quarta-feira, 17 de abril de 2013

Os dias do golpe



Fonseca Neto

Dizem que hoje é o “dia da mentira”. E eu digo: legal fosse mentira o golpe de 64 e a ditadura que implantou. 
Eu tinha onze anos recém-completados. Morava na minha cidade natal, Passagem Franca, uma “nesga de sertão” dos cocais maranhenses, cheirando a mel no estio. Estava no quarto ano Primário e minha professora, Jacira Fernandes Silva. Recordo aqueles dias cruciais puxando fios de lembranças inapagáveis. 
Tudo por lá se acompanhou pelo rádio. A “rádia” noticiosa mais falada, a Globo do Rio de Janeiro –além da Nacional. Também a Clube de Pernambuco e a Sociedade da Bahia (noite). O “Repórter Esso” dominava.
E como eu sabia de alguma coisa? Lá em casa não tinha rádio e na cidade não eram mais que dez ou quinze deles, residências dos funcionários federais, prefeito, padre, tabeliães e de algum comerciante mais laborioso. Eu morava ao lado da agência do IBGE, e da casa do agente, Wilson Moreira de Sousa, um dos homens mais antenados (literalmente) da cidade –advogado provisionado e “farmacêutico”, era o “intelectual orgânico” da “política” local.
Comum se reunirem em sua casa as lideranças da cidade para conversas rápidas logo após os noticiários, sobretudo depois de ouvirem a “Voz do Brasil”, por lá chamada de “Hora do Brasil”. Naqueles dias não se falava noutra coisa: “dava” nos rádios e eles comentavam uns com os outros, que estava começando uma “guerra civil” e os militares iam depor o presidente Jango porque ele estava entregando o Brasil para o “comunismo”. Conservo em minha mente fiapos daquelas conversas na casa de “Seu” Wilson: eu por ali a brincar com o Wilsinho, seu filho, sem me passar em vão aquele entra sai na casa dele. O secretário da prefeitura, Mundico Paé, o coletor estadual, João Brasil, o federal, Zé Raimundo Novo, outros.
Nada me é mais viva na lembrança que a menção à “guerra”, aos “comunistas” e “estado de sítio”. E exatamente essa a ênfase que os locutores bradavam naquele tom de fim de mundo e a conversa de “guerra” o que mais assustava as pessoas comuns. Expulsar “comunistas” do Brasil dava certo alívio, sobretudo na criançada, porque sempre se ouvira dizer que passariam por lá “uns comunistas [ora diziam uns russos] chupando o sangue das crianças”. Pais usavam essa ameaça para assustá-las ante as danações do dia-a-dia: “amanhã ninguém sai de casa porque os russos já estão em São João dos Patos...!”.      
Lembro-me bem naquele 1º de abril o boato sobre a “fuga do Jango”, “asilo” de fulano, “prisão” de beltrano –políticos famosos do tempo. Nesse e nos próximos dias, “os rádios” tocando somente dobrados militares e o noticiário lendo boletins da “Revolução”. “Os militares iam governar”. Lembro vivamente que aqueles “políticos” (parece) não celebravam esse governo sem eleição e diziam que tinha “voltado a ditadura” –agora sei que era uma menção ao chamado Estado Novo varguista (1937-45). E os que menos achavam vantagem eram os “correligionários” do prefeito (Anastácio Borges de Araújo). Por quê? Porque com essa conversa de “ditadura” só se falava em “intervenção federal” no município (tal em 37) e se o interventor ia ser um deles ou se viria de fora. Também se especulava muito que o município poderia ser extinto –tal em 1930. Lembro-me do padre falando alguma coisa na Igreja, explicando que “comunista” chupar sangue de criança era fantasia; também de uma professora (Carmelita Almeida) desfazendo isso...
Pois é, a “política” era coisa de gente grande e rica; pobre não deveria se meter –lembro bem dessa noção, ouvida de pai, mãe, tios, avós. Como sei que as pessoas comuns só tinham interesse, ali, na eleição do prefeito, um município já então com mais de 120 anos e que apenas duas “alas” (expressão do tempo) mandavam: o “povo” dos Vasco e Borges e os Cardoso da Silva. “Alas” que logo após 64 se organizaram na Arena 1 e na Arena 2. O MDB, “oposição”, chegou até a eleger um vereador, que logo eleito virou Arena.
Muitos sabemos hoje que a principal arma para dar o golpe e destruir aquele intento democrático de Jango foi a Imprensa, jornal e Rádio Globo à frente. Lição golpista que não se pode esquecer.  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Passagem e sobrevivência



Cunha e Silva Filho


No sofá da sala estou lendo um jornal e, de repente, olho para uma placa de metal revestida de uma moldura de plástico duro de uma turma de alunos que, em 2005, concluiu o segundo grau no Colégio Militar do Rio de Janeiro. A placa exibe, em letras do tipo manual, o meu nome completo gravado como homenagem, lembrança e agradecimento da turma por ter sido dela professor durante o período de um ano da última série do ensino médio. A placa é nominalmente individualizada, mas sua inscrição se estende a todos os professores que contribuíram para o sucesso dos alunos naquele ano de sua formatura

A última série desse centenário e conceituado Colégio público ali também se chama Prevest, pois funciona como reforço preparatório ao ingresso no ensino superior.

O Prevest é uma das seções mais respeitadas do Colégio Militar. Ela consegue reunir um quadro de professores de alto nível de competência, na sua maioria  com mestrado ou doutorado, o que me levava a afirmar aos meus colegas que o Colégio tem credenciais de uma verdadeira instituição universitária.

Olhando para aquela placa, assim como para todos os objetos de casa, os livros nas estantes, os objetos de decoração, os quadros de pintura na parede, enfim, todos os itens de que se formam o mobiliário e os acessórios gerais de uma casa ou apartamento, fico imaginando o quanto a nossa passagem pela Terra é rápida, diminuta e limitada.

Aquela placa, os livros, os objetos de decoração, todos os outros itens de bens materiais inanimados provavelmente, ainda que tenham destino diferente no tempo e no espaço, dependendo de sua estrutura física, do material usado na sua fabricação, durarão mais do que a nossa frágil estrutura de carne e osso.

Daqui a alguns anos, quando não mais estiver no Planeta, só restarão os objetos que, durante um tempo, a mim pertenceram. Os meus olhos já não os verão nem tampouco poderão mais sentir o que representavam para mim. Haverá outros olhares para eles, olhares que seguramente poderão trazer à lembrança quem primeiro naquela ambiente os viu,  os tocou e por eles teve  especial carinho de enxergá-los, de neles tocar, de sentir a sua textura, de ver a sua cor, o seu tamanho,o seu cheiro, a sua forma, a sua utilidade, a sua função. Se fosse um livro preferido e muitas vezes examinado com os dedos do antigo dono, um dicionário, por exemplo, naquelas páginas tantas vezes folheadas por mim de certa maneira estaria impressa espiritualmente  a antiga vida de seu dono.

Não podemos prever ou projetar o seu destino ou destinos, ou seja, em que mãos estarão, como serão tratados pelos sobreviventes de nossa frágil e liquida mortalidade.

Contaram-me que um famoso poeta brasileiro, logo que morreu, uma semana depois, se tanto, teve sua rica e variada biblioteca retirada para outro lugar de seu apartamento. Quer dizer, a viúva, logo dele se livrou, vendendo-a ou doando a uma instituição cultural. Não sei.

