sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Poema em homenagem a Rubervam Du Nascimento (*)

Fonte: Alpharrabio/Google


0709.01

Walter Lima
  
Funcionário público inativo
Protesta no papel escritos
Em linguagem poética

“se sente entende”
Diz seu bordão típico
Abusado do ofício primeiro

Saiu literalmente pela tangente do muro
Pronunciando dia a dia
Antiga herdade das letras
Vindas incrustradas no sangue e suor

Segue seu caminhar
Mesmo que tenha de cavalgar
Cavalos, pular obstáculos do Nada
Compartilhar Peixes com Marco
Para angariar óbolo de Espólio.

W.Lima._
RP, SP, 07.09.2013.  

(*) Rubervam Du Nascimento é auditor fiscal do trabalho inativo e, agora, é poetativo e proativo  em tempo mais que perfeito e integral. Do seu espólio poético fazem parte Espólio; desceu ao reino de Plutão com Marco Lusbel Desce Ao Inferno; poeta amador e profissional de A Profissão Dos Peixes e cavaleiro andante e do Apocalipse em Os Cavalos De Dom Ruffato. (Nota de Elmar Carvalho). 

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

DOM CLIDENOR E DOM QUIXOTE DE LA MANCHA

Fonte: Google
Estátua de Dom Quixote, erguida à frente do prédio do antigo sanatório Meduna. Foto tirada por Elmar.


DOM CLIDENOR E DOM QUIXOTE DE LA MANCHA

Elmar Carvalho

            Na reunião da APL, deste sábado, o acadêmico Humberto Guimarães, que é médico psiquiatra, ao usar da palavra, informou que em breves dias o sanatório Meduna será desativado. Lamentou profundamente o fato. A memória de seu criador, o médico e acadêmico, já falecido, Clidenor Freitas Santos, foi festejada vivamente na sessão. Consta que quando ele retornou, formado, a Teresina, libertou os loucos das correntes e de outros tratamentos desumanos. As correntes estariam enferrujando no fundo do Parnaíba.

            O nome Meduna foi dado em homenagem a um grande psiquiatra francês. O sanatório é uma bela construção, com seus pavilhões brancos, seus alpendres, seus corredores. Fica no centro de um aprazível bosque. Até parece uma aldeia, onde ainda alvejam a casa senhoril e a capelinha branca, sobre suave colina, que compõem o aspecto bucólico do conjunto. Foi uma obra audaciosa para a época, e mesmo nos dias de hoje ainda seria.

            Clidenor, quando o conheci, era um velho de boa estatura, ereto, empinado, elegante, inclusive no modo como se vestia. Usava uma velha Mercedes, em perfeito estado, tão elegante quanto ele. Admirava música erudita, sobretudo Mozart, Bach e Beethoven. Fez seus filhos ouvirem esses grandes compositores, para lhes incutir, desde cedo, o gosto por essa divina arte.

            Tornou-se empresário do ramo da agroindústria, especialmente de álcool combustível. Admirador entusiástico de Cervantes, mormente de sua criatura, o fidalgo, cavaleiro e idealista Dom Quixote de la Mancha. Possuía vários exemplares do livro que narrava suas aventuras, e presenteava amigos com exemplares dessa obra por ele considerada genial. Diria que o Dr. Clidenor era também uma espécie de Quixote, tanto na política como nos seus empreendimentos empresariais, pelo seu idealismo e certo romantismo de sua postura.

            Segundo dizem aqueles que a conheceram, a sua biblioteca seria, talvez, a maior biblioteca particular do Piauí, não só em quantidade de livros, mas também pela excelência e raridade de muitas obras. Era uma figura carismática, a pregar o belo e o bem, com entusiasmo e convicção.

            Ele, que foi quixotesco no bom sentido da palavra, ergueu uma belíssima estátua do “cavaleiro da triste figura” nos portais de sua realização máxima, o sanatório Meduna, que, agora, lamentavelmente será desativado. Mas Dom Quixote, a cavalgar o Rocinante, com a sua lança e o seu escudo, talvez consiga defender essa obra meritória, que relevantes serviços prestou ao estado.    


22 de fevereiro de 2010  

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

1610.1

Fonte: Google


1610.1

Walter Lima

Corria o mês de dezembro, dia 1º
Da era mil novecentos 80 e quatro.

D. Antônia Flor, 80
Anos vividos na terra
De – fendida e fedida
De autoritarismo.

Num instante matinal
  Uns homens desalmados
“Paus-mandados”  do Latifundiário
- Na Gameleira devolvem a tiros
A Flor à flor da terra. Des-Ordem!

(ano 2005: 28 famílias assentadas – Acampamento D. Antônia Flor)
Flor!
  
w.lima_.
RPSP, 16.10.2018.   

