domingo, 17 de setembro de 2017
Seleta Piauiense - Félix Pacheco
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Símbolo d’arte
Félix Pacheco (1879 – 1935)
Se o meu verso não fora o
agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um
crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga
luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o
gargalhar de um mocho;
Se, essas flores do mal, em pleno
desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase
e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo
e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale
esse martírio.
Se, na terra que piso, algum
prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o
claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a
augusta paz da morte...
E o meu símbolo d'arte, o ideal
que me fascina,
É a tristeza a florir a graça
feminina,
Como um farol pressago a iluminar
o norte!
sábado, 16 de setembro de 2017
Itamar Costa homenageia o juiz Noleto
Fui à
solenidade de posse do juiz e poeta Antônio de Jesus Noleto na Academia de
Letras da Magistratura Piauiense – ALMAPI, da qual faço parte. Foi uma bela
festa literária, cuja reportagem do site da AMAPI reproduzimos na postagem
anterior. Tive a oportunidade de reencontrar bons colegas e amigos, com os
quais entabulei rápida conversação. Sentei-me entre o cardiologista Itamar
Abreu Costa e o juiz federal Derivaldo Figueiredo Bezerra Filho, ambos meus
amigos há muitos anos. Desejando autografar um exemplar de meu romance
Histórias de Évora para o magistrado Geraldo Magela Meneses, de que seria
portador o Dr. Derivaldo, pedi emprestada uma caneta ao culto defensor público
Roberto Freitas Filho, que não aceitou devolução; por esse motivo, retribuindo
a dádiva, o fulminei, a queima roupa, sem direito a defesa, com um autógrafo em
outro volume. Na manhã de hoje, recebi um emocionado e –mail da lavra do amigo
Itamar, que segue abaixo transcrito, como homenagem ao bravo Dr. Noleto.
Elmar Carvalho
Fundada há 15 anos a ALMAPI,
presidida pelo Acadêmico Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, realizou ontem (15
de setembro de 2017), sessão solene para dar posse ao Juiz Antônio Reis de
Jesus Noleto, na cadeira 6 que tem como Patrono o Desembargador Berilo Motta e
teve como primeiro ocupante o Desembargador Paulo de Tarso Mello e Freitas.
O discurso de saudação ao novel
acadêmico foi proferido pelo Desembargador Oton Mario Lustosa, que citou o Dr.
Noleto como um dos nossos grandes poetas (sonetista de Escol).
Dr. Noleto, que nasceu em Alto
Longá, filho do casal Socorro e Almir Noleto, neto de Cora e Pompílio, ao
iniciar a sua fala, não se esqueceu do seu torrão natal. Lembrou dos amigos de infância,
tendo lembrado do Itamar, Carlito, Harold, Valdir Brito, lembrou do futebol no
campo da baixa das carnaúbas e principalmente as Guabirabas e os banhos no Olho
D’água do Frei Pedro e Rio Gameleira.
Fez citação carinhosa aos seus
familiares e aos colegas da magistratura presentes. Ao referir-se ao Desembargador
Paulo, o fez com emoção e saudade do velho mestre tanto na Contabilidade, uma
vez que Noleto foi aluno do Colégio Demóstenes Avelino, colégio fundado pelo
Professor Felismino, quanto na Faculdade de Direito onde Paulo Freitas Também
era professor. Lembrou que ao receber a carteira de Juiz das mãos do dr. Paulo,
recebeu do experiente magistrado bons e úteis conselhos.
Foi uma bonita festa!
Parabéns à Academia pelo ingresso
do Dr. Noleto, parabéns à Allche (Academia longaense de Letras, Cultura,
História e Ecologia), entidade à qual é Sócio Correspondente e a Academia de
Poesia do Piaui. Sodalício à qual pertence o acadêmico recém-empossado.
Teresina, 16 de setembro de 2017
José Itamar Abreu Costa
Presidente da Allche
Juiz Antonio Noleto é empossado na Academia de Letras da Magistratura Piauiense
| Dr. Noleto e sua esposa Maria Helena |
Juiz Antonio Noleto é empossado
na Academia de Letras da Magistratura Piauiense
Foi empossado na cadeira N° 6 da
Academia de Letras da Magistratura Piauiense (Almapi) o juiz Antonio Reis de
Jesus Noleto, em solenidade realizada nesta sexta-feira (15), no pleno do
Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI). A solenidade foi dirigida pelo
desembargador e presidente da Academia, Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho.
Também compuseram a mesa de
honra, o desembargador e acadêmico Edvaldo Moura, o médico José Itamar Abreu
Costa da Academia de Letras do Vale do Longá (Aval) e o imortal e desembargador
Oton Lustosa.
Noleto recebeu o diploma da
esposa Maria Helena de Jesus Noleto. O desembargador Oton Lustosa foi o
responsável pela mensagem de boas-vindas ao novo imortal e falou sobre a
trajetória do cidadão e magistrado.
Em seu discurso, o juiz Antonio
Noleto agradeceu a honraria enaltecendo a biografia do seu antecessor. Disse
que chega à Academia como um ouvinte e admirador dos grandes valores da Almapi
e fez uma homenagem à esposa Maria Helena de Jesus Noleto “que é farol e fonte
de inspiração há 47 anos”.
A cadeira Nº 6 pertenceu ao
desembargador e acadêmico Paulo de Tarso Mello e Freitas, falecido em janeiro
deste ano, e tem como patrono o desembargador Berilo Pereira da Mota.
O presidente da Associação da
Magistrados Piauienses (Amapi), Thiago Brandão, que esteve presente na
solenidade, falou do sentimento dos magistrados sobre a posse de mais um
imortal.
“A magistratura piauiense está
muito orgulhosa de ter o nosso colega Antonio Noleto como membro da Academia.
Ele tem todos os predicados e características para bem representar a
magistratura nessa augusta academia que promove conhecimento, reconhece e
prestigia os escritores magistrados”, ressalta Thiago Brandão.
Também estiveram presentes na
solenidade familiares, magistrados, desembargadores, integrantes da Academia e
convidados.
