segunda-feira, 16 de junho de 2025
UM CERTO CAPITÃO RODRIGO
domingo, 15 de junho de 2025
VIDA IN VITRO
| Ilustração feita pela IA Gemini, com sugestões minhas. |
| 2ª versão, feita pela mesma IA. |
VIDA IN VITRO
Elmar Carvalho
andavas pelas ruas de
outrora
à procura de ti mesmo
que se encontrava aos
pedaços
bêbedo nos bares
aos trancos e barrancos
se arrastando pelos
lupanares
tortuosamente andando
pelas ruas tortas.
eras infante e juntavas
varapaus
no sonho maluco de tocares
a lua cheia que depressa
minguava.
levantaste a túnica da
freira
não por sacrilégio ou
impudência
mas apenas para constatares
se
ela possuía duas pernas e
dois
seios como todas as
mulheres.
eras infante e quebraste
o joão teimoso, não por
maldade,
mas para descobrir o
misterioso
mecanismo de sua teimosia.
não, não eras doido, não
eras lúcido,
eras apenas um translúcido
menino.
escondias tuas vergonhas,
tuas frustrações
e teus medos, como todos
nós, como se esconde
lixo debaixo dos tapetes de
luxo.
recordas a menina que te
golpeou
com um não, apenas por
capricho e maldade.
recordas a garota que te
amava
e que desdenhavas talvez
por capricho ou vingança.
eras poeta e criaste uma
quimérica
amada imortal e imaginária,
inatingível
em sua torre de marfim.
ela talvez também te
quisesse,
mas a fizeste intocável.
enternecido, lembras-te da
empregadinha
que bolinaste, e que por
bondade, amor
ou desejo não te denunciou,
com alaridos
e gritos histéricos,
estridentes.
eras jovem e te julgavas
alexandre
e bonaparte, senão mesmo um
deus,
e já seguravas a coroa de
ouro e o cetro
e já acariciava tua fronte
o louro triunfal.
tudo eram conquistas e tudo
conquistavas.
eras jovem e eras frágil
e te sentias impotente
quando
contornavas as calçadas de
ouro dos hotéis de luxo
ou quando avistavas a
menina rica e bela,
com as suas jóias e as suas
roupas elegantes e caras.
não sabias de seus desejos,
de suas ânsias
e doenças e de seus nojos
de si mesma.
talvez ela te amasse, mas o
teu orgulho
a fez afastar-se de
ti.
ainda procuras o trolley
que desviaste
com teus amigos, para uma
aventura sem fim
até que os trilhos
paralelos
se tocassem no infinito.
ainda assistes a filmes de
bang-bang
só para sentires a emoção
do tempo
em que teu pai te levava
para o reino
encantado e mágico do velho
cine nazaré
que em tua memória ainda
remanesce.
sentes ainda o cheiro
dolorido e pisado dos alecrins
da paixão do senhor morto,
do horto das agonias,
das chagas vermelhas,
maceradas, da túnica
roxa, brilhante, da coroa
de espinhos, dos cravos,
não os de cheiro, mas os de
ferro, que ferem...
eras infante, então, e como
sofreste
e como fizeste sofrer tua
mãe, madona,
mater dolorosa e pietá
sofrida e consoladora
de teus sofrimentos de
então e de sempre.
buscas os cheiros
embriagantes dos
brancos lírios de são josé
e das rosas vermelhas
do velho caramanchão de
antigamente.
os lírios se transformaram
em cálices
de amargura e nas rosas
depositas
o orvalho de tuas lágrimas
pelo mundo
perdido num canto escuro do
passado
e que não restauras, nem
mesmo no
terceiro ou no sétimo dia
de tua agonia.
a magia da música e dos
álbuns de família
te trazem alegres e
pungentes recordações
e te fazem viajar no tempo
e no espaço
do turbilhão das mesmas
emoções.
