quinta-feira, 19 de outubro de 2017

ALEGORIA DA FOME

Fonte: Google
ALEGORIA DA FOME

Elmar Carvalho

A pobreza um dia
bateu à minha porta
sob a forma de um menino
magro, sujo e maltrapilho.
E catou com suas mãos esquálidas
o sujo conteúdo
de meus sacos de lixo.
Foi quando eu saía
para o trabalho.
O menino, ou antes, um
bicho assustado correu.
Fui no seu encalço
em minha moto uivante.
O menino correu ainda mais,
varou cercas de arame farpado,
penetrou no terreno baldio por entre
arbustos espinhentos e urtigas,
com olhos e gestos de terror,
como se eu fosse espancá-lo.
E eu somente queria dizer
que ele podia catar o lixo.
Apenas não espalhasse
o resto do lixo
sobre a calçada.
Mas o meu pequeno irmão
feito bicho espavorido
tem medo dos outros bichos
que se dizem seu irmão.
E o meu irmão tem razão.    

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