sábado, 7 de outubro de 2017

De Celorico de Basto ao sertão de Parnaguá: a trajetória da família Carvalho da Cunha nos séculos XVII e XVIII


De Celorico de Basto ao sertão de Parnaguá: a trajetória da família Carvalho da Cunha nos séculos XVII e XVIII

Reginaldo Miranda *

No norte de Portugal, distrito de Braga, província do Minho, fica o concelho de Celorico de Basto, fundado em 29 de março de 1520, por Foral de D. Manuel I, atualmente com área de 181,07 km² e população de 20.098 habitantes. Está subdividido em 15 (quinze) freguesias, a saber: Agilde, Arnoia, Basto (S. Clemente), Borba da Montanha, Britelo-Gémos - Ourilhe, Caçarilhe-Infesta, Canedo de Basto-Corgo, Carvalho-Basto Santa Tecla, Codeçoso, Fervença, Moreira do Castelo, Rego, Ribas, Vale de Bouro e Veade-Gagos-Molares.

Uma das famílias mais antigas e numerosas desse concelho, habitando sobretudo as freguesias de Veade, Gagos, Molares e Caçarilhe, é a Carvalho da Cunha. No período estudado, ela encontrava-se tão disseminada por essas pequenas freguesias que era ali difícil encontrar-se alguém que não fosse a ela aparentada.

Em julho de 1729, quando o padre Jerônimo Guedes de Miranda, comissário do Santo Ofício em Portugal, apurava a pureza de sangue de Paulo Carvalho da Cunha naquelas contíguas freguesias de sua origem, declarou aos seus superiores que “estava tão espalhada esta família por todas aquelas freguesias, que poucas testemunhas se achariam que não fossem parentes, ou parentes dos parentes, o que comprova com todas as  abaixo numeradas”, a saber: testemunhas de Santo André de Molares: Gaspar da Cunha, Torcato da Motta, Manoel da Cunha, Pe. Luís Cardoso Ozório, Pe. Fr. André do Rego, Gaspar Carvalho, Gaspar Teixeira do Combro e Damião Carvalho; testemunhas da freguesia de Santiago de Gagos: Ignácio Machado de Andrade, Antônia da Cunha (viúva de Lucas Teixeira), Manoel Coelho, Antônio da Costa, Lourenço Carvalho, Senhorinha da Silva, Pe. Luís Vieira de Andrade, vigário de Gagos e natural da mesma freguesia; testemunhas da freguesia de São Miguel de Caçarilhe: Domingos Gonçalves, Francisco Gonçalves, Antônio da Silva.

A título exemplificativo, indicamos os nomes e dados de mais alguns membros dessa distinta família que permaneceram radicados em Portugal:

Pe. Francisco de Carvalho da Cunha, vigário na freguesia de São Martinho do Vale de Bouro, concelho de Celorico de Basto, filho de Amador Gonçalves Garcia, natural do lugar do Souto, freguesia de São Martinho de Godois e sua mulher Maria Carvalho da Cunha, ela natural e ambos moradores no lugar de Requeixo, da mesma freguesia; neto paterno de Domingos Gonçalves e de sua mulher Maria Gonçalves, moradores que foram no lugar do Souto, freguesia de São Martinho de Godois, do dito concelho; neto materno de Paulo Carvalho da Cunha, natural do lugar de Fermil, da freguesia de Anto André de Molares e de sua mulher Helena Teixeira, moradores do referido lugar de Requeixo, da freguesia de São Martinho do Vale de Bouro, de onde ela era natural, todos de limpo sangue, cristãos velhos e ocupantes do cargos nobres do lugar. Familiar do Santo Ofício(1686).

Manoel Carvalho da Cunha, mercador na Rua do Souto, cidade de Braga, natural e batizado na freguesia de Vila Nune com o nome de Gervásio, depois no crisma mudado para Manoel, filho de Jorge Gonçalves e de sua mulher Maria Carvalho, do lugar de São Mamede, freguesia de Santa Maria de Canhedo, concelho de Cerolico de Basto; neto paterno de Pedro Gonçalves e de sua mulher Senhorinha Francisca, do lugar da Roçada, freguesia de Santo André e Vila Nunes, concelho de Cerolico de Basto; neto materno de Paulo Carvalho e sua mulher Maria Gonçalves, do lugar de São Mamede, freguesia de Canhedo; casado com Luiza de Araújo, filha de Domingos Antunes e de sua mulher Antônia Francisca, moradores de São Miguel do anjo da cidade de Braga; Familiar do Santo Ofício (1692)

Tão antiga e numerosa, era natural que muitos de seus membros passassem ao Brasil. Foi pioneiro nessa migração o negociante e capitão-mor Baltasar Carvalho da Cunha, que fixou residência em Salvador, onde ocupou o cargo de Tesoureiro do Estado do Brasil, no governo de Matias da Cunha, talvez seu parente. Foi esse rico negociante português, talvez também aliado da Casa da Torre, quem financiou e trouxe muitos parentes para colonizarem o termo de Parnaguá, onde situaram muitas fazendas, inclusive para ele investidor.

Fazendo uma ligeira análise da documentação disponível, encontramos o nome das seguintes pessoas dessa família, naturais de Celorico de Basto, habitando e/ou proprietárias no sertão de Parnaguá, entre o último decênio do século XVII e primeira metade do século seguinte, tudo antes da instalação da capitania do Piauí(1759):

1.Capitão Baltazar Carvalho da Cunha, Tesoureiro do Estado do Brasil, conforme dissemos residia em Salvador, onde era abastado negociante, mas foi quem liderou a colonização do vale do rio Paraim, sertões de Parnaguá e parte do Gurgueia, mandando buscar e financiando a vinda de muitos parentes, sobretudo sobrinhos, que instalaram diversas fazendas em Parnaguá.

2. Manuel Álvares de Sousa, capitão-mor de São Francisco do Rio Grande, familiar do Santo Ofício, residente em Parnaguá, que então pertencia àquela freguesia, foi quem conquistou, desbravou e colonizou o vale do rio Paraim, a partir de 1688; embora o nome não diga, era sobrinho do capitão Baltasar Carvalho da Cunha, natural de Celorico de Basto, como todos os seus demais parentes, e foi por ele trazido para o Brasil.

3.Em 17 de junho de 1727, Duarte Carvalho da Cunha recebe em sesmaria o sítio Riacho, na povoação de Parnaguá.

4.Em 24 de maio de 1729, na referida povoação, Antônio Carvalho da Cunha recebe o sítio Iberaba.

5.Francisco Carvalho da Cunha recebe o sítio Santo Antônio

6.José Carvalho o sítio Cacimbas.

7.Matias da Cunha o sítio Reviradouro.

8.Martinho Carvalho da Cunha o sítio Itaboca.

9.Paulo Carvalho da Cunha, também foi capitão-mor de Parnaguá e familiar do Santo Ofício, recebe em sesmaria o lugar Riacho Frio. Era sobrinho do capitão Baltasar Caravalho da Cunha, que o trouxe de Celorico de Basto e o financiou e seu estabelecimento em Parnaguá.

10.José da Cunha recebe em sesmaria o sítio Cacual.

11.Baltazar Carvalho da Cunha(2º do nome) recebe o sítio Serra.

12.Em 18 de junho de 1742, são concedidas a Luísa da Cunha Carvalho a fazenda Micho.

13.Em 22 do mesmo mês e ano, foi concedida a Maria da Cunha Carvalho, a fazenda Jacaré.

14.Maria da Cunha Ferreira, a fazenda Campos de Baixo.

15.Teresa da Cunha Carvalho, a Fazenda de Cima.

16.Em 25, a fazenda dos Matos, a Serafina da Cunha Carvalho.