Cabra-cega

Fonte: site da APAL


Cabra-cega

Pádua Marques
Jornalista e escritor

Tinha uma brincadeira no meu tempo de menino que ainda me lembro como se fosse hoje, a cabra-cega. Nunca esteve tão próxima e servindo de exemplo pra o que está acontecendo na política. Quem está acima dos 60 anos há de se lembrar que naquele tempo não existia televisão na Parnaíba e à noite as crianças ficavam brincando umas com as outras na porta da rua.

Cabra-cega era brincadeira de meninos e meninas. Começava com uns poucos, mas depois ninguém dava conta. Uma das meninas corria lá dentro de casa procurando um pedaço de pano, uma fralda, um pedaço de saia que fosse e na volta era escolhido aquele que daria a saída. O chefe da brincadeira dava umas rodadas pra ele ficar zonzo, tonto de onde estava. Fosse menino ou menina. Não tinha esse negócio não.

Cabra-cega. Não sei até hoje quem inventou, mas era brincadeira boa dos tempos dos meninos e meninas de meu tempo. Quem brincou nunca há de esquecer. E vinham mais depois outros e mais outros meninos das outras ruas. Vinham atraídos pelos gritos e risadas. Vinham suados, de calção e sem camisas, brigões, meninos feios, fogoiós e até os com cara de china. Vinham das redondezas, de outras brincadeiras de cowboys, de manchas, de pegar no rabo da raposa, do jogo de bola de meia.

E a gente ficava até a hora de se recolher pra dentro de casa nessas brincadeiras de pegar e soltar uns aos outros. Não havia saliência. Os meninos e meninas menores sempre eram os mais fáceis de serem capturados. Caiam na vez de sofrerem por um bom tempo até que passavam pra outros. Na escola era a mesma coisa. Brincadeiras de mancha. Esta agora sem os olhos cobertos por um pano. Valia a resistência.

Era brincadeira de astúcia. Consistia em descobrir e pegar o colega escondido.  Sendo apanhado, era a hora de começar tudo, fazer tudo, usar de todas as formas pra sair do castigo. Outras brincadeiras do meu tempo de criança tinham as mesmas ou quase o mesmo jeito. Eram pra fazer a gente se sair, tentar passar essa dificuldade pro outro. Como é na política.

E a gente no final da noite antes de pegar o rumo de casa, havia mostrado o quanto era esperto e rápido em se livrar de armadilhas. Porque todas aquelas brincadeiras, fosse no meio da rua ou na escola à hora do recreio, tinham essa coisa de nos testar. Essa mesma agilidade que deve ser testada agora nessas eleições pra presidente. Estamos no meio de uma grande brincadeira de cabra-cega.

Só que desta vez são dois homens com panos nos olhos tentando nos pegar. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad são as duas cabras-cegas.  E os meninos e meninas se pondo a correr e se esconder pelos cantos e em cima dos muros e das cercas, por detrás dos carros estacionados na rua, na casa dos vizinhos e atrás uns dos outros. Ou somos nós as cabras-cegas?

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O Curador e a Violência Política

Praça da matriz de São Sebastião com a mureta original(anos 60)


O Curador e a Violência Política

José Pedro Araújo
Romancista, historiador, contista e cronista

Desde menino ouço falar que, em época de eleições, os ânimos se acirravam no velho Curador, a ponto de amigos fraternos passarem meses sem se cumprimentar. Pior, período de eleições era época de muito choro e ranger de dentes para algumas famílias ao ver a vida de algum dos seus filhos ceifada precocemente. Por esse tempo, quando ainda trajava calças curtas, comecei a ouvir dizer que o Curador já havia passado por um confronto sangrento entre duas das famílias de maior destaque na região. E que do embate,  a vida de alguns dos seus membros fora subtraída. Tudo pelo poder de mando de uma comunidade perdida nos sertões mais profundos do Maranhão. Ouvi, por exemplo, que homens armados e violentos se apossavam da cidade e transformavam a sua calma sertaneja em um campo elétrico, onde o menor contato entre as partes poderia se transformar em um mar de fogo. Fiquei assustado quando minha mãe me falou que, certo dia, houve um tiroteio tão intenso na Rua Grande, que as pessoas, mesmo abrigadas em suas casas, tiveram que se projetar no chão e buscar a proteção dos pés das paredes. Apavoradas com pipocar das armas de fogo, procuravam escapar das balas perdidas que voejavam à procura de uma vítima.

Em um desses dias em que o cheiro de pólvora se espalhava pelo ar, no que pode ser descrito como o maior dos confrontos entre os dois grupos familiares já citados no parágrafo anterior, um primo desse escriba, jovem, ainda imberbe, foi atingido por um balaço que lhe abreviou a vida ainda em flor. Havia o irrequieto rapaz tomado partido por um dos lados em disputa.

