domingo, 14 de abril de 2019

Seleta Piauiense - Hermínio Castelo Branco



Um ajuste de casamento num serão de farinhada
(Fragmento)

Hermínio Castelo Branco (1851 - 1889)

(...)

Ligeiro o rodo percorre
Sobre o forno fumegante,
Impelido com mestria
Pelo braço do João Bento,
Conhecido entre os roceiros
Pelo tio – João Quadria.

Uma mulher quarentona,
Junto dum cocho sentada,
Tendo nas mãos a peneira
Se remexe, diligente,
Sacudindo a urupema,
E separando a crueira.

Na tacaniça do rancho,
Sibila a roda cortante,
Sobre os eixos discorrendo,
Entre os pulsos vigorosos
De dois roceiros robustos,
Na matraca rebatendo.

No banco do cevador,
Orgulhosa do trabalho,
Naturalmente escanchada,
Uma matuta gorducha,
Aplica no caititu,
Grossa mandioca raspada.

Grita a raiz comprimida
Sob os dentes da rodeta,
A seiva longe esguichando;
E chove a massa gomosa,
Pelas esteiras do cocho,
Alvas colunas formando.

A cevadeira reclama
Outro cofo de mandioca,
Que nas pernas agasalha,
Tendo, antes, o cuidado
De arranjar sobre as coxas
As dobras duma toalha.

Entretanto os puxadores,
Deixando, por um momento,
O férreo veio da mão,
Limpam bagas de suor,
Amarrando na cintura
A camisa de algodão.

Grande tulha de raízes,
No centro do ranchozinho,
Se eleva à cumeeira,
Reforçado pelos cofos,
Que se despejam cantando,
Conduzidos na carreira.

Velhos, moças e rapazes,
Sem ordem, sem distinção,
Ali, em roda, sentados,
Sob apostas inocentes,
Raspam mandioca ligeiros,
Com seus quicés amolados.

Dum lado numas gamelas,
Três mulheres ocupadas,
Com os braços seminus,
Em tirar a tapioca,
Espremendo a fresca massa,
Para fazer os beijus.

No terreiro, bem varrido,
Sobre a branca e fina areia,
Pela lua prateada,
Os meninos, reunidos,
Brincam no joão-galamarte
Em confusa gargalhada.

Eis o quadro meu leitor,
Que apresento, fielmente,
A teus olhos pouco afeitos
A essa vida inocente
Do matuto, honesto, honrado,
Que trabalha no roçado.

(...)

Fonte: Lira Sertaneja, 1988, Projeto Petrônio Portella/Academia Piauiense de Letras   

sábado, 13 de abril de 2019

ÉTICA E MORAL: VIRTUDES MAIORES DO SER HUMANO



ÉTICA E MORAL: VIRTUDES MAIORES DO SER HUMANO       

Antônio Francisco Sousa – Auditor Fiscal (afcsousa01@hotmail.com)
      
                Andamos tão descrentes de tudo e desacreditando de todos, que fatos publicados pela mídia, ouvidos ou sabidos em decorrência de processos interativos ou comunicativos, interpessoais, importantes ou não, quando não os descartamos, sumariamente, não têm sido motivo para reflexões mais sérias. Se lhes interessam, os menos céticos até tentam confirmar informações vindas de fontes sobre as quais não deveriam recair quaisquer dúvidas, ou ainda que disseminadas por pessoas ou veículos de prestígio e/ou idoneidade, pretensamente, inquestionáveis.

                Parece, se formos levados a considerar, ao pé da letra, determinadas intervenções feitas por pessoas ou entidades, em que possam estar em julgamento aspectos éticos ou morais, que ninguém mais pode ser diferenciado ou prestigiado pelo uso que faz ou pela valorização que atribui a tais preceitos. Ou seja, virtudes morais e éticas poder-se-ia, infelizmente, tomar, hoje, por algo que não mais separa os homens bons e probos, dos cafajestes, bandidos ou amorais. Tão poucos, no entendimento de muitos, possuem-nas que, por isso, não passam de exceções residuais. Melhor considerar a todos vítimas da falta de ética ou de valores morais, do que se arriscar colocar a mão no fogo em defesa dos que não padecem de essas falhas existenciais. É como se disséssemos – concordando com George Bernard Shaw, para quem o segredo do sucesso é ofender o maior número de pessoas -, sem que com isso pudéssemos estar ofendendo os bons, que melhor e muito mais fácil seria colocar a todos nos mesmos nichos ou situações; desse modo, não lograriam êxito os que ousassem se ofender por não quererem estar posicionados ou entre os indivíduos indignos de respeito ou credibilidade, já que todos estariam reunidos, senão pelos defeitos morais e éticos, não por suas virtudes, o que tornaria ninguém melhor ou pior do que seus pares.

