domingo, 16 de dezembro de 2018

Seleta Piauiense - Raimundo Alves de Lima – RAL



Menino

Raimundo Alves de Lima – RAL (1956)

Ronaldo era um menino triste:
colecionava figurinhas
e histórias em quadrinhos.
Contava nos dedos magros os dias
da semana, na espera dos sábados.
Quando lia as histórias em quadrinhos,
sonhava com os voos do super-homem.
Ronaldo saiu numa terça-feira, dizem,
à caça de aventuras.
Virou manchete,
andou na boca do povo.
Foi encontrado morto, numa manhã comum,
solitário, no necrotério do HGV.   

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

PROFESSOR FREITAS E O GIGANTE ADAMASTOR





PROFESSOR FREITAS E O GIGANTE ADAMASTOR

Elmar Carvalho

Ontem à tarde estive no apartamento do professor José de Ribamar Freitas. Muitas vezes o tenho visitado, seja para conversarmos, seja para receber alguma orientação sua, mormente na área de literatura. Ele é um homem sério, para alguns circunspecto, mas para mim foi sempre uma pessoa de fácil convívio e de bom-humor. Admiro a sua avantajada e bela biblioteca.

Muitos de seus livros são, hoje, obras raras, e muitos já não são reeditados há muitos anos. A maioria é composta de clássicos da literatura universal. Ribamar Freitas é, ele próprio, um clássico, e eu o chamo de o último dos helenos. Tem considerável conhecimento de grego e de latim. Lê, no original, os poetas do classicismo greco-romano. É um erudito e grande orador. Está, no momento, às voltas com um livro de ficção, que está preparando para publicar, já tendo escrito vários de seus contos.

Fui seu aluno de Direito Penal, na Universidade Federal do Piauí, na primeira metade da década de 80. Recordo que no primeiro dia de aula cheguei um pouquinho atrasado. Ele estava dizendo que já ninguém lia os clássicos, que ninguém queria mais saber desses grandes mestres do classicismo. Para provar o que dizia, perguntou se alguém já ouvira falar em Adamastor, exatamente no momento em que eu me sentava numa das cadeiras.

Devo dizer que o silêncio foi sepulcral. Então, levantei o braço, e disse que Adamastor era o gigante de Os Lusíadas, de Camões, que ameaçou de males formidáveis os navegadores portugueses, ao dizer que lançaria maldições de toda sorte, e que o menor mal seria a morte. O mestre ficou perplexo, e levemente contrafeito, porque eu quebrara o mote e o fundamento de sua peroração.



Duas décadas depois, encontrei na apresentação ao livro Reflexões sobre a Vaidade dos Homens e Carta sobre a Fortuna, de Mathias Aires, uma passagem que me fez recordar o episódio, algo anedótico, que contei. Consta que Ariano Suassuna, ao ministrar aula em São Paulo, dissera que as universidades brasileiras ensinam de costas para o país. Para provar o que afirmava perguntou se alguns dos alunos já ouvira falar em Kant. Todos levantaram a mão, afirmativamente.

Em seguida, perguntou se eles já tinham ouvido falar em Mathias Aires. Ninguém levantou a mão, exceto um único aluno. Suassuna perguntou a esse aluno se ele já lera esse clássico de nossa literatura, ao que ele respondeu que não. Disse que só conhecia o nome do grande escritor e pensador porque, por coincidência, morava numa rua que tinha o seu nome.

Contudo, se fosse nos dias de hoje, à pergunta de mestre Ribamar Freitas, todas as mãos levantar-se-iam e todas as vozes responderiam sim, em uníssono. Sucede que hoje é sobejamente conhecido o palhaço televisivo Adamastor Pitaco.   

