segunda-feira, 8 de agosto de 2016

São Cristóvão, só lenda e superstições


São Cristóvão, só lenda e superstições

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail

         Som agudo dos rojões e foguetes ecoava nos céus da Zona Leste de Teresina, no final daquela tarde. Carros, motos, fiéis a pé, imagem de São Cristóvão entronizada na carroceria de caminhonete da Polícia Rodoviária Federal. Padres e comandante rodoviário respondiam às perguntas de repórteres. E tome rojões, foguetório, hinos religiosos e vivas ao padroeiro do bairro e dos caminhoneiros. Só faltava uma paradinha para reflexão, digamos, menos sentimental.

         Fervor sem análise crítica da razão resvala para a paixão. Só pura manifestação emocional, sem consciência crítica, facilmente se resvala para acreditar no lendário, no supersticioso e ideológico. Devoções e culto a personagens nunca existidos, lendários ou produtos da ficção, seduzem a imaginação das mentes ingênuas. É o caso de de São Cristóvão.

         O Papa João XXIII, aos 77 anos,  assumiu a Igreja de 1958 a 1963, e provocou uma revolução de modernidade, graças ao espírito simples e alegre, quebrando várias tradições, sair do Vaticano para visitar abrigos e países. Rejeitar o tradicional andor, que servia de traslado do Papa, carregado por policiais suíços meio à multidão. Também acabou com a missa em latim ou com o celebrante de costas para o público. Instituiu o Concílio Vaticano II e o movimento de aproximação com “irmãos separados”. Promoveu mudanças no calendário católico, retirando santos consagrados pela fé popular, mas sem provas históricas de sua existência. Saíram Jorge, Cristóvão, Sebastião, o culto às chagas de Francisco de Assis etc. Continuam cultuados, porque dividendos falam alto.

         A lenda de São Cristóvão lembra velhas historinhas infantis: senhor alto e forte residia às margens de um rio. Generoso, e por causa da altura, costumava carregar, na corcunda, quem atravessasse o rio. Um dia, uma criança lhe pediu carona. Depois da travessia, ela lhe agradeceu e se identificou: era menino Jesus. Daí CRISTÓVÃO, do grego, “aquele que conduz o Cristo”.

         Lendas e crendices inebriam a imaginação humana, quando acredita que são verdadeiras. A Igreja Católica estabelece algumas regras para aceitar a Santa Tradição, aquelas fontes históricas, fora da Bíblia, mas fundamentadas e testemunhadas pelas primeiras comunidades cristãs. Evangélicos, em geral, só aceitam fontes bíblicas, mesmo assim, eliminam alguns livros – segundo eles - não passam de lendas e duvidosa inspiração divina.

         Se vigários estimulam e preservam a chamada “fé popular”, com festejos, que atraem mais multidões e foguetório do que os louvores ao Rei dos reis, Jesus Cristo, alguma coisa precisa ser revista, conforme os planos do Papa João XXIII.


A Igreja continua lenta na evolução, como travessia de um rio a pé. “É preciso bater o pó da História”, segundo o querido e popular João XXIII. Papa Francisco ergue a bandeira com grande aceitação popular, que cobra mudanças, porque lendas, superstições e tibieza não alimentam a fé inteligente, corajosa e entusiasmada. Torrente de difícil travessia exige pé no chão, sem fantasias.   

domingo, 7 de agosto de 2016

Seleta Piauiense - H. Dobal


RUÍNAS

H. Dobal (1927 - 2008)

Estas velhas paredes não confessam
à brisa sem memória os seus segredos.
A pedra construída sobre a pedra,
numa estranha argamassa reforçada
por suor de escravo e óleo de baleia,
como se alguém quisesse levantar,
contra o sereno da noite,
contra a ferrugem do mar,
uma alvenaria libertada
de tudo o que a morte corrompe.
Mas pouco permanece. Estas paredes
vão-se abatendo semi-destruídas
pelo puro movimento dos dias.

Bate na tarde um vento claro,
bate no peito uma lembrança
que estas paredes não confessam:
A vida. A mágoa sem remédio. O jogo do amor,
talvez mais difícil naquele tempo.      

sábado, 6 de agosto de 2016

Convite para lançamento de livros


A Academia Piauiense de Letras tem o prazer de convidar V. Exa. e distinta família para o lançamento dos seguintes livros: Poesia e Prosa, nº 52, de Vidal de Freitas; Zabelê e Miridan, nº 58, de Bugyja Britto; Chapada do Corisco, nº 67 , de João Ferry e Terra de um Paladino, nº 72, de Correntino Paranaguá, todas da Coleção Centenário, bem  como A Metaficção em Tutameia: Contos e prefácios em diálogo com uma teoria ficcional, de Francisca Marta Magalhães de Brito, com a divulgação do Patrocínio do Centenário pela Secretaria de Estado do Governo, com  a paticipação do Secretário Prof. Merlong Solano Nogueira.

Nelson Nery Costa
Presidente


Data: 6 de agosto 2016 (Sábado)
Horário: 10hs9h 30
Local: Sede da Academia Piauiense de Letras (Auditório Acad. Wilson de Andrade Brandão)
Av. Miguel Rosa, 3300/S – Fone: (86)  3221 1566 – CEP.: 64001-490 – Teresina-PI

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

UM MUNDO SEM LIVROS


UM MUNDO SEM LIVROS

Arnaldo Boson Paes
Desembargador do TRT/PI,
Mestre e Doutor em Direito

Como seria um mundo sem livros? Esta reflexão me veio à tona com a leitura do livro Fahrehreit 451, do escritor americano Ray Bradbury. No romance de ficção científica, em um futuro imaginário, as pessoas vivem em um sistema totalitário, em que os livros são proibidos e queimados, por supostamente gerarem desejos, frustrações e perigos. Quem é visto lendo livros é, no mínimo, confinado em um hospício.

Embora não seja impossível viver dignamente sem eles, seria impossível imaginar um mundo sem livros que valesse a pena viver. Sem os livros, o significado das coisas, a percepção do mundo e da vida não seria a mesma. Todas as palavras de nossa língua perderiam uma parte de seu significado, de sua riqueza, de seu peso e de sua sensibilidade. 

Ideias como amor, tristeza, felicidade, dor, vitória, sonho, desejo, ódio, trabalho ou aventura não seriam as mesmas. Sem os livros, não teríamos aprendido o nome das coisas, tampouco teríamos aprendido a senti-las, estranhá-las, eliminá-las ou buscá-las. Sem eles, não teríamos como reconhecer o que se passa conosco nem compreenderíamos o que se passa com os outros.

Temos aprendido muito mais coisas nos livros do que na vida. Eles nos ensinam a viver, abrem horizontes, oferecem melhor visão do mundo, ampliam a compreensão da realidade, estimulam a imaginação e criam possibilidades de aperfeiçoamento pessoal e coletivo. Os livros também nos informam, distraem, enriquecem o espírito, emocionam e, graças a eles, não nos sentimos sozinhos.

Por meio dos livros, somos arrebatados por sentimentos variados e intensos. Temos sido felizes, rimos, choramos, enamoramos e nos desencantamos. Mais do que isso, eles são o grande motor da vida, não apenas porque nos inspiram e nos revelam o sentido de nossa existência, mas porque nos ensinam a compartilhar, a sair de nós mesmos para penetrarmos em outros mundos.

Mas, para que os livros sejam verdadeiros livros, para que cumpram sua função, necessário que existam leitores. O amor aos livros e o prazer da leitura, uma vez incorporados, levam-nos a um mundo infinito e encantado, que identifico como a própria imagem do paraíso, como fez o escritor argentino Jorge Luís Borges, que sempre imaginou o paraíso como uma grande biblioteca.



