sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Casa do Desterro

Foto meramente ilustrativa

Casa do Desterro


Valdemir Miranda de Castro

Ao prezado amigo, poeta inspirado, Elmar Carvalho, como prova da mais distinta consideração.

A origem da família MELO, no norte do Piauí, deve-se a figura de Onofre José de Melo, casado com Cecília Maria das Virgens, que proveniente de Pernambuco, foram os fundadores da Casa do Desterro na Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca. Do casal descendem os Melo de Piracuruca, Piripiri, Batalha, Barras e Campo Maior.
A Freguesia de Piracuruca, foi a terceira a ser fundada no território do Piauí, ainda sob jurisdição eclesiástica do Bispado de Pernambuco, possuía várias casas-grandes de Fazendas dos primeiros ocupantes de seu vasto território, que se estendida do vale do Longá ao litoral e até a costa leste do Maranhão.
A professora Judith Santana em seu trabalho “O Padre Freitas de Piriripi”, enumera que o território da freguesia possuía várias casas-grandes, que faziam a política da boa vizinhança, entrelaçavam-se por uniões matrimoniais entre seus descendentes (SANTANA, s.d., p. 28). Entre as fazendas citadas ressaltem-se a Gameleira, fundada por Francisco José do Rego Castelo Branco e Auta Inês de Castro, - a Casa das Lages, de Bernardo José do Rego e Cândida Rosa Castelo Branco, - a Casa do Desterro, de Onofre José de Melo e Cecília Maria das Virgens, e a Casa do Curral de Pedras, de Simplício Coelho de Resende.
I- Onofre José de Melo foi casado com Cecília Maria das Virgens, pernambucanos de origem, ela filha de um Padre Ponte, o casal foi pais de:
II-1 José Florindo de Melo
II-2 Gracinda Rosa de Melo
II-3 Carlota Rosa de Melo
II-4 Antônio Luís de Melo
II-5 Antonino José de Melo
II-6 Luís Antônio de Melo
II-7 Higina Rosa de Melo

II-2 GERACINDA ROSA DE MELO, casou-se com Diógenes Benício de Melo, foram os fundadores da Casa da Caiçara, foram pais de:

III-1 Filomena Rosa de Melo
III-2 Avelina Maria de Melo
III-3 Inácia Maria de Melo
III-4 Cecília Maria de Melo
III-5 Idalina Rosa de Melo
III-6 Onofre José de Melo
III-7 Prestetato José de Melo
III-8 Diógenes Benício de Melo

III-5 IDALINA ROSA DE MELO nascida e falecida no Termo de Batalha, Freguesia de Piracuruca. Casou-se com SALVADOR QUARESMA DOURADO DE MELO, nascido em Piracuruca e falecido em Batalha. Capitão da Guarda Nacional no Termo de Batalha. Pais de:

IV-1 Pussina Rosa de Melo
IV-2 Carmina Quaresma de Melo
IV-3 Luís Quaresma de Melo
IV-4 Altino Quaresma de Melo
IV-5 Conrado Quaresma de Melo
IV-6 Matias Quaresma de Melo
IV-7 Salvador Quaresma de Melo

IV-1 PUSSINA ROSA DE MELO, nasceu em 1886 e faleceu no Termo de Batalha. Casou-se com JOAQUIM JOSÉ DE MELO, nasceu em 1886, em Barras. Filho de Prestetato José de Melo e de Georgina Quaresma de Melo.

IV-2 CARMINA QUARESMA DE MELO, n. 20.02.1889, em Batalha.

IV-5 CONRADO QUARESMA DE MELO, nasceu em Batalha e faleceu a 03.03.1952, em Batalha. Chegou à vila de Boa Esperança nos primeiros dias de sua criação, tendo servido a nosso município pelo espaço de mais de tinta anos, tanto como político de destaque, como também na qualidade de funcionário do Departamento Nacional dos Correios de Telégrafos. Depois de aposentado, por motivo de saúde, voltou à sua terra natal, deixando entre nós um grande lastro de sólidas amizades (A. SAMPAIO, 1965, p. 88). Casou-se com INÁCIA DE ALENCAR MELO. Pais de:

V-1 Maria do Perpétuo Socorro Melo
V-2 Avelino Melo
V-3 Idalina Melo
V-4 Alice Melo

VI-1 MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO MELO, nome de solteira, MARIA DE ALENCAR MELO, nome de casada, nasceu a 10.01.1916, no lugar Palmeira, Município de Esperantina e faleceu a 16.07.1986, em Teresina. Casou-se a com CLÓVIS DE CASTRO MELO [primeiro do nome], nasceu a 31.12.1901, em Batalha, e faleceu a 22.10.1991, em Teresina. Filho de Messias de Andrade Melo e de Ana de Castro Melo.

VI-1 AVELINO MELO, nasceu a 02.01.1908 e faleceu a 03.10.197. Casou-se com GERACINA OLÍMPIO DE MELO, nascido a 22.08.1913 e faleceu a 03.11.1979. Pais de:

VII-1 José Olímpio de Melo
VII-2 Messias Melo
VII-3 Conrado Melo Neto
VII-4 Ana Inácia Melo

IV-6 MATIAS QUARESMA DE MELO, nasceu a 29.10.1891 e faleceu a 03.03.1963, em Batalha. Casou-se com SATURNINA BRAGA DE MELO nasceu a 22.03.1928 e faleceu a 14.04.1998. Pais de:

V-1 Maria de Fátima Braga de Melo, nascido em 22.04.1954 e falecido em 27.11.1957 s.s.g.

IV-7 SALVADOR QUARESMA DE MELO, nascido em 05.06.1892; falecido em 04.01.1962, em Batalha. Casou-se com MAROQUINHA MELO nasceu a 21.04.1905 e faleceu a 25.04.1992.

II-7 HIGINA ROSA DE MELO, casou-se MIGUEL QUARESMA DOURADO, nascido em 1817, em Portugal. Constava da lista dos eleitores de Piracuruca, no ano de 1848, com 31 anos. Pais de:
II-1 Salvador Quaresma Dourado de Melo
II-2 Georgina Quaresma de Melo

II-1 SALVADOR QUARESMA DOURADO DE MELO,  [Ver nº III-5 IDALINA].

