quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O alemão e as formigas de fogo

Fonte: Google


O alemão e as formigas de fogo

Pádua Marques
Escritor e jornalista

Simplício Dias foi até a mesa e depois de se sentar e pedir que o visitante fizesse o mesmo passou a ler as duas cartas. A primeira, do príncipe dom Pedro, solicitava todo o apoio possível e impossível ao cientista Karl Friederich von Martius, ali à sua frente. A segunda carta, do governador Baltazar de Sousa Botelho de Vasconcelos, endossando o pedido de sua alteza no Rio de Janeiro. Aquela carta real foi motivo de grande contentamento. Em suas mãos uma carta escrita pelo filho de dom João e que seria guardada com todo o cuidado, igual um troféu!

Karl Frederich von Martius era um alemão de pouco mais de vinte e menos de trinta anos, de boa estatura, cabelos castanhos acobreados, de rosto duro e áspero, castigado pelo sol. Veio ao Brasil há um ano na comitiva da princesa Leopoldina e sua intenção era fazer grandes estudos sobre a fauna, flora e a mineralogia da colônia mais próspera de Portugal. Simplício Dias chamou um criado e ordenou que a visita fosse acomodada num dos quartos do térreo da casa da rua Grande, mas antes providenciasse um banho.

Pelo aspecto de von Martius era patente que estivesse há dias ou meses sem se molhar. No almoço farto, coisa rara e reservada às poucas visitas, o cientista adiantou a Simplício e dona Isabel, que ficaria na vila da Parnaíba coisa de uma semana, quando muito. Tempo suficiente pra conhecer a terra, a gente, os animais e as plantas e onde colheria amostras de insetos pra suas pesquisas antes de tomar o rumo de Tutoia do Maranhão e indo até o Pará naquele ano de 1818.

No dia seguinte e na companhia de um negro de seus trinta anos, de nome Belarmino, Karl Frederich von Martius tomou uma canoa pequena e foi ter do outro lado, na Ilha Grande de Santa Isabel. Logo na entrada se encantou com tudo o que viu. A imensa quantidade de carnaubeiras, os pântanos e a mata rala, os passarinhos, os camaleões, calangos e algumas borboletas e catirinas. O negro armado com uma espingarda ia de longe vendo tudo. Vez por outra e só quando perguntado, respondia sobre esse ou aquele animal, planta ou inseto.

Karl Frederich von Martius ia entrando de mata a dentro da Ilha Grande de Santa Isabel e se admirando com o que via e ouvia. Belarmino ficava olhando aquela arrumação e às vezes até queria achar graça, mas nem era besta. Em casa, Simplício Dias ainda estava encasquetado com a carta de dom Pedro. Lia e relia não acreditando que aquela carta era pra ele. Finalmente foi até o cofre e guardou as duas cartas entre outros papeis, moedas e joias da família.

No porto lá embaixo o movimento era o de sempre. Navios e canoas cobertas de palha desembarcando mercadorias vindas do Maranhão pra os armazéns lá em cima na rua Grande e nas próximas. Os negros embarcadiços e escravos pelo efeito do sol quente mais pareciam feitos de louça, tamanho o brilho nos lombros. No final do dia iriam pra suas casas com o pouco ganho ou gastar logo mais nos botequins com aguardente.

No fim do dia o negro Belarmino e Karl von Martius, que Simplício Dias e os de casa passaram a chamar de seu Vomartim, voltaram pra casa. À noite, depois de fechadas as lojas e os armazéns e findo o trabalho no porto lá embaixo, o silêncio tomava de conta daquela região da vila da Parnaíba. Simplício e a mulher dona Isabel convidavam Karl von Martius pra sala de visitas e ali ficavam a conversar sobre o Rio de Janeiro, o príncipe dom Pedro, que muito gostaria de conhecer, a princesa Leopoldina, enfim a realeza tão rica, poderosa e distante.

Simplício convidou o alemão pra que fizesse uma visita à imponente igreja de Nossa Senhora da Graça, construída por seu pai Domingos. Vomartin foi e até que tomou gosto pela construção, as ricas imagens, as colunas, o altar. Mas chamou a atenção pra o pórtico em mármore e tomando a forma de uma abóbada de mesquita muçulmana e a rosácea muito bem feita. Já se passavam cinco dias e as pesquisas continuavam. Agora era a atenção voltada pra os insetos. E inseto era o que não faltava toda noite, além do calor de agosto. Mas Simplício garantiu que dentro de mais umas semanas começariam os ventos de setembro vindos do Testa Branca.

Os dois, Karl e Belarmino, continuavam a seguir todas as manhãs tomando a canoa e desembarcando na Ilha Grande de Santa Isabel. O alemão até que havia criado simpatia pelo diabo do negro. Com ele ia aprendendo muita coisa, nomes de plantas, insetos, bichos pequenos. Mas pouco ensinou ao escravo e protetor. Um dia, foram pra mais dentro da ilha e lá descobriram um formigueiro. Ao fazer umas escavações Karl Frederich von Martius não tomou cuidado e quando se deu conta estava todo coberto por formigas de fogo.  Se vendo de dor e já todo encalombado saiu gritava pedindo socorro.