solitário, no silêncio da
noite
pensas nos segredos, vícios
e incestos existentes na
cidade,
nas feridas abertas pelos
mais acerbos sarcasmos
e nos espasmos de brutais e
homéricos orgasmos.
passeias pelos becos e
logradouros do passado
e eles te conduzem ao tempo
que buscas em
desespero.
perdido e cego caminhaste
pelos labirintos,
teseu e minotauro de teu
próprio destino,
nos confrontos que travaste
com teu ego.
esfinge e édipo, não
decifraste
teu enigma, e em vão
buscaste
as pitonisas de outrora e
de agora,
e inutilmente foste teu
próprio ilusionista.
mas eras sábio e em algum
momento
te reencontraste, ao te
tornares
mais simples e mais puro,
malgrado as pedras, os
lodos e as quedas.
em vão tapaste os ouvidos
para as palavras que te
feriram
e inutilmente selaste a
boca
para as palavras ferinas
que proferiste.
não, não eras anjo nem
demônio,
eras apenas um deus de
barro
e teu sonho secreto e
sagrado
foi sempre a transcendência
mas decepado de uma das
asas
foste sempre um anjo torto
coxo
capenga no a esmo voo sem
pontaria.
procuras ainda a pedra azul
de tua serra encardida.
esperas ainda no pátio da
igreja
o ônibus que sempre vinha
demasiado cedo ou demasiado
tarde.
lamentas a namoradinha
jovem e esbelta
que envelheceu e engordou.
debalde procuras a sua
cintura
para ternamente lhe
pousares as mãos.
antes não mais a tivesses
revisto.
ainda buscas a namoradinha
de uma noite de verão – ou
inverno,
não importa, nada mais
importa agora.
caim arrependido, pedes
perdão:
já não suportas o
onisciente olho do senhor.
sofres pesadelo pela
matemática
que te torturava, e acordas
suado, ansioso.
procuras o batente da
calçada de outrora
onde te cevaste nos lábios
e nos seios da amada.
reencontraste a mulher que
te amou
sem esperança, em face de
tua indiferença,
e chafurdaste em sua
carnívora rosa de carne,
talvez para feri-la
novamente,
agora com a fúria e com o
tédio.
devias estar feliz.
realizaste teus sonhos
de consumo. tens uma boa
mulher.
teus filhos são
maravilhosos. tens
um bom emprego. no entanto
ainda
não estás saciado. esperas
um milagre
mas não sabes se os
milagres ainda existem.
estás perdido: tens inveja
de deus
e não sabes se é virtude ou
pecado.
equilibrista, caminhas com
teus malabares
e alforjes por uma
corda-bamba estendida
de menos infinito a mais
infinito.
caminhas para a morte.
muitos dos teus amigos já
são mortos
e te procuram com
insistência.
infante, desejavas crescer
para realizares os teus
sonhos de conquista.
adulto, queres retornar ao
país de tua infância.
não sabes o que queres.
queres apenas morrer,
esquecer.
queres viver eternamente
num mundo
que não é o teu.
contudo, tens esperança
e agora teces um poema sem
fim
com o novelo infinito de
tua vida
que se desdobra do nada ao
tudo...
sábado, 14 de junho de 2025
OS BOSON E OS SANTOS – CANTIGAS E ABOIOS *
OS BOSON E OS SANTOS – CANTIGAS E ABOIOS *
sexta-feira, 13 de junho de 2025
Um dia chuvoso no sertão de mim
Um dia chuvoso no sertão de mim
Por Fabrício Carvalho Amorim Leite
Dia chuvoso
no sertão.
Capim mimoso, choroso.
Os pingos, finos e certeiros, lembram o coaxar dos sapos-cururus escondidos nos
cupinzeiros.
Como podem anfíbios tão grandes sumir por oito meses na terra seca?
Os mandacarus
já sorriram verdes no meio da estiagem.
É como se soubessem.
Formigas
aladas, cupins e borboletas-azuis dançam no ar,
enquanto o sol e as nuvens acertam uma trégua breve.
