terça-feira, 19 de junho de 2012

Flagrante do Gervásio Castro


A ORIGEM DE CAMPO MAIOR



João Alves Filho

A origem dos nossos com os campos de Portugal e, o nosso primeiro visitante empreendedor foi o Sargento-Mor Bernardo de Carvalho e Aguiar, que no ano de 1697, entre os meses de março e abril, instalou a Fazenda “Bitorocara”, localizada na confluência dos rios Longá e Surubim. Portanto, o primeiro nome da atual Campo Maior.
Instalada a fazenda com rebanhos deslocados das Províncias de Pernambuco e da Bahia, Bernardo de Carvalho e Aguiar iniciou a povoação, com a construção da Igreja, inaugurada no dia 12 de novembro do ano de 1712, com a celebração da primeira Santa Missa pelo Padre Tomé de Carvalho. Elevada a Catedral no dia 12 de junho do ano de 1976 e, também em homenagem a Portugal, dedicou a Santo Antônio de Pádua,santo de origem portuguesa, permanecendo para sempre como o padroeiro de Campo Maior e da Diocese.
Em torno da Igreja outras fazendas foram se instalando e o povoado aumentando, tendo como fazenda principal Bitorocara. Portugueses da família Carvalho chegavam para investirem na pecuária e na agricultura. Solo encantador e pastagem de boa qualidade e água com abundância nos rios Jenipapo, Longá, Surubim, Rio Fundo Marathaoan e Titara, estimulavam os investidores a aplicarem suas economias, em cujos campos foram instaladas as maiores fazendas do Nordeste do Brasil, tornando a Província do Piauí, detentora do maior rebanho bovino e de outros animais.
Com o desenvolvimento da comunidade em torno da Igreja e das fazendas que se instalavam com certa rapidez, o nome Bitorocara foi substituído no ano de 1715, por FREGUESIA DE SANTO ANTÕNIO DO SURUBIM, portanto, o segundo nome.
No dia 08 de agosto do ano de 1762, a comunidade sentindo a necessidade de uma melhor organização, reúne-se na Igreja, em Assembléia Geral, atendendo convocação do Governador João Pereira Caldas, o primeiro da Província do Piauí e sob sua presidência aprova o nome de VILA DE CAMPO MAIOR, dando cumprimento a Carta Régia de 1761, assinada por Dom José I – Rei de Portugal. Na oportunidade foi constituído o PRIMEIRO CONSELHO MUNICIPAL, com poderes para legislar, tendo como primeira Lei o Código de Postura e Regulamentação do uso da água da Lagoa, além do Estatuto da Comunidade, aprovados pela Assembléia. O dia 08 de agosto é, portanto, a data escolhida pela comunidade para comemorações festivas (data de aniversário) e por sua importância é feriado municipal. Eis aí o terceiro nome de Campo Maior.
Com o fim do Regime Imperial e a conquista da Proclamação da Republica no dia 15 de novembro de 1889, sob o comando do líder Marechal Deodoro da Fonseca, designou para governar o Piauí, o General Taumaturgo de Azevedo, piauiense da cidade de Barras. O primeiro ATO do seu Governo, foi para nós, da maior importância, com a assinatura do Decreto nº1, do dia 27 de dezembro de 1889, elevando a Vila, para município de Campo Maior. Aí, a segunda data oficial. Infelizmente não é comemorada. Sequer o Poder Executivo Municipal toma conhecimento de sua existência. Nem as escolas fazem qualquer manifestação. É lamentável.
É fácil entender que Campo Maior é realmente uma cidade de origem portuguesa, pelos motivos que se seguem: 01- O nome Bitorocara, uma homenagem a uma Vila existente na época, hoje, uma bonita cidade. 02 – O primeiro grande empreendedor, o português BERNARDO DE CARVALHO E AGUIAR, reconhecido por Lei Municipal o FUNDADOR DE CAMPO MAIOR. 03 – As primeiras famílias que para cá, se deslocaram, início do século XVIII: Carvalho, Castelo Branco, Pacheco, Miranda e Costa Araújo. 04 – O Santo Padroeiro, SANTO ANTÕNIO DE PÁDUA, de origem portuguesa e da tradicional família Bulhões. Na Pia Batismal recebeu o nome de Fernando de Bulhões. Nasceu no dia 15 de agosto do ano 1191 e faleceu no dia 13 de junho do ano de 1230 (39 anos de idade). 05 – Por fim, o nome Campo Maior, uma homenagem a uma cidade com o mesmo nome. Bem que poderia ser em homenagem aos nossos bonitos e verdejantes campos. Infelizmente, NÃO.

João Alves Filho é membro ativo das seguintes instituições culturais:
-Academia Campomaiorense de Artes e Letras-Acale
-Academia de Letras do Vale do Longá – Alval
-Academia Piauiense de Mestres Maçons – APMM
-Academia Maçônica de Letras – Amalpi
-União Brasileira de Escritores – Secção Estado do Piauí

segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS ÍNDIOS


Antonio Miranda com o índio ALVARO TUKANO (diretor do Museu do Indio de Brasilia) em cerimônia no auditório da Biblioteca Nacional de Brasilia, 6 dez. 2010


Antônio Miranda

I


Também vieram de longe
e plantaram raízes
imemoriais
no jardim de sua eleição
desde a diáspora primeva
da Criação.  
 
