quarta-feira, 12 de setembro de 2012

DESASTRE AUTOMOBILÍSTICO E OUTROS PERCALÇOS

Acidente sofrido por Elmar Carvalho, através da charge de Fernando di Castro, grande amigo, grande arquiteto e igualmente grande chargista

Foto meramente ilustrativa

12 de setembro   Diário Incontínuo

DESASTRE AUTOMOBILÍSTICO E OUTROS PERCALÇOS

Elmar Carvalho


Na segunda-feira, cedo da manhã, vinha eu para esta cidade de Regeneração, contente da vida, pela vida em si mesma, por estar gozando de boa saúde, e por ter o meu trabalho, em que procuro resolver, da melhor forma que me é possível, sem formalismos desnecessários, como é do meu estilo, os problemas dos outros, trafegando pela BR 316, quando, na altura do km 9, depois de ter passado pela chamada rodoviária dos pobres, ouvi um forte estrondo, como se algo houvesse explodido. Após o impacto, que houve, mas que não recordo ter sentido de imediato, vi a frente de minha picape colada na traseira de um automóvel.

Atordoado, fiquei tentando imaginar o que teria acontecido. Concentrei-me no objetivo de ficar calmo, para conversar com o motorista que eu aparentemente havia prejudicado. Imaginei que eu poderia ter sofrido um rápido desmaio ou vertigem, e por isso teria atingido o carro alheio. Vi do lado de fora um rapaz que tentava fazer contato comigo. Perguntou se eu estava bem. Respondi afirmativamente. Tentei sair pela porta da esquerda, mas percebi que ela fora danificada, e por isso travara.

Saí pela porta da direita. Foi, então, que percebi o que efetivamente acontecera. Um ônibus prateado atingira com violência a traseira de minha picape, e fizera com que ela colidisse com o bagageiro do carro da frente, tendo este, por sua vez, batido no automóvel seguinte. Logo, éramos três vítimas de um motorista imprudente e talvez imperito. Vimos que, de perto do ônibus, ele falava ao celular, provavelmente com o seu patrão. Achamos que jamais iria fugir, uma vez que não houvera vítima fatal, nem ao menos em estado grave. Mas o fato é que ele fugiu, talvez por não ter habilitação, ou ao menos no nível exigido para condução de ônibus.

Ficamos, os três prejudicados, a trocar ideias sobre a situação, enquanto aguardávamos ajuda e a chegada da Polícia Rodoviária Federal, para fazer os trabalhos periciais. Uma viatura do sistema penitenciário parou, por um breve momento, tendo alguns dos agentes me reconhecido. Pedimos que eles dessem a notícia da ocorrência no Posto da Polícia Rodoviária, o que eles prometeram fazer.

De fato, alguns minutos depois uma viatura da PRF chegou. Como eu era a vítima, cujo carro sofrera maiores danos, perguntaram-me se eu estava bem, se não precisava ir para um hospital. Respondi-lhes que fisicamente pouco sofrera, a não ser uma leve e quase imperceptível escoriação, creio que provocada pelo cinto de segurança, que certamente, além da graça de Deus, evitou que eu sofresse algum mal maior.

Um homem se apresentou como sendo o dono do ônibus. Quando falamos dos prejuízos, eu e a moça do carro da frente, que exercia o cargo de farmacêutica em Monsenhor Gil, dissemos-lhe que tínhamos seguro. Devo confessar, mas espero estar enganado, que não senti firmeza no proprietário em resolver os prejuízos que suportaremos, mesmo com o seguro, porquanto nada ele falou de concreto, mas apenas através de evasivas e palavras vazias, ditas de má vontade e sem ânimo de resolver os problemas causados pelo seu empregado.

Com efeito, chegou ele ao ponto de nos dizer que já respondera a processo, e que isso durara onze anos, como se estivesse a sugerir que era melhor não procurarmos a Justiça. Ora, isso não era coisa apropriada para ele falar naquele momento. Depois, de forma também inoportuna, disse que o estrago em meu carro só não fora maior porque o seu ônibus era de alumínio, e não de ferro. Fiquei com a ligeira impressão de que ele estava insinuando que eu poderia até ter morrido, se o ônibus dele fosse um brutamontes todo de ferro maciço.

O prejuízo psicológico que essa brutal colisão me causou sem dúvida vai perdurar por algum tempo. Os transtornos e prejuízos financeiros com a falta e o conserto de meu carro terei que suportar de imediato, pois o dono do ônibus nada falou a esse respeito, a não ser do seu processo judicial de onze anos, pelo qual não tenho a menor culpa. O tempo que desperdicei e ainda desperdiçarei por causa desse acidente, também parece que não lhe diz respeito. E muito menos os percalços burocráticos e mecânicos para ter a minha picape de volta, que era nova e estava em perfeito estado.

De há muitos anos, talvez mesmo desde sempre, já venho praticando a chamada direção defensiva. Muito, mas muito raramente passo dos 100 Km por hora. Sempre mantenho a distância regulamentar de quem vai à minha frente. Facilito a ultrapassagem dos “apressadinhos”, diminuindo a minha velocidade. Se necessário, vou para o acostamento, quando um imprudente e precipitado, vindo em sentido contrário, faz uma ultrapassagem indevida. Tento ser defensivo em relação a quem vem atrás, evitando freadas bruscas. Entretanto, ser defensivo em relação a quem praticamente joga o seu veículo contra o que dirigimos, já é uma missão impossível, ou quase, ao menos em diversas circunstâncias.