O novo imortal
O imortal Antonio Noleto está há
31 anos atuando como juiz de Direito, dos quais 15 como juiz da 1ª Vara do
Tribunal do Júri, em Teresina. A sua primeira profissão foi de Contador, antes
de seguir na carreira jurídica até chegar na magistratura em 1987, passando por
várias comarcas no interior. Em 2016, ele lançou o livro “Por que cantam as
cigarras”, apresentando um olhar sensível sobre o sofrimento, a dor, a
angústia, o amor e o desamor.
Fonte: site da AMAPI
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
PONTE ESTAIADA E MESTRE ISIDORO FRANÇA
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PONTE ESTAIADA
E MESTRE ISIDORO FRANÇA
Elmar Carvalho
Voltei há pouco
de minha caminhada na avenida Raul Lopes, que durante estas minhas férias venho
fazendo quase diariamente. Escolhi o seu calçadão para esse saudável exercício
porque é um local adequado, possui uma bem conservada floresta à margem do rio Poti,
tão degradado, com as suas águas poluídas e estagnadas, exceto na época
chuvosa; porque vejo outras pessoas a caminhar, e isso me estimula a persistir
nesse esforço em prol da saúde. Fora das férias, caminho apenas às sextas-feiras
e aos sábados, e excepcionalmente aos domingos.
Às vezes,
acompanho (ou sou acompanhado por) algum amigo e me entretenho em agradável
conversação, ou sigo sozinho, e me deleito a ver as árvores frondosas, os
pequenos arbustos, e as diferenças entre as variadas folhagens, sem descurar da
beleza das flores, que ornam a margem do calçadão. Isso faz com que me sinta
bem e prossiga com mais vigor na caminhada. Hoje, durante algum tempo, caminhei
ao lado do Dr. João Borges Caminha, advogado aposentado do Banco do Brasil, que
foi meu professor de Direito Agrário na velha Salamanca da UFPI. Após a sua
aposentadoria, tanto na universidade como no banco, o mestre começou a escrever
sobre a História do Piauí, tendo lançado recentemente um livro sobre a História
de Ipiranga, sua terra natal. Temos entabulado várias conversas sobre assuntos
diversos, mas com mais frequência sobre a História de nosso estado.
Nessas marchas,
acompanhei a construção da ponte estaiada João Isidoro [da Silva] França, mais
conhecida como ponte do sesquicentenário. Sem dúvida será muito útil e bela, e
vai desafogar o tráfego das pontes da Frei Serafim e da Petrônio Portella. É
uma obra monumental, no sentido de grandiosidade e de beleza, com os cabos de
sustentação a ornamentá-la, como raios ou um grande leque, quase a lembrar uma
desfraldada cauda de pavão. As obras continuam firmes, com a construção das
“alças” e da avenida de acesso à ponte.
Quando,
recentemente, Alberto Silva morreu, demagogos e oportunistas defenderam que
essa obra passasse a ter o nome do ex-governador, que já foi prodigalizado com
grandes e várias homenagens. Ressalvo, obviamente, aqueles que agiram de boa
fé, seja por ignorância ou por paixão política. Provavelmente, desconheciam a
importância histórica de João Isidoro França, que foi fundamental para Saraiva,
no início da construção de Teresina, pois esse mestre de obras era uma espécie
de arquiteto e engenheiro sem universidade, diligente em sua labuta, e sempre a
cobrar de Saraiva, através de cartas, as providências necessárias para que as
obras seguissem seu curso normal.
Devia ter
interesse cultural, porquanto em sua casa, na praça da Constituição, hoje
Marechal Deodoro, fazia representar peças teatrais, o que era de admirar,
considerando-se a Teresina da época. Entre as suas principais obras, destaca-se
a igreja do Amparo, que ainda hoje alveja suntuosamente. Dela foi vigário, por
muitos anos, o grande historiador monsenhor Chaves, que escreveu obras seminais
e clássicas sobre a história do Piauí, inclusive especificamente sobre Teresina.
O prefeito Sílvio Mendes, de forma firme, com a autoridade moral de quem possui
a razão, defendeu a permanência do nome de João Isidoro França, e o manteve,
com muita justiça, aliás.
2 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
UMA PÁGINA AUTOBIOGRÁFICA DO Pe. JÚLIO ALBINO FERREIRA
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UMA PÁGINA AUTOBIOGRÁFICA DO Pe. JÚLIO ALBINO FERREIRA
Cunha e Silva Filho
Conforme havia
prometido ao leitor, vou-lhe apresentar um
pequeno texto autobiográfico do
Pe. Júlio Albino Ferreira. Digo autobiográfico
porque foi o próprio autor que, em nota de pé de página do
anteriormente referido livro An English
method [1], nos informa sobre a autoria do texto. Segue a minha tradução da
narrativa do padre português sob o título “Crossing the Channel”
Atravessando o Canal
Era uma e meia
do dia 24 de março de 1916 quando parti de Folkstone para Dieppe a bordo do
“Sussex.”O mar mostrava-se mais calmo
do que nunca.
A bordo havia cerca
de trezentas almas de diferentes países, América, Itália, Espanha, França, Brasil e Portugal. A
uma distância de aproximadamente duas milhas de Folkstone, avistamos o que
restou de um navio flutuando na água. Um
marujo, ao ser indagado sobre o acidente,
informou que um submarino alemão havia sido levado a pique dois navios
naquela mesma manha, mas tranquilizou os
viajantes afirmando que não havia perigo
algum, porquanto o submarino tinha prosseguido em direção ao Ocidente.
Todos a
bordo acreditaram no marujo. Penso que, dez minutos depois, haviam esquecido o perigo de serem naufragados. O
“Sussex” continuou firme no seu curso em direção ao Leste e ninguém avistava
nem barcos nem navios subindo ou descendo.
Às duas e meia
desci para almoçar. Na sala de refeitório todos falavam de negócios ou de coisas insignificantes.
Contudo, ninguém dizia mais nada sobre os naufrágios daquela manhã.
Assim que
concluí minha refeição, subi ao convés. Deixei o refeitório às três horas e, atravessando o setor de bagagens, passei pelo
corredor que dá para as escadas. Em seguida, pude ver que a bordo havia
escritores, artistas, sacerdotes, pastores, irmãs de caridade,
capitalistas, comerciantes, trabalhadores
e crianças.
