quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ANTOLOGIA DO NETTO

Texto e charge: João de Deus Netto


MENEZES Y MORAIS


Menezes y Morais é o pseudônimo de José Menezes de Morais, jornalista e professor. Nasceu e viveu a infância em Altos, Piauí. Está em Brasília desde 1980. Sua estréia literária foi em 1975 com Laranja partida ao meio. Já publicou nove livros de poesia (até 2005), sendo o último Na micropiscina da lágrima feliz (Brasília, 1999). É um promotor cultural, liderando o Coletivo de Poetas, movimento criado em 1992 que leva amantes da poesia e da música para encontros em bares da cidade.
SAIBA MAIS:
http://www.germinaliteratura.com.br/pcruzadas_triptico_mym_mar07.htm

terça-feira, 15 de novembro de 2011

QUATRO POETAS DO PIAUÍ (*)


NEL MEZZO DEL CAMIN...

Da Costa e Silva

Passou de leve a Esperança
Pelo meu coração...
Encantou-me no azul do meu sonho de criança:
Ardeu como uma estrela... E era um pobre balão!

Passou de leve a Alegria
Pelo meu coração...
O Amor, dentro em meu ser, como um jardim, floria...
Como é triste, meu Deus, esta recordação!

Passou de leve a Ventura
Pelo meu coração...
Como foi que passou, se a busco com loucura,
Sentindo-me infeliz por desejá-la em vão?

(*) Extraído de LB – Revista da Literatura Brasileira, nº 6

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

DRACULANIANO AMOR


VIRGÍLIO QUEIROZ
 
O nosso amor
tem séculos de histórias
de alhos e cruzes
estacas e balas de prata
O nosso amor
tem os uivos dos lobos
o cheiro de enxofre
e o medo do sol
O nosso amor
tem a sombra da noite
as árvores sem folhas
o ataúde como leito
a palidez da cútis
antigos castelos perdidos
pântanos tenebrosos
O nosso amor
é o único amor eterno
atravessando gerações
e países distantes
O nosso amor
é marca jugular
sangue ardente
escarlate sangue
renovando nossas vidas
tornando-nos eternos
malignos e divinos
sedentos e infinitamente amantes
numa vida de fugas constantes 

sábado, 12 de novembro de 2011

O S F U N D A D O R E S - BAURÉLIO MANGABEIRA


REGINALDO MIRANDA


Benedito Aurélio de Freitas, por alcunha Baurélio Mangabeira, nasceu às 18:00h do dia 18 de julho de 1884, na fazenda “Pau d’arco”, Município de Piripiri, filho de Aureliano de Freitas e Silva e Izabel Rosa da Silva. Era bisneto do notável padre Domingos de Freitas e Silva, o principal fundador da cidade de Piripiri.
Órfão de mãe desde o nascimento, vez que a genitora morrera no parto, e de pai desde os cinco anos de idade, foi criado sob os cuidados da tia e madrasta Carolina Rosa da Silva, tendo em vista seu pai depois de viúvo ter convolado novas núpcias com uma cunhada, como a anterior sua sobrinha, com quem teve mais três filhos. Sem pai e sem mãe, transcorreu sua meninice sem muito regramento, desde cedo correndo solto nos arredores de Piripiri, banhando em riachos, subindo em árvores, armando arapucas para apanhar aves e fazendo outras estripulias. É quando foi aberta pelo professor Nelson Francisco de Carvalho, uma escola de primeiras letras para alfabetizar as crianças de Piripiri, que até então não existia. O menino Benedito Aurélio foi mandado imediatamente para essa escola, surpreendendo o mestre pelos rasgos de inteligência. Concluída essa etapa, aos 12 anos de idade, foi enviado pelo avô Porfírio de Freitas e Silva para a cidade de Barras, onde concluiu os estudos primários, os únicos cursados em escola regular, prosseguindo como autodidata. Completada a maioridade, muda-se para a cidade de União, “onde começou a trabalhar em misteres humildes e depois como balconista na farmácia Guerreiro, daquela cidade. Daí passou para a farmácia do Sr. Tersandro Paz, em Floriano e Teresina. Nessa última, que então era o melhor estabelecimento no gênero, neste Estado Baurélio habilitou-se como farmacêutico prático e conseguiu juntar um pecúlio regular, com o qual começou a comprar livros. Em seguida surgiu pela imprensa publicando sonetos líricos amorosos, mas que chamavam atenção (...) pela cadência, ritmo e beleza de imaginação”. Em toda a sua vida, foi essa a fase em que esteve mais equilibrado financeiramente. Todavia, “à proporção que ia ingressando no Parnaso e que o estro se desenvolvia calorosamente com aspectos panorâmicos de belezas transcendentais, ia o poeta afrouxando a dedicação ao trabalho quotidiano”, entediando-se até abandoná-lo completamente e entregar-se de vez à boêmia, primeiro em Parnaíba e depois em Teresina e outras localidades, consumindo todas as suas economias. Entregou-se ao vício do alcoolismo e tabagismo. Desde então, passou a viver com dificuldades financeiras.
Na poesia iniciou-se seguindo a tendência naturalista defendida por Mauricio Le Blande e Émmile Zola. Somente depois, impressionado com a leitura das poesias satíricas de Bocage, tornou-se humorístico e causticante. Por esse tempo, publica Sonetos Piauienses(1910), panfleto de versos humorísticos e agressivos. Nessa ocasião, lembra Alarico José da Cunha em seu discurso de posse na Academia Piauiense de Letras, principal fonte dessas notas e autor das citações entre aspas, que “um dos atingidos pelas sátiras do poeta, ameaçou-o de um surra em plena rua de Teresina. Tendo conhecimento da desagradável promessa, Baurélio dirigiu-se ao Chefe de Polícia, (...), solicitando que este providenciasse no sentido do seu agressor adiar a surra por uma semana, pelo menos, a fim de poder ele terminar um serviço que havia começado”. Felizmente, a tal promessa não se concretizou e nosso poeta pôde continuar circulando livremente pelas ruas de Teresina.
Alarico da Cunha, no mesmo discurso lembra também a engenhosa e interessante versão do poeta para o seu pseudônimo. Porque sua desditosa mãe houvera feito uma promessa para São Benedito, santo de sua predileção, mas este o abandonara à própria sorte, desprezou o nome do taumaturgo, mas em reverência à veneração da mãe conservou o B inicial e etimológico que, junto com a palavra Aurélio, parte do nome de seu pai e do grande imperador filósofo Marco Aurélio, deu em resultado a palavra vibrátil, elegante e sonora Baurélio. E porque o sobrenome Freitas pouco lhe dizia, substituiu-o por Mangabeira, nome de uma árvore que por aqueles dias era fonte de riqueza no Piauí, produzindo magnífica borracha. Para ele, Baurélio Mangabeira, significava poder, sabedoria e riqueza – os três principais fatores do progresso e da civilização.
Jornalista andarilho, repentista e tribuno ardoroso, andava com um prelo portátil e em qualquer parte onde estivesse editava seu jornal A Jornada, periódico ambulante que manteve por vários anos, sendo ele sozinho e a um tempo, redator, revisor e tipógrafo. Redigia, compunha, executava clichês de madeira para ilustrar o jornal e, afinal, o imprimia. Modelava também em zinco e era exímio desenhista, pintor, xilógrafo e escultor. Colaborou também na revista Alvorada(1909) e nos jornais A Chaleira, O Porvir, O Norte, O Grito e O Periperi. Consagrado na literatura, em 1917 participou da fundação da Academia Piauiense de Letras, tomando assento na cadeira n.º 6.
Contraiu matrimônio, um tanto retardado, na cidade de Alto Longá, onde exerceu o cargo de juiz distrital, com a senhorita Raimunda de Oliveira Freitas, deixando desse consórcio os seguintes filhos: Francisco de Assis, José Henrique e Maria de Lourdes.
Para Alarico da Cunha, “Baurélio Mangabeira foi sempre um torturado na sua peregrinação terrena e uma vitima da indiferença do meio. Mantinha, entretanto, uma verve chistosa e humorística, com a qual disfarçava gostosamente os seus pesares ou ‘as tormentas da vida’” (CUNHA, Alarico José da. Discurso de Posse. Revista da APL n.º 17. Teresina: Imprensa Oficial, 1938).
Faleceu Baurélio Mangabeira na cidade de Teresina, em 16 de abril de 1937, com quase 53 anos de idade.
Como mostra de sua produção literária, segue o poema Revelações: “Não julgues que, se a sorte não maldigo,/ Seja porque minha alma não sofreu/ Os travos da desgraça – agro castigo,/ Que dizem vir do Inferno ou vir do céu.// Pouco tempo meu pai viveu comigo:/ Cinco rápidos anos e morreu./ E minha mãe, com lágrimas te digo,/ Dentro de algumas horas faleceu.// Escuta lá: Nos cemitérios vastos/ Os ossos de meus pais devem estar gastos/ Pelo tempo que tudo estraga e rói...// Olha: quem nessa estrada cai,/ Sem ter mãe, minha filha, e sem ter pai,/ Há de sentir o quanto a vida dói...”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