28 de fevereiro de 2010

domingo, 9 de dezembro de 2018

Seleta Piauiense - Elmar Carvalho

Montagem com fotos colhidas no Google


O BÚZIO

Elmar Carvalho (1956)
                                  
o búzio
- pequeno castelo
ou gótica catedral -
sobre a mesa avança
envolto em ondas e vendaval

anda ondulante
onda cavalgante
onda ante onda

atraído pelo chamado
do mar avança
chamado que carrega
nas espirais e labirintos
de sua concha côncava
     
avança e
lança sobre mim
a tessitura exata
de sua arquitetura
abstrata e surreal

avança
unicórnio lendário
protuberante
rinoceronte bizarro
surfista extravagante
em forma de chapéu

lentamente
avança co-movido
pelo chamado das ondas
que em si encerra
em seu ventre vazio
onde o vento em voluteios
é a própria voz do mar

oh, búzio caprichoso
como as curvas e volutas
de um corpo de mulher...

           Inhuma, 29.07.98 – 06:00h  

sábado, 8 de dezembro de 2018

PAPAI NOEL EXISTE, ELVIS PRESLEY E MICHAEL JACKSON NÃO MORRERAM

Fonte: Google 


PAPAI NOEL EXISTE, ELVIS PRESLEY E MICHAEL JACKSON NÃO MORRERAM

                Antônio Francisco Sousa – Auditor Fiscal (afcsousa01@hotmail.com)
 
                Depois de, finalmente, a superintendência municipal de transporte e trânsito vir a público para informar aos folgados condutores locais que transitam pelas pistas da esquerda das vias públicas em velocidade inferior à metade da que ali é permitida, como fazem incontáveis motoristas teresinenses, diuturnamente – bom que se diga que trafegar pelas faixas direitas é quase impossível, em razão de, não raro, na maioria dos logradouros locais, servirem elas de áreas de estacionamento preferencial de outros tantos donos das ruas -, que aquilo é uma infração, pode-se imaginar que quem continuar infringindo a lei será punido com multa pecuniária e, administrativamente, mediante anotação de pontos/faltas em seus prontuários;

                Depois que a disputa pela presidência, quase vitalícia, do parlamento estadual piauiense passou a ser um ato teatral, a despeito das falsas querelas, antes das eleições, envolvendo os parlamentares que, de fato, elegem, ou melhor, têm reelegido o presidente, e a minoria que precisa se mostrar contrária para evitar que digam, ao final, que apenas houve uma aclamação;

                Após dicotômicas medidas tomadas pelo presidente da França e outros governantes mundo afora, e que vêm irritando os governados, como as que reajustam o preço dos combustíveis tentando fazer com que cidadãos se sintam desestimulados a sair de casa em seus veículos, preferindo o transporte público - o que soaria agradável aos xiitas do meio ambiente: menos veículos trafegando nos centros urbanos, menos gases nocivos e, claro, menos poluição – enquanto outras inflam as montadoras de automóveis com incentivos fiscais, trabalhistas, como o objetivo de incrementar a produção e, obviamente, a venda dos mesmos veículos que deveriam ficar nas garagens; além de aumento na arrecadação tributária;

                A propósito de arrecadação, depois de mais uma recorrente edição do malsinado programa de refinanciamento de dívidas tributárias, segundo o  fisco, visando facilitar a vida de contribuintes inadimplentes – mesmo objetivo dos anteriores -, na quitação, com redução - ou sem eles - de multas e juros e parcelamento camarada, de débitos tributários que aquela turma não pôde ou não quis recolher, o que não aconteceu aos contribuintes cumpridores de suas obrigações, prejudicados, aliás, pelo pacote de facilidades e bondades, uma vez que, também esses, poderiam, poupando ou investindo os valores que pagaram a título de tributos, como devem haver feito os inadimplentes ou sonegadores, ter aguardado o próximo REFIS para, então, negociarem sua dívida tributária para com o erário. Esperam fisco e governo que, dessa feita, tal benesse se materialize em incremento na arrecadação, folga no caixa, com a qual o estado poderia honrar compromissos que, sem a receita recuperada, tornar-se-iam de difícil, senão, impossível solução. Fato interessante não levado em consideração, ou melhor, escamoteado, de modo a dar entender que, agora, sim, estaria havendo maior preocupação do governo estadual com os contribuintes inadimplentes, seria a sequência lógica que, invariavelmente, ocorre com esses repetitivos programas de refinanciamento tributário: depois do pagamento da entrada e de duas ou três parcelas do parcelamento negociado, os recalcitrantes contribuintes, geralmente, voltam ao velho status quo de maus pagadores, devedores contumazes, e o círculo vicioso recomeça: a corja passa a esperar pela próxima edição da benesse fiscal para rolar, tanto a dívida remanescente dos velhos REFIS como a referente ao calote dado ao último, ou melhor, ao atual, vigente;

