quinta-feira, 18 de abril de 2019

Félix Pacheco e Baudelaire

Félix Pacheco, à direita, e, ao centro, o presidente Artur Bernardes


Félix Pacheco e Baudelaire

Cunha e Silva Filho

Foi no sebo da Livraria São José, hoje, localizado na velha rua Primeiro de Março, Centro do Rio de Janeiro, que, numa das prateleiras, por acaso me deparei com um pequeno e envelhecido volume, o qual logo me chamou a atenção: "Baudelaire e os milagres do poder da imaginação", de Félix Pacheco impresso no Rio de Janeiro em 1933 “... nas oficinas Tipográficas do Jornal do Comércio, com tiragem limitada a trezentos e cinquenta exemplares, dos quais cento e cinquenta em papel Congresso Bond.”(atualizei a grafia)

A publicação contém no mesmo volume um discurso proferido por Félix Pacheco (1879-1935) em 24 de novembro de 1932 numa sessão da Academia Brasileira de Letras. O discurso é seguido de comentários de Aloísio de Castro (1887-1959) e de Afrânio Peixoto (1876-1947).

Félix Pacheco, infelizmente, para muitos cariocas é sinônimo do serviço de documentação e identidade, órgão que lhe leva o nome por ter ele introduzido no país o serviço de datiloscopia. Porém, mal sabem os cariocas que esse homem foi um respeitado escritor brasileiro, um poeta simbolista que, ao lado de Saturnino de Meireles, C. D. Fernandes, Carlos Menezes, Tavares Bastos e Gonçalo Jácome,Tibúrcio de Freitas, Rocha Pombo (também historiador) e Pereira da Silva, fundaram a revista Rosa Cruz, com circulação de 1901 a 1904 no Rio de Janeiro. Foram poetas - todos eles hoje esquecidos como tantos outros pelo país afora - simbolistas que, no geral, repetiram a receita, segundo Alfredo Bosi (História concisa da literatura Brasileira, 38ª ed. São Paulo: Cultrix, 2001), do Cruz e Sousa do início da carreira, além de, conforme nos lembra ainda Bosi, poder-se perceber neles “...uma exasperação da maneira baudelaireana” (ibidem).

Entretanto, Félix Pacheco distinguiu-se pelo conhecimento profundo, conforme informam seus contemporâneos, que tinha da obra de Charles Baudelaire (1821-1867), desse poeta de tremenda importância para a poesia do Ocidente.

Podemos dizer que foi com ele que em parte a poesia universal, não abdicando do substrato das formas clássicas, nelas injetou assuntos dessacralizados de uma dicção com sopro de modernidade e com reflexos até hoje. Excêntrico vate que, segundo nos relata Brant Horta num antigo compêndio de análise literária, andava sempre com um cágado amarrado a uma fitinha, tipo considerado boêmio, bebedor de ópio, trajando roupas chamativas, com cabelo tingido de verde.

Estranho poeta esse das Flores do Mal. Tanto é assim a admiração que por ele tinha Félix Pacheco que dele se tornou um tradutor competente e admirado. É dessa admiração pelo poeta francês maldito - expressão cunhada por Mallarmé (1842-1898) - que tratou no mencionado discurso, uma bela alocução que traz à baila um dos aspectos da arte literária considerada por Baudelaire um componente fundamental da criação artística: a imaginação.

Não sem razão o pronunciamento de Félix Pacheco abre com uma epígrafe de Baudelaire, no original francês, alusiva à força e ao valor da imaginação, Baudelaire observa que, no homem a quem a imaginação é indiferente, não é possível haver obras duradouras e fecundas.

Duas questões no discurso de Félix Pacheco se prestam à discussão: o trabalho do tradutor e a imaginação. É importante ressaltar que o discurso de Pacheco, recheado de alusões eruditas e comunicado em linguagem castiça, dialoga, no tocante àquelas questões, com os dois mencionados escritores brasileiros num clima de cortesia, elegância e respeito ao pensamento de cada um. Em vez das divergências de natureza pessoal, sobrelevam os pontos de vista convergentes, o lado construtivo do debate.

Em todos há que destacar o valor atribuído ao papel do tradutor e ao poder da imaginação como elemento decisivo não só em assuntos de estética, mas também no sentido de conquistas sociais. Ao falar do tradutor, Félix Pacheco traz para o debate uma afirmativa de Anatole France ((1844-1924), para quem a tradução era uma atividade “infame,” ou era sempre uma cópia infiel do original, ao contrário do que pensavam Medeiros e Albuquerque (1867-1934), citado também no discurso, bem como Aloysio de Castro e Afrânio Peixoto, os quais entendem que a atividade de tradução associa-se ao da interpretação e até mesmo à originalidade.

A imaginação - acentua Félix Pacheco -, para nós, brasileiros, pode até nos faltar no campo da “organização política e administrativa”, mas não no domínio da literatura, o que é um grande consolo, acrescento de minha parte.

Félix Pacheco conclui sua conferência trazendo a público dois trabalhos de sua atividade de tradutor voltada para a poesia de Baudelaire, tradução que apresenta, na sua forma bilíngüe, naturalmente um convite ao leitor para um exercício de comparação com o original. Trata-se dos poemas “Élevation” e “Correspondences. Esta é, pois, só uma leve amostra de um escritor piauiense que também exerceu relevantes funções, a de Ministro das Relações Exteriores, de deputado federal, de senador e principalmente a atividade de jornalista. Deixou obra considerável” sobretudo no campo da poesia.