Fato é que não existe um ranking ao qual alguém possa reivindicar, naturalmente, um posicionamento compatível com seu grau de idoneidade moral e ética, e isso fica patente a partir do momento em que as pessoas, para ganharem tempo ou não se preocuparem, passam quase a não reconhecer méritos morais e éticos em quem quer que seja.

                Para comprovar e, aproveitando o ensejo, encerrar este arrazoado, pretendemos dar exemplos de como andamos igualando todo mundo pelo que a humanidade tem de pior: a falta de ética e o abandono aos princípios morais que devem nortear o homem em suas inter-relações e interações com seus pares.

Como funcionário público que, no exercício de suas funções, por dever de ofício, embasado em critério moral ou ético inquebrantável, tem a obrigação de guardar sigilo sobre os fatos, os documentos e as ações que orientam, disciplinam, controlam nosso mister laboral, temos visto o órgão para o qual prestamos serviços colocando em cheque a intrínseca e racional naturalidade daqueles princípios éticos e morais, quando, a despeito do fato de havermos, ao tomar posse e entrar em exercício funcional, jurado cumprir as leis, regulamentos e regimentos que norteiam a profissão que abraçamos, vez ou outra, ou melhor, tantas vezes, reiteradamente, emitindo instruções, orientações, portarias, memorandos, enfim, documentos que tentam nos ensinar mais do que seja moral e ética, a nos comportar segundo ditames que aqueles instrumentos legislativos e administrativos lecionam a respeito dos mesmos. Parecem desconfiar os homens, alguns de entre nós mesmos, funcionários, colegas de profissão, gestores, de que, sem a formalização ou oficialização de normas que, coercitivamente, nos orientem e induzam a agir, moral e, eticamente como cidadãos e profissionais ilibados, probos e honestos, não conseguiremos sê-los.

                Outro exemplo. O presidente da República, em um decreto fresquinho, que entrará em vigor no dia internacional do trabalho, vem determinando aos servidores públicos federais como se dirigir, oralmente ou por escrito, a quase todas categorias funcionais de trabalhadores e funcionários públicos, exceto a turma do poder judiciário, ministérios públicos e de outros entes estatais: deveremos tratar a todos por “senhor” ou “senhora”. Vossa senhoria, vossa magnificência, doutor, ilustríssimo, digno ou digníssimo, respeitável, excelência ou excelentíssimo, somente se os que assim quiserem ser tratados, dispensarem-nos compatível tratamento. Ou seja, estaremos sendo antiéticos se não seguirmos tal norma legislativa. Fato é que, enquanto perdemos tempo com demagogia, picuinhas e cerimonialismos, o mundo pensa em coisas mais sérias.

                Enfim, quiséramos estar corretos ao considerar que os homens nascem predestinados a ser moral e eticamente honestos, que o convívio social com aqueles que não valorizam tais princípios é que estraga a muitos; também desejaríamos estar certos se disséssemos que as pessoas precisariam, sim, ser segregadas ou reunidas por suas diferenças e semelhanças em aspectos vários, dentre eles, os princípios morais e éticos aceitos, conhecidos e, racionalmente, respeitados por todos que, independentemente, de normas ou regras esdrúxulas, descabidas, reconhecem-nos como indispensáveis à prática da convivência em sociedade.   

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Uma praça da Academia Parnaibana de Letras



Uma praça da Academia Parnaibana de Letras

Pádua Marques, cadeira 24 da APAL


Se eu tivesse que pedir um favor ao prefeito Mão Santa, este pedido seria bem simples. Ele que tem sido tão cuidadoso com a estética da cidade de Parnaíba ao construir e inaugurar praças para o lazer dos nossos filhos, certamente que não se furtaria a este meu pedido, que tenho certeza não é tão dispendioso.

Certamente quando a prefeitura tivesse recursos para tal, visto que neste momento a atenção está voltada para a reconstrução de ruas, casas e regiões alagadas pelas chuvas. Porque sendo escritor e membro da Academia Parnaibana de Letras, creio que abraçaria com toda a atenção este meu pedido, que o faço em nome de todos os membros.

Que em se construindo uma praça, que este espaço de passeio das mães e pais com seus filhos e por aqueles que às vezes pedem recolhimento para a leitura de um livro ou jornal, que esta praça se chamasse Praça da Academia Parnaibana de Letras.

E que na sua inauguração cada membro, tendo condições de saúde ou que quisesse, plantasse uma muda de árvore da variedade a seu gosto. Seria uma forma de deixar para as futuras gerações, netos, bisnetos, a população em geral, aos amigos que devem  lembrar sempre o nosso nome, quem fomos, eternizados por uma árvore.

Humberto de Campos talvez quando plantou no quintal de sua casa aquela castanha de caju nunca imaginou que ainda hoje, transformada em árvore, é objeto de veneração por todos os parnaibanos e turistas e pesquisadores.