Não sabemos se temos
a mesma origem
ou se nascemos já divididos
disputando o mesmo espaço.  
 
Descimentos e preamentos
bandeirantes
dizimaram e escravizaram
índios sem religião
como animais
errantes.  
 
 
II
 
Os sobreviventes estão
confinados em reservas
como num zoológico humano.  
 
Duas culturas não podem
ocupar o mesmo lugar:
ou o índio é integrado
à sociedade
e perde a identidade tribal
ou refugia-se na comunidade.
  
Garimpeiros, pecuaristas
seringueiros e extrativistas
(caraíbas)
avançam com motosserras.  
 
O índio não é ambicioso
nem ocioso.  
 
A terra é a existência do índio
-terra de todos, comunitária
terra que é partícula
em movimento e assimilação.  
 
Terra e índio: um vive da outra.
Mãe e filho, indivisíveis.  
 
Terra sagrada
de húmus vivo e fértil
de seus antepassados
com que o índio abona
o inhame, o cará e a taioba.  
 
Em que cultiva, caça e pesca
e colhe, apenas quando
e quanto necessita.
 
 
III
 
Para o índio não há amanhã
em qualquer sentido pois
o tempo não existe
em sua percepção:
o movimento do corpo
num ímpeto contínuo
(da vontade em ação)
é que move a rede
(e não os pés e a mão)
como move a vida.  
 
Dias alternam-se sem
alterações e altercações
-de pesca, de fruta acesa
que logo vai compartilhar
no complemento do beiju
do pirarucu e do tucunaré.  
 
O fogo está sempre aceso
na aldeia e almas intermitentes
de dormir e despertar
de morrer e renascer:
um tempo dentro de outro
tempo infinito e cego.  
 
Fogo feito para irmanar-se
depois de buscar a lenha
que não armazena jamais
para não quebrar a rotina.  
 
Um grande poder de concentração
-e de dedicação extrema-
com todo o tempo do mundo
mas sem a noção de tempo.

ZAN (Zeferino Alves Neto) ENTREVISTA VIRGÍLIO COSTA


Virgílio Costa e Tarciso Prado


Virgílio Costa é jornalista, Mestre em Pintura e PHD em Artes e Humanidades pela New York University e Doutor em História Social conforme reconhecimento do PHD pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na entrevista abaixo Virgílio Costa fala sobre seu tio, o notável teatrólogo Francisco Pereira da Silva, nascido em Campo Maior - PI.

Chico foi uma das pessoas mais generosas e doces que já conheci.

ZAN -  O Piauí trata bem a memória de seu mais conhecido dramaturgo a nível nacional e até internacional, Chico Pereira?
VIRGÍLIO - Francisco Pereira da Silva, meu tio, sempre foi considerado, nos meios teatrais, daqueles dramaturgos que a critica, os diretores, os atores, têm na mais alta conta, mas que, por alguma razão, não têm muito público. O Piauí está agora, espontaneamente, procurando dar reconhecimento e valor à obra dele; isto é tratar bem a memória dele.

ZAN -  Foi criado por lei estadual  de 2004, um Memorial Francisco Pereira da Silva, em sua cidade natal, Campo Maior, que nunca saiu do papel... O que o senhor acha disso?
VIRGÍLIO - O governado Wilson Martins, o secretário da Educação e Cultura, Átila Lira, e a presidente da Fundação Cultural do Piauí, BidE Lima, me disseram que vão transformar em realidade o que foi previsto na lei.

ZAN -  Qual a importância da obra de Chico Pereira, na dramaturgia nacional?
VIRGÍLIO - A meu ver foi ele ter juntado em sua obra, ao mesmo tempo, a consciência dos problemas sociais, o amor por sua terra natal (Piauí e Campo Maior), um forte sentimento do ser brasileiro, com humor e generosidade, uma depurada linguagem e uma intensa poesia.

ZAN - Chico Pereira teve suas peças montadas nos anos 50 e 60, época em que surgiram outros dramaturgos como Ariano Suassuna e Dias Gomes, para citar apenas dois dos mais conhecidos... Na sua opinião, por que a obra de Chico Pereira, nem ele como dramaturgo, ficaram tão conhecidos?

VIRGÍLIO - Vários fatores: O Brasil de quando ele começou a escrever peças de denúncia social, não estava preparado para ouvir isso. O Piaui também, muito presente na obra, não deixa de ser visto com algum preconceito pelo país. Finalmente, o Chico nunca foi capaz de badalar ou se auto-promover.
Além disso, é preciso lembrar que tudo tem a sua hora. Existe uma certa imponderabilidade do destino no mundo das artes. Na Idade Média, acreditava-se numa Roda da Fortuna: uma hora estava-se por cima, logo por baixo. Acredito que a roda está levando o Chico para cima, e de forma permanente.