Neste contexto, a ficção de Ray Bradbury encontra plenamente sua justificativa se imaginarmos os livros como instrumentos de aprendizagem e de libertação. Porque os livros, como os melhores mestres da vida, ensinam e libertam. E nada mais essencial do que a liberdade de viver a vida com todas as suas potencialidades. Um mundo sem livros não faria nenhum sentido. Então é preciso ler para viver.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

HISTÓRIAS DE ÉVORA - Capítulo XV

Foto meramente ilustrativa

HISTÓRIAS DE ÉVORA

Este romance será publicado neste sítio internético de forma seriada (semanalmente), à medida que os capítulos forem sendo escritos.

Capítulo XV

Évora

Elmar Carvalho

“Tenho vagas recordações da Évora de minha infância mais remota. Suponho que algumas se confundem com outras posteriores, de modo que eu não saberia precisar o ano exato de sua origem. Talvez, literariamente, seja melhor assim, sem essa rigidez de relatório burocrático, bem demarcado no tempo.

Muito vivo ainda sinto o cheiro das ceras de carnaúba, amontoadas num grande depósito da Casa Machado e outros armazéns. Havia as pardas, escuras, de menor valor comercial, e a cera flor, mais clara, amarelada, de bem mais alta cotação. Recordo o cheiro acre das amêndoas de babaçu e tucum, que eram revendidas para Fortaleza, Recife e outros centros exportadores.

As calçadas desses armazéns eram lisas, impregnadas pelo pó que ia aos poucos se desprendendo dessas ceras, e eram alisadas pelo pisotear constante dos transeuntes, que vinham fazer suas compras ou exercer suas atividades laborais no centro comercial. Eram figuras emblemáticas os carregadores, de forte compleição, que carregavam grandes sacas desses produtos sobre a cabeça, protegida apenas por uma rodilha de pano, e os porcos d’água, que atuavam no porto improvisado do Paraguaçu, com os seus pequenos trapiches, toscos depósitos e acanhado guindaste.

Évora, nessa época, no início de sua decadência comercial, devia ter em torno de 45 mil habitantes. Na Rua Grande, cujo nome foi mudado para Presidente Juscelino Kubitschek, havia os sobrados mais antigos e os luxuosos chalés e palacetes de seu apogeu comercial, da época áurea do extrativismo, da industrialização do pó da carnaúba, da maniçoba, do jaborandi, da oiticica, do algodão e do óleo babaçu, além de outros produtos. Eram expostas, em algumas firmas, peles bovinas, ovinas e caprinas, assim como as de gato maracajá e de outros animais silvestres, enroladas ou espichadas por varas.

No centro histórico, no entorno do qual ficavam as principais casas comerciais, viam-se a igreja matriz, sob a invocação de São Gonçalo, santo português e, segundo se dizia, tocador de viola, alegre e festeiro, e a grande Praça Lucas Mendes Furtado, português, considerado o fundador da cidade, por haver ali instalado a Fazenda Évora e sua casa-grande, em cuja proximidade ergueu a igreja de São Gonçalo, ainda conservada quase sem alterações. Ao redor desses dois prédios, nasceu e floresceu a cidade.

O templo, segundo a lápide em seu frontispício, foi concluído em 1717. Sua frente era voltada para a praça, que até dez anos atrás fora um grande largo em terra nua, com pedras jacaré traçando passeios, alamedas, caramanchões e vielas, circundando árvores e contornando jardins geométricos, retangulares, quadrados ou formando círculos. Mesmo em sua simplicidade rústica, era um belo largo, talvez o mais belo do estado.

Em volta da praça da matriz, como também era conhecida a Praça Lucas Mendes Furtado, erguiam-se velhas casas solarengas, vetustos sobrados, antigos casarões em estilo colonial. Alguns desses prédios eram muito simples, quase rústicos, outros ostentavam certo luxo, como assoalhos de mosaico, paredes externas revestidas de azulejo, beirais, e portas e janelas em madeira de lei, lavradas com certa arte e requinte, que os adornava. Apesar da incúria administrava, a maioria era bem conservada.

Acerca de 70 metros da igreja ficava o Évora Clube, instalado em secular casarão colonial. Nele eram realizadas as festas da elite eborense. Ali bebiam e dançavam os poderosos empresários, políticos, os gerentes de grandes firmas e os servidores públicos graduados. Os jovens realizavam tertúlias dançantes nas melancólicas tardes de domingo, ao som de possante vitrola. Eram empolgados pelo iê-iê-iê e pelos embalos da jovem guarda, com suas estridentes guitarras, que irritavam os ouvidos e o gosto musical dos mais velhos.

A menos de 150 metros da matriz, localizava-se a Zona Planetária. Segundo a lenda, esse nome fora posto pelo seu proprietário, Lulu Freitas, que fora coronel da Guarda Nacional e poeta bissexto. No final da década de 1940 ele alugara suas casas, agrupadas em um grande quarteirão, para várias madames de cabarés, o que provocou o afastamento de locatários familiares. Exigira que cada lupanar ostentasse o nome e a pintura de um dos planetas, sob a denominação geral de Zona Planetária.

Ele mesmo pagou o melhor pintor de paredes da cidade, que também fazia belas pinturas a óleo, para fazer os letreiros e pintar cada um dos planetas com as suas cores e características principais. Portanto, ali eram vistos Saturno e os seus belos anéis, que pareciam coloridos discos de vinil com os seus sulcos espiralados; Marte e a sua cor sangrenta, que lembrava o mênstruo das mulheres ou a violência homicida dos ciúmes; Vênus e os seus vapores azulados de aconchegantes e penumbrosas alcovas, e a Terra a rodopiar com a Lua pelos espaços infindos... Ali estavam o nome e a pintura de cada um dos nove planetas, já que na época Plutão ainda não fora destronado.

Por causa disso, o coronel Lulu Freitas, fazendeiro, flautista e poeta, ganhou a infundada fama de apreciador das raparigas. Infundada sim, porque ele podia ter sido (e fora) protetor delas, mas na verdade era quase casto, enclausurado em seu claustro, efetivamente um vetusto sobrado, de linhas austeras, franciscanas, sem nenhum adorno e muito menos luxo. Sexo mesmo ele só o fazia, seguindo a sua dieta ou escassa ração, com a sua rotunda mulher, a matrona Donana, de muitos anéis de ouro e virtudes. Mas isso não os impediu de terem uma dúzia de filhos, dois deles falecidos em tenra idade.

Em Évora, num percurso de menos de 250 metros, em pleno centro histórico, podiam ser encontrados a igreja matriz, o clube dançante, a praça dos namoros, senão castos, ao menos cautos, outros nem tanto, e os principais cabarés da cidade, aglutinados na Zona Planetária.

Por essa razão, Cazuza, o laureado boêmio da cidade, o maior orador popular e declamador melodramático, sobretudo quando de porre, certo dia proclamou:
– Na amada Évora, de muita história, fumaça e tradição, cidade onde tive o berço natal e onde espero ter a campa final, num raio de apenas 250 metros, existem o clube para a gente dançar, a praça para o namoro nos excitar, o cabaré para nos apaziguar e a nossa fome matar, e a igreja para nos perdoar! E vade retro, com tantas rimas em a.”     

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MOÇA DA CALÇA LEGGING

Foto meramente ilustrativa

MOÇA DA CALÇA LEGGING

Antônio Gallas

Uma moça trajando uma calça legging chamou atenção, atraiu olhares, provocou sussurros e quase acidentes, no centro de Teresina numa ensolarada manhã de setembro.