Será que a mesma coisa iria acontecer comigo? Também não sei. A única certeza de que tenho na projeção do futuro é que parte deles sobreviverá após o meu limite de existência. Estarão muitos deles em outras mãos, em ambientes diferentes.

Não sei como serão tratados ou que cuidados terão por parte dos outros, às vezes, nem mais da própria família do antigo dono, daquele que os recebeu e os mereceu, ou daqueles que os compraram como se fossem proprietários deles para sempre. Para eles outros seres mortais dirigirão os olhares, novos olhares, novos sentimentos, novas visões, novos modos de percepção, de toque, de cheiro, de uso, de funções.

Os objetos, os seres inanimados, as coisas que estão na Natureza, nas cidades ou nos campos, são quase “imortais.” É certo que essa “imortalidade” também não será eterna porque a velhice para alguns deles da mesma forma os aniquilará com o tempo e o uso. Outros, contudo, permanecerão por séculos ou serão vendidos, descartados ou tornar-se-ão peças de lojas de antiguidades, quem sabe, poderão se tornar peças de um museu. O seu fim me parece imprevisível à medida que mais durarem e mudarem de lugar. Há uma aura futura de cunho metafísico para cada um em particular, sobretudo para os que sobreviverem por mais tempo.

De qualquer forma, os objetos presentes transmitem algo de vivo na presente relativo de seus donos. Dá-me a impressão de que para eles transfiro os meus sentimentos, as minhas alegrias, tristezas, vitórias e fracassos. Eles me dão a sensação de que se impregnam de nossa interioridade, de nossa alma e de nosso gostos e preferências; por isso, entre eles e mim há uma espécie de contaminação, de sopro de vida que lhes infundi na convivência dos anos com eles, de cumplicidade, de harmonia, de uma deliciosa sensação de paz e bem-estar.

Por isso, falei de incorporação de nosso mundo interior para o que poderia falar de “alma” dos objetos queridos e amados. Neste nível, os objetos amados e transfigurados parecem dialogar comigo, numa linguagem que só quem os ama tão visceralmente sabe o quanto eles significam afetivamente para mim e para todos aqueles que vivem, viveram ou viverão situações análogas no contato com seus objetos e pertences.

domingo, 14 de abril de 2013

Seleta Piauiense - Cineas Santos



ADVERTÊNCIA

Cineas Santos (1948)

Se eu disser menos do que deva,
acresça.
Se eu disser mais do que convém,
esqueça.
É que, em matéria de amor, eu sou assim:
um pouco mais,
um muito menos...
eu nunca sei o ponto certo,
principalmente
se você está por perto.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Profeta Malaquias e a "Profecia dos Papas"



José Maria Vasconcelos
Cronista, josemaria001@hotmail.com


Deus não se discute. Experimenta-se. Buscar a presença do espírito divino, diariamente, fecha-se uma aliança, um pacto. Não há tesouro mais valioso. Com o tempo, abrem-se as cortinas do mistério. Deus revela sinais de sua presença, através de dons gratuitos a serviço do próximo. Muita gente busca experiência com Deus só para pedir bens materiais, e o Mestre adverte: "Buscai, acima de tudo, o reino de Deus e sua justiça. O resto se acrescenta."
Curar é um dom gratuito de Deus, e não se vende. Profetizar é um dom gratuito de Deus, também não se vende. O exercício da generosidade, do desapego ao material e da conduta ética atrai o espírito santo de Deus, independente de religião.
Profecia não é adivinhação, mas interpretação da linguagem e vontade divinas. Profeta veste batina, farda, jaleco, exerce qualquer atividade do bem. O pecado bloqueia a presença de Deus e sua manifestação. Corruptos e metidos a sabichões não conseguem decifrar os mistérios divinos, e pagam com a prática do mal.
Profetas da Bíblia e da História sempre me despertaram curiosidade, desde a adolescência. Um dos quais, Malaquias, monge irlandês, nascido em 1094, canonizado santo pelo Papa Inocêncio III. Não o confundir com o profeta Malaquias da Bíblia.
O monge Malaquias pertencia à Ordem dos Templários, uma organização cristã de caráter militar em defesa da Igreja, depois perseguida, por defender o gnosticismo. Para não ser perseguido e morto, viveu discretamente entre monges católicos, depois consagrado bispo, admirado pela santidade e dons proféticos. Morreu em 1148, a caminho da França.
Malaquias celebrizou-se pela famosa Profecia dos Papas, escrita em 1139, numa estada em Roma. Trata-se de uma lista com 111, outros dizem 113, nomes de papas, identificados não pelo nome, mas por um dístico latino. Sobre o Papa João XXIII, escreveu: "Pastor et Nauta"( pastor e navegador). João XXIII fora cardeal de Veneza, cidade de ruas inundadas). Sobre o Papa Pio IX, o dístico dizia: "Crux de Cruce"(cruz originada da cruz). Pio IX sofreu, século 19, dura perseguição da Casa de Savoia, em cuja bandeira figurava a cruz. Sobre o Papa João Paulo II: "De labore sole"(do sofrimento do sol). Atribui-se à sua atividade em favor do povo oprimido pelo regime comunista de seu país e demais vizinhos. Ou do atentado sofrido em plena praça. Sobre Bento XVI, número 111 da lista: "Gloria oliviae"(glória da oliveira). Talvez, referência ao ramo de oliveira levada pelo pombo à arca de Noé, anunciando esperança e fim do dilúvio. A lista acaba em 113, que trata de "Petrus Romanus, qui pascet oves in multis tribulationibus...finis"(Pedro Romano, que apascentará as ovelhas com muitas tribulações... será o fim). Improvável a referência ao Papa Francisco. A profecia não afirma que haverá papa com nome de Pedro II, pois em nenhum dístico aparece o nome de pontífice.
A Profecia dos Papas obteve sucesso só depois de publicada, em 1595, pelo historiador beneditino Arnold Wyon. Naquele ano, forjaram a lista, acrescentando um dístico para beneficiar a coroação de um cardeal a Papa. O infeliz sobrou. Venceu outro.
Críticos se dividem sobre a autenticidade e interpretação dos dísticos da Profecia. Verdade ou não, observando -se cada dístico e associando-o a cada papa, chega-se a quase perfeição. O mesmo ocorre com as profecias bíblicas, como a do final dos tempos: tenta-se suavizar os últimos dias de sofrimento planetário com falsas e suaves interpretações. Só os que experimentam a aliança com Deus conseguem sabedoria para entender os avisos do céu. Sabedoria é mais um dom gratuito de Deus aos seus amados. Cuidado, porém, com os falsos profetas do papel moeda da fé.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O LADRÃO E A LUA CHEIA


11 de abril   Diário Incontínuo

O LADRÃO E A LUA CHEIA

Contou-me um amigo, faz poucos dias, uma história digna de nota. Disse-me ele, homem de aproximadamente 65 anos de idade, que, em sua juventude, voltando sozinho de uma festa, viu um homem, com os braços cruzados sobre o tórax, com as pernas entreabertas, a olhar fixamente para a lua cheia, como se estivesse embebido e embevecido pela beleza do luar, ou imerso em profundas meditações. O fato se passou no centro comercial e histórico de então pacata cidade interiorana.

