terça-feira, 23 de agosto de 2011

CONVERGÊNCIA


ALCIONE PESSOA LIMA

Eu vejo assim. Tem gente que vê assado.
De olhos arregalados...
E eu, nem aí, de peito lavado...
Não acho nada tão feio, tampouco exalto o belo.
E, então, pergunto:
Para que sapato e gravata? Melhor é andar de chinelo!
O homem é o que a sua história revela.
Cabeça, tronco e canela.
A vida é essa novela...Reflexos da vaidade!
E todos querendo achar o caminho da felicidade.
Mudam-se as direções, o modo e as emoções...
Mas todos convergem ao um ponto, que a outros pontos se une,
Formando a linha da vida, que é cara para ser vivida.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

NO REINO DO SURREAL


NO REINO DO SURREAL

I – FUTEBOL

Elmar Carvalho

último rei
          dec/apitado
fiz o gol
          da vitória
com minha própria
          cabeça
nas traves da guilhotina
(e o goleiro era o carr’asco)

sábado, 20 de agosto de 2011

A PROFISSÃO DOS PEIXES

Rubervam Du Nascimento





“A Profissão  dos Peixes”, de Rubervam du Nascimento, 150 págs., 1987, Teresina, PI,  é uma edição do próprio autor.  


DEPOIMENTO MAIS QUE NECESSÁRIO

Francisco Miguel de Moura*


Pelos meados dos anos 70, tempo do boom e do desbunde, da ficção e da revista Cirandinha, quando Leila Diniz já se tinha ido e a fobia dos generais comia os cordeiros poetas da todamérica, inclusive no Brasil, onde o Nordeste era menos cabra da peste e mais o país-dos-coitadinhos, nesta Teresindia dos rios Poty e Parnayba, eis que numa boca-de-noite aparece em minha casa um rapaz bigodudo como um gato preto, desengonçado, inquirindo as menores coisas da vida e do mundo para entender as grandes navegações que fazíamos, os filhos do silêncio, neste planeta de espanto. E não vinha só, trazia debaixo do braço um calhamaço de muitas páginas bem cuidadas, em forma de livro, e me queria opinião.
 
Fui-lhe sincero como sempre sou: “Quer deixar, deixe; não garanto o tempo, que eu não tenho pressa para a arte”.
 
Pouco sabia eu que minha pressa não-transparente menos transparecia ainda em Rubervam du Nascimento (1). Assim mesmo o seu nome esquisito, com uma ligação sonora tal qual se fala: d = u = du.  Era certeza já? Era dúvida? Não, era só de teimosia. Que tempos revoltos para Rubervam, meus irmãos! Era a revolução política, era a revolução nas artes, e a revolução dele no corpo e na alma, na vida e na lida.

Digo isto para remembrar, dez anos depois, ou mais...  Continuamos no jornal, na revista, nas coletâneas, e na repartição do pão de cada dia e do sono de cada noite.
 
Agora temos Rubervam du Nascimento aqui, e outro: Poeta crescido até mais não poder mais, com A Profissão dos Peixes, ovo que vi naquele calhamaço de lembrança e raiz e no qual acreditei.

Contei a única história que tinha para contar, em poucas linhas, de nosso primeiro encontro de poetas – eu já, ele ainda. Que quereis mais que diga sobre a A Profissão dos Peixes?  É um balbucio como de crianças. Quem sabe o que elas dizem? E elas dizem tão profundamente que chega a gente a adivinhar. A poesia de Rubervam parece com ele mesmo, não é singular isto? Poderia tecer comentários sobre as metáforas intrigantes como a de aprendiz de peixe, atividade que o poeta se atribui (2).  Farei noutro lugar, onde possais ler e reler, e rir do crítico.
 
Mesmo assim, reconheço que o cachimbo de crítico me faz a boca torra, e encaminho-vos para essas poucas observações, quando na leitura de Rubervam du Nascimento:

- A singular disposição das palavras no verso e do verso no poema (espaço, repartição, vocabulário, sintaxe entrecortada etc.);
- O artesanal encadeamento num todo-tempo, formando sua visão épico-lírico-dramática fundamental e fundadora do mundo (3);
- E as metáforas e figuras encadeadas e entrelaçadas, umas sobre as outras, tornando o texto denso e difícil, mas não obscuro.
 