QUATRO POETAS DO PIAUÍ





11 de novembro   Diário Incontínuo

QUATRO POETAS DO PIAUÍ

ELMAR CARVALHO

No meu trabalho de reorganização do que restou de minha biblioteca, terminei encontrando um exemplar de LB – Revista da Literatura Brasileira. Trata-se do exemplar nº 6. A brochura, de apenas 45 páginas, consequentemente sem nome na lombada, encontrava-se perdida entre os meus livros, de maiores dimensão e volume. Não a via há vários anos. Pensava até que ela se extraviara, no meio de tantos papéis. Por uma circunstância que adiante será explicada, não lhe havia esquecido. O número que tenho em mãos contém crítica literária, resenha de publicações, contos, crônicas, uma novela e outras matérias.

Não há indicação sobre sua periodicidade. O exemplar em comento é referente ao ano de 1997. Seu conselho editorial é formado por Aluysio Mendonça Sampaio, poeta e contista, e Henrique L. Alves, crítico literário, secretário geral da Academia Paulistana de História. Gloria Rivers é o nome de sua secretária administrativa. Entre suas matérias constam Quatro Contistas do Brasil, em que figuram Aluysio Mendonça Sampaio, Caio Porfírio Carneiro, Dalton Trevisan e Moacir Sclyar, e Quatro Poetas do Piauí, cuja seleção recaiu sobre Da Costa e Silva, H. Dobal, Clóvis Moura e Elmar Carvalho. Considero o primeiro, o nosso poeta maior, o nosso poeta laureatus, o príncipe dos poetas piauienses. Dobal e Clóvis, estão entre os poetas piauienses de minha predileção, aos quais, entre os mortos, acrescentaria Mário Faustino, Celso Pinheiro, Martins Napoleão e Jonas Fontenele da Silva. A contracapa anunciava que a próxima edição traria os Quatro Poetas do Rio de Janeiro, sem lhes antecipar os nomes.

Meu primeiro contato com a poesia de Da Costa deu-se quando eu era garoto, quando ainda cursava o antigo ginásio, através de uma professora de Português e Literatura, não sei se dona Francisca Teresa Andrade ou se dona Eidene, filha do farmacêutico e comerciante Aquiles Brasil Rocha. O fato é que a mestra leu o soneto A Moenda, de nosso poeta maior, para mostrar a riqueza dessa composição, tanto pelo conteúdo como pelas figuras de estilo, sobretudo as aliterações começadas pela letra r. Eu já conhecia, na época, os grandes poetas nacionais, e fiquei orgulhoso de que o Piauí tivesse um poeta de tal magnitude, um bardo que se lhes podia ombrear.

Desse episódio, fiquei com a certeza de quão era importante o estudo de literatura em sala de aula. Por esse motivo, quando presidi a UBE-PI, gestão 1988/1990, lutei para que o ensino de Literatura Piauiense fosse posto no texto constitucional do estado como disciplina obrigatória, o que terminou acontecendo, graças ao esforço e obstinação do deputado Humberto Reis da Silveira, que homenageei com honrarias da entidade, cujos diplomas ele emoldurou e expunha em seu gabinete, porquanto sabia da sinceridade da outorga. Um pouco depois da declamação feita por Francisca Teresa ou Eidene, na Casa do Estudante do Piauí, em Teresina, vi o poema Saudade, estampado em um cartão postal, e mais uma vez constatei a grandeza do poema dacostiano. Desse soneto, meu pai extraiu o magnífico verso – Saudade ! Asa de dor do Pensamento! – e o depôs na lápide de minha irmã Josélia, falecida aos 15 ano de idade, vítima de desastre automobilístico, no esplendor de sua beleza e carisma. Estive presente a alguns dos eventos da comemoração de seu centenário de nascimento, ocorrido em 1985, inclusive a uma palestra proferida pelo poeta e embaixador Alberto da Costa e Silva, seu filho. Li o número da revista Presença, elaborado em sua homenagem, com matérias biográficas e críticas sobre ele. Não lhe pude adquirir o livro de suas Poesias Completas, editado na época. Comprei-as numa edição posterior, da Nova Fronteira, e as li todas, com prazer, enlevo e enternecimento.

Meu primeiro conhecimento dos versos de H. Dobal se deu quando eu tinha em torno de 19, 20 anos, quando conheci a avantajada biblioteca de João Nonon de Moura Fontes Ibiapina, quando fui visitá-lo, acompanhando uns parentes de meu pai, que eram seus amigos. O nobre magistrado e escritor morava em um sobrado, na rua Pedro II, em Parnaíba, e seu acervo ocupava um amplo salão do andar superior. Fontes Ibiapina era um homem simples, humilde, sem empáfia e sem afetação. Não era verborrágico e nem eloquente, de modo que não impressionava muito em sua conversa. Na verdade era muito contido, chegando quase, às vezes, a ser monossilábico. Entretanto, era um mestre na arte de escrever. Eu era leitor de sua coluna de resenhas literárias, publicada semanalmente no jornal Folha do Litoral, que ele manteve durante muitos anos. Magistrado íntegro, imparcial, foi um dos fundadores da Academia Parnaibana de Letras, e seu primeiro presidente.

Nessa visita ou em outra, já não tenho certeza, mostrou-me sua grande biblioteca. Admirou-se quando eu lhe pedi emprestado uns livros de sua autoria, pelo fato de que, entre tantos clássicos da literatura universal, eu fosse escolher os de sua lavra. Acontece que eu já lhe lera Brocotós, anos atrás, por empréstimo de uma prima, e gostara muito de suas estórias e forma de narrar. Nessa ocasião, sabendo que eu era de Campo Maior, perguntou-me se conhecia os poemas de H. Dobal. Ao lhe responder negativamente, mostrou-me alguns versos do poeta. No início, estranhei aqueles versos personalíssimos, inusitados, sem preocupação com rimas, e somente em futuras e sucessivas leituras pude apreciar a sua beleza ímpar, sem derramamentos emocionais. Décadas após, sugeri seu nome ao vereador Luiz Carlos Martins Alves, para que ele recebesse o título de Cidadão Honorário de Campo Maior. O nobre edil conferiu-me a honra de proferir o discurso em sua homenagem, por ocasião da outorga da honraria. Quase três anos atrás tive a elevada honra de ocupar a cadeira nº 10 da Academia Piauiense de Letras, que fora ocupada por H. Dobal, sem a pretensão de que estaria a substituir esse aedo insubstituível.