Mas eu,
infelizmente, não sou sapo.
Nem mandacaru. Nem borboleta.
Sou homem — cheio de si e de silêncio —
triste, num dia escuro,
enquanto um irmão ali, tão perto,
tateia no escuro por uma partícula de luz.
Não é sequer Assum Preto,
que na música chora em forma de canto.
O que vejo…
não canta.
Não fala.
Apenas geme.
Geme comigo,
nas letras,
na caneta de tinta preta,
que um dia há de pintar essa vida
com todas as dores do arco-íris.
Quando as
nuvens negras, enfim,
combinarem com o sol o parto
do seu filho mais bonito:
o arco-íris.
quinta-feira, 12 de junho de 2025
Variações sobre os anéis de Saturno
| Arte: ChatGPT |
Variações sobre os anéis de Saturno
Elmar Carvalho
Lendo alguns trechos de seu belo livro Descobrindo Saturno, logo vi que você tem um estilo límpido, claro, objetivo, conciso, com frases bem construídas, geralmente curtas.
Além de conter reflexões sobre assuntos diversos, contudo relacionados com ciência, não deixa de ser uma excelente obra de divulgação científica, mas em linguagem acessível, quase diria didática, todavia sem superficialidades.
Gostei do livro porque, embora tenha certo pavor da matemática, gosto da parte teórica da astrofísica e da mecânica quântica. Tenho lido obras de divulgação sobre essas matérias e outras afins. Sobre esse meu medo da matemática, já tive ocasião de dizer:
A matemática
me enlouquece:
por isto meu pensamento
salta de mais infinito
a menos infinito
e explora as amplidões
do universo, enquanto
meus olhos vidrados
fitam a álgebra
sem vê-la.
E a minha abstração
me leva ao infinito
que meu corpo
me nega.
Em certo trecho, você diz que o microcosmo das partículas, da mecânica quântica, tão cheia de mistérios e surpresas, lhe fascina mais do que o macrocosmo da astrofísica. Vejamos o que eu já disse sobre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno:
O CÍRCULO SE FECHA
O infinitamente grande
tende ao tudo.
O infinitamente pequeno
tende ao nada.
Estes dois extremos se tocam.
Em Deus.
Por mera curiosidade, perguntei à Meta AI sobre se o poema acima estava “de acordo com as leis da física”, tendo a Inteligência respondido o seguinte:
”Que poema profundo e filosófico! Embora não seja uma descrição científica direta, ele toca em conceitos interessantes relacionados à física e à natureza do universo.
A ideia de que o infinitamente grande e o infinitamente pequeno se tocam é um tema comum em teorias físicas, como a teoria das cordas e a cosmologia. Alguns modelos sugerem que o universo pode ser uma entidade única e interconectada, onde os extremos se encontram de alguma forma.
A referência a Deus adiciona uma camada filosófica e espiritual ao poema, sugerindo que essa conexão entre os extremos pode ser uma manifestação de uma realidade mais profunda ou divina.
Embora o poema não seja uma descrição literal das leis da física, ele certamente inspira reflexões sobre a natureza do universo e nossa compreensão dele. É um convite à contemplação e ao questionamento, o que é fundamental para a ciência e a filosofia!”
O autor fala do tempo, que é uma das quatro dimensões do tempo-espaço da Teoria da Relatividade. O tempo na física é muito sutil, muito misterioso, intangível, quase imperceptível, a não ser por inferências, como a mudança do dia para a noite, o envelhecimento, que vai esculpindo suas rugas, e o deslocamento no espaço. De difícil ou (quase) impossível conceituação ou descrição. Sobre ele, muitas décadas atrás, mais precisamente em 22/09/77, escrevi estes versos:
Superando a relatividade
do tempo e do espaço,
quero não estar ao mesmo tempo
no tempo e no espaço.
Indo além
da barreira do tempo e do espaço,
eu galguei o infinito
ao ficar infinitamente
pequeno.