Nesse tempo, a grita por segurança bateu às portas do Palácio dos Leões na distante capital, São Luís, e o assunto tomou conta das páginas dos jornais por muitos e muitos dias. A cidade ganhou fama de violenta e sanguinária, e para os Ludovicenses, passamos a ser um povo que cultivava a violência. A má fama nos persegue até os tempos que correm. Por muitas e variadas razões, não podemos nos furtar disso. 

Como ninguém mais aguentava tal situação, o interventor de plantão abriu mão do posto a fim de que o governador do estado pudesse nomear outro mandatário com poderes para pacificar os ânimos durante o pleito eleitoral que se avizinhava. O escolhido foi um Tenente-coronel, ocupante de relevante cargo no âmbito do poder estatal. Este, contudo, mal terminou o período concernente às eleições, retornou para a capital e deixou o velho Curador imerso em suas ensandecidas disputas costumeiras.

No inicio dos anos 60 se instalou na cidade o batalhão de Engenharia e Construção do 2º BEC. Tinha por objetivo a conclusão da BR 226 até chegar ao rio Tocantins. Mas os militares fez muito mais que isto. Debelaram a violência na cidade durante os anos em que ficaram instalados na Praça Biné Soares, em local pertencente à família do senhor Celso Sereno. Patrulhas armadas saíam todas as noites pela cidade com o propósito de proteger a cidade e permitir que os presidutrenses pudessem dormir em paz e segurança. Por esse tempo os políticos também se comportaram e respeitaram as mais básicas regras democráticas.

E foi sempre assim a história política do velho Curador até alguns anos atrás. Como no processo político cabe a apenas um grupo o poder de mando, sempre havia um terrível entrechoque entre aqueles que queriam para si essa primazia. Em épocas nem tão distantes assim, a violência tirou a vida de alguns representantes da mais alta estirpe política local, criando um clima de insegurança que muitos pensavam haver ficado soterrado no passado. Foi, talvez, o período mais doloroso e sangrento desde a época em que o município recebeu a sua emancipação.

Ultimamente as coisas se mostram diferentes. Muito bate-boca toma conta da cidade, que já não é tão pequena assim. E as desavenças, no máximo, chegam aos desforços pessoais, e são resolvidas com alguns murros e bofetões. Mas isso acontece em todo o país. No Brasil, a força da palavra não é o bastante para dissipar as nossas diferenças e/ou desavenças.

No pleito que aconteceu domingo passado, o município elegeu um represente para a Assembleia Legislativa estadual depois de muito tempo. Até onde sei, tudo transcorreu na mais perfeita ordem, na mais absoluta paz. Abandonamos a velha prática curadoense e chegamos, por fim, aos tempos presidutrenses. Que seja assim por séculos e séculos sem fim. Amém!    

Fonte: Blog Folhas Avulsas

domingo, 14 de outubro de 2018

Seleta Piauiense - William Melo Soares

Fonte: Google


Alto Longá

William Melo Soares (1953)

         Em memória do meu pai

eterna em mim
a lembrança dos teus olhos
vagueando
pela imensa brancura
do pendão dos canaviais
de Alto Longá

eternas em mim
as águas do riacho Gameleira
deslizando em paz
com o povo da cidade
navegando no silêncio
de um lugar   

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A SAGA DE UM ESTRATEGISTA POLÍTICO

Fonte: Google


A SAGA DE UM ESTRATEGISTA POLÍTICO

Antônio Francisco Sousa – Auditor Fiscal (afcsousa01@hotmail.com)

              A saga do homem começou, ou melhor, recomeçou, quando ele decidiu, mais uma vez, que iria ser governador. Na composição da chapa, com a qual disputaria a próxima eleição, o problema inicial era seu vice: muitos queriam essa posição.

            O sujeito, muito sagaz e esperto, foi deixando o tempo correr: é que o mais interessado, um deputado, não queria dar o braço a torcer.

           A vice-governadora do mandato que ainda transcorria, contava com a preferência de assim continuar, talvez, da maioria. A questão parecia, de fato, confusa: tanta gente para uma função só, que o governador-candidato precisou, antes que fosse tarde, desatar o nó.

           Sacou do bolso uma proposta inusitada: nem a atual vice nem o pretendente: na chapa seria vice uma amiga senadora que, antes, fora sua suplente. Houve um certo chororô, uma espécie de velado desagrado com a decisão: por que mudar, de repente, o que já parecia ser a solução?