Sei que as pessoas, até mesmo dentro da nossa entidade de cultura hão de achar fantasiosa esta minha ideia. Sinceramente eu gostaria que daqui a muitos e muitos anos, cinquenta, cem anos ou mais, meus descendentes  ao passear por alamedas tão bem arborizadas pudessem à sombra de um ipê, mangueira, castanheira ou outra espécie, ler um livro de minha autoria.    

quarta-feira, 10 de abril de 2019

HOMENAGEM A PÁDUA RAMOS




Com a presença de fiéis, acadêmicos,  secretários do  governo municipal,  e amigos do extinto,  foi realizada ontem ao meio-dia, na Catedral de Nossa Senhora da Graça,  em Parnaíba, missa em  intenção da alma do economista Pádua Ramos,   pela passagem do Sétimo Dia de seu falecimento.


Apesar da inconveniência do horário, meio dia, quando muitas pessoas, inclusive acadêmicos, ainda estão em seus trabalhos, a missa teve uma boa participação.
A Academia Parnaibana de Letras se fez representar pela presença do seu presidente   José Luiz de Carvalho, do secretário geral Antonio Gallas e dos acadêmicos Alcenor Candeira, Roberto Cajubá, Dilma Ponte e  Israel Correia que   na ocasião representou o seu pai, acadêmico e ex-presidente da APAL  dr. Lauro Correia.

Antes da benção final os avisos e mensagens dos que não puderam comparecer. Valdeci Cavalcante informou que devido compromissos em Brasília não poderia estar presente em Parnaíba nesta data. A professora e acadêmica Christina de Moraes Souza foi representada pela acadêmica Dilma Ponte.

Em seguida o acadêmico e  Secretário da Chefia de Gabinete da Prefeitura de Parnaíba Israel José Nunes Correia usou da palavra para fazer uma homenagem ao parnaibano  e homem público falecido em Fortaleza na data de 02/04/2019.

Eis como se pronunciou Israel Correia:

BREVES PALAVRAS SOBRE ANTONIO DE PÁDUA FRANCO RAMOS

Em Parnaíba, aos  dias do mês de fevereiro de 1935, o penúltimo dos filhos do casal Raimundo Ramos Vieira e Hermilia Franco Ramos nasceu e, ao completar 20 anos de idade, partiu para Fortaleza, deixando firmes laços de amizade na cidade com as famílias Correia e Velloso, mas o jovem Pádua  Ramos –  acima de tudo e de todos –  viajou certo de cultivar amizade e veneração eternas pelo professor que considerou legendário, o professor de português, José Rodrigues, o qual não só o influenciou, mas toda uma geração de parnaibanos.

A simpatia de José Rodrigues ao integralismo, fez Pádua Ramos e João Paulo dos Reis Velloso, amigos católicos, líderes do movimento integralista nesta cidade, sendo fundadores de um Centro Cultural integrante de uma Federação dos denominados Centros  Culturais da Juventude (CCJ)  os quais eram ligados ao Partido de Representação Popular (PRP) liderados por Plínio Salgado.

Quanto ao Partido de Representação Popular, Pádua  Ramos não ingressou em suas fileiras. Apenas participou de reuniões domingueiras. Não tinha a vocação para a política partidária. Interessava-lhe  a política cultural.

João Paulo foi o amigo que lhe emprestou os livros de Plínio Salgado para leitura e,  no meio integralista, Pádua denominou-se “Águia Branca”.

Outro decisivo mentor de Pádua Ramos foi Alberto Silva que o agregou  ao mais íntimo grupo de administradores a serviço de seus projetos políticos, desde passagem por cargo público no Ceará.

Por seu mérito pessoal e por confiança nele depositada por Alberto Silva que apresentou suas credenciais a Virgílio Távora, Pádua Ramos ocupou a presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado do Ceará e do Banco do Estado do Ceará (BEC).  A esse tempo, não era apenas bancário, pois já receberá inscrição de número 15 do Conselho de administração do Ceará.

Participou, no Piauí do governo de Alberto Silva, em seus dois mandatos. No primeiro deles, nos anos 1970, titular da Secretaria de Planejamento, foi responsável pela criação da Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí, a fundação CEPRO, inigualável centro irradiador da inteligência Piauiense.

No segundo do mandatos, retornou a Teresina para exercer a presidência do Banco do Estado do Piauí.

Inclui-se em seu currículo, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, onde respondeu por operações da SUDENE  vinculadas ao FINOR –  Fundo de Investimento do Nordeste e ( honra nossa)  Academia Parnaibana de Letras da Qual foi membro por ser autor de importantes livros sobre as políticas públicas e de planejamento social: ” em busca do â

Ângulo Alfa”  e ” Manual de Desenvolvimento Social e Econômico do Município” talvez os mais relevantes.

Em sua última fase da excepcional trajetória, brilhou como consultor de empresas e governos (estaduais e municipais).