O meu amigo não conhecia o estranho personagem. Receou fosse ele um malfeitor – assassino ou ladrão. De repente, o desconhecido começou a correr pela calçada deserta, naquela remota madrugada. Meu amigo também correu, com o objetivo de, ao chegar na primeira esquina, tomar rumo diverso do escolhido pela esquisita figura. Porém, quando chegou ao cruzamento, misteriosamente o homem sumira. Não havia a menor possibilidade de ele ter alcançado a esquina seguinte, porquanto era curta a distância que os separava.

Olhou para todos os lados minunciosamente, mas não mais o viu. Contudo, quando olhou para o ponto em que antes ele estivera, a contemplar o plenilúnio, o viu novamente, do mesmo jeito que antes: pernas entreabertas, braços cruzados, com o rosto voltado para o nosso satélite. Sem conseguir entender direito o que de fato acontecera, ou seja, como ele conseguira voltar ao local anterior, de forma imperceptível, seguiu para sua casa, que ficava a poucos quarteirões.

Tempos mais tarde, viu esse homem em determinado local da urbe. Disseram-lhe ser o mais afamado larápio da comunidade. Tomou conhecimento de algumas façanhas dele. Contaram-lhe que esse gatuno, que não cometia violências nem arrombamentos, mas apenas praticava furtos sutis, por vezes engenhosos ou que lhe requeriam muita habilidade, nos quais subtraía coisas de pouco valor comercial, se gabava de saber uma reza forte, com a qual conseguia se ocultar como por encanto, mormente de policiais.

Não sei não, mas acredito que esse larápio, além de mestre em sua arte de surrupiar coisas alheias, fosse também um poeta ou seresteiro. Poeta, seria certamente um simbolista, a urdir versos evanescentes, etéreos, cheios de imagens e de sugestões, refertos de vaguidade e de brancuras de luares e neblina, tendo por tema maceradas monjas, frígidas virgens ou mesmo lunáticos perdidos em incorrespondidas paixões. Seresteiro, talvez fosse um trovador como Altemar Dutra, a cantar e a compor melodiosas canções, com letras refertas de ardentes amores.

Oxalá não fosse um filósofo, a meditar sobre o assombro do cosmo, sobre o sentido da vida, sobre o tudo e o nada, ou sobre a razão primeira do existir. De qualquer modo, a sua postura, naquela alta e silenciosa madrugada, não era a de um homem vulgar. Um homem comum não perderia tempo em se manter estático, absorto na simples contemplação da beleza lunar. O alumbramento com que ele admirava a lua cheia era realmente a de um poeta, e poeta simbolista; de um seresteiro, e seresteiro vítima de arrebatadora paixão; de um filósofo, e filósofo de altas perquirições metafísicas.

Ou talvez fosse um cosmólogo, com o pensamento a vasculhar as vastidões do espaço sideral. Ou seria simplesmente um prosaico lobisomem, aguardando apenas o momento da transformação, quando sairia a correr, com as garras afiadas, orelhas pontudas e enormes, dentuça arreganhada, em desatinada pressa, até encontrar o seu espojeiro, onde ficaria a rolar e a escaramuçar como todo bom e legítimo licantropo?

Panegírico de Júlio Romão da Silva



A Academia Piauiense de Letras promoverá neste sábado, dia 13 de abril, às 9 horas, o panegírico do Acadêmico Júlio Romão da Silva, falecido no dia 9 de março, nesta capital.
A solenidade acontecerá às 9 horas, em sua sede.
O discurso em honra e memória do saudoso escritor será proferido pelo Acadêmico Celso Barros Coelho.

Data: 13 de abril de 2013 (sábado)
Horário: 9 horas
Local: Academia Piauiense de Letras (Auditório Acad. Wilson de Andrade Brandão)
Endereço: Av. Miguel Rosa, 3300/Sul
Fone/fax: (86) 3221-1566
64001-490 – Teresina – PI

quarta-feira, 10 de abril de 2013

POEMA DA MULHER AMADA



POEMA DA MULHER AMADA

Elmar Carvalho

Amada mulher fatal
o teu amor embora servido
em pequeninas doses é letal
mas eu o tomo lentamente
como um néctar de veneno
em longos e lentos goles (sereno)
como ópio em lenta mente

Mulher amada o teu amor
conquistador e guerreiro me toma de assalto
e nem me deixa a oportunidade
de esboçar o meu espanto
e ensaiar o meu sobressalto
de acrobata perdido em pleno salto
                                                    mortal
mas que antes de um desfecho trágico
como que por milagre se salva
entre magia sortilégio e quebranto
pelo gesto carismático de um mágico

Amada mulher fatal
o teu amor devastador
não me deu a chance de optar
entre te querer ou não querer

terça-feira, 9 de abril de 2013

Passos de Oeiras. Com chuva



Fonseca Neto

Oeiras e todas as tranqueiras canindenses subiram a “doce colina” do Rosário, de tarde, apanharam o Bom Jesus, em imagem, depois, de Passo em Passo, levaram-no para o lugar da Vitória.
Na linha do horizonte, das bandas do nascente, o azul tinindo de escuro ia ficando cheio de nuvens nevoeiras, cor de chumbo; dava-se por vista que um toró banhava as cidadelas de São João (da Varjota), de Santa Cruz (do Piauí), de Santo Antonio (de Lisboa).  
Nas tradições dessa gleba fideísta, puxando fios de sentido de tempo recôndito do memorial da Paixão, o Bom Jesus desce (secular trajeto por Dagoberto narrado) enquanto os oratórios-capelas vão se abrindo e explodindo em Flor de Passo, diante de sua imagem, do povo e do bispo.
Segue a procissão: roxas as flâmulas que a cortejam, em postes, portais, janelas atoalhadas; as mantas estolares dos sacerdotes, assim o pálio; de roxo, pagadores de promessa, cruzes de madeira atadas às costas, uns, pedras sobre a cabeça, outros; roxas as opas dos servos das diversas funções processionais; de roxo viajou o governador pelo vale de São Miguel (do Fidalgo), desceu do “pavão misterioso” que o trouxe pelo ar, subiu a colina, seguiu os passos do Bom Jesus. E nos apertos do beco do Passo de Lindoca e da casa de O. G., de túnica roxa e cordão torsal à la Francisco, aquela devota de cabaça à cabeça, anteparada por tosca rodilha. Cabaça daquelas de gogó.
Ante a imponência do Paço Municipal, expressão colonial típica, e engolido o sol na poência antecipada, param os caminhantes para ver o Encontro do coroado de espinhos com a mater dolorosíssima; chuvisca... e chove, mansamente, mas um relampejar valente faísca nas bandas do sul; troveja. É trovoa? De pé estão e de pé a contemplar ficam os caminheiros; na janela do meio da outrora Casa de Câmara e Cadeia, aparece o sermonista do preceito, deita falação aos 25 mil: até revestiram Bom Jesus, e sua mãe, mas seu povo, encharcado, não arredou pé – gesto triunfante. O arcebispo Jacinto Brito, da nova capital vindo, semeou o verbo dos evangelhos e convidou a todos à vitória contra as manifestações de violência que atormentam o viver nestes tempos. Agradou; também chamou a “Maria Beú” de “Maria Béu” - mas ora mais (!) tinha que ter uma graça hilária na circunspecção e para o tricotar da dispersão.
Já é noite. Já lufadas gélidas do sertão tocam os rostos, o tempo já limpou e até apareceu a lua, cochilando preguiçosa. Após o rufo de seguir, seguem todos para o Passo da Amargura, de novo o Miserere, água benta, Flor de Passo e alecrim, as voltas do Engano. Seguem rua acima, à esquerda: na casa dos filhos de dona Alina Rosa, sobre a mureta adrede preparada para a passagem, há toalhetas, candelabros, velas; assim em outras, jarros florais, sinais da sacralidade; famílias ofertando água de beber. Na próxima esquina anuncia-se os “prazeres da carne”, na sexta dos jejuares, dos quibebes, das saudades. E quantas famílias inteiras reunidas para tudo isso ver, obrar e seguir; rostos idosos em janelas. Minha querida Rita Campos, à calçada do cônego, sentada, guardada da chuva, em emocional e indescritível constrição.
Do Rosário à Vitória a procissão passou, estacionou, seguiu. Uma força votiva significante que a tudo parece mover. De mamandos a caducandos uma fração da água benta a ungir e da Flor de Passo a empalmar –para quê? Dizem ali que a Flor colhida em Passo tem força salvífica, queimasse-a para deter a tempestade extrema e refrear as pestes.
E ouvi também por lá, que chuva sobre a procissão é sinal que admoesta sobre castigos insondados. Mas o que se viu? O povo celebrando a vida-chuva que a estiagem, ultimamente, negou a muitos viventes: humanos, bichos outros, plantas.
Admira-se Dagoberto como chega essa procissão ao fim “sem Ferrer”. Mas também recorda que a “festa” continua, “nos Passos, nas flores e nas lembranças...”. E neste ano, fitando-as, lembrei-me que são lilásias as Flores de Passo abertas em todos os tons para honrar o Mestre.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma ida ao Centro do Rio de Janeiro