17.Em 26, o sítio São Francisco da Corrente, a José Carvalho da Cunha (anteriormente, encontramos terras concedidas a José carvalho e a José da Cunha, todas em Parnaguá, não sabendo informar se se trata da mesma pessoa, razão pela qual anotamos das três formas encontradas).

8.Em 29 do mês o mês e ano, foi concedido o sítio Nazaré, na mesma ribeira, a Marcos Fernandes da Cunha.

19.Em 1746, Manuel da Cunha de Carvalho vai ser agraciado com sesmarias (teve ele um homônimo que foi familiar do Santo Ofício, em Portugal).

20.Em 1746, Joaquim Carvalho da Cunha também vai ser agraciado com sesmarias.

21.Gaspar Carvalho da Cunha, sesmaria no distrito de Parnaguá(1747).

22.Pe. João Ribeiro de Carvalho, vigário de Parnaguá, era parente dos principais moradores do lugar, segundo um documento da época que referia-se a uma rixa que tinha ele com o então capitão-mor de Antônio Gomes Leite(1745).

Além desses, eram muito ligados a essa família mais dois pioneiros de Parnaguá, cujos nomes declinamos como linha de pesquisa:

23.Pe. Valentim Tavares de Lira, presbítero do Hábito de São Pedro, vigário de Parnaguá por provisão de 1745; foi ele quem casou, em 1754, D. Maria Eugênia de Mesquita Castelo Branco com o ouvidor José Marques da Fonseca, fato que gerou grande polêmica em ace do impedimento do ouvidor, que não podia casar-se sem licença real; era irmão de Sebastião Tavares de Lira, outro pioneiro que desempenhou importante papel na conquista daquela região.

24.Em 28, o sítio Paraim foi concedido a Antônio Luís dos Reis, que, parece vai casar-se na referida família Carvalho da Cunha.

Depois de levantar todos esses nomes em fonte primária, localizei na obra do padre Cláudio Melo, mais as seguintes pessoas dessa família naturais ou residindo nos sertões de Parnaguá, durante o período colonial:

25. O padre Cláudio Melo, em seu livro Fé e Civilização, se refere a D. Maria da Cunha, casada com José Francisco de Figueiredo, sendo pais do padre Francisco Xavier de Figueiredo, ordenado em São Luís; ao Pe. José da Cunha d’Eça, português radicado em Parnaguá, ordenado em São Luís(c. 1724); aos padres Luís Francisco de Figueiredo e José Francisco de Figueiredo, todos ordenados em São Luís.

26. Pe. Duarte da Cunha Ferreira, assistente em Parnaguá, solicita uma sesmaria no Mucambo da Itaboca, onde estava instalado com gados e escravos(1741).

27. Pe. Manuel José da Cunha, parente das principais pessoas de Parnaguá(1742). Em 1743 recebeu Provisão de Capelão da Capela de N. Sra. da Conceição do Corrente.

28.Caetano Carvalho da Cunha, pode ter sido o idealizador daquele monumento religioso que sacralizou a obra daqueles pioneiros(Pe. Cláudio Melo).

29. Manuel Ribeiro da Cunha(1760).

30. Não menos antiga que a Capela do Corrente é a Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso no Curimatá. As primeiras notícias sobre o Getí remontam a 1717, quando Damásio de Carvalho Mourão aparece como seu primeiro proprietário. Crê-se que a Capela é obra do capitão-mor Manuel Marques Padilha do Amaral e, conforme Pereira da Costa, foi construída em 1741. Apenas sei que em 1745 o Pe. Duarte da Cunha Freire foi nomeado Capelão de lá. Parece que esta Capela ficou depois sem Capelão, pois não mais encontrei qualquer provisão para lá, afirma o historiador e padre Cláudio Melo.

Mais tarde, chegaria àquela região o também português(de Lustosa) José da Cunha Lustosa, que deixou ilustrada descendência, inclusive o marquês de Paranaguá e os barões de Paraim e de Santa Filomena. É tido por parente desses pioneiros, o que ainda necessita de comprovação.

Com essas notas divulgamos importantes revelações sobre a família Carvalho da Cunha, natural do concelho de Celorico de Basto, que foi pioneira na conquista e colonização do termo de Parnaguá, inclusive na fundação da vila de mesmo nome, hoje uma importante comuna do extremo-sul piauiense. Faz parte de um esforço para escrever uma ampla genealogia piauiense, que contemple o maior número de famílias que povoaram e construíram a nossa identidade. Também, com a intenção de servir de suporte para outros historiadores e genealogistas interessados, fazerem a recomposição da história dessa notável família de conquistadores que prestou relevantes serviços a Portugal, ao Brasil e, sobretudo, ao Piauí. 


* REGINALDO MIRANDA, advogado, escritor, é membro da Academia Piauiense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

GRITOS E GEMIDOS NA CADEIA VELHA

Fonte: Google

GRITOS E GEMIDOS NA CADEIA VELHA

José Pedro Araújo
Escritor e historiador

Morar próximo a uma cadeia pública deixa um acúmulo de lembranças macabras na sua memória. Todas elas tristes, incompreensíveis. Construída na Praça Diogo Soares, em cuja proximidade fica o Oton Hotel, acredito que a cadeia pública do Curador tenha sido uma das obras realizadas pelo prefeito Ariston Leda. As primeiras lembranças que me vêm daquele vetusto prédio, era a de uma casa velha tristemente abandonada, suja, paredes cheias de buracos, piso de ladrilho encardido, uma péssima visão. Mas as piores lembranças que me ficaram foi do povo que era alojado por lá; dos gritos e lamentos provindos de lá.

       As noites de uma cidade pequena, em que reina a escuridão, são propícias para se ouvir tudo o que de bom ou de ruim acontece enquanto a escuridão comanda tudo, desde o canto dos galos notívagos, até mesmo as falas, os assobios, os cânticos de pessoas que transitam pelas ruas em horas em que a maioria dos outros humanos já está recolhida para dormir. Na minha casa, situada no início da Rua Grande, bem pertinho do local que aqui descrevo, dormíamos, eu e mesmo irmãos, na sala de estar, primeiro cômodo da casa logo na entrada. Só muitos anos depois fomos aquinhoados com um quarto somente nosso, como já possuía um a minha única irmã. Todavia, essa localização tinha as suas vantagens também. No dia seguinte dávamos conta de tudo o que acontecera na rua na noite anterior, pois, como já adiantei algumas linhas acima, dava para ouvir até mesmo o arrastar das sandálias das pessoas que transitavam pela rua quando as portas da minha casa já estavam cerradas para mais uma noite de sono. Aliás, aquela sala na entrada da casa foi depois transformada, definitivamente, em quarto, e ainda hoje quem dorme por lá é incomodado com a barulheira que brota da rua, hoje muito maior em razão da quantidade de carros e motos que transitam por ali.

Entretanto, o barulho que ainda permanece vivo na minha lembrança é o dos gritos e lamentos provindos da velha cadeia pública situada a pouco mais de uma centena de metros do meu dormitório. A pequena distância e o profundo silêncio da noite permitiam que se ouvissem toda a gritaria e pedido de clemência que brotavam daquela casa de detenção. Até parece que os soldados responsáveis pela manutenção dos presos em regime fechado tinham predileção pelo horário noturno para aplicar neles as suas reprimendas ou mesmo tomar os seus depoimentos. O certo, é que não foram poucas as vezes em que acordávamos com o choro e as lamentações dos pobres miseráveis que passaram por ali. E pelo tamanho diminuto da cidade, até que foram muitos.