Se se pode lembrar um grande poeta relativamente ao conteúdo, no momento me ocorre Fernando Pessoa, também um épico moderno, naquele Poema em Linha Reta, o poema da porrada (4). Porque o livro de Rubervam du Nascimento é um livro sonhado, vivido e até sofrido, mas não confessional, haja vista a poderosa dose de invenção ou re-invenção dos seus personagens e símbolos: os peixes podres e as pipas, os miguelitos, as manhãs de canoa entre Teresina e Timon, e a infância na palavra perdida e reencontrada na Ilha de Si Mesmo.
 
Como um detetive que se detém nas menores coisas, o poeta está na palavra, na raiz da palavra, no sumo da palavra, no fio da palavra. Vai buscá-la mais feia e sem sentido e lhe dá alma, parte e reparte, junta e agrupa umas às outras na tentativa de restaurar a verdade do homem, onde o grito primal e os demais sons são os elos da vida, da inteligência e do sentido do ser (5).

A poesia vem quando o homem se quebra, a totalidade deixa de existir e o homem acredita num deus decaído – ele mesmo – o homem moderno.
 
A propósito, cabe lembrar uma passagem de Theodore de Banville, num tributo ao poeta Charles Baudelaire: “Foi capaz de conferir beleza a visões que não possuíam beleza em si, não por fazê-las  romanticamente pitorescas, mas por trazer à luz a porção de alma humana ali escondida.” (6)

Era isto que eu queria dizer-vos de Rubervam du Nascimento e não tive palavras. Pois fique dito: - O poeta é grande e a poesia, maior; poesia que não morre e se morrer vai demorar muito, porque é um rastro de cometa, caminho de luz na escuridão do mundo.
________________________
Notas:
 1 - “O poeta palavra poeta / pra que tudo / no homem / se inicie”
(A Profissão dos Peixes, pg. 24);
  2 - “O não / pastor de almas / mas aprendiz / peixe”. (Idem, pg.23);
  3 - “Reafirmo nas constantes remontagens dos textos e dos anos a     difícil tarefa de domar a vida e a palavra no corpo do poema” (Idem, pg. 14);
 4 - “Nunca conheci quem tivesse levado porrada / Todos os meus conhecidos têm sido campeões de tudo (...) / Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, / Vil, no sentido mesquinho e infame da vileza.” (Fernando Pessoa, Poema em Linha Reta, in Obra Poética, Nova Aguilar, Rio, 1983, pg. 352); 
 5 – “Escuto som que insisto / não / verbal / em nome dele me acho / sem fala não há urgência / principal / mente na escrita (A Profissão dos Peixes, pg. 23);
6 – “Ele não aceitou o homem moderno em sua plenitude, com suas fraquezas, suas aspirações e seus desesperos. Foi assim capaz de conferir beleza a visões que não possuíam beleza em si, não por fazê-las romanticamente pitorescas, mas por trazer à luz a porção de alma humana ali escondida; ele pode revelar, assim, o coração triste e muitas vezes trágico da cidade moderna. É por isto que assombrou, e continuará a assombrar a mente do homem moderno, comovendo-o, enquanto outros artistas o deixam frio.” (Tudo o que é Sólido se Desmancha no Ar, Marshal Berman, pg.130, Caminho das Letras, 1987).

____________________________    
*Francisco Miguel de Moura, poeta, ficcionista e critico literário, editor da Revista Cirandinha, membro da Academia Piauiense de Letras, residente em Teresina - PI.
E-mail: franciscomigueldemoura@superig.com.br          

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

INSTALAÇÃO DA VILLA DE SÃO JOÃO DA PARNAHIBA



Vicente de Paula Araújo Silva “Potência”