Quando subia para o
convés, ouvi um barulho assustador, algo
parecido com o ribombar de um trovão, e
o navio sacudiu com tal violência que julguei tivesse batido contra uma rocha
ou havia sido arremessado contra um
banco de areia.
Ouviu-se este grito
horrível saído da boca de duzentos corações: - Naufrágio! Naufrágio!Todos estamos
perdidos! Deus, tende misericórdia de nós! O “Sussex” fora
atingido por um torpedo!
Em segundos, alcancei o convés. Procurei por uma bote salva-vidas, porém somente três haviam sido baixados. Só sobrara um e,
ainda assim, já estava tão lotado de
gente que não me atrevi a entrar nele.
Mas... onde
estava o resgate que não vinha? Decidi pular para dentro daquele bote. Enquanto
me segurava à amurada, alguém, subindo nos meus ombros, saltou primeiro.
Entretanto, seja porque
as cordas estavam inadequadas, seja porque a carga era muito
pesada, uma das cordas rompeu-se e todos
caíram no mar.
Vi uma mãe
agarrada ao filhinho, um senhor abraçado à sua esposa, duas moças segurando-se a uma tábua... e, olhando
para longe, vi cerca de quarenta almas
lutando, lutando, agonizadas.
Cinco minutos
depois, havia apenas quatro homens
flutuando.Eles se agarraram à verga do mastro grande da proa, a qual agora nos
amparava.
Era a primeira
vez na minha vida que senti, diante de
mim, a presença da morte. Não havia mais esperança e me preparei para morrer. Ergui a Deus meus pensamentos e
comecei a rezar. Todos ao meu redor me acompanharam nas orações.
Ignorava se aquela
gente acreditava ou não em Deus.
Contudo, o que podia constatar foi que naquele momento a bordo havia livres pesadores. Todos rezavam! Mais ou
menos às 5 horas, vimos à distância um navio a vela singrando em nossa direção.
E de todos os corações a bordo irrompeu este clamor: “Esperança! Esperança! Deus, tende
piedade de nós!”
Durante 20
minutos fixamos os olhos naquele
inesperado mas bem-vindo navio. No
entanto... o navio mudou o curso e desapareceu! Novamente se dissiparam as
esperanças!
A noite desceu
sobre nós com sua escuridão entristecedora e, para aumentar a nossa agonia,
o mar começava a agitar-se. Nenhum sinal luminoso vinha da praia...
Tampouco algum sinal de outro navio! Novamente, me preparei para a morte.
..........................................................................................................................
O relógio dava
sete... oito ... nove horas. Nenhum sinal de luz se vislumbrava à distância.
Quando já eram dez horas, vimos, muito longe,
um navio. Era o “Marie-Thérèse”
vindo nos salvar.
[1] ALBINO FERREIRA, Pe. Júlio. An English method.
14th edition. Oporto: Portugal,
1939, p. 370-373).
terça-feira, 12 de setembro de 2017
Capitão-mor João Gomes do Rego Barra
Capitão-mor João Gomes do Rego Barra
Reginaldo Miranda (*)
Um dos principais personagens nos
primórdios da fundação da Parnaíba, foi o português João Gomes do Rego Barra,
ou Rego Barros, conforme também se verifica. Na verdade, adotou esse último
apelido por modismo, talvez por fixar morada na barra do Parnaíba.
No entanto, dois equívocos se vêm
repetindo com relação a esse pioneiro, o primeiro tantas vezes repetido, é de
que ele foi enviado para o lugar por ordem do governador de Pernambuco, para
guarnecer o litoral de ataques inimigos. Porém, esse fato não é verdadeiro
porque desde março de 1700, que o Piauí havia sido anexado ao governo do
Maranhão, fugindo assim à alçada pernambucana.
Na verdade, João Gomes do Rego
Barra se radicou no litoral piauiense defendendo interesses privados, como
procurador do abastado fazendeiro e coronel, Pedro Barbosa Leal, morador na
cidade da Bahia e sócio da Casa da Torre em alguns empreendimentos. Ali
chegando em 1711, sob ordens daquele, funda fazendas, pequena vila sob o nome
de Nossa Senhora de Monserrate, depois também conhecida por Vila da Parnaíba ou
Vila Velha do João Gomes, onde instala as primeiras oficinas de couro e
charque, assim como explora o ramo de salinas.
Em 1711, o abastado fazendeiro
Pedro Barbosa Leal, solicita à Cúria de São Luís do Maranhão, licença para construir
uma capela sob a invocação de Nossa Senhora de Monserrate, padroeira do lugar e
santa de sua devoção, obtendo resposta em 11 de julho do mesmo ano.
Esse foi de fato um ano
importante para a fundação do lugar, porque em 16 de dezembro (1711), João Gomes
do Rego Barros vai ser nomeado para exercer por três anos a patente de
capitão-mor da assim chamada vila de Nossa Senhora de Monserrate, na foz do
Parnaíba. Essa nomeação foi de suma importância para a conservação das fazendas
e consolidação da nascente povoação, porque estava tendo início o levante geral
dos indígenas que sacudiria os sertões do Piauí e Maranhão.
Outro equívoco que se vem
repetindo com relação a esse colonizador lusitano, é de que ele fosse natural
de Pernambuco e pertencente à ilustrada família Rego Barros. Não é verdade.
João Gomes do Rego Barra nasceu em 1676, na freguesia de São Lourenço de Sande,
termo de Guimarães, arcebispado de Braga, no norte de Portugal, em cuja igreja
matriz fora batizado em 12 de abril daquele ano, pelo vigário Antônio Pereira
(o documento consta à fl 23, do respectivo livro de batizados relativo àquele
ano). Foram seus pais Francisco Dias de Carvalho (adotou esse apelido por ser
do lugar do Carvalho) e sua mulher Maria Francisca do Rego (a exemplo do esposo,
adotou esse apelido por ser do lugar do Rego), esta filha do clérigo Jerônimo
Rodrigues, abade de Mezarefes; e padrinhos Antônio Rodrigues de Carvalho, da
freguesia de Mezarefes e Páscoa Francisca (sua tia materna), mulher de outro
João Gomes, daquela mesma freguesia (PT-TT-TSO-CG-A-008-001-3396)
Ainda menino deixou São Lourenço
de Sande e foi morar em Mezarefes, na companhia do avô materno, abade Jerônimo
Rodrigues, onde viveu a vida escolar. Dali rumou para Lisboa e, em seguida,
para a cidade da Bahia, onde chegou por volta de 1696, aos vinte anos de idade,
para viver em companhia de dois clérigos: o irmão Francisco Gomes, que
ministrava aulas de Gramática e o primo Domingos Gomes, ambos jesuítas, este
último foi administrador das fazendas da Companhia de Jesus, no Piauí, deixando
importante relatório denominado Notícias do Piauhy, que copiei, interpretei e
publiquei em forma de livro, juntamente com outros escritos, em 2011.