Não porque a moça fosse bonita ou feia. O feio ou o bonito depende do olhar e da concepção de cada um. Para alguns, uma pintura surreal pode ser algo feio, horroroso, mas para outros o surreal é esplendoroso, fantástico, fascinante até...

Assim também se parecem as pessoas vistas pelo olhar de cada um.

Mas porque diabos essa moça do capeta chamou atenção, atraiu tantos olhares, sussurros e quase provoca acidentes no centro de Teresina?

Postada ali no cruzamento das ruas Barroso com Eliseu Martins nas proximidades da lateral de uma banca de revistas que existe no início da rua climatizada, ela tinha certeza que era o alvo das atenções de todos quantos passavam por ali naquele momento.

Um idoso com mais de sessenta anos ficou tão embevecido a olhar a tal moça, que tropeçou no batente da calçada que dá acesso à rua climatizada e quase vai ao chão. Não fosse a rapidez de um jovem transeunte, o pobre velho ter-se-ia esparramado ao solo. Outro, caminhando apressado e olhando para trás para ver a moça, foi de encontro à parede do prédio da esquina onde já funcionou a Câmara Municipal de Teresina e, salvo engano, nos anos 60/70 agência centro do Banco do Brasil.



Uma senhora que provavelmente ia às compras com sua filha adolescente, esconjurou e saiu às pressas puxando a garota pelo braço para que a mesma não olhasse a moça. O motorista de taxi, que parado esperava a passagem dos pedestres para o outro lado da rua, quase atropela uma pessoa, pois se descuidou um pouco da direção do veículo, só porque também estava olhando para a moça.

Mas, voltando à pergunta: por que essa moça estava sendo o alvo das atenções de todas as pessoas que passavam no local naquele momento? Que diabos ela fez para atrair tantos olhares?

A dita moça, simplesmente não fez nada. Apenas trajava uma calça legging cor da pele e uma blusa transparente.

À certa distância, devido a calça ser cor da pele, tinha-se a impressão que a moça estivesse nua da cintura para baixo. A blusa transparente, por sua vez deixava bem claro que a ela não estava usando soutien ou sutiã, fato que atraía mais ainda a atenção dos homens, naturalmente.

A calça legging é apropriada para uso nas academias fitness. São calças justas que vão da cintura até os tornozelos São muito usadas em práticas esportivas especialmente no tempo frio. São fabricadas a partir de uma mistura lycra, elastano, naylon, algodão,poliéster ou lã. Podem até não parecer, mas, quando vestidas, a elasticidade pode deixar tudo à mostra, como foi o caso da moça de Teresina. Por outro lado, é sabido e notório que as mulheres gostam de chamar atenção, nas apenas dos homens, mas das outras mulheres também. E não é de hoje que elas procuram exibir suas formas, talvez para satisfazer seu próprio ego, levantar a alto estima e causar inveja nas outras.

Lembro-me perfeitamente que quando criança minha avó falava num tal de “bundex” que servia para estufar o bumbum daquelas que tinham a poupança murcha, lá dentro. Existia até um comercial que veiculava na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, se não me falha a memória, era mais ou menos assim:“Dura lex sed lex/pro bumbum use bundex”!


O bundex ainda existe e continua tendo uma grande procura... não apenas por mulheres, mas também por alguns homens...  

Lançamento do livro Bernardo de Carvalho pelo SENAC/Campo Maior



AMARANTE FAZ ANIVERSÁRIO NO DIA 4


AMARANTE - 145 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Luís Alberto Soares (Bebeto)

ORIGEM E EVOLUÇÃO

        AMARANTE tem sua origem num aldeiamento indígena. Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, 2º Governador da Província do Piauí,  em 1771,  aldeiou os índios Acaroás e Guegueses perto da nascente do riacho Mulato, no mesmo lugar onde hoje é a cidade de Regeneração, dando a essa missão o nome de São Gonçalo de Amarante, em homenagem ao santo de seu nome. A história de Amarante está ligada ao então propósito do Governador da Província, utilizando mercenários em busca de ouro e consequentemente acumulando riquezas, aldeavam e na maioria das vezes trucidavam índios que viviam às margens do Rio Mulato na antiga Vila de São Gonçalo (hoje Regeneração). Devido à navegação do Rio Parnaíba e o consequente avanço comercial que já se fazia notório, em 16 de julho de 1861,  em conformidade com a lei nº. 506 de 10 de agosto de 1860, a sede foi transferida para o Porto de São Gonçalo de Amarante, ficando a atual Regeneração reduzida a uma simples povoação denominada de São Gonçalo Velho.
AMARANTE fica na Zona Fisiográfica do Médio Parnaíba, Microrregião 4 e ocupa uma área de 1.150 Km2, limitando-se ao NORTE com Palmeirais – ao LESTE, Angical do Piauí e Regeneração – ao SUL, Francisco Ayres e Floriano e a OESTE com São Francisco do Maranhão. O município de Amarante foi formado com território desmembrado de Jerumenha e de Valença. Desmembrou terras para a formação de outros municípios, como: Angical do Piauí, Francisco Ayres e Arraial. Atualmente o município de Amarante é constituído por sete Datas: Boa Esperança, Muquilas, Araras, Sítio do Meio, Saco dos Melo e Conceição. A cidade de Amarante está encravada na Data de Boa Esperança.  Assentamentos do INCRA: Flor de Maio, Santa Helena, Araras, Ararinha, Mimbó, Salobro, Nova Conceição e Ponta da Várzea. Do Crédito Fundiário: Vila Feliz, Chapada dos Marcos, Chapada do Filomeno e Chapada do Bacuri. População do município: 17.316 (CENSO/2010). Amarante ocupa a trigésima primeira posição dos municípios mais populosos do Piauí.
Na segunda metade da década de trinta, do século XX, os hidroaviões da Companhia “Condor” faziam escala semanal em Amarante. Pousavam no rio, frente à cidade, e atracavam ou paravam em local apropriado. Transportavam   passageiros,    encomendas    e    malas    do  Correio.  Traziam muita vida  à   cidade   e   promoviam   o   intercâmbio   sócio-cultural.   Era um dia  movimentado.  A presença do hidroavião atraia e motivava o comparecimento de muitas pessoas, levadas pela curiosidade.
O PRIMEIRO RÁDIO a ser instalado na cidade de Amarante foi o do movimentado Bar do Antônio Costa. Para muitos, era coisa de outro mundo. Vinha gente de todos os lugares de Amarante somente para escutar a grande invenção sonora. O bar ficava superlotado de curiosos, que o diga a senhora Clotildes Ribeiro da Silva, popular Coló, 103 anos de idade, mãe de José Pereira, o conhecido Zé Besouro. Ela presenciou a novidade e diz para a nova geração que teve muita gente que quando escutou o rádio, fazia o sinal da cruz, dizendo que aquilo era uma “pintura do cão”.

