segunda-feira, 7 de novembro de 2016

POLÍTICA PARNAIBANA A PARTIR DE 1950 (Final)


POLÍTICA PARNAIBANA A PARTIR  DE  1950 (Final)

Alcenor Candeira Filho


VIII.    O U T R O S G R A N D E S L Í D E R E S

A)           A) MIROCLES DE CAMPOS VERAS

          Médico, pecuarista e político.  No primeiro governo de Getúlio Vargas ( 1930-1945) exerceu o mandato de prefeito de Parnaíba, duas vezes por nomeação e uma vez por vontade popular nos períodos de 1934-1936 e 1937-1945.
          Prestou relevantes serviços à cidade como médico e como administrador ao longo de mais de cinquenta anos.
          Principais realizações:
- criação da Maternidade Marques Basto
- fundação da Sociedade de São Lázaro, depois Colônia do Carpina
-  idealizador da Sociedade Feminina de Assistência aos Pobres, hoje Abrigo São José
- instalação da Biblioteca Municipal
-construção do Jardim Humberto de Campos
- instalação do Centro Telefônico
- comemorações do 1º Centenário de Parnaíba

B)           EPAMINONDAS CASTELO BRANCO

          Fazendeiro, latifundiário, jornalista e político, o coronel Epaminondas foi chefe político do PSD em Parnaíba, com forte influência em municípios circunvizinhos, a partir de 1928 quando se elegeu deputado estadual, reeleito em 1947, 1951 e 1955. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí, que em 1946 elaborou e aprovou a Constituição Estadual. Foi deputado federal nos anos 30.
          Político e jornalista combativo, tendo fundado vários jornais na cidade.
          Como deputado muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade através de recursos financeiros a ela destinados.

C)           JOSÉ MENDONÇA CLARK
-
          Empresário, diretor comercial dos Estabelecimentos James Frederick Clark, presidente da Associação Comercial de Parnaíba e presidente da Associação Brasileira de Exportadores. Senador da República.
          São precárias as fontes de informação sobre a sua atuação política no Piauí.
          Lembro vagamente que ele era ferrenho adversário dos irmãos Caldas Rodrigues.


C)           JOSÉ PINHEIRO MACHADO

                           Empresário, professor e político.
                           Governador do Rotary. Um dos fundadores da Faculdade de Administração de Parnaíba e do Igara Clube, do qual foi o primeiro presidente. Fundou em Parnaíba o Instituto Cultural Brasil/Estados Unidos e presidiu a AGESPISA e a Associação Comercial de Parnaíba. Bacharel em Direito e professor da Universidade Federal do Piauí.
                              Exerceu dois mandatos de vereador e presidiu a Câmara Municipal de Parnaíba. Deputado federal em três legislaturas: 1971-1982.
                               Como deputado muito lutou pela criação da Superintendência do Vale do Parnaíba e pela conclusão do Porto de Luís Correia.


D)             ANTÔNIO JOSÉ DE MORAES SOUZA

Empresário e político, com cinco mandatos sucessivos de deputado estadual a partir de 1983 e um de deputado federal (2003-2007). Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Piauí e da Associação Comercial de Parnaíba. Vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria e Secretário Estadual de Indústria e Comércio.
          O deputado Moraes Souza foi político equilibrado e conciliador. Mais cerebral que sentimental. Resolveu vários problemas dentro de seu grupo político provocados pelo temperamento explosivo de seu irmão Mão Santa.
          Como presidente da Federação das Indústrias realizou obras em vários municípios piauienses:
          - construção do edifício sede da FIEPI em Teresina
          -construção de escolas de diversos níveis de ensino
          - construção de centros de saúde
          - construção de quadras poliesportivas.


E)            MANUEL DOMINGOS NETO

                                    Historiador, professor, pesquisador, escritor e político. Deputado federal pelo Piauí (1989-1991) e doutor em História pela Universidade de Paris.
                                   No período da ditadura militar foi preso e torturado por ter sido militante da clandestina “Ação Popular”.
                                   Superintendente da Fundação CEPRO (Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí) no início do segundo governo de Alberto Silva  do qual se afastou por divergências políticas.
                                     Vice-presidente do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
                                     Professor da Universidade Federal do Piauí e da Universidade Federal Fluminense.
                                     Autor de vários livros publicados.

IX.  M I N I S T R O     J O Ã O P A U L O  D O S     R E I S  V E L L O S O

     Economista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Master em Economia pela Universidade de Yale (EUA).
      Ministro do Planejamento durante os governos de Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel (1969-1979).
     Autor de vários livros publicados.
     Atualmente preside o Fórum Nacional onde são discutidas soluções para os problemas econômicos do Brasil.
     A Enciclopédia Wikipédia registra, dentre outras, a seguinte informação sobre o ilustre piauiense:

“Avesso a atividades políticas, recusou um convite para se candidatar ao Senado pelo PDS do Piauí em 1982, após sondagem feita pelo então governador Lucídio Portella”.

     A respeito desse registro faço um esclarecimento: em verdade a candidatura de Reis Velloso ao Senado foi cogitada em Parnaíba. Lembro até de uma festinha na residência do professor José Nelson de Carvalho Pires, onde presenciei o Ministro dançando animadamente, mas sem muito jeito, com simpatizantes de sua candidatura, enquanto em Teresina o governador Lucídio Portella abortou de vez essa pretensão com a frase:“Se soltarem Reis Velloso na Praça da Bandeira, ele não saberá voltar para o Luxor Hotel e por isso não será candidato”.
     O Ministro Reis Velloso, parnaibano que sempre se preocupou com os interesses do Piauí, viabilizou muitos recursos para a execução de obras no Estado. Daí a frase do presidente Geisel: “O ministro Reis Velloso passa o dia planejando para o Brasil e dorme sonhando com o Piauí”.

X.  C O N C L U S Ã O

          O excesso de partidos políticos, muitos dos quais simples agremiações dominadas por pessoas oportunistas, e o elevado custo das campanhas eleitorais no país vêm impedindo o surgimento de novas lideranças.
          Em Parnaíba, por exemplo, consolidou-se apenas uma liderança nova no século XXI:o atual prefeito Florentino Alves Veras Neto, que não conseguiu reeleger-se em 2016.
          Com as recentes modificações nas regras de financiamento de candidaturas e no tempo de duração de campanha eleitoral, houve nas eleições municipais de 2016substancial redução de gastos.
          Parnaíba aguarda a efetiva participação dos jovens na política.


          Parnaíba,outubro de 2016. 

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