Lauro Correia
Professor Emérito UFPI



1ª PARTE
Com dois versos de “Os Lusíadas”, maior poema épico de nosso idioma, inicio este escrito homenageando e defendendo a bela e encantadora cidade de Amarante:
“Cesse tudo quanto a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.”
A grandeza de Amarante está fundamentalmente vinculada a sua gente, seu povo, seus filhos ilustres, seus amigos e defensores.
A grandeza da poética e histórica Amarante é descrita desde os tempos da Vila de São Gonçalo, e foi consolidada pela migração de famílias ilustres de nosso Piauí, que lá se fixaram, entre elas: Ribeiro Gonçalves, Mendes, Pinto de Moura, Sobral, Vilarinho, Nunes, Carvalho, Noronha, Campelo, Lira, Almeida, Guimarães.
Na década de 1930, o notável industrial piauiense, nascido no litoral, José de Moraes Correia, conhecido entre os amigos e familiares como Zeca Correia, instalou uma Usina de descaroçamento das plumas de algodão, “ouro branco” daquela época, iluminou a cidade com energia elétrica, pela primeira vez, e gerou mais desenvolvimento para toda a região.
Entre seus filhos ilustres, nacionalmente conhecidos, correndo o risco de involuntária omissão, mencionarei os nomes de Da Costa e Silva, o príncipe dos poetas piauienses e autor da letra do nosso Hino; Odilon Nunes, sem contestação, o melhor e maior pesquisador e historiador nascido no Piauí; Clovis Moura, antropólogo e poeta; Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras.
Entre seus amigos e admiradores, com involuntárias omissões, citarei os mais recentes, com artigos publicados em jornais, revistas e pela internet:
01 – Elmar Carvalho – 24/09/2008 - “Recuerdos de Amarante”
02 e 03 – Olavo Pereira da Silva e Claudiana Cruz dos Anjos, Maio/2009. - “Cultura,
Memória e Identidade da Cidade de Amarante” - Revista Presença.
04 – Natacha Maranhão – Maio/2009 - “Amarante” - Revista Presença.
05 – Dagoberto Carvalho Junior – 11/10/2009 - “SOS AMARANTE”
06 – Fonseca Neto – 26/10/2009 - “Amarante, SOS”
07 – Alberto da Costa e Silva – 25/03/2010 - “Em defesa de Amarante”
08 – Cunha e Silva Filho – 27/04/2010 - “Crime de lesa – pátria”
09 – Enéas Athanazio – 29/05/2010 - “SOS AMARANTE”
10 – M. Paulo Nunes – 25/06/2010 - “Salvemos Amarante”
11 – Lauro Correia – 10/07/2010 - “ Pela Grandeza e Beleza de Amarante”
A grandeza de Amarante depende também obviamente de sua economia representada pela agricultura, pecuária, comércio e indústria.
A beleza de Amarante está amplamente descrita, elogiada, cantada e divulgada nos escritos e fotografias que compõem as manifestações de uma dezena de intelectuais piauienses citados.
A beleza de Amarante se evidencia em vários aspectos: natural, paisagístico, urbanístico, arquitetônico e histórico.
Admirar o belo é ser artista; cantá-lo pertence aos poetas, escrevi quando jovem; e hoje, longevo de 86 anos, com apenas um único e singelo soneto, de minha autoria, dedicado à amada esposa Rosette, não obstante mais de vinte livros e folhetos impressos ou inéditos, solicitarei ao poeta Israel Correia, meu filho, que preste homenagem em versos à bela, bucólica e querida Amarante.
2ª PARTE
Em Fevereiro de 2007 há mais de 3 anos, quando do lançamento do PAC – Plano de Aceleração do Crescimento, em Teresina, capital de nosso Estado, os Ministros dos Transportes – Paulo Passos e da Integração Nacional – Pedro Brito, em companhia do Presidente José Machado da Agencia Nacional de Águas – ANA, anunciaram, como as duas principais obras do PAC no Piauí, a construção da FERROVIA TRANSNORDESTINA e a implantação de cinco USINAS HIDROELÉTRICAS no curso do Rio Parnaíba.
Escrevi à época o artigo XXI – 05 EQUÍVOCOS DOS MINISTROS, em 03/03/2007, com cinco folhas, e outros se seguiram até hoje, publicados no jornal “Norte do Piauí”, de Parnaíba, e em Teresina, combatendo as indesejadas, desnecessárias e assassinas Usinas Hidroelétricas.
Evidenciei a importância de outra ferrovia por mim denominada FERROVIA TRANSPIAUÍ, de sul a norte, partindo de Elizeu Martins ou Coronel Gervásio, seguindo para Floriano – Teresina – Campo Maior – Piripiri – Piracuruca – Cocal, com bifurcação para Luiz Correia e Timonha, futuro segundo Porto Marítimo de nosso Estado, na fronteira do Ceará.
A TRANSNORDESTINA está sendo implantada, e a TRANSPIAUÍ, deveria também estar sendo implantada!
Os artigos e documentos anexos estão reunidos em duas publicações: “Análise e Comentários”, com 120 folhas, e “Rio Parnaíba e Usinas Hidroelétricas” com 55 folhas.