ZAN -  Você é dos parentes de Chico Pereira, o que mais conviveu e conheceu de perto Chico Pereira. Como era a pessoa de Chico Pereira?
VIRGÍLIO - Uma das pessoas mais generosas e doces que já conheci. Capaz de ver poesia nas coisas mais simples e variadas. Ao mesmo tempo, via sempre as coisas com muito humor, às vezes com muita ironia.

ZAN -  Em que medida, o fato de ele ter nascido e passado a infância e adolescência em Campo Maior, influenciou sua obra?
VIRGÍLIO - Toda a obra dele tem o cheiro e o sabor de campo maior: um cheiro de limãozinho pisado e um gosto de doce de buriti.

ZAN -  Depois que ele se mudou para o Rio de Janeiro, ele voltou muitas vezes a Campo Maior?
VIRGÍLIO - Voltou poucas vezes, bem menos do que gostaria. Como funcionário público, bibliotecário da Biblioteca Nacional, tinha um salário modesto. Além disso, no tempo que ele foi para o Rio, nos meados do do século, vir do Rio ao Piauí não era fácil como hoje.

ZAN -  Além de peças, Chico Pereira escreveu contos e romances, pelo que sei. Em que medida a dramaturgia obscureceu seu lado contista ou romancista?
VIRGÍLIO - No começo da carreira, escreveu contos. A forma teatral, entretanto, foi dominando a sua expressão: foi nela que se encontrou inteiramente. Também não se pode deixar de lado duas fortes influências: a poesia e o teatro de Federico Garcia Lorca e os cordéis e cantadores nordestinos.
Chico preparou seu ofício cuidadosamente, chegando cedo ao amadurecimento. A partir daí, até suas últimas peças, todo o seu teatro tem o mesmo alto nível.
No final de sua vida, algo desgostoso com a recepção que deram a algumas de suas peças, parou de escrever para teatro. Escreveu então um Romance-cordel (A Revocata) e um livro de contos (Um dia de Sol no Kilimanjaro). Ambos ainda estão inéditos.

ZAN -  De que forma, na sua opinião, o lançamento da obra dramatúrgica completa de Chico Pereira poderá torná-lo mais conhecido?

VIRGÍLIO - Até agora, ele tinha apenas seis peças em livro. Publiquei agora o teatro integral, com 32 peças, quinze das quais inéditas.
Agora os que fazem teatro terão toda a obra a seu dispor. Levou 20 anos para conseguir que a Funarte publicasse o livro (foi em 1988, apenas 3 anos após a morte do Chico, que Carlos Miranda, então presidente da Fundação de Artes Cênicas, me convidou para  prepará-lo,
Aliás, a Funarte devia distribuir mais o livro, pois só coloca ele à venda nas 5 livrarias da instituição.

ZAN -  Eu sou campomaiorense e cometo meus delitos dramatúrgicos, já escrevi até um Auto de Santo Antonio, o santo padroeiro de nossa terra, que dirigi e produzi em 2009... Tenho algum conhecimento da obra e vida de Chico Pereira, o conheci pessoalmente quando esteve aqui em 78 e me sinto envergonhado pela forma como meus conterrâneos, a maioria deles, claro, desconhecem-no e a sua obra... Acho que a  cidade tem uma dívida que não sabe como resgatar com a obra de Chico... O que o senhor acha disso?  
Tenho certeza que Campo Maior encontrará um meio de homenageá-lo. Agora mesmo, a Prefeitura da cidade, aAcademia de Arte e Letras de Campo Maior-ACALE, e a Associação dos Criadores de Caprinos (que possui o sítio onde Chico passou sua infância) estão buscando um meio conjunto de fazê-lo.


Fonte: Blog do ZAN

domingo, 17 de junho de 2012

Flagrante do Gervásio Castro


A charge acima, do Gervásio Castro, transportou-me no tempo e no espaço aos meus dois "cines" inesquecíveis: o Cine Nazareth, em Campo Maior, e o Cine-Teatro Éden, em Parnaíba. Por causa disso, publico abaixo uma charge do Gervásio e um poema meu, em que nos referimos ao velho Éden.

Charge de Gervásio Castro

Meio-Quilo

Elmar Carvalho

Se bem pesado não dava
sequer meio-quilo. Pai de
Cotinha, mulher bonita e
namoradeira nos escuros
do velho Cine-Teatro Éden – paraíso
de estripulias estrambóticas e eróticas.
O pequenino Meio-Quilo, de lanterna em
punho, a roubar Cotinha dos braços
do namorado, era um filme
à parte.


(Extraído de PoeMitos da Parnaíba.)

NESTOR RIOS – A BONDADE ENCARNADA


Juiz Batista Rios, filho de Nestor Rios

NESTOR RIOS – A BONDADE ENCARNADA

Elmar Carvalho

Conheci-o na agência da ECT de Parnaíba, vinte anos atrás. Apesar de não o ver há muitos anos, lembro-me dele sempre, e sempre como um homem bom e de bem. Ele é, por assim dizer, a encarnação da bondade, da bondade simples e natural e humilde, sem ostentação, mas também sem a dissimulação dos hipócritas e fariseus.