Cunha e Silva Filho

Agora que tenho um pouquinho de tempo mais, de quando em quando, vou ao velho Centro da Cidade Maravilhosa. Uma vez, meu pai, em carta pra mim, desabafou com essa afirmação: “.. Maravilhosa não para aqueles que vêm para ela lutar, sofrer e, quem sabe, vencer, ou não, na  vida..” Era um desabafo com alguma indignação como resposta a uma carta anterior que lhe fizera contando-lhe os aperreios de um jovem nordestino sem mesada tentando sobreviver na grande urbe carioca. E já grande urbe, se comparada às capitais menos desenvolvidas do país no meu tempo de recém-chegado ao Rio.

Hoje, no final da manhã, fui ao Centro com a minha mulher e o meu filho mais novo, o Alexandre. Tomamos o ônibus na Tijuca e saltamos na Presidente Vargas, essa avenida cansada de guerra, de mudanças na direção do trânsito, nas faixas de pedestres e nos pontos de ônibus. Na cidade grande tudo é efêmero relativamente. Nada dura muito ou sempre.

As cidades são como as pessoas, com o tempo mudam de fisionomias, só que, na mudança, vão subsistir dois planos de sua arquitetura: um, representando o passado com as suas velhas edificações algumas tombadas, outras sujeitas aos capricho dos preitos;outro, representado pelas mudanças radicais apontando para a modernidade, com os seus arranha-céus surgindo em quase todo canto do miolo do Centro. Aprendemos a conviver com essas mudanças, acompanham os as modificações, sofremos com aas interdições nos períodos de grandes transformações arquitetônicas.

O que era rotina dos pedestres em termos de terminais de coletivos, se altera e por isso causa um certo transtorno, aborrecimentos diante da nossa impotência de resistir às diretrizes da prefeitura com as suas ideias cíclicas de redimensionamento do plano geográfico da cidade. Que por vezes dá certo e outras vezes, não.

O habitante da grande cidade não passa de um homem tentando conviver com a sua anomia no meio da multidão indiferente e individualista, cuja manifestação mais evidente é a pressa, o dinamismo, o vai-e-vem dos pedestres e o fluxo incessante dos carros. Um escritor francês, no seu tempo, dizia que os habitantes de Paris são de “...uma curiosidade tanta que chega à extravagância.” Não sei mais se no Rio de Janeiro somos ou fomos o que eram os franceses. Já houve um tempo  em que pensei que os cariocas eram também muito curiosos a ponto de alguém fingir que está olhando para um ponto no alto dos edifícios e, de repente, muita gente formar uma espécie de circulo em torno dele e começar a olhar também idiotamente para o alto procurando algo que, na verdade, não existe , pois não passou de uma brincadeira.

Saltamos do ônibus, tomamos a direção da Rua Miguel Couto. Nosso destino era o Largo do São Francisco. Lá entraríamos num prédio para tratar de assunto pessoal. Antes, porém, de chegarmos no Largo do São Francisco, passamos pela vetusta Rua do Ouvidor. Como sempre, cheia de pedestres nas duas direções, como também ladeada dos dois lados por loja, butiques, lanchonetes,prédios de escritório, comércio generalizado.  Pensei comigo: como está distante da famosa Rua do Ouvidor do tempo do escritor da Moreninha (1844), o romântico Joaquim Manuel de Macedo, que, por sinal, tem um livro fascinante sobre essa rua, Memórias da rua do Ouvidor(1878),

No tempo do II Império, era uma rua aristocrática, na qual passeavam escritores, homens de negócios, senhoras distintas da alta sociedade, com seus vestidos vaporosos, suas jóias brilhantes, às vezes acompanhadas de cavalheiros elegantemente vestidos, conversando sobre variados assuntos da vida pessoal ou fazendo comentários sobre os folhetins da época com as suas histórias de aventuras amorosas ou de amores desencontrados, ou mesmo como no caso de dois guapos cavalheiros, comentando algum assunto do cenário político do momento. No meio daquela rua outrora elegante charmosa, esplendorosa, afrancesada, feérica, eu me encontrava, em pleno século 21, numa insossa e decaída rua carioca, imaginando cenas de tramas saídas da pena de um José de Alencar, do próprio Macedo ou de um Machado de Assis.

Olhei pra frente, no Largo de São Francisco de Paula, ou simplesmente, Largo de São Francisco, e logo avistei a antiga Escola de Engenharia, onde, hoje ainda funciona o famoso IFICS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) da UFRJ, desdobramento da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1939). O mesmo prédio histórico já abrigou a Escola Politécnica e nessa construção já funcionou a Real Academia Militar. Olhando também para o lado esquerdo de quem sai da Ouvidor, revejo a Igreja de São Francisco, na qual, meia hora depois, dobravam os sinos que ouvi do 12º andar de um velho prédio do Largo, local do meu destino no Centro da cidade.

Almoçamos na Travessa do Passo, bem pertinho da Praça XV. Percorremos, a pé, várias ruas há muito conhecidas de minha permanência longa no Rio e, para falar a verdade, cada rua, de alguma forma, me leva ao passado em tempos e pensamentos superpostos, ou seja, cada lembrança tem o condão de se associar a outras lembranças, boas ou más, mas sempre lembranças. As lembranças, a posterori, ressignificam parte das nossas memórias, que nunca vêm à tona cronologicamente e com precisão cirúrgica, mas misturadas ou simultâneas, numa ida e volta, sem planos estratégicos, mas retomadas por um fluxo contínuo de imagens, gestos, ações, palavras, situações, sons e cheiros.

