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Meu pequeno Açude Grande
Elmar Carvalho
Através de WhatsApp, Helano Lopes, o Poeta da Estação, fez as
seguintes postagens:
“Açude grande de Campo Maior Piauí, carro pipa improvisado
numa carroça e puxado por mula. A água era para abastecer algumas casas no
centro da cidade, era vendida. Também, havia o transporte d'água através de
ancoretas sob o lombo de jumentos. Além do escambo. O carregador colocava um
pedaço de pau sobre os ombros, nas extremidades destes, uma corda de cada lado.
Sustentando cada uma lata de querosene contendo água para a serventia de casa
ou para vender. Memórias de minha
cidade.
Poeta da Estação.
31/01/2026.”
“Lata de querosene que se usava como se fosse um balde,
antigamente. Se tirava a tampa dela. No meio da lata se colocava um pedaço de
madeira. No meio deste, se amarrava uma corda e uma ponta dela se amarrava no
meio do cabo de madeira da roladeira, e ia se buscar água no açude grande de
Campo Maior Piauí. Ou no cambo, que era uma vara, que se colocava nas costas ,
em cada extremidade dela se botava uma lata de óleo com água do açude.”
Devo dizer que ainda alcancei esse sistema de abastecimento d’água,
quando criança. Cheguei a ver o que o poeta descreve acima. Vi as chamadas
roladeiras, que eram umas pipas, em torno das quais eram colocadas umas
espécies de rodas de borrachas, creio que feitas de pneus velhos. Nas laterais
da pipa era fixado um cambo, que o aguadeiro puxava pelas ruas da cidade, para
vender o precioso líquido em diferentes casas.
A orla do açude era de terra nua, onde eram cavadas cacimbas,
umas pequenas, outras maiores e fundas; umas mais perto, outras mais distantes
da lâmina d’água. O sistema de abastecimento d’água canalizada foi crescendo e
se aperfeiçoando, até que a atividade dos aguadeiros foi desaparecendo.
Joguei bola, nos anos de 1971 e 1972, num campinho de areia macia que existia na beira
do açude, perto da herdade do tenente Jaime da Paz. O açude ainda não era poluído,
de modo que após os jogos costumava tomar um gostoso banho nas águas tépidas do
pequeno Açude Grande.
A urbanização do açude, através da avenida de contorno e de
praças, sepultou as cacimbas e o meu pequeno campo de futebol, de areia tão
fina, tão branca e tão macia, que amortecia as minhas voadas e pontes de
goleiro do futebol amador.
Sobre o açude, em tempos que já se esfiapam e se esgarçam na
memória, tive a oportunidade de escrever estes versos:
Açude Grande
apenas no nome, mas pequeno
na paisagem ampla dos descampados.
Tuas águas cinzentas
azularam-se em minha saudade.
Tuas águas barrentas
são tingidas de azul pelo
azul do céu que se espelha
em tuas águas de chumbo.
Vendo a lata de querosene postada pelo poeta Helano, postei
estes versos brincalhões:
Seu José,
Quero já
Querosene
Jacaré.
Helano Lopes me respondeu e me homenageou com este belo
poema, de sua lavra:
Na lata de querosene
“Não dava para fazer café,
Então, Dona Irene Juraci,
Esquentava a água
Para fazer a bebida escura
Numa lata de leite ninho.
Passava no cuscuz
A manteiga Itacolomi.
Na mesa a lata intacta
Do leite em pó, Mococa.
.............................................
Que feliz hora matinal.
O galo cantava no quintal.
O padeiro passava a rua,
A fazer o seu comercial
De pão massa grossa e fina
A mãe preparava a menina
E depois o menino traquino,
Para irem ao Valdivino Tito.
.............................................
.
Ao amigo e confrade Elmar Carvalho, que me atiçou a escrever
este poema, baseado no seu poema Seu José.”
Agradeço ao poeta Helano Lopes pela sua dedicatória e encerro esta crônica feita com a sua luxuosa ajuda.

Bela lembrança da utilidade da água do açude abastecendo Campo Maior,hoje poluída com esgotos clandestinos contaminando o líquido precioso do açude,falta uma ação ambiental das autoridades locais o açude é um cartão postal de Campo Maior
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