Gildário diz, em seu livro, que montou um telescópio que havia comprado, tempos atrás, e com ele viu a beleza deslumbrante dos anéis de Saturno. Talvez tenha tido uma espécie do alumbramento à Manuel Bandeira, quando o excelso poeta viu pela primeira vez um outro tipo de beleza. Também cantei o encanto glorioso de Saturno e seus anéis, que já comparei a bambolês e a brincos nas orelhas de belas mulheres:
Na Zona Planetária, Saturno levita
– leviatã imenso e pouco denso –
com sua cortina de nuvens
e de substâncias vaporosas
– vapores de rosas das mulheres
(...)
Nos anéis de Saturno os elos são rompidos
no simbolismo redundante da falha de Cassini.
Para mim, em certas passagens, o seu excelente livro tem contorno levemente confessional, permeado por certas lembranças, claro que relacionadas com ciência, estudos e meditações.
Embora seja um cientista de alto nível, você não se envergonhou de dizer que acredita em Deus; em um Deus que não foi moldado à imagem e semelhança do homem. Sobre Deus, em quem creio piamente e a quem oro todo dia, já tive o ensejo de dizer:
IV – Num blefe descomunal
poderia até afirmar
que esta realidade não existe.
Que tudo não passa do sonho
de um deus e que esse
deus sou eu.
Mas o Eterno existe
e esta realidade existe
e quando descobrirmos
o Mistério da Gênese de Deus
a humanidade será perfeita e fará
parte do Corpo Místico de Deus.
terça-feira, 10 de junho de 2025
Um certo tenente-coronel José Eusébio de Carvalho
| Igreja matriz de Granja (CE) |
| A foto, acima, do senador José Eusébio de Carvalho foi "fisgada" pelo historiador Moacir Ximenes e foi restaurada, com a ajuda de inteligência artificial, pelo historiador Reginaldo Miranda. |
Um certo ten.-cel. José Eusébio de Carvalho
(um breve relato biográfico e genealógico)
Elmar Carvalho
Poucos dias atrás, através de WhatsApp, o médico Marcos Conde
Medeiros me enviou link do site Family Search em que constava a árvore genealógica
do tenente-coronel José Eusébio de Carvalho, natural de Granja (CE), e de
Onofre José de Melo, fundador da Casa do Desterro, em Piracuruca. Já sabia
que descendia de Onofre José, mas desconhecia que José Eusébio seria meu
tetravô, por parte de minha mãe.
Em virtude de uma divergência em pesquisas anteriores, eu e o
Dr. Marcos Medeiros ficamos com uma dúvida sobre se eu descendia de Antônio
Luís de Melo, como consta em um livro de meu primo Fabiano de Melo, ou se de
Luís Antônio, como estava dito em outra pesquisa. Através do link referido
acima, eu e o amigo Marcos Conde Medeiros ficamos com a convicção de que nós
dois descendemos de Antônio Luís e não de Luís Antônio, ambos filhos de Onofre
José de Melo e de sua mulher Cecília Maria das Virgens.
Minha mãe era filha de José Horácio de Melo (c/c Maria
Carlota de Souza), filho de Horácio Luís de Melo e Antônia Quitéria de
Carvalho. A partir deste ponto, irei me ater somente à família Carvalho,
oriunda de Granja, da qual faz parte minha mãe, Rosália Maria de Melo Carvalho.
Antônia Quitéria, minha bisavó materna, era filha de Marcos
José de Carvalho (c/c Quitéria Leopoldina de Carvalho), que era filho de José
Eusébio de Carvalho, que vem a ser meu tetravô, sobre o qual desejo traçar
sintética biografia. Através de sua árvore genealógica, contida no referido Family
Search, obtive a seguinte informação, que foi extraída da biografia do célebre
Pessoa Anta, da autoria do padre Vicente Martins, publicada na Revista
Trimensal(1917) do Instituto do Ceará, com a devida atualização ortográfica:
“O Tenente-Coronel José Euzébio de Carvalho, irmão do capitão
Domingos José de Carvalho, rico fazendeiro, senhor de escravos, que também
havia assinado a célebre ata da proclamação, vendo a causa perdida, livrou-se
da prisão fugindo para o Piauí, onde ficou residindo na vila de Campo Maior,
incólume da perseguição dos imperialistas. Em Granja, entre outros cargos
exerceu o de vereador da câmara e juiz trienal.