Então, se não mais vice-governador, para onde iria o deputado? Senador, nem pensar, o estrategista já tinha algo arquitetado: o ex vice-governador, que nem chegara a ser confirmado, continuaria disputando vaga para o legislativo do estado. Para o lugar da senadora, agora sua vice, o governador julgou ideal convidar um nome forte e de muitos votos: um deputado federal.

Resumo parcial da história, do imbróglio, da arrumação: Ah! A atual vice-governadora, como não poderia ficar na mão, disputaria uma vaga na câmara federal, sem risco de perder a eleição. O ex futuro vice-governador, como paga por tanta resignação, indicaria um filho, também para concorrer como deputado federal, apoiado pelo, então, ora candidato ao senado; palavra dada e ponto final.

Lembrando que, para senador, havia um forte concorrente na oposição, e somente duas vagas estavam em jogo na próxima eleição. O governador-candidato, com a indicação ao senado do deputado federal, pensava em fazer dele, colega de um outro que já estava na casa senatorial; apoiado, a propósito, também por ele, gestor, na disputa por reeleição; bastava, para que tudo desse certo, derrotar o maior nome da oposição.

Arrumada a chapa governamental, com os novos parlamentares que apoiaria, era esperar pela voz das urnas, para ver o que aconteceria. Pairava certa dúvida ao deputado que buscava cadeira no senado, se teria, de fato, chance de derrotar o forte candidato do outro lado. Será que a atual vice-governadora e o filho do quase ex vice futuro, seriam eleitos para a câmara federal, ou teria o governador atirado no escuro?

Chega o dia da eleição geral, votos nas urnas, contagem concluída e o que mais? O governo elege seus dois senadores e dois novos deputados federais. O forte candidato ao senado, pela oposição, foi derrotado, novamente, perdeu; já a bancada da situação no congresso nacional, com as novas caras eleitas, só cresceu.

Não bastasse essa vitória, com gol de letra, de bicicleta, trivela e de calcanhar, na assembleia legislativa, o governo contará com mais deputados do que precisará. Talvez nem seja exagero dizer, pois foi o quadro que restou, findo o pleito eleitoral: quase acabou a oposição ao governo, no estado, na câmara e no senado federal.

Por fim, e respondendo ao que ninguém perguntou: apesar das falcatruas em que, dizem, nelas o estrategista se enredou, o povo, em sua maioria, viu na figura algo que o deixou encantado, e, nas urnas, em sete de outubro de dois mil e dezoito, o atual sagrou-se futuro governador do estado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DEPOIMENTO SOBRE ALBERTO SILVA


Fonte: Blog do Pessoa. Em 1973, desembarque do Governador Alberto Silva no aeroporto de Parnaíba, vendo-se, da esquerda para a direita: Vicente Correia, Erick de Carvalho (prsidente da Varig), ministro João Paulo dos Reis Velloso, governador Alberto Silva e a primeira dama Florisa Silva.

DEPOIMENTO SOBRE ALBERTO SILVA

Alcenor Candeira Filho
    
     Embora por circunstâncias partidárias nunca tenha votado em Alberto Tavares Silva, não posso deixar de prestar-lhe justa e merecida homenagem no centenário de seu  nascimento.

     Nasci e cresci em casa onde a política esteve sempre muito presente. As mais remotas lembranças são de 1950, quando com três anos de idade vi bem de perto o então candidato a presidente da república Getúlio Vargas, que se hospedou na residência  do dr. João Orlando de Moraes Correia, que disputava a prefeitura pelo mesmo partido. Tive acesso à casa em que estava hospedado o grande líder trabalhista por ser amigo e vizinho de João Orlando.

     Em 1950 Alberto Silva estava concluindo o mandato de prefeito, iniciado em 1948, e apoiou no pleito municipal o candidato de seu partido Acrísio de  Paiva Furtado (UDN), que foi derrotado  por João Orlando.

     Foi a partir dessa época que comecei a ouvir falar de Alberto Silva e de seu irmão João Silva Filho, também grande líder político na cidade, que administrou por duas vezes com muita competência.

     Há poucos meses, três filhas do dr. João Orlando (Fátima, Francisca e Joana Rita) postaram  nas redes sociais, com ampla repercussão ,  fotografias tiradas durante a histórica visita de Getúlio a Parnaíba, em agosto de 1950. Essas fotos revelam que quatro eminentes brasileiros que viriam a presidir o país estavam presentes no banquete oferecido por João Orlando: Getúlio Vargas (1951-1954), Café  Filho (1954), João Goulart (1961-1964) e Castelo Branco (1964-1967).

        Como prefeito municipal Alberto Silva esteve presente nesse almoço e aparece em vários retratos.

       Recordo-me também  da campanha eleitoral de 1954 em que Alberto Silva, sempre pela UDN, foi eleito novamente prefeito municipal, derrotando o petebista José Alexandre Caldas Rodrigues. Nessa eleição meu pai Alcenor Rodrigues Candeira foi eleito vereador pelo PTB, exercendo o mandato no período da segunda administração  de Alberto Silva (1955-1958).