Fonte: Portal Entretextos

terça-feira, 16 de abril de 2019

Baurélio Mangabeira



Baurélio Mangabeira

Reginaldo Miranda (*)

                Benedito Aurélio de Freitas, por alcunha Baurélio Mangabeira, nasceu às dezoito horas do dia 18 de julho de 1884, na fazenda “Pau d’arco”, Município de Piripiri, filho de Aureliano de Freitas e Silva e Izabel de Freitas e Silva. Era seu avô paterno o notável padre Domingos de Freitas e Silva, o principal fundador da cidade de Piripiri e dona Jesuína de Freitas e Silva; e materno Porfírio de Freitas e Silva e dona Joana de Freitas e Silva (Na declaração de seu nascimento, por ele feita, informa que nasceu em 19 de junho de 1890, na cidade de Piripiri).

Órfão de mãe desde o nascimento, vez que a genitora morrera no parto, e de pai desde os cinco anos de idade, foi criado sob os cuidados da tia e madrasta Carolina Rosa da Silva, tendo em vista seu pai depois de viúvo ter convolado novas núpcias com uma cunhada, como a anterior sua sobrinha, com quem teve mais três filhos. Sem pai e sem mãe, transcorreu sua meninice sem muito regramento, desde cedo correndo solto nos arredores de Piripiri, banhando em riachos, subindo em árvores, armando arapucas para apanhar aves e fazendo outras estripulias típicas de menino de fazenda. É quando foi aberta pelo professor Nelson Francisco de Carvalho, uma escola de primeiras letras para alfabetizar as crianças de Piripiri, que até então não existia. O menino Benedito Aurélio foi mandado imediatamente para essa escola, surpreendendo o mestre pelos rasgos de inteligência. Concluída essa etapa, aos 12 anos de idade, foi enviado pelo avô Porfírio de Freitas e Silva para a cidade de Barras, onde concluiu os estudos primários, os únicos cursados em escola regular, prosseguindo como autodidata.

Completada a maioridade, muda-se para a cidade de União, “onde começou a trabalhar em misteres humildes e depois como balconista na farmácia Guerreiro, daquela cidade. Daí passou para a farmácia do Sr. Tersandro Paz, em Floriano e Teresina. Nessa última, que então era o melhor estabelecimento no gênero, neste Estado Baurélio habilitou-se como farmacêutico prático e conseguiu juntar um pecúlio regular, com o qual começou a comprar livros. Em seguida surgiu pela imprensa publicando sonetos líricos amorosos, mas que chamavam atenção (...) pela cadência, ritmo e beleza de imaginação”. Em toda a sua vida, foi essa a fase em que esteve mais equilibrado financeiramente. Por esse tempo se qualificava como farmacêutico licenciado.

Todavia, “à proporção que ia ingressando no Parnaso e que o estro se desenvolvia calorosamente com aspectos panorâmicos de belezas transcendentais, ia o poeta afrouxando a dedicação ao trabalho quotidiano”, entediando-se até abandoná-lo completamente e entregar-se de vez à boêmia, primeiro em Parnaíba e depois em Teresina e outras localidades, consumindo todas as suas economias. Entregou-se ao vício do alcoolismo e tabagismo. Desde então, passou a viver com dificuldades financeiras.

Na poesia iniciou-se seguindo a tendência naturalista defendida por Mauricio Le Blande e Émmile Zola. Somente depois, impressionado com a leitura das poesias satíricas de Bocage, tornou-se humorístico e causticante. Por esse tempo, publica Sonetos Piauienses(1910), panfleto de versos humorísticos e agressivos. Nessa ocasião, lembra Alarico José da Cunha em seu discurso de posse na Academia Piauiense de Letras, principal fonte dessas notas e autor das citações entre aspas, que “um dos atingidos pelas sátiras do poeta, ameaçou-o de um surra em plena rua de Teresina. Tendo conhecimento da desagradável promessa, Baurélio dirigiu-se ao Chefe de Polícia, (...), solicitando que este providenciasse no sentido do seu agressor adiar a surra por uma semana, pelo menos, a fim de poder ele terminar um serviço que havia começado”. Felizmente, a tal promessa não se concretizou e nosso poeta pôde continuar circulando livremente pelas ruas de Teresina.

Sobre esse volumeto de versos de tiragem reduzida, hoje completamente desaparecido, assim registrou o jornalista Elias Martins, redator-chefe do jornal O Apóstolo:



“Do inteligente moço B. Freitas que, em nosso meio é conhecido pelo pseudônimo Baurélio Mangabeira, recebemos um pequeno livro, Sonetos piauhyenses, fineza que agradecemos.

‘Não nos sobra espaço para uma apreciação cabal do trabalho do sr. B. Freitas; mas da ligeira leitura que fizemos, vimos que ali há sonetos escritos com inspiração.

‘São versos puramente piauhyenses, vazados alguns em feio realismo. Não nos soube bem aquele mau gosto do autor em escolher cenas indignas de reprodução, de preferência a outras tão belas que não só estimulariam o estro, como salpicariam de graça e candura as páginas de um livro. Achamos extravagante a predileção do autor que, pode ser, doutra vez, procure inspirar-se em coisas mais limpas” (O Apóstolo, 10.7.1910).  