Foi na cidade da Bahia que
conheceu Pedro Barbosa Leal, com ele firmando contrato para vir fundar
feitorias e administrar seus bens no delta parnaibano, onde chegou no ano de
1711.
Durante a levante geral dos índios
(1712 – 1717), lutou ao lado do mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior,
combatendo os indígenas no norte do Estado. Diz ele em petição, que juntamente
com aquele, assassinado pelos indígenas em 1713, resistiu em três combates
seguidos, os índios também com armas de fogo e ele tendo perdido nessa guerra
mais de cinco mil cruzados. Nessas lutas meteu ele de paz o aranhis,
desinfestando assim grande área do delta.
Em face dessa conquista em 14 de
julho de 1725, recebeu do governador do Maranhão sesmaria na área que
conquistou ao tapuia levantado, com duas léguas de comprido e duas de largo, em
uma ilha que está entre o rio Igarassu e a barra chamada vulgarmente da
Parnaíba, onde criava mais de trezentos animais, cuja área foi confirmada por
el rei; pediu também sesmaria no Riacho Pirangi, que nasce na Serra da Ibiapaba
e entra no Parnaíba, que lhe fora dada verbalmente por Pedro Barbosa Leal, onde
ele suplicante criava duas mil cabeças de gado vacum há quatorze anos, o que
reporta ao ano de 1711, não obtendo a devida confirmação. No requerimento disse
ele que tinha cinco filhas solteiras e apenas um filho varão, encontrando-se
sem um palmo de terras com título seguro (AHU. ACL. Maranhão. Cx. 15. Doc.
1499).
O capitão-mor João Gomes do Rego
Barra, convolou núpcias em 1711 ou 1712, em São Luís do Maranhão, com Ana
Castelo Branco de Mesquita, natural de Lisboa, prematuramente falecida, filha
de Dom Francisco de Castelo Branco, militar português, irmão do Conde de
Pombeiro, e de sua primeira esposa Maria Eugênia de Mesquita, falecida em
naufrágio nas costas do Maranhão no ano de 1700. Filhos: Maria Eugênia de
Mesquita Castelo Branco e João do Rego Castelo Branco. Convolou segundas núpcias com a cunhada Maria
do Monserrate Castelo Branco, irmã por inteiro da primeira e inditosa consorte.
Filhas: Francisca do Monserrate Castelo Branco, Ana do Monserrate Castelo
Branco, Florência do Monserrate Castelo Branco e uma quinta filha cujo nome não
sabemos informar.
Com essas informações por ele
declaradas em petição requerendo sesmarias, de que tinha apenas um filho varão,
fica evidente que Lourenço dos Passos e Rosendo Lopes Castelo Branco não são
seus filhos, e sim netos, provavelmente filhos de sua filha Florência do
Monserrate Castelo Branco, que foi casada com José Lopes da Cruz, que situou-se
na barra do rio Pirangi, por ele pedido em sesmaria, onde floresceu a fazenda,
hoje cidade de Buriti dos Lopes.
Faleceu depois de 1725, deixando
uma família extensa, ilustrada, rico cabedal e larga folha de serviços
prestados ao Estado.
(*) REGINALDO MIRANDA, é membro
efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico
Piauiense e conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PI.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Câmara Municipal homenageia Norte do Piauí na Semana da Imprensa.
Câmara
Municipal homenageia Norte do Piauí na Semana da Imprensa.
A Câmara Municipal de
Parnaíba homenageou na noite desse sábado dia 09 com a Medalha do Mérito
Legislativo o jornal Norte do Piauí, que este ano completa cinquenta anos de
circulação, de propriedade do jornalista Mário Meireles em cerimônia presidida
pelo vereador José Geraldo Alencar Filho, com a presença de profissionais da
imprensa, convidados e familiares do homenageado e o chefe de gabinete da
Prefeitura de Parnaíba, Israel Correia.
O jornalista Mário
Meireles foi representado na ocasião pelo seu genro, o advogado e professor
Francisco Rodrigues, que no seu discurso de agradecimento lembrou fatos
marcantes da vida profissional familiar do homenageado e enalteceu suas
qualidades como a filantropia e humildade. Falaram ainda o diretor da
Associação dos Comunicadores Sociais de Parnaíba, Renato Bacellar e o
presidente da Câmara, vereador Geraldinho e o jornalista Bernardo Silva.
A ASCOMPAR foi
homenageada logo em seguida com um coquetel oferecido na Federação das
Indústrias do Estado do Piauí, FIEPI. Presentes ao evento, a Rainha da Imprensa
de 2017, Vanessa Bandeira, profissionais e suas famílias. Dentro da programação
da Semana da Imprensa está marcada para a próxima quinta-feira no SESC
Caixeiral, às 18h a exibição do filme O Destino sem Deus, O Cordão, do diretor
parnaibano Francisco Thieres, com entrada franca.
Fonte: ASCOMPAR. Fotos: ASCOMPAR. Edição: APM Notícias.
