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SONATA EM DOR MAIOR
Elmar Carvalho
A mesa está posta,
mas os pratos estão vazios.
O meu povo não tem
talheres, nem colheres,
por isso come com
as mãos o que não
existe nos pratos.
O meu povo vota em
eleições para presidente
da república (de estudantes),
mas sonha votar
na eleição para
Presidente da
República
Federativa do
Brasil.
O meu povo deseja bater
palmas para as estátuas dos
heróis libertários.
Mas como se as mãos
e os pés estão
atados?
Em 1888 acabaram com a
escravidão no Brasil. Mas que escravidão?
Se antes os
escravos eram pretos,
hoje são de todas
as cores,
e cantam com raiva a “Esparrela do Brasil”.
Parnaíba,13.10.78

ResponderExcluir*1. A fome de estrutura e de comida*
`"A mesa está posta, mas os pratos estão vazios"`
É a promessa que não vira realidade. O Brasil "rico", "com oportunidades", mas o povo não tem o básico: alimento, talher, dignidade. "Come com as mãos o que não existe" — é sobreviver da falta.
*2. A democracia de mentirinha*
`"vota em eleições para presidente da república de estudantes, mas sonha votar na eleição para Presidente da República Federativa do Brasil"`
Aqui o meu Ilustre Elmar mostra a diferença entre ter voz no pequeno e não ter voz no que realmente muda a vida. O povo é chamado pra brincar de votar, mas as decisões grandes continuam distantes.
É um poema político, mas sem citar partido. Fala do Brasil real, do povo que trabalha, vota, bate palma... mas continua com as "mãos e pés atados".
Verdade o Brasil não tem justiça social mãos vazias,pratos vazios e barrigas vazias,mas um povo resistente que alimenta esperança em cada pleito eleitoral mas os políticos são os mesmos não tem capacidades de mudarem
ResponderExcluirO que era escravidão na época desse poema, é que ansiávamos uma liberdade, tão esperada por todos nós, um dia "chegou" e nada mudou, pelo contrário, piorou e descobrimos que era uma mera desejada utopia. Os dias se enegreceram e hoje não sabemos mais para onde ir nem o que esperar, pois a desesperança é o prato cheio que se vive hoje. Como diz na santa Palavra; "Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?" O melhor de tudo é viver a realidade que para muitos se mostra de um jeito e para outros, a mesma realidade se mostra diferente. Fico com as palavras do salmista quando responde essa pergunta descrita acima: "O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra". Acreditando ou não, não existe socorro vindo de outras origens. Parabéns, grande poeta maior, pelo poema!
ResponderExcluirHoje sao de todas as cores
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