Belarmino quando viu o alemão naquele estado se pôs a correr. Mas temendo com o que pudesse lhe acontecer acabou voltando e depois de tirar a camisa foi batendo nas costas, nos braços, pernas, cabeça e tudo o mais do cientista. A valência foi que as formigas de fogo não atingiram os olhos. Até que deu vontade de achar graça pelo que estava acontecendo, mas engoliu a gaitada fora de hora. Na volta pra casa e todo já ardendo de febre Karl Frederich von Martius foi direto pra uma tina de água morna e salgada. Foi o bastante pra encerrar as pesquisas na Parnaíba e dentro de mais um dia ir se embora no rumo de Tutoia.     

terça-feira, 13 de agosto de 2019

PARABÉNS PARNAÍBA!


Fotos pescadas no Google Imagens

PARABÉNS PARNAÍBA!

Carlos Henriques de Araújo - Membro da UBE- PI
Cronista, articulista e poeta

O belo é invisível aos olhos dos insatisfeitos; Nada conseguiremos se não colocarmos um pouco de amor naquilo que fizermos; Nossa satisfação é proporcional ao nosso sucesso; O orgulho de um povo é a chama que move sua auto-estima.

Estas quatro assertivas nos remetem a uma reflexão, e aí concluímos: Em se tratando da coisa pública, da política e da democracia, elas não são totalmente verdadeiras, porque têm, em sua essência, os desígnios da individualidade, pois em cada cabeça, uma sentença.

Como parnaibano, mesmo morando distante, sempre acompanhei seus “passos” e “contrapassos” e torci pelo seu sucesso, embora debalde, mas ultimamente, Parnaíba, apesar da crise nacional que o país vem sofrendo há décadas, tem conseguido, nestes últimos anos, um crescimento visível.   

Parafraseando Guimarães Rosa, no seu belo conto “A hora e vez de Augusto Matraga.” Esta é a e a vez da nossa “querida parnaibinha” romper os grilhões do atraso econômico e da submissão administrativa.

Parnaíba está passando por uma metamorfose econômica, social e cultural, conseqüência do ciclo de desenvolvimento econômico privado e práticas administrativas dos últimos governos municipais.

Sempre quando vou a Parnaíba e passo pela Praça da Graça, meu coração bate mais rápido por conta daquele cartão postal, postado em meu peito, que me faz viajar no tempo. Quanta saudade sinto da pérgula da praça, da missa na Matriz, dos filmes no cine Éden, das tertúlias na AABB, do bar Fortaleza e das festas no Cassino 24 de Janeiro.

No Porto Salgado, à beira do rio Igaraçú, entre galpões, quitandas, casebres e cabarés, lavadeiras lavam roupa cantando em coro, enquanto as raparigas com roupa e cara de ontem fumam cigarro de palha.

A economia da época girava em torno das empresas Casa Inglesa, Marc Jacob, Moraes, Celso Nunes, Pedro Machado e outras menores como Casa Cristino, Lojas Rosemary, a Pernambucana, Moraes Sousa, etc.

Meio século depois, Parnaíba é outra cidade. Muita coisa mudou, mas ainda continua abraçada pelo rio que corre para o Cantagalo em busca do mar. Do alto da ponte um visual saudoso a vista desponta: os casarios centenários e os galpões esquecidos junto às chaminés da Rosápolis e das ruínas das Indústrias Moraes.

A Beira Rio é o lugar mais agradável de Parnaíba. A vista é intrigante, o clima é gostoso para rever os amigos, tomar uma gelada e comer um caranguejo. Mas Parnaíba não é só a Beira Rio e o Porto das Barcas, agora tem Shopping, muitos bares e restaurantes nas Av. São Sebastião, Pinheiro Machado e em vários bairros.

E ainda tem as lagoas do Portinho e do Bebedouro, a praia da Pedra do Sal e o Delta. A banca do Louro e o bar do Gago onde aposentados, desocupados, e outros “ados” contam “causos” de figuras homéricas que já partiram.

Na cultura e na educação Parnaíba conta com várias universidades, colégios, cursinhos, centros culturais, cursos de música, exposição de obras de arte, museu, lançamento de livros e apresentações em teatro, com a participação de artistas plásticos, pesquisadores, escritores e músicos, veteranos e novos, locais e de fora.

Ao completar 175 anos, Parnaíba está em festa, com a inauguração do primeiro Colégio Militar. E de várias outras obras de porte, como os prédios do SESC e SENAC, além de loteamentos imobiliários, supermercados, condomínios residenciais e lojas comerciais.

Parabéns Parnaíba, que esses novos tempos possam trazer mais esperança, trabalho e alegria para todos os parnaibanos.    

domingo, 11 de agosto de 2019

Sete Cidades - roteiro de um passeio poético e sentimental


Banner doado à Casa da Cultura (Museu do casal José Brito e Maria do Carmo)




SETE CIDADES
roteiro de um passeio poético e sentimental

Elmar Carvalho

                 ( Em memória do saudoso Gen. João Evangelista Mendes da Rocha,   que escreveu sobre este poema e o publicou no seu livro “E o Sonho Continua”. Este poema foi escrito no período em que assumi o meu cargo de juiz de Direito, como juiz auxiliar, em Piracuruca, terra de meus ancestrais maternos, embora o desejasse escrever há muitos anos.)
                  