  RUAS E VÁRIAS CASAS DE AMARANTE recebiam iluminação através de lampiões a querosene ou a “petromax” (estilo Aladim). Em 07 de setembro de 1933, a empresa Morais & Cia, de Parnaíba, instalou em nossa cidade, a energia elétrica movida por máquina a vapor (caldeira à lenha e água), das 06 às 11 horas da noite. Anos depois, a Prefeitura de Amarante foi responsável pelo fornecimento da energia elétrica gerada pelo mesmo processo da Morais & Cia. Em seguida, o fornecimento de energia foi gerado por máquinas a óleo por conta da CERNE, instalada no prédio hoje pertencente ao Iate Clube Amarantino, também das 06 às 11 horas da noite. Havia prorrogação de energia nos acontecimentos especiais. Por último, a CEPISA – respondendo pelo atual abastecimento em todo Estado do Piauí.
 AMARANTE é uma fonte de riqueza natural. A cidade é de porte médio, mas a sua posição geográfica, entre três rios, circundada nos versos de nosso poeta maior, “Da Costa e Silva”, que a cognominou de “uma ilha alegre e linda”. A coroa do Rio Parnaíba, especialmente aos domingos do mês de julho, há grande aglomeração de banhistas, observadores e comerciantes de vários municípios do Brasil. Tem também o morro de São Benedito, defronte à Rua Antonino Freire, onde há o velho “ESCORREGA  BUNDA”, que muitas gerações de amarantinos ilustres, na sua infância, ali se entretinham brincando. Tem ainda as principais atrações turísticas: o panorama do alto da Escadaria “Da Costa e Silva”, casarões em estilo colonial, o Sítio Floresta, a Casa Odilon Nunes que abriga a Biblioteca e o Museu da Cidade, O Museu do Divino Espírito Santo, a Pousada Velho Monge - onde se descortina a bela paisagem das serras de São Francisco do Maranhão.
           O HINO E A BANDEIRA MUNICIPAL DE AMARANTE são de autoria do heraldista e vexilologista, professor Arcinoe Peixoto de Faria, da Enciclopédia Heráldica Municipalista com sede em São Paulo – Capital.  Oficializados pela Lei Municipal nº 411, de 28 de março de 1977.  Administração: Emília da Paixão Costa (Bizinha). O Hino Municipal de Amarante com letra de Monsenhor Isaac José Vilarinho e música do maestro Luís Santos. Oficializado pela Lei Municipal nº 411, 28 de março de 1977.
               HISTORIADORES contam nos seus arquivos que na época da transferência da Vila de São Gonçalo para o Porto (cidade de Amarante), surgiu a 1ª professora de nosso município. Logo mais, foram criadas duas escolas públicas estaduais: uma para meninos, dirigida por um professor e outra para meninas, dirigida por uma professora - denominadas: Escola Pública do Sexo Masculino e Escola Pública do Sexo Feminino.
            VIA PÚBLICA - A primeira rua da cidade de Amarante chamava-se Rua Grande, devido sua ampla largura, partindo no Morro do Pontal à margem do rio Parnaíba. Foi o caminho da Vila de São Gonçalo para o Porto. Hoje, nomeada Avenida Desembargador Amaral em homenagem ao primeiro juiz de Direito de Amarante, Desembargador José Mariano Lustosa de Amaral. Havia uma arborização muito frondosa de “mamoranas”, árvores de origem portuguesa. Nas laterais, iluminação por lampiões a querosene. As árvores são as que o nosso poeta maior, “Da Costa e Silva” se refere no soneto Saudade. Em 1932, um projeto do amarantino, engenheiro, Dr. Manoel Sobral (alto comerciante), a Avenida foi transformada com figueiras e fícus benjamim. Em seguida iluminada por petromax. Em 07/09/1933, a Avenida recebia luz elétrica da usina Morais & Cia., trazida por Zeca Correia, que implantou outros benefícios no município.

    A NAVEGAÇÃO FLUVIAL A VAPOR teve início com a chegada do vapor Uruçuí ao porto da então Vila de São Gonçalo, ocorrida a 10 de junho de 1862. Foi o avanço para o progresso, o comércio desenvolveu-se rapidamente. Em 04 de agosto de 1871, a Vila passou à cidade, com o nome de AMARANTE e seu porto fluvial logo se tornou de importância semelhante ao de Parnaíba, tornando Amarante o empório comercial da região sul do Piauí e Maranhão, estendendo sua influência a Goiás. Tudo ia bem, era o progresso, Amarante chegou a manter transações comerciais internacionais. Esteve em franco progresso até o surgimento de Floriano que lhe arrebatou essa força comercial. A partir daí, começou a decadência de Amarante. Carneiro da Câmara, Dr. Archimedes Nogueira Paranaguá, Dr. Rogério de Castro Matos, Dr. Thomaz Gomes Campelo, Dr. Geraldo Magella de Carvalho, Dr. Alair Rocha, Dr. Luís Fortes do Rego, Dr. José Arimathéa Tito Neto, Dr. Raimundo Fortes de Oliveira, Dr. Francisco Isaias de Arêa Almeida, Dr. Henrique Oliveira do Vale, Dr. Herbet Belisário dos Santos, Dr. José Raimundo Belo, Dr. Atenor Barbosa de Almeida Filho, Dr. Fernando Lopes da Silva Filho e Dr. Netanias Batista de Moura, desde outubro de 1997.
   OS PRIMEIROS PROFESSORES DE AMARANTE: Efigênia Maria de Azevedo, Odilon Nunes, Cunha e Silva, Luiz Moura da Cunha, Amora Cunha e Silva, Ditosa Fonseca, Raquel Costa (Quesinha), Júlia do Monte Lustosa, Júlia Leitão, Zilda Sampaio, Nair Conde, Carolina Freire, Nailde Ribeiro, Joca Vieira, Arysnede Cavalcante Corrêa Lima.
OS PRIMEIROS JUÍZES DA COMARCA DE AMARANTE: (1861 a 1900): Dr. Higino Cunha, Dr. José Mariano Lustosa de Amaral, Dr. Gastão Ferreira de Gouveia Pimentel Beleza, Dr. José Piauhilino Mendes Magalhães, Dr. Umbelino Moreira de Oliveira Lima, Dr. Sesostris Silvio Mendes de Moraes Sarnamento, Dr. Pedro Emigdio da Silva Rios, Dr. Antonio Martins da Silva Porto, Dr. Jesuino José de Freitas, Dr.Joaquim Ribeiro Gonçalves, João Leopoldino Ferreira, Dr. César do Rego Monteiro, Dr. Ernesto José Batista, Dr. Eduardo Olímpio Ferreira. Os quinze últimos: Dr. Ausônio Carneiro da Câmara, Dr. Archimedes Nogueira Paranaguá, Dr. Rogério de Castro Matos, Dr. Thomaz Gomes Campelo, Dr. Geraldo Magella de Carvalho, Dr. Alair Rocha, Dr. Luís Fortes do Rego, Dr. José Arimathéa Tito Neto, Dr. Raimundo Fortes de Oliveira, Dr. Francisco Isaias de Arêa Almeida, Dr. Henrique Oliveira do Vale, Dr. Herbet Belisário dos Santos, Dr. José Raimundo Belo, Dr. Atenor Barbosa de Almeida Filho, Dr. Fernando Lopes da Silva Filho e Dr. Netanias Batista de Moura, desde outubro de 1997.
   OS PRIMEIROS MÉDICOS QUE CLINICARAM EM AMARANTE: Manoel Joaquim Rodrigues Macedo (22-02/1862); Júlio César Audreíno - amarantino nato (1883); Bonifácio Ferreira de Carvalho - amarantino nato (1890); Manoel Rodrigues de Carvalho (1891); Antonio Sobral - amarantino nato; Antonio Ribeiro Gonçalves – amarantino nato; Francisco Ayres Cavalcante - amarantino nato (1915); Evanilda Neiva Pacheco (1959); Misael Dourado Guerra (1964).


