| Imagem criada pela IA GPT |
FIM DE CASAMENTO
Elmar Carvalho
Perguntando eu, hoje, a um homem
de mais de sessenta anos de idade se ele era solteiro, contou-me que fora
casado, em sua juventude, mas durante menos de vinte e quatro horas. Revelou-me que ao constatar que fora enganado
pela mulher, a devolveu a seu pai. Fazendo-me de um tanto ingênuo, disse-lhe
estranhar como essa traição poderia ter ocorrido nesse curto espaço de tempo,
“em plena lua de mel”, como na bela letra da música de Reginaldo Rossi.
Esclareceu-me que a traição fora o fato de ela não lhe ter revelado,
anteriormente, não ser mais virgem. O homem a interrogou, e ela acabou por lhe
confessar já ter tido outras experiências sexuais.
Acrescentou-me ele que sua mãe,
ao saber do fato, ponderou-lhe que tudo poderia ser apenas um erro proveniente
da juventude dela, que poderia não mais se repetir. Ele disse à mãe que nessa
oportunidade conseguiu se controlar, e por isso não cometera nenhuma violência
contra a mulher, mas, em outra ocasião, não saberia dizer se conseguiria
conter-se. A mãe, então, falou que ele fizesse o que achasse melhor para si.
Embora pedindo desculpas, indaguei-lhe se ele, ao constatar que a jovem não era
mais virgem, havia interrompido o coito. Sorriu, e me disse que era homem, e
que, portanto, tivera de concluí-lo, talvez, suponho, para acalmar-se e tomar
uma atitude de maneira mais ponderada. Tinha ele 25 anos e a mulher, 16.
O certo é que ele não aceitou a
mulher, devolvendo-a a seus pais, mal (ou bem) comparando, como se ela fosse
uma mercadoria com defeito oculto ou vício redibitório. Na verdade, nessa
época, as mulheres se conservavam virgens até o casamento, e poucos homens
aceitariam casar-se com uma mulher que não fosse donzela, exceto se fosse o
próprio nubente o autor do defloramento. O próprio Código Civil de 1916
permitia a anulação do casamento, conforme o seu art. 218 em combinação com o
219, IV, ao estampar que era anulável o casamento quando “o defloramento da
mulher” fosse “ignorado pelo marido”.
Mas houve casos em que o marido
repudiou a mulher, embora fosse ele o responsável pela defloração, sob a alegativa de que ela não deveria ter cedido
às suas súplicas e insistências; que se cedera com relação a ele, poderia
entregar-se aos caprichos e seduções de outrem, no futuro, ainda mais porque já
não existiria a película denunciadora.
No final da conversa, fazendo uma
analogia entre as ponderações de sua mãe, para que desse nova oportunidade a
sua mulher e a perdoasse, lembrei-me de uns versos do grande poeta Hermes
Vieira, que tem poemas magistrais na vertente popular e na temática sertaneja,
que lhe citei de forma livre, parafraseada, já que faz muitos anos que os li
pela derradeira vez. O poema conta o caso de um jovem que constatou haver se
casado com uma mulher já deflorada.
Na manhã do dia seguinte às
núpcias, foi aconselhar-se com o pai, sobre o seu desejo de restituir a mulher
a seu pai. Após elogiar muito a própria mãe, acrescentou que feliz era ele, seu
pai, que se casara com uma mulher direita, séria, honesta, que sempre o
respeitara. O pai, nos versos do poeta, que cito livremente, apenas de memória,
disse ao filho angustiado: “Meu filho, vê se você se acoita, / Na mulher se
bota um frei, / é melhor você ficar na moita, / Do jeitim que eu fiquei”.
O homem sorriu, conquanto fosse
este o mesmo conselho que lhe dera sua mãe, em sua distante juventude.
23 de março de 2011
Antigamente tinha que casar donzela se não fosse devolvia aos pais,eu ainda sou dessa época deixei fazer coisas boas com medo do processo era crime mas os hábitos sociais mudaram
ResponderExcluirUm amigo, por WhatsApp, me narrou o seguinte: "Hoje em dia, mestre, acontece o contrário. Conheci um amigo que me disse ter ido ao motel com uma mulher, e lá, a dita cuja falou que era virgem. Ele então, de imediato, disse-lhe que resolvesse essa pendência e depois o procurasse."
ResponderExcluirUm amigo me mandou o seguinte relato, que segue abaixo, sem citação de nomes:
ResponderExcluir"Na minha juventude tive um relacionamento muito doido com uma bela garota, noiva de um ricaço. Ela topava todo tipo de sacanagem, menos a penetração vaginal.
Passou a lua de mel na Europa e no dia que voltou ao Brasil me telefonou avisando que "o sinal estava verde"."
Se casara com uma mulher direita
ResponderExcluir