domingo, 12 de abril de 2026

GALO

Imagem elaborada pela IA GPT

 

GALO


Elmar Carvalho

 

O galo

navalha as trevas

                e o

silêncio da noite com seu canto

e desperta o sol e o corneteiro

para o incêndio e

o toque da alvorada.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

EPIGRAMAS DE UM NOVEL SETENTÃO

 

Elmar, aos 70 anos, visto por Gervásio Castro

Recebi, na segunda-feira, dia 06/04/2026, via WhatsApp, a bela e criativa ilustração acima, de autoria de Gervásio Castro, um dos maiores chargistas brasileiros. O mimo, além de seu inestimável valor intrínseco, serviu-me, ainda, de estímulo para escrever o poema abaixo. Não farei comemoração festiva; não haverá regabofe. Para marcar meus “setentanos”, reeditarei Confissões de um juiz, com alguns acréscimos, e publicarei Paragens & Miragens – encantos e quebrantos do Piauí.

E hoje, vale dizer agora, acabo de receber do grande Gervásio Castro esta outra magnífica charge:

Os astronautas voltam de uma viagem em torno da Lua, e eu completo mais uma volta em torno do Sol, através da magia da arte de Gervásio Castro

EPIGRAMAS DE UM NOVEL SETENTÃO

 

Elmar Carvalho

 

Meus amigos e inimigos,

eu lhes anuncio que entra em cena

este novo alquebrado setentão,

talvez bobo da corte de um bufão,

ou este velho Quixote,

de escudo no braço e espada na mão.

 

Entro agora na casa dos setenta,

sem saber ao certo se entro

numa casa ou apenas na tapera

de quem já não alimenta ilusões,

de quem já nada espera.

 

Barco embriagado,

barco egresso de Sagres,

a tropeçar nas ondas,

a dançar furioso a Dança dos Sabres.


Sem armas e sem elmo,

em minha nau já não fulguram

os esplêndidos fogos de Santelmo.

 

Vislumbrei, nos umbrais do inferno,

a dantesca tabuleta:

“Aqui cessa toda esperança.”

Já não tenho primavera, só inverno.

Mesmo assim, em minha alma dançam

as alegrias e alvíssaras

de um parque de criança

que nos trapézios se balança.

 

Aos setenta, reencontrei a criança

que fui e que vive em minha lembrança,

a inverter a marcha da ampulheta,

a sonhar com o céu e outra tabuleta:

“Aqui principia toda esperança.”

 

Teresina, 9 de abril de 2026

 

Quando foi ontem (08/04/2026), fui presenteado com este excelente acróstico, da lavra do poeta Walter Lima:

 

0904.01

 

Já não o vemos como homem-original

Ostenta uma pose mais imponente

Sendo bem visto como aquele Cacto

Evoca também um símbolo de sua terra:

 

Em relação às Letras Justiça Ordem

Lembra outros aspectos da enorme estátua-viva:

Maravilhoso tratável belo Cacto do Bandeira

Atravessa anos, eras de histórias contadas

Recebe do Divino dádivas: soma de anos.

 

Mais que nome marcado representativo

Excepcional exemplo de figura humana

Logra o merecido troféu-vaticínio –

Os filhos gerou, livros escreveu, árvores CARVALHO plantou 

 

Evoé POEta!

W.Lima.

 

RP,  SP, 09.04.2026.  

 

Anteriormente, já havia sido homenageado pela revista Piauí Poético, edição nº 40, editada pelo poeta Claucio Ciarlini, cuja capa segue abaixo:


Por volta das 9:30 horas, recebi este poema do professor e escritor altoense Marcondes Araújo, que muito me honra com a sua amizade e apreço:

Parabéns ao setentão


Em novel fase alvissareira
Ante a aurora do recomeço
Imune a instigação de asneiras
Mais apto a eventual tropeço
Rumo aberto, nova esteira
Cônscio da luta em novo terço.


Sua vida, uma bela história
Anamneses abertas e secretas
Entre tropeços e glórias
Da trajetória de um poeta
Que guarda claro na memória
Idos tempos de guarda-metas.


Ante ao que pregavas outrora
Desafios inéditos à espera
Mais tranquilo, sem demora
Tranquilidade pra quimera
Sensação de que agora
Melhores dias te espera.  

Finalmente, como coroamento dos textos acima, acabo de receber uma carta eletrônica do irmão maçônico Sales Palha Dias, na qual ele se revela um exímio missivista, de linguagem fluente e escorreita, e que segue abaixo:

Amigo Elmar,

Celebrar o seu aniversário é reconhecer uma vida que não apenas passa - mas permanece, pela marca que imprime no tempo e nas pessoas.

Poeta de sensibilidade rara, juiz de conduta íntegra e escritor de pensamento lúcido, você reúne, com naturalidade, qualidades que poucos conseguem harmonizar: _rigor e humanidade, cultura e simplicidade, firmeza e delicadeza._

Sua trajetória honra a palavra que escreve e a Justiça que sempre exerceu  - e, mais que isso, dignifica a amizade daqueles que têm o privilégio de conviver com você.

Receba, neste dia, meu abraço sincero e respeitoso, com votos de saúde, serenidade e contínua inspiração - para que siga sendo, como é, presença que eleva, exemplo que orienta e voz que permanece.

Feliz aniversário!  