     Nos anos 50 minha família costumava passar as férias do mês de julho na praia da Pedra do Sal, então um pequeno povoado de pescadores, muita frequentada pela família Silva.  Foi nessa bela praia que passei a conhecer melhor o dr. Alberto.

     A partir de 1959, com o trágico falecimento de meu pai, a política deixou de ser assunto interessante para mim e para minha família.

     Mesmo temporariamente desiludido ,  nunca deixei de acompanhar a vida política da cidade e aplaudir as grandes ideias e obras.

     Em fins de 1965, concluindo o curso científico e com mala arrumada para ir estudar direito no Rio de Janeiro, assisti no auditório do SESC em Parnaíba a um importante debate entre dois grandes engenheiros que viriam a governar seus Estados: César Cals (CE) e Alberto Silva (PI). O cearense achava que o problema da energia elétrica  na cidade seria resolvido com a conclusão das obras da barragem de Boa Esperança, enquanto Alberto Silva entendia que a solução imediata, embora provisória, seria trazer desde logo a energia elétrica de Paulo Afonso, que poderia noutra etapa, como de fato ocorreu, ser substituída pela da Boa Esperança. Com a posição assumida e que acabou prevalecendo, Alberto Silva antecipou em alguns anos a solução do problema.

     De 1966 a 1971 passei a morar no Rio de Janeiro, deixando de acompanhar a vida política de Parnaíba.

     Quando  regressei à terra natal, em 1972, Alberto Silva exercia o primeiro mandato de  governador do Piauí, quando construiu muitas obras em todo o  estado: estradas, escolas, hospitais, instalação do Polo Petroquímico em Teresina,  ampliação do sistema elétrico e da rede de abastecimento de água, Estádio Albertão, Zoobotânico de Teresina, ponte Simplício Dias da Silva em Parnaíba e muitas outras.

     No plano cultural o governo Alberto Silva foi também rico de realizações: instituição do Plano Editorial do Estado, início da reforma e ampliação do Teatro 4 de Setembro, construção do Monumento aos Mortos do Jenipapo e o Museu do Jenipapo, criação da secretaria estadual de cultura.
     
No livro “100 Fatos do Piauí no Século 20”, diz o jornalista e escritor Zózimo Tavares:

                   Com criatividade e arrojo, Alberto Silva realizou
                   um governo desenvolvimentista, aliado a um ambicioso
                   plano de “marketing”. Trabalhou a auto-estima dos
                   piauienses. Tirou o Piauí do anedotário nacional. Ficou
                   conhecido como um tocador de obras e tornou-se um mito
                   político. O Piauí experimentou no seu governo um surto de
                   progresso, embalado pelo chamado “milagre brasileiro”.
                   (...) Seu governo contou com o irrestrito apoio do piauiense
                   Reis Velloso, o então todo-poderoso ministro do
                   planejamento.  
                                               
     Alberto Silva é o político parnaibano recordista no exercício de cargos eletivos, com cerca de 38 anos de mandato:

- prefeito de Parnaíba: 1948-1950 e 1955-1958
- deputado estadual: 1950 (renunciou)
- governador do Piauí: 1971-1975 e 1987-1991
- senador: 1979-1986 e 1999-2006
- deputado federal: 1994-1997 e 2007-2009.

     Se acrescentarmos nessa conta os vários e relevantes cargos públicos não eletivos que desempenhou ( CENORTE, POLONORDESTE, EBTU), concluiremos que Alberto Silva (1918-2009) dedicou-se à vida pública durante quase setenta anos.

     Alberto Silva era casado com dona Florisa com quem teve vários filhos.

     Todas as pessoas, inclusive as que se destacaram em sua época, estão predestinadas ao esquecimento, cabendo ao escritor  ou historiador proclamar e  difundir seus feitos  aos mais jovens, aos que ainda têm o ideal de um destino a ser cumprido.

     Eis, portanto, a razão pela qual presto este depoimento sobre Alberto Silva no centenário de seu nascimento.     

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A história do sapo Zé




A história do sapo Zé

Elmar Carvalho


Dias atrás veio fazer um trabalho em nossa casa o mestre Ivo Gomes, radicado em Teresina, porém natural de Miguel Alves – PI. Quando, no final do serviço, minha mulher e eu o elogiamos, reconhecendo que ele montara o painel de mosaico com perfeição, ele revelou que passara a noite anterior sem dormir direito, porque a Fátima achara que ele havia errado na ordem de colocação de algumas das peças. Isso demonstra que ele é um operário perfeccionista, meticuloso, o que se percebe ainda no cuidado como ele fez as necessárias emendas, nos locais em que não cabia uma unidade completa.