                       I – Pórtico Triunfal

Sete Cidades
de sete vezes sete
véus de encantamento.
Cidade encantada
sempre desencantada
para novos e mais
deslumbrantes encantos.

Cidade de pedras amaciadas
pelos toques
e retoques
dos dedos
delicados diáfanos
e abstratos do vento
e da eternidade.

Cidade esculpida
pela carícia suave
do vento e do tempo.
E das forjas do vento e do tempo
emergem as esculturas
de inefáveis linhas
e tessituras.

Sete Cidades:
sonho feito
de pedra
pedra feita
de sonho
sonho que se fez sonho
na concretude da pedra.

Ó formas sinuosas
de góticas catedrais,
barrocas formas suntuosas
que se excedem e se superam
no além e no demais.
Formas de pétalas pétreas
em volteios e volutas sem iguais.

                       II – Figuras e Mistérios

A Serra Negra
celestialmente
se azula nos longes
do tempo e da distância.

A Biblioteca imersa
em silêncio e mistério
misteriosamente abre
suas páginas de pedra.

Ondas cavalgantes e truncadas
em pedras bordadas
na memória imortal
de um mar que naufragou,
de fenícios encalhados
nos roteiros e mapas
de esotéricas astronomias
sobrevivem nos arenitos
das marés petrificadas.

A Gruta do Pajé
deserta de tudo
deserta até  das lembranças
das antigas pajelanças.

Vale dos Penitentes.
Vale de abandono e solidão.
Vale de lágrimas secas, esturricadas.
Vale de desolação.
Vale de lágrimas abortadas.
Vale de um deus sem coração.

No Forte
um Guarda de pedra na guarita
em rigidez mortuária
debalde aguarda
um outro guarda
para o ato de rendição.
Um Canhão
aponta a mira
de Telescópio
para uma outra
desconhecida dimensão.

A Tartaruga
passeia parada
no tempo e no espaço
com seu casco construído
de brisa e eternidade,
abrigando macambiras
de espinhentas espadas desfolhadas.

Do alto do Vale dos Lagartos
a pré-história nos contempla
dos olhos pedrados
dos dinossauros.

Serra da Descoberta:
em cada passo uma surpresa
em cada olhar uma nova
e surpreendente descoberta.
De suas gretas agres, agressivas e agrestes
a cabeça tosada de coroas-de-frade
se perdem em êxtase e contemplação.

Os líquens são impíngens
e manchas que se derramam
na epiderme macia
ou áspera das pedras.

No Arco do Triunfo
passam e perpassam
a Vitória e a Glória
desse reino de pedras.

A pedra se faz carne
na beleza humana
da Mulher Reclinada.

Imemoriais mistérios e arcanos
ainda persistem impregnados
na Furna do Índio,
povoada de pávidos fantasmas
desgarrados.

A insustentável leveza
da pedra se sustenta
no Jardim Suspenso
da pétrea Babilônia,
onde os segredos e sortilégios
espiam da Janela
e escorrem por veias, vênulas,
túneis e túmulos.

No Portal das Almas
os fantasmas passam
e sussurram disfarçados
no corpo e na voz do vento.

Inscrições rupestres
são o vestígio e a denúncia
de um povo espoliado,
trucidado, dizimado.

Em pedra
um grito continua
entalado na garganta
da efígie/esfinge
de Dom Pedro I.

Os Três Reis Magos esperam
extáticos e estáticos
na perenidade paciente da pedra
o advento do rei
desse reinado de pedra.

Ó glória,
ó deslumbramento
de sonho, de fastígio,
de alumbramento e encantamento
desse reino encantado,
desse reino em pedra emparedado.


                                     Piracuruca, 20 de janeiro de 1998
__________________________________________________________________
                            OBRAS CONSULTADAS

Geologia de Sete Cidades – Fernando Fortes
Fenícios no Brasil – Antiga História do Brasil de 1100 a. C. a 1500 d. C. – Ludwig Schwennhagen
Roteiro das Sete Cidades – Vítor Gonçalves Neto
Enigmas de Sete Cidades – Reinaldo Coutinho   

sábado, 10 de agosto de 2019

LANÇAMENTO DE “CONFISSÕES DE UM JUIZ” EM CAMPO MAIOR




LANÇAMENTO DE “CONFISSÕES DE UM JUIZ” EM CAMPO MAIOR

Elmar Carvalho

No plenário da Câmara Municipal de Campo Maior, na última sexta-feira, foi realizado o lançamento de meu livro Confissões de um juiz. O auditório estava lotado. Os presentes tudo ouviram com muita atenção e paciência. Para o pleno êxito do evento, contei com o apoio do amigo e professor José Francisco Marques, que não mediu esforços em sua organização. Também prestaram colaboração para que tudo se realizasse conforme o planejado a professora Luciana Gomes e o parente e amigo Dr. Domingos José de Carvalho.