Quanto a Clóvis Steiger de Assis Moura, tomei contato com sua arte poética através da revista Presença, então órgão da Secretaria de Cultura. Mais tarde me veio às mãos o valioso opúsculo Argila da Memória, em que as suas lembranças líricas e amarantinas ficam a pulsar e borbulhar por entre suas páginas, com gargarejos de gargalos, com golfadas de afogados, com rumorejos de redemoinhos, em que perpassam as elegias dos sinos e do cemitério, e as lembranças dos que se foram, tragados pelas águas traiçoeiras do Velho Monge. Quando ele veio lançar um pequeno livro de cordel, conheci-o pessoalmente. Soube depois, que ele, com o apoio de Cineas Santos, publicara o livro Duelos com o Infinito (2005), através da Secretaria da Educação. Tendo admirado Argila da Memória e Flauta de Argila, porfiei em conseguir esse livro. Procurei o poeta Cineas Santos, que só tinha um único exemplar. Disse-me ele que eu talvez conseguisse algum volume na Seduc.

Nesse órgão, procurei uma conhecida minha, que não conseguiu localizá-lo. Obstinado, dirigi-me ao gabinete do secretário, para ver se existia algum exemplar perdido em alguma gaveta ou prateleira. Não havia. Entretanto, uma servidora do gabinete, vendo o meu interesse e esforço, disse que iria tentar encontrar algum exemplar, em outros setores da Secretaria. Ficou de me ligar se a procura tivesse êxito. Ligou-me alguns dias depois, para me dizer que podia ir buscar o livro. Fui e o recebi de suas boas e abnegadas mãos. Mergulhei, então, na leitura desse grande poeta piauiense, que foi também notável sociólogo, com respeitáveis estudos sobre negritude, ele que era descendente de escravo e de barão do império prussiano. Pesquisador determinado e sério, ficou vários dias ou meses na comunidade dos Mimbós, estudando a história, a cultura e os costumes desses remanescentes de quilombolas. Tenho a honra de ser o primeiro ocupante de cadeira da Academia de Letras do Médio Parnaíba, sob seu patronato.

Voltando a falar da LB – Revista da Literatura Brasileira, nº 6, devo dizer que não sei quem me indicou para fazer parte da seção Quatro Poetas do Piauí. Quem o fez, nunca me alegou tal iniciativa, e nunca me apresentou fatura e nem cobrança. Na capa de meu exemplar, existe autógrafo da professora Clea Melo, chamando-me a atenção para a página 33, na qual começa minha participação. Foi ela quem me enviou a revista, o que demonstra ser ela uma verdadeira amiga, pois os falsos e dissimulados só gostam de se referir às notícias que não nos são favoráveis, ignorando, em ressentido silêncio, as que reconhecem as nossas vitórias e qualidades positivas. Cada poeta teve direito a três páginas. Foram publicados três poemas de cada autor, exceto de Clóvis Moura, que participou com quatro textos.


Observação: o blog irá publicar, em sucessivas postagens, os poemas escolhidos para a seção Quatro Poetas do Piauí, LB - Revista da Literatura Brasileira, nº 6.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DIÁRIO INCONTÍNUO

José Francisco recebendo a premiação


10 de novembro

UM JUSTO LOUVOR

ELMAR CARVALHO

Normalmente, o jornalismo, seja impresso, virtual, radiofônico ou televisionado, de muitos anos a esta parte, tem dado muito destaque aos crimes, sobretudo aos mais hediondos, chocantes e escabrosos, com ênfase para os de caráter passional ou sexual. Até parece que quanto mais sangrentos e mais escandalosos, mais espaço e destaque merecem. Pouco se divulgam os valores individuais, os esforços dos abnegados, os heroísmos discretos e anônimos dos heróis do cotidiano. Muitos artistas da periferia das grandes cidades quase não recebem incentivo nem publicidade. Igualmente, o voluntariado dos desprendidos, dos que se preocupam com o próximo, também é quase invisível, e a pauta da chamada grande imprensa não lhes dá a merecida cobertura, até para que servissem de exemplo a outras pessoas, que lhes pudessem seguir os passos.

A unidade escolar que funciona no prédio do patronato N. S. de Lourdes, em Campo Maior, conquistou uma das melhores classificações do IDEB no âmbito do estado do Piauí, e por isso mesmo merece todos os elogios e a admiração dos campomaiorenses. Vou além: fatos como esse merecem a homenagem e o incentivo do poder público, inclusive financeiro e material, através de doação de equipamentos didáticos e infraestruturais, como estímulo à saudável concorrência comercial. Para os educandários exemplares, a carga tributária poderia ser reduzida, proporcionalmente a seu desempenho na avaliação qualitativa. Também poderiam ser firmados convênios e parcerias sérias entre essas entidades de ensino e o Poder Público. É certo que algum incentivo e premiação existem, mas de forma acanhada, tímida, sem muita divulgação na mídia.

Em virtude de esse colégio ter sido o primeiro colocado no município, no certame do IDEB, ficou com o direito de promover uma eleição direta para o corpo discente escolher o melhor mestre, que receberia uma homenagem e prêmio do governo estadual. Através da eleição, foi escolhido como melhor professor José Francisco Marques, velho amigo, filho do saudoso Gerson e de dona Ausair, amigos de meus pais. Com muito esforço pessoal e determinação, Zé Francisco, já pai de família e já exercendo o magistério há mais de década, conseguiu fazer o curso superior de Licenciatura em Letras – Inglês, na cidade de Esperantina, através da Universidade Estadual, durante as suas férias letivas. Posteriormente, fez pós-graduações, tornando-se especialista em Produção Textual e Linguística, com o objetivo de aperfeiçoar-se em seu labor, o que requer muita força de vontade e determinação. Zé Francisco foi eleito por uma votação expressiva, que reconheceu a sua dedicação e esforço pessoal em bem cumprir a sua missão magisterial. Além da honraria, o mestre recebeu do governo do Piauí, como prêmio, um aparelho de data show, com o qual certamente enriquecerá e ilustrará suas aulas de Inglês, tornando-as mais atraentes e didáticas. Em 2004 já lograra ser escolhido como professor nota 10, por votação dos alunos do Instituto de Ensino Intellectus.

José Francisco Marques, desde a sua meninice, sentiu-se atraído pelo estudo, pela cultura e pelo esporte. Auxiliou o seu primo/irmão João Bartolomeu na criação e organização do time de futebol Palmeiras, que era um dos melhores times, em seu tempo, do futebol amadorístico de Campo Maior, na categoria juvenil, no qual tive a honra de atuar como goleiro. No campo da cultura, desde bem jovem, maneja teclado e violão, além de cantar, sendo aplaudido por todos que têm a oportunidade de ouvi-lo.