Esse julgamento severo daquele órgão de imprensa, certamente deve-se ao caráter satírico da publicação.

Alarico José da Cunha, no indicado discurso de posse lembra também a engenhosa e interessante versão do poeta para o seu pseudônimo. Porque sua desditosa mãe houvera feito uma promessa para São Benedito, santo de sua predileção, mas este os abandonara à própria sorte, desprezou o nome do taumaturgo, mas em reverência à veneração da mãe conservou o B inicial e etimológico que, junto com a palavra Aurélio, parte do nome de seu pai e do grande imperador filósofo Marco Aurélio, deu em resultado a palavra vibrátil, elegante e sonora Baurélio. E porque o sobrenome Freitas pouco lhe dizia, substituiu-o por Mangabeira, nome de uma árvore que por aqueles dias era fonte de riqueza no Piauí, produzindo magnífica borracha. Para ele, Baurélio Mangabeira, significava poder, sabedoria e riqueza – os três principais fatores do progresso e da civilização.

Jornalista andarilho, repentista e tribuno ardoroso, andava com um prelo portátil e em qualquer parte onde estivesse editava seu jornal A Jornada, periódico ambulante que manteve por vários anos, sendo ele sozinho e a um tempo, redator, revisor e tipógrafo. Redigia, compunha, executava clichês de madeira para ilustrar o jornal e, afinal, o imprimia. Modelava também em zinco e era exímio desenhista, pintor, xilógrafo e escultor. Colaborou também nas revistas Alvorada(1909), Litericultura(1912), Via Lucis (1913, pertencente ao Grêmio Literário Abdias Neves, de Teresina) e nos jornais A Chaleira, O Porvir, O Norte, O Grito, A Letra e O Periperi. Consagrado na literatura, em 1917 participou da fundação da Academia Piauiense de Letras, tomando assento na cadeira n.º 6.

Contraiu matrimônio, um tanto retardado, em 21 de junho de 1927, na fazenda Sentinela, do termo de Alto Longá, onde exerceu o cargo de juiz distrital, com a senhorita Raimunda de Oliveira Freitas, filha do capitão Possidônio Otaviano do Nascimento e de sua esposa Feliciana Oliveira do Nascimento, residentes naquele termo. Do consórcio deixou os seguintes filhos: Francisco de Assis Freitas, nascido em 1928 e falecido na cidade de Piripiri, com treze anos de idade, em 21 de dezembro de 1941; Maria de Lourdes Oliveira Freitas, nascida em 23 de julho de 1931, na cidade de Piripiri; e, José Henrique de Oliveira Freitas, nascido em 15 de maio de 1933, na casa de residência de seus genitores, situada à Rua Lisandro Nogueira, cidade de Teresina.

Para Alarico da Cunha, “Baurélio Mangabeira foi sempre um torturado na sua peregrinação terrena e uma vítima da indiferença do meio. Mantinha, entretanto, uma verve chistosa e humorística, com a qual disfarçava gostosamente os seus pesares ou ‘as tormentas da vida’” (CUNHA, Alarico José da. Discurso de Posse. Revista da APL n.º 17. Teresina: Imprensa Oficial, 1938).

Faleceu Benedito Aurélio de Freitas, o popular poeta Baurélio Mangabeira, em sua residência situada na Rua Clodoaldo Freitas, cidade de Teresina, à uma hora da manhã de 16 de abril de 1937, com quase 53 anos de idade, sendo o corpo sepultado no cemitério São José. Falando à borda de seu túmulo, na tarde daquele mesmo dia, e em nome da Academia, disse o consagrado poeta Celso Pinheiro:



“É finda a tua missão! Desabotoaste em flores de carne e flores de espírito. O sentimento é ainda uma força eterna, inextinguível. Não foi em vão que sofreste. Dor é imortalidade...

‘Serviste ao coração e à inteligência. O teu esforço foi coroado com o azul dos céus. Honraste a Deus. Sê em paz. Com o fósforo do pensamento acenderemos hoje, em tua honra, a vela de uma lágrima, grande iniciado da religião do Silêncio!...

‘Sê em paz...” (Rev. APL n.º 16 – Dez./1937. P.183/189).

Em 1914, durante confraternização de seu aniversário natalício, compôs esse soneto, citado pelo Prof. Mardoqueu Marques, seu amigo, em panegírico feito na sessão de 24 de maio de 1937:



NA MINHA DATA



Nessa terna ilusão da vida flórea,

Armaram-me a facão, à foice, à enxada,

Para limpar os rumos dessa Estrada,

Que levam a gente sã à Eterna Glória.



Passo vista aos rebanhos. A Alvorada

Desata a minha rede e cita a história

Da gente parva, torpe, merencória,

Da gente fartamente acanalhada.



Amolo a ferramenta. Sigo o prumo...

Canaviais desmanchando em níveo sumo,

Tirando aos parreirais sangue africano...



Faço na terra impávido mistério!

- Tanto povo a passar p’ro cemitério,

E eu caladinho faço mais um ano!



Em homenagem à jovem esposa, publicou este outro soneto:



Naquela tarde lírica e serena,

Cheia de encanto e dúlcida visão

Eu te senti, mirífica falena,

Dentro do meu sensível coração...