                Depois da inclusão da Felicidade(?), não na condição de materialização do estado de espírito que tantos desejam, mas como disciplina integrante da grade curricular de alguns cursos de graduação em engenharia, garantindo com isso, claro, um “plus”, uma alavancagem nas vendas de livros de mentores ou de “entendidos” na nova matéria curricular – seriam eles, os livros, catalogados ou não como de autoajuda? -, que, provavelmente, serão adotados por seus professores;
               
Complementaremos a fartura de situações aqui citadas, como que para reforçar a comprovação de que tudo pode ser crível e que ceticismo estaria com os dias contados, com este exemplo, não admitido pelo autor como tal, de surto psicótico ou esquizofrênico – dizem que, por lá, casos semelhantes ocorrem com muita frequência – produzido por um holandês de sessenta e nove anos que resolveu pleitear, judicialmente – esquecendo-se de que seria impossível, para esse lapso de tempo, apagarem-se, deletarem-se, formal e/ou, oficialmente, todos os registros históricos e de sua biografia – , a diminuição de sua idade cronológica em vinte anos, haja vista sentir-se fisicamente tão bem - ainda que, mentalmente, desequilibrado –, quanto um indivíduo de quarenta e nove anos. Claro que a Justiça holandesa ignorou tão disparatada pretensão.

                Depois da penúltima bobagem, quedou-nos a certeza de que pouca margem há para duvidarmos do que quer que seja. Assim, acreditamos que, tanto o supremo tribunal federal logo, logo encontrará um meio de recolocar o auxílio-moradia nos vencimentos dos magistrados, como o ministro daquele tribunal, o que pediu vista do processo referente a habeas corpus impetrado por advogados do ex-presidente preso, pedindo sua libertação, somente devolverá a peça jurídica retida quando tiver certeza de que, no plenário daquela corte, estarão reunidos ministros que votariam, majoritariamente, pelo acatamento de tal expediente jurídico. A propósito, estamos muito próximos de voltar a crer em Papai Noel; quanto a Elvis Presley e Michael Jackson, esses não morreram. Afinal, mais que nós, muitos acreditam que essa história de morte é pura balela.     

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Meu amigo e poeta Jamerson Lemos (*)


Poeta Jamerson Lemos. Fonte: Google
Jamerson Lemos Jr., médico e filho do poeta


Meu amigo e poeta Jamerson Lemos (*)

Elmar Carvalho

De manhã fui olhar parte de minha biblioteca, que fica em outra dependência da casa. Logo dei de cara com o livro Sábado Árido, de meu saudoso amigo Jamerson Lemos, poeta visceral, de muita sensibilidade e criatividade.
Jamerson era poeta todo dia, o dia todo. O opúsculo já está maltratado pelas intempéries do tempo, e levemente roído nas bordas das páginas pela irreverência e iconoclastia das traças, que não respeitam nem as boas nem as más obras. As traças não se importam com o teor do livro, mas apenas com o sabor do papel. É um pequeno grande livro. Claro, pequeno no tamanho, grande na qualidade literária.
Foi publicado em 1985. Em dedicatória datada do ano seguinte, o bardo escreveu: “Ao meu irmão Elmar Carvalho o sol do meu dia-a-dia, com o meu abraço”. Entre outras pessoas de sua amizade e admiração, dedicou-o a sua esposa, Maria das Dores, e a seus filhos Jamerson Júnior, hoje médico, e Ceres Josiane, formada em Direito.
Transcrevo o que dele disse A. Tito Filho: “Li, com entusiasmo, SÁBADO ÁRIDO, poemas em que Jamerson Lemos procura captar o essencial da vida. Os versos curtos são notavelmente rítmicos. O pensamento é íntimo e nostálgico, ideológico, mas sempre verdadeiro, pleno de angústias vitais”.
Nada tenho a acrescentar à consideração crítica do mestre, exceto que concordo com ele em gênero, número e grau, para usar uma expressão surrada e gasta. A maior homenagem que se pode prestar a um poeta é ler ou recitar os seus versos. Jamerson é um poeta para ser lido e recitado, por causa da qualidade do conteúdo e da melodia de seus versos.
Merece, com urgência, ser reeditado, para ser lido, meditado e “degustado”.