II- 2 GEORGINA QUARESMA DE MELO, nascido no Termo de Batalha; falecido no Termo de Batalha, Freguesia de Piracuruca. Moradora do lugar Águas Livres, Batalha. Casou-se com PRESTETATO JOSÉ DE MELO nascido em Batalha e falecido no termo de Barras. Residente no lugar “A mais tempo”, Barras. Pais de:

III-1 Joaquim José de Melo

III-1 JOAQUIM JOSÉ DE MELO, nasceu 1886; faleceu no Termo de Batalha. Casou-se, a 08.01.1907, aos 21 anos, no Sítio Águas Livres, Batalha, com PUSSINA ROSA DE MELO nascida em 1886 e falecida em Batalha. Filha do capitão Salvador Quaresma Dourado de Melo e de Idalina Rosa de Melo. Foram testemunhas: o Capitão José Francisco de Melo e Diógenes Olímpio de Melo.

II-ANTÔNIO LUÍS DE MELO, casado que foi com Francisca Sinharia da Silva. Pais de:

III-1 Diógenes José de Melo

LUÍS ANTÓNIO DE MELO, casou-se em segundas núpcias com HIGINA ROSA DE MENESES, foram pais de:

III-3 Horácio Luís de Melo

III-1 DIÓGENES JOSÉ DE MELO, nasceu a 25.01.1853, em Piracuruca, e faleceu a 22.11.1902, em Batalha, ambos sepultados no cemitério de São Gonçalo da Batalha. Alferes do Batalhão de Guarda Nacional de Infantaria do Município de Batalha, promovido a tenente, em 12.01.1878, depois capitão da Guarda Nacional (PIRES FERREIRA, 1992, V.2 p. 88-89). Tenente coronel do 4º Batalhão de Infantaria de Batalha, em 1902. Conselheiro a Câmara Municipal de Batalha, legislaturas 1872-1876, 1892-1896, 1896-1900 e 1900-1904, tendo falecido no exercício do cargo, em 1902, assumindo seu lugar na câmara Amaro José Machado. Proprietário da Fazenda Cachoeira, agricultor e criador. Fundador da Fazenda Malhado do Meio, no atual município de Esperantina, que foi herdada por sua filha Matilde de Castro Melo, primeira esposa do cel. Manoel Lages Rebêlo. Casou-se com UMBELINA INÊS DE CASTRO, nome de solteira, Umbelina de Castro Melo, nome de casada, nasceu a 05.04.1852, no termo de Batalha foi batizada a 02.12.1853, na Igreja Matriz de São Gonçalo da Batalha. Foram seus padrinhos: João Bartolomeu de Carvalho e sua mulher Mariana Rosa de Carvalho. Faleceu 03.04.1924, em Batalha, sendo ali sepultada. Pais de:

IV-1 Auta de Castro Melo
IV-2 Matilde de Castro Melo

IV-1 AUTA DE CASTRO MELO, casou-se com OLEGÁRIO ARLINDO DE CASTRO BEM nasceu a 11.06.1917, em Barras, e faleceu a 10.06.1999, em Batalha [primeiras núpcias deste]. Filho de Cândido Alfredo Castelo Branco e de Laurentina Inês de Castro. Primos entre si. Pais de:

V-1 Auta de Castro

V-1 AUTA DE CASTRO, [Autinha], casou-se com FRANCISCO NOGUEIRA DE AGUIAR [Dodô Aguiar] de tradicional família cearense.

VI-2 MATILDE DE CASTRO MELO, nome de solteira, Matilde de Castro Melo Rebelo, nome de casada, nasceu a 14.03.1891, na Vila de Batalha e faleceu a 28.02.1933, na cidade de Boa Esperança, atual Esperantina. Casou-se, em 18.01.1908, em Batalha, com MANOEL LAGES REBELO nasceu a 18.07.1888, na Fazenda Santa Teresa, Município de Batalha, e faleceu a 24.12.1981, na cidade de Esperantina. Fazendeiro nos municípios de Batalha, Esperantina, Joaquim Pires e Luzilândia. Foi o responsável pela emancipação política do povoado Retiro da Boa Esperança do Município de Barras, em 1920, quando foi criado o Município de Boa Esperança, hoje Esperantina. Foi o primeiro intendente e o primeiro prefeito do Município de Esperantina. Filho de Umbelino Gomes Rebelo e de Maria da Assunção Pires Lages. Neto, pelo costado paterno, de Laurentino Gomes da Silva Rabelo e de Maria Madalena da Paz e pelo costado materno, de Manoel Rodrigues Lages e de Maria da Assunção Pires Lages. Pais de:

VI-1 Diógenes de Melo Rebelo
VI-2 Haydée de Melo Rebelo
VI-3 Odete de Melo Rebelo
VI-4 Delorme de Melo Rebelo
VI-5 Hamilton de Melo Rebelo
VI-6 Maria de Nazaré de Melo Rebelo

nn MANOEL LAGES REBELO, casou-se, em segundas núpcias, em com ZILDA NOGUEIRA DE AGUIAR, nasceu a 27.02.1918, na fazenda Boa Vista, então do Município de Barras, depois Esperantina, hoje Morro do Chapéu do Piauí. Filha de José Nogueira de Aguiar e de Eliza Nogueira de Aguiar. Pais de:

VI-7 Edmar Nogueira Rebelo
VI-8 Manoel Lages Filho
VI-9 Marilda Nogueira Rebelo.
(V. descendência em PIRES FERREIRA, 1992, V.2 p. 89 a 101).


II-6 LUÍS ANTÔNIO DE MELO, casado com HIGINA ROSA DE MENESES, foram pais de:

III-1 Horácio Luís de Melo

III-2 HORÁCIO LUÍS DE MELO, casou-se em terceiras núpcias com Antônia Quitéria de Carvalho. Filha de João Bartolomeu de Carvalho e Mariana Rosa de Carvalho. Pais de:

IV-1 José Horácio de Melo

IV-1 JOSÉ HORÁCIO DE MELO, nascido a 05.08.1873 no lugar Campestre em Piracuruca e falecido em 13.08.1965 em Teresina a 13.08.1965 em Campo Maior. Casou-se com Maria Carlota. Pais de:

V-1 Rosália Maria de Melo Carvalho

V-1 ROSALIA MARIA DE MELO CARVALHO nascida em Piracuruca, em 20.11.1933 e falecida em Teresina a 26.04.2013. Casou-se com MIGUEL ARCÂNGELO DE DEUS CARVALHO. Pais de:

VI-1 José Elmar de Melo Carvalho.


Obs.: Texto do trabalho em elaboração: A colonização do Vale do Longá.

Valdemir Miranda de Castro
Licenciado em Letras Português
Bacharel em Direito
Pós-graduado em Metodologia do Ensino e em Direito Penal.