Por terras do Longá, paragem amena,

Eu cavalgava no arenoso chão,

Perante a nívea lua do sol na arena...

Verdes, espessos matos do sertão



Foi quando ouvindo os pássaros cantando,

Que meus olhos de bordo foram olhando

O pátio da fazenda Sentinela...



E estavas tu, senhora feiticeira,

No terreiro da casa hospitaleira,

Ó divina mulher! Criatura bela!

                  (A Jornada, 25.9.1927. IN: MATOS, J. Miguel. Os fundadores. 2.ª  Ed. Teresina: APL, 2018)



Ainda como mostra de sua produção literária, seguem alguns poemas:




FAZENDA



Dorme tranquilo o campo esmeraldino

Logo que a noite cai sobre a morada;

E o tempo calmo como um bom destino

Ronda a noturna região sagrada.



Cantam rios de fluido cristalino

Perante humana vida sossegada

Quando em momento lúcido, divino,

Surge da treva fulva madrugada.



As aves chilram despertando a gente!

O vaqueiro aboiando à luz nascente,

Desce ao curral de gordas vacas mansas.



No pátio da fazenda urra o novilho!

A vaca lambe o pequeno filho

Sobre o vasto sertão cor de esperanças.

                                      (MATOS, J. Miguel. Os fundadores. 2.ª  Ed. Teresina: APL, 2018).



REVELAÇÕES



Não julgues que, se a sorte não maldigo,

Seja porque minha alma não sofreu

Os travos da desgraça – agro castigo,

Que dizem vir do inferno ou vir do céu.



Pouco tempo meu pai viveu comigo:

Cinco rápidos anos e morreu.

E minha mãe, com lágrimas te digo,

Dentro de algumas horas faleceu.



Escuta lá: Nos cemitérios vastos

Os ossos de meus pais devem estar gastos

Pelo tempo que tudo estraga e rói...



Olha: quem nessa estrada cai,

Sem ter mãe, minha filha, e sem ter pai,

Há de sentir o quanto a vida dói...



CANÇÃO



É da luz dos teus olhos, luz que eu amo,

Que vem todo este amor à alma que tenho...

Os teus olhos no meu refletem a flux,

                         Doce luz!

- Dois rouxinóis cantando num só ramo:

Doce ideal da vida em que me empenho.



Do róseo dos teus lábios, cor que eu amo,

Vem todo este prazer à alma que tenho...

Unamos, minha flor, teus mornos lábios

                       Nos meus lábios...

Dois rouxinóis beijando-se, num ramo:

Doce ideal no amor que em mim contenho.



Dos contornos dos seios, seios que amo,

Vem todo o amor que em mim contenho.

Unamos o teu peito no meu peito...

                       Doce leito!

- Dois rouxinóis unidos, num só ramo:

Doce símbolo da vida que não tenho.



Noivo – envolvido em tétrica tardança...

Louco! Penso que às vezes me detestas.

Prende-me à rósea detenção do seio...

                 Doce enleio!

- Quando virás, ó última esperança,

Trajando o verde augusto das florestas!.

                      (Diário do Piauhy, Teresina, 10.5.1914).



PALINÓDIA

                    Aos meus irmãos Totônia, Chiquinha e Aurélio.



Quando eu morrer, sensíveis criaturas,

Filhas de Carolina e Aureliano,

Dispenso as vossas lágrimas tão puras,

E o vosso amor por mim, tão soberano!



            Isolem-me entre estranhas sepulturas,

            Que este é o prazer real de que me ufano.

            Oh, me não chorem ternas criaturas!

            Morto não penso e disso me não engano.



Vossa virtude e a de meus pais não mancho!

Deixai-me lá no verdadeiro rancho,

- Palácio sepulcral da Eternidade.



          Deixai-me sossegar! Deixai-me só!

          O coração do morto desce ao pó

           Como um monstro insensível à saudade!

                                    (O Apóstolo, 1.10.1911).



POR QUE FOI?



Por que foi terna luz da minha vida,

Encanto, sedução, doce ventura,

Que me levaste à dor, à desventura,

Ao frio, à treva, onde não medra a vinha?



Por que foi, terna luz que em mim fulgura,

Encanto, sedução, grandeza minha,

Que me negaste a festival ventura,

Dando-me triste vida que eu não tinha?



Por que foi, luminosa luz celeste,

Encanto, sedução, visão radiosa,

Que eterna dor e pranto à alma me deste?



Por que foi que eu, sofrendo esse tormento

Odiar-te não pude, alma de rosa.

Nem também te apagar do pensamento?!

              (A Pacotilha, Maranhão, 19.12.1919).





FOLHA DE MEU DIÁRIO



Amigos – não os achei na vida minha,

Até triste momento em que hei vivido,

Pobre sorte a que eu tenho. Ninguém tinha

Posto reparo assim que eu tenho tido.



Já tinha eu reparado em minha vinha,

Que a bondade é rebento mal nascido,

Que a lhaneza é uma droga que se vinha,

Que se torna em vinagre mal curtido.



Neste século repleto de ambição,

Cheio de indesejosos e cretinos

Fechemos o capítulo da razão!



Fechemos o capítulo da Virtude!

Este século presente, meus meninos,

Inda ilude a vocês mas não me ilude.

                         (A Pacotilha, Maranhão, 24.3.1920).