Palestra de lançamento do livro “Matriz de São Bernardo: de capela a santuário”
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| Historiador Nonato Vaz, Elmar Carvalho, Diácono Felipe e Monsenhor Maurício |
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| Francisco Ribeiro, Natim Freitas, Elmar e Fátima no adro da Matriz de S. Bernardo |
Palestra de lançamento do livro
“Matriz de São Bernardo: de capela a santuário”
Proferida pelo Diácono Felipe Costa Silva
No dia 9 tive
a grata satisfação de me deslocar, com amigos e familiares, de Parnaíba a São
Bernardo (MA), onde participei de bela festa literária, em que foi lançado o
livro “Matriz de São Bernardo: de capela a santuário”, do diácono Felipe Costa Silva,
que tive a honra de prefaciar, graças à generosidade de seu autor. A obra conta
a história da Paróquia e da cidade, a exemplo de Campo Maior, minha terra
natal, fundada por Bernardo de Carvalho e Aguiar. Compareceu expressivo e
seleto público. Usaram da palavra o monsenhor Maurício Laurent, o historiador
Nonato Vaz e Elmar Carvalho. Entreguei ao diácono Felipe exemplares das obras
Parnárias – poemas sobre Parnaíba, Histórias de Évora (romance) e Confissões de
um juiz, para a sua biblioteca pessoal e para a Biblioteca Pública de São
Bernardo. O autor que, apesar de jovem, é detentor de invejável erudição e de
notável capacidade redacional, fez o belo pronunciamento que transcrevo abaixo.
Elmar Carvalho
Senhoras e senhores, boa noite!
Agradeço a presença de todos. De
maneira especial às autoridades religiosas e civis que, estando aqui, muito me
honram. Obrigado!
Com muita satisfação, neste momento
inicio a apresentação oficial do meu primeiro livro “Matriz de São Bernardo: de
capela a santuário”. Como preâmbulo das considerações que pretendo fazer nesta
noite memorável, trago à lembrança o soneto “Minha terra”, do saudoso
conterrâneo e ilustre poeta, Bernardo Coelho de Almeida:
“Se estou longe de ti, pesa-me o
fardo
Imenso da saudade sobre mim:
(No mapa nem puseram São
Bernardo....
E eu mais te quero, obscuramente
assim!)
Vejo-te sob um céu de luz
galhardo,
O verde vale, o solo carmesim,
A rua - paralela ao rio pardo -
Onde o sol nasce em baixo e morre
ao fim...
O mundo que me fez abandonar-te,
Me faz te procurar por toda
parte,
Nos sonhos, um a um, que ele
desfaz!
E agora é tarde para revivê-los,
No pranto de mamãe, nos seus
cabelos,
Na mesa onde nem todos sentam
mais!”
É muito significativo que nesta noite
estejamos reunidos aqui, nesta praça, neste lugar. Talvez, não se tenha plena
consciência, mas ao nos reunirmos aqui, nos reunimos não somente com o
presente, mas também com o passado, que reclama o direito de se fazer presente
conosco porque vive em cada um de nós, filhos deste chão abençoado pelo monge
de Clairvaux!
Bernardo Almeida, em seu soneto,
expressa o genuíno espírito de um bernardense, que mesmo longe sabe guardar no
coração a grata lembrança de sua terra, desejando-a só pra si, como em um conto
de fadas.
Nos encontros e desencontros da
vida, é aqui, neste chão, que nós bernardenses, verdadeiramente nos
encontramos, ou pelo menos, é aqui que encontramos a bússola que orienta nosso
caminho, a bússola do começo e recomeço.
E para não nos perdermos ao longo da
jornada da existência, é preciso que nos apropriemos das nossas raízes. Não
pode se apropriar do mundo quem ainda não se apropriou de suas raízes, de seu
chão, de sua história, da memória de sua gente. Esta é uma serena convicção que
trago no mais íntimo de mim.
Nesta palestra de lançamento, darei
enfoque em três pontos que julgo pertinentes:
1- O nascimento da ideia do livro
2- A redação e o projeto da trilogia
3- O conteúdo
1 - O nascimento da ideia do livro
Escrever o livro “Matriz de São
Bernardo: de capela a santuário”, o primeiro do ousado projeto de uma trilogia,
é uma forma de colaborar com a preservação da memória da nossa cidade, nossa
paróquia, além de recordar os elementos basilares que sustentam nossa cultura,
nossa fé cristã, nossos costumes e festas.
Toda pesquisa nasce de uma sadia
curiosidade. O que seria da humanidade se não existissem os espíritos curiosos.
A curiosidade sadia é capaz de produzir o extraordinário, ficam como exemplo as
grandes descobertas da ciência e da tecnologia, e os constantes progressos da
pesquisa histórica.
Pela curiosidade de entender as razões
pelas quais o Cônego Nestor foi assassinado em agosto de 1970, iniciei um longo
caminho de leitura, coleta de dados, partilha de experiências e vivências, que
culmina, agora, com o lançamento desse livro.
Tudo começou em janeiro de 2011, no
escritório de Monsenhor Maurício Laurent, quando ele pôs em minhas mãos a
volumosa obra “História Eclesiástica do Maranhão”, de Dom Filipe Condurú
Pacheco, onde encontrei a trilha por onde eu deveria dar os primeiros passos
para depois devassar, por conta própria, um novo caminho.
À medida que ia lendo Condurú Pacheco
fui sendo possuído por um enorme desejo de imitá-lo, escrevendo também eu uma
suposta “história eclesiástica bernardense”. Essa foi, aliás, minha ideia
original, imatura por sinal, que posteriormente foi purificada e redirecionada.
Apropriei-me de outras fontes muito
importantes (César Marques, Cláudio Melo, Mário Meireles, Aderson Lago etc.) e
gradativamente fui cotejando inúmeras informações sobre a paróquia de São
Bernardo, e inclusive sobre a própria origem da cidade.
Desse cotejamento, fui
construindo um vasto leque de dados históricos, que me permitiu ampliar o
horizonte da pesquisa para além da figura do Cônego Nestor, que era o objeto
inicial das investigações.
Quando me dei conta, eu já estava
em alto mar, cônscio, porém, que um pouco desprotegido, por não ter, com
propriedade, domínio do método da pesquisa histórica, o que faz com que eu me
entenda um amador, ou como disse um colega padre e historiador, um ensaísta.
Mas um ensaísta comprometido com a verdade e que preza muito pela honestidade
intelectual.
