quinta-feira, 9 de abril de 2026

EPIGRAMAS DE UM NOVEL SETENTÃO

 

Elmar, aos 70 anos, visto por Gervásio Castro

Recebi, na segunda-feira, dia 06/04/2026, via WhatsApp, a bela e criativa ilustração acima, de autoria de Gervásio Castro, um dos maiores chargistas brasileiros. O mimo, além de seu inestimável valor intrínseco, serviu-me, ainda, de estímulo para escrever o poema abaixo. Não farei comemoração festiva; não haverá regabofe. Para marcar meus “setentanos”, reeditarei Confissões de um juiz, com alguns acréscimos, e publicarei Paragens & Miragens – encantos e quebrantos do Piauí.

E hoje, vale dizer agora, acabo de receber do grande Gervásio Castro esta outra magnífica charge:

Os astronautas voltam de uma viagem em torno da Lua, e eu completo mais uma volta em torno do Sol, através da magia da arte de Gervásio Castro

EPIGRAMAS DE UM NOVEL SETENTÃO

 

Elmar Carvalho

 

Meus amigos e inimigos,

eu lhes anuncio que entra em cena

este novo alquebrado setentão,

talvez bobo da corte de um bufão,

ou este velho Quixote,

de escudo no braço e espada na mão.

 

Entro agora na casa dos setenta,

sem saber ao certo se entro

numa casa ou apenas na tapera

de quem já não alimenta ilusões,

de quem já nada espera.

 

Barco embriagado,

barco egresso de Sagres,

a tropeçar nas ondas,

a dançar furioso a Dança dos Sabres.


Sem armas e sem elmo,

em minha nau já não fulguram

os esplêndidos fogos de Santelmo.

 

Vislumbrei, nos umbrais do inferno,

a dantesca tabuleta:

“Aqui cessa toda esperança.”

Já não tenho primavera, só inverno.

Mesmo assim, em minha alma dançam

as alegrias e alvíssaras

de um parque de criança

que nos trapézios se balança.

 

Aos setenta, reencontrei a criança

que fui e que vive em minha lembrança,

a inverter a marcha da ampulheta,

a sonhar com o céu e outra tabuleta:

“Aqui principia toda esperança.”

 

Teresina, 9 de abril de 2026

 

Quando foi ontem (08/04/2026), fui presenteado com este excelente acróstico, da lavra do poeta Walter Lima:

 

0904.01

 

Já não o vemos como homem-original

Ostenta uma pose mais imponente

Sendo bem visto como aquele Cacto

Evoca também um símbolo de sua terra:

 

Em relação às Letras Justiça Ordem

Lembra outros aspectos da enorme estátua-viva:

Maravilhoso tratável belo Cacto do Bandeira

Atravessa anos, eras de histórias contadas

Recebe do Divino dádivas: soma de anos.

 

Mais que nome marcado representativo

Excepcional exemplo de figura humana

Logra o merecido troféu-vaticínio –

Os filhos gerou, livros escreveu, árvores CARVALHO plantou 

 

Evoé POEta!

W.Lima.

 

RP,  SP, 09.04.2026.  

 

Anteriormente, já havia sido homenageado pela revista Piauí Poético, edição nº 40, editada pelo poeta Claucio Ciarlini, cuja capa segue abaixo:


Por volta das 9:30 horas, recebi este poema do professor e escritor altoense Marcondes Araújo, que muito me honra com a sua amizade e apreço:

Parabéns ao setentão


Em novel fase alvissareira
Ante a aurora do recomeço
Imune a instigação de asneiras
Mais apto a eventual tropeço
Rumo aberto, nova esteira
Cônscio da luta em novo terço.


Sua vida, uma bela história
Anamneses abertas e secretas
Entre tropeços e glórias
Da trajetória de um poeta
Que guarda claro na memória
Idos tempos de guarda-metas.


Ante ao que pregavas outrora
Desafios inéditos à espera
Mais tranquilo, sem demora
Tranquilidade pra quimera
Sensação de que agora
Melhores dias te espera.  

Finalmente, como coroamento dos textos acima, acabo de receber uma carta eletrônica do irmão maçônico Sales Palha Dias, na qual ele se revela um exímio missivista, de linguagem fluente e escorreita, e que segue abaixo:

Amigo Elmar,

Celebrar o seu aniversário é reconhecer uma vida que não apenas passa - mas permanece, pela marca que imprime no tempo e nas pessoas.