Certamente Plínio Salgado deu grande contribuição para personalidade de Pádua Ramos que não morreu sem deixar registrada  sua sugestão para a juventude brasileira estudar o movimento integralista, lendo duas obras do líder que o  fascinou e que considerou o brasileiro mais preparado para exercer a presidência do Brasil.

A ler ” Direitos e Deveres do Homem” e  “Psicologia da Revolução”, Pádua Ramos iniciou “construção” de um verdadeiro cidadão; de um  intelectual digno da Ciência e da Arte;  de um focado e produtivo gestor público;  e de um sensato efetivo consultou

ANTONIO DE PÁDUA FRANCO RAMOS Terminou seus dias sendo orgulhoso homem integralista,  mas o meu pessoal orgulho sempre foi o de conviver, ainda que por breve período da minha vida, com esse homem integral: um homem que se dedicou à Religião; à Estética; e, ao social!

IGREJA

Fonte: Site da APAL / Fotos: José Luiz

domingo, 7 de abril de 2019

Rio Surubim

Foto: Luselene Macedo


RIO SURUBIM (*)

José Francisco Marques
Professor, cronista e instrumentista

Rio Surubim, saudade das “maçãs” inalcançáveis que não peguei, emergidas sob a sua abundante correnteza. Das densas matas ribeirinhas exploradas por puro ímpeto juvenil. Das acrobacias ao me jogar ao rio, da ponte desafiadora que a mim aparecia. Rio Surubim que me levava ao “Cantinho”, esconderijo secreto de minhas dores. Rio Surubim que levou/lavou mágoas, enfim.

Hoje te mostra imponente outra vez, talvez a me procurar alucinado na profusão de tuas infindas águas. Rio, meu rio que sempre traz na sua fluência a minha melancolia que nunca estancou.

Nota: Cantinho era a fazenda que meu pai possuía na época.   

(*) Acabei de receber o texto acima, da lavra do amigo Zé Francisco, com foto anexa de Luselene Macedo, do blog Super Campo Maior, e já o repassei aos frequentadores de nosso sítio virtual.

Seleta Piauiense - José Henrique Licurgo de Paiva

Fonte: Google


Queixas

José Henrique Licurgo de Paiva (1842 - 1887)

Não me queixo dos outros só gozarem
Os prazeres do mundo encantador,
Nem maldigo a ninguém, de inveja infame,
Por no baile inspirar a muito amor.

Não me queixo da vida que outros levam,
Nem de nunca num baile delirar;
Não me queixo! Talvez até dou graças!
Gosto mesmo já pouco de bailar!

Só me queixo do fado que me segue,
Negro fado, meu Deus! Que não tem fim!
Que me arranca na vida as longas penas
Da esperança gentil do serafim.

Não me queixo, meu Deus! Do mundo inteiro
Ser feliz, quando eu sofro em solidão!
Não me queixo! Só sinto é que, tão moço,
Viva em gelo meu pobre coração!

Dá, Senhor, que esta vida não perdure,
Que eu não morra no ermo a que me impus;
Seja embora depois sacrificado,
Chore ao peso depois de imensa cruz!     

sábado, 6 de abril de 2019

Escritor Itamar Abreu Costa agora é imortal da Academia Piauiense de Letras



O médico José Itamar de Abreu Costa tomou posse como novo imortal da Academia Piauiense de Letras em solenidade na noite desta sexta-feira 05 na Assembleia Legislativa do Estado do Piauí.

Durante a formação da Mesa de Honra a professora e acadêmica Dilma Ponte foi convidada para tomar assento como representante da Academia Parnaibana de Letras e também, representando as demais Academias presentes ao evento.


O discurso de recepção foi feito pelo médico psiquiatra e acadêmico Humberto Soares Guimarães.

Além da escritora Dilma Ponte,  os acadêmicos  Breno  Ponte  de Brito ,  Valdeci  Cavalcante ,  Altevir  Esteves ,  Anchieta Mendes de Oliveira e Elmar Carvalho, todos  membros da Academia Parnaibana de Letras.

  

Itamar foi eleito para Academia Piauiense de Letras em Dezembro do ano passado e ocupará a cadeira de nº 18, cujo patrono é José Lustosa da Cunha Paranaguá (Marquês de Paranaguá) (1821- 1912).
Os ocupantes da referida cadeira foram os seguintes:

1º Ocupante: José Félix Alves Pacheco (Félix Pacheco) (1879-1935)

2º Ocupante: José Burlamaqui Auto de Abreu (1899-1978)

3º e último ocupante : Herculano  Moraes da Silva Filho (1945 – 2018)
  

O novo imortal é graduando em medicina pela Universidade Federal do Pará, tem  um vasto currículo de serviços prestados ao Piauí, principalmente na área médica,  sendo um dos mais respeitados cardiologistas do Estado. Fundou o hospital Itacor que atende pacientes de várias partes do país, principalmente dos Estados nordestinos. 