O passado, já observei, quando muito recuado, mistura muitas vezes a ordem dos acontecimentos e nos deixa na encruzilhada do que antecedeu e sucedeu. Algo da retentiva embaralha alguns incidentes, sobretudo na tentativa de procuramos harmonizá-los dentro de uma cronologia rígida. A memória é falha e talvez por isso é que somos impelidos a preencher os vazios e, ao fazê-lo, somos traídos pela imaginação ou fantasia, quer dizer, penetramos, por vezes inconscientemente, no mundo da recriação rememorativa. As memórias, assim, se transmudam em realidade e ficção.

Volta pra casa. O ônibus que íamos tomar não tem mais seu terminal, virou ônibus circular com as obras que comporão os projetos de urbanização da área portuária do atual prefeito sob o nome geral de “Porto Maravilha,” aí incluindo parte da Praça XV, onde fica o Mergulhão (interditado agora para a realização de obras que fazem parte daqueles projetos), passagem subterrânea por onde fluem pesadamente os coletivos e outros veículos que vão para os bairros da Zona Sul. No Mergulhão ficava o ponto final do ônibus que costumávamos tomar. Tivemos que pega um ônibus no Largo da Carioca que, aliás, nos surpreendeu pela percurso rápido e objetivo em direção à Tijuca, lugar de nosso regresso pra casa.

domingo, 7 de abril de 2013

Seleta Piauiense - Carvalho Neto



Poema de Louvor a Amarante e à Vida
(Remansos)

Carvalho Neto (1944)

quem ouviu o grito plantado na vida do rio
e percebeu o mistério dos olhos na ciranda
das águas
aprendeu que a esperança anda a galope
nas margens do Parnaíba.

guarde no peito com cuidado
os nostálgicos sons de Amarante
dos rios, serras e segredos
partitura do nosso encantamento
casarão da rua principal

rua do fogo, do fio
areias da minha vida.
quem ouviu o crepitar da acendalha
no beiço da ribanceira
e percebeu o renascer da invernada
no ciclo evolutivo das sementes
aprendeu que o povo guarda o segredo
das raízes.

desça hoje a escadaria
entre fantasmas azuis
e lusas lembranças
da cidade que entre rios
delira
onde uma gente luminosa e livre
amorosamente livre
constrói o amor definitivo.
ali o mundo mágico dos sentimentos
se agiganta
aqui a poesia brinca nos areais
da confluência

sábado, 6 de abril de 2013

OS LIVROS, AS BICICLETAS E AS ABELHAS



Jacob Fortes

Certa feita, quando menino, fui com o meu pai à cidade; cada qual no seu jumentinho. Chegamos cedo; a cidade despertava numa pachorra de lesma, mas o Mercado Central era madrugador. Enquanto meu pai comprava o essencial nas quitandas do Mercado, eu o aguardava debaixo de uma figueira folhuda. Próximo a essa árvore existia um quiosque no qual funcionava um bicicletário. O propósito do bicicletário consistia em alugar bicicletas; era o meio de vida do proprietário, Senhor Xudu.
Naqueles áureos anos em que esse transporte foi lançado, possuir uma bicicleta era privilégio de poucos; endinheirados. A única forma de a grande maioria, de pobres, andar de bicicleta seria por meio da alugação.
Debaixo da árvore eu reparava o movimento. Assim que o quiosque abriu as suas portas começaram a chegar os alugatários; em pouco tempo a frota de bicicletas já havia arribado. Lembrei-me das abelhas do meu sertão, em revoada matinal para encontrar o néctar das flores silvestres. Os clientes, depois que grudavam as mãos no chifre do biciclo, saíam com ar de felicidade. Não era pra menos. Pedalar, oferecendo a face para os beijos da brisa, é sempre prazeroso, mesmo quando o percurso impõe farta sudação. Vim conhecer essa sensação agradável próximo à idade adulta quando, morando na cidade, pude ter os meus ganhos parcos, mas suficientes para alugar uma bicicleta.
Daí a pouco, chega mais um freguês:
Senhor Tadeu Xudu, eu quero alugar uma bicicleta.
As bicicletas foram todas alugadas. — Aguarde, se puder; em breve uma delas estará de volta.
Pois bem, os livros deveriam ser tão andejos e ter a mesma mobilidade das bicicletas de aluguel, ou das abelhas: continuamente saindo e retornando às bibliotecas. Em vez disso, os livros dormitam nas bibliotecas, por vezes amontoados, ostentando as marcas visíveis do desuso, inclusive grossas camadas de poeira; em completo desserviço. Pior que essa constatação (quando visitei algumas), foi ouvir diretores se gabarem das suas bibliotecas estarem entupidas de livros; todo o acervo aquartelado, circunstância que reforça as estatísticas: o Brasil continental ainda lê pouco se comparado a pequenos países da Europa. Bibliotecas públicas não deveriam expressar a caixa mortuária dos livros, mas apenas os seus locais de baldeação: marcados por um movimento de vai e vem, aos moldes das bicicletas ou das abelhas.
Se os livros dormitam, maquilados de pó nos seus ataúdes, é porque o povo não lê quanto devia. O povo pode até se encontrar de bucho saciado, mas a mente, insaciável, espera, merece e precisa de continuada leitura. A leitura — maneira barata, e até chique, de entretenimento — ensina a escrever, afugenta a ignorância, prepara, qualifica, fornece experiência, amansa a incivilidade e a grosseria, aperfeiçoa a dimensão interpessoal, possibilita conhecer o mundo, a arte, a tecnologia, amplia a capacidade de percepção, permite avaliar o melhor caminho que a vida oferece, facilita a compreensão dos direitos de si e dos outros. Divorciadas da leitura, as pessoas tornam-se vulneráveis aos ardis; tornam-se suscetíveis às desditas.
Porém, a inexistência do hábito da leitura não é culpa dos diretores das bibliotecas, mas do modelo; do poder público que não estabelece políticas de motivação à leitura. Mas isso não é insolúvel. Se houver interesse, se as escamas dos olhos forem retiradas, basta colocar o tema em discussão para as ideias acudirem. Exemplificativamente: que tal se ao alunado brasileiro, em todos os níveis, fosse concedido pontos, valendo nota, pela leitura de livros? Evidentemente a leitura seria aferida por meio de uma banca sabatineira. Que tal, ainda, se os pais vinculassem as mesadas dos filhos à leitura de livros? Que tal, também, se os pais infundissem nos filhos o hábito da leitura, principalmente naqueles que se permitem encabrestar pela internet e programas de televisão, por vezes repletos de vacuidade? Essas leituras, é claro, seriam também sabatinadas. Que tal, igualmente, se um livro retirado de uma biblioteca no estado de São Paulo pudesse ser devolvido por intermédio de uma biblioteca da cidade de Campo Maior-PI, Sobral-CE, Goiânia-GO e vice-versa?
A ideia é fazer o livro se deslocar em múltiplas direções, disseminando o saber em todos os ramos do conhecimento, procedimento similar ao das abelhas que, ao alçarem voo em busca do néctar, prestam valioso serviço à natureza e ao homem. Durante o seu trajeto, as abelhas vão espalhando, naturalmente, por sobre os ovários das flores, os grãos de pólen que carregam nos seus cubículos, realizando, desse modo, a polinização responsável pela fecundação de frutos e, consequentemente, das árvores.
A leitura pede passagem! Quando isso vai ocorrer? Ontem não foi possível por causa da escravidão rombuda, mas hoje? Quais as alegações deste momento democrático, científico e tecnológico? É preciso desmistificar; leitura não pode ser entendida como artigo de luxo, de primeira classe, mas artigo de pessoas: ricas ou pobres. Por que seria espantoso flagrar-se um boia-fria lendo uma revista ou um Machado de Assis?
Com um esforço bem direcionado do poder público, da estrutura educacional e da sociedade, é possível socializar a leitura e imprimir aos livros um papel parecente ao das bicicletas de aluguel ou das abelhas.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Lançamento de A última estação