Tive o conforto de ter ficado a meu lado o nobre Juiz de Direito Manoel Moraes, que passou pelo local logo depois do desastre, e ficou comigo, prestando auxílio e solidariedade, até quando chegaram minha mulher e minha filha. Teve a iniciativa de ligar para minha comarca, para noticiar o fato e justificar o meu atraso. É ele um magistrado digno, humano, que pratica a bondade e a caridade, sem empáfia e sem bazófia, e isso eu comprovei nesse percalço de minha vida.

Agradeço a Deus por estar vivo e ileso. Sou grato a todos que externaram a sua solidariedade e as suas palavras de estímulo, por telefone ou por e-mail. Termino com o ditado popular, que diz que é melhor irem-se os anéis, desde que fiquem os dedos. Estou bem, e tenho tudo de que necessito. Hoje mesmo, já trabalhei com alegria e bom ânimo.

7 comentários:

  1. JOSÉ FRANCISCO MARQUES12 de setembro de 2012 10:55

    Meu caro Mestre,

    Fiquei sabendo do seu acidente na manhã seguinte do ocorrido, quando em um breve momento de folga consultei o meu msn. De início fiquei naturalmente chocado mas com o desenrolar de suas explicações pude perceber que nada de sério lhe acontecera naquele percalço. Sou testemunha e endosso todas as suas explicações quanto seu cuidado ao volante. Infelizmente no "frio" trânsito essa prática não nos impede de sermos vítimas pois do outro lado há os maus profissionais dessa área comentada. Pude notar que mesmo sendo vítima de um acentuado prejuízo financeiro mantem a sua serenidade e amor a causa. Ficamos assim na condição de amigos a dever mais essa ao Nosso Criador Maior, ao qual no momento reintero meus mais calorosos protestos de agradecimento. Fique em paz meu amigo e que Deus possa sempre protegê-lo.

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  2. José Miranda Filho15 de setembro de 2012 11:31

    Assistindo, ontem, ao programa Pergunte e Responderemos, da TV Canção Nova, pertencente à Igreja Católica, e cujo apresentador é um certo Prof. Aquino, docente de Física, mas também profundo conhecedor das Escrituras Sagradas, ouvi sua resposta à pergunta de um telespectador sobre horas certas para nascer e morrer. Explicou, então, que não é bem como muita gente supõe. Não há uma determinação divina de quando essas coisas devem acontecer. Mas dependem das próprias pessoas. Exemplificando, homem e mulher se conhecem por circunstâncias naturais, nada de sobrenaturais, são envolvidos pelo amor, gerando disso uma terceira pessoa. Por outro lado, alguém negligencia na sua maneira de conduzir a vida, do que decorrerá sua morte, digamos até antes do tempo em que ela deveria ocorrer. Tudo sem a dita predestinação, algo como já escrito nos altos céus. Em outras palavras, foi o que o Prof. Aquino quis expressar aos atendos telespectadores, como eu, e especialmente a quem lhe dirigiu essa pergunta. No seu caso, caro Zé Elmar, é como disse na bem elaborada crônica, isto é, prima por conduzir seu veículo na conformidade da regulamentação de trânsito, que se fundamenta no bom senso. E, apesar da imprudência ou da inaptidão do motorista do ônibus, você saiu ileso, ou quase isso, no acidente. Em face do impacto forte do ônibus na traseira da picape, mas como você não exagerava na velocidade, a colisão com o automóvel que seguia à sua frente foi crucial para que não sofresse maiores danos físicos, ou, quem sabe, Deus nos livre, a partida definitiva. Esta não estava predeterminada para aquele dia; seus cuidados é que o salvaram. Vida longa ao amigo!

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  3. Caros amigos Zé Francisco e Zé Miranda,
    graças a Deus saí ileso. Escrevi a crônica para socializar a minha experiência; para que ela possa servir de exemplo e advertência. Vivemos tempos difíceis. No trânsito, temos excesso de veículos e também motoristas cada vez mais apressados e refratários ao bom-senso e às leis de trânsito. Devemos sempre praticar a direção defensiva, mas mesmo isso não nos livra dos afoitos, dos imprudentes e dos imperitos.

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  4. Caro poeta. Li sua crônica. Sei que vc jamais tem pressa. Como um bom poeta observador, sorve a vida minuto a minuto dela tirando tudo que pode, inclusive os maus momentos como esse que passou, mas que foi minuciosamente descrito. Graças a Deus que vc nada sofreu.
    Mas aproveitei para me deliciar com a poesia "eterno retorno" que vinha transcrita logo abaixo da crônica. Apesar de ela ser de 1994, não me lembro de a ter lido em algum dos seus livros que li.
    Maravilhosa.
    Orgulho-me de ser seu amigo.
    Grande abraço.
    Edison Rogério

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  5. A notícia desse acidente deixou-me abalado, apenas reconfortando-me o atenuante da não gravidade que em seguida tive informações. Vida longa ao Poeta, é o que eu sinceramente desejo.

    Felisardo.

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  6. Elmar, vc deve ter notado (penso) que andei meio afastado, mas isso aconteceu por conta do nosso trabalho, que as vezes nos sufoca. Vi aqui a noticia do acidente, e fico feliz que nada tenha lhe acontecido. Espero que vc veja esse comentário, pois estou indo amanhã pra minha querida Barra Grande, e logo dia 27 chegarão NECO, ZECA, LUIS, RAQUEL e VANDERLITA, todos meus irmãos, para dia 28 comermos um caranguejo e tomarmos aquela gelada. Isso aqui é um convite, caso V.Exa., esteja por aquelas bandas. Abs Jonas Fontenele

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  7. Elmar, só pra lhe atualizar, o hotmail bloqueou meu antigo email, por achar que havia pessoas uitlizando-se dele de forma inadequada. Meu email agora é jonasadvfontenele@hotmail.com ou jonasfontenele@terra.com.br ou jonasfontenele@r7.com

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