SONETO



Sóis que andam a rondar as infinitas

Zonas infinitíssimas, astrais,

Castiguem, astros do bem, os animais

Que andam compondo legiões malditas.



Ah! Ser humano – és mísero demais...

Nasces cantando os hinos das desditas,

Morres sentindo n’alma átras vinditas

Que Deus concede aos pálidos mortais.



A lei de Jeová deu p’ra ser lida,

Perturba a humanidade pela dor,

E é mais ou menos isto –infame sorte!



1º art. – a luz saudando a vida!

2º art. – o mal sagrando o amor!

§ § finais – sombras de morte.

                             (A Pacotilha, Maranhão, 2.10.1914).



ESPERANÇAS



Batem à porta rude das Chimeras,

Em breve, as Esperanças foragidas!

E dos Sonhos sonhados noutras eras,

Resta o cortejo de ilusões vencidas.



Hão de findar p’ra sempre as Primaveras...

E o tempo a evoluir, em arremetidas,

Há de trazer-nos úmidas Taperas...

E esperanças revivem noutras vidas!



Em fuga as ilusões que alimentamos...

E o nosso Amor em fuga, porque andamos

Comboiando fatais desesperanças...



E neste rumo, aos trambolhões e aos trancos,

Vamos em busca dos cabelos brancos,

Para esquecer as mortas Esperanças...

                         (O Pharol, Cuiabá, 29.5.1909).

   
(O presente texto foi publicado inicialmente nos jornais Notícias Acadêmicas, Setembro/2010 e Meio Norte, 29.10.2010. Foi ampliado pelo autor).

______________________

(*) REGINALDO MIRANDA, autor de diversos livros e artigos, é membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí e do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PI. Atual presidente da Associação de Advogados Previdenciaristas do Piauí Contato: reginaldomiranda2005@ig.com.br     

domingo, 14 de abril de 2019

Seleta Piauiense - Hermínio Castelo Branco



Um ajuste de casamento num serão de farinhada
(Fragmento)

Hermínio Castelo Branco (1851 - 1889)

(...)

Ligeiro o rodo percorre
Sobre o forno fumegante,
Impelido com mestria
Pelo braço do João Bento,
Conhecido entre os roceiros
Pelo tio – João Quadria.

Uma mulher quarentona,
Junto dum cocho sentada,
Tendo nas mãos a peneira
Se remexe, diligente,
Sacudindo a urupema,
E separando a crueira.

Na tacaniça do rancho,
Sibila a roda cortante,
Sobre os eixos discorrendo,
Entre os pulsos vigorosos
De dois roceiros robustos,
Na matraca rebatendo.

No banco do cevador,
Orgulhosa do trabalho,
Naturalmente escanchada,
Uma matuta gorducha,
Aplica no caititu,
Grossa mandioca raspada.

Grita a raiz comprimida
Sob os dentes da rodeta,
A seiva longe esguichando;
E chove a massa gomosa,
Pelas esteiras do cocho,
Alvas colunas formando.

A cevadeira reclama
Outro cofo de mandioca,
Que nas pernas agasalha,
Tendo, antes, o cuidado
De arranjar sobre as coxas
As dobras duma toalha.

Entretanto os puxadores,
Deixando, por um momento,
O férreo veio da mão,
Limpam bagas de suor,
Amarrando na cintura
A camisa de algodão.

Grande tulha de raízes,
No centro do ranchozinho,
Se eleva à cumeeira,
Reforçado pelos cofos,
Que se despejam cantando,
Conduzidos na carreira.

Velhos, moças e rapazes,
Sem ordem, sem distinção,
Ali, em roda, sentados,
Sob apostas inocentes,
Raspam mandioca ligeiros,
Com seus quicés amolados.

Dum lado numas gamelas,
Três mulheres ocupadas,
Com os braços seminus,
Em tirar a tapioca,
Espremendo a fresca massa,
Para fazer os beijus.

No terreiro, bem varrido,
Sobre a branca e fina areia,
Pela lua prateada,
Os meninos, reunidos,
Brincam no joão-galamarte
Em confusa gargalhada.

Eis o quadro meu leitor,
Que apresento, fielmente,
A teus olhos pouco afeitos
A essa vida inocente
Do matuto, honesto, honrado,
Que trabalha no roçado.

(...)

Fonte: Lira Sertaneja, 1988, Projeto Petrônio Portella/Academia Piauiense de Letras   

sábado, 13 de abril de 2019

ÉTICA E MORAL: VIRTUDES MAIORES DO SER HUMANO



ÉTICA E MORAL: VIRTUDES MAIORES DO SER HUMANO       

Antônio Francisco Sousa – Auditor Fiscal (afcsousa01@hotmail.com)
      
                Andamos tão descrentes de tudo e desacreditando de todos, que fatos publicados pela mídia, ouvidos ou sabidos em decorrência de processos interativos ou comunicativos, interpessoais, importantes ou não, quando não os descartamos, sumariamente, não têm sido motivo para reflexões mais sérias. Se lhes interessam, os menos céticos até tentam confirmar informações vindas de fontes sobre as quais não deveriam recair quaisquer dúvidas, ou ainda que disseminadas por pessoas ou veículos de prestígio e/ou idoneidade, pretensamente, inquestionáveis.