Poeta de sensibilidade rara, juiz de conduta íntegra e escritor de pensamento lúcido, você reúne, com naturalidade, qualidades que poucos conseguem harmonizar: _rigor e humanidade, cultura e simplicidade, firmeza e delicadeza._

Sua trajetória honra a palavra que escreve e a Justiça que sempre exerceu  - e, mais que isso, dignifica a amizade daqueles que têm o privilégio de conviver com você.

Receba, neste dia, meu abraço sincero e respeitoso, com votos de saúde, serenidade e contínua inspiração - para que siga sendo, como é, presença que eleva, exemplo que orienta e voz que permanece.

Feliz aniversário!  

Palha Dias.  


Para pingar o ponto final de diamante ou para fechar esta postagem com chave de ouro, segue abaixo um belo poema do amigo Carlos Dias, altoense da melhor cepa, ainda por conta de meu natalício: 

EL - MAR


Ao poeta Elmar Carvalho 

Quero hoje abraçar 

E lhe dar meus cumprimentos 

Pela data salutar 

Que o amigo nesse tempo

Está alegre a festejar.


Sessent’anos de poesia

Brotada do coração,

Rimando com maestria

E muita elocução.

Só quem sabe “faz ao vivo”,

Já dizia o Faustão!


Nas suas águas vertentes,

Trilhadas de ano a ano,

Registrando com a pena

E singrando sem engano,

Lembra  o nobre magistrado

Plena imagem do oceano.


Continue, vate inspirado,

Poetando com fervor,

Premiando nosso mundo

E escrevendo com ardor,

Pois você, da pátria-letra,

É um Desembargador. 📝


Carlos Dias, seu criado.

Altos-PI, domingo, 12.04.2026; 07:53 h.

Eis que, senão quando eu já tinha dado como efetivamente encerrada esta postagem, tão cheia de retalhos e recortes, recebo um belo texto de meu amigo e colega Antônio Oliveira, digno juiz de Direito, ao qual não resisti em transcrever abaixo:

“Ilustre amigo,

ainda que com um pequeno delay — fruto não apenas de uma semana intensa de afazeres, mas, quiçá, também da falta de traquejo em lidar com o tempo —, venho parabenizá-lo por mais uma volta em torno do sol.

Sei que, além de fazer o que tanto ama — e o faz com maestria —, o amigo recebeu poemas, cartas, charges e outras mais do que merecidas homenagens.

Como já dizia Cazuza, “o tempo não para”; ele “escorre pelas mãos”, como complementou Lulu Santos em Tempos Modernos. Talvez seja em vão tentar segurar ou congelar o presente, que, num instante — inquieto diante do futuro —, torna-se passado. Nascemos e, em pouco tempo, já estamos ansiosos pelo amanhã: pela juventude, pela maturidade — que, quando enfim chega, após tanta pressa, convida-nos a desacelerar, como nos lembra Almir Sater ao imortalizar: ‘ando devagar porque já tive pressa’.

Mas pressa para quê, se podemos viver o hoje — sabiamente chamado de presente — e fruir as coisas boas da vida, como a naturalidade e a destreza que o amigo Elmar tão bem revela em seus textos?

Enfim, após 70 translações, desejo que as bênçãos de Deus permitam que o experiente e culto vate continue a nos brindar com sua leve e instigante arte literária — não apenas sete, mas setenta vezes sete.”   

9 comentários:

  1. Parabéns Poeta/amigo José Elmar. Longos anos o Pai te conceda

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  2. Parabéns est. amigo. Vida longa e com saúde, paz no lar e que seus planos sempre deem certo.

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  3. Mestre, parece que na casa dos 70 recloresce o poeta refugiado no cronista. De parabéns estamos nós leitores presenteados com este belíssimo poema. Abraço do confrade e amigo Carlos Evandro.

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  4. Corrijo o erro do incorrigível watsap. Quis dizer: na casa dos 70 refloresce.
    Carlos Evandro

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  5. Parabéns pelos 70 anos, amigo Elmar!!!

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  6. Parabéns meu grande amigo.
    Feliz aniversário

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  7. Parabéns pelo poemas viver é um dom de Deus setentão uma escola de vida e experiência.Nosso abraço.

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  8. Muito obrigado a todos os amigos pelo acesso e pelos comentários.

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  9. Desejos que vem com atraso, também valem? Acredito que sim, pois tudo que pedimos tem relação com o futuro. Parabéns, nobre amigo. Felicidades eternas! Deus te cubra de bençãos nesse novo trecho da tua caminhada!

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