terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Meu pequeno Açude Grande

 

Imagem pescada na internet

Meu pequeno Açude Grande

 

Elmar Carvalho

 

Através de WhatsApp, Helano Lopes, o Poeta da Estação, fez as seguintes postagens:

Foto em preto e branco de avião com pessoas ao redor

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

“Açude grande de Campo Maior Piauí, carro pipa improvisado numa carroça e puxado por mula. A água era para abastecer algumas casas no centro da cidade, era vendida. Também, havia o transporte d'água através de ancoretas sob o lombo de jumentos. Além do escambo. O carregador colocava um pedaço de pau sobre os ombros, nas extremidades destes, uma corda de cada lado. Sustentando cada uma lata de querosene contendo água para a serventia de casa ou para vender.  Memórias de minha cidade.

 

Poeta da Estação.

31/01/2026.”

 

“Lata de querosene que se usava como se fosse um balde, antigamente. Se tirava a tampa dela. No meio da lata se colocava um pedaço de madeira. No meio deste, se amarrava uma corda e uma ponta dela se amarrava no meio do cabo de madeira da roladeira, e ia se buscar água no açude grande de Campo Maior Piauí. Ou no cambo, que era uma vara, que se colocava nas costas , em cada extremidade dela se botava uma lata de óleo com água do açude.”

Devo dizer que ainda alcancei esse sistema de abastecimento d’água, quando criança. Cheguei a ver o que o poeta descreve acima. Vi as chamadas roladeiras, que eram umas pipas, em torno das quais eram colocadas umas espécies de rodas de borrachas, creio que feitas de pneus velhos. Nas laterais da pipa era fixado um cambo, que o aguadeiro puxava pelas ruas da cidade, para vender o precioso líquido em diferentes casas.

A orla do açude era de terra nua, onde eram cavadas cacimbas, umas pequenas, outras maiores e fundas; umas mais perto, outras mais distantes da lâmina d’água. O sistema de abastecimento d’água canalizada foi crescendo e se aperfeiçoando, até que a atividade dos aguadeiros foi desaparecendo.

Joguei bola, nos anos de 1971 e 1972,  num campinho de areia macia que existia na beira do açude, perto da herdade do tenente Jaime da Paz. O açude ainda não era poluído, de modo que após os jogos costumava tomar um gostoso banho nas águas tépidas do pequeno Açude Grande.

A urbanização do açude, através da avenida de contorno e de praças, sepultou as cacimbas e o meu pequeno campo de futebol, de areia tão fina, tão branca e tão macia, que amortecia as minhas voadas e pontes de goleiro do futebol amador.

Sobre o açude, em tempos que já se esfiapam e se esgarçam na memória, tive a oportunidade de escrever estes versos:

Açude Grande

apenas no nome, mas pequeno

na paisagem ampla dos descampados.

Tuas águas cinzentas

azularam-se em minha saudade.

Tuas águas barrentas

são tingidas de azul pelo

azul do céu que se espelha

em tuas águas de chumbo.

 

Vendo a lata de querosene postada pelo poeta Helano, postei estes versos brincalhões:

Seu José,

Quero já

Querosene

Jacaré.

Helano Lopes me respondeu e me homenageou com este belo poema, de sua lavra:

Na lata de querosene

“Não dava para fazer café,

Então, Dona Irene Juraci,

Esquentava a água

Para fazer a bebida escura

Numa lata de leite ninho.

Passava no cuscuz

A manteiga Itacolomi.

Na mesa a lata intacta

Do leite em pó, Mococa.

.............................................

Que feliz hora matinal.

O galo cantava no quintal.

O padeiro passava a rua,

A fazer o seu comercial

De pão massa grossa e fina

A mãe preparava a menina

E depois o menino traquino,

Para irem ao Valdivino Tito.

.............................................

.

Ao amigo e confrade Elmar Carvalho, que me atiçou a escrever este poema, baseado no seu poema Seu José.”

Agradeço ao poeta Helano Lopes pela sua dedicatória e encerro esta crônica feita com a sua luxuosa ajuda.   

Um comentário:

  1. Bela lembrança da utilidade da água do açude abastecendo Campo Maior,hoje poluída com esgotos clandestinos contaminando o líquido precioso do açude,falta uma ação ambiental das autoridades locais o açude é um cartão postal de Campo Maior

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