Não obstante sua humildade, sua modéstia natural, sua presença era um acontecimento em nosso local de trabalho, quando aparecia para recolher nossa pequenas contribuições financeiras, para os seus velhinhos, amparados pela sociedade dos Vicentinos, de que é membro assíduo e atuante, mesmo com a sua alongada idade. Como ele ficava feliz com os modestos donativos! Parecia haver recebido uma vultosa importância para si mesmo.

A sua bondade, sua lhaneza, sua alegria espontânea e sincera pareciam formar uma aura poderosa em torno de si, como a emoldurar o belo quadro de sua velhice digna e honrada, fazendo com que todos se sentissem bem ou melhor diante de sua pessoa. Talvez fosse um anjo sem a consciência de sua condição de ser angélico, e que por isso mesmo se locomovesse entre nós com tanta e natural simplicidade. Seu carisma era tanto que ficávamos felizes com o seu aparecimento ocasional em busca das esmolas para os seus velhinhos, e por isso dávamos como se estivéssemos recebendo.

Muitos anos depois descobri, através de minha mulher, que um amigo, o Dr. João Batista Rios, que lhe herdou a bondade e a simpatia, era seu filho. Prometi-lhe escrever uma crônica sobre seu pai, crônica aliás que pretendia fazer há muitos anos, mas que, inconscientemente, sempre adiava, talvez porque a personalidade bondosa e simples de Nestor Rios dela não precisasse, o que de fato é verdade.

Por intermédio do Dr. Batista Rios fiquei sabendo que o bom Nestor havia construído um conjunto de casinhas para os seus anciãos. Fiquei imaginando o mistério de como as irrisórias esmolas haviam-se transubstanciado naquelas casas, que acolhem, dando abrigo e amparo, os pobrezinhos. Fiquei imaginando qual o fermento milagroso que fizera crescer as esmolas nas mãos caridosas de Nestor Rios.

E a resposta é simples. É que Deus atua através de nós mesmos, de maneira sutil e suave, sem os alardes da mídia e da propaganda enganosa da falsa caridade.

Deus se manifestara em Nestor Rios, um anjo travestido em pele de ser humano.


sábado, 16 de junho de 2012

ANTOLOGIA DO NETTO


Texto e charge: João de Deus Netto


KENARD KRUEL

O acadêmico Kenard Kruel Fagundes dos Santos, filho de Antônio de Souza Santos e de Maria do Socorro Fagundes dos Santos, nasceu em São Luís (MA), a 30 de julho de 1959.

Formado em Letras Português e Letras Inglês pela Universidade Federal do Piauí - UFPI. Especialista em Literatura Brasileira pela PUC de Belo Horizonte. 
Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Jornalista, presidiu o Sindicato dos Jornalistas do Piauí (três mandatos). Foi diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Brasília). Foi assessor do presidente da Organização Internacional dos Jornalistas, Armando Rollemberg. 
Foi coordenador do Projeto Petrônio Portella, o Plano Editorial da Fundação Cultural do Piauí. 
Idealizou, em parceria com o José Elias Arêa Leão e Luiza Vitória Figueiredo (Sulika), o Salão de Humor do Piauí, na gestão do professor Wilson Brandão, quando secretário de Estado da Cultura. 
Repórter de todos os jornais de Teresina, foi Editor do Jornal da Manhã e do Correio do Piauí. 
Obras: Em parceria, os livros Em Três Tempos (1979); O Rio (1980); Dança do Caos (1981); Baião de Todos (1996) e Nordeste (1999 - Ministério da Cultura, Sesc e Fundação Joaquim Nabuco). 
Individual: Victor Gonçalves Neto – Um Anjo Escarlate (1998); Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida (2001), primeiro lugar no Prêmio Mário Faustino da Fundação Cultural do Piauí (2000); Gonçalo Cavalcanti - o intelectual e sua época (2005), Djalma Veloso - o político e sua época (2006), O. G. Rêgo de Carvalho - Fortuna Crítica (2007) e Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida (2008). 
Editor, publicou, pela Zodíaco, de sua propriedade, uma centena de livros de autores de expressão piauiense e nacional.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Escândalos de Jesus Cristo