A Villa de São João da Parnahiba, foi criada em 1761, e diferentes das outras villas , ela e Valença do Piauy, deixaram de cumprir a ordem real para instalação das mesmas nas sedes das freguesias. João Pereira Caldas, governador da Província de São José do Piauy, em 18 de agosto de 1762, na Igreja Matriz da freguesia de Nossa Senhora do Carmo da Piracuruca, presidiu reunião com moradores da região, para tratar da instalação da sede da Vila , sob o comprometimento dos presentes, em construir casas de moradas no local, num prazo de um ano. Assinaram o documento, o Vigário da Igreja Matriz, e pessoas influentes da Freguesia.
Mas, já naquele momento, os ricos fazendeiros Diogo Alves Ferreira (Diogo Álvares Ferreira de Véras) e José Lopes da Cruz , residentes em Frecheiras e Burití dos Lopes, respectivamente, comandaram o movimento para que a sede e as casas, fossem construídas no lugar “Cítio dos Barcos”, na beira do Igaraçu, onde havia florescido em 1711, a Villa Nova da Parnahiba, também conhecida como Villa de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba.
Havia a previsão e outros interesses, de que sendo a sede da vila no litoral, o local seria o arraial Testa Branca. Entretanto, a realidade, é que o Sítio dos Barcos(atual Porto das Barcas), era um porto mais seguro, e já existia uma pequena infra-estrutura, contendo 05 oficinas de beneficiamento de carne e courama bovina, bem como, a antiga igrejinha de Monserrathe, onde, na época, era venerada Nossa Senhora de Nazareth, santa de devoção da influente família Abreu Bacellar, estabelecida na região.
Para a verificação das proposições, foi enviado ao litoral, Manoel Francisco Ribeiro - Escrivão das Missões e Deligências- que ignorando o Testa Branca, prestou informações apenas da existência do “Cítio dos Barcos”, onde além dos prédios mencionados, haviam duas casas habitadas pelos cidadãos José Pinheiro e Apolinário Godinho , bem como, outra de Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacellar, em que residiam alguns escravos. Esse, fato foi atestado pelo próprio emissário do Governador da Província, através de documento assinado em 12/10/1762, na capital , Oeiras do Piauy,
Antes, em 26 de agosto de 1762, dentro dos procedimentos legais para a instalação da Villa, foram empossadas as primeiras autoridades e membros do Senado da Câmara, assim constituídas :
- Juiz Ordinário e dos Órfãos, e Capitão-Mor das Ordenanças
Diogo Alves Ferreira (Diogo Álvares Ferreira de Veras)
- Vereadores
José da Costa Oliveira e Domingos Alves Barroso
- Procurador-Tesoureiro
Manuel de Sousa Guimarães
- Sargento-Mor
João Lopes Castelo Branco (filho de José Lopes da Cruz)
Posteriormente, após, algumas disputas políticas, já no governo de Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, prevaleceu a influência das famílias “ Véras” e “Lopes Castelo Branco”, consolidando-se o atual Porto das Barcas, como a sede legal, onde prosperou a Villa de São João da Parnahiba, hoje a cidade da Parnaíba, originária, em termos de existência, da Villa Nova da Parnahiba, surgida sob a égide de Nossa Senhora de Monserrathe, posteriormente adotada por Nossa Senhora de Nazareth, e hoje abençoada por Nossa Senhora Mãe da Divina Graça.
Outrossim, é importante salientar que a data 26/08/1762, foi efetivamente a data em que Parnaíba, iniciou suas atividades legislativa e administrativa, independente da Igreja Católica, passando a vivenciar legalmente a condição política de Villa de São João da Parnahiba.
Parnaíba, é o município brasileiro que contempla através de Lei Municipal, três datas magnas de sua existência , e neste ano está comemorando a sua história de “300 anos de Villa Nova da Parnahiba” , 249 anos de “Villa de São João da Parnahiba”, e 167 anos de “Cidade da Parnaíba” .

Phb, 18/08/2011-Vic.-

Da Série : Estórias a Respeito da História da Parnaíba

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

DIÁRIO INCONTÍNUO


18 de agosto

PARA ONDE VÃO OS CIGANOS?