Fonte: BPG. Fotos: BPG/DPB. Edição: APM Notícias.   

SUGESTÕES PARA UM MELHOR CONHECIMENTO DOS ESCRITORES BRASILEIROS REGIONAIS


SUGESTÕES PARA UM MELHOR CONHECIMENTO DOS ESCRITORES BRASILEIROS REGIONAIS

Cunha e Silva Filho

RESPOSTA A UM IMPORTANTE ARTIGO DO ESCRITOR E POETA GEOVANE MONTEIRO SOBRE A POSSIBILIDADE DE TORNAR MAIS VISÍVEIS ESCRITORES BRASILEIROS DE TALENTO QUE AINDA PERMANECEM ILUSTRES DESCONHECIDOS NACIONALMENTE:

Um artigo que mais parece um manifesto de um moço ficcionista piauiense, que é o Geovane Monteiro.Seu artigo pertence àquele tipo de escrita que nos obriga a prestar atenção ao que ele acentua, enfatiza e chama à razão, ao debate, às discussões pertinentes e momentosas. Sim Geovane. V. nos leva, assim, àqueles pontos nevrálgicos da questão maior: como saber lidar com a minimo espírito de justiça com os escritores regionais, deles alguns de grande valor que ainda não ultrapassaram o apartheid (pegando o seu gancho vocabular) do eixo Rio -São Paulo e de outros estados com intensa produção literária? Precisamos desregionalizar os escritores menos conhecidos e procurar meios de os levar à visibilidade do público brasileiro.Para isso, teremos que enfrentar uma batalha difícil e cheia de meandros conexionados com a realidade editorial brasileira, e com todos os óbices ainda a serem superados nessa luta contra o anonimato. Creio que as universidades deveriam se empenhar nessa campanha de fazer uma espécie de intercâmbio, através de encontros, conferências ou seminários, de escritores regionais menos conhecidos e os aproximarem dos estudantes do ensino médio e superior. O próprio MEC deveria jogar um papel importante nesse sentido, alocando recursos e estabelecendo estratégias e logística a fim de tornarem essas metas em realidades que só fariam avançar o conhecimento de todos os envolvidos - escritores, alunos, professores, pesquisadores - para a diversidade de nossos talentos ainda pouco ou nada visíveis no cenário cultural-literário nacional. Esse assunto precisa ainda ser amadurecido junto a outros interessados nessas novas descobertas de bons e ótimos autores brasileiros. Deixo, pois, em aberto essas sugestões.

NOTA: VEJA ABAIXO O ARTIGO DO ESCRITOR GEOVANE MONTEIRO

Das amenidades

Sempre a história dos literatos injustiçados. Pior quando lembramos dos superestimados em detrimento dos bons autores que inexistem a um público leitor menos acanhado - isso quando lhes resta ao menos o acanhado na figura do pequeno ciclo de amigos. Nesse cenário, também a crítica especializada parece buscar no midiático a rigor, salvo raras exceções, o sentido de ser, porque "não lhe há outra saída".

Hoje, com o infindo espaço virtual para publicações, não seria razoável desconsiderar o intento hercúleo de um mapeamento, mesmo sério, sem as inevitáveis lacunas, mas que não justificam uma elitização. Se antes havia os " missionários do cânone", imaginemos agora com tantas produções nas redes sociais especialmente em espaços mais particulares como blogs e sites. Entanto, o mercado editorial no geral, sob a conveniência da " difícil tarefa da demarcação" contempla - e por que não lembrar de seu marketing digital, seu controle de dados!?- deliberadamente aqueles que escrevem com o carisma para um público maior, e nem sempre a qualidade das obras faz a diferença nesse processo . Os, digamos, mercadológicos - inclusive quanto a estratégias de tertúlias com grandes divulgadores culturais. Estou frizando uma realidade existente quando nem se imaginava um dia haver a era digital. Resultado nada negociável : uma aritmética ainda maior de bons e dedicados autores fora de cena....

A esse respeito, aludiu o crítico literário Cunha e Silva Filho, uma exceção de crítico honesto porque não falacioso, em seu ensaio intitulado Os autores desconhecidos e outras reflexões sobre literatura brasileira :" Todas as histórias literárias são incompletas, lacunosas e por vezes injustas e, ao procederem assim, privam o leitor de entrar em contato com os autores dignos de reavaliação. Carecemos, em nossa historiografia literária, de uma obra que se destinasse a propiciar uma visão em síntese, mas de amplo espectro da literatura brasileira de autores contemporâneos e que abarcasse pelo menos da última década do século passado até os dias atuais. Poderia ser um trabalho coletivo". Mas como nem tudo são espinhos, Cunha me informa, nessa mesma fonte, que há um trabalho com propósito menos segmentário em "Ficção brasileira contemporânea", de Karl Eric Shochhollhammer, livro que registra nomes de autores mais novos. Que surjam muitos outros navegadores sem medo de piratas federais!