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

OS NOVOS MICROFONES DA ACADEMIA

Elmar, Itamar e C. Said, o Magro de Aço

20 de agosto   Diário Incontínuo

OS NOVOS MICROFONES DA ACADEMIA

Elmar Carvalho

Como todos sabemos, há vários tipos de microfones, de maior ou menor qualidade, de mais ou menos sensibilidade. Existem os sem fio; os grandes e os pequenos; os que se usam na lapela, e até os que são postos sobre o tórax, quase como se fossem uma gravata, como é o caso do usado por Sílvio Santos. Alguns são luxuosos, de ouro ou banhados a ouro, como os de certas vedetes e exibicionistas.

O da tribuna de nossa Academia Piauiense de Letras é um tanto grande, e de pouca sensibilidade. Exige, para uma melhor captação do som, que seja posicionado à altura da boca do orador, e que este fale perto dele e de maneira frontal.

Muitos dos nossos palestrantes e conferencistas não tinham esses cuidados, alguns em decorrência da idade provecta, e falavam movimentando a cabeça para um lado e outro, ou não posicionavam corretamente a boca. Essa postura e atitude faziam com que sua voz chegasse às caixas amplificadoras com baixíssima qualidade, de modo que muitos ouvintes reclamavam.

Por essa razão, alguns dias atrás, quando eu me encontrava sentado ao lado do cardiologista José Itamar Abreu Costa, diretor do ITACOR, amante das Letras e amigo da APL, disse-lhe que iria propor aos acadêmicos nos cotizarmos, para adquirirmos um microfone “de vergonha”, de alta capacidade de captação de voz. Em minha opinião, até a data comemorativa do centenário da APL teríamos que ter um melhor sistema de som.

O nobre Dr. Itamar então me prometeu que na segunda-feira seguinte iria mandar um técnico para estudar o nosso sistema de som, para, em momento oportuno, doar dois ou três microfones de alta qualidade. A Academia entrou de recesso durante o mês de julho, e eu não tive mais notícia da promessa de nosso bravo Itamar, mas sabia que ele a cumpriria, porquanto sei que ele é um homem sério e de palavra, cujo fio de sua longa e bem cuidada barba de profeta vale mais do que a assinatura de muitos falastrões e fanfarrões demagógicos.

Pois na solenidade acadêmica de sábado, dia 15, em que foram lançados os livros Palimpsestos, de João (Crisóstomo da Rocha) Cabral, APL: Estatutos, Regimento Interno, Acadêmicos e Breve Histórico, organizado pelo Des. Nildomar da Silveira Soares, Mitos e Legendas da Política Piauiense, de Wilson Nunes Brandão, e Acertando na Mosca, de Deusdedit Machado Moita, o presidente Nelson Nery Costa, postado à mesa de honra, abriu uma caixa e nos mostrou os microfones doados pelo Dr. Itamar Costa, que fez questão de dizer que atendera a uma reivindicação deste cronista.


Quando eu deixava o prédio do sodalício, encontrei o bom amigo Carlos Said, que esperava uma carona de Itamar. Quando este veio buscar o legendário Magro de Aço, tive ocasião de fazer esta blague: “Os microfones do doutor Itamar são tão poderosos, que captam até o suspiro do orador, até o rumor suave das asas de uma borboleta, e acredito que até o pensamento mais forte do orador, em suas pausas respiratórias.”     

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Teresina em pedacinhos de mim

Fonte da foto: Turismo Teresina

Teresina em pedacinhos de mim

José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail

       Nestes 163 anos de existência, cada velinha do bolo não consegue apagar-me pedacinhos e estampas de meu álbum. Andando pelo centro ou arredores da capital, uma paixão impregnada em mim. Só se ama quando se conhece.

         Entrar na Igreja de São Benedito é saborear um capítulo da minha cidade. 4 da madrugada de domingo. Sinos tocavam, em três momentos, para a missa das 5.De todo canto da pequena Teresina, dava para se ouvir a convocação sagrada. Meu pai me levava, na garupa da bicicleta, da Piçarra à igreja. O templo enchia-se de fiéis. Frei Heliodoro e dezenas de cantores, no coro superior da igreja, encantavam corações.

         No romance O MANICACA, 1901, o magistrado Abdias Neves retrata Teresina dos últimos anos do século 19 e início do século 20.     O romancista descreve a capital de poucas quadras, praças e ruas. A cidade acabava nas confluências das Igrejas São Benedito, Nossa Senhora das Dores ou Mercado Central. Rapazes e adultos exibiam bengala, terno, cartola e ginete. A vida social circulava, praticamente, nos arredores da Praça da República (Deodoro ou da Bandeira) e Igreja do Amparo. Sem calçamento, água canalizada, energia elétrica; somente lampiões pendurados em postes. Chegavam miseráveis retirantes da seca de 1877, famintos e extorquidos por espertalhões. No Nordeste, morreram mais de 500 mil cidadãos.

A modesta Teresina, fundada em 1852, acabava no rústico cemitério de negros e expurgados, no Alto da Jurubeba, onde Frei Serafim de Catânia construíra a Igreja de São Benedito, 1874/1894, em homenagem ao santo frade leigo, nascido na Sicília, filho de escravos etíopes. Da Igreja de São Benedito, estendia-se a Estrada Real, a futura Avenida Frei Serafim, cercada de florestas e sítios, até o Rio Poti, de onde escravos extraíam pedras e areia para construção do templo.

A primeira geração de Teresina desfrutava a Praça Deodoro. A segunda curtia a Praça Rio Branco. A terceira, a Praça Pedro II. A contemporânea, a praça da alimentação do shopping. A primeira com suas bengalas, ternos, cavalos e chapéu. A segunda, divertindo-se no Bar Avenida, por trás da Igreja do Amparo (restam velhinhos sentados nos bancos da Rio Branco, remoendo vetustas paixões). A terceira, maioria sessentona, da Praça Pedro II, não cansa de remoer velhos apetites da carne da Paissandu, das tertúlias do Clube dos Diários, do apito da corneta, mandando as virgens voltar pra casa, às 9 horas, depois de rodarem a praça. Jovens contemporâneas, mais avançadas que as seletas da Paissandu, avisam aos pais que vão ao shopping, mas sabe Deus com quais intenções, pois camisinha virou moda. Bengalas, que nada! A onda é selfie.

Teresina dos arranha-céus, intensa vida noturna, restaurantes de primeira, sensores em cada poste para flagrar dinheiro dos motoristas, mas não aprendeu a construir calçamento de vergonha ou criar polícia municipal. A cidade orgulha-se das escolas classificadas no ranking nacional e pena por engolir gororoba de gestores de obras inacabadas. Porém mazelas não me roubam a paixão pela cidade.     