         Um dos casos que mais me marcaram foi o de um pedreiro acusado de ter furtado algo em uma casa de família importante, quando lá prestava serviço de construção ou reforma. Esse caso ficou bem marcado porque o pedreiro era muito conhecido e respeitado pelas maneiras gentis e afáveis com que tratava a todos. Mais ainda pela forma elegante com que se vestia ao terminar mais um dia de puxado serviço. Era assunto entre todos que ele se trajava elegantemente ao deixar a obra para retornar para casa. Não relaxava uma calça de linho bem engomada, uma camisa de fina de cambraia de linho sem um vinco, complementado por sapatos limpamente engraxados e polidos. O mulato completava o quadro de asseio com uma boa dose de perfume que deixava um rastro por onde passava, e pelos cabelos encaracolados devidamente penteados e alisados com uma boa quantidade de brilhantina Glostora.

          Pois foi esse fino dândi inglês acusado de furto em uma das casas em que trabalhava na época. Parece que sumiram de lá algumas joias da patroa, e recaiu sobre o pobre profissional a culpa pelo seu desaparecimento. Para os donos da casa não havia dúvida: o único estranho por ali era o pedreiro, pois a outra pessoa da casa que não era da família, era uma moça que já trabalhava lá desde muito tempo e, portanto, sobravam as suspeitas para ele. Mesmo sem nunca ter sido acusado de qualquer prática parecida com a supressão de bens de outra pessoa. O homem foi trancafiado na velha cadeia e vitimado pelos velhos costumes de se tomar o depoimento de pessoas com o estimulo de uma pesada palmatória esculpida em fornido pedaço de pau d’arco. Nessa noite a palmatória cantou desabusada e os gritos de pedido de ajuda do pobre homem transpuseram as paredes sujas e esburacadas do velho presídio. Foi uma noite de terror que trouxe profunda contrariedade a minha mãe que sempre disse se tratar de uma grande injustiça, a acusação sem provas que pesava sobre aquele rapaz.

           Todavia, debaixo de uma saraivada de palmadas nas mãos e de socos e pontapés, a noite nem havia terminado e o acusado já confessava o crime para escapar do massacre a que era submetido. Fora ele sim, afirmou na frente dos seus algozes. Só não lembrava mais em que local havia deixado o produto do seu crime. E tome mais bolo nas mãos já inchadas. E na manhã seguinte, como sempre faziam para desmoralizar o preso, conduziram-no, após terem lhe raspado a cabeça, rua acima e rua abaixo para toda a comunidade ver.

           Causou completa perplexidade e comoção a visão daquele rapaz sendo conduzido daquela forma. Não foram poucos os que acreditaram que se cometiam uma grande injustiça com aquele trabalhador. Afinal, quem não se acusaria dos piores crimes depois de passar por tão grande suplício? E de fato estavam certos. Não demorou muito e a empregada da casa em que o crime havia acontecido terminou por confessar que fora ela quem roubara as joias da patroa. Alegou que tinham verdadeira fixação por elas, e não resistira a presença de um estranho na casa sobre quem poderia recair toda a culpa. Não previra que, até mesmo o seu coração ardiloso também haveria de ser tocado pela triste visão daquele inocente sendo exposta de maneira tão vil e desonrosa.

           Para tristeza de muitos, o inocente, que além de todos os atributos que já enumerei acima, possuía uma boa dose de vergonha na cara, logo que se viu liberto, juntou as suas coisas e tomou rumo ignorado. Nunca mais se ouviria falar dele naquela comunidade. Dos seus inquisidores, nem um pedido de desculpa foi emitido aos cidadãos do Curador. Como sempre.

Esse foi apenas um dos casos acontecidos na cadeia antiga.

Certa feita, a cidade foi acordada pelo rumor de que, na noite anterior, muitos presos haviam se evadido de lá, alguns muito perigosos, depois de arrobarem uma das paredes da cela. Como a maioria da população, fui ao local para verificar o ocorrido e me deparei com um buraco de grandes proporções perfurado na parede de fundo que dava para um terreno baldio ao lado. Esse foi só um dos casos de fuga de presos naquele presidio, o que culminou com a desativação do velho cárcere da cidade.  E com isso, o velho costume de conduzir os acusados por furto pelas ruas da cidade, foi embora junto. Começava, depois disto, a história da goiabeira sinistra da prefeitura.


As noites nas imediações da Praça Diogo Soares passaram a ser tranquilas, sem o som terrível de choro e lamentações. O barulho mais ouvido por lá, passou a ser o do canto dos galos anunciado a meia noite ou o surgimento da aurora.

O Piagüí Culturalista lança site próprio nos dez anos de criação.




O editor do periódico O Piagüí Culturalista, professor e poeta Cláucio Ciarlini, anunciou nesta quinta-feira dia 05 de outubro que dentro da programação dos dez anos de circulação do jornal está sendo lançado o site www.opiaguivirtual.com.br com o objetivo de divulgar artigos, notícias, informações de natureza cultural de Parnaíba e região.

Segundo Cláucio Ciarlini o site está aberto à colaboração de todos aqueles que se interessam pela cultura. Os interessados podem enviar seus artigos para o endereço piaguivirtual@gmail.com. “O site acompanha a evolução da tecnologia e coloca a produção literária jovem de Parnaíba ao alcance do mundo”, declarou o escritor e colaborador Pádua Marques, da Academia Parnaibana de Letras.

O jornal deve lançar no dia 05 de novembro por ocasião de seus dez anos de circulação um documentário com o título provisório de O Piagüí. No dia 05 de setembro foi lançado o livro Versania, uma coletânea poética com trabalhos de vinte jovens escritores de Parnaíba e região.


Fonte: opiagui. Fotos: web. Edição: APM Notícias.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

AS LUTAS DE LAURO CORREIA



AS LUTAS DE LAURO CORREIA

Elmar Carvalho

Esta madrugada, sem que eu saiba o motivo mais imediato, sonhei com o Dr. Lauro Andrade Correia, numa situação relacionada com educação e vestibular. Mas não recordo os detalhes do sonho. Esse cidadão pertence a importante estirpe oriunda do Rio Grande do Norte, que chegou ao litoral piauiense em 1863, portanto há quase 150 anos. Teve importantes membros, que exerceram elevadas funções, mesmo em nível nacional, cuja enumeração não cabe na moldura de um diário.

Vários foram prefeitos de Parnaíba, inclusive o Dr. Lauro Correia, grande tribuno, intelectual e escritor, cidadão probo e digno, sempre cavalheiro no trato pessoal. Metódico e organizado, em sua gestão à frente do município de Parnaíba, institucionalizou a bandeira, o hino e o brasão municipais, além de ter contribuído para a legislação local, tomando a iniciativa de leis relacionadas com a postura municipal e o plano diretor da cidade. Construiu o Centro Cívico, em local próximo ao belo Colégio das Irmãs, nas proximidades da bem arborizada Praça São Antônio, sombreada pelos frondosos e vetustos oitizeiros.

Em seus 85 anos, como intelectual e cidadão participativo, ainda prossegue em sua campanha civilista, em prol da construção do porto de Luís Correia, que parece ser tão interminável quanto o manto de Penépole, e em favor da navegabilidade e conservação do Rio Parnaíba, que cada vez mais vem se degradando de forma contínua, por causa do desmatamento das matas ciliares, da poluição e da agricultura de manejo predatório, que visa apenas ao lucro fácil e imediato. 

Quando assumi a presidência do Diretório Acadêmico “3 de Março”, em 1978, Dr. Lauro, além de presidente da FIEPI, diretor do SESI e diretor administrativo da indústria Moraes S/A,  era o diretor do Campus Ministro Reis Velloso – UFPI, ao qual, no regime militar de então, era vinculada a agremiação acadêmica. No auge de minha juventude e entusiasmo, no dia de minha posse, com a presença de vários estudantes vindos de Teresina, entre os quais o hoje historiador e professor Fonseca Neto, fiz inflamado e combativo discurso, em que prometi, seguindo a tendência da época, reformar o estatuto da entidade, para desatrelá-la da administração da UFPI, o que de fato consegui fazer.