Uma outra intercessão interessante me veio do escritor João Pinto, quando arrisca que os estados poderiam divulgar seus artistas locais desde as universidades às escolas públicas através, por exemplo, da adoção de obras de autores locais. Eis uma sóbria e simples e fácil política pública que custaria iniciativa sem ônus, já que escritores já são divulgados. Seria uma troca ( melhor falar em prioridade, para eu não cair no pecado do rigor) sem nenhum risco, senão salvar muita gente boa do anonimato inclusive local. Sim, na melhor das hipóteses, um pequeno número de escritores longe dos ares Sul/ Sudeste são conhecidos somente em suas províncias, em seus rincões - a exemplo de Nauro Machado, H. Dobal e Assis Brasil, entre outras tantas grandes figuras praticamente desconhecidas do grande público. Quando muito, alguns deles seguem pelos ventos como apenas nomes e não autores. Ventos sem os dribles nas comodidades ideológicas, nas convenções históricas, nos discursos geopolíticos em que o tempo já disse.

Quem mais ganharia com o fim do" apartheid literário" com a " proteção das fronteiras" seria o horizonte de leitores, no sentido de um incentivo a mais à leitura, já que novas propostas na luta com as palavras nos levariam às diversas realidades no viés da ficção. Assim, literatura não seria apenas conteúdo de vestibulares, ordem dos bispos dos grandes centros.

Mas então, se podemos visualizar iniciativas de percurso tão básicos, sem complexidades alguma, embora a médio ou a longo prazo e não absolutamente corrigíveis em razão das infindas manifestações anunciando o tempo; no raso do pensamento, no discurso até piegas, por que a resistência com o que é tão possível, tão previsível? Por que divulgar, repetir aqueles que já são festejados no país inteiro pela grande mídia? Até quando tudo estará restrito ao insumo do mercado? Os artistas locais, num dia de sorte, teriam então que estudar o mesmo evangelho da autoajuda, do empreendedorismo, e de tudo que se busca para o carisma business? Acontece que cantar a São Luís, versejar sobre o calor e a cajuína de Teresina (esquecendo aqui o estrelato de um Caetano) não justificariam os Paulo Leminskis e os Thiagos de Mello da vida.

O negócio então é ser visceral em si e pronto!? Até porque ser visceral é indiferente a circunstâncias. Não se trata de consolo, mesmo enquanto os muitos obstáculos durem... Escrever não espiritualiza tal qual fazer uma prece em secreto dentro do quarto!? Eis o off price!

( G. Monteiro a 24. 03. 2019)   

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A existência de Deus e os seus planos



A existência de Deus e os seus planos

Elmar Carvalho

Releio, pela enésima vez, este texto de Epicuro: “Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede?”

Nunca me inquietei com essas indagações, e sempre tive resposta para elas. Apenas nunca externei o que sempre esteve em minhas convicções e fé. Enfrentarei a problematização da primeira parte da citação e tentarei encontrar uma resposta. Em momento algum Epicuro negou a existência de Deus. Portanto, a admitiu. Aliás, todas as perguntas partem do pressuposto de que Deus existe. Faz tempo venho adiando escrever uma crônica, que forceja em meu cérebro, louca para ser dada à luz da publicidade. Escrevê-la-ei agora, e com ela tentarei responder aos questionamentos epicurianos.

Quando fiz minhas primeiras viagens aéreas, tinha muito medo, e sequer olhava para as belezas que poderia ver da janela, fosse uma bela e verdejante colina ou uma caprichosa enseada marinha, ou fosse o celestial alumbramento das nuvens, nas quais gostaria de deitar e rolar. Entendi que esse medo de nada adiantava, já que eu era forçado a enfrentar a viagem. E se houvesse algum acidente, de nada me valeria essa inquietação. Portanto, era inútil, e apenas me incomodaria durante o voo.

Além do mais, considerando que avião é o meio de transporte mais seguro, exceto elevador, eu apenas sofreria por algo que dificilmente iria acontecer. Por outra parte, raciocinei que o avião fora construído por quem sabia o que estava fazendo, por quem tinha conhecimento, ciência, experiência, e a mais avançada tecnologia e os mais adequados e sofisticados materiais.

Também pensei com os meus botões: quem o pilotava sabia o que estava fazendo, estudara, tinha um plano de voo e igualmente seria vítima de eventual erro que cometesse, pelo agiria sempre com responsabilidade e prudência. Assim, decidi confiar, mesmo porque não poderia fazer outra coisa, uma vez que resolvi entrar na aeronave.

Da mesma forma, para responder às indagações do filósofo, direi que Deus, cuja existência ele admite no enunciado de seu silogismo, tinha e tem pleno conhecimento de sua obra e, certamente, tem um plano maravilhoso e perfeito, como só podem ser as obras divinas. O que sucede é que nossa inteligência e nossos conhecimentos são diminutos, para que possamos entender a mente e a inteligência infinita de Deus, como igualmente não conhecemos os pormenores de seu plano. 