O romance A última estação, da autoria do escritor Jacob Fortes de Carvalho, será lançado em Brasília, de acordo com a seguinte programação:

Dia 16 de maio, a partir das 18 horas, no restaurante Carpe Diem, no shopping Casa Park

Dia 17 de maio, das 9 às 12 horas, na UnB, na sede da APOSFUB, ao lado da Casa do Professor, Campus Universitário

Também será lançado em Campo Maior, no dia 8 de junho, a partir das 16 horas, na Pousada do Lago, às margens do Açude Grande

quinta-feira, 4 de abril de 2013

DA VÁRZEA DO SIMÃO AO JARDIM DOS POETAS

Mão na jaqueira


Banho no Velho Monge

Exemplo de prédio bem conservado

Prédio arruinado

Oitizeiros da Praça Santo Antônio e as implacáveis ervas de passarinho

4 de abril   Diário Incontínuo

DA VÁRZEA DO SIMÃO AO JARDIM DOS POETAS

Elmar Carvalho



Estive na Várzea do Simão, neste sábado de Páscoa. Simão, avô de Fátima, minha mulher, foi o antigo proprietário dessa localidade, situada à margem direita do Velho Monge do poema dacostiano. Participei de um farto churrasco patrocinado pelo sargento Freitas, o Natim, sobrinho de minha mulher e neto do velho Simão. Entre outros, estavam presentes o Sílvio e o Diá, respectivamente, neto e filho do patriarca varzeano. O carneiro, seja sob a forma de churrasco, seja como suculento cozido, estava simplesmente delicioso.

Antes do assado e das libações de praxe, minha mulher, sob o argumento de que eu já tinha filhos e já havia publicado livros, intimou-me a plantar uma jaqueira, fato singelo, mas cuidadosamente documentado por uma câmera fotográfica. Desse modo, não pus os pés na jaca, mas literalmente coloquei as mãos na terra e num pé de jaca. Segundo soube, e isso faz sentido, o ditado correto seria por o pé no jacá, e assim tropeçar ou tropicar. Pisar na jaca significaria esmagar a enorme fruta, mas poderia acarretar também algum tropeço ou topada. Deixo a solução do problema para os doutos em paremiologia e cultura popular.

Estava presente a essa comemoração familiar a Conceição Teles, dinâmica servidora da Superintendência de Cultura do Município de Parnaíba, que me deu a auspiciosa notícia de que o Jardim dos Poetas seria (re)construído em aprazível local, entre a Praça Santo Antônio, o Colégio das Irmãs e o Centro Cívico, e consequentemente perto do Cajueiro do Humberto de Campos.

Fiquei contente com a notícia; creio que todos os poetas também ficarão. O velho Jardim fora idealizado pelo teatrólogo e escritor Benjamim Santos, e construído na gestão do prefeito Paulo Eudes. Tempos atrás, em julho de 2011, com o Jardim dos Poetas já quase em ruínas, publiquei pela internet uma crônica em defesa de sua reconstrução, talvez em outro local, já que a sua localização se tornara controvertida, e objeto de polêmicas e dissenções.

Sugeri a vários poetas, pessoalmente e através de e-mail, não sei se também através de textos internéticos, três lugares para a sua nova instalação, e entre eles o exato lugar onde o novo Jardim será erigido. Sobre o velho “panteão” dos poetas tive a honra de dizer, em solenidade festiva, na época de sua inauguração: “Esse jardim, o Jardim dos Poetas, será o altar e o púlpito dos velhos e dos jovens bardos, dos menestréis de todas as épocas, de todas as idades, dos aedos mortos e vivos, porque são os poetas os hierofantes e os profetas do bem, do bom e do belo, a celebrarem o culto da estética, da vida e da emoção no templo augusto da poesia”.

De minha crônica, escrita em 28/07/2011, referindo-me a novo Jardim, pinço o seguinte trecho: “Obviamente, outros equipamentos, peças e poemas poderiam ser acrescidos ao projeto original. Placas maiores, mais vistosas e modernas, talvez até com ilustrações de pintores locais, poderiam dar um novo brilho a essa antologia poética “impressa” em concreto. Acredito que prejuízo maior é o logradouro/monumento permanecer do jeito que está, pois, sem os poemas expostos em suas placas, o Jardim dos Poetas terá perdido todo o seu sentido e finalidade”. Acrescento agora esta sugestão: os poetas vivos deveriam ser solicitados a escolherem seu(s) texto(s), conforme critérios de tamanho e/ou outros.

Quando deixei o churrasco do Natim, já quase ao entardecer, não sem antes tomar um maravilhoso banho nas águas tépidas e lépidas do Parnaíba, resolvi olhar o local em que o Jardim será construído. Antes, vi o solar que pertenceu ao saudoso médico Cândido de Almeida Athayde, que foi meu professor no Curso de Administração de Empresas. Tive-lhe afeição. Gostava de suas aulas, e gostava muito mais ainda de suas agradáveis palestras, mormente sobre Humberto de Campos e outros personagens, e sobre a Parnaíba de antigamente. O Ministério Público do Estado do Piauí o está conservando muito bem, e ainda lhe expôs a bela fachada, que antes era oculta por um muro. Todavia, fiquei triste porque um outro prédio, em sua proximidade, está bastante deteriorado, e com uma descaracterizadora construção em sua parte traseira.

Olhei as grandes árvores da Praça Santo Antônio. Esse logradouro foi uma de minhas mais marcantes visões de Parnaíba, quando estive nessa cidade pela vez primeira, no primeiro semestre de 1975. Aproveitando uma viagem esportiva do Comercial, fui visitar meu pai, que fora chefiar a agência local da ECT (Correios e Telégrafos). Fomos visitar o professor Joaquim Furtado de Carvalho, nosso primo, que morava na pensão da Judite, e então pude admirar os grandes pés de oitis, que ornamentavam e ensombravam a bela e majestosa praça. Em junho de 75, eu e minha família fomos morar em Parnaíba, juntando-nos a papai.

