Belinha |
BELINHA
Elmar Carvalho
Pedi que a Elmara Cristina, que é a primeira dona da
prima-dona Anita, me mandasse, por e-mail, fotos da Belinha e da Anita, nossas
duas mimosas cadelinhas, mas quem terminou por enviá-las foi o João Miguel.
Isto porque decidi, hoje, escrever sobre Belinha, coisa que já venho adiando há
algum tempo, por razões diversas. Essa cachorrinha chegou a nossa casa faz
alguns anos. Não podia ouvir fala masculina que ficava nervosa, se agachando,
se escondendo debaixo dos móveis. Dizíamos que era traumatizada. Depois,
soubemos que um homem, que fora seu dono, a maltratava.
Foi, em seguida, para uma outra casa, onde não era muito bem
cuidada, embora não sofresse
maus-tratos, até que nos foi dada. No início, a Anita, que veio morar
conosco desde recém nascida, e que desde então foi sempre bem-amada, travou uma
verdadeira “guerra” contra a Belinha, apesar de que esta, conquanto também
pequena, fosse bem maior que ela; suponho que por ciúme da sua família humana e
porque achasse que a intrusa invadira seu território.
Mas Belinha, com humildade e paciência, evitava confrontos, e
se afastava de perto da mandona e madona Anita. Parecia provida de uma
verdadeira inteligência emocional, que lhe impulsionava para a diplomacia e
para a resistência pacífica, talvez temerosa de novo abandono ou rejeição.
Sendo a Anita menor, mais graciosa e a “dona do pedaço”, já que era a pioneira,
Belinha passou a nos cativar e a nos atrair a atenção caminhando e dançando
sobre as duas patinhas traseiras.
Com efeito, terminou por conquistar todos da casa. Mas, um
tanto tímida e esquiva, muitas vezes procurava os lugares esconsos, e se retraía ante a Anita, que sempre foi
mais ousada e voluntariosa, já que sempre foi o mimo da casa, talvez por ser a
“primogênita” e por causa de sua graciosidade miúda. Não resta dúvida, Anita
sempre foi a prima-dona, sempre foi a predileta. Mas Belinha foi galgando
posições, angariando simpatias, e ao que tudo indica foi se libertando de seus
traumas, embora se mantendo humilde e cordata com a outra cadela.
A Pantica (Francisca Maria) passou a ser a sua “madrinha”,
cuidando dela com desvelo e carinho, mas também a repreendendo, em certos
momentos, como se estivesse lidando com um ser humano, coisa que a cachorrinha
quase o é, mas sem os defeitos dos humanos. Houve correspondência nesse apego e
afetividade. Contudo, tinha seu brio e seu amor-próprio, e, certa vez em que a
Anita foi muito abusada, reagiu, como para mostrar que sabia se defender e
defender os seus direitos, apesar de não gostar de briga, futrica e intriga.
Com o passar do tempo, Anita, conquanto não morresse de amor
por ela, foi deixando de implicar; passou a tolerá-la, e ambas passaram a ter
uma coexistência pacífica. Recentemente, Anita, que tinha uma hérnia há algum
tempo, passou a ter o seu problema agravado, e um dia sentiu fortes dores, pois
gania/gritava de dor. Belinha, bela e boa cadelinha, foi solidária, e correu
desesperada, subindo os degraus em desabalada carreira, para latir à porta do
quarto onde estava minha mulher; latiu fortemente, até a Fátima abrir a porta.
Em seguida, desceu as escadas, como chamando minha mulher
para socorrer a Anita. Somente sossegou quando a Fátima foi olhar o que estava
ocorrendo. Felizmente, a cachorrinha foi operada pela médica Tita, e hoje está
recuperada. Essas duas cachorrinhas, fofas e graciosas, de biografias e
temperamentos tão díspares, como que se complementam e completam a plenitude de
nossa família, pois nos amam e por nós são amadas.
14 de abril de 2010
O que está dito de Anita e Belinha, digo de Bia e Cabeluda. Inclusive quanto à hernia da Bia e à veterinária que cuida dela.
ResponderExcluirTambém brigam muito, apesar de uma não viver sem a outra.
Às vezes fico pensando que as duas são minhas netas. Duas delas, também são briguentas.
No tempo as duas cadelinhas não tinham falecido ainda. Foram embora esse mundo três anos depois da data do texto. As duas alegraram muito nossa casa! Estão hoje descansando em paz!
ResponderExcluirMinha irmã tb encontrou uma cadelinha Pinscher que possuía esses mesmos sintomas e com muito amor ela foi se adaptando à todos e hoje é considerada filha e neta.
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