José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com

Quão complicada a decodificação da linguagem! Embora dominando estilo de época, culturas, relações entre adultos e jovens, interesses e conflitos pessoais, às vezes, a linguagem resulta em pesadelo e guerra de interpretações. Segundo o fundador da Linguística, Ferdinand Saussure, a linguagem é o resultado da fusão entre a língua imposta e a maneira de falar de cada indivíduo. Significante e significado. Além da linguagem verbal, acrescente-se, ainda, a linguagem não verbal, como gestos e símbolos.
O que parece ridículo a um adulto pode ser belo a uma criança. O sucesso da comunicação, portanto, exige domínio de repertório de valores, de padrões culturais e de estilo de época. Uma simples frase pronunciada por grande líder, neste caso, Jesus Cristo, pode causar interpretações mais diversas, inspirar leis de Estado: "Quem com o ferro fere com ferro será ferido." Há quem defenda a pena de morte no princípio do Mestre.
Imagine brilhante homem declarar publicamente: "Quem me comer irá para o céu!" Que juízo lhe passou pela cabeça? Pois é, exatamente como você pensou, Jesus Cristo escandalizou os próprios discípulos ao pronunciar semelhante frase em público: "Eu sou pão vivo. Quem comer este pão viverá eternamente." O evangelista João relata (capítulo 6) que "muitos de seus discípulos se afastaram dele e não mais andavam com ele." Jesus voltou-se para os doze apóstolos e os desafiou: "Quereis vós também retirar-vos?"
João narra o encontro de Jesus com uma samaritana à beira de poço. Estavam sós. Mulher de vida livre, na Samaria, região detestada pelos cidadãos da Judeia. O diálogo é longo e sedutor, no sentido de conquistá-la para a fé no Messias. Aproximaram-se os discípulos, vindos de cidade próxima. Observaram a cena. João lança fogo nas entrelinhas da narração: "Os discípulos maravilharam-se, vendo-o conversar com a mulher... ninguém tocou perguntar que assunto." (cap.4, vers. 27).
Noutro episódio, zelosos da lei flagraram uma prostituta em pecado e tentaram apedrejá-la. Jesus aproximou-se da mulher, encurvou-se, escreveu no chão, em silêncio, depois mandou brasa: "Quem nunca pecou lance a primeira pedra...E começaram a se retirar, a começar pelos mais velhos." Percebe-se, novamente, a sutileza maliciosa nas entrelinhas de João. As atitudes amáveis de Jesus para com as mulheres superam até sua relação com sua mãe, quase sempre, seca. Ambos os casos provocam interpretações mais diversas: paixões amorosas, anulação de Maria no projeto da salvação.
Diante do belíssimo templo de Jerusalém, Jesus pronunciou um veredicto que, depois, lhe serviu de acusação e condenação: "Destruam este templo, e eu o reconstruirei em três dias." Um desrespeito aos padrões culturais e religiosos da época.
Banquetear-se com pagãos e adversários políticos, aceitar carinho de mulheres de duvidosa conduta resultaram em interpretações maldosas até hoje.
A História é construída de interpretações diversas e divertidas das condutas e ideias. Jesus escandalizou, morreu. Galileu quase naufraga na fogueira. Lutero inaugurou a contestação católica, enquanto Francisco de Assis permaneceu no diapasão. Pregadores e estudiosos tratados de bruxos. A mãe de Jesus exaltada ao extremo entre católicos, mas distanciada dos evangélicos. Bandidos e corruptos comandam o Poder, enquanto honestos amargam desvantagem eleitoral.
A primitiva civilização achou tediosa a equilibrada vida no paraíso terrestre, optando pela anarquia da Babel. Em plena era virtual, nada mudou. Viva a Babel da linguagem contraditória! Fora o paraíso da mesmice linguagem ululante!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Flagrante do Gervásio Castro


Lançamento de Voz e Verso na APL



A Academia Piauiense de Letras, através de seu presidente, Reginaldo Miranda, convida os interessados em literatura e o público em geral para a solenidade de lançamento do livro Voz e Verso, de autoria do poeta e médico João Carvalho.
A obra será apresentada pelo acadêmico Humberto Guimarães.


Data: 16 de junho de 2012
Horário: 19 horas
Local: Sede da Academia Piauiense de Letras
(Auditório Wilson Andrade Brandão)
Avenida Miguel Rosa, 3300/Sul

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A CIDADE DA MEMÓRIA



13 de junho   Diário Incontínuo

A CIDADE DA MEMÓRIA

Elmar Carvalho

No livro As Cidades Invisíveis o viajante veneziano descreve ao imperador dos tártaros, Kublai Khan, as cidades que ele supostamente teria visitado. Relata as singularidades de cada uma, e o comportamento peculiar ou bizarro de seus habitantes. De algumas cidades, como Diomira, alguém guardará a beleza que terá visto em outras cidades.

A exemplo de Isidora, muitas cidades têm o seu “murinho dos velhos que veem a juventude passar”. Os velhos naquele recanto conversam acerca de seus desejos, que são apenas diáfanas recordações. Sempre cada pessoa verá a sua cidade de uma maneira diferente de outra pessoa. E a mesma pessoa poderá ter visões diferentes de sua cidade, conforme o tempo e a emoção em que a situe. É que da mesma maneira que Zaíra, uma cidade pode ser feita das relações entre suas medidas e os acontecimentos do passado.

As cidades da memória são enganosas, e podem ter um poder maligno ou benigno como Anastácia, uma das cidades relatadas ao Grande Khan por Marco Polo. Na verdade, as cidades sempre se apresentam de forma diferente para cada visitante, conforme o ângulo em que foi vista pela primeira vez, de acordo com o acontecimento, triste ou alegre, que ele vivenciou. E como Zirma, pode ser redundante, a repetir-se, a repetir-se sempre para deixar alguma imagem tatuada no pergaminho da alma.