A mesa de honra foi composta pelo desembargador José Francisco Nascimento, representante do Tribunal de Justiça do Piauí, professor César Robério, representante da Prefeitura, juiz Antônio Oliveira, representante da Associação dos Magistrados Piauienses – AMAPI, João Alves Filho, presidente da Academia Campomaiorense de Artes e Letras – ACALE, professor José Francisco Marques, que fez a apresentação do livro, o médico Domingo José de Carvalho, que falou sobre o autor da obra, o advogado Dácio Mota, representante da OAB-PI, e o Dr. Josias Bona, filho do saudoso e impoluto juiz Hilson Bona, que foi homenageado (in memoriam) pela AMAPI, e este cronista. O cerimonial foi executado com muita maestria pela professora e acadêmica Avelina Rosa.

Estavam presentes membros de minha família, entre os quais minha mulher Fátima, Miguel Carvalho, meu pai, Antônio José e Maria José (irmãos). Compareceram ainda vários confrades da ACALE, como professor Loiola, Corinto Brasil, Jesus Araújo e Luciana Gomes, além de várias pessoas amigas e interessadas em cultura, dentre as quais registro o professor José Martins, Moreninha Melo, Leal, Josino Gomes de Oliveira, Jônathas Silva, Evandro Araújo e Geraldo Pucuta (ex-craque do Caiçara).

Domingos José, médico competente e dedicado, maçom da melhor linhagem, cidadão honrado, sem jaça, falou de minha trajetória de vida, de meu percurso literário e de servidor público, com belas e emocionantes palavras, que nos comoveram, a mim e a minha família, sobretudo meu pai, que chegou a chorar em mais de um trecho de seu discurso.

Com a mesma competência e propriedade, José Francisco falou de Confissões de um juiz, fazendo uma perfeita síntese de seu conteúdo e lhe examinando a linguagem e a estrutura organizacional das matérias enfeixadas nas diferentes partes. Discorreu também, assim como fizera seu antecessor, de forma sintética, sobre meus atributos intelectuais e sobre as minhas principais características humanas, bondosamente deixando de lado os meus defeitos.

José Francisco e Domingos José falaram ainda de minha curta, porém intensa, atuação de goleiro, em que afoitamente fiz minhas “pontes” e “voadas”, algumas vezes me arrojando aos pés do atacante, para fechar o ângulo da possível trajetória da bola. Domingos José terminou confessando que éramos torcedores do Caiçara e do Flamengo carioca.

Diante disso, aproveito a oportunidade para dizer que uma de minhas primeiras crônicas, publicada no jornal A Luta, quando eu tinha 16 anos, foi sobre as acirradas disputas entre o Comercial e o Caiçara, em que pontificaram dois dos maiores goleiros piauienses, Beroso e Coló, sobre os quais já escrevi crônicas, que podem ser encontradas através dos sites de busca da internet. Esses duelos, como os designei, incendiavam as ensolaradas tardes domingueiras de Campo Maior.

Em meu discurso, discorri brevemente sobre o conteúdo de meu livro, mormente sobre o meu percurso de servidor público. Falei sobre as principais características e virtudes de um verdadeiro magistrado, especialmente a imparcialidade e o senso de justiça. Prestei minha homenagem ao Dr. Hilson Bona, que considero um legítimo paradigma da magistratura piauiense. Ao falar das lutas que empreendi, como homem público e intelectual, me concentrei principalmente na parte relativa a Campo Maior.

Expliquei que em diferentes oportunidades me esforcei para retirar do olvido ilustres figuras da história de nossa comunidade. Entre esses injustamente esquecidos se encontravam (ou ainda se encontram) o seu fundador, sobre o qual, seguindo as pegadas de padre Cláudio Melo, escrevi o livro Bernardo de Carvalho – o Fundador de Bitorocara; o bravo tenente Simplício José da Silva, herói da Batalha do Jenipapo; Raimundo Gomes Vieira Jutaí, estopim da Balaiada, e um dos seus principais líderes. No seu manifesto, lavrado na vila da Manga – MA, datado de 15/12/1838, dois dias antes de liderar a abertura das portas da cadeia pública dessa vila, para libertar vaqueiros e outros trabalhadores injustamente presos, proclamou no seu artigo primeiro: “que seja sustentada a Constituição e garantias dos cidadãos”; e José Eusébio de Carvalho Oliveira (n.10/01/1869 e f.25/04/1925), que foi jornalista, promotor de Justiça, magistrado, membro de Junta Governativa do Piauí, e que exerceu os cargos de deputado federal e senador da República, pelo Maranhão, durante 25 anos. Portanto, o senador José Eusébio foi também membro dos Poderes Executivo e Judiciário. Recentemente, lembrei-lhe o nome ao deputado Wilson Nunes Brandão, quando ele me disse estar escrevendo um livro sobre os parlamentares piauienses.

