo muito a Teresina, sobretudo por ter-me recebido e tratado como filho natural desta terra. [...] É a cidade de nascimento de meus filhos, que progridem, fazem seus sonhos e edificam sua realidade.” 

A velhice é descrita pelo autor como algo a que todos estamos fadados. No entanto, a ela se refere com resignação e sabedoria no texto O corpo é traidor, no qual dialoga a esse respeito com filósofos, poetas e artistas. Em outro texto, chama a atenção do leitor para a distinção entre velho e idoso; “O idoso sonha, o velho apenas dorme; o idoso sente o amor, o velho só sente ciúme e possessividade; o idoso tem o dia de hoje como o primeiro do resto de sua vida, o velho é quando todo dia parece o último de sua longa jornada.”

Para Cortella, “...é absurdo acreditar na ideia de uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando... Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira”. É com esse propósito que Homero nos ensina a ser idosos e não velhos: “Minha tolerância por ser idoso e não velho ficou mais elástica, inclusive com a burrice alheia. Claro que desenvolvi a paciência de um monge, porém deixei de correr o risco de morrer de raiva, enfurecido por qualquer besteira. Descobri que não posso controlar tudo aquilo que acontece a meu redor, a falar menos e escutar mais.”

Muito aprendemos com o autor nas páginas desta obra, quando evoca de uma perspectiva do homem já vivido, lembranças de pessoas e acontecimentos, às vezes os mais íntimos, por meio de uma elaboração textual que mais e mais desperta a curiosidade e o interesse do leitor. A propósito, a educadora Maria Luíza Ritzel Remédios afirma: “Parece que a literatura confessional é aquela que mais se aproxima do leitor, porque fala de um eu, de uma pessoa viva que ali se encontra e que diante do leitor desnuda sua vida, estabelecendo-se, então, uma perfeita união entre autor e leitor” (1997, p.9).

Essa fusão existe também pela atmosfera lírica que se instala no texto, quando os elementos do real entram em tensão com o imaginário, para criar uma nova realidade atrás da qual o autor desaparece. Esse fenômeno literário se constata em vários textos desta obra, porém o destaque vai para a crônica O hóspede, na qual o narrador descreve as ações de um hóspede excepcional, que acolheu em casa durante vinte dias, a quem se concederam regalias e privilégios. O leitor, até descobrir que se trata de um bebê e não de um adulto, surpreende-se com as regalias do hóspede e com a atitude do anfitrião em aceitá-las: “Poderíamos acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre o cômodo e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte. Zangar-se com ele, não. Jamais ninguém se voltou para ele que não sorrisse; algum impulso de irritação contra ele sentiria desarmado com sua maneira de olhar. Viajou, meu amigo Nícolas. Fico refletindo na falta que faz o amigo de nove meses de idade ao seu companheiro de setenta anos, vivido e puído.”

Vale ressaltar o lirismo e a habilidade literária com que Homero tece essa crônica, a exemplo do texto de Drummond, No aeroporto, cuja discursividade também manifesta com emoção o sentimento de saudade, em virtude da ausência da criança.

Convém ainda ressaltar neste livro o largo emprego de aforismos, que reforçam o aspecto pedagógico do autor, cujo discurso concilia literatura e filosofia, bem ao estilo machadiano. A respeito dos aforismos, referiu-se o jornalista e escritor James Geary: “Os aforismos são a bagagem de mão da literatura. Leves e compactos, eles cabem facilmente no compartimento superior do nosso cérebro e incluem tudo o que precisamos para atravessar um dia difícil no escritório ou uma noite melancólica da alma” (GEARY, 2007, p.20). São frases curtas que condensam conceitos amplos, espécie de Idea-creating, expressão atribuída ao escritor Vernon Sproxton, citado por Gabriel Perissé, para denominar “as frases que ficam dando voltas em nossa mente, criadoras de ideias, isto é, frases propulsoras que nos encaminham sempre para o ponto de partida”, como estas citadas neste livro por Homero Castelo Branco:  

“Cada texto literário é um pedido de hipoteca de um pedaço do tempo e do amor de seus possíveis leitores.”

“A vida é uma bênção, mas tem prazo de validade.”

“A religião é importante não só para a atividade mental e física do homem, mas também para o entendimento social do ser humano.”

“Sonho com o dia quando todas as coisas do mundo serão pintadas de azul, além do céu e do mar, que imagino serem do azul mais profundo.”

“A gente envelhece quando se para de sonhar.”

Na literatura brasileira, além de Machado de Assis, outros autores destacaram-se na arte aforística, como Antonio Maria, Otto Lara Resende, Nelson Rodrigues, Murilo Mendes, Mário Quintana, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e tantos outros.     

Concluo esta apresentação, lembrando que Rubem Alves presume dois tipos de livros: “os que a gente lê e nunca mais... E os livros raros, que a gente nunca termina de ler porque, uma vez lidos, a gente começa de novo. [...] Cada nova leitura é uma experiência única de prazer”. É o caso do livro Imagem do sol poente, cujos capítulos seduzem pela capacidade literária de Homero Castelo Branco em transmitir saberes relevantes, com sensibilidade e a convicção de que está contribuindo para a formação do leitor como um ser ativo e crítico no processo histórico e cultural da sociedade.
                                                                                                                   
REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Livros que a gente nunca termina de ler... Apud ANTÔNIO, Severino, A utopia da palavra. Rio de Janeiro, RJ : Lucerna, p. 9

CÂNDIDO, Antônio. A literatura e a formação do homem. http://revistas.iel.unicamp.br, acessado em 15/5/2016.

CORTELLA, Mário Sérgio. Não nascemos prontos!: provocações filosóficas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010, p.11.

GEARY, JAMES O Mundo em uma frase. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2007.

LIBÂNEO, José Carlos. Que destino os educadores darão à pedagogia? In Pedagogia, ciência da educação? São Paulo : Cortez, 1991, p.107/134.

REMÉDIOS, Maria Luiza Ritzel (Org.) Literatura Confessional: autobiografia e ficcionalidade. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997.


VERNON Sproxton apud PERISSÉ, Gabriel. Elogio da leitura. Barueri, SP : Manole, 2005, p. 89/90.