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AS MOSCAS E O TEMPO
Elmar Carvalho
Moscas douradas
copulam no ar
e tecem teias
com fios longos de
pensamentos,
que se perdem
em passado sem história
e em futuro sem
perspectivas.
Moscas vermelhas
copulam no chão
e as mulheres
surgem no matagal
e as camas estremecem
nas alcovas.
Moscas azuis
copulam no céu:
só existem
anjos e arcanjos
onde a matéria
não existe.
Pba, 02.04.78
O amigo Evonaldo Cerqueira deu a seguinte interpretação a esse poema:
"Uma vez, ouvi o Professor Luiz Romero Lima dizer que os poemas, ao serem publicados, não são mais do poeta. A interpretação é livre e cabe a qualquer um. Pois bem, desculpe-me a audácia.
Num panorama "sociomundial" (nem sei se essa palavra existe), as moscas douradas seriam os reinos nas colônias, sem uma história e com um futuro sem perspectivas (por exemplo, os astecas...).
As moscas vermelhas (sem conotação política e mero uso de cores) teriam os pés no chão, com produtividade (a figura materna das mulheres)numa proliferação mais popular: camas estremecem nas alcovas.
E as moscas azuis (plano superior) na eterna geração da humanidade encarnando num plano físico, no eterno ciclo: nascer, morrer, retornar..."
* * *
E o professor e escritor Marcondes Araújo o parafraseou, de forma algo jocosa, da seguinte forma:
Maniqueísmo das moscas
As moscas sugerem poemas
Mas também certa arrelia
Ora solução, ora problema
Cada momento uma valia
As que reciclam o nutriente
Mas tem “mosca de padaria”.
Ajudam a eliminar detritos
Polinizam reprodução das plantas
É um gesto bondoso e bonito
Atitude que encanta
Conforme está escrito
Parece bendita e santa.
Mas o outro lado da vida
Pautado na ciência e crença
Conduz a uma sequela desvalida
Pois contamina e traz doença
Então mosca está dividida
Entre o ódio e a querença.
Altos, 26/01/26

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