Leitor de obras literárias e bem informado, tem uma conversa agradável, em que se vislumbra sua cultura e inteligência. Embora bissexto como escritor, quando resolve escrever alguma crônica ou artigo, o faz com clareza, fluência e riqueza de conteúdo, demonstrando dominar o tema sobre o qual discorre. Por alguns anos, foi também radialista, quando incentivou a participação de artistas campomaiorenses em programa radiofônico, difundindo esses talentos da voz e da execução instrumental. Coroando seu sucesso profissional, é um bom caráter, uma personalidade ímpar que honra o magistério de sua terra, certamente servindo de paradigma a seus vários e jovens discípulos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Somos eternos



CUNHA E SILVA FILHO

Ontem, foi mais um Dia de Finados. Na TV são exibidas as costumeiras reportagens anuais referentes ao feriado. Sempre associo esse dia santo àquelas antiquíssimas e quase apagadas fitas que passavam em Teresina nos anos cinquenta contando o nascimento, a vida, morte e ressurreição de Cristo.
Crianças, adolescentes e adultos, todo mundo não perdia aquela fita, sempre por muito tempo repetida, até que, em outra fase da vida teresinense, com a vinda do Cinemascope, na grande tela surgiram os filmes coloridos que, se não tratavam como tema central a figura de Cristo, como o Manto Sagrado, de 1953, com Richard Burton e a bela Jeans Simmons sendo os atores principais, eram filmes que diziam respeito à existência de Cristo e mesmo serviam de argumento para recordá-Lo aproveitando algum motivo, no caso específico, o filme tinha como símbolo-objeto mais significativo o manto de Jesus que era o seu tema capital, a par de apresentar uma bela história de amor e conversão ao cristianismo vivida por Richard Burton (Marcellus Gallo), no papel de um tribuno romano responsável pela missão de, em Jerusalém, levar Cristo à crucificação por ordem do imperador Tibério e Jean Simmons (Diana), no papel uma jovem da aristocracia romana.
No dia da crucificação de Cristo, o manto deixado pelo Messias, fora disputado numa partida de jogo entre Marcellus e os soldados. Marcellus ganha a disputa. Ao tocar, porém, no manto, objeto sagrado, Marcellus sofre uma mudança interna para ele inexplicável que o fará ser visto pelos romanos como um doente mental.

O manto selará seu destino como pessoa humana, mudará seu pensamento religioso e, finalmente, o levará à conversão espiritual, abraçando o cristianismo após sofrer pressões do imperador Calígula.
Outros dois personagens com os quais Marcellus cruzará no filme é seu escravo Demétrio, interpretado por Victor Mature, comprado em leilão e disputado com Calígula, o sucessor do imperador Tibério. Essa disputa pele forte escravo Demetrio valeu a Marcellus a inimizade de Calígula.
Demétrio, que havia se convertido a Cristo, se torna hostil a Marcellus, afirmando-lhe que não mais o obedeceria nem seria mais seu escravo. Demétrio fica com o manto e some.
Marcellus, chamado à corte imperial em Roma, novamente recebe a missão de destruir o manto de Jesus, tido por um adivinho palaciano como um objeto enfeitiçado. É nesse retorno a Jerusalém que Marcellus reencontra o antigo escravo Demétrio, tornando-se-lhe amigo. Demétrio o leva a conhecer Pedro, apóstolo de Cristo. Marcellus, logo reconhece o valor moral, a bondade e fé do o apóstolo Pedro, interpretado por Michael Rennie.
Convidado a assistir a uma pregação em local desconhecido dos soldados romano, Marcellus percebe o quão diferente é ser cristão. Passa a ter uma nova concepção dos ensinamentos e dos propósitos de Cristo crucificado. A cena em que Demétrio lhe diz que não deve temer tocar o manto traduz uma beleza indescritível. Marcellus toca no manto e o envolve em seu peito. Sente uma sensação de paz e tranquilidade. São os primeiros sinais de sua conversão.
Essa mudança de visão de vida e dos valores da existência Marcellus passará à sua amada Diana, que também se converterá. A trama do filme é assim o ato da conversão definitiva acompanhado de todos os sacrifícios e sofrimentos que esse gesto extremo de mudança espiritual desencadeia no jovem casal romano.
É um belo filme cuja história mostra ao espectador, no seu final, uma das mais comovidas e dramáticas cenas a que já assisti na tela, na qual Marcellus e sua amada, abdicando de todo o peso da paganismo, dos deuses de pedra, e dos antigos valores da cultura romana dos césares, de uma vida palaciana de conforto propiciado pela alta condição social do casal, saem do ambiente em que foram criados e desfilam , por entre os potentados , em direção ao sacrifício das suas vidas. Seu destino é a vida eterna, junto aos cristãos, subindo aos céus. A imagem final do casal apaixonado e convertido muito me lembra aquele outro final maravilhoso, pela sua densidade dramática e por toda uma simbologia, do filme Quo Vadis? baseado no romance do escritor polaco Henrik Sienkiewcz (1846-1916) com Robert Taylor e a beleza delicada de Débora Kerr, interpretando dois personagens, ela, Lygia, cristã, ele, o general romano Marcus Vinicius. Os dois se apaixonam. Ele se converte e ambos, seguirão as lições de Cristo.A cena se passa na Roma sob o império do sanguinário Nero. Naquela cena fina, o casal apaixonado, sendo o foco da câmera, vai caminhando até certamente encontrar as alturas celestiais, no decisiva caminho da morte e da salvação.
Os dois exemplos de filmes se misturam à reportagem na TV sobre finados e, de alguma forma, despertam as lembranças de nossos entes queridos, de nosso amigos e conhecidos que, durante um tempo, conviveram conosco. Imagens de rostos queridos, de vozes quase apagadas, de gestos, de ações se entrelaçam diante de nosso olhos conscientes, cada dia que passa, da efêmera temporalidade na Terra.
Bonita e comovente foi aquela declaração de um anônimo que, diante da câmera da TV, comentando sobre o Dia de Finados, afirmou com muito elevada espontaneidade e sentido perfeito da data e do lugar que estava visitando: - “Este lugar merece só respeito, muito respeito.”
Não há como desviar nossa atenção e impregnar o pensamento das “asas de dor” dos que perdemos no sorvedouro da vida. Lá estão eles – essa gente querida que se foi contra nossa vontade. As imagens estão lá longe, na capital teresinense, em Amarante, em Salvador, no Rio de Janeiro e quem sabe, em outros lugares que não chegaram ao nosso conhecimento. São parentes, amigos, conhecidos. São pessoas ilustres, comuns, são ídolos. O lamento de finados se estende a um conjunto de seres que já se foram em épocas diversas, em lugares diferentes, em nossa pátria ou na pátria alheia. Ele assume o tamanho da humanidade, que amamos de formas variadas. Todos esses seres estão “dormindo profundamente” como no poema de Bandeira tantas vezes citado em razão do tema do “ubi sunt?”
Eis o Dia de Finados, motivo de veneração, de respeito, de saudade e de lembranças que aprendemos a assimilar, sem aquela dor aguda da perda recente. Se as perdas são terrenas, os ganhos são os das grandes recordações, dos fios da memória, das imagens sublimes que nos acompanharão para sempre pela vida afora. Não há desaparecimento absoluto. Os entes queridos que guardamos fortemente na memória fazem parte viva de nosso ser e da nossa temporalidade. Não há como perdê-los de vista. Estão presentes, conosco.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ARTE-FATOS ONÍRICOS E OUTROS


A TENTAÇÃO DA VIÚVA

Elmar Carvalho

Certo dia, cumprindo diligência determinada pelo delegado de Polícia, o sargento Malaquias Pimentel apreendeu o adolescente Danilo, conhecido pela alcunha de Menino Cão, que teria cometido um assalto no bairro Satélite. Não sabia ele que com esse procedimento policial estava assinando a sua sentença de morte. O garoto, considerados seus antecedentes e periculosidade, terminou sendo sentenciado a cumprir um longo período de internação. O sargento, em suas horas de folga, gostava de tomar duas ou três pingas antes do almoço, após o qual fazia, costumeiramente, sua sesta em cadeira preguiçosa, colocada no pequeno alpendre de sua casa, por onde o vento circulava com mais facilidade, atenuando os rigores do período seco e calorento.