                Parece, se formos levados a considerar, ao pé da letra, determinadas intervenções feitas por pessoas ou entidades, em que possam estar em julgamento aspectos éticos ou morais, que ninguém mais pode ser diferenciado ou prestigiado pelo uso que faz ou pela valorização que atribui a tais preceitos. Ou seja, virtudes morais e éticas poder-se-ia, infelizmente, tomar, hoje, por algo que não mais separa os homens bons e probos, dos cafajestes, bandidos ou amorais. Tão poucos, no entendimento de muitos, possuem-nas que, por isso, não passam de exceções residuais. Melhor considerar a todos vítimas da falta de ética ou de valores morais, do que se arriscar colocar a mão no fogo em defesa dos que não padecem de essas falhas existenciais. É como se disséssemos – concordando com George Bernard Shaw, para quem o segredo do sucesso é ofender o maior número de pessoas -, sem que com isso pudéssemos estar ofendendo os bons, que melhor e muito mais fácil seria colocar a todos nos mesmos nichos ou situações; desse modo, não lograriam êxito os que ousassem se ofender por não quererem estar posicionados ou entre os indivíduos indignos de respeito ou credibilidade, já que todos estariam reunidos, senão pelos defeitos morais e éticos, não por suas virtudes, o que tornaria ninguém melhor ou pior do que seus pares.

Fato é que não existe um ranking ao qual alguém possa reivindicar, naturalmente, um posicionamento compatível com seu grau de idoneidade moral e ética, e isso fica patente a partir do momento em que as pessoas, para ganharem tempo ou não se preocuparem, passam quase a não reconhecer méritos morais e éticos em quem quer que seja.

                Para comprovar e, aproveitando o ensejo, encerrar este arrazoado, pretendemos dar exemplos de como andamos igualando todo mundo pelo que a humanidade tem de pior: a falta de ética e o abandono aos princípios morais que devem nortear o homem em suas inter-relações e interações com seus pares.

Como funcionário público que, no exercício de suas funções, por dever de ofício, embasado em critério moral ou ético inquebrantável, tem a obrigação de guardar sigilo sobre os fatos, os documentos e as ações que orientam, disciplinam, controlam nosso mister laboral, temos visto o órgão para o qual prestamos serviços colocando em cheque a intrínseca e racional naturalidade daqueles princípios éticos e morais, quando, a despeito do fato de havermos, ao tomar posse e entrar em exercício funcional, jurado cumprir as leis, regulamentos e regimentos que norteiam a profissão que abraçamos, vez ou outra, ou melhor, tantas vezes, reiteradamente, emitindo instruções, orientações, portarias, memorandos, enfim, documentos que tentam nos ensinar mais do que seja moral e ética, a nos comportar segundo ditames que aqueles instrumentos legislativos e administrativos lecionam a respeito dos mesmos. Parecem desconfiar os homens, alguns de entre nós mesmos, funcionários, colegas de profissão, gestores, de que, sem a formalização ou oficialização de normas que, coercitivamente, nos orientem e induzam a agir, moral e, eticamente como cidadãos e profissionais ilibados, probos e honestos, não conseguiremos sê-los.

                Outro exemplo. O presidente da República, em um decreto fresquinho, que entrará em vigor no dia internacional do trabalho, vem determinando aos servidores públicos federais como se dirigir, oralmente ou por escrito, a quase todas categorias funcionais de trabalhadores e funcionários públicos, exceto a turma do poder judiciário, ministérios públicos e de outros entes estatais: deveremos tratar a todos por “senhor” ou “senhora”. Vossa senhoria, vossa magnificência, doutor, ilustríssimo, digno ou digníssimo, respeitável, excelência ou excelentíssimo, somente se os que assim quiserem ser tratados, dispensarem-nos compatível tratamento. Ou seja, estaremos sendo antiéticos se não seguirmos tal norma legislativa. Fato é que, enquanto perdemos tempo com demagogia, picuinhas e cerimonialismos, o mundo pensa em coisas mais sérias.

                Enfim, quiséramos estar corretos ao considerar que os homens nascem predestinados a ser moral e eticamente honestos, que o convívio social com aqueles que não valorizam tais princípios é que estraga a muitos; também desejaríamos estar certos se disséssemos que as pessoas precisariam, sim, ser segregadas ou reunidas por suas diferenças e semelhanças em aspectos vários, dentre eles, os princípios morais e éticos aceitos, conhecidos e, racionalmente, respeitados por todos que, independentemente, de normas ou regras esdrúxulas, descabidas, reconhecem-nos como indispensáveis à prática da convivência em sociedade.   

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Uma praça da Academia Parnaibana de Letras



Uma praça da Academia Parnaibana de Letras

Pádua Marques, cadeira 24 da APAL


Se eu tivesse que pedir um favor ao prefeito Mão Santa, este pedido seria bem simples. Ele que tem sido tão cuidadoso com a estética da cidade de Parnaíba ao construir e inaugurar praças para o lazer dos nossos filhos, certamente que não se furtaria a este meu pedido, que tenho certeza não é tão dispendioso.

Certamente quando a prefeitura tivesse recursos para tal, visto que neste momento a atenção está voltada para a reconstrução de ruas, casas e regiões alagadas pelas chuvas. Porque sendo escritor e membro da Academia Parnaibana de Letras, creio que abraçaria com toda a atenção este meu pedido, que o faço em nome de todos os membros.