2 - A redação e o projeto da
trilogia
De posse de inúmeras fontes, comecei,
em 2012, a esboçar o esqueleto daquilo que seria um livro. Além de definir o
que deveria escrever, redigi o núcleo central de alguns capítulos. Ali ficou
claro, dada a vastidão da pesquisa, que eu deveria dividir a publicação em pelo
menos três. Foi assim que surgiu a ideia da trilogia, nada, porém estava muito
claro.
Foram seis anos de pesquisa
temperados com as obrigações próprias de um seminarista, seja no âmbito
acadêmico seja no pastoral. Em alguns momentos tive que deixar este trabalho em
segundo plano, sem nunca perder, no entanto, o elã da pesquisa.
Uma das primeiras contribuições
dessa pesquisa consistiu na recordação e divulgação da data do bicentenário da
Matriz, cujas celebrações oficias ocorreram no ano passado, no contexto do Ano
Jubilar da Misericórdia.
Na ocasião, escrevi um pequeno
artigo explicando o contexto histórico dos 200 anos da Matriz, apesar da
Paróquia São Bernardo possuir, historicamente, 276 anos de existência
institucional. Esse dado está seguramente fundamentado no livro.
Considerando o fato de eu estar
impossibilitado de fazer a publicação do livro no ano passado, em razão da
minha transferência para o Ceará, criei o blog Freguesia de São Bernardo do
Parnaíba, ou simplesmente Freguesia SB, a fim de homenagear a Matriz
Bicentenária de São Bernardo, e ao mesmo tempo chamar atenção para a
necessidade de mais pesquisas e produção sobre a história de São Bernardo.
Paralelo ao trabalho do blog,
retomei a redação do livro, levando a cabo a conclusão dos capítulos e
definindo com clareza o conteúdo dos três volumes:
O 1º, que ora apresento,
possibilita uma visão histórica geral sobre a origem de São Bernardo e da Paróquia
São Bernardo, anteriormente chamada Freguesia de São Bernardo do Parnaíba.
O 2º, cuja redação já está em
andamento, e está previsto para ser publicado em agosto do ano vindouro, será
sobre o Cônego Nestor, com especial ênfase sobre o contexto obscuro de seu
assassinato, dúvida de raiz que motivou todas as minhas pesquisas.
O 3º, cuja previsão de lançamento
é para agosto de 2019, abordará a devoção a São Bernardo de Claraval e seus
desdobramentos na construção do tecido social bernardense, considerando,
sobretudo o festejo e as manifestações populares de piedade e devoção.
A redação deste primeiro volume
eu a concluí em fevereiro deste ano, tendo encaminhado o escrito,
posteriormente, para a apreciação de alguns amigos.
Fiz convite especial ao ilustre
Elmar Carvalho para que ele fizesse o prefácio. Muito cordialmente, aceitou tal
empresa, e o fez com esmero e objetividade.
Minha relação com Elmar começou
via internet, quando lhe solicitei uma cópia da obra “Bernardo de Carvalho”, do
grande historiador Pe. Cláudio Melo. Hoje, nos encontramos pela primeira vez,
na ocasião desse lançamento, razão pela qual me sinto mui honrado.
Também devo recordar gratamente,
meu amigo historiador, Pe. Edilberto Cavalcante, doutor e professor de história
na UECE, e membro do clero de Quixadá, pelas preciosas dicas para a redação
final do texto.
Devo recordar ainda, Pe. João
Rezende, do clero da Arquidiocese de São Luís, que me iluminou na escolha do
título do vertente livro.
Depois de seguidos todos os
tramites de publicação, junto à Editora Imprece de Fortaleza, tenho a grata
satisfação de colocar em vossas mãos o primeiro fruto de uma ousada semeadura.
“Matriz de São Bernardo: de capela a santuário”, é o meu presente, ainda que
tardio, à Paróquia Santuário São Bernardo pelos seus 200 anos de Matriz.
3 - O conteúdo
Durante a redação dos sete capítulos
desse primeiro volume, resolvi iniciar resgatando a narrativa legendária sobre
a origem de São Bernardo, nas suas mais diversas variantes. De fato, apesar de
ter um caráter legendário, essas narrativas portam consigo algo de verdadeiro e
expressam momentos fundamentais da história da Matriz.
Na antiguidade clássica, quando os gregos
resolveram romper com a explicação mítica do mundo, deram origem à Filosofia.
No entanto, sabe-se que o mito é portador de uma verdade. Não se trata de uma
mentira, mas de uma forma de explicar e dizer a multifacetada realidade da
existência.
De igual maneira, ao iniciar a obra pelas
narrativas legendárias, quis valorizá-las e mostrar que a partir delas podemos
trilhar o caminho da história, dos fatos e acontecimentos. Quis trazer em cena
muitos personagens que estão nas origens da nossa cidade: os padres jesuítas,
os índios Anapurús, Bernardo de Carvalho Aguiar, Dom Manuel da Cruz e Padre
Antônio Vidal de Almeida, o primeiro vigário encomendado de São Bernardo.
A história de São Bernardo foi
construída ao redor da Matriz, da necessidade de sua construção. De fato, nosso
chão, nos séculos XVIII e XIX, é profundamente marcado pela necessidade da
construção e/ou manutenção de uma matriz. Os nomes que se sobressaem nesse
período são os do padre João Francisco Martins e do coronel Antônio Pires
Ferreira, generoso benfeitor da Matriz de São Bernardo.
Mas, é somente a partir do século
XX, com a ousadia do Cônego Nestor em construir uma nova Matriz, um santuário,
é que o eixo se desloca da igreja de pedra para a igreja viva, que sãos os
fieis batizados, os paroquianos, ou numa linguagem colonial, os fregueses.
O século XX é o século de ouro da Matriz.
Período em que aconteceu uma verdadeira renovação pastoral a partir de alguns
movimentos leigos, tais como o Apostolado da Oração e a Pia União das Filhas de
Maria.
Por uma questão de justiça, é preciso
que se diga que essa renovação não é mérito unicamente do Cônego Nestor. Na
verdade, ao chegar aqui ele encontrou um terreno já trabalhado pelo ilustre
Monsenhor Gentil de Moura Viana, que tanto bem fez a esta paróquia nos poucos
anos em que dela esteve à frente.