             VELHA ECONOMIA - Há várias décadas, a economia do município de Amarante era voltada à cana de açúcar plantada com abundância nas margens do riacho Mulato.  A historiadora Maria Santana Vilarinho Santos, recentemente fez um documentário sobre a importância desse precioso produto agrícola. Havia vários engenhos. Dois deles, movidos a vapor e caldeiras alimentadas pelo bagaço da cana moída. Os outros engenhos eram movimentados por bois. Fabricava-se açúcar, rapadura e cachaça. Esses produtos eram exportados para diversos municípios através de animais e balsas que trafegavam no rio Parnaíba. A velha economia de Amarante estendia-se ainda na geração de muita mão-de-obra. A historiadora amarantina menciona no seu belo documentário o Engenho do Sítio Santa Rosa de propriedade de seu saudoso pai, Pedro Gonçalves Vilarinho. Ela relata que era servido um café com paçoca e que os trabalhadores eram divididos em grupos: cortadores de cana e cambiteiros que levavam a cana cortada nas costas de animais. Havia ainda aqueles que exerciam atividades diversas. A lenha era transportada para aquecer as caldeiras por carros de madeira puxados por bois.
  VELHOS CABARÉS. - A cidade de Amarante viveu por várias décadas num movimentado clima de prostíbulo, reverenciado em nosso meio como Cabaré e Tabocal. Os ambientes para a prática sexual ocorriam especialmente à noite com maior movimentação nos finais de semana. As prostitutas, populares raparigas, eram de várias localidades e os frequentadores de todas as classes sociais. Existiram três agitados setores de cabarés na cidade: “Cai N’agua”, à margem do rio Parnaíba, próximo do Hotel Pousada. Teve vários proprietários. Entre eles, os populares João Garapeira (falecido) e Raimundinho da Dorica. Lá era promovido o Baile Cor de Rosa e o Forró Pé de Serra. Na conhecida Rua do Fogo tinha várias casas do ramo: Os cabarés das populares Marizô, Carmozina (falecida), Chica Preá (falecida) e Irene Casadinho (falecida) e tantas outras. Havia também muito forró e muitos bares com músicas bregas e apaixonadas, tocadas em radiolas ou em vozes de bêbados, acompanhados por um violão. Próximo à Rua do Fogo, na beira de um grotão, teve o movimentado cabaré “Casa Amarela” de propriedade do popular Estevão Galinha D´gua (falecido), onde também havia muito forró e o Baile Amarelo. Tinha ainda o ponto: “As Meninas dos Olhos” do engraçado Quixaba, localizado no “Sovaco do Cão” à margem do rio Parnaíba. “Inferno Verde” foi o apelido dado pelo popular Reis Felix, considerado uns dos maiores frequentadores de cabarés de Amarante, a um animado setor da prostituição, localizado na Rua São Benedito, perto do Clube Os Quarentões. Teve vários donos de cabarés, neste setor, como: Cecílio Dias (falecido), as populares: Chicuta, Ducarmo Tataira, Rita Macambira, Biluca e Helena Preta. Tinha ainda Nazaré Cambão, a “Rainha da Panelada”. Havia ainda nos prostíbulos de Amarante outros nomes de bailes, o Branco e o Azul. Vale esclarecer que as prostitutas eram muito discriminadas: não podiam estudar em colégios, frequentar igrejas e nem de participar de muitos atos da sociedade. Em várias ocasiões, muitas mulheres casadas foram atrás de seus maridos nos cabarés. Existem ainda em nossa cidade, três prostíbulos: “Paraíso do Amor” do popular Doutor do Cícero Casadinho (bairro Dois Coqueiros), BR 343; Casa de Encontros da popular Ducarminha, Rua Da Costa e Silva, perto do rio Parnaíba (Cai N´agua) e o da Chiquinha Sousa, Rua do Fogo.

 REVOLUÇÃO - Os inesquecíveis amarantinos contam que Amarante viveu momentos de terror com a passagem da Coluna Prestes na cidade, no período de 20 a 27 de dezembro de 1925. Foram várias colunas das forças revolucionárias que deixaram o povo do município assustado. A 1ª Coluna, a do Capitão João Alberto, chegando à meia noite em nossa cidade. Logo após, os revoltosos arrombaram as portas do Telégrafo, onde se instalaram. Horas depois, chegaram os grupos chefiados pelo Coronel Dutra e Capitão Euclides. Em seguida, outras caravanas comandadas pelo Cel. Juarez Távora e Sr. Bernardino.  No mesmo dia, chegaram também à nossa cidade as colunas do Cel. Carlos Prestes e a do Sr. Siqueira Campos. As forças revolucionárias arrombaram portas de comércios e saquearam grande estoque de mercadoria. Os estabelecimentos comerciais de Abdon Moura e Joaquim de Castro Ribeiro (Quincas Castro), avô materno da ilustre amarantina Maria Cirene de Castro Sousa, de grande movimentação e sortimento, foram os mais afetados com os roubos dos revoltosos. Eles ainda forçaram comerciantes em geral, pagarem uma conta altíssima de guerra. Dizem que os revoltosos derramaram perfumes em toda a cidade. Houve, também, invasão residencial, de onde os revoltosos levavam tudo que encontravam e  determinaram o fuzilamento dos expressivos Senhores de Amarante: Abdon Armindo de Moura, Cel. Luiz Gonçalves Ribeiro, Major Sátiro de Castro Moreira, Capitão Francisco José de Lima, Miguel Arcoverde Vieira, Amâncio José Pereira Lopes, Raimundo Gonçalves Vilarinho,  Acilino Neiva, Eugênio Barbosa, Gerson Ernestino de Sousa, João Ribeiro de Carvalho (João Pinga), José Maria Gonçalves, Gonçalo S. Antônio Costa. Felizmente ficou só na ameaça. O saudoso Francisco Felix da Silva testemunhou toda ousadia dos revoltosos com o povo amarantino, a exemplo do inesquecível Odilo de Sousa Queiroz, pai do professor e jornalista Virgílio Queiroz, que sabia das ações das forças revolucionárias em vários lugares do Brasil. A secular Clotildes Ribeiro da Silva, a popular Coló, residente em Amarante, conta com detalhes as atrocidades dos revoltosos em nossa cidade.
  CONEXÃO - A cidade de Regeneração a 18 km do centro de Amarante, historicamente conectada à nossa cidade desde o início de sua povoação. Vale ressaltar que a conceituada Regeneração quando era pequeno povoado, recebeu outros nomes: São Gonçalo de Amarante, São Gonçalo Velho, e São Gonçalo de Regeneração. Ela também foi muito chamada de Vila. Ainda hoje, existem pessoas que pronunciam esse apelido. Para suprir sua necessidade comercial através de transporte fluvial no rio Parnaíba, a nossa vizinha Regeneração, fez estabelecer o “Porto”, origem do município de Amarante. Regeneração passou por um bom tempo, vinculada em nossa municipalidade. Continua a influência mútua comercial, educacional, cultural, social e política desses municípios.
  