Que em se construindo uma praça, que este espaço de passeio das mães e pais com seus filhos e por aqueles que às vezes pedem recolhimento para a leitura de um livro ou jornal, que esta praça se chamasse Praça da Academia Parnaibana de Letras.

E que na sua inauguração cada membro, tendo condições de saúde ou que quisesse, plantasse uma muda de árvore da variedade a seu gosto. Seria uma forma de deixar para as futuras gerações, netos, bisnetos, a população em geral, aos amigos que devem  lembrar sempre o nosso nome, quem fomos, eternizados por uma árvore.

Humberto de Campos talvez quando plantou no quintal de sua casa aquela castanha de caju nunca imaginou que ainda hoje, transformada em árvore, é objeto de veneração por todos os parnaibanos e turistas e pesquisadores.

Sei que as pessoas, até mesmo dentro da nossa entidade de cultura hão de achar fantasiosa esta minha ideia. Sinceramente eu gostaria que daqui a muitos e muitos anos, cinquenta, cem anos ou mais, meus descendentes  ao passear por alamedas tão bem arborizadas pudessem à sombra de um ipê, mangueira, castanheira ou outra espécie, ler um livro de minha autoria.    

quarta-feira, 10 de abril de 2019

HOMENAGEM A PÁDUA RAMOS




Com a presença de fiéis, acadêmicos,  secretários do  governo municipal,  e amigos do extinto,  foi realizada ontem ao meio-dia, na Catedral de Nossa Senhora da Graça,  em Parnaíba, missa em  intenção da alma do economista Pádua Ramos,   pela passagem do Sétimo Dia de seu falecimento.


Apesar da inconveniência do horário, meio dia, quando muitas pessoas, inclusive acadêmicos, ainda estão em seus trabalhos, a missa teve uma boa participação.
A Academia Parnaibana de Letras se fez representar pela presença do seu presidente   José Luiz de Carvalho, do secretário geral Antonio Gallas e dos acadêmicos Alcenor Candeira, Roberto Cajubá, Dilma Ponte e  Israel Correia que   na ocasião representou o seu pai, acadêmico e ex-presidente da APAL  dr. Lauro Correia.

Antes da benção final os avisos e mensagens dos que não puderam comparecer. Valdeci Cavalcante informou que devido compromissos em Brasília não poderia estar presente em Parnaíba nesta data. A professora e acadêmica Christina de Moraes Souza foi representada pela acadêmica Dilma Ponte.

Em seguida o acadêmico e  Secretário da Chefia de Gabinete da Prefeitura de Parnaíba Israel José Nunes Correia usou da palavra para fazer uma homenagem ao parnaibano  e homem público falecido em Fortaleza na data de 02/04/2019.

Eis como se pronunciou Israel Correia:

BREVES PALAVRAS SOBRE ANTONIO DE PÁDUA FRANCO RAMOS

Em Parnaíba, aos  dias do mês de fevereiro de 1935, o penúltimo dos filhos do casal Raimundo Ramos Vieira e Hermilia Franco Ramos nasceu e, ao completar 20 anos de idade, partiu para Fortaleza, deixando firmes laços de amizade na cidade com as famílias Correia e Velloso, mas o jovem Pádua  Ramos –  acima de tudo e de todos –  viajou certo de cultivar amizade e veneração eternas pelo professor que considerou legendário, o professor de português, José Rodrigues, o qual não só o influenciou, mas toda uma geração de parnaibanos.

A simpatia de José Rodrigues ao integralismo, fez Pádua Ramos e João Paulo dos Reis Velloso, amigos católicos, líderes do movimento integralista nesta cidade, sendo fundadores de um Centro Cultural integrante de uma Federação dos denominados Centros  Culturais da Juventude (CCJ)  os quais eram ligados ao Partido de Representação Popular (PRP) liderados por Plínio Salgado.

Quanto ao Partido de Representação Popular, Pádua  Ramos não ingressou em suas fileiras. Apenas participou de reuniões domingueiras. Não tinha a vocação para a política partidária. Interessava-lhe  a política cultural.

João Paulo foi o amigo que lhe emprestou os livros de Plínio Salgado para leitura e,  no meio integralista, Pádua denominou-se “Águia Branca”.

Outro decisivo mentor de Pádua Ramos foi Alberto Silva que o agregou  ao mais íntimo grupo de administradores a serviço de seus projetos políticos, desde passagem por cargo público no Ceará.

Por seu mérito pessoal e por confiança nele depositada por Alberto Silva que apresentou suas credenciais a Virgílio Távora, Pádua Ramos ocupou a presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado do Ceará e do Banco do Estado do Ceará (BEC).  A esse tempo, não era apenas bancário, pois já receberá inscrição de número 15 do Conselho de administração do Ceará.

Participou, no Piauí do governo de Alberto Silva, em seus dois mandatos. No primeiro deles, nos anos 1970, titular da Secretaria de Planejamento, foi responsável pela criação da Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí, a fundação CEPRO, inigualável centro irradiador da inteligência Piauiense.

No segundo do mandatos, retornou a Teresina para exercer a presidência do Banco do Estado do Piauí.

Inclui-se em seu currículo, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, onde respondeu por operações da SUDENE  vinculadas ao FINOR –  Fundo de Investimento do Nordeste e ( honra nossa)  Academia Parnaibana de Letras da Qual foi membro por ser autor de importantes livros sobre as políticas públicas e de planejamento social: ” em busca do â

Ângulo Alfa”  e ” Manual de Desenvolvimento Social e Econômico do Município” talvez os mais relevantes.