Não há dúvida de que o período do
pastoreio do Cônego Nestor se configura como o esplendor da Matriz. No entanto,
isso não se deve somente a ele. É preciso que olhemos para outros personagens
que foram também muito importantes, sobretudo mulheres, tais como, Otamires
Pereira, Elizia Guimarães, Rosa Leal, Semírames Coelho Lima, Nilza Coelho Lima,
Débora Correia Lima, Antonieta Andrade, Elisabete Almeida, e o senhor Edmundo
Dantés, irmão do Padre Alexandre Pereira, filho de São Bernardo, que foi o
vigário antecessor do Cônego Nestor.
Após o fim trágico e lamentável do então
cônego, a Matriz de São Bernardo foi confiada aos cuidados do Padre Maurício,
que com muita maestria soube encaminhar a paróquia na linha de renovação
proposta pelo Concílio Vaticano II, a partir de uma visão eclesial que
considera a CEB’s como um caminho de verdadeira renovação pastoral e
espiritual, culminando na ereção canônica do nosso templo como Santuário
Diocesano.
Nesse itinerário de três séculos, resumidamente
ilustrados, ensejei destacar os elementos históricos que fomentam o ethos
bernardense, isto é, nosso jeito de ser, nossa expressão sociocultural.
Espero que este livro ajude a fomentar
no coração de cada um de nós o terno amor pela nossa Matriz, nossa terrinha, a
fim de que nunca seja silenciada a voz da alma que canta sem cessar, nos
recônditos de nosso ser: “Glória a ti terra querida, cantamos com emoção,
juramos por toda a vida, trazer-te no coração”.
Obrigado!
São Bernardo, 09 de setembro de 2017
Praça Vale de Luz
domingo, 10 de setembro de 2017
GALO MAGRO
GALO MAGRO
Elmar Carvalho
Galo Magro
não tinha
penas multicores
não tinha canto
nem encanto
não tinha crista
nem cristais de prata.
Sim, senhores, porque Galo Magro
era apenas o apelido
de um menino pobre,
de um menino feio,
de um menino com fome,
de um menino sem nome,
como milhares de
outros meninos do Brasil.
Galo Magro
jogava bola
mas um dia
para driblar a fome
encravada no seu bucho
ainda menino foi ser
motorista de táxi.
Um dia,
um dia como
outro qualquer,
um dia simples
sem exuberância de sol
e sem adorno de nuvens
um homem mandou
que o Galo Magro
fizesse uma corrida
à passagem do
“Vai-não-Volta”.
E o Galo Magro
foi e não mais voltou.
Foi encontrado morto
com o olhar de
vidro absorto
fitando o vazio
do sem futuro.
Foi encontrado morto
com os olhos tristes
abertos
fitando talvez a quimera
da vida perdida de quem nada espera
da vida perdida
de pobre diabo
completamente morto
morto ainda em vida
de morto morto e acabado.
(Uma rosa rubra de
sangue coagulado
brilhava muito
viva e linda em seu
peito frágil de
Galo Magro magro.)
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Bancas de revista
| O Louro visto por Fernando di Castro |
BANCAS DE REVISTA
Alcenor
Candeira Filho
o sol nas bancas de revista
me enche de alegria e preguiça
quem lê tanta notícia?
eu vou
(Caetano Veloso - “Alegria, Alegria”)
Em minhas reminiscências, se o assunto é
venda de jornais e revistas, ocorre-me primeiramente o estabelecimento de José
de Moraes Veras, o Zequinha da
Coca-Cola, situado nas proximidades da praça da Graça, na rua Marechal Pires Ferreira.
Quando criança gostava de ir à banca do
Zequinha para me abastecer de revistas em quadrinhos e figurinhas colecionadas
em álbuns. A “Revista dos Esportes” também me atraía. Zequinha comercializava
só publicações novas. Quem queria revistas usadas e bem mais baratas visitava
no Mercado Central a banca do Sr. Lira, um sessentão muito simpático com pelos
plantados no corpo inteiro. Seu Lira vendia e permutava revistas em quadrinhos
(Pato Donald, Mickey, cow-boy, Bolinha, Luluzinha), cordéis, livretos pornôs do
Carlos Zéfiro e figurinhas ou supercromos tecnicoloridos para álbuns, como “Os Dez Mandamentos” ,inesquecível filme de
Cecil B. de Mille, estrelado por Charton Heston como Moisés, Anne Baxter como
Nefretiri, Yul Brynner como Ramsés
II, Yvone De Carlo como Sephora, Debra Paget como Lília, John DereK como
Josué, Edward G. Robinson como
Dathan, Sir Cedric Hardwick como Seth I,
com total de 210 supercromos, que retratam a trajetória de Moisés, do
nascimento à expulsão do Egito por decreto do faraó Ramsés II e o abandono nas
areias de deserto quase infindo, com ração e água para um só dia. Depois, a
imensa responsabilidade de conduzir seu povo a lugar incerto, a terras novas, à
terra que seja só sua, sob impiedosa perseguição do exército comandado pelo
faraó. A abertura do mar. O afogamento de militares egípcios. A subida ao Monte
Sinai. O bezerro de ouro. A terra se abrindo e o bezerro de ouro e seus
adoradores caindo no abismo que se abriu a seus pés. Lá em cima o fogo, a voz ,
as regras. Os Dez Mandamentos. Moisés:
braços abertos para o infinito, barba e cabelo longos e brancos, em cima do
monte, na despedida de quem esconde para onde vai.
Outro álbum inesquecível , que conservo
até hoje, é o constituído de 200 supercromos impressos -
“Estrelas de Ontem e de Hoje”, retratando atores e atrizes brasileiros e
estrangeiros que se destacaram na primeira metade do século XX e nos anos
60: Ronald Golias, Anselmo Duarte,
Grande Otelo, Oscarito, Ankito, Zé Trindade, Norma Benguel, Paul Newman, Elvis
Presley, Audie Murphy, Robert Wagner, Natalie Wood, Anita Ekberg, Gina Lollobrígida,
Anthony Quinn, Marilyn Monroe, Richard Burton, Marlon Brando, Rock Hudson, Gary
Cooper, James Stewart, Glenn Ford, Kirk Douglas, Victor Mature...
