quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

ACUSAÇÕES QUE TÊM O VENTO POR TESTEMUNHA DE DEFESA

Fonte: Google


ACUSAÇÕES QUE TÊM O VENTO POR TESTEMUNHA DE DEFESA

Antônio Francisco Sousa – Auditor Fiscal (afcsousa01@hotmail.com)

                        Foi reportagem de jornal, assunto de televisão - possivelmente, com desdobramento jurídico-ambientalista provocado pelos defensores dos animais de estimação -, o resgate de um cão encontrado amarrado, faminto e maltratado em lugar ermo qualquer. Descoberto o proprietário, este falou, enfim, ter localizado o animal que, havia meses, fugira de casa.

 Quem sabe não estivesse falando a verdade o dono do arisco animal? A propósito, será que as tão preocupadas e diligentes pessoas ou autoridades que, se não aconselham, também não condenam a castração/esterilização como forma de evitar a proliferação de animais vadios nas vias públicas – não foi o caso do pet em questão -, deixados lá por indivíduos que não têm condições de cuidar deles, sugeririam àqueles prolíficos, mas imprudentes pais e mães de vários filhos, que não tendo como bancar a tantos, não evitam que alguns busquem as ruas, sucumbam às drogas, tornem-se párias sociais, submeterem-se à histerectomia ou outra forma de esterilização?

                        Evitar a superpopulação de animais de estimação que, bom que se diga, não nascem como o capim depois das primeiras chuvas, mas são fruto da conjunção carnal entre machos e fêmeas – como ocorre à maioria dos animais -, em vez de tentando educar criadores sobre a necessidade de dispensar-lhes os necessários cuidados, evitando que venham morar/viver nas ruas, ou sugerindo a esterilização e/ou castração – quem alimentaria os irracionais eunucos abandonados? –, parece algo dicotômico, contraditório, pois, ao tempo em que defendem a vida dos pais, quando apenas os castram, evitam a dos filhos que, um dia, os animais esterilizados poderiam ter.

                        Continuando na linha das intervenções desautorizadas, intempestivas. A jovem mulher, às costas do cidadão, porém, um tanto distante dele, de repente, começa a gritar por socorro. Ele se volta, assustado, mas somente percebe que seria o motivo do pedido de ajuda, quando a mesma, pondo-se a seu lado, começa a acusá-lo de assédio e tentativa de estupro.

                        O sujeito, atônito, não entendia a razão da acusação verbal, tampouco o desespero da moça.

                        -Foi ele! Foi ele! Gritava. Polícia! Queria me estuprar! Uma pequena multidão de curiosos já se formara em torno dos dois. Alguém a ajude, falou uma mulher, em meio à aglomeração, sem se dignar, sequer, a aproximar-se da “assediada”.

                        - Que é isso? Não te conheço, nem te dirigi a palavra, não te fiz nada! Andava à tua frente: estás maluca! Dirigindo-se à estranha samaritana, disse: eu nem sei que é esta cidadã! Deixa-me em paz, tenho mais o que fazer, criatura! Ele quer fugir, acusava a boquirrota salvadora. Nenhum de vocês - apontando para alguns homens - vai intervir? Por que – falou um deles -, se o rapaz disse que nem a viu ou tocou nela, pois seguia à sua frente? Ah, é? E ela, como fica? Vejam seu estado, coitada, desesperada! A propósito, quem é a senhora – manifesta-se o acusado - que toma as dores dela, sem ter certeza do que eu teria feito? Ela falou que o senhor tentou estuprá-la... E isso lhe pareceu suficiente para me condenar? Nenhuma marca ou arranhão! Não sou um tarado que ataca mulheres em plena via pública. Ela é uma desmiolada, ou coisa pior. Assuma, sujeito - não era mais a primeira benemérita que falava, mas outra que também se condoera da “coitadinha” -, você assediou a garota e agora quer tirar o corpo fora? Quem vai tomar providências? Não ouviram o que ela disse? Apontando para a moça - que, de repente, acalmara-se como se o efeito de algo ou de alguma ação esquizofrênica houvesse cessado.

                        Encurralado, então, pelas preocupadas senhoras donas da verdade, já temia por sua segurança. A multidão não diminuíra. A “vítima” não mais chorava, apenas soluçava baixinho, sempre que apontava o dedo em sua direção. Olhem, ou as senhoras perguntam-lhe por que ela achou que eu estava tentando estuprá-la, se eu seguia bem distante dela, ou vamos a uma delegacia policial registrar a ocorrência! Ora, ora, não se faça de sonso, moço: deixe de lorota – ela, a primeira senhora, com a anuência gestual da outra pia cidadã.

                        Eis que chega a polícia e, primeiramente, trata de afastar os curiosos; depois, um policial chama as senhoras, de lado, e lhes pergunta o que estaria acontecendo. Um estupro: este homem tentou currar aquela moça – apontando a “vitima”. Antes de olhar para ela, o militar virou-se para o acusado: é fato o que elas dizem, cidadão? Claro que não, é uma grande mentira, uma acusação grave. Antes que o senhor me pergunte: jamais vi essas mulheres. Ela deve ser louca, desequilibrada! Falou um monte de sandices e, depois, calou-se, emudeceu. E as senhoras, seriam parentes da vítima? Não. Viram, pelo menos, ele tentando estuprá-la? Não, em coro, as duas.

                        Naquele momento outro guarda, alertado pelos colegas que haviam examinado a moça, falou: senhores, esta jovem é nossa velha conhecida. Não é a primeira vez que ela acusa estranhos nas ruas de a terem tentado estuprar. Além de ter problemas esquizofrênicos, deve ter sofrido algum trauma, no passado Voltando-se para o acusado: sabemos que o senhor se sentiu bastante ofendido e, dirigindo-se às “boas samaritanas”: cuidado para não saírem por aí fazendo o mesmo que ela: acusando alguém por um crime que não o viram cometer; todavia, releve essa situação vexatória, cidadão, ela é doente e precisa de ajuda; quanto a essas senhoras, infelizmente, são duas falastronas. Não devia, seu guarda, mas vou aceitar seu conselho. Agradeceu-lhe e partiu, sem nem olhar para trás.

                        Fato é que, acusar, atualmente, é ato tão fácil de realizar, quão difícil é de ele defender-se; notadamente, quando, ou se, a prova da acusação forem palavras atiradas ao vento, que também seria a principal, senão única, testemunha de defesa.

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