Palha Dias.  


Para pingar o ponto final de diamante ou para fechar esta postagem com chave de ouro, segue abaixo um belo poema do amigo Carlos Dias, altoense da melhor cepa, ainda por conta de meu natalício: 

EL - MAR


Ao poeta Elmar Carvalho 

Quero hoje abraçar 

E lhe dar meus cumprimentos 

Pela data salutar 

Que o amigo nesse tempo

Está alegre a festejar.


Sessent’anos de poesia

Brotada do coração,

Rimando com maestria

E muita elocução.

Só quem sabe “faz ao vivo”,

Já dizia o Faustão!


Nas suas águas vertentes,

Trilhadas de ano a ano,

Registrando com a pena

E singrando sem engano,

Lembra  o nobre magistrado

Plena imagem do oceano.


Continue, vate inspirado,

Poetando com fervor,

Premiando nosso mundo

E escrevendo com ardor,

Pois você, da pátria-letra,

É um Desembargador. 📝


Carlos Dias, seu criado.

Altos-PI, domingo, 12.04.2026; 07:53 h.

domingo, 5 de abril de 2026

METAPOEMA

Imagem criada pela IA GPT

 

METAPOEMA


Elmar Carvalho

 

As meadas e as palavras

são labirintos e teias.

Nelas os poetas se elevam;

nelas as moscas se enleiam

e se debatem em vão.

Os poetas são.

As moscas, não.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

CHUVA E APAGÃO

 

Imagem elaborada pela IA GPT, a meu pedido.

CHUVA E APAGÃO


Elmar Carvalho

 

Após o recesso natalino e minhas férias, retornei na segunda-feira, pela manhã, a Regeneração, para reassumir minhas funções. Quando abri a geladeira, logo notei que não havia energia elétrica. Tomei conhecimento de que desde domingo o fornecimento desse serviço fora interrompido. Ou seja, estava havendo um apagão em grande área do médio Parnaíba.

 

Todos lembram que importante autoridade federal garantira que o Brasil não corria risco de sofrer novo apagão, como ocorrera anos atrás, quando grande e importante parte do território nacional ficara sem o serviço de fornecimento de energia elétrica. Acontece que eu vi na internet que, desde o famoso apagão que assombrou os brasileiros, o nosso país já sofreu dezenas de vários apagões de menor escala.

 

Não preciso lembrar que no Piauí, sobretudo nas pequenas cidades, o serviço de energia elétrica é muito ruim, tanto em termos de voltagem, como de oscilações e interrupções, que por vezes se prolongam por várias horas. No caso do problema em Regeneração, o fornecimento retornou por poucas horas na segunda-feira, voltando a faltar de novo, para somente ser restabelecido depois do meio-dia de terça-feira.

 

Deixo que o leitor se encarregue de calcular e imaginar os prejuízos que a população sofreu, no tocante a conservação de alimentos, impossibilidade de uso de aparelhos eletrodomésticos, interrupção de serviços públicos, inclusive de fornecimento de água e telefonia, fora os danos causados ao comércio, sobretudo os que vendem produtos perecíveis ou os que precisam de energia para prestação de serviços.

 

Na tarde de segunda-feira, caiu forte chuva, que se prolongou noite adentro. Houve um pequeno temporal, com o vento uivando nas folhagens, perto de minha casa. Fui ao terraço para contemplar o espetáculo da natureza. As árvores se retorciam, bracejavam em louco requebrado e bramiam, sob os açoites da ventania. Na terça-feira também choveu muito.

 

Lembrei-me de Ribeiro Gonçalves, onde trabalhei durante quase quatro anos. Certa feita, depois de uma viagem de mais de doze horas de ônibus, cheguei à agência no momento em que caía uma chuva de média intensidade. Como não havia serviço de táxi e não havia nenhum carro nas proximidades, tratei logo de enfrentá-la de peito aberto. Segui para o fórum, onde residia em pequeno apartamento destinado ao juiz. Foi uma semana de chuva, em que fiquei o tempo todo na repartição, apenas fazendo o percurso do gabinete para o apartamento, e vice-versa.

 

Essa chuvarada de Ribeiro Gonçalves terminou me sendo benéfica, porque me inspirou um poema de difícil e longa gestação. Fazia tempos que regurgitavam em meu cérebro algumas ideias, algumas metáforas, comparações e onomatopeias, mas os versos teimavam em não querer passar para o papel, ou para a memória e virtualidade do computador. Contudo, vendo essa demorada chuva ribeirense, ouvindo o seu batuque no telhado, a semente do poema terminou por rebentar, e os versos floriram do jeito como eu os desejava, refertos de córregos, pululantes de pulutricantes  cachoeiras, cantantes como rãs, espumantes como corredeiras nos dorsos das pedras.

 

Encerrando este registro, digo que a chuva de Regeneração me fez lembar o jornal A Luta, de Campo Maior, em que publiquei texto de minha autoria pela primeira vez;  esse semanário estampou que a energia da CEPISA era como bode, se arreliava com água. E note-se que esse reparo foi escrito ainda na primeira metade da década de 1970. Invocando o rifão popular, pergunto: será se tudo continua como dantes no quartel de Abrantes? Ou, pior, será se tudo continua – para usar outro anexim – como a cantiga da perua: pior, pior, pior...?

9 de fevereiro de 2011