              MINÉRIO EM AMARANTE - Segundo o geólogo amarantino João Castor do Nascimento Silveira, há grande possibilidade da existência de minério na Serra da Arara, município de Amarante, devido à formação sedimentar da área, principalmente por arenito. A Petrobrás esteve no local onde perfurou há longos anos, um poço pioneiro. O resultado constituiu uma ligeira emanação de gás. Esclareceu ainda o geólogo João Castor que no lugar Canto, neste município, limitando-se com Francisco Ayres, há uma boa quantidade de GIPSITA (sulfato de cálcio), matéria prima para obtenção de gesso. Análise já foi feita em laboratório de São Paulo por intermédio do geólogo João Castor da Silveira.
             AMARANTE às vezes é chamada por este Brasil afora como “Terra do Papagaio”. Por quê? A historiadora Maria Santana Vilarinho Santos, um dos membros de nossa cultura, tem uma versão do motivo desse chamamento. “Há muito tempo... Numa grande enchente dos rios Parnaíba e Canindé, desciam enormes blocos de terra, contendo árvores, animais e outros. Num desses blocos vinha um papagaio. Ao chegar na cidade de Amarante, a ave perguntou - onde estou? Responderam – em Amarante.  Ele deu uma risada e disse: prefiro a morte. Aqui, é terra de poetas, escritores, governadores, não há lugar para papagaio... Ah! Ah! Ah!”.
              AMARANTE, berço de grandes nomes: Dirceu Mendes Arcoverde, Antonino Freire, Waldir Arcoverde, Eduardo Neiva, “Da Costa e Silva”; Luís Mendes Ribeiro Gonçalves, Osvaldo Da Costa e Silva, Dr. Antonio Ribeiro Gonçalves, Taumaturgo Sotero Vaz (poeta), Odilon Nunes, Cunha e Silva, Clóvis Moura, Carvalho Neto, professor Antonio Veríssimo de Castro (Tonhá), historiadora Raimunda Nonata de Castro (Nasi), Coronel Joaquim Vilarinho, Coronel Miguel de Almeida Lira, Geraldo de Sousa Vilarinho (oficial superior do Exército), Dr. Francisco da Cunha e Silva Filho, Dr. Francisco Ayres Cavalcante, professor Afrânio Nunes, Homero Castelo Branco, Dr. Antonio Pereira Lopes, Dra. Eulália Maria Ribeiro Gonçalves do Nascimento Pinheiro, Coronel Clidenor Lima, Coronel Walker Prado, Coronel Manoel Mendes de Melo, Cel. Solange Maria Macedo Lima, Major Antonio Soares Ribeiro, Capitão Deodato Lopes da Silva, Dr. Eleazar Moura, José Moura Lima,  Dr. Adoniais Carvalho, Dr. José Moacy Leal, João Elias Teixeira e Silva, Rafael Sousa Fonseca, Dra. Maria Celestina Mendes da Silva, José Dias Feitosa (Capitão Zeca) e outros famosos. Amarante, por vários motivos, é apelidada: a Capital da cultura piauiense.
            TÍTULO A AMARANTE. O sistema Meio Norte de Comunicação, por meio do Portal Meionorte. com, via rede social, abriu concurso em 2012, através de votos, para eleger os novos sete locais mais belos de nosso Estado. A riqueza arquitetônica de Amarante e sua tradição histórica, o fator principal para que nossa cidade recebesse o título de Sétima Maravilha do Piauí.

Textos do livro AMARANTE, PERSONALIDADES E FATOS MARCANTES.
Autor: Luís Alberto Soares (Bebeto)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SOCIOLOGIA (SENTIMENTAL) DA BANCA DO LOURO


Nesta fase saudosista do blog, em que foram homenageados o professor Gilberto Escórcio, recentemente falecido, Genésio da Silva Costa (Geruca) e o Louro da banca de revista, recebi o seguinte e-mail do Dr. Pádua Ramos, grande cidadão e notável exemplo de homem público:
“Caríssimo Elmar,
Antes de mais nada, quanta alegria em receber notícias suas!  Valeu...
Por coincidência, a Banca do Louro exerce sobre mim uma espécie indefinida de sentimento mítico ou místico, nem sei.  Muitas vezes saía da Missa do final da tarde na Catedral e me sentava / me sento perto da banca, que contemplava/ contemplo discretamente.  Cheguei mesmo a escrever uma poesia que lhe enviarei como anexo ou então, dada minha dificuldade em mexer com computador, via outra mensagem em seguida a esta. (*) Curti a charge...
Abs., Pádua Ramos.
(*) Depois dos 70 anos perdi a inibição para fazer poesia.  (Coitadinha da poesia...).”

Com relação à parte final de seu e-mail, respondi: "(...) o amigo está me saindo muito mais poeta do que muitos que estão por aí e se dizem poetas". Anexo ao e-mail, veio o belo poema abaixo:

SOCIOLOGIA (SENTIMENTAL) DA BANCA DO LOURO

Pádua Ramos

Quando o véu do lusco-fusco cobre de cinza a Parnaíba
Quando a Praça da Graça se esvazia na sua crepuscular soledade
Quando, buscando o oceano, muito além,distante
O Igaraçu enlaça amoroso a Cidade
Cantando-lhe, de ninar, doce cantiga
– Eis que aBanca do Lourose ilumina, na quietude daquele silenciosoinstante

Não é assim nas manhãs febris
Não é assim nas tardes ensolaradas

A Banca do Louro traz o mundo
Para dentro de nosso pequeno mundo:
“O sol nas bancas de revista
...
Se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em Cardinales bonitas”

Na Banca do Louro...

Ali se debatem divergências
Ali se conjugam convergências
Reflete-se ali, da Parnaíba, a alegria e a dor
A Banca do Louro resume a Cidade
No crepúsculo e no esplendor
No que tem assim de desamor
Como de alegria e caridade

A Banca do Louro resume a Cidade
No crepúsculo e no esplendor   

sábado, 30 de julho de 2016

Ainda sobre a Banca do Louro

Sobre esta charge, em meu blog, postei o seguinte comentário:
Prezado amigo Fernando,

Pedi para você fazer uma charge do Louro, mas não um Louro tão platinado e atlético, e ainda fazendo uma operação plástica nele, ao ponto de fazê-lo transportar um container de Buriti dos Lopes a Parnaíba, como se fora um Maciste dos velhos filmes de outrora.
Era melhor tê-lo colocado como um herói das Olimpíadas!
Obrigado, grande Mestre, por mim, e principalmente pelo Louro, por você tê-lo "ajeitado".
Abraço,
Elmar


Julguei oportuno publicar o e-mail abaixo, na verdade uma verdadeira crônica memorialística, que me foi enviado pelo Dr. Orlando Martins Pinheiro, digno magistrado, hoje inativo, maçom da melhor cepa, e escritor e jornalista, assim como seu saudoso pai, Hermes Pinheiro:

Caro amigo Elmar.

Aqui estou para dizer que atendi a sua recomendação.

Na qualidade de leitor assíduo do seu blog, apressei-me em abrir o link - A Banca do Louro - que me transportou para Parnaíba de outrora quando era Caixeiro Viajante. Além da banca, onde adquiria algumas revistas da minha predileção, a sua crônica me levou à nostalgia daqueles bons tempos. Não sei se era o Bar do Augusto que eu frequentava de vez em quando. Mas vislumbrei, mentalmente, as agências do Banco do Nordeste e Banco do Brasil, onde fazia a transferência das importâncias recebidas; da Farmácia Bacelar, de propriedade do probo e saudoso Raul Furtado Bacelar, parece-me que hoje transformada por sua família em um memorial, plenamente merecido e justificado; a Loja Rosemary, do Grupo Marc Jacob; a Igreja Matriz, onde fazia, sempre que possível, as minhas orações: o Cine Éden onde assisti alguns bons filmes; a própria praça bem cuidada onde passeava e flertava à noite, enlevado pela brisa que vinha do mar.

Hospedava-me no Palace Hotel, gerenciado pelo simpático espanhol Fernando Esposito, coadjuvado pelos recepcionistas Farias e Chico. Lá saboreei a melhor casquinha de caranguejo. Até hoje não comi nenhuma, pelo menos parecida. Ficava situado logo atrás da Praça da Graça, mais precisamente na Avenida Getúlio Vargas, bonita de se ver, com  aqueles prédios antigos e bem conservados, testemunho eloquente da nossa própria história através de Simplício Dias que encabeçou a Independência do Piauí. Lembro-me da Casa Inglesa, do grupo James Frederick Clark. Dos estabelecimentos Casa Morais e Morais Importação, Ranulfo Torres Raposo e a Farmácia Parnaibana, do honrado e simpático farmacêutico José de Arimateia Basto Rebelo que dizia que o lema de seu estabelecimento era: "Farmácia Parnaibana, pobre porém honrada".  