Disse que em vários textos e discursos, a partir de 1997, quando tomei posse em Campo Maior de minha cadeira na Academia de Letras do Vale do Longá, defendi a preservação e restauração dos casarões e sobrados de nossa cidade, inclusive os da famosa Zona Planetária, de nome tão poético e sugestivo, sobre a qual escrevi um poema épico moderno de igual título, que terminaram reduzidos a escombros; na transformação do Cemitério Velho em museu e memorial a céu aberto, com a conservação e restauração dos túmulos, e criação de alamedas e caramanchões, além de um espaço temático, ainda que sobre pilotis, se necessário; a despoluição do Açude Grande, com a instalação de jardins e fontes luminosas, que lhe aumentem a beleza e a atração turística.

Com muita ênfase, defendi a ideia de que o entorno da barragem, sobretudo o horto florestal, poderia ser transformado num jardim botânico e em agradável balneário, com a instalação de bicas artificiais, que bem poderiam, em projeto arquitetônico e paisagístico, imitar cascatas ou bicas naturais. Evidentemente outros espaços poderiam ser criados no local, inclusive bares, quiosques e restaurantes.

No final, foi servido farto e variado coquetel, e houve a indispensável sessão de autógrafos. Nessa parte tive a satisfação de apertar a mão de vários amigos, como a professora Lindalva, que juntamente com seu marido, o comerciante José Francisco Cunha, foi prestativa e bondosa vizinha de meus pais.

E tive a emoção de ver uma pequena e bem conservada fotografia, trazida pela Gracinha (Maria das Graças Vieira da Silva), em que eu, com apenas um ano de vida, estava no colo de minha saudosa mãe, ambos ladeados por meu pai, parentes e amigos, todos jovens e bonitos.

23 de abril de 2015    

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

VICENTINHO


A razão de o Vicentinho aparecer duas vezes com a camisa do Comercial é que os professores Zé Francisco Marques e João Henrique (filho do craque) são comercialinos. Eu e o fotógrafo (Antônio José, meu irmão) somos caiçarinos. As fotos foram tiradas em janeiro de 2010. Vicentinho foi craque do Caiçara e do Comercial nas décadas de 60 e 70 do século passado.

VICENTINHO

Carlos Said
Escritor, jornalista e comentarista esportivo

O insigne historiador, poeta e escritor Elmar Carvalho (José Elmar de Mélo Carvalho: Campo Maior, Piauí, 1956), tornar-se-á, a partir d'agora, cronista esportivo aureolado pelos contornos da intelectualidade brasileira. Pertence às Academias Piauiense de Letras e do Vale do Longá. Escolheu um tema interessante: Vicentinho, a fim de alardear compromisso com o jornalismo atrelado ao futebol. Evidentemente, da poesia para a prosa, Elmar Carvalho obteve credenciais para escrever crônicas que atingissem o cerne dos vivos personagens e relembrassem “in memoriam”, os feitos altamente espetaculares de jogadores do seu tempo de “peladeiro” e do período mais perto do nosso momento, no qual viveu aplaudindo craques da terra natal e d' outras plagas nacionais.


Assim, descortinamos a veia literária de Elmar Carvalho pousando fácil como cronista esportivo. Seu personagem: Vicentinho (Vicente Chagas do Nascimento, nascido em Fortaleza, Ceará, 1944, residente em Campo Maior, Piauí, aposentado com um salário mínimo), é um tributo ao ídolo consagrado em duas das mais importantes cidades da nossa “hinterlândia”: Campo Maior e Floriano.


Em 2003, quando escreveu “O Pé e a Bola”, homenagem aos famosos jogadores que defenderam os dois principais clubes campomaiorenses: Caiçara e Comercial, Elmar Carvalho buscou a música “Balada número 7”, dedicada ao imortal Garrincha (Manoel Francisco dos Santos: Pau-Grande, distrito de Magé, Rio de Janeiro, 1933 – Rio de Janeiro, 1983), o conhecido anjo de pernas tortas do futebol brasileiro e mundial. Por ilação, a fim de julgar a técnica do Vicentinho, colocou a composição musical dedicada a Garrincha, numa bem feita peça técnica numerada CD's-R, da Elgin, 52 x 700 MB, com duração de 80 minutos. Intuito mesmo de mais ainda reviver episódios através dos dribles desconcertantes do Garrincha, mas sem esquecer as virtudes futebolísticas do Vicentinho como atleta merecedor do destaque regional. Recursos foram empregados capazes de comover desportistas de coturno difícil (aqueles que não desejam comparar habilidades entre o “Mané” e o Vicentinho). Afinal, o novel cronista nos leva à certeza de que o belo e insinuante futebol praticado por Vicentinho em “canchas” campomaiorenses, tenha idolatração na hospitaleira Floriano. Em dois anos: 1966-1967, o Ferroviário da “Princesa do Sul” apresentou ao público o famoso Vicentinho, cantado e decantado nos livros de Janclerques Marinho de Melo: “Crônicas Flutuantes (Lendas e Ruas)”. Na estampa da página 54, Janclerques escreveu: “Em todos os jogos do “Ferrim”, os jogadores Lino, Sadica e Vicentinho, davam “show” de bola. Mas o maestro da equipe era mesmo o Vicentinho”.