No decorrer da execução do serviço, ele tomou conhecimento de que eu escrevera alguns livros, que lhes foram mostrados, creio. Ivo, então, nos contou que o seu filho, ainda um menino, era também um escritor. Como lhe indagássemos sobre isso, ele nos contou que o garoto gostava de ler e sempre participava do Salão do Livro do Piauí – SALIPI, tendo publicado um livro infantil por ocasião de uma de suas “versões” anuais.

Falou que o garoto, além do amor aos livros, gostava de desenhar, escrever e era componente de uma banda musical. Acrescentou que o seu filho escrevia desde que tinha cinco anos de idade, sem que ninguém a esse mister o induzisse. Ele próprio fazia as ilustrações das histórias que escrevia.

Perguntei qual a sua idade atual, tendo o mestre me respondido que tinha somente 12 anos de existência. Prometi que, quando ele terminasse o serviço, mandaria uns livros de minha lavra a seu filho, tendo ele me dito que me traria, no dia seguinte, um livro da autoria do garoto. De fato, me trouxe um exemplar, ainda lacrado por invólucro plástico, e, portanto, sem autógrafo, o que parece indicar que o jovem não foi inoculado pelo veneno da vaidade de eventual mosca azul.

O pequeno volume tem o título de “O sapo Zé”, e é todo colorido, da capa à contracapa, o que é conveniente a um livro destinado a público infantil. Li-o com agrado, me recordando dos tempos de minha meninice, em que li com sofreguidão esse tipo de literatura, inclusive vários da autoria do grande Monteiro Lobato, da Condessa de Ségur, de Viriato Correia e vários outros autores, além de inúmeros gibis da marca Walt Disney.

A obra contém belas ilustrações em policromia, que bem retratam o que é narrado, elaboradas por Ângela Rêgo, exímia artista plástica e ilustradora, que já agregou valores a vários livros publicados. Ela é também uma talentosa capista.

Na capa se encontra estampado o nome completo do autor: Railson Cauã Gomes. A pequena nota biográfica informa ainda que ele tem oito anos e que aos cinco decidiu escrever histórias, bem como é estudante de escola pública. Portanto, a história objeto do livro foi escrita, suponho, quando ele tinha apenas essa idade, contudo o livro foi publicado em 2016, conforme folha de rosto. Foi publicado pela Nova Aliança Editora, cujo proprietário é o livreiro Leonardo Dias, coordenador editorial, que relevantes e bons serviços vem prestando à literatura piauiense.

Na pequena nota, a que me referi, é noticiado que o autor “tem o sonho de ser um grande escritor lido no mundo inteiro e por isso continua escrevendo e ilustrando histórias para as crianças se divertirem”. O estilo é claro, direto, objetivo, sem nenhum tipo de rebuscamento, e bem compatível com a idade de Railson Cauã. A história é simples, porém criativa, e apropriada ao público a que é destinada. Por conseguinte, bem diferente de certas histórias infantis, que são, na verdade, uma espécie de contos de terror.

Transcrevo o seguinte trecho, que é revelador de sua inventividade: “O sapo Zé pulava no jardim e a sapa pulava no seu Joaquim.” Nota-se, nesta pequena transcrição, o espírito lúdico e brincalhão do jovem escritor. Por ela se percebe que, se Cauã tiver perseverança e não mudar de planos, continuando firme em sua vocação, em seus estudos e amor à leitura, realizará, decerto, o seu “sonho de ser um grande escritor”.

Afinal, como já dizia Charles Chaplin, “a persistência é o caminho do êxito".    

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

ENTREVISTA NA TV ASSEMBLEIA - CANAL 16

Fonte: Conexão 86/Google


Meus irmãos e amigos,
Cometi um ato falho na comunicação abaixo, vez que o programa não é ao vivo; hoje foi apenas a gravação da entrevista, que somente será exibida na próxima segunda-feira ou na seguinte.
De modo que só me resta lhes pedir desculpas por eventual transtorno.
Abraço,

Elmar

Comunico a meus amigos e leitores que nesta segunda-feira, dia 8, a partir das 15 horas, serei entrevistado na TV Assembleia, canal 16, no programa “Justiça às suas ordens”.  As perguntas serão direcionadas a temas ambientais (ecológicos) e literários. Os apresentadores/entrevistadores serão os desembargadores Edvaldo Moura e Valério Chaves. Desde já agradeço aos diletos amigos pelo prestígio luxuoso de sua sintonia.   

domingo, 7 de outubro de 2018

Seleta Piauiense - Paulo Véras



Espera

Paulo Véras (1953 – 1983)

Esta boca enlanguescente
que a tarde produziu cheia de memórias e desejos
fabrica o mel em concha de ouro
enquanto os olhos passeiam de colmeia em colmeia
e se espalham exaustos em langores

É tão minha esta calma doce
que o vento faz questão
de bordar nas entranhas
e derramar pelo corpo

É tão teu este recorte de luz e sombra
que o abajur tece no canto do quarto
e marca com um halo tua presença

É tão nosso este abraço ausente
que se firma na copa da noite
e decepa com lâmina de foice
a inútil esperança.