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O MORRO DOS VENTOS DA ESPERANÇA


O MORRO DOS VENTOS DA ESPERANÇA

Chico Acoram Araújo

            Meu irmão caçula, o “fim-de-rama”, ligou para mim comunicando-me que tinha mudado de endereço. Tive a impressão, pela sua fala, que estava alegre e feliz. Disse-me que havia vendido sua modesta casa que ficava próximo ao Encontro das Águas, zona norte de Teresina. Já se passaram alguns anos, não me lembro exatamente o ano. Explicou-me que a motivação da venda do seu modesto imóvel se deu por conta de que, ultimamente, estava se sentido muito só, apesar da companhia de seus dois filhos adolescentes, órfãos desde crianças, desde quando a mãe sofrera um fulminante e fatal infarto. O golpe foi cruel. O lar já não era o mesmo. As feridas demoraram por muito tempo para cicatrizarem-se. Decidiram, ele e os filhos, morar no bairro em que outrora viveu com seus pais e irmãos: o Morro do Urubu ou o eufêmico Morro da Esperança. No morro, disse-me ele, ainda residem alguns parentes e amigos; aqui, não os tenho. Lá, quando o dia alumia, o canto mavioso dos pássaros (não a dos negros garis alados) ainda se ouvem; e quando escurece a gente reza uma prece pedindo à Deus saúde e proteção. E, vez por outra, fazemos promessas à milagrosa alma do finado motorista Gregório.

Respondi-lhe que estava de pleno acordo com sua decisão de morar onde nossa família viveu por muito anos, e que eu iria visitá-lo no próximo final de semana.  

            Para me orientar quanto ao seu novo endereço, meu irmão perguntou se eu ainda lembrava naquele estreito e poeirento beco, de cerca de 100 metros de extensão, que ficava no sopé do morro, próximo ao rio Poti, entre as ruas Manoel Domingos e Alcides Freitas, que era usado como atalho do acesso para um pedaço de rua onde ficava a casa de nossa família. Respondi afirmativamente. Como poderia não lembrar daquela travessa que, na adolescência, era a rota obrigatória para eu ir para Escola Industrial, hoje IFPI? Como esquecer que, ao transitar por aquela passagem, meus sapatos pretos, de grossos solados feitos de couro de boi, ficavam empoeirados, necessitando de uma caprichosa limpeza antes de entrar na escola?

Indagou-me ainda se eu lembrava de certo pé de cajá existente no citado beco. Como esquecer aquela saudosa árvore que, ainda muito cedo das manhãs, eu e os meninos que moravam nas imediações corríamos, o mais rápido possível, para pegarmos seus deliciosos frutos caídos ao chão durante a noite? Como não recordar que, nas noites de lua cheia, ouviam-se dizer que um macaco preto ou lobisomem trepava-se velozmente naquela velha cajazeira? -Diziam que essa visagem era um velho negro que morava na redondeza, e que em noites de lua grande e brilhante se transformava nesse medonho animal que assombrava crianças e adultos que por ali passavam - Naquele lugar, era hábito comum as pessoas, em noites de lua cheia, passarem em tubada carreira; e esse também era o meu caso, não vou mentir!

A exposição desse cenário, de saudosa memória, aconteceu no período dos três últimos anos da década de 60. Meu mano, encerrando o diálogo, informou-me que aquela velha casa, ao lado do mencionado pé de cajá, era agora o seu lar. Muito fácil de encontrar, não é? No sábado seguinte fui visitar meu estimado irmão.

            Beco da travessia: passado e futuro. Travessa de duas extremidades. De um lado, a esperança, o caminho que dava acesso às “coroas” dos rios Poti e Parnaíba; aos campos de futebol de várzeas. Ao morro, não o do urubu, “mas o do “Querosene”, como também ao “Moi de Varas” e “Paissandu”. Vereda que me levava a minha escola, ao Teatro 4 de Setembro e Cine Rex.  Que ia também ao centro, à Universidade e a todos os lugares da cidade. Atalho que me conduziu ao do sucesso, ao emprego público federal e à estabilidade financeira. Caminho das oportunidades e das melhores condições de vida. Do outro lado, o portal da pobreza, o atraso, dias difíceis, a fome, a indolência, a moradia precária, as doenças, a violência – a desesperança. O poeta Elmar Carvalho descreveu bem aquele ambiente em seus versos que retratam a vida real do Morro do Urubu, em seu livro Rosa dos Ventos Gerais, que a seguir transcrevo:

POSTAIS DE TERESINA
...
POSTAL III
O Morro do Urubu
se muito foi terá sido
morro do urubu chumbado, morro do
urubu chagado, sifilítico e faminto.
O Morro do Urubu
hoje é Morro da Esperança.
Esperança de quem?
Daqueles que nada esperam
em sua ab/so/luta miséria.
Morro da Esperança?
Morro dos bastardos da vida,
dos pobres, dos desvalidos.
Morro da morte matada,
morro da morte morrida,
morro da morte em vida:
morro da (des)Esperança.
           
A fagueira tarde daquele sábado estava magnifica. É possível que estivéssemos em meado de março ou abril, pois nos galhos daquela velha cajazeira ainda se via alguns resquícios de seus saborosos frutos. Como se sabe, a safra do cajá ocorre nos meses de fevereiro, março e abril.

Uma leve brisa oriunda do rio Poti batia nas encostas do morro e escorria suavemente sobre as copas das árvores existentes no lugar. Nesse momento, ouvi um ruflar dos frondentes galhos do hospitaleiro pé de cajá. Este nos abrilhantava com sua majestosa sombra. Sob esse chapéu protetor, eu e meu irmão conversávamos animadamente sobre fatos ocorridos na época em que nossa família residia no Morro do Urubu. Tudo isso em razão da grave crise financeira que meu pai atravessou, e que marcou profundamente as vidas do casal e de seus seis filhos. Foi essa, a razão da mudança da nossa família para o Morro Urubu. A nova morada era uma pequena casa de paredes de taipa e cobertura de palha de palmeira do babaçu, situada na ribanceira de um grotão, no final da Rua Alcides Freitas. Antes, morávamos em uma modesta e confortável casa na Rua Palmeirinha, hoje Alcides Freitas, no centro da cidade. Mas, isso é uma outra história; quiçá eu conte em uma outra oportunidade.

Um clima de nostalgia nos acalentava, quando ouvi que algo tinha caído junto aos meus pés. Era um robusto fruto daquela velha árvore; um precioso cajá que, de incontinenti, peguei-o em minhas mãos. Meu irmão, vendo-me de posse do meu achado, entrou em sua casa e, de volta, trouxe para mim uma caprichada dose de uma dourada cachaça Mangueira. Brindamos. Divertimo-nos bastante. Estava quase noite. Despedimo-nos. Ao sair do mitológico beco, senti em meu rosto um pouco da brisa ainda resvalada pelas escarpas do Morro do Urubu. Da alma e do meu coração: o Morro dos Ventos da Esperança.                  