Logo no dia seguinte ou um pouco depois, Dr. Lauro solicitou-me uma reunião entre ele e a minha diretoria. Nesse encontro, com a sua lhaneza de sempre, com o seu raciocínio lógico e fundamentado, falou do bom entendimento que deveria existir entre a direção do campus e o diretório acadêmico. Devo dizer que mantivemos um bom relacionamento administrativo, e que ele me ajudou em vários eventos e realizações de minha gestão, como a recuperação dos equipamentos de jogos, frete do ônibus que conduzia estudantes para o campus, impressão de coletânea de poemas e cartaz poético, realização de torneio futebolístico, passeio turístico a Barras, jornada universitária, ciclo de palestra, curso de férias, etc.

Passei a admirá-lo e me tornei seu amigo nesses longos anos. Procurei seguir muitas de suas lições. Terminei estreitando amizade com seus filhos Israel, poeta, professor universitário e compositor de mérito, e Gardênia. Muitos anos depois, tive a honra de assumir cadeira da Academia Parnaibana de Letras, quando ele era o seu dinâmico presidente, de cujo silogeu foi um dos fundadores.


Sucedi a monsenhor Antônio Monteiro de Sampaio, um dos maiores oradores sacros do Piauí, que foi também um de meus antecessores na Academia Piauiense de Letras. Muitas vezes tenho visitado Dr. Lauro, em sua casa na rua Simplício Dias, em companhia de seu sobrinho Canindé Correia, meu compadre e amigo de longa data, oportunidade em que entabulamos agradável conversação, sobre história e cultura.

05.02.2010

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Paulo Carvalho da Cunha, capitão-mor de Parnaguá


Paulo Carvalho da Cunha, capitão-mor de Parnaguá

Reginaldo Miranda (*)

Foi fazendeiro e capitão-mor de Parnaguá, sucessor de seu parente Manoel Álvares de Souza, em cujo sítio e distrito chegou com a idade de dezessete anos, para viver sob seus cuidados e iniciar-se na carreira militar.

Nasceu e foi batizado por volta de 1691, no lugar Fonte Coberta, freguesia de Santo André de Molares, concelho de Celorico de Basto, arcebispado de Braga, filho legítimo de João Gonçalves e de Mariana Carvalho, naturais e moradores que foram até falecerem do dito lugar de Fonte Coberta; neto pela parte paterna de Gonçalo Gonçalves, natural do lugar de Fonte Coberta, freguesia de Molares, onde foi batizado, e de sua mulher Domingas Francisca, natural do lugar de Quintam, freguesia de São Miguel de Caçarille, do mesmo concelho de Basto, arcebispado de Braga; neto materno de Domingos Gonçalves, natural e morador até que faleceu do dito ugar de Fonte coberta, e de sua mulher Catarina Carvalho, que nasceu na freguesia de Santiago de Gagos, circunvizinha de Molares, na casa chamada da Balouta Pequena, de onde foi casar com o dito Domingos Gonçalves, de Fonte Coberta, aonde viveu até falecer, sendo ela filha de Gaspar Carvalho, da dita casa de Balouta Pequena, e de sua mulher Maria Gonçalves; e esta veio da casa chamada Aroza, sita no lugar de Ganderela, tudo do mesmo concelho de Basto, casar na dita casa da Balouta Pequena com o dito Gaspar Carvalho, bisavós do biografado.

A infância e adolescência viveu na povoação natal, frequentando a sua escola, onde adquiriu boa instrução que lhe permitiu bem desempenhar diversas funções ao longo da vida.

Porém, com a morte dos genitores mudou-se para a Bahia em 1708, com a idade de 17 anos, a chamado do tio Baltazar Carvalho da Cunha, de onde foi enviado para o distrito de Parnaguá, a fim de ingressar na carreira militar ao lado de outro distinto parente, o capitão-mor, fazendeiro e familiar do Santo Ofício, Manoel Álvares de Souza, assim como ajudá-lo na administração das fazendas de seus dois indicados familiares.

Desde cedo iniciando-se na carreira militar ao lado desse último parente, mais tarde o substitui no posto de capitão-mor do distrito de Parnaguá, em cujo exercício se demora por largos anos.

No entanto, não tarda a iniciar seu próprio criatório de gado em sítio encostado ao de seus tios, no Riacho Frio, que o recebe em sesmaria alguns anos depois, em 24 de maio de 1729, sendo esta apenas sua legalização porque a posse efetiva a exercia desde cedo.

Seguindo os passos dos dois indicados parentes, em 1728 pleiteou servir de Familiar do Santo Ofício. Todavia, ao contrário daqueles, por conta de uma suspeita sobre a família de uma bisavó passou pelos maiores percalços sendo muito investigado e demorado o seu pleito, a fim de apurar e dissipar ou confirmar as suspeitas. Na oportunidade, ele peticionou dizendo ser morador há muitos anos no sítio do Pernagoá, freguesia de Nossa Senhora do Livramento, que é da Capitania do Pyagohi, distrito do Maranhão, e no sertão que confina com o da Bahia de Todos os Santos. Acrescentou que desejava servir ao retíssimo Tribunal do Santo Ofício, na ocupação de Familiar, pelo que se achava com todos os requisitos e capacidade necessária, assim da pessoa em face da boa idade e ter servido por muitos anos de capitão-mor do dito distrito de Pernagoá com inteira satisfação, como por ser abundante de bens avultados.

Mais tarde, faz novos esclarecimentos confirmando as informações de filiação e naturalidade, dizendo ter vindo para os Estados do Brasil com a idade de 17 para 18 anos, tendo assistido por 23 anos no distrito do Parnaguá, sertão do Maranhão, freguesia de Nossa Senhora do Livramento, onde teve a ocupação de capitão-mor do mesmo distrito do Pernagoá, capitania do Piagohi, donde se recolheu à sua pátria e fazendo petição a Vossa Mercê no ano de 1728, para que fosse servido e admitido no cargo de familiar do Santo Ofício, por se achar com todos os requisitos necessários, e assim de bens com o de pessoa para a dita ocupação, e presume que Vossa Mercê a despacharia. Porém, como se passaram muitos anos sem que até o presente momento se lhe tenha mandado fazer depósito, entra no receio de que por falta de alguma clareza que se exprimisse na primeira petição, de novo declara que (indica os avós e bisavós, dizendo que a bisavó Catharina Carvalho, única ascendente em que pesavam suspeitas de cristã nova, não veio da Casa de Ferram, e sim de Aroza, que nunca houve nem rumor, pois teve a dita bisavó filhos, netos e bisnetos clérigos); e partindo de volta para Parnaguá, ou Pernagoá, como então se chamava, deixa por procuradores Miguel Alves de Carvalho e seu irmão Pe. Antônio Alves Pinto de Carvalho.

Ainda em atenção ao primeiro requerimento apurou o comissário Jerônimo Guedes de Miranda, em Portugal, o seguinte:

“O habilitando Paulo Carvalho da Cunha, por todas as vias, exceto pela avó materna/ a respeito da qual expenderei abaixo o que as testemunhas disseram/ é legítimo e inteiro cristão velho, sem raça de alguma nação infecta, assim ele como seus pais e avós são e foram naturais donde se diz; todos foram lavradores; o habilitando quando se ausentou para o Brasil era solteiro e não lhes ficou filho algum, nem o tem; nem ele nem algum de seus ascendentes foi preso ou penitenciado pelo Santo Ofício, nem incorreram em alguma infâmia pública ou pena vil de feito ou de direito.

‘Testemunhas de Santo André de Molares:

‘Gaspar da Cunha, homem honrado do lugar de Fermil, disse que o habilitando era infamado de cristão novo por via de sua avó materna Catharina Carvalho, e que esta fama era antiga, de que se não sabia raiz nem princípio; mas que não obstante esta fama dos Carvalhos, se estão ordenando de clérigos e frades muitos sujeitos desta família; por que um Lourenço Carvalho pretendera ser Familiar do Santo Ofício, e que o Comissário Alfº de Molares,  (...), lhe fizera bem a desobriga, mas que o não pudera pôr ....; disse também, que como o pai desse Lourenço Carvalho fora carniceiro, poderia ser este o impedimento. Esta testemunha é cristã velha e noticiosa.

‘Torcato da Motta, depôs também que pela dita avó materna tinha fama, de que se não sabia princípio.

‘Manoel da Cunha disse o mesmo, e que era pelos Carvalho da avó materna.

‘O Pe. Luís Cardoso Ozório, irmão do sobredito Alfº de Molares, que com ele escrevera nas inquirições, disse que o habilitando era limpo de sangue, sem fama nem rumor em contrário, e admirando-se eu de que ele assim o dissesse, à vista dela ser fama pública, disse então, que é verdade, disse que é verdade que ele padecia fama pela avó materna, mas que esta era falsa, e que averiguara por muitas inquirições em que escrevera com seu irmão, e que o princípio dela viera de um antecessor desta família dos Carvalhos, que da freguesia de São Clemente viera para a freguesia de Gagos; e que este tivera sangue mole; e perguntando-lhe que era sangue mole, disse que outro antecessor deste que viera para Gagos tinha muitas chagas pelo corpo, de que era cheio de chagas, de que morrera; e que os fregueses de São Clemente o tornaram a desenterrar, dizendo que não queriam que aquele mal sangue se apegasse aos seus defuntos; e que neste caso recorreram a Braga para o tornarem a enterrar com ordem que de lá viera; e que disso se lhe originara a dita fama; disso se ouviu muitas testemunhas, e a mim me parece honesta.

‘O Pe. Fr. André do Rego, religioso de São Domingos, natural e quase sempre morador naquelas vizinhanças, com uma irmã donzela, a que assiste; disse que esses Carvalhos sempre tiveram fama, mas que não obstante ela se ordenaram muitos clérigos, e que em Lisboa estavam dois religiosos paulistas desta família. E que havia um cavaleiro da Ordem de Cristo; e também falou no sangue mole, mas por graça; e disse mais que falando em uma ocasião com um clérigo, admirando-se a ele, de que à vista desta fama se ordenasse, e se fizesse frade todos os que pretendiam; ele lhe respondeu, que não podiam deixar de fazer com as inquirições, pois estava tão espalhada esta família por todas aquelas freguesias, que poucas testemunhas se achariam que não fossem parentes, ou parentes dos parentes, o que comprova com todas as  baixo numeradas, que todas disseram que não tinha fama nem rumor, e é normal que todas sabiam dela, especialmente as da freguesia de São Tiago de Gagos, donde a bisavó materna/ que é a em que está toda a dúvida/ foi natural.

‘Mais testemunhas da freguesia de Molares.

‘Gaspar Carvalho, do lugar de Santo Antônio.

‘Gaspar Teixeira do Combro, Damião Carvalho, estas disseram que era limpo, sem fama nem rumor, e disseram que não eram parentas, mas eu suponho que o são.

‘Testemunhas da freguesia de Santiago de Gagos.

‘Ignácio Machado de Andrade, Antônia da Cunha viúva de Lucas Teixeira, Manoel Coelho, Antônio da Costa, Lourenço Carvalho, Senhorinha da Silva, Pe. Luís Vieira de Andrade vigário de Gagos e natural da mesma freguesia, todas estas disseram que o habilitando era de limpo sangue, sem fama nem rumor em contrário.

‘Testemunhas da freguesia de São Miguel de Caçarilhe.

‘Domingos Gonçalves, Francisco Gonçalves, Antônio da Silva, não achei mais que me desse notícia da avó paterna, mas todas disseram que por esta parte era o habilitando limpo. Amarante, de julho 28 de 1729.

‘Gastei nesta informação só um dia, por fazer juntamente outra desobriga.

‘O comissário Jerônimo Guedes de Miranda”.

Portanto, vê-se que essa fama daquela avó materna era injusta e advinda de preconceitos pelas doenças de pele de um colateral.

Porém, depois foram ouvidas as testemunhas do sertão de Parnaguá, freguesia de São Francisco da Barra do Rio Grande do Sul, Bispado de  Pernambuco, para saber se o capitão-mor Paulo Carvalho da Cunha, era pessoa de bons procedimentos, gênio e costumes, e capaz de ser encarregada em negócios de importância e segredo, como o são os do Santo Ofício; e se vive limpa e abastadamente, e que cabedal terá o seu; se sabe ler e escrever e que idade representa ter; se é solteiro, casado ou viúvo de que lhe ficassem filhos, ou se tem alguns ilegítimos; e outra, se o habilitando ou algum dos seus ascendentes foi preso ou penitenciado pelo Santo Ofício, ou incorreu em alguma infâmia pública ou pena vil de feito ou de direito.

No dia 1º de dezembro de 1729, na povoação e freguesia de São Francisco da Barra do Rio Grande do Sul, em pousada do Reverendo vigário geral o licenciado Luiz Sirqueira Barboza, o dito vigário geral, em face das determinações recebidas, tomou o depoimento das seguintes testemunhas:

1.     Antonio Alves de Carvalho, natural da freguesia de São Martinho do Vale de Bouro, concelho de Celerico de Basto, arcebispado de Braga, homem casado, assistente de partido na fazenda da Sambaíba, deste dita freguesia, de idade que disse ser de 55 anos, pouco mais ou menos, sob perguntas disse: que o dito capitão mor tem assistido tanto nos sertões de Pernaguá, donde é morador, como nas mais partes de onde habitam, se tem havido como é público e notório com grave procedimento, vida e costumes, e acha ele testemunha pelo seu bom modo e capacidade ser capaz de se lhe encarregar qualquer matéria de negócio, importância e segredo, e também sabia que se tratava bem com todo o asseio e modéstia, e tinha uma fazenda de gado sua própria no dito sertão do Pernaguá, que valerá quinze mil cruzados, fora manejo de seu negócio; e também era muito bom escrivão e que poderá ter de idade, pouco mais ou menos quarenta anos; que nunca ouviu dizer que o dito fosse casado, nem viúvo, ou tivesse filhos ainda que ilegítimos; nunca foi preso nem penitenciado pelo Santo Ofício, nem pessoa alguma de sua geração; antes sabia ter sido seu tio o capitão mor Baltazar Carvalho da Cunha, já defunto, familiar do santo Ofício; e também é público e notório que nunca incorreu em nenhuma infâmia pública, nem pena vil de feito ou de direito”.

2.     Pedro Gonçalves Santiago, natural da freguesia de Santiago de Poyar, concelho de Barcelos, arcebispado de Braga, solteiro, assistente nesta freguesia de São Francisco da Barra do Rio Grande do sul, o qual trata de seu negócio, disse ser de 35 a mais, pouco mais ou menos; disse que o pretendente devia ter cerca de trinta e cinco anos de idade para cima e fazenda devia valer para mais de doze mil cruzados;

3.     João Ribeiro Guimarães, natural de Guimarães, freguesia de São Miguel de Paraíso, arcebispado de Braga, solteiro, assistente no sertão de Pernaguá/ que vive de seu negócio/ freguesia de São Francisco da Barra do Rio Grande do Sul, de 40 anos de idade, pouco mais ou menos; disse que a fazenda e demais bens do pretendendo estavam avaliados em vinte mil cruzados; era bom escrivão e contador, e poderia ter a idade de trinta e oito anos, pouco mais ou menos;

4.     Luiz de Araújo Teixeira, natural da freguesia de Santiago de Gagos, arcebispado de Braga, solteiro, assistente na povoação da Barra do Rio Grande do Sul, o qual vive de seu negócio, de idade que disse ser de 35 anos, pouco mais ou menos; disse que o pretendendo tinha cerca de 40 anos de idade, e seu bens entre fazenda e outros valeriam vinte mil cruzados;

5.     Jorge Pereira de Lacerda, natural da Ilha do Faial, freguesia de Castelo Branco, Bispado da Ilha terceira, solteiro, assistente nesta freguesia da Barra do rio Grande do sul, que vive de seus gados, de idade que disse ser de 70 anos, pouco mais ou menos; disse que os bens do pretendente, entre a fazenda de gado no sertão e Pernaguá e outros mais deveriam valer entre dezesseis mil e vinte mil cruzados, e que a idade deste era em torno de 40 anos, pouco mais ou menos.