Em certo ponto da narrativa, o Grande Khan e Marco Polo parecem convergir no entendimento de que o viajante e narrador, quando falava das várias cidades, estava na verdade a falar de uma única e mesma cidade: Veneza. Veneza com suas gôndolas, românticas e algo antiquadas, seus canais, suas águas, seus palácios suntuosos, suas praças e seus mistérios. Quase todo homem parece ter uma cidade eleita, quase sempre a da sua infância e adolescência; após atingir meio século de vida, a ela sempre almeja retornar, ainda que somente através da lembrança e da emoção, na busca inglória do tempo proustianamente perdido.

Através da memória e da saudade, jamais ele se decepcionará. Sempre a sua cidade será a cidade que ele guardou em seu coração, em suas recordações. Revê-la poderá ser uma traição, uma cilada, uma armadilha, porque jamais ele retornará à cidade que imaginou em sua saudade. Algo terá mudado. Muitas pessoas terão mudado de hábito, ou até mesmo se mudado para outra urbe. O cenário mudou e a ambiência mudou. Jamais ele encontrará os formosos seios de Duília, que lhe encantaram na adolescência. A dona dos apetitosos seios terá perdido o encanto de sua juventude, e os seios, como dois pomos amargos, estarão murchos e disformes.

No magnífico conto Viagem aos Seios de Duília, de Aníbal Machado, José Maria, após mais de quarenta décadas de ausência e 36 anos de serviço público, como funcionário detentor de “competência e austeridade exemplar”, no dizer de Adélia, a moça que o saudou, enjoado do tédio da aposentadoria, empreendeu penosa viagem ao pequeno burgo de sua infância e adolescência, perdido nos socavões e cafundós das Minas Gerais, no sonho de encontrar os dois pomos encantadores de Duília, que ele entreviu apenas por alguns segundos.

O alumbramento durara apenas uns segundos, quando a jovem, talvez por piedade, lhe abrira o decote da blusa, mas estava durando uma eternidade. Ao final da desgastante viagem ao rincão de sua juventude, reviu a mulher. Estava velha e alquebrada. A beleza dos seios se perdera, sem deixar vestígios. No breve e amargo diálogo, o homem disse que fora à procura de seu passado. A mulher retrucou:
- Viajar tão longe para encontrar com uma sombra! Veja a que fiquei reduzida.

E ainda o advertiu de que ele não deveria ter voltado ao lugar de suas primeiras ilusões. Eram apenas duas sombras, que não conseguiram se encontrar. José Maria não reviu a mulher, cujos seios altivos e exuberantes lhe encantaram por fugidios segundos, em sua adolescência. Viu apenas a ruína do que ela fora. E ele próprio era o escombro de si mesmo. Da mesma forma, seguindo a admoestação de Duília, talvez não seja recomendável retornar à “cidade invisível” de nossa saudade, que talvez, à semelhança da cidade mítica de Maurília, remanesça somente em nossa memória ou em antigos e encardidos cartões-postais.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Pedro Nunes - "Homem Bom de Valença


Igreja de São Gonçalo - Regeneração
Fonte das fotos: Blog Menquefilis


Reginaldo Miranda
Presidente da Academia Piauiense de Letras

A antiga vila de Valença, hoje cidade de Valença do Piauí, outrora arraial de Santa Catarina, fundado e mantido por um troço de paulistas sob o comando de Domingos Jorge Velho, Francisco Dias de Siqueira, Pedro Nunes Pinheiro e José Alves de Oliveira, assenta suas raízes nos primórdios da colonização dos sertões de dentro.

Com história tão antiga, recebeu os predicados de freguesia em 1739, sendo a sede situada inicialmente no arraial dos índios Aroases, hoje cidade de mesmo nome, posteriormente transferida para o lugar de S. Catarina, depois Caatinguinha, localização atual. Elevada à categoria de vila por carta régia de 1759, confirmada em 1761 e, finalmente, instalada em 1762. Estava, assim, levantado o pelourinho e instalado o Senado da Câmara Municipal, com funções executivas, legislativas e judiciárias sem fronteiras nítidas. No Piauí colonial, o Senado da Câmara Municipal da cidade de Oeiras do Piauí, era formado por um juiz ordinário funcionando como presidente, três vereadores e um procurador, reduzindo-se o número de vereadores das vilas para apenas dois. Somente poderiam votar e serem votados os “homens bons” do lugar, i. é., oriundos de estratos sociais elevados, geralmente com exclusão de trabalhadores manuais e pessoas de menor projeção econômica. Essas autoridades coloniais eram eleitas trienalmente ou conforme o costume com outra periodicidade, sempre à época das oitavas do Natal. Essas eleições ordinárias eram ditas “de pelouro”, chamando-se “de barrete” aquelas realizadas extemporaneamente para preencher vagas abertas por morte, renúncia ou ausência.