Certa tarde, Danilo, já em plena liberdade, resolveu perpetrar sua vingança. Conhecia os hábitos do sargento. Do lado de fora, olhando por cima do muro baixo, viu o sargento reclinado na preguiçosa. Observou se havia algum movimento na casa e se o policial se mexia na cadeira de pano. Sem dificuldade, saltou a mureta. Depois, foi tomando chegada, como um felino, a pisar muito de leve, com o seu tênis silencioso. Logo ouviu o ronco de Malaquias, e teve certeza de que ele dormia profundamente, entorpecido pelas talagadas de calibrina que tomara. Sem nenhuma hesitação, cravou sua pequena faca na garganta do sargento e se foi embora a correr, sem que ninguém o visse, uma vez que o local era um tanto isolado, e de muito pouco trânsito. Como sabia que seria um dos suspeitos, mesmo que não existisse nenhuma prova contra sua pessoa, tomara o cuidado de usar uma velha luva, que surrupiara em uma clínica, e jogou fora o calçado, para evitar comparações, com eventuais marcas deixadas na areia. Com efeito, foi chamado a depor, mas negou tudo, e como não havia nenhuma prova contra ele, nada sofreu, embora todos parecessem ter certeza de que fora ele o autor do chamado ato infracional.

Ao receber o golpe e acordar desnorteado, ainda algo entorpecido pelo álcool, o sargento retirou imediatamente a faca fincada em seu pescoço. Sangrando, adentrou a casa à procura de sua mulher, tentando, com as mãos, estancar o sangue, que lhe escorria por entre os dedos. Socorro o levou ao hospital, no automóvel da família. Conseguiu balbuciar o nome do adolescente, que mal foi ouvido pela mulher. Ainda chegou com vida ao hospital, mas já praticamente morto. O médico disse que se ele, não tivesse arrancado a pequena faca da garganta, teria escapado, mas essa operação fez o sangue jorrar com mais intensidade, além de haver provocado novas lesões. O militar deixou na orfandade quatro filhos. Socorro retomou sua vida, após o impacto da morte do marido, voltando a frequentar seu emprego na Secretaria Estadual da Fazenda. A sua vida se tornou mais atribulada; agora, além de seus deveres funcionais, teria de cuidar da casa e dos filhos menores sozinha, sem o amparo de seu marido, que era o esteio principal da família.

Um dia a tentação bateu a sua porta, sob a forma de um adolescente, que lhe pediu para ter uma conserva reservada com ela. Apreensiva e curiosa, atendeu o rapazola. Este lhe disse saber quem fora o assassino de seu marido, e que tinha muita raiva dele, por causa de um assalto que fizera em sua companhia, em que fora lesado na partilha do dinheiro e dos bens subtraídos. Disse, sem rodeios e sem maiores justificativas, que o mataria, se ela lhe desse dois mil reais. A viúva pediu que o rapaz, de nome Josino, não mais a procurasse, mas que se encontrariam na praça Saraiva, a uma da tarde de sexta-feira da semana seguinte, quando ela lhe daria a resposta e o dinheiro, se fosse o caso.

Socorro pensou muito na proposta. Refletiu que o adolescente de 18 anos incompletos nada sofrera; que continuaria a roubar e a matar; que ninguém tinha o direito de tirar a vida de ninguém, mas Danilo matara o seu marido e outras pessoas, segundo Josino lhe confidenciara. Pensou muito. Curtiu noites de insônia. Orou. Pediu que Deus a livrasse daquela infernal tentação. Decidiu que não aceitaria a proposta de Josino. Na sexta-feira, no horário combinado, entregou disfarçadamente, um pacote com vinte cédulas de cem reais, que por vias das dúvidas e da tentação levara em sua bolsa, sem pronunciar uma única palavra. Em seguida, virou as costas e se afastou em passos rápidos e firmes, sem olhar para trás, uma vez sequer, como se estivesse a fugir de algo. Sequer sabia porque tomara, de súbito, a atitude oposta ao que havia decidido.

domingo, 6 de novembro de 2011

(IN)DEFINIÇÃO


ELMAR CARVALHO

Eu sou aquele
que vacila absorto
nos umbrais que permeiam
e medeiam o que foi
e o que poderia ter sido.
Sou aquele
que oscila perplexo
entre o sono e a vigília
e inventa sonhos nunca sonhados
e pesadelos jamais inventados.
Eu sou aquele
que ateia fogo
e dança sobre as brasas
e sobre as cinzas do caos
e sonha em não ser
o ser que é
e não é.