Chegamos à conclusão dos esclarecimentos que dizem respeito à personalidade do Vicentinho. Buscamos, agora, as anotações do psiquiatra-neurologista Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise (Freiberg, na Morávia, 1856 – Londres, Inglaterra, 1939): “A felicidade é um problema individual. Cada um deve procurar por si, a maneira pela qual pode se tornar feliz”. Consequentemente, as anotações de Freud representam a felicidade encontrada pelo Elmar Carvalho em reverenciar ainda em vida o Vicente Chagas do Nascimento (o formidável Vicentinho).    

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

TRIBUTO AO CRAQUE VICENTINHO


A razão de o Vicentinho aparecer duas vezes com a camisa do Comercial é que os professores Zé Francisco Marques e João Henrique (filho do craque) são comercialinos. Eu e o fotógrafo (Antônio José, meu irmão) somos caiçarinos. As fotos foram tiradas em janeiro de 2010.

Ontem à tarde, pelo whatsapp da Fátima, recebi do professor Zé Francisco Marques a infausta notícia de que o craque Vicentinho havia falecido. Ainda me recuperando de uma pequena cirurgia, mais tarde, no blogue Super Campo Maior, da jornalista Luselene Macedo, colho as seguintes informações:
“Vicente Chagas do Nascimento, faleceu na manhã desta quarta-feira (07/08), em Teresina, no hospital, onde estava internado há mais de um mês, em consequência de uma pneumonia e há 15 dias ele sofrera um Acidente Vascular Cerebral AVC, que o levou a óbito.

Vicentinho tinha 76 anos de idade. Ele nasceu a 15 de janeiro de 1944, em Fortaleza, Ceará. Foi casado com Luzia de Melo, de quem era divorciado e com quem teve três filhos: João Henrique de Melo Nascimento (Professor de educação física no Colégio Patronato N. Senhora de Lourdes), casado; Sheila Maria de Melo Nascimento, casada, e Suderlan de Melo Nascimento (in memoriam). Deixou 6 netos.
(...)
Vicentinho não perdia um jogo no Deusdete de Melo. Fosse Caiçara ou Comercial, lá estava ele nas arquibancadas, misturado com os torcedores caiçarinos; mas, sempre atento aos lances dos atletas dos dois times do seu coração.”

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, foi craque do Caiçara e do Comercial. Creio que receberá homenagem desses dois times do futebol campomaiorense.

De um artigo de Carlos Said, que amanhã republicarei na íntegra em meu blogue, retiro a seguinte informação: “Em dois anos: 1966-1967, o Ferroviário da “Princesa do Sul” apresentou ao público o famoso Vicentinho, cantado e decantado nos livros de Janclerques Marinho de Melo: “Crônicas Flutuantes (Lendas e Ruas)”. Na estampa da página 54, Janclerques escreveu: “Em todos os jogos do “Ferrim”, os jogadores Lino, Sadica e Vicentinho, davam “show” de bola. Mas o maestro da equipe era mesmo o Vicentinho”.”
                

TRIBUTO AO CRAQUE VICENTINHO

Elmar Carvalho

                Outro dia, fiz um périplo, em companhia de meu irmão Antônio José e do professor José Francisco Marques, pelos arredores de Campo Maior. Pelos arrabaldes, como se dizia outrora. Fui em busca das recordações de minha adolescência tão emotiva e tão sentimental. Mergulhei onde fora o balneário da Primavera. Recordei as belas moças em flor de então, que ressurgiram em minha frente, no apogeu de sua beleza adolescente, como ninfas encantadas, que tanto me deslumbraram nos meus tempos juvenis. 

         Talvez não mais as deseje rever, para que permaneça indelével, em minha saudade e em minha memória, toda a beleza da graça feminina, que o tempo inexoravelmente deve ter transformado. Certamente, essa beleza continua em suas filhas e netas, transmitida pelo bastão de revezamento da sucessividade das gerações. Esquecido balneário da Primavera, onde tantas belezas floriram, onde tantas graças do adolescer desabrocharam para o encantamento de minha já distante juventude. Como diria o poeta, a saudade jorrou-me em ondas... Resistir, quem há-de?

                De lá, de volta para a casa de meus pais, vi o velho Estádio Deusdete Melo, onde atuei como goleiro, em escassas ocasiões, e de cujas arquibancadas vi os voos magníficos dos inexcedíveis goleiros (e meus mestres) Coló e Beroso, que pareciam desafiar a lei da gravidade, em sua elasticidade felina, em suas “pontes” ornamentais, que classificaria hoje como pontes estaiadas, belas, monumentais e precisas em sua eficácia. Naquela velha praça esportiva, os grandes craques do passado executaram suas bem urdidas jogadas, e perpetraram gols que arrancaram aplausos e urros da torcida em delírio.