O artigo LVII, sob o título “Usinas Hidroelétrica”, datado de 20/10/2010, com 6 folhas, apresenta OITO ARGUMENTOS – claros, seguros, técnicos e irrefutáveis, contrários à implantação no Rio Parnaíba de 5 hidroelétricas, entre elas a de Castelhano, a qual inundaria a bela e histórica Amarante, inclusive as preciosas casas residenciais de Da Costa e Silva e Odilon Nunes.
Os 8 ARGUMENTOS têm os seguintes títulos:
01 – Cada Rio, um Rio
02 – Exemplo dos Estados Unidos
03 – Lição do Rio Tietê
04 – Usina Eólica versus Usina Hidroelétrica
05 – Hidrovia versus Usina Hidroelétrica
06 – Razão Histórica
07 – Navegabilidade do Rio Parnaíba
08 – Relatório da JICA
O presente artigo se constitui no 9º Argumento contrário às Usinas Hidroelétricas.
Alguém perguntaria porque somente agora, em Junho de 2010, lembrei-me de escrever sobre Amarante, e a resposta é fácil, pois os técnicos do Ministério das Minas e Energia, da CHESF e da ELETROBRAS escondiam que Amarante seria inundada pelas águas do Rio Parnaíba, o qual atualmente a envolve, beija e acaricia. Um telefonema do mestre M. Paulo Nunes, meu amigo há meio século, trouxe-me a triste notícia, fazendo-me intranqüilo até que esse pesadelo seja eliminado por Deus ou pelos homens.
Voltemos ao poema “Os Lusíadas” e façamos a adaptação dos dois versos citados aos dias atuais, e afirmarei que o valor mais alto que se alevantou é o da POESIA, da CULTURA, da HISTÓRIA, do BELO, da INTELIGENCIA, do RESPEITO, da ÉTICA, da MORAL, da DIGNIDADE, do TRABALHO, da LEI, da JUSTIÇA.
O valor mais alto é o ESPÍRITO, sustentáculo do ser humano, dos povos e de suas civilizações.
Se a República Brasileira é Federativa e Democrática, constituída por 3 poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário, independentes e harmônicos, não é possível que nós piauienses, filhos da Terra do Sol, mas brasileiros como os demais irmãos federados, assistamos de braços cruzados que o Poder Executivo, através do Ministério das Minas e Energia, da CHESF, Eletrobrás e ANEEL prejudique o nosso Rio Parnaíba, o Velho Monge de Da Costa e Silva, inunde com um dilúvio a nossa querida Amarante, implantando cinco usinas hidroelétricas, distantes apenas 50 quilômetros entre si, denominadas indesejadas, desnecessárias e assassinas, pois gerariam cada qual em média o inexpressivo valor de 60 megawatts, os quais serão supridos pela energia eólica dos ventos do nosso litoral e da área da cidade de Paulistana.
O Rio Parnaíba é o único do Nordeste navegável, até o oceano, numa extensão de 1.100 km, de Santa Filomena a Luiz Correia, e deverá voltar a ser navegado, para o transporte da SOJA produzida nos Cerrados piauienses e maranhenses, até o Porto Marítimo de Luiz Correia, atualmente em obras para sua conclusão, com calado a ser elevado, mediante dragagem, de 6 para 10 metros.
É preciso que a Associação dos Magistrados Piauienses, o Ministério Público Federal e Estadual do Piauí, OAB – Seção do Piauí participem dessa CAMPANHA CÍVICA EM DEFESA do RIO PARNAÍBA e da CIDADE de AMARANTE.
E, certamente, esta CAMPANHA CÍVICA continuará com a efetiva e permanente atuação da FURPA – Fundação do Rio Parnaíba, capitaneada pelo Professor Francisco Soares, e continuará a merecer o apoio do Lions Clube, Rotary Clube, Maçonaria, Jornais, Rádios, Televisão, Universidades, Academias de Letras, Organizações não Governamentais ligadas ao Meio Ambiente, e outras instituições piauienses.
A proteção das nascentes do Rio Parnaíba, na Chapada da Mangabeira, onde nasce o Riacho Água Quente, origem do longo rio, está sendo efetivado por intermédio de um Parque Nacional, cuja criação e implantação são resultados da ação e persistência de duas importantes instituições piauienses: Associação dos Magistrados e Ordem dos Advogados.
Urge concluir, e antes desejo solidarizar-me com os dignos amarantinos, intranqüilos e magoados com o perigo do dilúvio.
Com manifestações de estima, respeito e admiração, dedico este artigo à amarantina Senhora Clara Nunes, esposa do Mestre M. Paulo Nunes, escritor e acadêmico, uma das maiores e melhores expressões da intelectualidade piauiense, e também amarantino pelos laços do coração.
Estarei, permanentemente, na luta pela defesa de nossa querida Amarante, e certamente Deus não haverá de permitir que as Usinas Hidroelétricas indesejadas, desnecessárias e assassinas sejam incluídas e retiradas de um quarto leilão da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, como aconteceu recentemente no dia 30 de Junho.
Parnaíba, 10 de Julho de 2010.
166º da Cidade e 248º da Vila