domingo, 12 de julho de 2026

MOISÉS

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MOISÉS


Elmar Carvalho

 

Escravo,

não sou escravo da submissão

e meu último adeus será uma corrida

com os pés fora da corda-bamba.

Escreverei

um manifesto assinado

com o sangue de cada um,

com o suor de todos,

todos mocinhos

de um filme sem mocinhos.

Escarnecerei

os muros e os tetos das prisões

porque são exceções de um regime de

exceção.

Escangalharei

as portas do céu

e os portões do inferno

e soltarei a liberdade.

            Parnaíba, 02.04.78

4 comentários:

  1. Nesse período, sob o véu da truculência do regime político, a indignação esteve perene por muitos aspectos, sobretudo pelo controle da liberdade de expressão. Seu texto foi pontual, tal como um brado preso na garganta que ganga ares de desabafo. Parabéns!

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  2. Esse poema bate forte.
    Ele tem cara de grito e manifesto ao mesmo tempo. Algo que está preso e clama por liberdade.
    Muito bom

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