sábado, 5 de novembro de 2011

O S F U N D A D O R E S - JÔNATAS BATISTA


REGINALDO MIRANDA

Natal do Menino Jesus, povoação situada dez léguas ao sul da cidade de Teresina, mas em seu termo, hoje aprazível cidade de Monsenhor Gil, foi a terra natal de Jônatas Batista, um dos dez fundadores da Academia Piauiense de Letras. Seus pais, figuras de relevo naquela localidade, foram o tenente-coronel João José Baptista, professor de primeiras letras para o sexo masculino daquela povoação, e a prendada senhora Rosa de Jericó Caldas Baptista, esta filha do notável jornalista David Caldas, o adventista da República. Veio ao mundo em 18 de abril de 1885, quando não mais existia o avô materno, que sustentara o debate pela causa republicana no Piauí.
Poeta, jornalista, cronista, dramaturgo, ator, animador cultural de larga projeção, Jônatas Batista passou a meninice no povoado Natal, onde nascera, dividindo o tempo entre a escola de primeiras letras do pai, onde foi alfabetizado, e as travessuras de criança banhando no riacho Natal e perambulando pelas matas vizinhas com os meninos de sua geração. Mais tarde, por volta de 1897, mudou-se para a cidade de Teresina, a fim de prosseguir nos estudos. Inicialmente, matriculou-se em escolas particulares, passando depois para o Liceu Piauiense, onde cursou os estudos preparatórios e permaneceu até 1903, quando perdeu o genitor. Então, depois desse rude golpe viu-se obrigado a abandonar os estudos para assumir a luta pelo sustento da família. Assim, aos dezoito anos de idade teve de assumir imensas responsabilidades. Sobre esse assunto, relembra mais tarde o co-fundador da APL: “falecendo meu pai, em 1903, deixou-me o encargo de uma família numerosa e pobre, composta de minha mãe e nove irmãos, inclusive o Zito Batista, que chegou anos depois, a se impor no meio intelectual do Rio de Janeiro, como jornalista e poeta” (Os fundadores, p 232).
Com tais responsabilidades, iniciou-se na vida prática assumindo o cargo de Oficial do Registro Civil de um dos cartórios da comarca de Teresina. No mesmo período, para aumentar a renda, fundou com outros sócios o Externato David Caldas, que, infelizmente, teve efêmera duração. Em 1906, logrou êxito como segundo colocado para o cargo de Escriturário da Fazenda Nacional, porém, só sendo nomeado duas décadas depois. Continuou no exercício do primeiro cargo e iniciando-se na atividade literária. Em face de crítica literária, entre 1906 e 1907, envolveu-se em violento conflito com Esmaragdo de Freitas, de que por pouco não termina em tragédia.
No ano de 1907, aos vinte e dois anos de idade, Jônatas Baptista convola núpcias com Durcila Cunha, filha do consagrado professor e intelectual de renome, Higino Cunha, e que seria sua colaboradora em atividades culturais.
Jônatas Batista sempre militou no campo cultural, participando como sócio do Clube Filhos da Arte dirigido por João Antônio de Vasconcelos, com diversas encenações. Porém, intensificando essa militância a partir de 1908, quando participou da fundação do Clube Dramático 24 de Janeiro, oficialmente instalado em tal data, durante as festividades alusivas à adesão do Piauí a Independência do Brasil. Jônatas atuou como amador no drama de estréia Gaspar, o Serralheiro, definido como moderno, de propaganda de idéias novas e de princípios reivindicadores, anotou a pesquisadora Teresinha Queiroz. E outras apresentações do grupo seguiram em fevereiro e março do mesmo ano. Em 13 de junho(1908), foi apresentada a peça A filha do Diabo ou a Cega de São Paulo, com mais uma participação de Jônatas Baptista como ator, que se repetiu no mês seguinte. Durante os meses de agosto(13) e setembro (03 e 06), foi apresentada uma revista de costumes teresinenses, denominada Teresina de Improviso, escrita por Jônatas Batista. Embora criticada por alguns, valorizou temas, músicas e amadores locais, assinalando o nascimento de um dramaturgo que vai movimentar a vida teatral da cidade por mais de duas décadas.
Em 1911, surge o Clube Recreio Teresinense, seguido do Amigos do Palco(1913), com diversas atuações teatrais e participação de Jônatas Baptista na direção de ambos os grupos. Grande cultor da arte dramática, em 14.04.1914, apresentou o drama histórico Jovita ou a Heroína de 1865, em três atos sediados, respectivamente, em Jaicós, Teresina e Rio de Janeiro, conforme a trajetória de vida da notável heroína brasileira. Informa Arimathéa Tito Filho que a apresentação do drama se deu a 19 de abril de 1914, pelo Clube Recreio Teresinense. Ainda em 1914, escreve e recita o monólogo “Prá-barro”.
Em 7 de julho de 1917, Jônatas Baptista estréia com a revista “O Bicho”, envolvendo cerca de 40 amadores, com 20 números musicais. Teve mais duas apresentações, sendo a última em benefício das crianças pobres das escolas públicas de Teresina. Nesse mesmo ano, Jônatas ainda lançou as revistas Frutos e Frutas e Cidade Feliz, atuando nesta última também como ator. Envolvido em toda essa efervescência cultural, em 31 de dezembro desse ano Jônatas Batista participa da fundação da Academia Piauiense de Letras, ao lado do sogro e do cunhado Édison Cunha, além de outros próceres das letras piauienses, tomando assento na Cadeira n.º 04. Por esse tempo, aplaudido pelo público e reconhecido o mérito além fronteiras, associa-se à Sociedade de Autores Teatrais, sediada no Rio de Janeiro.
Continuando sua atividade teatral, em 1923 Jônatas apresenta a peça Alegria de Viver, de gênero alegre, com composições musicais de sua esposa Durcila Cunha Batista e arranjos do maestro Pedro Silva. Em 1925, publica folheto com a peça Astúcia de Mulher, apresentada anteriormente com composição musical da esposa e participação da filha Dilnah Batista e sua colega Walmira Campos, então meninas.
Militou na imprensa por longos anos, através dos jornais Arrebol(1904), O Mensageiro(1904), O Operário(1906), O Nordeste(1907), Cidade de Teresina(1912) e Diário do Piauí(1916).
Era maçom filiado à Loja Caridade 2ª, juntamente com Matias Olímpio, Valdivino Tito, Higino Cunha, Antonio Chaves, Celso Pinheiro e outros.
Conferencista,proferiu entre outras as seguintes conferências em Teresina: “A luta” (1911), “As crianças” (1913) e “Monstros” (1917), esta última sobre a Primeira Guerra Mundial.
Poeta de rara sensibilidade, “os seus versos estão impregnados de um simbolismo tão ardente em que não se sabe o que é mais forte, se o fluido da poesia, se o senso estético do artista. Sejam manifestações de revolta, sejam confissões de perdão, hinos de glorificações à vida, ou imprecações contra o destino – um quadro evocativo do passado, ou uma simples cena descrita da paisagem humana – as ressonâncias da alma do poeta aí percutem em toda a plenitude de uma vida interior, que se não logra conter nem no desdobramento das angústias secretas, nem na introspecção dos pensamentos íntimos” (Da Revista Universal, S. Paulo, abril/1938. In: Revista da APL n.º 17. Teresina,1938). Além de trabalho inéditos e dos já citados, publicou as seguinte obras: Sincelos, versos(1907); Maio, versos(1908), Alma sem Rumo, versos(1934), Mariazinha, opereta em três atos; Alegria de Viver, opereta;
Aguerrido, inteligente, comunicativo, bem relacionado, Jônatas Baptista, “foi, por algum tempo, grande animador da vida social em Teresina, promovendo festas, fundando clubes, jornais, instituições, tudo efêmero, de poucos dias ou de poucos meses, mas alegre, saudável, reconfortante”, testemunhou Cristino Castelo Branco (Frases e Notas. Rio, Irmãos Pongetti, 1957:141). Era um homem de paixões e iniciativas, conclui a pesquisadora, hoje acadêmica Teresinha Queiroz. Para Yara Neves de Melo, Jônatas era um espírito militante e pouco submisso, sobretudo um rebelado, franco, por vezes rude, com atitudes marcadas pela sinceridade sem refolhos, uma de suas características(Discurso de posse no Cenáculo Piauiense de Letras)
Depois dessa fase, em busca de estabilidade financeira, muda-se para o Pará, assumindo o cargo de Promotor Público de Altamira e Secretário da Intendência Municipal. Nessa mesma cidade destacou-se como advogado provisionado, atuando em muitas causas. Todavia, no final da década de vinte, transfere-se para Belém, onde assume o cargo de Escriturário da Fazenda Nacional, para o qual fora aprovado em concurso realizado anos antes. Na capital paraense, milita ativamente na imprensa, publicando seus trabalhos nos jornais e revistas.