Ora, quanto mais o homem tenta perscrutar os umbrais do infinito, do infinitamente grande, mais novas grandezas ele descobre no espaço sideral. E, quanto mais se volta para o infinitamente pequeno das partículas e da mecânica quântica, mais se surpreende com subpartículas cada vez menores e cada vez mais sutis.

Até já disse, num de meus poemas, que atingi o infinito ao ficar infinitamente pequeno. Dessa forma, entendo que não devemos nos preocupar com as indagações do velho Epicuro. Confiemos no criador da aeronave, que é Deus, e confiemos no plano de voo do piloto, que também é Deus. Talvez Ele, que é perfeito, não tenha desejado criar uma obra pronta e acabada, mas uma em construção, em permanente marcha para a perfeição, apesar dos momentâneos e aparentes retrocessos.

E, no final dessa odisseia, que é a própria existência, chegaremos ao porto final, sãos e salvos, puros e redimidos, recolhidos ao corpo místico de Deus, como pequeninos agasalhados em colo aconchegante e protetor.

Para finalizar, considerando que Epicuro fez várias perguntas, seguindo as pegadas e as lições de Lavoisier, quero fazer apenas uma: será se algo ou alguém que obteve a existência poderia algum dia perdê-la, ou haverá apenas uma transformação existencial, uma nova dimensão do existir, do ser? Sem ansiedades, confiemos e esperemos. Em Deus.   

10 de março de 2010

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O Q U E É N O V E L A

Fonte: Google

O Q U E É N O V E L A

Alcenor Candeira Filho


1.    E T I M O L O G I A

palavra do italiano “novela”
(vinda do latim “novellus, a um”)
derivando depois para “enredado”
e daí “narrativa enovelada”.

COMENTÁRIO
     As três formas básicas de ficção são romance, conto e novela, que se caracteriza pela sequência de histórias que se interligam.
     O poema acima se divide em seis partes. Na primeira  - “Etimologia”  -  título e texto já dizem tudo


2.   A Ç Ã O

     novela: fundamentalmente
     multívoca, polivalente:
     série de unidades dramáticas
     ligadas todas entre si
     fieira de contos encadeados
     com início, meio e fim.

COMENTÁRIO
     Poema de versos octossílabos com rimas paralelas e alternadas.
     Os versos se referem a algumas características da novela:
     -  multívoca: apresenta vários núcleos dramáticos
     -  células dramáticas interligadas
     - enredo linear.


3.       E S P A Ç O    E    T E M P O
      
     ausência de unidade espacial
     e tempo presente, aqui e agora,
     marcado quase sempre po relógio
     ou por convenção social.

COMENTÁRIO
     Poema com rimas encadeadas e paralelas: a-b-b-a
     - espaço: múltiplo
     - tempo: predomínio do presente.


4.       L I N G U A G E M
    
     direta metáfora,
     simples, despojada:
     só vai o narrador
     ao ponto que importa.

COMENTÁRIO

     Poema de versos em redondilha menor e rimas consoantes
emparelhadas.
     A linguagem deve ser objetiva, concisa, clara, simples.


5.      T I P O L O G I A

     de cavalaria, na idade média;
     depois bucólica e sentimental;
     além de histórica, e de picaresca
     - novela de mistério e policial.

COMENTÁRIO

     Os tipos mencionados nos versos são incompletos, mas talvez os principais.
     Observar o emprego de rimas alternadas (a-b-a-b), sendo uma consoante (média/picaresca) e outra toante (sentimental/policial).
     No DICIONÁRIO DE TERMOS LITERÁRIOS, Massaud Moisés comenta sobre os tipos de novela:

      “Quanto às novelas de cavalaria, nasceram
      na Idade Média, em consequência da
      prosificação das canções de gesta. As novelas
      sentimentais remontam a ‘Dáfnis e Clói’ (século
      (século III a. Cristo), mas só foram continuadas
      no século XIV, graças a Boccacio  (‘Ninfale d’Ameto’, 1341 ou 1342). 
      (...) A novela picaresca iniciou-se, como vimos,
      pela ‘Vida de Lazzarillo de Tormes y de sus
      Fortunas y adversidades’, de autor anônimo, e
      Atingiu o ápice no século XVII, com ‘Gusmán
      de Alfarache (1599), de Matco Alemán,
      ‘Rinconetee y Cortadilho’ (1613), de Cervantes.
      (...) A novela histórica, que se caracteriza pela
      recriação do passado remoto ou recente por
      meio de documentos verídicos, principiou com
      ‘Waverley’ (1814), de Walter Scott. (...) A mais
      recente caracterização da novela é a policial ou
      de mistério, iniciada por ‘The Murders in the Rue
      Morgue’ (1841), de Edgar Allan Poe.”
    