Conforme se disse, o Senado da Câmara era presidido pelo juiz ordinário, em típica função administrativa. Além dessa, possuía também o juiz ordinário atribuições judiciais no cível e no crime até determinada alçada, fiscais, de Ministério Público ao representar o Senado da Câmara intentando contra as ações particulares que prejudicassem o interesse público e, enfim, legislativa ao elaborar a legislação municipal em conjunto com os demais oficiais do mesmo senado (os vereadores e o procurador).
Pois, entre os homens bons da vila de Valença, na Capitania de São José do Piauí, onde preponderavam o padre Manuel Nunes Teixeira (falecido na década de 1780) e o famigerado capitão, depois coronel Luís Carlos Pereira de Abreu Bacelar, também conhecido pela alcunha de “Luís Carlos da Serra Negra”, está Pedro José Nunes, talvez primo ou sobrinho daquele. Eleito vereador de Valença, em 1790 ocupa o cargo de juiz ordinário da mesma vila. No exercício desse cargo, no segundo semestre do ano de 1790, recebe seis correspondências do governo da Capitania, conforme anotações no livro de registro de correspondência interna da Capitania (Códice n.º 152). Em 16 de setembro, foi recomendado para apurar o assassinato de Manoel Joaquim Duarte, podendo, inclusive, requisitar auxílio das tropas milicianas estabelecidas em seu distrito. Em 25 desse mesmo mês, e em datas subseqüentes, solicita informações ao governo sobre o restabelecimento dos correios na Capitania. Em 6 de outubro do mesmo ano, estava investigando o pardo Antônio Pereira, que chegou ao termo de Valença “com vários gados e cavalos com diferentes ferros”, deixando suspeita de roubo. Em 29 de dezembro do mesmo ano de 1790, sua preocupação era o desaparecimento de uma mulher em seu termo, sobre cujo assunto se comunica com o governo. Portanto, bem cumpria suas atribuições(Fonte: Casa Anísio Brito. Arquivo da Secretaria de Governo do Piauí. Códice 152. P. 93. 94a. 97v. 106v. 109/109v. 110v. 113v/114).

Ao que pensamos, residia na fazenda “Alagoa de S. João”, depois designada “Careta”, no vale do rio Berlengas, em parte que passou para o termo da nova vila de S. Gonçalo(hoje Regeneração), oficialmente instalada em 1833. Dessa forma, sem mudar de endereço o velho político e magistrado da vila de Valença passou para a de S. Gonçalo, hoje Regeneração, aonde seus filhos Gonçalo e Benedito José Nunes, vão se eleger vereadores nas eleições de 1840, reiniciando a história político-partidária da família.

Faleceu em 19 de abril de 1845, sendo sepultado no dia seguinte, na igreja matriz de S. Gonçalo(hoje cidade de Regeneração), com o corpo vestido em hábito branco. Deixou viúva a dona Ana Bernarda da Silva, velha companheira de jornada e nove filhos, que espalharam a descendência Nunes pelo Médio - Parnaíba e região central do Piauí.

Com este registro, resgatamos a memória do patriarca dos Nunes, “homem bom” da antiga vila de Valença, juiz ordinário e presidente do Senado da Câmara, cujo corpo repousa religiosamente sob as bênçãos de S. Gonçalo da Regeneração.


(Artigo publicado no jornal Meio Norte, coluna Academia, edição de 05.10.2007).


segunda-feira, 11 de junho de 2012

OS VERAS EM PARNAÍBA, UM TRIBUTO AO “BALULA”