Deixa a Amazônia no início da década de trinta, mudando-se para a cidade de São Paulo, onde continua a exercer suas atividades no novo emprego e vem a falecer em 15 de abril de 1935, aos 50 anos de idade, deixando a família ali radicada. Foi um militante cultural de projeção que deu vida às atividades teatrais em Teresina, inclusive, tentando modernizar costumes. Partiu sereno para a eternidade, deixando de si uma memória honrosa à qual, num preito de gratidão, ora prestamos justa homenagem.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ANTOLOGIA DO NETTO

TEXTO E CHARGE: JOÃO DE DEUS NETTO

H. DOBAL


Hindeburgo Dobal Teixeira (1927-2008). Poeta consagrado, premiado, tradutor, servidor público aposentado, cidadão do mundo que morou em Teresina, Rio de Janeiro, Brasília, Londres e Berlim,

Publicou: O Tempo Consequente (1966), O Dia Sem Presságios (1970, Prêmio Jorge de Lima), A Viagem Imperfeita ( (1973), A Província Deserta (1974), A Serra das Confusões (1978, editada por Cineas Ssntos, com ilustrações geniais de Albert Piauí, saiu originalmente em A Província Deserta), A Cidade Substituída (1978), El Matador (1980, em forma de folheto, com xilogravura de Fernando Costa, editado por CS, saiu originalmente em O Dia Sem Presságios), Os Signos e as Siglas (1986, ilustrada por AP e editado por CS), Uma Antologia Provisória (1988), Cantiga de Folha (1989), Roteiro Sentimental e Pitoresco de Teresina (1992), Ephemera (1995), Grandeza e Glória nos Letreiros de Teresina (1997), Lírica (2000), Um Homem Particular (contos, 1987, ilustrado por AP), Gleba dos Ausentes - Uma Antologia Provisória (2002).
SAIBA MAIS:
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernob/2005/07/16/jorcab20050716008.html
http://www.revista.agulha.nom.br/1ecaminha3.html
http://www.dopropriobolso.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=163:h-dobal-a-poetica-do-homem-e-outros-bichos-esquecidos&catid=45:obras-literarias&Itemid=56

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

DIÁRIO INCONTÍNUO



3 de novembro

CAMINHADA EM DEFESA DOS VELHOS CASARÕES

Elmar Carvallho

O arquiteto Olavo Pereira da Silva Filho, hoje uma das maiores autoridades a respeito do patrimônio arquitetônico do Piauí, incluindo o seu estado de conservação e as medidas para preservá-lo, convida os campomaiorenses de boa-vontade para uma caminhada no entorno dos velhos sobrados e casarões de Campo Maior, sobretudo no espaço situado no centro histórico da cidade. O evento começará às 8 horas do próximo domingo, dia 6, saindo do bar Santo Antônio, e devendo percorrer as praças Rui Barbosa, do Rosário e Bona Primo, e talvez trecho da antiga e boêmia Zona Planetária, já completamente em ruínas, cujos escombros são uma denúncia ao descaso público e privado. Muitos solares importantes já foram completamente destruídos, entre os quais o da antiga Fazenda Tombador e o que pertenceu ao coletor estadual Antônio Cardoso de Oliveira, que ficava na frente do prédio dos Correios e Telégrafos. Após o passeio/passeata haverá um debate sobre a preservação desses vetustos edifícios.

Quando tomei posse de minha cadeira na Academia de Letras do Vale do Longá, em 23 de maio de 1997, chamei a atenção para o desaparecimento desses antigos sobrados e solares, e para o estado deplorável de muitos outros, mormente o conjunto da Zona Planetária ou da rua Santo Antônio, quando bradei: “Campo Maior, infelizmente, não tem o sadio bairrismo da velha e querida Oeiras. Talvez por isso alguns prédios que faziam parte de sua paisagem física, histórica e sentimental foram aniquilados, sem que deles reste pedra sobre pedra, ou mesmo uma desbotada fotografia, e sem que exista algum decreto de tombamento até hoje, o que põe em risco os remanescentes. Há que ser preservado o seu centro histórico. E aí estão incluídos o sobrado do major Honório Bona Neto, músico talentoso e, segundo dizem, o autor da denominação Zona Planetária, por poucos conhecida através deste poético e sugestivo nome, que outrora era exibido nas paredes externas, bem como também o nome de cada um dos planetas, com o respectivo desenho. Cada prostíbulo era representado por um dos planetas. Sim, senhores, a Zona Planetária é o hoje ferido de morte meretrício da rua Santo Antônio. Pouco custaria ao poder público gastar umas latas de tinta e recuperar a poesia e o encantamento de um tempo que insiste em não morrer, porquanto ainda hoje, em algumas partes, se vislumbra, sepultos por novas camadas de tinta, vestígios do velho letreiro”. Lamentavelmente, fui bom profeta, como não desejaria, e os velhos cabarés, assim como outros casarões, terminaram literalmente tombados, seja pelas intempéries do tempo e dos temporais, seja por obra humana.

Em outra parte, em texto esparso, lançado aos ventos e aos mares internéticos, tive a oportunidade de dizer: "Aos poucos, como num jogo de dama, em que as peças são “comidas”, os velhos casarões de Campo Maior vão desaparecendo, sem que se faça alguma coisa. Quando menos se esperar, como no texto bíblico, não restará pedra sobre pedra dos velhos solares, que representam toda uma paisagem arquitetônica, humana e sentimental, desencadeando a saudade de várias gerações, que os contemplaram em diferentes quadras de sua vida. O velho bardo Manuel Bandeira, em versos admiráveis, que se ajustam como uma luva perfeita ao que estou tentando transmitir, disse que iam destruir a sua casa, mas que seu quarto ia ficar de pé, suspenso no ar. Se nada for feito, esses antigos edifícios, impregnados da tessitura do tempo, prenhes de mistérios, recordações e saudade, irão desaparecer, deles apenas restando, se restar, uma fotografia, e a saudade “suspensa no ar” e no coração de uns poucos, que aos poucos, pela lei da vida, também irão morrendo. Dez anos atrás, em discurso, denunciei o abandono e o estado de ruína da histórica Zona Planetária. E os “planetas” terminaram se indo, com toda a memória de uma época de fastígio e riqueza, oriunda do gado e dos carnaubais".

Algo ainda pode ser feito. Façamos enquanto ainda é tempo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UM LANCE DE BÚZIOS


ELMAR CARVALHO

O grande búzio
soltava seu super sopro
feito de sonho e ilusão
e soprava suas conchas multicores
seus búzios bizarros e bizantinos
que saíam se iam e se esvaíam
transformados em flores
borboletas e besouros
que entravam em outra dimensão
pelo portal – pórtico triunfal –
de outro grande búzio
e voltavam a ser conchas e búzios
do além-mar da morte.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DIÁRIO INCONTÍNUO

Rubervam, Bezerra JP, Elmar, Adrião, Francisco Miguel, João Pinto e Cláudio.  Trepado, Caribé


1º de novembro

IVANILDO DI DEUS E A CULTURA LUZILANDENSE

Elmar Carvalho


Por e-mail, recebo a notícia de que Ivanildo Di Deus é o coordenador do Festival Literário de Luzilândia, com o apoio de entidade governamentais e não-governamentais. Ele é uma liderança intelectual em Luzilândia, sua terra natal. Conheci-o em 1988, aproximadamente, quando presidi a União Brasileira de Escritores do Piauí. Nessa época a UBE-PI mantinha uma reunião semanal, na quarta-feira à tarde, que era bem frequentada pelos escritores. Já era um hábito, quase vício, para vários intelectuais. Entre outros, eram assíduos: Francisco Miguel de Moura, Hardi Filho, Adrião Neto, José Pereira Bezerra, Bezerra Filho, Rodovalho, Rubervam Du Nascimento, o saudoso Jamerson Lemos, Amauri Pamplona, Melquisedeque de Castro Viana, Osvaldo Monteiro Filho, fora outros que compareciam de forma mais espaçada, inclusive poetisas e escritoras.