Lembrei-me, igualmente, dos farmacêuticos e comerciantes Themístocles Frederico da Ponte, Francisco de Assis Cajubá de Brito, Adauto Sampaio e Vicente de Paula. Vislumbrei mentalmente a Santa Casa de Misericórdia de Parnaíba onde prestavam serviços os médicos Armando Cajubá de Brito, José Mendes Cerqueira, Raimunda Nonata, Equililérico Nogueira, João de Deus Silva, Mariano Lucas de Sousa, Cândido de Almeida Athayde e Carlos Araken. Tinha em seus quadros de colaboradores as piedosas freiras que prestavam seus valiosos serviços gratuitamente e um simpático administrador que, infelizmente, mão me recordo o nome, era, também contador que, naquela época era chamado de Guarda Livros, da firma de Ranulfo Torres Raposo. Podia-se sentir o cheiro de limpeza ao passar nas imediações da Santa Casa. Tinha, ainda, a Casa de Saúde e Maternidade Dr. Manoel de Brito e o Hospital e Maternidade Dr. Marques Basto, de propriedade dos médicos Mirocles de Campos Veras e Edgar dos Santos Veras, pai e filho, respectivamente.

Eu era muito jovem e adquiri muita experiência na época, seja pelo exemplo dos meus colegas mais antigos no ramo, seja pela maneira fidalga e educada que era recebido, tanto por farmacêuticos quanto pela classe médica.

Vislumbrei a zona do meretrício, donde se destacava a Boite Cinelândia e a Boite da Alzira, Creio que existiam outras "casas  de diversões", mas o tempo varreu os nomes da minha memória. O tempo que traz gratas recordações, embota muitas delas corroídas pelos longos anos vividos que me afastam daquela fase da minha vida Tenho certeza que estou sendo injusto em não me lembrar dos nomes de diversas outras pessoas, dignas e merecedoras de elogios. Pode ser que, em tempo oportuno, a cortina se abra para maiores e sentimentais devaneios.

Com o afetuoso abraço do seu amigo e admirador.

Orlando Martins Pinheiro


Teresina, 29 de julho de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Homenagem a Genésio da Silva Costa



Ontem, em companhia do Canindé Correia fui ao lançamento da obra Fragmentos, da autoria do poeta, cronista, memorialista e articulista Carlos Henriques Araújo, autor de outros livros de crônicas e de poemas. O evento aconteceu no SESC/Caixeiral. Lá encontrei vários amigos e confrades da Academia Parnaibana de Letras. Usamos da palavra, além do autor, Alcenor Candeira Filho, Israel Correia, Dilma Pontes e este escriba. Todos na base do improviso. Alcenor, além de fazer o elogio do autor e do livro, como os demais, terminou fazendo um improviso sobre a arte ou “desastre” do improviso. Fiz o que se chama na música uma variação sobre o mesmo tema, pegando como mote o que disseram os meus antecessores, acrescentando novos ingredientes.

Entre os amigos presentes, encontrei Marçal Paixão, que nutria grande admiração, assim como eu, por Genésio da Silva Costa, o Geruca, craque do futebol parnaibano e mestre na arte de rebobinar motores elétricos. Era um entusiasta da música e do futebol. Era também um entusiasmado e atraente conversador, um verdadeiro causeur, de memória prodigiosa, tão prodigiosa que me repassou notáveis informações sobre os principais craques do futebol parnaibano, que muito enriqueceram o meu livro O Pé e a Bola.

Disse-me Marçal que havia escrito, por ocasião do falecimento de Genésio, um pequeno texto em sua homenagem. Pedi-lhe que o enviasse por e-mail, para que eu o publicasse em meu blog. Eis o seu pequeno e belo texto:

GENÉSIO DA SILVA COSTA

Marçal Paixão

No dia 31 de julho de 2015, faleceu, aos 90 anos, o grande amigo GENÉSIO DA SILVA COSTA, conhecido por alguns como“GERUCA”, da época em que foi craque de futebol (década de 1940). Genésio Costa não foi craque só no futebol, mas em todos os setores de sua vida. Pois apesar de ser uma pessoa simples, era portador de muita sabedoria. Era um homem digno, de uma reputação invejável. Rico em virtudes e em sensibilidade. Desempenhou bem sua função por onde passou. Foi funcionário da Estrada de Ferro do Piauí, transferindo-se, com a extinção dela, para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e foi um competente profissional liberal na área da eletricidade (rebobinamento de motores).

Foi um homem que soube cumprir sua missão com dignidade e aproveitar a vida com alegria, pois era muito amigo da música, por sinal. Foi querido por todos, pois sabia comportar-se onde se fazia presente. Era habilidoso no trato com as pessoas e na arte de fazer amigos. Foi um pai de família exemplar, conduzindo a família sempre no caminho da retidão, através do diálogo, que sabia fazer muito bem, Eu me sentia privilegiado por gozar da sua amizade, há mais de quarenta anos, e tenho apreço por todos os seus familiares. Roguemos a Deus para que sua vida, consciente do dever cumprido, seja passaporte para uma vida espiritual de louvor e muita paz.

Em nome de minha família, renovo condolências à D. Maria Brígida (viúva), aos filhos Nazaré, Rita, Genário, Gilmar, Gílson, Gildásio e Geísa e aos demais familiares, inclusive noras, genros, netos e bisnetos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Penalidade Máxima

Charge: Fernando di Castro


Penalidade máxima

Pádua Santos

O saudoso desportista Gilberto Escórcio, a despeito de sua naturalidade em Buriti dos Lopes, considerava-se verdadeiro parnaibano, não somente por ter chegado a Parnaíba na década de trinta, com menos de vinte anos, e não mais regressado; mas também porque já quase havia esquecido seu torrão natal. E agora, ao seguir à eternidade, depois de longa existência profícua, justifica-se sua devoção: “Eu não podia continuar morando, gostando e sempre lembrando uma cidade que não tivesse um bom time de futebol para torcer”. – Foi o que dele ouvi, certa feita.

O que trouxe o desportista para mais próximo do litoral piauiense foi o mesmo tema que lhe fazia esquecer, pouco a pouco, a terra onde nasceu: o Parnahyba Sport Club – time sobre o qual não se cansava de afirmar já haver conquistado o título de campeão piauiense por mais de uma dezena de vezes.

E ao tecer comentários sobre este escrete de sua paixão, não esquecia figuras que honraram sua camisa azul e branca, da cor do céu, como costuma dizer: Raimundo Boi, Zezé Boi e Mário Boi – boiada que atuou, por muito tempo, na difícil função de goleiro, ao lado de outros, de outras posições, mas também de esquisitos apelidos, dentre os quais, citava de modo pouco empolado, como era do seu estilo: Babá, Bibita, Bido, Bigu, Bilé, Bilu, Bonitinho, Boré, Craveiro, Cabaça, Cafuringa, Cangalha, Careca, Carlinhos, Camurupim, China, Cipó Colibri, Dandão, Damisson Peru, Esquerdinha, Fefé, Formiga, Gringo, Ição, Laupe, Leiteirinho, Lelé, Lili, Maurício Pantera, Mica, Nado, Netinho, Nena, Pombo, Palanqueta, Pantica, Parabela, Pila, Pitá, Pitanga, Pica-pau, Puxa, Puxinha, Quinha, Radiê, Sabará, Sargento do Tiro de Guerra, Sibiraba, Tamatião, Vicente Rasga, Xixinó e Zé Pirró, sendo que todas estas esquisitices arrematava o apaixonado - jogavam pensando muito mais na vitória de sua agremiação do que no dinheiro - elemento predominante na mente dos jogadores de hoje.