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Com Elmar Carvalho, na “Toca do Velho Monge”


Paulo de Tarso Mendes de Souza, Natim Freitas, Canindé Correia, Zico, José Hamilton Castelo Branco, Elmar e Fátima Carvalho
Elmar visto pelo chargista e flamenguista Gervásio Castro


Com Elmar Carvalho, na “Toca do Velho Monge”

Dagoberto Carvalho Jr.
Da Academia Piauiense de Letras

Encontro-me, reencontro com o poeta, “doutor-juiz”, confrade na ilustre Casa de Lucídio Freitas,José Elmar de Melo Carvalho, piauiensemente, na “Toca do Velho Monge”. Não em sua poética casa de campo – ou, talvez, só “refugiumpecatorum” (como sofrem, ou às musas, de corpo e alma, se entregam os poetas –,no sítio Filomena, à margem idílica de nosso eterno e inspirador Paraguassu; mas no novo livro que lhe toma o nome e as saudades da vida inteira, reunindo crônicas que “sabem”(dizemos portugueses referindo-se a “sabor”), à boa linguagem poética.
Conhecemo-nos bem antes da “Toca” de que se fala e exalta onde, decerto, Elmar viverá “a esperança de óculos” – como na letra (Zé Rodrix / Tavito), de bela canção interpretada por Elis Regina –; antes da magistratura profissional (que abraçou com dignidade e o levou a Oeiras) e da chegada do poeta (cedo consagrado) à Academia Piauiense de Letras, com o voto do cronista que se antecipava confrade, na ilustre casa; por apresentação do escritor Antônio Reinaldo Soares Filho,meu cunhado e amigo de ambos.Autografei-lhe, então, exemplar de “Passeio a Oeiras”; livro de cuja sexta e mais recente edição foi prefaciador. Belo texto datado de São Gonçalo da Regeneração.
Velha-cap que seria segunda terra do poeta campomaiorense, sua “cidade da memória”, porquanto ali, inspirado, escreveu “Noturno de Oeiras”, livro-poema que lhe garante a conterraneidade de que muito nos orgulhamos – os oeirenses todos – e o elevado conceito humano e literário em que sempre o tivemos. “Noturno” a que não me deixo de associar pelo motivo, mesmo, de nossos livros basilares;que teve edição apresentada na cidade em dezembro de 2010, no IBENS, pelo também escritor Moisés Reis. Não por acaso no encerramento do ano em que fui homenageado pelo projeto “De poeta, músico e louco, em Oeiras todos tem um pouco”. Sobre o evento, escrevi “Moisés Reis, Elmar e o Natal de Oeiras”, incluído no meu “De lembrança em lembrança – Eça de Queiroz e outras memórias”.
Por lá também apareceu como editor e apresentador de livro de ensaios de Expedito Rêgo, registrada – na quarta capa – modesta opinião do signatário. Estive presente à merecida festa literária.
Mas, voltando e prendendo-me ao novo livro de Elmar Carvalho – renovada a admiração de leitor com pretensão e lentes de crítico – destaco, além, naturalmente, do texto sobre o “mafrensino” Riacho da Mocha, os títulos: “Rio Parnaíba: problemas e soluções”, “Lagoa do Portinho – uma morte anunciada”, “Preservação e revitalização do
Rio Parnaíba”, “Cemitério Velho – museu e memorial” e “O sonho de Lauro: a ferrovia, o rio e o porto”. Literatura com responsabilidade social.
Bem haja meu caro poeta!

Fonte: Diário do Povo (Opinião), Teresina, 16 de agosto de 2015

domingo, 16 de agosto de 2015

TERESINA, ETERNAMENTE! – Depoimento de um filho adotivo


TERESINA, ETERNAMENTE! – Depoimento de um filho adotivo
                                                       
José Pedro Araújo
Historiador, contista, romancista e cronista


         Lá pelos idos de 1966, me deparei pela primeira vez com a tua magnifica visão. Foi paixão à primeira vista, amor eterno. Fiquei extasiado com a beleza retilínea das tuas ruas; com a simplicidade agradável das tuas arborizadas praças, e com o sentimento de compenetração dos teus felizes habitantes. Naquela época, meus olhos jovens encantaram-se com o frescor da tua mocidade, e meus ouvidos se apaixonaram pelo som alegre que brotava do interior das tuas moradas. Foi pura emoção, primeiro encontro entre amantes. Paixão eterna e indissolúvel, como alguém que se encanta em sua primeira olhadela para o mar.
Naqueles dias o mundo se encantava também com um grupo de jovens nascidos em Liverpool, na Inglaterra, que cantava palavras de ordens incitando a juventude a quebrar as velhas regras e a criar um mundo em que só existisse a paz e o amor.
Aqui, como em todos os cantos do planeta, teus jovens cabeludos também lançavam fora suas roupas sisudas e incolores e vestiam-se com outras em cores vivas e berrantes, como a avisar para a humanidade que não aceitavam mais a velha ordem estabelecida, e que se insurgiam contra o arcaico sistema patriarcal. E olha que já estávamos no terceiro ano de um governo militar que instalava uma linha duríssima, fechando as fronteiras do país a toda e qualquer novidade que pregasse a insubordinação e a adoção de uma nova ordem onde o cidadão fosse de fato o dono do seu nariz.
Mas eu não estava nem ai para as questões políticas, de endurecimento do sistema ou de cassação dos direitos mais comezinhos do ser humano, que é a sua liberdade de ir e vir, e de falar o que sente; dizer o que estava doendo em meu peito de ave de arribação não estava entre as minhas prioridades. Antes, continuava embevecido com o teu desabrochar primaveril, com a elegância de teu caminhar em direção ao futuro de metrópole sem perder o ar de vila interiorana.  Preocupava-me em caminhar pelas tuas ensolaradas ruas; em contemplar as cores dos teus jardins em flor; embriagava-me de felicidade ante as coloridas bancas de revista, mais interessado nos gibis do Zorro do que nas dirigidas notícias dos jornais engarrotados. 
De lá para cá já se vão quarenta e sete anos e eu continuo cada vez mais apaixonado pelo verde do manto de folhagem que te cobre inteira, e pelo azul metálico do véu que cobre o teu céu. Continuo me emocionando com as manhãs douradas de maio, com o vento geral que varre a tua planície de sonhos para depois subir cantante pelos teus morros de esperança. Regozijo-me à vista de aves que, como eu, escolheram esta cidade para fazer a sua morada definitiva, seu lugar de descanso e de labor, em busca de serena sobrevivência.
Ainda estou por aqui por que te escolhi como minha ilha de Utopia, e porque me deste acolhida como o bom estalajadeiro aceita o viajante cansado que procura abrigo para fugir do sol inclemente e dos perigos da noite escura. Já não és mais a cidadezinha com ares provincianos e compenetração de megalópole que eu conheci. Cresceste verticalmente, e extensas ruas e avenidas foram incorporadas ao teu seio de mãe dadivosa, mas continuas faceira e gentil, acenando convidativa para tantos quantos têm a felicidade de contemplar a tua face de menina assanhada.
Por conta disto, continua chegando gente de outras plagas que procuram matar a sede bebendo das tuas águas cristalinas, e aplacam a fome comendo das delícias da tua mesa farta. E tu as aceita sem resmungos, sem cara feia, dividindo as tuas riquezas e somando mais um filho para dares proteção.
Se alguns te criticam por querer ser a eterna menina cantada pelos poetas e trovadores, pelos poderes a mim conferidos pela felicidade de morar no teu regaço, eu te declaro a mãe-menina de todos nós.