Bitupitá - CE
Granja - CE


Vicente de Paula Araújo Silva

Vivenciávamos o ano de 1963, quando ainda servindo o exército no Tiro de Guerra nº 200, fui oportunizado pelo amigo do meu pai Ição, o Sr. Antonio João Ribeiro, Gerente da empresa Estabelecimentos James Frederick Clark S/A, a trabalhar naquele conceituado empreendimento comercial. Após o início no setor Despachos de Mercadorias, fui deslocado para a Contabilidade, onde prestavam serviços, destacados contabilistas entre eles Francisco das Chagas Veras Neves, conhecido pelo alcunha de Balula. Nossa amizade perdurou em vida até ontem, 08 10 de junho deste ano 2012, e ela foi entrelaçada a partir de nosso gosto pelas artes literárias, musicais e também boêmias, incluindo aí muitas noites vadias e muitos copos quebrados quando o mesmo recitava os poemas Eulália e As mãos de Eurídice. Outrossim, a nossa descendência da família Veras, cuja história no Maranhão, Piauí e Ceará teve o seu início em 03/03/1660, quando partiram do Maranhão em visita à missão da Ibiapaba, os jesuítas Pe. Antonio Vieira e Gonçalo Veras, acompanhados do tapuia Jorge Ticuna, filho do chefe Algodão, que havia retornado da viagem a Portugal para agradecer a El Rei, a presença da missão jesuíta na serra da Ibiapaba. Assim, oficialmente, o Pe. Gonçalo Veras foi o primeiro membro da família Veras, a estar nos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará.
Essa trajetória iniciou-se quando em 19/07/1705, o Cel. João Pereira Veras e sua mulher, vindos de Porto em Portugal, após residirem em Pernambuco, receberam sesmarias de terras a partir do mar pelo rio Acaraú (Ceará). Seu irmão Tomás Pereira Veras e sua mulher Joana da Costa Medeiros, também estabeleceram-se na região e um dos seus netos, o cearense Domingos Ferreira de Veras, introduziu a família Ferreira Veras na área compreendida entre a orla marítima da ribeira do Acaraú ao delta do rio Parnaíba, passando pelas serras Meruoca e Ibiapaba, incluindo os vales dos rios Timonha, Ubatuba, Camurupim, Pirangí , Jacaraí , Piracuruca e Portinho.
A ligação da família Veras com a região da Parnaíba, já existia na primeira metade do século XVIII, fato comprovado pela cumplicidade do abastado fazendeiro cearense Domingos Ferreira de Veras com nativos tremembés ainda moradores no litoral piauiense, conforme atesta o registro de batismo a seguir, transcrito do Liv. Missão Velha, 1740/1747, fl. 119v: “Aos oito dias de abril de mil setecentos e quarenta e três, na Faz. Tiaya, em casa do Cel. Domingos Ferreira de Veras, bautizei a Vicente, filho de Vicente e sua mulher de nação Tremembé, e lhes pus os Santos óleos. Item no mesmo dia bautizei a Quitéria da nação Tremembé. Todos estes tapuias assima ditos são do rancho do tapuia velho chamado Machado que há muitos annos vivem sobre si e assistem entre a barra do rio Timonha e a barra do rio Camoripim junto a beira do mar, pertencentes a aldeia do Aracati Mirim, cita nesta freguezia de Nossa Senhora da Conceição do Acaracu. Pe. Lourenço Gomes Lelou, cura e vigº da Vara do Acaracu”.
Efetivamente, a presença da família Veras em Parnaíba, deu-se através de Diogo Alvares Ferreira de Veras (Diogo Alves Ferreira) e Antonio Alvares Ferreira de Veras , onde os mesmos tiveram fortes influência financeiras. O primeiro estabelecido em 1762, no lugar Frecheiras, foi a pessoa mais influente na instalação da Villa de São João da Parnahiba, onde existia a igrejinha de Nossa Senhora de Monte Serrate, eregida em 1711, pois o mesmo, era dono de um dos seis armazéns de salga de carne existentes no lugar “Cítio dos Barcos” na beira do rio Igaraçu, enquanto o segundo foi juntamente com Domingos Dias da Silva, José Gonçalves da Silva e Bento Gonçalves da Silva, arrendatário do Dízimo na Província, no período de 1788 a 1790 .
Os Veras e os “Galinha D’agua”, oriundos do Ceará, formam os maiores núcleos familiares em Parnaíba.

Nota: A avó materna do articulista, Gonçala Ferreira Veras, nascida na localidade Leitão, próxima à Praia de Bitupitá, antigamente município de Camocim, e a mãe de Balula, Ilúlia Ferreira Veras, nascida em Ibuguassu, município de Granja, são descendentes de Domingos Ferreira Veras.

domingo, 10 de junho de 2012

NOTURNO EM DOR MAIOR



NOTURNO EM DOR MAIOR

Elmar Carvalho

na noite ca’lad(r)a
       um cão ladra
       sem resposta
um galo canta
sem o eco doutro galo
um vaga-
lume vaga
sem lume
vaga-
        rosa/mente
           demente
na noite vaga
uma ave
noctívaga
navega
na vaga
do m’ar sem movimentos
nos cataventos
     sem ventos
e de mirantes
     sem mira/gens
a morte espreita
nos olhos vidrados
do enforcado.

sábado, 9 de junho de 2012

ANTOLOGIA DO NETTO


TEXTO E CHARGE: JOÃO DE DEUS NETTO


ENEAS BARROS

Eneas do Rêgo Barros nasceu em Teresina, Piauí. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Piauí. É especialista em Planejamento Turístico pela Faculdade de Ensino Superior de Pernambuco e em Jornalismo e Marketing pela Universidade de Nebraska – Lincol, EUA. É Grente de Marketing da cadeia de restaurantes Favorito. Publicou: “Piauí, terra querida”, “Em verdade vos digo”, “Parabélum”, “Macauã”, “ O Turco e o Cincelador” e “15:30”.

“Ao longo de minha experiência literária, descobri que o escritor nunca é movido por um tema específico. Às vezes, sem dar-se conta e sem induzir nada em especial, surge uma história que a sua verve literária prevê. Foi o que aconteceu com Truman Capote, quando escreveu “A sangue frio”, inaugurando o romance de não ficção ou o romance reportagem”.
“A minha prioridade é escolher sempre uma boa história para contar; é estar pesquisando um tema; é me envolver com personagens reais ou ficcionais; enfim, é saber escolher um bom tema”.

ENTREVISTA COM ENÉAS BARROS: