domingo, 25 de outubro de 2026

FLAGRANTES DE BELÉM

 


FLAGRANTES DE BELÉM


Elmar Carvalho

 

              (Reconstituição minimal de um poema perdido, de meados dos anos 1980.)

 

No lusco-fusco da chuva

intermitente de Belém

um guarda impaciente

envolto na capa e na solidão

aguarda um outro

guarda que não vem

para o ato de rendição.

 

Um impudente

fauno de pedra de pé mijava.

Uma imprudente

ninfa de cócoras

o cântaro emborcava:

água na água

chuva chovendo no molhado.

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