Como todo filho, sou também egoísta, e me esqueci de te homenagear-te no dia consagrado às mães. Mas agora me penitencio pelo erro cometido declarando-te todo o meu amor e respeito: Parabéns Teresina!  

E-Book “Bernardo de Carvalho” disponível na Amazon

           
E-Book “Bernardo de Carvalho” disponível na Amazon

Encontra-se disponível no site http://www.amazon.com.br/ uma edição revista, melhorada e substancialmente aumentada do livro “Bernardo de Carvalho, o Fundador de Bitorocara”, da autoria de Elmar Carvalho. Foram incluídos novos textos no anexo, sobretudo versando a história e o patrimônio natural e arquitetônico de Campo Maior. Nela foi inserida a obra poética Cromos de Campo Maior.

            A obra historiográfica faz referência, ainda que de forma sucinta, a três importantes personagens históricos de nosso município, quase totalmente esquecidos pelos campomaiorenses. São eles: Simplício José da Silva, herói da luta contra Fidié, Raimundo Gomes Vieira Jutaí, liderança e estopim da Balaiada, e o senador José Eusébio de Carvalho Oliveira (Campo Maior, 10 de janeiro de 1869 — 25 de abril de 1925), que foi deputado federal e senador da República durante 25 anos.

            Apresenta várias sugestões com relação ao patrimônio natural e arquitetônico de nosso município, notadamente referentes aos antigos casarões, ao cemitério velho, Açude Grande e horto florestal do Surubim.

            Traz novas e mais aprofundadas informações sobre Bernardo de Carvalho e a sua quase mítica Bitorocara, em virtude da aquisição de novos livros, a que o autor só teve acesso após a sua primeira edição, inclusive com a inclusão de dois novos capítulos.   

O POETA É UM SER HUMANO


O POETA É UM SER HUMANO

Alcione Pessoa Lima

Por que a sofreguidão se desejo apenas escrever um poema?
Talvez seja porque a alma é tão pequena
E eu não alcance a mão de Deus.
Eu preciso merecer o sopro da lucidez...
Achar o caminho da mensagem que quero passar.
Faltam-me as ferramentas.
Observando a vida, o ser humano me surpreende...
Não consigo vê-lo tão simples como o percebem os poetas.
Preciso de metáforas para não revela-lo desnudo...
E num contraste, escancaro o seu coração benevolente.
As palavras se escondem.
Não é a reencarnação de um vate.
Tampouco uma psicografia...
São garranchos de minha caligrafia ilegível...
Compreensível, apenas, por farmacêuticos da alma.
E se antes nasce a ideia, ainda assim, não se libera a mente...
Até que, de súbito, como uma explosão,
Cai sobre mim uma enxurrada de argumentos...
E eu ultrapasso a angústia da construção...
Levanto-me feliz, embora ainda insatisfeito com a obra.
Sinto-me verdadeiramente humano.    

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Lançamento de livros na APL


A Academia Piauiense de Letras tem o prazer de convidar V. Exa. e distinta família para o lançamento da Assinatura de Coleção Centenária e os  seguintes livros: Palimpsestos nº 41 – 2ª edição, de João Cabral – da Coleção Centenário; APL: Estatutos, Regimento Interno, Acadêmicos e Breve Histórico; de Nildomar Silveira (org.), bem como Mitos e Legendas da Política Piauiense – 2ª edição, do Acadêmico Wilson Nunes Brandão e Acertando na Mosca, de Deusdedit Machado Moita.


Nelson Nery Costa
Presidente
                                                                     

RIQUEZA HUMANA


RIQUEZA HUMANA

Jacob Fortes

Quando se fala em riqueza do homem as mentes, enraizadas na ambição e, portanto, materialistas, se endereçam prontamente aos bens palpáveis, suscetíveis à escrituração; aqueles que despertam a cobiça da Receita Federal. São, na essência, bens imóveis, semoventes, contas polpudas, veículos, navios, etc. É desses bens que são feitos os colares que, pendurados ao pescoço, demarcam as eminências, algumas com aparência de virtude. Cada colar corresponde a um crachá, que transmite o sentido da reverência, da honraria, da distinção. O tamanho da honraria se mede pela natureza das contas do rosário: bronze, prata, ouro, diamante. Há colar que vale um pão dormido, outros o Pão de Açúcar.

Porém, perante as mentes espiritualistas, despidas de ambição, as riquezas de maior valimento são as impalpáveis, incontabilizáveis. É o caso da saúde; insuscetível à escrituração e penhora. Há, também, a virtude, a bem dizer a honra; aquela que, destemerosa e altiva, atende ao chamado de qualquer autoridade, inclusive de Sérgio Moro e Joaquim Barbosa. A honra exprime desejado passaporte; vale até no estrangeiro sem necessidade do “revalida”. Também nesse grupo não se se pode esquecer a família; cujos laços afetivos têm a serventia de estear a vida das pessoas, sob os mais diversos aspectos. Consideremos, também, a qualificação; que habilita ao exercício de funções. Incluamos, ainda, o trabalho; que sublima o homem e faz crescer pessoas, comunidades e nações. Outro bem impalpável de grande valimento é a religião; que modela e impõe frei.  De poderosa valia é a liberdade, plena, sem as limitações das guias, símiles à dos cães: libertos na vida alegre dos campos.

