CADERNOS DE SARAMAGO
Elmar Carvalho
Na sessão da APL do dia 9 do
corrente, sábado, a Teresinha Queiroz, apesar de minha amiga, terminou
“inconfidenciando” que eu estava a fazer aniversário. Recebi os aplausos e os
cumprimentos dos confrades, pelos quais agradeci, na hora apropriada, quando
pedi a palavra. Por coincidência, o professor Paulo Nunes me dera, antes do
início da reunião, o volume II de Cadernos de Lanzarote, contendo os diários de
José Saramago referentes aos anos de 1996 e 1997.
Em minha breve alocução,
agradeci-lhe o mimo, e acrescentei que ele me havia emprestado um outro volume
dos ditos Cadernos, relativos aos anos 1993, 1994 e 1995, e que só não me
agraciara com esse tomo porquanto fora presente do confrade Celso Barros Coelho,
no qual se encontra consignada amável dedicatória desse notável intelectual,
datada de 8/5/97, que faço questão de transcrever: “Ao caro Paulo Nunes, a quem
muito agradarão estes 'Cadernos de Lanzarote', na mensagem que nos envia o
grande Saramago, de sua ilha, no dia a dia de sua meditação ao sabor das
circunstâncias agradáveis (para o leitor).”
Expliquei a meus pares que vinha
me dedicando a ler diários, autobiografias e memórias em virtude de que estou
me preparando para fazer da melhor maneira possível o meu Diário Incontínuo,
que venho escrevendo e publicando no meu blog e no Blog Literário do portal 180
Graus.
O professor Paulo Nunes,
complementando minhas palavras, falou que o volume ofertado pelo acadêmico
Celso Barros, além do valor agregado da dedicatória, tinha também um outro
valor afetivo a mais: é que por causa da compra desse livro, e também por causa
do embevecimento de Celso a olhar e folhear outras publicações da livraria do
aeroporto, terminara perdendo o avião que o traria de volta a Teresina, só
retornando em outra aeronave, posteriormente. Portanto, deixei de ganhar esse
volume em virtude da bela dedicatória e em razão de o nosso acadêmico haver
perdido o seu voo em decorrência de sua aquisição.
Para coroar o dia de meus anos,
que eu pretendia deixar transcorrer no mais absoluto esquecimento, o confrade
Manfredi Mendes de Cerqueira, mestre da oratória, sobretudo da concebida ao
sabor do improviso, disse que este diarista tem no prenome “a combinação de
cinco letras, e que as três últimas desaguam no mar; que o mar simboliza a sua
grandeza literária, a sua largueza de espírito e de outras qualidades”. Não me
restou alternativa, a não ser agradecer, embora não as merecendo, as belas
palavras do desembargador Manfredi, sempre lhano e espirituoso em sua verve bem-humorada.
23 de abril de 2011