Elmar Carvalho

Surgiu ontem o boato, não sei se inteiramente verdadeiro, de que um alcaide de cidade vizinha do Médio Parnaíba teria “mandado” para Regeneração um bando de ciganos, que teriam ficado acampados no centro da urbe. Consta que teriam vindo num ônibus escolar do município remetente. Os comentários diziam que, na verdade, os ciganos desejavam ir para Floriano. Diante desse último rumor, alguém deu o palpite de que seria melhor para a municipalidade regenerense fornecer transporte para que eles seguissem para o destino desejado. Um espírito, não sei se de porco, mas com certeza mais voltado para o interesse econômico local, “palpitou” de que melhor seria devolvê-los à origem ou encaminhá-los para Amarante, bem mais perto que Floriano. O imbróglio nodoso ainda está por ser desatado.

O fato é que os ciganos, que outrora eram predominantemente nômades, hoje se fixam nas cidades por muitos anos ou para sempre. O zunzum dava conta de que vários dos componentes do bando nasceram em cidades do Piauí. Com razão ou sem razão, com preconceito ou não, eles sempre foram vistos com desconfianças e suspeitas. Muitos os associam a negócios escusos ou, pelo menos, a cometerem espertezas em suas atividades e escambos. Contam-se casos jocosos, anedóticos, acontecidos em suas práticas, digamos, comerciais. Dizem que um zíngaro propôs vender um cavalo muito bonito a certo homem, que, desconfiado, por causa da má fama cigana, inspecionou o animal com extremo cuidado, sem encontrar nenhum defeito. Sem acreditar na hipótese de que o animal não tivesse alguma deficiência oculta, perguntou ao vendedor se aquele quadrúpede não tinha mesmo defeito. O outro respondeu laconicamente:
- Ganjão, o defeito está na vista...
O comprador entendeu que ele estava a dizer que o alazão era perfeito, e o comprou. No dia seguinte, descobriu que o cavalo era cego de um dos olhos. Encontrou o vendedor e propôs o desfazimento do negócio, uma vez que houvera ludíbrio. O cigano se manteve irredutível:
- Ganjão, eu lhe avisei que o defeito estava na vista! – e deu o caso por encerrado.

Não sei como será resolvido esse caso dos ciganos. Mas isso me fez recordar que, nos tempos em que eles eram nômades, a vagar por diferentes cidades e povoados, um bando deles armou suas tendas, em meados dos anos 1960, num terreno baldio perto da casa em que eu morava. Os gitanos armaram suas tendas e exibiram suas bugigangas mercantis, às vezes produtos artesanais que eles mesmos fabricavam. As mulheres, geralmente morenas, com grandes brincos e pulseiras, vestiam longas saias coloridas. Os homens usavam grossos colares. Menino, eu observava os grandes tachos de cobre em que as ciganas coziam os alimentos; usavam, em abundância, pimentões e tomates, e eu achava que aquela comida deveria ser muito saborosa. Confesso que cobicei degustar aquela iguaria, que nunca provei, mas cujo cheiro ainda mexe com o meu imaginário. Ficou um travo de coisa proibida, cobiçada, mas nunca provada.

As donas de casa tinham receio das visitas das gitanas, pois havia a suspeita de que elas furtavam objetos dos lares, ao menor descuido da proprietária. Corria o boato de que elas pediam, às vezes, um copo d' água, para com esse artifício subtraírem pequenas coisas ou mesmo dinheiro. Liam as mãos em troca de dinheiro. Algumas pessoas desejavam que elas lessem o seu passado, outras, o futuro. Algumas, pragmáticas ou medrosas, diziam que não desejavam tal leitura; que isso era apenas perda de tempo e de dinheiro, porquanto o passado já era de seu conhecimento, e o futuro também o seria, no tempo certo. Se a predição fosse ruim, iriam sofrer por algo que não acontecera e que, talvez, nunca viesse a acontecer. Seria melhor não saber, não antecipar os acontecimentos. E assim caminham os ciganos e a humanidade – entre a verdade e a mentira, entre a sinceridade e a falácia, entre o passado e o futuro, buscando o possível equilíbrio na corda bamba da vida.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