O troca-troca de figurinhas era
interessante e tinha suas regras: qualquer pessoa podia chegar na banca do Lira
com uma Gina Lollobrígida repetida e sair com um Anthony Quinn que lhe faltava
no álbum. Claro que havia supercromos
mais raros que outros e na negociação dez figuras poderiam por exemplo ser
trocadas por uma.
A banca do Zequinha só vendia envelopes
lacrados com cinco figurinhas cada. Era quem bancava o produto na praça.
As bancas de revista satisfazem todos os
gostos e gastos: jornais e revistas nacionais, estaduais e municipais,
charadas, palavras cruzadas, casa e jardim, apostilas para concursos públicos,
esporte, artes, religião, ciências, filosofia, cordel, pornô, além de livros,
muitos dos quais de autores parnaibanos.
A partir dos anos 60, a banca de revista
mais procurada pertencia ao senhor Aluísio Cruz , que sucedeu o cunhado
Zequinha no negócio. Dona Carlota trabalhava com o marido.
Da fase áurea da banca do Aluísio, na
avenida presidente Vargas, lembro-me dos encontros dominicais de leitores em
busca do Jornal do Brasil, com seus diversos cadernos (esporte, literatura,
turismo, economia, política). O JB era o jornal de circulação nacional mais
consumido em Parnaíba. E olha que as edições
de domingo chegavam na cidade a partir das nove horas do mesmo dia.
Através da banca do Aluísio formei
coleções completas de lançamentos de grandes editoras nacionais, como os 32
volumes das obras de Érico Veríssimo, os 50 da coleção “Literatura Brasileira
Contemporânea”, os 50 da coleção “Obras Imortais de Nossa Literatura, os 50 de
“Literatura Comentada”, os 21 da “História da República Brasileira”, de Hélio
Silva e Maria Cecília Ribas Carneiro, e muitas outras obras.
Hoje há várias bancas de jornal na cidade.
A mais conhecida e frequentada é a Banca do Louro, localizada na praça da
Graça. Em sua volta, quatro instituições financeiras, duas igrejas
bicentenárias, um hotel, receita federal, câmara municipal e estabelecimentos
comerciais.
A Banca do Louro, graças à simpatia e
educação do proprietário, é muito visitada. Em torno dela as pessoas gostam de
bater papo.
Durante o tempo em que viveu, o sr. Pedro
Alelaf reunia a partir dos anos 60 na calçada de sua casa comercial, aos
domingos de manhã, várias pessoas - políticos, empresários, bancários, comerciários,
jornalistas, intelectuais. Tema: livre. Quem quisesse falar mal de alguém que
falasse, quem preferisse falar bem que o fizesse. Esse grupo chamava o ponto de
reunião de senadinho. E realmente os pontos de vista políticos predominavam
democraticamente nas conversas. Além do anfitrião, José Maria Medeiros e Pedro
Borges eram presenças constantes.
Depois do falecimento de Pedro Alelaf, o
senadinho se mudou para a banca do Louro. A democracia continua plena. Todos
têm razão neste mundo sem razões.
Um dos traços marcantes no comportamento
do Louro é a discrição. Ele fala muito menos do que ouve. Aliás, quando fala,
não ofende a ninguém. A esposa e o filho aprenderam bem a lição da boa convivência.
O Louro parece ter um só partido: PCP –
Partido da Cultura Parnaibana e por isso se entende bem com todo o mundo.
Em todo ano eleitoral, o Louro colocava
uma urna ao lado de sua banca para que
as pessoas manifestassem sua intenção de voto. Suas pesquisas sempre batiam com o resultado
oficial. Na última eleição municipal, algumas pessoas não comprometidas com a democracia
tentaram desvirtuar a pesquisa feita
pelo Louro, desestimulando-o a prosseguir nesse
trabalho.
Além de publicações de praxe, a Banca do
Louro vende livros diversos, principalmente de autores parnaibanos.
Recentemente escrevi e publiquei um
poeminha chamado Epigrama:
o poeta foi à livraria
atrás de livro de poesia:
-
como podes ver nas estantes
aqui temos livros bastantes
que vendemos a todo instante
e que agradam o leitor
-
obras de autoajuda de amor
de culinária de ficção
de botânica de religião...
como vês são livros diversos
mas não temos nenhum de versos
por escassez de comprador.
Na Banca do Louro, cuja missão superior é
divulgar a cultura, com ou sem lucro, tem até livros de poesia. Talvez até mais
que obras em prosa.
Existem outras bancas de revista em
Parnaíba e é provável que tenha havido outras anteriores às do período em tela.
Neste artigo, menciono apenas as que me marcaram efetivamente.
2017
Aberta na TV Delta a 55ª Semana da Imprensa de Parnaíba
Aberta
na TV Delta a 55ª Semana da Imprensa de Parnaíba
A 55ª Semana da Imprensa
foi aberta oficialmente na manhã desta segunda-feira com um café da manhã
oferecido pela diretoria da TV Delta em Parnaíba, afiliada da TV Antares, da
Fundação Antares. Na ocasião o presidente da Associação dos Comunicadores
Sociais de Parnaíba, José Luiz de Carvalho, falou da importância deste evento
para os profissionais de imprensa e sobre a programação que encerra dia 16 de
setembro na Fundação Raul Bacellar.
Com a presença do diretor
Márcio Bicanka e de profissionais da TV Delta, portais, blogs e outras
emissoras televisão, foi apresentada a nova Rainha da Imprensa 2017, a repórter
da TV Delta, Vanessa Pereira de Souza Bandeira. Esteve presente além da
diretoria da ASCOMPAR, a escritora e jornalista Dilma Ponte de Brito, que falou
sobre suas atividades como profissional de imprensa.
O presidente José Luiz de
Carvalho anunciou o valor do prêmio em dinheiro para o concurso de reportagens,
num total de R$ 2 mil, distribuídos entre as categorias de televisão, jornais,
blogs e portais. Para o primeiro, segundo e terceiro lugares, quinhentos,
trezentos e duzentos reais, respectivamente. O prazo de inscrições e entrega de
material foi prorrogado para o dia 13, quarta-feira da próxima semana.
Fonte: ASCOMPAR. Fonte: ASCOMPAR. Fotos:
ASCOMPAR. Edição: APM Notícias.
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