Ao registrar, sob a generosidade do silêncio, a nominata, exígua, das riquezas, proponho ao leitor que tome o alvitre, se possível, de ampliá-la e que os acrescentamentos me venham breve. É que nesse metiê me vejo no banco dos atrasados.    

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

MINHAS PUBLICAÇÕES NA AMAZON



13 de agosto   Diário Incontínuo

MINHAS PUBLICAÇÕES NA AMAZON

Elmar Carvalho

Alguns meses atrás, tentei publicar um livro pelo sistema KDP da Amazon, mas tive algumas dúvidas no preenchimento do cadastro, de modo que desisti. Contudo, no dia 22 de julho, ao ligar para o amigo e escritor José Pedro de Araújo Filho, recebi a notícia de que ele havia aprendido a manejar essa ferramenta de editoração virtual.

No telefonema ele gentilmente se colocou à minha disposição para me ensinar a fazê-lo. Na época estava aberto o concurso de contos Brasil em Prosa, parceria da Amazon, Samsung e jornal O Globo, razão pela qual combinei com ele que no dia seguinte escreveria um conto, já que não tinha nenhum inédito, para que ele me ensinasse a inscrevê-lo no certame e publicá-lo no dia seguinte.

Tudo aconteceu na forma acordada. Pela manha escrevi o conto A mulher perfeita, e lhe enviei por e-mail. Passando um pouco das três horas da tarde cheguei a sua residência, onde o José Pedro me ensinou a publicá-lo pelo sistema da Amazon/Kindle.

Quando voltei para casa, ainda com os ensinamentos bem vivos em minha memória, para melhor fixá-los fiz uma postagem sozinho, e não tive maiores percalços. A relativa dificuldade fora somente no preenchimento do cadastro, em virtude de dúvidas burocráticas que tive, principalmente com relação a alguns termos ou expressões; mas nada de monta. Tratava-se apenas de zelo fiscal da empresa.

Desejando partilhar essa importante conquista, na reunião de sábado da Academia Piauiense de Letras, contei essa experiência aos confrades. Acrescentei que desde minha aposentadoria, em 19 de dezembro passado, uma sequência de boas coisas me tinha acontecido. Tanto que, indagado pelo amigo desembargador Santana sobre como estava me sentindo após a aposentadoria, respondi-lhe que era muito motivado em meu serviço, e que gostava de meu trabalho na magistratura, mas que, uma vez aposentado, estava gostando mais ainda.

Várias colegas se mostraram interessados em minha explanação. Por tal motivo, o presidente Nelson Nery Costa pediu-me para falar sobre esse assunto com mais detalhes e profundidade na próxima sessão ordinária. Entre outras vantagens, expliquei-lhes que a publicação era gratuita; que o ebook ficava à disposição de qualquer eventual leitor no mundo todo; que o livro ficaria no acervo da empresa por tempo indeterminado, talvez vários séculos; que os e-books não seriam devorados ou prejudicados por traças, cupins, goteiras, sujeiras e falta de espaço físico, males que assolam quase todas as bibliotecas e livrarias.

Por enquanto, já tenho disponível à venda na Amazon (www.amazon.com.br), pelo preço de um a três dólares os seguintes livros: A mulher perfeita (conto), A constante de Deus (conto), Cromos de Campo Maior (verso e anexo em prosa), Na toca do Velho Monge e outros textos ambientais (crônicas), O pé e a bola (histórias e crônicas sobre o futebol piauiense), Poemas escolhidos (antologia) e Vida in vitro (poema). Publiquei ainda Dois estudos sobre Confissões de um juiz, da autoria de Alcenor Candeira Filho e Cunha e Silva Filho, que discorrem com exemplar maestria sobre meu livro confessional.

Estimulado por essa valiosa ferramenta de editoração, estou organizando meus textos, que se encontravam dispersos, em forma de pequenos livros, que estou expondo à venda por módicos preços. Evidentemente, aos poucos, irei publicar os que já foram dados à estampa na modalidade impressa.


Estou desconfiado de que as minhas publicações na Amazon serão amazônicas, decerto não na qualidade, mas ao menos na quantidade, embora não me considere prolífico e muito menos prolixo.

YSA


YSA!


Ysa,
Aquela que me acalanta, inebria, acalma e tranquiliza.

Ysa,
Aquela cuja presença é doce, leve e suave como a brisa.

Ysa,
Aquela que é sinônimo de bem-estar, sol, mar, estrela, arco-íris e luar.

Ysa,
Aquela que é gostosa como cheirinho de chuva, que, junto com o friozinho e orvalho da madruga - olhando para o céu, as estrelas e a lua -, vem me roubar inesquecíveis momentos de colo e de volúpia.

Ysa,
Lembrar de teus beijos, afagos, abraços e carícias, instantaneamente, me faz desejar  cada pedaço de você, minha delícia.

Ysa,
Aquela de sorriso encantador, olhinhos fofos e pele macia, ter você em meus braços me traz tanta paz e alegria.

Ysa,
Menina-mulher, sabe ser delicada e adorável, mas também, quando quer, sabe ser safada e quase indomável.

Ysa,
Aquela cuja distância me fragiliza, me adoece e, não raras vezes, me faz prantear pela dor imensa da saudade e necessidade de sua ternura para, na primeira oportunidade, me perder no seu olhar e em sua formosura.

Ysa,
Aquela que, de tanto pensar, de tanto lembrar e de querer comigo, me induz a uma saudade em que cada vez mais me martirizo;

Ysa,
Não és poetisa, mas me inspira como ninguém a recorrer a versos e prosas que me levam a mais profunda nostalgia de desejar você, mais e mais, e poder ancorar de vez em você meu cais.

Ysa,
Nome curto, hoje tão familiar, de apenas três letrinhas, porém com significado enorme que, se, paradoxalmente, me faz tão bem, por outro me agoniza e, inevitavelmente, evoca a inquietante pergunta: por que, por que, por que não te “eternyzas”?