  
E dessa forma, foi concluída a longa investigação sendo declarada falsa a fama da avó materna e sendo, assim, reconhecido como cristão velho por todos os ramos ancestrais. Faleceu o nosso biografado rico e feliz na freguesia de Nossa Senhora do Livramento de Parnaguá, administrando seu rebanho em meio a imensa parentela que com ele veio de Celerico de Basto e aos mais jovens que iam nascendo no território onde mais tarde seria fundada a vila de Parnaguá, hoje cidade de mesmo nome, no extremo-sul do Piauí.
   

 * REGINALDO MIRANDA, autor do presente ensaio biográfico, é membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí e conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/PI.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ALOCUÇÃO PRONUNCIADA NA ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOLOGIA


ALOCUÇÃO PRONUNCIADA NA ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOLOGIA

 Cunha e Silva Filho

          Hoje, às 14:00h, numa tarde meio chuvosa, na Academia  Brasileira de Filologia, situada  numa das dependências da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ),  fui empossado na cadeira nº  30, antes ocupada pela Professora Doutora Maria Antonia da Costa Lobo, cadeira cujo  Patrono é o  Professor Candido Jucá,  e que tem  como  antecessores  os  eminentes professores Candido Jucá (filho) e Jayr Vasconcellos Calhau.
       A ABRAFIL, como é abreviadamente  conhecida, é   uma das mais  importantes  instituições  culturais  a serviço  dos estudos  e pesquisas  de Filologia,   Linguística e Língua Portuguesa do país  e foi fundada em 26 de agosto de 1940, numa reunião composta por 30  estudiosos da língua  portuguesa. Esse primeiro encontro naquele  já distante ano aconteceu numa das salas do Colégio Militar do Rio de Janeiro.
       Atualmente,   consoante ocorre com outras academias, a ABRAFIL  se constitui de  40 membros efetivos  e vitalícios  com seus correspondentes  Patronos. Ademais,  ela mantém  um Quadro Especial de Membros  Honorários, os quais, antes,  já  haviam a ela  pertencido como membros efetivos e vitalícios
     Na composição da mesa estavam presentes  o Professor Doutor Amós Coelho  da Silva (Presidente da ABRAFIL) e o Professor Doutor Manoel P. Ribeiro, a quem coube dirigir a sessão. Segue abaixo o meu texto:
  
Estimados acadêmicos:
  