   6.  C O N C E I T O    E    EXEMPLIFICAÇÃO

                                          rolo
                                   que se desenrola
                                   menos que o romance
                                   e mais do que o conto.

                                         
                                   bem além do mar
                                         com
                                   “Amor de Perdição”
                                   Camilo Castelo
                                   no gênero é o tal

                                        
                                   no Brasil amado
                                   o baiano Jorge
                                         com
                                   “Quincas Berro Dágua”
                                   não conhece igual.     

COMENTÁRIO

     Novela é a série de histórias interligadas.
     Como exemplos de grandes novelistas são citados Camilo Castelo Branco e Jorge Amado, com as respectivas obras no gênero.: “Amor de Perdição” e “A Morte e a Morte de Qincas Berro Dágua”.

domingo, 31 de março de 2019

CROMOS DE CAMPO MAIOR

Foto:Luselene Macedo
Fonte: Google


CROMOS DE CAMPO MAIOR

Elmar Carvalho

Fonte: 180 Graus

           I

Açude Grande
apenas no nome, mas pequeno
na paisagem ampla dos descampados.
Tuas águas cinzentas
azularam-se em minha saudade.
Tuas águas barrentas
são tingidas de azul pelo
azul do céu que se espelha
em tuas águas de chumbo.
Em ti os pobres lavam
coisas e se lavam,
apesar das placas, dos guardas
e da postura municipal.

Fonte: Google/Wikipédia
           II

Serra Grande
de Campo Maior.
De longe parece
uma dobra do céu.
Nela eu menino fui
buscar uma pedra azul.
Ledo engano, triste decepção:
minha serra era da cor da terra.
Dizem que nela vagam os
fantasmas de uns padres que em
suas entranhas enterraram ouro.
É por isso que nas noites negras em
suas encostas acendem-se fogueiras:
é meu povo pobre procurando
o (tes)ouro vigiado pelos
fantasmas dos padres.

Fonte: Google/Galeria Campo Maior

           III

A catedral de
Santo Antônio do Surubim
é bonita e imponente.
Sua torre faz
cócegas nas nuvens:
dir-se-ia uma espada de
Santo Antônio a brincar
com as nuvens e com as estrelas
ou uma escada em demanda do céu.

Fonte: Google

           IV

O rio Surubim cheio de
outros peixes e de surubim
não se parece nem com
peixe nem com cobra prateados:
no inverno é uma corrente de água viva.
É nele que as lavadeiras ganham a vida,
que os afoitos perdem a vida,
que os meninos pobres brincam de ser
apenas meninos – nem ricos, nem pobres.
Rio Surubim
onde os pe(s)cadores pe(s)cam
peixes e sereias de coxas grossas
            e sem escamas
na doçura de suas margens
na maciez de suas moitas mornas.

Fonte: Google/Portal de Cocal de Telha

           V

O Monumento aos Heróis da Batalha do Jenipapo
recorte de concreto contra a seda azul do céu
em pleno e plano tabuleiro dos grandes campos
                                                           de Campo Maior
não obstante bonito é apenas um símbolo da
coragem dos filhos da Terra dos Carnaubais
            e de outras terras
porque ela já fora indelevelmente
(de)marcada a ferro e fogo
em nossa memória e na
p’alma de leque das carnaubeiras e na
p’alma de nossa mão e de nossa alma.

Fonte: Google/Super Campo Maior

           VI

Festejo de
Santo Antônio do Surubim:
sob as estrelas do céu
sob as estrelas de lágrimas da pirotécnica
foguetes estilhaçam ruídos e silêncios
enquanto a bandinha do Antônio Músico
ataca com o (dobrado) Capitão Caçula
a fil(h)armônica do Antônio Músico
toca a valsa Coração Magoado
da autoria de seu pai
– Major Honório Bona Neto.
A bandinha do Antônio Músico
deflagra lentas valsas
                lânguidos boleros
                lépidas marchas
sob a batuta batuta
do seu filho Antônio Francisco
– maestro excepcional –
em sua cadei(a)ra de rodas.


Fonte: Google/JFNews

           VII

Na casa grande da fazenda
o brasão é uma grande
caveira de boi erado
de chifres enormes
às vezes descrevendo
curvas
como obra de arte.
O vaqueiro e o cavalo
se fundem e se confundem na desabalada
                                                                  alada
carreira quase vôo
campeando gado pelos campos
                                    de Campo Maior.
A perneira e o gibão
dependurados na parede
como se vestissem invisível corpo
são a lembrança palpável do vaqueiro
morto na desobriga.
O vaqueiro em seu terno de couro
– segunda pele áspera de seu corpo –
solta seu canto de guerra
e paz: o aboio – eeeeei! boooooi!
O eco é o aboio de
outro vaqueiro: – eeeei! boooooi!