DIÁRIO INCONTÍNUO



Antônio Souza na grande arte de João de Deus Netto

17 de agosto


ALGUNS COLEGAS DO ESTADUAL

Elmar Carvalho



Um pouco antes do início da solenidade de lançamento do livro “Educação e Educadores de Campo Maior”, de Sílvia Melo, conversei brevemente com sua irmã, a ex-deputada Margarida. Perguntou-me ela sobre em que época fomos colegas de estudo e sobre os nomes de nossos condiscípulos. Respondi-lhe que fomos colegas no Colégio Estadual, onde fiz a terceira e a quarta série do antigo ginásio, a envergar seu uniforme azul e branco, nos anos 1971 e 1972, salvo engano. Foram nossos professores, entre outros, Dr. Hilson Bona, Francisca Teresa Andrade, Luís Francisco Miranda, Eidene, Aracéa de Araújo Rodrigues e o advogado e colega de meu pai no antigo DCT, Francisco das Chagas Moreira e Silva – Dr. Chaguinhas, que nessa época ainda se aventurava a jogar bola; era pai do meu amigo Zé Moura, que ficou na história do futebol campomaiorense. Nesse período, foram diretores do Colégio Estadual a professora Maria Zenita Almendra Pires Ferreira e o jovem advogado Carlos Antônio Souza.


Em 1975 fui embora de Campo Maior. Como não mais voltei a morar em minha cidade, é natural que tenha esquecido o nome de muitos de meus colegas de turma dessa época. De alguns recordo a fisionomia, mas não o nome. Não mais revi vários deles. Casualmente, tive a oportunidade de reencontrar menos de meia dúzia, ao longo desses 36 anos. A vida junta e a vida se encarrega de separar, cada um com as suas circunstâncias e injunções, na luta renhida pela sobrevivência. Além da Margarida Melo, fui colega da Jandira Leite Cavalcante, do Pedro, filho do senhor Agostinho da Água Branca, do Deus Luís, do Valdemar Higino, do Celso, do Otaviano Furtado do Vale e do Antônio Francisco Souza. O Otaviano era uma liderança esportiva. Irmão do grande craque Augusto César, de quem, no meu livro O Pé e a Bola, tive a oportunidade de dizer: “quarto zagueiro, bom no domínio, boa visão, inteligente (também bom no arremesso de copo)”. Em sua posição, com seu estilo clássico, elegante, foi considerado um dos melhores atletas de Campo Maior, tendo atuado em time da capital. Sobre o Otaviano, no referido livro, disse: “Recordo o campo próximo ao colégio Leopoldo Pacheco, em Campo Maior, onde jogava bola todo dia, sob a liderança do amigo Otaviano Furtado do Vale, o Tavico, jogador rápido, hábil e vigoroso, que transitava pela defesa e pelo ataque, funcionando como um coringa e líbero, com atuação predominantemente pela lateral esquerda; era uma espécie de capitão dos dois times, mas tinha o defeito de não gostar de perder, por mais amistosa que fosse a partida”.

O Deus Luís era filho do senhor Luís Pinto, dentista prático e colega de meu pai no velho DCT. Era uma inteligência viva e tinha notável senso de humor. Fazia gozação na base do improviso, aproveitando-se de eventual gafe dos colegas. Tornou-se funcionário de um banco federal. O Pedro formou-se em Direito e exerce a advocacia. O Celso, ao que me parece, era o mais velho da turma. Concentrado, focado sempre na explanação dos professores. Morava para os lados da estação ferroviária. Não tive mais notícias desse bom e aplicado colega. O Valdemar Higino tornou-se servidor do INCRA e hoje é maçom da melhor linhagem, respeitado pelos irmãos. A Jandira era filha do senhor Valdemar Cavalcante, que foi amigo de meu pai, mormente nos tempos da juventude. Graças a ela, que conseguiu um preço camarada com seu pai, como comemoração de nossa colação de grau, como se dizia na época, fomos, num dos ônibus da empresa V. Cavalcante, passar um final de semana em Fortaleza. Foi a primeira vez em que vi “os verdes mares bravios” de José de Alencar. Jovem e ainda um tanto afoito, acostumado apenas com as mansas ondinhas de nosso pequenino Açude Grande, fui “tirar onda” com o Atlântico; ao “pegar um jacaré”, imitando um banhista cearense, acostumado com as manhas das marés, fui levemente arrastado pela onda. Isso me ensinou a ser mais cauteloso, e a tentar driblar os perigos, pois, como já dizia Vinicius de Moraes, são demais os perigos desta vida. Por falar nesse grande menestrel, injustamente chamado de poetinha, vez que é um poetão, recordo que a Margarida tinha um álbum, em que anotava alguns poemas de sua predileção, sendo que um deles era um soneto da autoria desse bardo.