                Resolvi tomar umas talagadas de calibrina em um barzinho das imediações, que era circunstancialmente frequentado pelo meu saudoso cunhado e amigo Zé Henrique, como uma homenagem saudosista a ele, em cuja companhia, várias vezes, fiz esses périplos suburbanos, evocativos de um tempo que jamais voltará, mas que insiste em se manter vivo, como um imortal vampiro do bem.

                Do boteco, eu via o entorno da barragem. As grandes, belas e sempre verdes árvores do horto florestal. Vi a brancura distante da vetusta igreja do Rosário, a contrastar em suas linhas retas, severas, com as curvas arredondadas, circulares da caixa d’água, também de um branco imaculado, ao menos da distância em que eu a via.

                De repente, provindo de umas pessoas que haviam chegado a uma grande sombra defronte, proporcionada por uma frondosa e avantajada árvore, vieram lindas melodias, de minha predileção. Logo soube que quem as escutava, da sombra esverdeada, era o imortal craque Vicentinho, autor de refinados dribles, executados em desconcertantes malabarismos de um atleta que era um virtuose em sua arte futebolística. Sabia de sua doença. Sabia que, hoje, ele mal consegue caminhar, com ajuda de acompanhante, ele que fora tão ágil e tão veloz.

Ele que fora, em sua destreza certeira e implacável, um dos mais exímios cobradores de falta, sobretudo pênalti, um verdadeiro algoz e fuzilador de goleiros. Fui cumprimentá-lo e lhe render minhas homenagens, eu que no meu livro O Pé e a Bola cometi uma imperdoável, conquanto involuntária, injustiça para com esse magnífico craque, ao omitir o seu nome (*). Certamente, que a injustiça já se encontra sanada, para o caso de uma segunda edição, pois inseri o seu nome no texto, em letras capitulares e de ouro, através do destaque que lhe dei e que ele bem merece.

                Quando precisou levantar-se da cadeira, vi, da distância em que me encontrava, uma bela e jovem mulher, não sei se filha ou neta, pegar-lhe a mão, e delicadamente ajudá-lo a erguer-se. O velho craque levantou-se com dificuldade, girou lentamente o corpo, moveu os pés que não mais lhe querem obedecer, e ensaiou um passo com muito esforço. Mas, em meu pensamento, nada disso acontecia.

Para mim, o velho craque Vicentinho dançava, lépido, fagueiro e elegante, uma saltitante e linda valsa, ou executava o “paso doble” de rocambolesca e dificultosa dança espanhola, com uma linda moça que lhe conduzia e era por ele conduzido, em perfeita integração, como tabela de grandes craques, ou então perpetrava uma inigualável, perfeita, destra e desconcertante jogada, verdadeiro balé, que arrancava delirantes e ensurdecedores aplausos da torcida.

                Inevitavelmente, pareceu-me ouvir, vindo da vitrola de um outro tempo, das ranhuras de um antigo disco de vinil, arrancado das areias de esquecidas ampulhetas, a música Balada nº 7, de Moacyr Franco, que fala de um velho craque, num estádio vazio, na ilusão inglória de uma torcida imaginária, a recordar as suas belas jogadas do passado, aplaudidas em frenesi por fanáticos torcedores, como um tributo a um deus da bola e das arquibancadas.

                Em silêncio, sem um gesto sequer, aplaudi, em meu coração e em minha lembrança, o exímio craque Vicentinho, cujas jogadas ainda são repetidas no vídeo tape da memória e da saudade dos torcedores, e pelos craques que aprenderam as magistrais lições do velho Mestre.  

(*) Na edição virtual de meu livro "O Pé e a Bola", 2ª edição, revista e aumentada, no formato e-book, publicada em 2015, que se encontra à venda na loja Amazon (Kindle) ao preço de apenas R$ 3,42, essa involuntária omissão já foi reparada. Nessa publicação se encontra inserta esta e várias outras crônicas de nossa autoria, referentes ao futebol piauiense.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O café de Amuz



O café de Amuz

Pádua Marques
Jornalista e escritor
Da Academia Piauiense de Letras

Naquele dia ensolarado de 1815 o comerciante sírio Amuz Mussa vendo passar o criado da casa de Simplício Dias na direção do Porto Salgado pediu que na volta lhe desse o recado de ter chegado ao seu estabelecimento, Mussa & Amuz, no início da rua Grande, duas das mais recentes novidades, café em grãos ou em pó e água de Colônia, um perfume vindo da Alemanha. A primeira, uma bebida estimulante pra ser tomada quente e a segunda, um perfume mais suave do que os tradicionais, próprio pras mulheres.

Elias não esqueceu o recado e dois dias depois, num meio de manhã quando a grande casa de produtos secos e molhados de Parnaíba acabava de abrir as portas, eis que entra o senhor Simplício Dias da Silva e dona Isabel Thomásia, sua mulher, que raramente saía de casa. A loja Mussa & Amuz, dos irmãos sírios Fauze e Amuz Mussa, ainda estava com pouco movimento, mas na mesma hora foi como se toda a vila de São João da Parnaíba estivesse dentro dela.