                                                 MARCO TALES

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Carta a um aniversariante ilustre: Cunha e Silva (1905-2015)


Carta a um aniversariante ilustre: Cunha e Silva (1905-2015)

  
                    Rio de Janeiro,  03 de agosto de 2015


        Querido pai:

          
           Antes de tudo,  me permita  por esta  relembrá-lo de que hoje é a data do  seu 110º aniversário de nascimento.O Sr. não  a esqueceu, sim? Espero que não e sei que outros familiares já manifestaram no Face  que hoje é dia  diferente,  dia de festejá-lo ainda que  pela dimensão  do espírito, a qual  -  seja dita  essa verdade -,  ao fim e ao cabo,  é o que vai  mais importar  entre a terra e o céu.
        Tendo  passado alguns meses fortemente concentrado na esfera das minhas  memórias,  e tendo  terminado  um novo  livro, Apenas memórias,  já pode  verificar que  a sua presença   encantadora, em várias passagens  da obra,  tem lugar  sobranceiro por muitos motivos,  principalmente pelo amor  que sempre   manifestei  por sua  pessoa.
         Fomos dois  grandes amigos, na inocência de dois anos em Amarante, na adolescência  durante quinze anos em Teresina e, através de  uma  longa correspondência de mais de duas décadas, com  algumas poucas   visitas minhas  a Teresina e duas visitas suas  ao Rio.
           Quis,  contudo, o destino  que vivêssemos  separados pela distância  entre o Rio – cidade que tanto  amou e nela permaneceu estudando  por seis anos  -  e Teresina. O único  consolo  foi  a nossa  longa correspondência por escrito com tantas  cartas, mais suas do que as minhas,  trocando   carinhos,  elogios,  contando  os sucessos seus e  eu relatando os meus, numa amizade  que  crescia com o passar dos anos  e com a chegada da minha  mocidade  que o Sr. conheceu  em  boa parte,  não o suficiente para   ver meus  maiores sonhos   realizados. Pelo menos   um dos desejos que almejava para seu filho  -  fazer o mestrado  - se concretizou
         “Filho, quando vais fazer o mestrado, quero  te ver  professor universitário.” Não sabia, meu pai, que só  um ano depois, em 1991,  ingressaria eu  no mestrado.
         A dor  maior  por mim sentida foi  me ter deixado na conturbada   Terra sem que lhe pudesse dar o último   beijo na testa amada e envelhecida  à altura dos seus oitenta e cinco  anos,  o último abraço forte,   o último aperto  de mãos -  apertar aquelas mãos   lindas que  tinha, as mais lindas de Amarante, enfim,   o último   olhar     pedindo a Deus que o Sr.   não me deixasse só, no estado de abandono  e solidão   absoluta e inconsolada.
         Mas, nesta carta agora,  pai,  há outras coisas que,  bem sei,  foi bom que não  presenciasse e delas não participasse como  jornalista combatente e intrépido.Ainda bem que a sua saída da cena da vida brasileira o poupou de assistir a tantos  dissabores da política brasileira, sobretudo  dos mais  escandalosos acontecimentos  do baixo clero  da  politicagem que o país tem vivido no domínio  petista.
        Certeza tenho  de que  não ia  aguentar calado  à derrocada ética e à patuscada  preparada  nos circos mambembes  que se instalaram  nos centros do poder, lá em Brasília. Bem fez a Providência  que o livrou  de  tanta podridão disseminada  pelos quatro cantos do país manifestada  em  várias   formas: impunidade,  violência  gigantesca  e sem perspectiva de solução,  delinquência juvenil sem  redução de maioridade pelo menos  por  tempo  determinado, economia   escangalhada  por culpa  da roubalheira  do desvio do dinheiro  público, volta da inflação ( com aumentos  escorchantes dos preços dos remédios,  da alimentação,  das tarifas gerais),  cujos efeitos  deletérios já se fazem sentir nas camadas baixas e médias da sociedade, juros altos  determinados  pelo  governo  federal, onda de     desemprego, fechamento  de lojas  por falta   de compradores, em suma, sinais de recessão.
        Veja o exemplo, no Rio de Janeiro, de velhas lojas da Rua da Carioca fechando as portas.Veja a  política de ajuste fiscal    com mão de ferro a fim de  tapar  os buracos   da arrecadação  em declínio e, por tabela,  para  cobrir, com  o sacrifício  forçado  do contribuinte,  os rombos  das estatais  das quais  saíram  as milionárias  propinas  para encherem  os bolsos  ou as contas  milionárias  de partidos que apoiam   o governo federal     e políticos  corruptos.
        O Sr, meu pai,  que passou  por prisão  durante a ditadura  Vargas,  por  longos anos   de  ditadura militar-civil, por períodos de normalidade  democrática, não alcançou os dias mais perversos  da ditadura  econômica,  dos escândalos do Mensalão, dos assaltos  à Petrobrás   e da mais  deplorável   situação de decadência ética da vida  pública brasileira. 
       Jamais, meu pai, iria  imaginar que pudéssemos   chegar a este ponto em que nos encontramos, não por nossa  causa, mas  por culpa da   imoralidade de práticas  atuais de   nossa política, as quais   definem os modos de governança  feitos à base de barganhas mútuas entre o governo federal  e os partidos sem princípios democráticos firmes.
        Se o Sr. se encontrasse ainda entre nós,  teria, assim,  que redobrar  e retemperar  a sua retórica de jornalista desassombrado, cuja trajetória  esteve  quase sempre na oposição e, portanto,  foi vítima no seu tempo  de  perseguições ao ponto de ser demitido  de um  famoso colégio  público em Teresina  por um  governador  do Piauí a  quem  combatia com muita coragem os erros e injustiças de administração.Com muitos filhos para criar, sofreu aflições  e privações e, se não fossem uns poucos amigos, as atribulações seriam  ainda piores. Com ânimo forte,  aguentou todos  os percalços e  infâmias  dos governantes desafetos.
      O Sr., meu pai, grande e bravo  jornalista, segundo A. Tito Filho (1924-1992), outro ilustre jornalista e intelectual  do Piauí,   nunca “baixou o topete” diante dos poderosos,  e,  na história do jornalismo  piauiense,    provavelmente tenha  sido  o jornalista  mais  prolífico do seu estado natal.
    Sendo um jornalista  que sempre  escreveu  freneticamente  à mão (sem nem mesmo   ter aderido à máquina de escrever) e ao correr da  pena, não pôde  alcançar a era do computador, da internet,  dessa maravilhosa e gigantesca    enciclopédia  virtual de âmbito universal, que é o Google,  das celulares, do tablets, dos e-books.
    Porém,  estou certo de que  essas conquistas  do mundo eletrônico  teriam a sua aprovação,  pois sempre foi  um homem que tanto  amava as humanidades quanto  as ciências, como é prova  o   belo discurso de posse, na Academia Piauiense de Letras, da cadeira  nº 8 que,  pelo seu talento e suas qualidades de  intelectual,  soube  conquistar e  tão bem  dignificar  como  escritor.
   Aceite, meu querido pai, os cumprimentos   pelo seu  110º aniversário de  nascimento.
       Com as saudades do filho
   

                              Cunha e Silva  Filho

Café Literário apresenta Marçal Aquino e Mariana Mendes