Desta feita fiquei triste e muito preocupado. Notei que algumas dessas antigas árvores já morreram ou estão bastante doentes. A implacável erva de passarinho é como o Django do velho faroeste – não perdoa, mata; e parece estar sugando mortalmente a seiva vital de vários oitizeiros e impedindo, ao cobrir suas copas, que a luz solar lhes alimente. Se providências urgentes não forem tomadas pelo município, os velhos oitizeiros irão sucumbir, a exemplo do que aconteceu com várias grandes árvores em Teresina. A morte e a doença dessas árvores me toldou um pouco a alegria que senti pela anunciada ressurreição do Jardim dos Poetas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Poder, exercício do Servir"(Papa Francisco)


José Maria Vasconcelos
josemaria001@hotmail.com

Manhãzinha, sentado à mesa, café, leite, aveia. Só. Olhar fixo na telinha, atento à homilia do Papa Francisco, entronizando-lhe o pontificado. Carismático, afetuoso, sem dialética acadêmica, falava, não discursava. Ia direto ao cotidiano.
Estadistas, bispos, cardeais, padres e freiras, todas as nações e credos representados na Praça de São Pedro. Transmissões televisivas planetárias, a sensação de eu estar no meio da Praça. Lembrava o Pentecostes, após a ascensão de Jesus Cristo aos céus. Evangelista Lucas narra, nos Atos dos Apóstolos(cap.2), que o Espírito Santo de Deus cobriu as cabeças dos discípulos em forma de línguas de fogo. Curiosos de todos os idiomas encontravam-se presentes em Jerusalém, entendiam a fala dos apóstolos em sua própria língua, admiravam a fantástica transformação de homens rudes em sábios do Espírito Santo. Em nome dos companheiros, Pedro discursou. Era início da manhã. Fundava-se a Igreja de Cristo, como Jesus prometera na despedida para o céu: "Ide ao mundo, pregai o evangelho...Estarei convosco até a consumação dos séculos... E as portas do inferno não prevalecerão contra Ela."
A homilia do Papa Francisco surpreendeu, pelo recado prático, especialmente aos gestores e líderes. A leitura do evangelho do Dia de São José narrava o despojamento do esposo de Maria, guardião do menino Jesus e sua mãe. Zeloso, humilde e obediente à orientação do anjo Gabriel.
"O Poder é o exercício do Servir"- disse o Papa. Não me contive sentado à mesa. Levantei-me, xícara na mão, fitei o sereno pontífice declarando o maior componente da esperança para uma autoridade eleita: Servir, Servir. Repito, Servir. Não disse Servir-se, mas Servir. Eis o mandamento de Cristo, proposto no Lava-Pés, durante a Ceia. Lavar os pés não traduz subserviência escrava, nem lavar as mãos, ato de covardia.
"O poder exige despojamento e serviço." Dito por um cardeal servidor, agora Papa, é uma ordem. A sociedade clama por gestores do servir, sem se servir dos recursos públicos. Migalhas não consolam excluídos.
Igreja do servir não explora o milagre fácil e farto dos pães e peixes. "Buscai o reino de Deus e sua justiça. O resto vem como consolo"- eis o projeto de Cristo.
A homilia do Papa Francisco acendeu o fogo do Espírito. Todas as línguas entenderam a fala. Falta só o batismo espiritual, especialmente dos líderes.

domingo, 31 de março de 2013

Mensagem de solidariedade pelo monumento a Da Costa e Silva


Estimado poeta Elmar Cavalho:

Estou com você nessa luta em prol da construção de um Monumento à Memória de Da Costa e Silva. A questão de os restos mortais serem trasladados para Amarante - desejo expresso na arte mais sincera de um soneto famoso - é secundária dada à não aceitação dos familiares do poeta.

O que permanece é o sentimento de amor que temos ao poeta e à sua obra imorredoura nos corações de todos os amarantinos e piauienses que se orgulharão pelo tempo afora de terem o privilégio de ser Da Costa e Silva um amarantino. Isso basta, como basta ainda a construção de um Memorial para o poeta. Só o tempo dirá se os restos mortais virão finalmente atender aos anseios do vate da "Saudade".
Ficarei torcendo pela concretização de sua luta , da luta do Virgílio Queiroz e de todos os piuienses que têm pela sua cultura um especial carinho.

Ainda estou com você pela adoção efetiva de autores piauienses nas escolas públicas e mesmo nas universidades locais, sejam oficias, sejam particulares. A Lei estadual neste sentido tem que ser cumprida e feita a sua fiscalização nas grades curriculares do ensino público ou privado do Piauí.

É uma tremenda contradição adotarem-se livros de autores considerados "nacionais" e relegarem os escritores da terra a segundo plano. É inconcebível e injusto.
A literatura piauiense tem muitos autores de valor, dignos de serem pesquisados pelos estudantes e professores piauienses. Os piauienses desconhecem seus próprios artistas e criadores no domínio literário, o que é deplorável. Não podemos ficar só nos exemplos de Assis Brasil, Torquato Neto, Mário Faustino, Esdras do Nascimento e poucos outros que têm mais visibilidade.

Eu fiz a minha parte quando escolhi para tema de dissertação do meu Mestrado a figura do poeta Da Costa e Silva. Consegui fazer muita gente fora do Piauí, professores, colegas de Mestrado e outras pessoas a convergirem seu olhar para o grande bardo da minha terra. Cumpri um dever para com uma parte significativa do valioso espólio da literatura piauiense, que tem tantos poetas, ficcionistas, contistas, ensaístas, cronistas, críticos e historiadores. É preciso despertar a atenção do piauiense, através de seminários, simpósios e outros meios de encontros culturais para debaterem-se os valores da terra mafrense. Só assim a literatura piauiense se vai fundir, em condições de igualdade, com a chamada literatura "nacional".
Um forte abraço do
Cunha e Silva Filho 

quinta-feira, 28 de março de 2013

MONUMENTO E MEMORIAL AO POETA DA COSTA E SILVA


Prefeito Luís Neto, vice-prefeito Clemilton Queiroz e poetas Elmar Carvalho e  Virgílio Queiroz



28 de março   Diário Incontínuo

MONUMENTO E MEMORIAL AO POETA DA COSTA E SILVA

Elmar Carvalho

Na reunião deste sábado da Academia Piauiense de Letras, inscrevi-me para falar, e tratei de dois assuntos da mais alta relevância para a nossa literatura. Inicialmente, disse que quando fui presidente da União Brasileira de Escritores do Piauí, no biênio 1988/1990, sucedendo o poeta Francisco Miguel de Moura, meu confrade na APL, fiz uma campanha para inserir a obrigatoriedade do ensino de Literatura Piauiense no texto da Constituição Piauiense de 1989. Tive o respaldo e o estímulo de meus companheiros de diretoria nesse desiderato.

Contando com o apoio decisivo do deputado Humberto Reis da Silveira, relator-geral de nossa Carta Magna, a obrigação de essa disciplina ser ensinada nos colégios do Piauí foi insculpida no artigo 226 do texto constitucional. Lamentavelmente, passadas mais de duas décadas, esse dispositivo continua a ser quase uma letra morta, porquanto nem mesmo os colégios públicos municipais e estaduais o cumprem, o que é um verdadeiro absurdo, uma vez que os órgãos públicos, cuja existência é instituída por lei, deveriam dar o bom exemplo no cumprimento da legislação, sobretudo a constitucional.

Devo dizer que não sei quais os reais motivos para que o estudo de Literatura Piauiense, previsto em nossa Constituição Estadual, não seja implementado. E principalmente desconheço qual o real motivo para que a Secretaria Estadual de Educação não execute o dispositivo constitucional a que me referi, nem mesmo nas escolas da rede estadual. O ensino dessa matéria seria de capital importância para que os nossos poetas e escritores se tornassem conhecidos em nosso estado, mormente seus textos, que deveriam constar de antologias e compêndios escolares.