Fonte: A Poesia Parnaibana, 2001   

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Lobisomem

Fonte: Google

Lobisomem

*Por Pedro Holandês

Depois de muitos dias de fome e caçadas mal sucedidas, um jovem lobisomem saiu pela praia procurando por carcaças de peixes ou ossos gordurosos de baleia que pudesse mastigar e repor suas energias. Viu ao longe outro lobisomem, um irmão de sina, ao lado de uma carcaça de golfinho e decidiu se aproximar para cumprimentá-lo parando para prosear um pouco.
Era noite de lua cheia e uma brisa que vinha do mar soprava levemente.
- Boa noite companheiro, disse o lobisomem mais jovem. Que sorte sua ter encontrado uns bons ossos gordurosos nesta carcaça!
E o outro replicou:
- Eu na realidade não pretendo mastigar esta carcaça. Só como carne fresca. Pode ficar para si, pois o que comi hoje me satisfará por muitos dias.
- E qual é sua especialidade, irmão de sina?
Disse isso se aproximando rapidamente da carcaça.
- Sou especialista em comer caçadores experientes, irmão de sina. Caçadores gordurosos e com costelas suculentas.
Disse isso mostrado um pedaço da costela que trazia consigo, ainda com pedaços de carne fresca.
- Este caçador aqui, por exemplo, passaram-se quase trinta anos. Percorri muitas cidades até que dei cabo dele.
- Mas eles não são perigosos? Dizem que eles só andam armados de espingardas!
- É verdade, irmão de sina. Mas o que eles não sabem é que suas espingardas não fazem nenhum efeito contra nosso couro à prova de bala. E a grande maioria deles tem medo de alma. Ou quando nos veem em estado metamórfico.
Disse isso em virtude de alguns lobisomens poderem se transformar no animal que quiserem.
- Além disso, são poucos os que ao verem um de nós, esboçam alguma reação. A não ser por se cagarem de medo!
- Vejo que o nobre colega não tem muita experiência.  Quanto tempo faz que carrega esta sina meu caro jovem?
- Faz cinco anos, respondeu o mais jovem.
- E você irmão de sina?
- Bem, eu não sei precisar ao certo quantos anos. Por outro lado, fazem muitas luas cheias que deixei de comer carcaças, merda de galinha, filhote de cachorro e etc.
- Tudo isso é coisa de quem não tem experiência no assunto. Um dia quando você crescer e adquirir mais experiência, você vai entender que carne humana é a mais saborosa de todas! Além do mais eu prefiro caçar aqueles que caçam.
Disse isso colocando a mão no ombro do lobisomem mais novo e o fitando no fundo de seus olhos.
- E quantos homens, digo caçadores, você já devorou?
- Ah, irmão de sina, eu já comi vários e de todas as classes...

*Pedro da Costa Silva, ou Pedro Holandês, como é reconhecido e conhecido, nasceu em Parnaíba. Pesquisador independente, guia turístico e poliglota autodidata.
Seus estudos estão voltados para a história natural, ecologia e o regime alimentar de serpentes da espécie cobra veadeira  (Corallus hostullanus) no delta do rio Parnaíba. Grande parte de seus artigos estão hoje publicados em revistas internacionais dos Estados Unidos e da Europa.
Aprendeu vários idiomas em contato com turistas holandeses, ingleses e americanos, como guia turístico no Delta do Parnaíba. Este título, Lobisomem, é a introdução de um livro que está escrevendo.   

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

LABIRINTO TINTO DE SANGUE


Fonte: Google

LABIRINTO TINTO DE SANGUE 

Elmar Carvalho

Faço um poema
com o sangue ardente
das nascentes de meus dedos:
vertentes de medos e degredos.
Os versos são fios de esperança
que saem de palpos de estranhas aranhas
construindo labirintos em arabescos
tintos de sangue nos afrescos.
Ariadne recolhe o fio
e Teseu surge intacto
com a espada embebida
do sangue do Minotauro que traz
no peito a rosa sangrenta da ferida.
Com esse fio
Penélope tece e destece
um longo manto ensopado
de pranto e quebranto
e se amortalha das dores
de amor de que padece
– amor que lhe pasta e apetece.
O que conclui desfaz peça por peça
e interminavelmente recomeça.   