Contava também o Gilberto, nos bancos da Praça da Graça, não se lembrar de jogadores tatuados (como a quase totalidade dos atuais) no seu tempo de atuação nos estádios - locais hoje mais conhecidos por arenas. E justificava: “as tatuagens não eram aceitas porque alguns juristas da época entendiam e ensinavam que as tatuagens eram próprias de elementos de mau caráter, e os nossos atletas, pessoas de bem, sabendo disto, não queriam ser assim classificados”.

E para animar a conversa, certo dia o futebolista Gilberto aproveitou o início da Copa do Mundo de 2014, quando latejava na cabeça de todo torcedor brasileiro a lembrança do problemático pênalti ocorrido no jogo que marcou a abertura do certame, ocorrido entre Brasil e Croácia, para rememorar um fato do passado glorioso deste time do seu coração. Os seus ouvintes - aqueles que sempre lhe consideraram, quer como homem intimamente ligado à educação parnaibana, quer como ferrenho torcedor e exemplar ex-diretor desta vetusta agremiação fundada em 01 de maio de 1913 – ouviram atenciosos e em silêncio, e eu no meio, o curioso imbróglio que também envolve um pênalti.

A história é antiga e aconteceu - descreveu com detalhes o narrador, dando provas de que sua mente de quase um século ainda não havia se tronado bruxuleante pela idade - no dia em que acontecia um jogo entre o Parnahyba Sport Club e o Tuna Luso de Belém do Pará, no estádio que hoje é do Parnahyba. Mal começou o espetáculo e lá vai o árbitro marcando um pênalti em favor do time da casa. Os visitantes, não concordando com a marcação daquela falta, formaram logo um grupo: jogadores, técnico, auxiliares e massagista e decidiram que não mais continuariam com a peleja. A torcida começou a protestar e eles, acuados em um canto do gramado, afirmaram que já estavam de saída para o Hotel Central, onde foram hospedados. Neste momento desceu ao gramado o Capitão Benedito Alves da Luz, que além de Presidente de Honra da agremiação parnaibana era, também, o Comandante da briosa Polícia Militar, para dizer ao representante da agremiação paraense que ele, na qualidade de chefe da milícia, tinha também um bom hotel para hospedar atrevidos. E que este hotel chamava-se Arsenal.

E finalizou o decente esportista dizendo que depois de pouca conversa o jogo recomeçou; ficou tudo bem; deu um empate; a renda foi dividida entre os dois times e os paraenses, ao sair da cidade, puderam ver através da janela do ônibus que os transportava, o hotel que fora prometido pelo comandante. Tinha realmente o nome de “Arsenal”. Foi construído para servir de depósito para as armas e munições da Polícia Militar, mas já servia, como serviu por muito tempo, como penitenciária onde se amontoavam criminosos de todas as espécies, os judicialmente condenados e também aqueles que aguardavam julgamento, cumprindo, indistintamente e por falta de outro lugar, a inconveniente e sempre inservível penalidade máxima.


 *Crônica de Pádua Santos – APAL – Cadeira nº 01

terça-feira, 26 de julho de 2016

A Banca do Louro

Charge: Fernando di Castro

Flamarion e Elmar
Louro com vários amigos e frequentadores de sua banca. Foto extraída do blog do B. Silva, amigo e cliente 
Augusto e Dourado, frente ao Recanto da Saudade, todos três moradores do país da Saudade


A BANCA DO LOURO

Elmar Carvalho

Não pense o leitor que o título acima se refira a um homem louro, que se faça de difícil ou inacessível e “bote banca”, muito menos a um papagaio “banqueiro”. Refiro-me mesmo ao Louro da banca de revista da Praça da Graça, mais conhecida simplesmente como Banca do Louro.

O nosso Louro de fato é louro, donde o seu nome, mas é, sobretudo, um cidadão do bem e de bem com a vida, sem arestas e sem folha corrida na polícia, já que sua vida pregressa é limpa, desprovida de fatos desabonadores. Mais conhecido que farinha na região da puba, não se lhe conhece nenhum inimigo ou mesmo desafeto.

Sua banca como é do conhecimento de todo parnaibano, por ficar na Praça da Graça, em pleno Centro Histórico, é rodeada por importantes empresas e repartições públicas, entre as quais cito: agências da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste e do Banco do Brasil, várias lojas e farmácias, Câmara Municipal, catedral de Nossa Senhora da Graça, igreja do Rosário, agência postal e telegráfica da ECT ou apenas Correios, em cujo apartamento moramos, eu e minha família, durante muitos anos... Outrora nela funcionava o Cine Éden, paraíso de pulutricas e estripulias estrambóticas e eróticas, como eu disse sobre a filha do Meio-Quilo (referida por Assis Brasil), num de meus PoeMitos da Parnaíba. Nele ainda assisti a vários filmes, entre os quais alguns de faroeste e vampiros.

Após longa, deliciosa e instrutiva conversa com o grande artista plástico Flamarion Mesquita da Cunha, na parte da manhã, professor durante muitos anos em Parnaíba, sua terra natal, onde se encontra a passeio, e, à tarde, com o Dr. Lauro Correia e Canindé Correia, resolvi dar rápida passada na Banca do Louro, na qual comprei o livro Genu Moraes: a Mulher e o Tempo, com depoimentos feitos ao jornalista e escritor Kenard Kruel, e os jornais lítero-culturais O Piagüi (editado por Daniel Ciarlini) e O Bembém, cujo editor é o grande escritor e teatrólogo Benjamim Santos.

Através do editorial de O Piagüi soube que o Daniel deixará a sua editoria, em virtude de doutorado na área de Literatura, que fará na capital gaúcha. Sua direção ficará com seu primo Claucio Ciarlini, que decerto manterá a sua qualidade e linha editorial, já que é um de seus principais colaboradores.

Quando me despedia do Louro, fui abordado por uma pessoa, que me disse ser o pé de Munguba, perto do qual nos encontrávamos,  descendente da mungubeira ou mamorana, que embelezava o Bar do Augusto ou Recanto da Saudade, situado no bairro da Munguba, outrora fervilhante de porcos-d’água, raparigas, boêmios e embarcações. Fez referência sobre meus textos que referem Dom Augusto e a velha Munguba City, e me estimulou a escrever outros. Este, talvez, já seja uma consequência de seu pedido.

Ao falar da velha Munguba boêmia, do saudoso Recanto da Saudade, hoje em ruínas, do comandante Augusto, não posso deixar de lembrar o boêmio, compositor e carnavalesco Dourado, nem o grande chargista Gervásio Castro, que os retratou com muito engenho e arte, e magistralmente ilustrou meus PoeMitos da Parnaíba.


No meu poema Bar do Augusto celebrei os dois célebres e saudosos amigos. Esse poema foi ilustrado por Gervásio, que os imortalizou em outra dimensão do tempo-espaço, na relatividade estrita ou geral do espaço e do tempo einsteiniano.  

Banner com ilustração de Gervasio Castro

domingo, 24 de julho de 2016

Antônio de Pádua participa da obra Ardente & Caliente


Antônio de Pádua é um dos vencedores do concurso literário promovido pela editora Illuminare. Seu conto fará parte da coletânea que será lançada na 24ª Bienal de São Paulo – SP, no dia 31 de agosto, a partir 20 horas, conforme convite acima. O autor parnaibano, um dos melhores contistas do Piauí, é useiro e vezeiro em vencer concurso literário.   

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Histórias de Évora - AVISO AOS NAVEGANTES


Aviso aos estimados leitores de Histórias de Évora que no início de agosto daremos sequência aos novos capítulos desse romance em construção.