O Antônio Souza residia na Rua do Sol, de poético e brilhante nome, mas jogava futebol no campinho do Leopoldo Pacheco. Era também uma liderança do esporte, e organizava torneios pebolísticos. Atuei em algumas partidas por ele organizadas, a defender o time do Bartolomeu, hoje economiário, primo do amigo Zé Francisco Marques, que me recordou esse fato. O Assis Capucho, hoje neurologista respeitado em São Paulo, primo do Otaviano, também era craque desse time. O Antônio foi um dos colegas mais brilhantes que tive. Era bom em todas as disciplinas, fossem elas da área de ciências exatas, fossem da área de humanidades. Tinha uma memória elefantina, prodigiosa, e sabia de cor a escalação de vários times. E ao que parece não precisava estudar em disciplina espartana, a se martirizar em longas horas de estudo, porquanto jogava todo dia e frequentava as festas do Campo Maior Clube e do Grêmio Recreativo (e, talvez, ainda atacasse em bailes periféricos e alternativos, fora as tertúlias caseiras, então na moda).

Durante muitos anos não tive notícias dele. Localizou-me através da internet, e frequenta meu blog, com relativa assiduidade. De vez em quando, posta comentário. Recentemente, comentou no blog Bitorocara, do João de Deus Netto, dois pequenos trechos de uma matéria que escrevi sobre meus ancestrais. Eis o que ele disse: “É sempre bom ver as intervenções do meritíssimo Elmar Carvalho. Como escreve fácil. Esse dom, aliás, era notório nessa grande figura, na época em que éramos colegas de classe, no glorioso Colégio Estadual, quando tínhamos um amigo comum e também um colega de sala de aula, o Otaviano do Vale, irmão do craque Augusto César, becão de primeira dos melhores times de Campo Maior. Elmar já era um poeta, esse dom veio do berço. Hoje, se revela um grande magistrado. Eu bem que pensei em seguir o Direito, mas vi que não era minha praia, acabei 'virando' jornalista”. E o educandário, com muita justiça, acabou virando Colégio Estadual Jornada Ampliada Professor Raimundinho Andrade, em homenagem a um dos maiores homens da história recente do município. Sempre achei que o Antônio seria um engenheiro civil, pois na época do Estadual era essa a vocação que ele dizia ter. Mas os caminhos e os mistérios da vida também são demais e insondáveis. Tornou-se um notável jornalista em Cuiabá, diretor de um grande portal noticioso, e mereceu receber o título de Cidadão Matogrossense. Esse seu comentário foi postado um pouco depois de a Margarida perguntar pelos nossos colegas. Não sei se foi mera coincidência. Dizem que não existe acaso.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

LANÇAMENTO DE POEMITOS DA PARNAÍBA PELO SESC



Ocorrerá no próximo dia 19, sexta-feira, às 19 horas, no Teatro SESC Avenida, o lançamento do livro PoeMitos da Parnaíba, de Elmar Carvalho, com charges de Gervásio Castro. Haverá uma teatralização (performance) dos poemas, com o ator Fernando Meneses. Ocorrerá, ainda, uma mesa de discussão intitulada “Literatura e Oralidade: uma síntese poética dos tipos humanos da velha urbe”, com os professores Idelmar Jr. e Rossana Silva.
No período de 19/08 a 30/09/2011, no horário de 8 às 12 horas e de 14 às 18 horas, acontecerá a Exposição PoeMitos da Parnaíba – Poesia e Charge na Galeria Carlos Guido. Os dois eventos serão promovidos pelo SESC/PI.