Em sua última fase da excepcional trajetória, brilhou como consultor de empresas e governos (estaduais e municipais).

Certamente Plínio Salgado deu grande contribuição para personalidade de Pádua Ramos que não morreu sem deixar registrada  sua sugestão para a juventude brasileira estudar o movimento integralista, lendo duas obras do líder que o  fascinou e que considerou o brasileiro mais preparado para exercer a presidência do Brasil.

A ler ” Direitos e Deveres do Homem” e  “Psicologia da Revolução”, Pádua Ramos iniciou “construção” de um verdadeiro cidadão; de um  intelectual digno da Ciência e da Arte;  de um focado e produtivo gestor público;  e de um sensato efetivo consultou

ANTONIO DE PÁDUA FRANCO RAMOS Terminou seus dias sendo orgulhoso homem integralista,  mas o meu pessoal orgulho sempre foi o de conviver, ainda que por breve período da minha vida, com esse homem integral: um homem que se dedicou à Religião; à Estética; e, ao social!

IGREJA

Fonte: Site da APAL / Fotos: José Luiz

domingo, 7 de abril de 2019

Rio Surubim

Foto: Luselene Macedo


RIO SURUBIM (*)

José Francisco Marques
Professor, cronista e instrumentista

Rio Surubim, saudade das “maçãs” inalcançáveis que não peguei, emergidas sob a sua abundante correnteza. Das densas matas ribeirinhas exploradas por puro ímpeto juvenil. Das acrobacias ao me jogar ao rio, da ponte desafiadora que a mim aparecia. Rio Surubim que me levava ao “Cantinho”, esconderijo secreto de minhas dores. Rio Surubim que levou/lavou mágoas, enfim.

Hoje te mostra imponente outra vez, talvez a me procurar alucinado na profusão de tuas infindas águas. Rio, meu rio que sempre traz na sua fluência a minha melancolia que nunca estancou.

Nota: Cantinho era a fazenda que meu pai possuía na época.   

(*) Acabei de receber o texto acima, da lavra do amigo Zé Francisco, com foto anexa de Luselene Macedo, do blog Super Campo Maior, e já o repassei aos frequentadores de nosso sítio virtual.

Seleta Piauiense - José Henrique Licurgo de Paiva

Fonte: Google


Queixas

José Henrique Licurgo de Paiva (1842 - 1887)

Não me queixo dos outros só gozarem
Os prazeres do mundo encantador,
Nem maldigo a ninguém, de inveja infame,
Por no baile inspirar a muito amor.

Não me queixo da vida que outros levam,
Nem de nunca num baile delirar;
Não me queixo! Talvez até dou graças!
Gosto mesmo já pouco de bailar!

Só me queixo do fado que me segue,
Negro fado, meu Deus! Que não tem fim!
Que me arranca na vida as longas penas
Da esperança gentil do serafim.

Não me queixo, meu Deus! Do mundo inteiro
Ser feliz, quando eu sofro em solidão!
Não me queixo! Só sinto é que, tão moço,
Viva em gelo meu pobre coração!

Dá, Senhor, que esta vida não perdure,
Que eu não morra no ermo a que me impus;
Seja embora depois sacrificado,
Chore ao peso depois de imensa cruz!     

sábado, 6 de abril de 2019

Escritor Itamar Abreu Costa agora é imortal da Academia Piauiense de Letras



O médico José Itamar de Abreu Costa tomou posse como novo imortal da Academia Piauiense de Letras em solenidade na noite desta sexta-feira 05 na Assembleia Legislativa do Estado do Piauí.

Durante a formação da Mesa de Honra a professora e acadêmica Dilma Ponte foi convidada para tomar assento como representante da Academia Parnaibana de Letras e também, representando as demais Academias presentes ao evento.


O discurso de recepção foi feito pelo médico psiquiatra e acadêmico Humberto Soares Guimarães.

Além da escritora Dilma Ponte,  os acadêmicos  Breno  Ponte  de Brito ,  Valdeci  Cavalcante ,  Altevir  Esteves ,  Anchieta Mendes de Oliveira e Elmar Carvalho, todos  membros da Academia Parnaibana de Letras.

  

Itamar foi eleito para Academia Piauiense de Letras em Dezembro do ano passado e ocupará a cadeira de nº 18, cujo patrono é José Lustosa da Cunha Paranaguá (Marquês de Paranaguá) (1821- 1912).
Os ocupantes da referida cadeira foram os seguintes:

1º Ocupante: José Félix Alves Pacheco (Félix Pacheco) (1879-1935)

2º Ocupante: José Burlamaqui Auto de Abreu (1899-1978)

3º e último ocupante : Herculano  Moraes da Silva Filho (1945 – 2018)
  

O novo imortal é graduando em medicina pela Universidade Federal do Pará, tem  um vasto currículo de serviços prestados ao Piauí, principalmente na área médica,  sendo um dos mais respeitados cardiologistas do Estado. Fundou o hospital Itacor que atende pacientes de várias partes do país, principalmente dos Estados nordestinos. 

Fonte: BPG. Fotos: BPG/DPB. Edição: APM Notícias.