27 de fevereiro de 2010

(*) Faz dez anos que Jamerson Moreira de Lemos morreu, aos 62 anos de idade, posto que nasceu em 22-12-1945, em Recife (PE), e faleceu em 5-8-2008, em Teresina. Tendo deixado sua terra natal, viveu alguns anos em São Luís (MA). Jamerson Lemos foi da geração dos anos 60 – CLIP (Circulo Literário Piauiense). Além de sua participação na vida cultural piauiense, recebeu dois prêmios importantes, em nosso estado: um da Academia Piauiense de Letras e outro da Fundação Cultural do Piauí, ambos de poesia. Desta forma, é impossível que o Piauí não o reconheça como um de seus grandes poetas, aliás um dos mais singulares, como consta de “A Poesia Piauiense no Século XX”, antologia organizada por Assis Brasil, Editora Imago, Rio, 1995.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O AUTOR E AS GRALHAS



O autor e as gralhas

Cunha e Silva Filho 

Alguns escritores nem querem ouvir falar em gralhas, essas coisinhas tipográficas que saem da impressão de um livro para atormentar ou mesmo atazanar a vida dos autores. Contudo, elas existem e como! Nuns mais que em outros. Colegas de atividade da escrita me falam que não devo me preocupar tanto com esses indesejados defeitos, os quais de resto, já vêm de longa data. 

Do tempo das impressões algo medievais, da preparação impressa quase manual dos velhos jornais até chegar aos linotipos, que havia no interior, nas redações dos jornais provincianos, no meu caso, os jornais de Teresina dos anos 1950. Certo é que jornais havia no meu tempo de menino quando ia à Redação do jornal O Dia, de Mundico Santilho, pegar uma prova de artigo de meu pai a fim de que, em casa, ele corrigisse à mão os erros e, depois, levasse de volta para a Redação. Quantas vezes não apanhei na Redação desse jornal artigos de meu pai! Na época, não me interessava pela leitura de jornais, coisa que só vim a fazer lá pelos 14 anos. 

Me pai era rigoroso demais com os erros de impressão e, mesmo assim, se queixava de que, ao sair o jornal para circulação, ainda encontrava gralhas. Não tinha jeito. Um diplomata brasileiro chegou uma vez a afirmar que em seus livros publicados por editoras de prestígio, sempre encontrava erros de digitação, mesmo depois de uma, por assim dizer, rigorosa revisão feita. 

Ora, isso me leva a mencionar a seguir trecho de Monteiro Lobato (1882-1948) citado por um dos melhores ficcionistas regionalistas de Santa Catarina, o Enéas Athanázio. No trecho, Lobato alude à agonia de autores diante de erros de revisão, dessa maneira definindo-a exemplarmente: “A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão erros se escondem. Fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos sacis a nos botar a língua em todas as páginas, Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar.” 

Tudo o que expus linhas atrás se prende ao fato de que, na minha produção publicada, que é pequena, mas a não publicada em livro é bem maior, três de quatro livros meus tiveram um só edição até hoje que não me agradou por inúmeras gralhas e outros defeitos de edição, não só por minha culpa, mas por culpa do editor. 

Entretanto, posso lhe afirmar, leitor, que toda essa produção editada já passou agora pelo meu crivo de revisão escrupulosa, malgrado aquela certeira observação de Monteiro Lobato. 

Não concordo com aqueles que julgam os autores pelos erros tipográficos de sua produção. Um bom autor vale mais do que um mau autor com livros publicados em edições limpas de gralhas. Não se deve medir a qualidade de um livro pelos erros tipográficos da edição. 