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O ESPERTALHÃO NÃO PASSA DE UM TOLEIRÃO

Fonte: Medium/Google


O ESPERTALHÃO NÃO PASSA DE UM TOLEIRÃO

Antônio Francisco Sousa – Auditor Fiscal (afcsousa01@hotmail.com)

                Será que, de fato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria razão quando, certa feita, disse, ou deixou que pensassem que o dissera, que deve ser muito bom ser presidente da República – que, com sua (dele) permissão, estendo para as demais funções/cargos governamentais e parlamentares -, já que tantos querem sê-lo? E mais um acréscimo nosso: mesmo aqueles que, sabidamente, jamais o conseguirão, porque lhes faltaria empatia, carisma, capacidade técnica, intelectual, operacional e, principalmente, votos suficientes para obter o cargo nas urnas?

                Talvez FHC haja levado em consideração – não duvido que, ironicamente - que somente boa vontade demais, desprendimento, altruísmo, humildade, respeito, submissão, modéstia, consideração, apreço, dedicação, abnegação, disposição para servir, trabalhar, acolher, compreender e aceitar; urgente necessidade de prestar serviços, justificariam motivação capaz de levar cidadãos que apanham tanto, são tão humilhados, incompreendidos, atacados, agredidos por aqueles que não os reconhecem, desconhecem ou, a priori, se negam a ver neles as qualidades que pregam ou o que seriam capazes de realizar, uma vez lhes fosse dado oportunidade de chegarem aos palácios governamentais e parlamentares, a lançarem seus nomes – não raro, apostando e colocando em risco a própria honra, quando ainda a têm em bom estado de conservação - enfim, a, gratuita e, voluntariamente, se oferecerem para nos representar no governo e parlamento.

                Após intensas lucubrações cerebrinas concluo que, jamais me disporia ou me colocaria na posição de esses abnegados: prontos para levarem pancadas, admoestações, acusações, agressões na maior parte do tempo, estejam cumprindo ou não a obrigação de servir – se não cumprem, talvez lhes caiba menos culpa do que àqueles que os teriam colocado lá, por não lhes fazerem as devidas cobranças nem requisitarem deles a exata e necessária prestação de contas –   proposta ao se colocarem, efetiva e, midiaticamente, à disposição de todos, geralmente, na fase de convencimento eleitoral.

                Saindo da letargia mental a que me havia submetido, caí na realidade, já discordando do ex-presidente:  essa turma, caro senhor – nem todos fazem isso, bom que se diga -, na verdade, admite e aceita ser espicaçada, espoliada, vilipendiada, açulada, instigada, atacada, espinafrada, desmoralizada, ridicularizada, simplesmente, porque sabe que tudo de que lhe acusam, os (e seus) eleitores, tem vida curta, nenhuma seriedade, não passa de palavras ao vento; eles têm certeza de que essa corriola, que, antes de votar neles, cobre-lhes de cobras e lagartos, é a mesma, ou quase o é, que, não apenas não lhes cobrou, efetivamente, os serviços que deveria prestar durante o mandato anterior, como a que estará à sua disposição nos próximos pleitos, pronta para, novamente, dar-lhes seu voto de confiança, levá-los aonde quiserem.

                Não há mágica, prestidigitação, ilusão, hipnose de que lancem mão esses franciscanos e iluminados seres, para se fazerem confundíveis com alguém sempre tão humilde, disponível e solícito, notadamente, antes dos pleitos eleitorais. O que há, infelizmente, é descaso, dissimulação, hipocrisia e desrespeito de ambos os lados: dos eleitos ao, quase sempre, não darem crédito nem atenção àqueles que os elegeram; dos eleitores, ao não acompanharem, não fiscalizarem nem exigirem o cumprimento do que ficou acordado entre eles.

                Talvez por isso haja dito outro experiente sujeito da espécie dos demagogos, que não fazem nenhum esforço para não parecerem hipócritas, cabotinos ou antiéticos, a respeito de eleição para o senado brasileiro: chegar lá é bem melhor do que no céu, porque, neste, é o que alguns dizem, só se chega morto; naquela casa, não, quanto mais vivo, mais fácil. E na câmara federal, nos palácios governamentais, será que conseguem adentrar figuras não espertíssimas? Claro que não!

                Não há vítima nem algoz nessa história de eleição: o eleitor, querendo bancar o espertalhão, faz o que o legítimo espertalhão quer: dá-lhe, reiteradamente, vez, voz, autoridade e poder; o eleito, por sua vez, faz o que eleitor espera dele: toma-o por toleirão. E o que mais lhe oferece são chutes no traseiro. No final de tudo, todos ficam satisfeitos. E vida que segue.