Contam que em uma viagem para o Piauí, com seus irmãos
Domingos e Cândido José de Carvalho foram atacados no lugar Riacho da Areia,
por capangas de Joaquim Ignacio Pessoa, que era seu particular inimigo. Desse
conflito resultou a morte de Cândido José de Carvalho e saíram muitos feridos.
O tenente-coronel José Euzébio de Carvalho é avô de José
Euzébio de Carvalho Oliveira, senador.”
Da referida biografia de Pessoa Anta, da autoria do padre
Vicente Martins, recortei este relato (do qual fiz a atualização ortográfica),
da participação de José Eusébio de Carvalho no importante fato histórico de
Granja:
“O coronel Pessoa Anta, que estava em Granja de viagem para
Fortaleza, vindo ter notícia da Proclamação da República, já influenciado pela
nova causa por que de há muito batalhava, seguindo as instruções recebidas do
coronel Tristão e padre Mororó, por intermédio do frei Alexandre da
Purificação, que residia em Granja, cheio de entusiasmo pela causa da
República, desistiu de sua viagem e tratou logo de reunir a câmara municipal da
vila, de que dispunha e aderir ao novo governo.
No salão da câmara foi lavrada a ata de aclamação da República e assinada pelos vereadores e membros de sua família, que eram os mais exaltados patriotas, republicanos, cujos nomes são os seguintes, a saber: - o advogado Manoel Joaquim da Paz, o padre José da Costa Barros, vigário da freguesia e irmão do presidente deposto, o tenente-coronel Pedro José da Costa Barros, Francisco de Paula Pessoa, frei Alexandre da Purificação, Francisco Rodrigues Chaves, João Porfírio da Mota (vereador), Plácido Fontenele, Inácio José Rodrigues Pessoa, Elias Ferreira de Abreu, José Raimundo Pessoa, Inácio José de Barcelos, Joaquim de Andrade Pessoa, José Eusébio de Carvalho, Joaquim da Costa Sampaio (juiz ordinário), Antônio Inácio de Almeida Bravo (português, advogado), Antônio Zeferino Caju da Granja, e Francisco de Paula Ferreira Chaves (tabelião).”
A mesma fonte biográfica relata que do recinto da Câmara
esses republicanos se deslocaram até o adro da igreja matriz, onde fizeram a
Aclamação da República no meio de entusiasmados vivas. Dirigiram-se depois ao
local do pelourinho, situado na praça da matriz, e o destruíram completamente,
tal o entusiasmo de que se achavam possuídos.
José Eusébio de Carvalho, casado com Josefa Odória de Sant’Anna,
nasceu em Granja, aproximadamente em 1800, e faleceu em Campo Maior, entre os
anos de 1845 e 1854. Era filho de Domingos José de Carvalho e sua mulher Quitéria
de Brito Passos. Foi vereador da vila de Granja, juiz trienal, tenente-coronel
e comandante da Guarda Nacional.
Como visto, participou da Confederação do Equador, que foi um
movimento revolucionário, ocorrido a partir de 2 de julho de 1824, em
Pernambuco. Esse movimento separatista e republicano foi uma reação contra a
tendência autoritária, monarquista e a política centralizadora do governo de
Pedro I. Teve participação de várias províncias nordestinas, inclusive Ceará e
Piauí.
