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| Imagem elaborada pela IA GPT |
PAULICEIA
Elmar Carvalho
Do apartamento
assistia sitiado
a antipanaceia
destrambelhada
da Pauliceia Desvairada
escaramuçando e rugindo
lá em cima
lá embaixo
para todos os lados,
pela boca fumarenta
fedorenta
das chaminés e dos
canos de descarga,
pela boca nojenta
gosmenta dos esgotos
que escarram e vomitam
no Tietê,
pela boca de morte
das sereias angustiadas
que gritavam,
pela boca fedida
da namorada que
brigava,
pela boca ferida
do namorado que
revidava,
pelos braços apressados
que bracejavam
elétricos,
pelos passos ansiosos
que esperneavam frenéticos
no dinamismo maluco
da vida fremente
premente
que me assustava e
angustiava
fechado e fugitivo
no apartormento.


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