      Antes de tudo, quero  de coração agradecer  aos ilustres confrades  e confreiras   da Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL) que me honraram, no escrutínio,  com a escolha do meu nome a fim de  que  pudesse  ser o sucessor da cadeira nº 30 que tinha como  ocupante a distinta  Professora Doutora Maria  Antonia  da Costa Lobo, prematuramente   falecida, porquanto ainda  tinha muito  o que dar de si como estudiosa das questões de linguística e de filologia  portuguesa. Além do pesar por sua repentina ausência do nosso convívio,  a estudiosa era minha amiga  de muitos anos.
      Ao adolescente do final dos anos 1950 e princípios dos anos 1960,   jamais passaria a ideia de que,  um dia,  seria galardoado com o privilégio   de ser membro da Academia  Brasileira de  Filologia. Naquele  dia em  que li, num  capítulo do compêndio de Língua e Portuguesa de Modesto de Abreu em coautoria com Enéas Martins de Barros, destinado as cursos científico  e clássico, informações  sobre a fundação da Academia Brasileira  de Filologia, sobre seus objetivos   culturais voltados  para os estudos de  língua  portuguesa e de filologia, reparava atentamente nos  nomes dos  patronos e membros ocupantes,  então,  das  quarenta cadeiras (inclusive de um dos autores  daquele mencionado compêndio  didático, Modesto de Abreu, de quem li  algumas obras  importantes.
      É claro que, em conversa com meu pai,  ele costumava falar-me de nossos  grandes  filólogos  e gramáticos  bem antigos, como, entre outros,  Mário Barreto, Carlos Góis, Eduardo Carlos Pereira,  Otoniel  Motta,  Laudelino Freire, Carlos de Laet,  Rui Barbosa, Ernesto Carneiro Ribeiro, Said Ali, Antenor Nascentes, João Ribeiro, algumas obras dos quais  ele possuía em sua  biblioteca, em Teresina.
    Ora, sempre  tive em casa  a presença de obras filológicas, gramáticas normativas,  gramáticas históricas, de sorte que o adolescente  ia-se  familiarizando  com  elas, assim como  com a saudável  mania de ler dicionários  de línguas, como  os de português,  latim,  inglês,  francês. Por isso mesmo,  é que,  vindo para o Rio de Janeiro estudar medicina,  logo  me afastei dessa ideia  e resolvi   cursar Letras na  famosa Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Desse fascínio não mais me afastei e faria tudo de novo se me perguntassem  hoje. Parte dessa passagem de  minha vida  narro  no meu livro de memórias, de título Apenas memórias ( Rio de Janeiro: Quártica, 2016).
   Não tive  tempo para  pesquisar  sobre o patrono  da cadeira nº 30,  o acadêmico Candido Jucá. No entanto,  cheguei a conhecer pessoalmente o filho dele, Candido Jucá (filho), douto  estudioso  de língua e literatura  portuguesa, autor de valiosos livros didáticos  e de estudos  fundamentais  no campo  filológico,  alguns deles  lidos  por mim. Conheci-o  uma vez, à noite,   quando fui, na companhia de outros jovens  estudantes secundários,  pela primeira vez,  assistir a uma conferência,  antes mesmo de ser estudante universitário,  na Academia Brasileira de Letras. A conferência versava sobre   o capítulo 63, do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis.
        Naquele mesmo  local,  tive o prazer de conhecer, além do  citado professor Modesto  de Abreu, já cego, uma  pessoa  simpática e educada, que estava acompanhada de um  familiar, o gramático e filólogo Arthur de Almeida Torres, igualmente bem receptivo à mocidade e o historiador  e grande orador  Pedro Calmon, membro  do Petit Trianon. Este último,  pessoa  polida e de  trato  agradável, olhando para nós, falou-nos  com entusiasmo: “Esta é  a geração  futura.”   
        Do  segundo ocupante da cadeira nº 30, o filólogo Jayr Vasconcelos Calhau,  em síntese, diria que foi  um  estudioso  da língua  portuguesa, do latim, cuja obra talvez mais destacada, segundo o professor Horácio Rolim, foi um estudo sobre o eminente  filólogo  Clóvis Monteiro, intitulado Clóvis monteiro e a filologia portuguesa (1974), com o qual obteve o grau de Doutor e Livre Docente pela PUC do Rio Grande do Sul.
      A terceira ocupante da cadeira nº 30 foi a Professora  Doutora Maria Antonia da Costa Lobo. Após  concluir seu  curso de licenciatura em  Português-Literatura nas Universidade Gama Filho e na  Sociedade Universitária Augusto Mota (SUAM) e em Francês pela Universidade de Nancy e complementação na Universidade Santa Úrsula,  a Professora Maria Antonia não se deu por  satisfeita. Almejava  muito mais.  Incentivada  por professores, como, entre outros,  o Dr, Walter Verga e pelo Professor Dr.  Antonio Hauila e principalmente a Professora Maria  Aparecida Lino Pauliokonis e Luis Marques de Sousa,  que nela perceberam   forte potencial  para avançar  no campo do magistério  superior de Letras. Maria Antonia  matriculou-se no curso de Atualização, em 1987,  da Faculdade de Letras da  UFRJ. Posteriormente,  fez o curso de Mestrado e Doutorado pela mesma  Universidade; no Mestrado,  defendeu a Dissertação  sob o título Meios e instrumentos de transporte: uma abordagem onomasiológica e, no  Doutorado,  defendeu, no ano  de 1997, Tese  nas áreas de Linguística e Filologia Românica sob o título Chão de ferro: a gênese textual de uma obra de Pedro Nava, numa abordagem de crítica genética.
Nesse estudo recebeu  nota  “Excelente.”
     A Dra. Maria Antonia lecionou  na rede municipal  do Rio de Janeiro, na Universidade Estadual  do Rio de Janeiro (UERJ), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na  Universidade   Castelo Branco (UCB), da qual foi, durante um período,  Coordenadora  do Curso  Letras. Foi nessa função que, pela primeira vez e graças ao seu  dinamismo  e profícuo trabalho de Coordenação, que conseguiu, decerto com o apoio do então Diretor  do Centro de Ciências Humanas, Professor  Reinério Luiz Moreira Simões, ver realizada a publicação de uma  revista  semestral do Curso de Letras, com o sugestivo título Itinerarium, que, pela qualidade  e alto nível de seus  textos,  prometia  ter  outras edições. Ao que eu saiba, só tenho notícia  do 1º número de estreia, Ano, jul/dez. de 1999.
     Maria Antonia, a par de inúmeros artigos,  comunicações  de congressos nas áreas de Linguística,  Filologia   e Língua Portuguesa,  nos legou  trabalhos  como Conservatória, uma topônimo na unicidade, As relações sintáticas, semânticas e pragmáticas: uma aplicação (edição do autor, 1993, 51 p.), Discurso: um problema de busca, seleção, ordenamento, arranjo e intenção (Itinerarium, op. cit., p. 46-47.Riode Janeiro. Faculdade de Letras,  Universidade Castelo Branco).
      A Professora Maria Antonia, segundo me informou,  estava há algum    tempo escrevendo um ensaio sobre a linguagem do compositor Noel Rosa. Entretanto,  sem haver lido grande  parte da obra por ela deixada,   e me apoiando na leitura de sua citada  obra, As relações sintáticas, semânticas e pragmáticas: uma aplicação, é  possível  tirar uma  ilação: seu interesse de filóloga seguramente a levava  também aos estudos linguísticos.         
     Por conta disso,  igualmente,  sua grande acuidade e mente  especulativa a meu ver,  por força haveria, como complemento de sua formação  intelectual, de direcioná-la  aos modernos estudos de linguística   textual,  análise do discurso, gramática textual,  tanto quanto  outros colegas   que enveredavam por esses domínios  dos estudos  da linguagem, muito deles até provenientes da área de literatura.
     Espírito  afinado com um pensamento  lógico, para as minúcias   do desvelamento    da compreensão e análise  do discurso não só  o de viés  referencial, do âmbito da  propaganda,  da publicidade, da mídia escrita,  quer dizer, , tanto quanto o da linguagem   técnica, donde se pode entender  sua atividade  de tradutora técnica exercida durante  bom tempo.
    Tenho informação de que  Maria Antonia  foi muito firme ao lutar  pela  autonomia dos estudos filológicos, os quais não  considerava  que poderiam ser  subordinados  aos estudos  linguísticos. Não concordava, no tocante  às divisões de áreas no curriculum de Letras, que a filologia  se tornasse uma sub-área dos  estudos  linguísticos, os quais  tomaram  vulto  desde o surgimento  do estruturalismo  no país na década de  1970.   Por esses e outros argumentos  não arredou  pé  da grande  prevalência que  dava à filologia românica, por exemplo.  
    Isso  já é suficiente para que  essa estudiosa,  tão amiga dos dicionários,  seja reverenciada   pelos seus pares   da Academia Brasileira de Filologia,  instituição científico-cultural  que soube  dignificar e da qual  fora  admiradora  até ao último instante  de sua   produtiva   vida.
  Chego a esta gloriosa  instituição com  um experiência não de um   filólogo,  linguista ou gramático,  stricto sensu, mas de um crítico literário, ensaísta,  articulista cronista e tradutor não profissional. Por outro lado,  a meu favor e talvez por uma dessas boas  coincidências,  tanto no meu Mestrado quanto no meu Doutorado, não descurei da pesquisa  filológica e da linguagem literária, pois no primeiro  destinei um capítulo  inteiro a comentar a origem da palavra “saudade, me valendo sobretudo da  filóloga Carolina Michaelis  e do  filólogo alemão  Karl  Vossler, a par de autores  galegos. Isso para  analisar  o lexema  “saudade” na poesia  de Da Costa e Silva (1885-1950), o famoso poeta  piauiense, autor  do  conhecido  soneto  “Saudade,” que se encontra na obra “Sangue;” no segundo  curso, desenvolvo todo um  capítulo para abordar  a linguagem  criativa   no contista  paulista-carioca,  João Antônio (1937-1996), numa tese   na qual  estudo  o conceito de “malandro” em quatro  importantes contos  do autor.

    Muito mais, meus confrades e confreiras poderia avançar nas minhas preocupações com assuntos  da Língua Portuguesa. No entanto, só desejo, finalmente, expressar o meu contentamento em pertencer a uma instituição nacional de alto porte intelectual, que é a Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL). Espero estar à altura para tão elevado encargo e compromisso no campo do saber humano. Muito grato mesmo.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Discurso de posse de Itamar Abreu Costa na ACALE


Campo Maior 30 de setembro de 2017

Sr Presidente João Alves Filho

Senhores Acadêmicos Da ACALE

Obrigado a todos por terem escolhido meu nome para ocupar a cadeira 27, que tem como patrono: José Olímpio da Paz e como primeiro ocupante Marcos Teodorico de Carvalho.

Meus familiares, amigos, demais acadêmicos.

Meus Senhores e minhas senhoras

Por volta de 385 a.C, o herói ático ACADEMO serviu de inspiração para  que PLATÃO iniciasse a tradição acadêmica. O grande filosofo reunias jovens  e amigos de todas as origens,  tendências  e culturas filosóficas, religiosas, ciências exatas e ciências naturais, e, principalmente, ideias para o desenvolvimento da Grécia.

O jardim de ACADEMIA era um bosque sagrado, no qual seu criador foi sepultado com todas as reverências do herói que mostrou aos irmãos de Helena de Troia, o local onde Teseu a havia escondido, depois de raptá-la.

Nas proximidades do túmulo rodeado por 12 árvores de oliveira, foi construído um altar dedicado à deusa ATENA. Nesse local, Platão fundou a primeira célula acadêmica do mundo, onde costumava conferenciar com seus discípulos.

A  ou Academia Antiga Academia de Platão ou academia Platônica ficou conhecida como Academia de Atenas.

Dai o termo platônico passou a ser sinônimo de sonhador, aquele que se entrega a construir sonhos impossíveis.

A Academia de Platão nunca foi uma Utopia. Tinha Biblioteca, um belo jardim circundando uma belíssima casas e ficou conhecida como a primeira Universidade da Europa.

Este modelo durou 90 anos, o mais notável aluno foi Aristóteles.