Com o malogro dessa insurreição, José Eusébio, conforme
consta acima, se refugiou em Campo Maior, onde nunca foi incomodado pelos
partidários do regime imperial, até porque sobreveio a anistia em 1825. Por
esses escassos e algo imprecisos dados biográficos, José Eusébio era ainda
muito jovem quando participou da Confederação do Equador, e pagou um alto preço
por isso, pois teve de se refugiar em Campo Maior, bem como deve ter ficado afastado
de suas ocupações laborais de costume.
Era avô do senador José Eusébio de Carvalho Oliveira,
injustamente esquecido em sua terra natal, sobre o qual desejo dizer algumas
palavras, de caráter biográfico.
José Eusébio de Carvalho Oliveira nasceu em Campo Maior, em 10
de janeiro de 1869 e faleceu no Rio de Janeiro, em 25 de abril de 1925. Era
filho de Marcos José de Oliveira Sobrinho e Liduína Rosa de Carvalho. Casou-se
com Maria Amália Toucedo Martins Lisboa (1879–1955), nascida e falecida na cidade do Rio de Janeiro,
com quem teve vários filhos.
Foi jornalista, promotor de Justiça, magistrado, membro de
Junta Governativa do Piauí. Essa Junta, instituída em dezembro de 1891, de
curta duração, era composta por João Domingos Ramos, Higino Cunha, Clodoaldo
Freitas, Elias Firmino de Sousa Martins, José Pereira Lopes e José Eusébio de
Carvalho Oliveira.
Foi ainda inspetor do Tesouro Público e procurador-geral do
Estado do Maranhão.
Lutou, juntamente com Domingos Perdigão, para a criação da
Faculdade de Direito do Maranhão, instalada em 1918.
No final do século XIX, filiou-se ao Partido Republicano do
Maranhão, pelo qual foi eleito deputado estadual. Elegeu-se deputado federal em
março de 1900, conseguindo se reeleger para o mandato seguinte, dessa forma se
mantendo nesse cargo até 1908.
Sobre sua atuação política, assim nos informa o notável
historiador Reginaldo Miranda:
“Com a morte de Benedito Leite em março de 1909, de quem era
seguidor e correligionário, passou a liderar o esquema situacionista, assumindo
posição de realce na política maranhense. Nesse mesmo mês lançou-se candidato ao
Senado Federal, sendo majoritariamente sufragado. Tomou posse em abril, para um
mandato de nove anos, que foi concluído em 1918, quando foi sucessivamente
reeleito para um mandato que deveria ser concluído em dezembro de 1926.”
Como senador teve destacada atuação, porquanto foi membro das
comissões de Saúde Pública, de Instrução Pública, de Constituição e Diplomacia,
de Finanças e de Redação do Senado.
Assim, José Eusébio de Carvalho Oliveira, nome de uma pequena
rua em Campo Maior, injustamente esquecido pelos seus conterrâneos, teve
atuação de alto destaque no Maranhão. Foi congressista por 25 anos (de 1900 a 1925)
e pertenceu aos três Poderes, como magistrado, como parlamentar (deputado e
senador) e como integrante de uma Junta governativa.
REFERÊNCIAS:
Site Family Search, acesso em 10/06/2025.
José Eusébio de Carvalho Oliveira, artigo de Reginaldo
Miranda, publicado no blog Poeta Elmar Carvalho, acesso em 10/06/2025.
Biografia de Pessoa Anta, de Pe. Vicente Martins, publicada na Revista Trimensal (1917) do Instituto do Ceará.
domingo, 8 de junho de 2025
GRAN FINALE
| Autoria: ChatGPT |
GRAN FINALE
Elmar Carvalho
Desmanchei
com minhas mãos
que os criara
os deuses em que cria.
Desfiz
a imagem que fizera
da mulher amada.
Perdi a fé em tudo
como quem nada perde.
Depois
gritei, berrei,
chorei gargalhando
e resolvi ficar louco.
Depois de doido,
resolvi tentar a sorte
sal –
tan-
do de cabeça
do alto do arranha-céu.