O valor da obra vale pela elevação e a densidade de pensamento, por sua originalidade, por seu alcance logrado numa determinada área do conhecimento, pelo que a constitui nos seus componentes literários, estilísticos, expressivos, intrínsecos. O bom leitor de obras literárias ou de outra natureza está mais interessado é na substância do livro, não nas suas exterioridades e adereços. 

Quem pensa que um autor seja avaliado pelo número de erros tipográficos contados pelo leitor está equivocado, porque o leitor perspicaz, tolerante, como deve ser um bom leitor, conhece uma obra boa ou ótima ainda que com falhas tipográficas e sabe distinguir entre aaparência de qualidade de um livro da essência da sua qualidade. Portanto, um autor não vai se queimar junto aos seus pares ou fiéis leitores somente por ter falhas de revisão mais escrupulosa. 

Lima Barreto (1881-1922) foi, por algum tempo, criticado por ser negligente com a sua linguagem literária, o que, na realidade, não passava de estratégia do autor de um discurso ficcional moldado às característica não alinhadas a uma linguagem literária sequestrada e desgastada já à altura do que se chamou Pré-Modernismo. Os críticos da sua época não souberam em geral reconhecer-lhe os méritos de grande prosador e inventivo ficcionista da realidade dos mais humildes e injustiçados, ou seja, da voz e da linguagem dos oprimidos. A conquista de seu real relevo como ficcionista só lhe veio mais tarde e sobretudo graças aos críticos e ensaístas brasileiros das gerações mais recentes. 

Enfatizo, por fim, reafirmando que os bons autores, os críticos, os ensaístas, sejam de que gêneros literários forem, serão, sim, julgados e avaliados pela grandeza das suas obras, não pelas gralhas de sua produção editada.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O QUE É ROMANCE



O  QUE  É  ROMANCE

Alcenor Candeira Filho

l. E S T R U T U R A

narrativa em prosa
via de regra longa
com núcleos dramáticos
múltiplos ou vários.

liberdade inteira
de espaço e de tempo
com protagonistas
com antagonistas
e mil peripécias
em curso de enredo.

linear relato
ou não-linear
descritiva parte
ou dissertativa...

-  o que importa é a arte.

COMENTÁRIO
     Romance é uma grande narrativa de ficção ou de criação imaginária, surgida a partir de fins do século XVIII e início do XIX.
     Segundo Massaud Moisés, em A CRIAÇÃO LITERÁRIA, “o romance é uma visão macroscópica do Universo, em que o escritor procura abarcar o máximo possível com sua intuição. Por isso convergem para ele os resultados das outras formas de conhecimento. A História, a Psicologia, a Filosofia, a Política, a Economia, etc., colaboram permanentemente e de vários modos para essa recriação do mundo.”
     A obra de ficção é expressão da imaginação criadora em que predomina a narração, “Correspondendo ao velho instinto humano de contat e ouvir estórias, uma das mais rudimentares e populares formas de entretenimento”, conforme Afrânio Coutinho.
     O romance surgiu na Inglaterra com HISTÓRIAS DE TOM JONES (1749), de Henry Fielding.
     No século XIX podem ser lembrados como grandes romancistas: Sthendal, Balzac, Dickens, George Eliot, Dostoievski, Tolstoi, Gogol, Eça de Queirós, José de Alencar, Machado de Assis.
     Os elementos da ficção correspondem às seguintes  indagações que podem ser feitas diante de uma obra desse gênero:
-  quem?  (personagem)
-  o quê ?  (o  que as personagens fazem, ou o que é feito a elas)
- onde? (o lugar dos fatos)
- quando? (o tempo em que a ação decorre)
- como? (de que modo se desenvolve a ação).
     O poema faz alusão às principais características do romance:
- longa narrativa em prosa
- várias células dramáticas
- liberdade de tempo e espaço
- personagens (planas ou redondas)
- enredo (“intriga”, “história”, “assunto”)
Enredo linear: (começo-meio-fim) ou não linear (saltos na sequência da ação):
           - cortes = ações subentendidas
           - flashback = mistura de presente, passado e futuro
- tempo cronológico ou histórico, que é o tempo do calendário ou do relógio, e o tempo psicológico, que transcorre no interior
de cada ser humano ou de cada personagem.
- pode conter passagens dissertativas (texto opinativo) e descritivas (retratação dos seres, coisas e paisagens).
     Sendo o romance sobretudo um monumento estético, o poema “Estrutura” termina com o seguinte verso:

                - o que importa é a arte.
  
de cada ser humano ou de cada personagem
- pode conter passagens dissertativas (texto opinativo) e descritivas (retratação dos seres, coisas e paisagens).
     Sendo o romance sobretudo um monumento estético, o poema “Estrutura” termina com os seguintes versos:
               -  o que importa é a arte.

 2. C L A S S I F I C A Ç Ã O

      social
      sentimental
      passional
      científico
      político
      histórico
      erótico...

COMENTÁRIO

     É ampla a lista de tipos de romance. No livro A CRIAÇÃO LITERÁRIA, Massaud Moisés menciona: “linear”, “progressivo”, “vertical”, “analítico”, “psicológico”, “introspectivo”, “de costumes”, “de ação”, “de personagem”, “de drama”, “de espaço”, “de formação”, “de evolução”, “de época”, “de chave”, “de sociedade”, “de terror”, “de tempo cronológico”, “histórico”, “picaresco”, “policial”, “romântico”, “realista”, “moderno”, etc.
     O poema “Classificação”, com rimas paralelas consoantes agudas e esdrúxulas, se limita a registrar alguns tipos de romance.

 3. F O C O    N A R R A T I V O

     narrador-personagem
     narrador onisciente
     narrador observador

COMENTÁRIO

     Foco narrativo é a fala de quem conta o episódio.
     O poema alude aos tipos de foco narrativo:
a)       narrador-personagem: quem expõe um episódio de que participou (1ª pessoa)
b)      narrador-onisciente: quem expõe o episódio na condição de sabedor de tudo
c)       narrador-observador: quem expõe um acontecimento do qual não participou diretamente (3ª pessoa).

 4. P E R S O N A G E M

     personagem plana
     ou também redonda
     com perfil moral
     e/ou anatômico.

COMENTÁRIO

     Existem no romance as personagens principais (protagonistas), secundárias (deuteragonistas) e/ou antagônicas (antagonistas).
     As personagens podem ser descritas interiormente (retrato moral) e/ou anatomicamente (retrato físico), classificando-se em:
a)       personagens planas ou bidimensionais: caracterizadas epidermicamente, sem profundidade psicológica ou dramática, pertencendo ao romance de tempom cronológico.
b)       personagens redondas ou tridimensioanais: pertencem sobretudo ao tempo psicológico e têm profundidade, revelando-se por uma série de características, diferentemente das “planas”, identificadas pelo desenvolvimento irregular de uma virtude ou de um defeito.
       Notar que o poema se constitui de versos pentassilábicos e rimas alternadas consoantes.

 5. F A L A    E    E S P A Ç O

            diálogo direto
            discurso indireto
            e indireto livre
            em espaço físico
            ou psicológico.

COMENTÁRIO

     O poema reporta-se a dois elementos de narrativa: a fala da personagem e o espaço ou local do desenvolvimento da ação.
     A fala diz respeito às três modalidades de discurso mencionadas no texto, cada qual com as seguintes características:
a)        discurso direto:
     - é a personagem falando
     - fala visível da personagem
     - uso de verbo dicendi ou de um dos seguintes sinais de pontuação, dois pontos, travessão, aspas
     - destaca a personagem
     Exemplo: Hoje estudei matemática  -  disse o aluno.
b)      discurso indireto:
     - é o  narrador falando pela personagem
     - verbo dicendi
     - destaca o narrador
     - verbo na 3ª pessoa do singular na oração               subordinada substantiva
Exemplo:
- O aluno disse que hoje estudara (tinha estudado) matemática.
         c) discurso indireto livre:
               - é o narrador reproduzindo o pensamento da   
                 personagem
               - ausência de verbo dicendi e de dois pontos, travessão e
                 aspas
               - destaca ao mesmo tempo o narrador e a personagem,
               isto é, a linguagem do narrador funde-se com a própria
               linguagem espontânea da personagem.
               Exemplo:
                                                         “O suor umedeceu-lhe as mãos
                                 duras. Então?. Suando com medo  de uma
                                 peste que se escondia tremendo?”  (Graciliano
                                 Ramos  -  VIDAS SECAS).