Academia Francesa, foi criada no modelo da anterior, cuja unidade administrativa, com a mesma estrutura  do sistema educacional Francês

No principio por volta  de 1620, 1630, a ACADEMIA era composta por um grupo informal que se reunia para discutir literatura em Paris. E o Cardeal Richelieu(1585-1624)governava a academia e trouxe para ela um grupo de notáveis intelectuais da França.

Com o falecimento de Richelieu em 1642, a Academia Francesa adotou o rei da França como Protetor ou Patrono.

Brasil:

ANM(1829)

ABL(1896)

APL(31 de dezembro de 1917)

APAL(

ALVAL(23 de setembro de 1978- set 1984)

Academia de Medicina do Piauí

ACALE

ALLCHE(12 de dez 2009)

São 40 membros sempre com um patrono para cada cadeira.

"IMORTAIS" denominação inspirada no selo oficial da corporação ofertada a Richelieu, que trazia a inscrição"para a imortalidade"

Em 22 de fevereiro de  1635 Luis XIII, concede Carta Real à ACADEMIA FRANCESA, tornando-a legítima.

2-Campo Maior

O que já sabia de Campo Maior

Coronel Chico Alves

Macumbeiro Flor Grilo

Casa Inglesa

Casa Marc Jacob

Banco do Brasil

Casa da Mãita/Maria José e Nazareth

Honestilio/Sr Agenor Melo

3-Quado viajei de Campo Maior para Teresina doente de ônibus

4-Futebol de Campo Maior: CACO:Beros, Anduiá, Cabrinha

Ditoso(também era corredor)

5-Depois de  Médico:-Dom Abel, Pingo Mamede e seus familiares, familia Andrade desde Vicente até Raimundinho. João Canuto. familia Soares, Carvalho, familia Bona (destaque para Enoi Correa Bona) Familia de Maria Gomes de Ara ujo Leitão, João Agustinho etc

6-Colegas Médicos: Cesar Melo, Rabelo, Paulo Henrique, Paulo Prudêncio, Valdeci, Everardo, Domingos José, Paz, agora já sou responsável pela formação em cardiologia do Thiago Paz, Liege, etc

7-Alval: João Alves, Elmar, Lizete, Ernani Napoleão etc

ACALE

Primeiros passos:

Almanaque de Campo Maior???

Foi criada em 26 de novembro de 2003, fazem portanto 14 anos, pelas ideias

maravilhosas de Edílson da Costa Araujo e Antonio Araujo Loiola(foi o seu primeiro presidente).

Reunião em 09 de setembro de 2003 , presentes:

Moacir Ximenes, Cardosinho, Omar etc

Foi criado o estatuto em 13 de março de  2004

Denominada A.C.A.L.E em 13 de outubro de 2005

Foi instalada em 13 de março de 2006

O crescimento da ACALE acontece a olhos vistos: sede, convênios, livros, obras sociais, mídia imprensa, participações nas principais atividades culturais em Campo Maior, podemos citar os bustos do vaqueiro e do roceiro, a empolgação dos membros da Academia e orgulho de fazerem parte da instituição.

Sr Presidente João Alves Filho, colegas médicos: Domingos e ....

Patrono

José Olímpio da Paz, nasceu em 4 de setembro de 1912

Faleceu em 14 de março de 1977.

Tabelião do segundo ofício da Comarca de Campo Maior

Funcionário Público,

Presidente do Sindicato dos trabalhadores Rurais de Campo Maior

Presidente do Centro Operário Campomaiorense

Prefeito de Campo Maior em  duas legislatura:

1959-1963 e 1977 -1982, faleceu durante o mandato, sendo substituído por Mamede Lima.

Literato:Cooperava com o Almanaque da Parnaíba:que agora em 2017 lançou a sua septuagésima edição

Foi homenageado ao ser edificado um Busto na Praça da Prefeitura

Na política era respeitado"deixado os ricos mais pobres e  menos poderosos e os pobres menos sofredores"

"Um homem justo e caridoso" Cunha Neto

"Deixou uma boa soma em dinheiro nos cofres da Prefeitura ao término do  o seu mandato"

Pai do amigo recém-falecido em Fortaleza: José Olímpio da Paz Fiho e da Sra Maria Áurea (que fora casada com o Sr  Marcos Teodorico de Vasconcelos)

Primeiro Ocupante:

Marcos Teodorico de Vasconcelos

Nasceu em..1933 em  Campo Maior

Faleceu....2016 em Fortaleza

Funcionário do Banco do Brasil/Rio de Janeiro, Brasilia e Fortaleza

Casado com a Sra Maria Áurea e tiveram 3 filhos: todos bancários.

Uma filha deixou o BB e trabalha na Câmara de Deputado em Brasilia

Neto da CEF. Todos os irmãos Bancários(Benedito, José Brasil, Pádua)

Fez parte da turma de 1950 do famoso Ginásio Santo Antônio , junto com inúmeros Campomaiorenses de Escol , Raimundinho Andrade, Ângelo Matos, Ferdinad Portela Ibiapina e foi aluno dentre outros do Monsenhor Mateus Cortez Rufino.,Dácio Bona, Raul santos, Lina Bona, João Cavalcante, José Cordeiro de Melo.

Livro "RAÍZES DE PEDRA", lançado em 2006

Minha vida acadêmica; graças ao incentivo do amigo João Alves e depois a uma crítica maldosa que me despertou>>>>>.

Acadis, Allche, Alval, Acapp, Acipi, Falresc, Trova, Academia de Medicina do Piauí, ABRAMES. IHGAL e IHGBL
  
Minha trajetória

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce" Fernando Pessoa

Frases:

"A arte existe porque a vida não basta" Ferreira Gular
  
Depois falei do Livro"Raízes de Pedra"

Ainda falei : "A mitologia Grega e a origem das Academias"

Finalmente: Recitei a poesia "Serra de Santo Antonio”

domingo, 1 de outubro de 2017

Itamar Abreu Costa toma posse na Academia de Letras de Campo Maior.



O médico cardiologista e escritor José Itamar Abreu Costa tomou posse no sábado, 30 de setembro, como novo membro da Academia Campomaiorense de Artes e Letras, ocupando a cadeira 27 que tem como patrono José Olímpio da Paz e teve como primeiro ocupante Marcos Vasconcelos. A solenidade de recepção se deu na manhã do sábado dia 30 de setembro no bufê Tutto Belo.

A cerimônia foi presidida pelo escritor João Alves Filho e teve a presença de autoridades de Campo Maior, Alto Longá e de Teresina, empresários, jornalistas, escritores, professores e representações de entidades culturais de cidades da região norte do Piauí. A Academia Parnaibana de Letras foi representada pelo seu presidente José Luiz de Carvalho e o bibliotecário, escritor Antonio de Pádua Marques Silva.

Na ocasião o presidente José Luiz de Carvalho leu carta do prefeito de Parnaíba e membro da Academia Parnaibana de Letras, Francisco de Assis Moraes Souza, o Mão Santa, cumprimentando o novo acadêmico campomaiorense e o convidando a receber a Medalha o Mérito Municipal de Parnaíba em data a ser decidida entre as partes.

A Orquestra Sanfônica Seu Dominguinhos, da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, de Teresina, convidada especial, executou várias peças de Luiz Gonzaga e de seu próprio repertório. Ao final foi servido almoço aos convidados. José Itamar Abreu Costa, nascido em Alto Longá, foi eleito por maioria absoluta no dia 03 de agosto deste ano com dezessete votos.  

Fonte: APAL. Fotos: APM Notícias. Edição: APM Notícias.   

Seleta Piauiense - Antônio Chaves


A vida

Antônio Chaves (1883 - 1938)

Dizem que a vida é um favo bem pequeno
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.

A vida é triste, minha amiga!  A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.

Goza-a, crendo no amor!  E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.

Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor?  Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.