Começou a frequentar nossas reuniões um poeta de nome Benvindo, que, apesar de bem-vindo às reuniões, misteriosamente desapareceu, assim como havia aparecido, sem deixar rastros nem notícias. Rodovalho, usando estapafúrdia justificativa, como uma espécie de censor surgido das brumas da Santa Inquisição, tocou fogo em vários livros da biblioteca da UBE-PI, na gestão do amigo Melquisedeque, que foi pego de surpresa com a notícia da medieval e trevosa fogueira rodovalhiana. Apesar disso, sempre tive simpatia pelo poeta. Certa vez ao encontrá-lo, na frente da velha sede da Justiça Federal no Piauí, disparei-lhe este improviso, feito de versos de pés, se não quebrados, ao menos zambetas: “Do céu / desce o orvalho. / Para o céu sobe / os versos de Rodovalho”. O poeta sorriu, feliz com a homenagem versificada. Entretanto, não mais o vi desde então, e dele não mais tive notícias, nem boas, nem ruins.

Ivanildo de Deus tornou-se um dos mais ativos participantes de nossas reuniões. Fazia curso superior na UESPI e já havia lançado livro. Líder carismático, idealista e dinâmico, ainda bem jovem, passou a promover anualmente eventos lítero-culturais em Luzilândia, geralmente sem auxílio governamental, contando apenas com a ajuda e o apoio de outros jovens, de pessoas da comunidade e do padre Jonas, sobre quem escreveu uma biografia. Entre os jovens que lhe apoiavam, recordo os nomes de Cláudio Vasconcelos, hoje professor, Sebastião Emídio, fotógrafo, Chagas Vale, músico, bonequeiro e compositor respeitado, Cléber de Deus, professor da UFPI e cientista político.

Ivanildo de Deus continua a poetar, mas se tornou também professor universitário e historiador. Recordo que, em tradicional bar de Luzilândia, o Ivanildo, o Rubervam e eu construímos um poema a três mãos (ou seis, se contarmos a que segurava o papel, e não apenas a caneta). Infelizmente, esse poema, que só era para ser publicado algumas décadas depois, terminou sendo extraviado. Ivanildo continua, de vez em quando, a promover eventos culturais e literários em sua cidade. Por esse seu dinamismo e “diabruras”, o cognominei, por pura brincadeira, de Ivanildo de los Diablos; na verdade ele é do bem, e portanto faz jus ao nome que lhe foi posto – de Deus.

Agora, ele vai comemorar 25 anos de atividades culturais. Não sei se as libações acontecerão no cocuruto do morro, no alpendre de sua vivenda, de onde se descortina uma magnífica paisagem nativa. No entorno da casa, em vez das costumeiras plantas ornamentais de jardins domésticos e praças públicas, ele preferiu conservar as plantas da região, algumas típicas da caatinga, já que é ele um cabra da peste, ou seja, um sertanejo. E sertanejo, no dizer de Euclides da Cunha, é antes de tudo um forte. Ali, em nossa juventude, degustamos alguns copos de cerveja, por ocasião dos vários eventos que ele realizou em diferentes anos, dos quais fui quase sempre indefectível convidado, para gáudio meu.

FLIÁGUAS/PROGRAMAÇÃO:
REALIZAÇÃO:. PONTO DE CULTURA GÉRON CARNEIRO
ACADEMIA DE LETRAS DO BAIXO PARNAÍBA
CAMPUS da UESPI DE LUZILÂNDIA
COORDENADOR GERALDO EVENTO: prof. Ivanildo de Deus

17 de novembro de 2011 (quinta-feira): ABERTURA
08h30min.
.Hino Nacional/ Hino do Piauí/Pronunciamentos

09:00h – MESA 1:
Tema: A Balaiada no Piauí e a participação do Estreito (Luzilândia) nas lutas da guerrilha
Mediador: Adrião Neto (Romancista e historiador. Teresina -PI)
Expositor 1: Claudete Dias (Profª. Drª. Da Universidade Federal do Piauí e Historiadora)
Expositor 2: Ivanildo di Deus (Presidente da Academia de Letras do Baixo Parnaíba-PI)

14h30min. MESA 2:
Tema: O Ensino de Literatura nas escolas luzilandenses: desafios e perspectivas
Mediadora: Rita Cristiane Carvalho de Oliveira Melo (Profª. Da SEDUC-PI/Luzilândia)
Expositor 1: Fábio Sales Rocha (Prof. substituto da Universidade Est. Do PI/Luzilândia)
Expositor 2: Elza Maria Lima (Coord.Pedagógica da U.E. Cleonice Teles -SEDUC/PI/Luz)
Expositor 3: Marciane (?)

16:00h. MESA 3,
Tema: Regionalismo x universo literário
Mediador: Valdemir Miranda (Literato e historiador. Esperantina -PI)
Expositor 1: Chico Miguel de Moura (poeta, romancista e crítico literário. Membro da
Academia Piauiense de Letras)
Expositor 2: Hardi Filho (Poeta. Membro da Academia Piauiense de Letras)

19h30min.
. Bate-papo literário (com Chico Miguel de Moura e Hardi Filho)
. Lançamento de livros
. Apresentações culturais
.Show musical (Forró Garantido)

18 de novembro de 2011 (sexta-feira):
08h30min. MESA 4.
Tema: Escola, aluno, professor e leitura
Mediador: João Pinto (contista. Manaus –Amazonas)
Expositor 1: Rubervam Du Nascimento (Poeta. Teresina-PI)
Expositor 2: Hildeberto Barbosa Filho (poeta e crítico literário. João Pessoa –PB)

14:00h. MESA 5.
Tema: Imprensa e fortalecimento da Democracia no Brasil
Mediadora: Paulandreas Santos (jornalista e editora do sítio www.luzionline.com.br)
Expositor 1: Luís Carlos de Oliveira Silva (Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Piauí)
Expositor 2: Cláudio Vasconcelos (Coordenador do Curso de Jornalismo da Universidade
Estadual do Piauí

16:00h. Mesa 6.
Tema: O Poder Judiciário e a inclusão social do povo brasileiro
Mediador: Dr. João Batista Silva Rios (Juiz da Comarca de Luzilândia)
Expositor 1: Dr. Pedro de Alcântara Macedo (Desembargador do TJ –PI)
Expositor 2: Dr. José Rômulo Plácido Sales (Defensor Público Federal)

19h30min:
Bate-papo Literário (com João Pinto, Rubervam Du Nascimento e Tenório Teles)
Apresentações artísticas (quadrilha da Chapada da Sindá, de São João do Arraial/ Teatro de Bonecos -Chagas Vale)
Show musical: Gonzaga Lu (?), Banda Valeduaté (?), Lázaro do Piauí (?)

19 de novembro de 2011 (sábado): ENCERRAMENTO

08:00h. MESA 8.
TEMA: Literatura contemporânea e entretenimento
Mediador: Elmar Carvalho (Magistrado, poeta e Secretário da Academia Piauiense de Letras)
Expositor 1: Tenório Teles (Poeta. Organizador do Festival Literário da Foresta. Manaus-AM)
Expositor 2: Reginaldo Miranda (Presidente da Academia Piauiense de Letras)
Expositor 3: Assis Brasil (romancista brasileiro)

10:00h. MESA 8.
TEMA: Porque o Piauí Unido (Não à Divisão do Piauí e à Criação do Estado do Gurguéia)
Mediador: Prof. Dr. Cleber de Deus (Cientista Político e Coordenador do Curso de Mestrado
em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí)
Expositor 1: Deputado Estadual João de Deus (Coordenador do Movimento Piauí Unido)
Expositor 2: Prof. Dr. Washington Bonfim (cientista político e prof. Da Univ. Fed. Do Piauí)
Expositor 3: José Lima Neto (Contador e Diretor do Campus da Universidade Est. Do Piauí-
Luzilândia)
Expositor 4: Deputado Federal Assis Carvalho (?)