 6. T E M P O    E    D E S F E C H O

     tempo cronológico
     ou imaginário
     com desfecho trágico
     ou com fecho cômico.

COMENTÁRIO

     Poema de versos pentassílabos (redondilha menor) com rimas no esquema a-b-b-a.
     O tempo é a época do fato, classificando-se em:
a)       tempo cronológico: tempo do relógio
b)      tempo psicológico: tempo interior das personagens ou do narrador.
   O desfecho do romance pode ser triste (trágico) ou alegre (cômico).

 2. C L A S S I F I C A Ç Ã O

        social
        sentimental
        passional
        científico
        político
        histórico
       erótico...

COMENTÁRIO

     É ampla a lista de tipos de romance. No livro A CRIAÇÃO LITERÁRIA, Massaud Moisés menciona: “linear”, “progressiva”, “vertical”, “analítico”, “psicológico”, “introspectivo”, “de costumes”, “de ação”, “de personagem”, “de drama”, “de espaço”, “de formação”, “de evolução”, “de época”, “de chave”, “de sociedade”, “de terror”, “de tempo cronológico”, “histórico”, “picaresco”, “policial”, “romântico”, “realista”, “moderno”, etc.
     O poema “Classificação”, com rimas paralelas consoantes agudas e esdrúxulas, se limita a registrar alguns tipos de romance.

 3. F O C O    N A R R A T I V O

     narrador-personagem
     narrador onisciente
     narrador-observador

COMENTÁRIO

     Foco narrativo é a fala de quem conta o episódio.
     O poema alude aos tipos de foco narrativo:
a)       narrador-personagem: quem expõe um episódio de que participou (1ª pessoa)
b)      narrador-onisciente: quem expõe o episódio na condição de sabedor de tudo
c)       narrador-observador: quem expõe um acontecimento do qual não participou diretamente (3ª pessoa).

 4. P E R S O N A G E M

     personagem plana
     ou também redonda
     com perfil moral
     e/ou anatômico.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

IDEALIZANDO UM ESPAÇO PARA O LAZER DOS PRESIDUTRENSES

Foto ilustrativa. Lago Verde, Paragominas-PA.


IDEALIZANDO UM ESPAÇO PARA O LAZER DOS PRESIDUTRENSES

José Pedro Araújo
Romancista, contista e cronista

Quando criança sentia uma enorme falta de um local permanente onde pudesse dar vazão a minha grande necessidade de brincar. Então, não havia um parque infantil na cidade de Presidente Dutra, por mais diminuto que fosse.  As verbas públicas minguadas não permitiam tamanho investimento, diziam-se. E como não possuímos um rio perene, tínhamos que aguardar o período das águas altas para uns providenciais mergulhos no riacho Firmino ou no rio Preguiça, cursos de água semi-perenes que se mantinham todo o restante do ano restritos a pequenas poças individuais e paradas, o que não significava a mesma coisa, pois precisávamos de algo que extravasem fronteiras tais quais as nossas imaginações. Nesses períodos de estiagens tínhamos que nos contentarmos com as peladas disputadas nos terrenos baldios espalhados pela cidade, ou mesmo em empinar pipas, preenchendo com suas múltiplas cores o vazio do céu curadoense.

Depois veio a mocidade e com ela a necessidade de encontrarmos parceiras para tratarmos de coisas relacionadas ao coração. Faltava-nos uma praça, porém, onde as meninas, com as mesmas ânsias que nós, desfilassem objetivando distribuírem charme e beleza para uma plateia sequiosa para apreciá-las. Isso faz parte das necessidades humanas: existe sempre alguém que deseja se mostrar; enquanto outros desejam apreciar, deliciar-se, extasiar-se com a visão do que é belo. Essa praça veio muito mais tarde, quando já não estávamos mais por ali. E hoje, observo triste que os tempos são outros, quase ninguém transita por esses logradouros quando vem a noite.