Os irmãos comerciantes haviam chegado na Parnaíba no final de 1770 ainda rapazinhos acompanhando os pais, Zaiyn e Ravna Mussa, quando muito se vendia e exportava carne de charque. Um tempo ainda distante da crise com a escassez de reses pra abate e a entrada de concorrentes das Minas Gerais e da Bahia. Se estabeleceram no início da rua Grande, poucas lojas e armazéns vindo do Porto Salgado pra cima.

Vendiam de um tudo. Tecidos de algodão e seda chinesa, porcelanas, rendas, linhas pra costura, botões, remédios em sachés, velas, azeites, candelabros, doces, tâmaras e damascos em calda, pimenta do Reino, corantes pra tinturaria, sabão em barras, fitas, chapéus pra senhoras e senhorinhas, botas, pregos, bolsas, sombrinhas, pólvora, espingardas e pistolas, enfim tudo o que era novidade na Europa e estava nas mesas de famílias abastadas.

O casal Simplício Dias da Silva foi recebido à porta com todo o rapapé pelo irmão mais velho, Fauze Mussa, homem de uns cinquenta anos, pele morena, barbas pintando de fios brancos, dentes salientes e amarelos e tendo como vestimenta a tradicional camisola branca. Na cabeça estava a touca de rendas e nos pés as sandálias de couro cru. Ao receber Simplício Dias e dona Isabel Tomásia, foi logo mostrando todas as novidades da loja.

Dona Isabel, mulher que poucas vezes havia saído de casa, estava sem jeito ao lado do marido, a quem todos olhavam com curiosidade, medo e respeito. Foi trazida em um vidro grande e transparente alguma coisa muito parecida com sementes ou caroços de feijão quebrados e noutro vidro, um pó não de todo negro, mas com um cheiro um tanto forte. Era o café. Já torrado e moído, era mais caro. Novidade das novidades se gabava Mussa. Vinha do Pará e já sendo apreciado até pela família real no Rio de Janeiro.

Logo um criado trouxe água fervente e ali mesmo fez o café numa espécie de saco de pano, sendo servido em ricas xícaras de porcelana. Amuz Mussa agora estava esperando a opinião dos visitantes, mas foi apenas Simplício Dias quem achou de muito bom paladar a nova bebida. Dona Isabel fez o que se esperava dela, apenas um aceno de cabeça dando sinal de pouca aprovação. Os dois foram aconselhados a tomar a bebida pela manhã com leite e à tarde, puro, bem adoçado com açúcar e que serviria muito bem às visitas na casa da rua Grande. Era um estimulante muito forte e que segundo o velho comerciante Mussa, foi descoberto na Etiópia sendo comida de cabras!

Foram passando pra outras dependências da loja e a curiosidade da dona de casa da rua Grande aumentando. As sedas, rendas, colares, luvas, sapatos, lenços, tudo era motivo de contentamento, mas os olhos de dona Isabel sempre voltavam à procura da aprovação do marido. Na casa de Simplício não se gastava nada além da conta. Na calçada e nas proximidades do caminho do porto muita gente estava esperando e querendo saber por que a Mussa & Amuz estava com aquele movimento desde cedo.

Simplício Dias e dona Isabel Tomásia chegaram ao balcão de madeira no fundo da loja e a uma ordem de Fauze Mussa foi aberta uma caixa de madeira trabalhada em relevo. Dentro dela estavam os ricos e caros frascos de água de Colônia. Era a última novidade vinda da Alemanha! Todas as casas reais da Europa, da Rússia à Grécia consumiam esta novidade da perfumaria! O governador da Parnaíba naquele meio de manhã saiu levando comprado da loja apenas um frasco do novo perfume, do mais barato, e um mercado de café em grãos pra ser torrado e moído em casa.   

Escritores parnaibanos lançam livros no II Corredor Literário, na Caixeiral




Escritores parnaibanos lançam livros no II Corredor Literário, na Caixeiral

Pádua Marques
Jornalista e escritor

Marcado para o dia 17 deste mês no SESC Caixeiral a partir das 18h, o II Corredor Literário, considerado um dos maiores eventos culturais de lançamento de livros e que revelou vários nomes da literatura moderna parnaibana, logo após a extinção do Salipa, o Salão do Livro de Parnaíba.

Entre as presenças confirmadas estão Marcello Silva, autor de O Pescador e Homo Cactus, Cláucio Ciarlini, autor de Inacreditável, criador do Opiagui e da coletânea Versania, Antonio Gallas Pimentel e Dilma Ponte de Brito, da Academia Parnaibana de Letras.

Segundo o escritor Pádua Marques, que deve lançar seu mais novo romance, O Libertador de Cuba, este evento é um passo importante para a integração entre antigos e novos escritores de Parnaíba. “O Salipa acabou. Não há como ressuscitar mais. Agora é continuar com outros eventos”, disse.

O II Corredor Literário é uma parceria do SESC Caixeiral, Opiagui e O Piagui Virtual e a Academia Parnaibana de Letras. A entrada é gratuita e a classificação é livre.

Fonte: SESC Caixeiral. Foto: JaqueB. Edição: APM Notícias.