Em seguida, disse a meus confrades que em minha gestão na UBE-PI iniciei um movimento para que os restos mortais do excelso poeta Antônio Francisco da Costa e Silva, o poeta maior do Piauí, fosse sepultado na sua Amarante. Fiz alguns contatos, inclusive com a Academia Piauiense de Letras. Quando tinha oportunidade, tratava desse assunto, fosse em eventos literários, fosse através da imprensa. Usava como principal argumento haver ele feito esse pedido. Recitava, então, o terceto final de seu soneto Amarante, no qual o poeta externara de forma sublime e magistral esse desejo.

No meu discurso de posse na Academia Piauiense, voltei a esse assunto, quando disse: “(...) talvez seja o momento de se trasladar para Amarante os despojos de Da Costa e Silva, já que ele, quando cantou sua terra, implorou em versos de incomparável maestria: “Terra para se amar com o grande amor que eu tenho!/ Terra onde tive o berço e de onde espero ainda/ Sete palmos de gleba e os dois braços de um lenho!” Em Amarante, o seu mausoléu-memorial seria visitado e reverenciado, em verdadeira peregrinação turístico-cultural”.

Por fim, informei aos ilustres acadêmicos que estivera na quarta-feira da semana passada em Amarante, à tarde, a convite do poeta e escritor Virgílio Queiroz, para participar de uma reunião em que seria discutida a criação de um memorial ou panteão simbólico a Da Costa e Silva, já que a sua família não permite o traslado dos restos mortais do grande poeta brasileiro, segundo me foi informado. Consta que a sua viúva, mãe do poeta e embaixador Alberto da Costa e Silva, não era favorável a essa ideia, porquanto costumava rezar no túmulo do marido, localizado em cemitério carioca. Mesmo com a morte de dona Creusa Fontenele, o Virgílio Queiroz me disse que Alberto ainda é contra essa remoção, por motivos que ele desconhece.

Quando terminei minha peroração, alguns confrades, para honra minha, me apartearam, dando-me o seu apoio e solidariedade, entre os quais Herculano Moraes, que acrescentou algumas informações sobre os entraves referentes ao não cumprimento do artigo 226 da Constituição Estadual, ao tempo em que prometeu convidar a deputada Margareth Coelho, que foi minha colega e do presidente Reginaldo Miranda no curso de Direito da UFPI, para debatermos esse assunto de capital importância para a difusão e conhecimento de nossa cultura literária.

Também fui aparteado pelo desembargador Manfredi Mendes de Cerqueira, que apoiou as duas ideias sobre as quais me pronunciei. Sugeriu que o presidente da APL enviasse ofício ao secretário da Educação, deputado federal Átila Lira, solicitando que ele dê cabal cumprimento ao artigo 226 de nossa Carta Magna, implantando o ensino de Literatura Piauiense na grade curricular, como disciplina obrigatória, e não de forma optativa ou como matéria transversal ou afim, e ao prefeito de Amarante, Luís Neto, pela sua determinação em construir o memorial e panteão em honra do poeta Da Costa e Silva, parabenizando-o por esse projeto.

Virgílio Queiroz, retomando a minha antiga luta, me convidou, algumas semanas atrás, para trocarmos ideia sobre a criação desse memorial, que seria uma espécie de mausoléu simbólico. Dei-lhe vários palpites, na oportunidade, que se somaram ao que ele idealizara. Portanto, o poeta me convidou para esse encontro na Terra Azul do Poeta, a fim de que transmitíssemos nossas sugestões ao prefeito Luís Neto e ao vice-prefeito Clemilton Queiroz. Não irei entrar em detalhes. Apenas direi que Luís Neto ficou deveras empolgado com essa iniciativa.

Ficou tão entusiasmado, que acrescentou ideias suas a esse projeto, engrandecendo-o e valorizando-o. Convidou-nos a conhecer dois locais onde o monumento simbólico do último desejo do poeta e o memorial poderiam ser erguidos. De imediato, recomendou que Virgílio e Clemilton Queiroz contratassem um escritório para elaborar o projeto. Falou que as placas com os poemas e ilustrações seriam feitas em duplicata, para também serem afixadas no imenso alpendre interno da sede da prefeitura.

Sobre esse alvissareiro encontro, colhi a seguinte informação no portal Amarantenet, que muito me desvaneceu: “Elmar Carvalho, que lançou essa ideia de trazer os restos mortais de Da Costa e Silva há mais de trinta anos, quando a convite de Virgílio Queiroz, participou de um debate literário em Amarante, publicou em seu blog artigos diversos sobre esse desejo do grande vate piauiense, sempre se embalando nos versos do soneto “Amarante”. Vamos em frente, poeta Elmar”. Acrescento: vamos em frente prefeito Luís Neto, Clemilton Queiroz, poeta Virgílio e demais amarantinos, amantes dos versos do Príncipe dos Poetas Piauienses.

Várias pessoas acorreram ao local, onde provavelmente serão erigidos o memorial e o monumento simbólico do último desejo de Da Costa e Silva, como uma antecipação da importância que essa obra terá no culto ao grande poeta, que permanece vivo no coração e no amor de todos os amarantinos. Certamente o monumento e o memorial acolherão os restos mortais do poeta, como uma relíquia preciosa, quando sua família permitir que eles venham repousar no solo sagrado de sua terra mater.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Os restos mortais de Da Costa e Silva em Amarante é destaque



A ideia da construção de um monumento simbolicamente representando os restos mortais do poeta Da Costa e Silva tem recebido incentivos dos intelectuais piauienses. Entre aqueles que estão felizes em saber que o povo de Amarante respeita a vontade do seu filho ilustre, está o escritor Deusval Lacerda e o poeta Evaldo Madeira.

Ambos escreveram para Virgílio Queiroz e Elmar Carvalho parabenizando o prefeito e o vice-prefeito pelo desejo da construção de tão significativa obra. “A melhor e a mais brilhante ideia. Da Costa e Silva está acima de qualquer mediocridade ou esquecimento dos pseudo-intelectuais. Amarante só tem a ganhar com tal projeto. Adianto-lhes que estou muito feliz, esse empreendimento além de cultural, resgata assim, a magnitude desse poeta. Quem não leu o poema "SAUDADE" dedicado à sua genitora que fala de uma "santa" rezando no altar para outra "Santa". Acredito que foram os versos mais lindos que eu pude ler em minha vida. Vivamos então esse tempo. Abraços, caro Virgílio”. Expressou-se, Evaldo Madeira. “Estou feliz com a iniciativa de vocês amantes das letras, artes e cultura amarantinas em construírem o Monumento Simbólico do Último Desejo do Poeta, por uma razão simples: era o desejo do poeta ser enterrado na sua terra natal. E é também uma forma dos seus conterrâneos o reverenciarem ad eternum”, sentenciou o escritor Deusval Lacerda.

Elmar Carvalho que lançou essa ideia de trazer os restos mortais de Da Costa e Silva há mais de trinta anos, quando a convite de Virgílio Queiroz, participou de um debate literário em Amarante, publicou em seu blog artigos diversos sobre esse desejo do grande vate piauiense, sempre se embalando nos versos do soneto “Amarante”. Vamos em frente, poeta Elmar.

Fonte: Portal Amarantenet