Mas a cidade continua necessitando de um espaço público onde crianças e adultos possam se exercitar, divertirem-se. Um parque, por exemplo, com pistas de caminhadas, laguinho no centro, bancos em redor e muita sombra para desfrutarmos nas nossas horas ociosas. Lá poderia ter alguns campos de futebol, quadras poliesportivas, parques infantis e um espaço para exposições artísticas, além de pequenos  quiosques para lanchonetes, e uma construção maior para um restaurante. Pensei até mesmo no local. A lagoa do Curador. Superaríamos a necessidade de um espaço público que engrandecesse a cidade, e ainda salvaríamos, de quebra, o lugar onde tudo começou.

Como angariar recursos para isso, poderia nos perguntar alguém com os olhos voltados para o apertado orçamento municipal. E eu responderia sem titubear. Lançando mão de uma ideia muito em voga por estes dias: as parcerias público-privadas. Aliás, isso tem feito com que muitos governantes se vejam livres do cinto apertado que tolhe os movimentos de quase todos eles,impedindo-os de alçarem voos mais altos.

Sem nenhum interesse que não seja o de contribuir com alguma ideia para o desenvolvimento da cidade, diria que o administrador municipal poderia fazer como fez o prefeito Juscelino Kubitschek quando criou o parque da Pampulha em Belo Horizonte.  Pensando em uma área de lazer para os habitantes da cidade pequena, mas em rápido crescimento, criou um lugar de lazer para o belo-horizontino, mas também um novo e encantador bairro para a população mais abastada. A cidade tinha na época pouco mais de duzentos mil habitantes quando a ideia surgiu. Ele, por sua vez, não tinha nenhum recurso nos cofres do município para bancar a sua ideia. Foi então que pensou em buscar o apoio da iniciativa privada.

As terras que circundam a Lagoa do Curador pertencem a particulares, bem sei. Presidente Dutra, por sua vez, não é nenhuma Belo Horizonte, sei disso também. Daí a necessidade de se buscar a cooperação dos donos desses terrenos. E tenho a impressão que eles veriam com bons olhos a possibilidade de se construir um parque temático no entorno daquela lagoa. Salvar-se-ia aquele espaço histórico do seu desaparecimento iminente e, ao mesmo tempo, isso valorizaria, sobremaneira, os terrenos em derredor. Com um planejamento bem detalhado e aprovado pelo próprio município, dentro de uma proposta maior, loteamentos com toda a infraestrutura necessária seriam realizados no entorno do parque, criando-se um bairro novo a poucos passos do centro da cidade. Ao município caberia a fração do terreno que a lei obriga que seja destinado para obras públicas. Sem se falar que o espaço da lagoa e o seu entorno, são Áreas de Proteção Permanente, não sendo permitida aos donos dos imóveis qualquer alteração na sua feição. Portanto, nenhum prejuízo adviria dai para eles. No entorno da lagoa, diques de proteção seriam construídos para represar e elevar o nível das águas, e sobre eles seriam assentados os passeios e as pistas de caminhada.  Esses recursos poderiam advir do orçamento da própria União, por meio de emendas parlamentar. A cidade ganharia outra cara, mais moderna, e seus moradores um espaço de lazer sem igual na região. Destinaria mais qualidade de vida para seus residentes. E ainda cometeria um belo e histórico gesto. Sonhar não custa nada, não é mesmo?     

Fonte: blogue Folhas Avulsas

domingo, 2 de dezembro de 2018

Seleta Piauiense - Paulo Machado

Fonte: Google


Um Galo Negro

 Paulo Machado (1956)

Um galo negro,
(no campo absurdo
da página branca)

estranhamente esquecido
entre papéis, na escrivaninha.

Um galo negro,
(crista serrilhada
e afiados esporões)
desvelador de auroras,
desafia a fúria do sol bronze.

Um galo negro,
(trama de ramos de parábolas
e instigantes linhas quebradas)
ícone reinventado
no desenho de
Gabriel Archanjo

Fonte: cidadeverde.com