LANÇAMENTO DE FILHOS DA MÃE GENTIL



A Livraria Entrelivros já expediu convite para o lançamento do romance Filhos da Mãe Gentil, do escritor José Ribamar Garcia, que acontecerá em espaço da loja, na Avenida Dom Severino, 1045 – Bairro de Fátima, nesta capital, no dia 20 de agosto (sábado), a partir das 19 horas. Será servido coquetel.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SEX-APPEAL



ELMAR CARVALHO

Movo até o teu
meu amoroso coração
- ânfora de lágrimas e solidão.

Teu olhar me revida
com uma impressentida carícia
referta de promessas e delícia.

Teus olhos escorregam macios
das penumbras dos cílios armados em cios
e afagam minha pele
eriçada em arrepios.

Meus anseios
desvelam tuas vestes
e revelam os empinados penedos
sedosos de teus seios,
sem medos
e sem receios,
e devassam em
tênues e tímidos acessos
os teus mais secretos
úmidos e diletos recessos.

E eu te desejo mais que tudo,
mas me contenho e me abstenho
e me deixo ficar inerte e mudo...

domingo, 14 de agosto de 2011

DIA DOS PAIS

Simão Pedro e o irmão Turuka (Arq. Netto de Deus)




LEMBRANÇA PATERNA (*)

Simão Pedro

Na rádio Bitorocara a voz do Altemar me desperta com a canção do “Meu Velho”.Inevitável a lembrança, hoje,véspera do dia dos pais.A canção me leva ao longe, despertando lembranças escondidas pelo tempo.Meu Pai, ah! Se entre nós estivesse... Lembro de dos seus sonhos, dos planos que fazia quando fosse se aposentar. Venderia a farmácia e compraria uma Cafuringa velha para a gente passear. A Cascata, nosso sítio, seria a nossa morada definitiva; levaria para lá mais duas vaquinhas pra num faltar para nós, leite mugido e qualhada. Ficava contente demais, ao ouvir os seus planos. Fechava os olhos e me via junto a ele, passeando na Cafuringa contornando o açude grande. Meu Deus eu ficava imaginando nós dois o dia inteiro naquele sítio abençoado, os mergulhos no riacho debaixo da cachoeira. Nós dois deitados numa rede de tucum, balançando sob a oca, e ele me fazendo cócegas até me matar de rir. Ouviria suas histórias e na hora do almoço, comeria junto com ele um ovinho estrelado misturado com farofa, um dos seu pratos principais.
O sonho dele, pra mim era uma certeza. Imaginava ele velhinho, e eu cuidando dele, até que Deus o levasse. Esse era o plano mais que perfeito idealizado por nós; Mas Deus tinha feito outro plano e não avisou para nós. Levou ele tão cedo, deixando em mim uma saudade que eu nunca pude matar. Tornei-me uma criança triste, tinha só sete anos, quando da sua partida. Chorei muito pelos cantos, acabrunhado, descontente, com uma raiva de Deus danada, não me conformava em perder ele tão cedo. Foi uma infância difícil, sofri muito pra aceitar, ainda hoje, confesso, a saudade me persegue, mesmo tendo a certeza que a morte não nos separa.
Velho, meu querido velho, que não vi envelhecer, nossos sonhos continuam eles não podem morrer. Outras romagens faremos, outras vidas viveremos a caminhada pra Deus é eterna. Velho, meu querido velho, agora eu entendo melhor os planos de Deus para nós, era impossível vivenciar tanto amor numa existência só.
A música ainda prossegue, são versos tristes e saudosos, relembrando os bons tempos que revivemos agora. Meu coração te abraça com a ternura de sempre, a criança frágil de ontem, meu Pai, ainda hoje te pede colo. Assim vou vivendo, ora sorrindo, ora chorando, caminhando e cantando os versos tristes do boêmio:

“... Eu vivo os dias de hoje
Em ti o passado lembra
Só a dor e o sofrimento
Tem sua história sem tempo
Velho, meu querido velho...”

Acrescento, até um dia meu Pai.



EMOÇÃO NO CIRCO


Elmar Carvalho

Para João Miguel e Elmara Cristina

Pelas mãos tenras
de meus filhos
a magia do circo me chegou.

Atropelado por emoção e saudade
meu coração foi atirado de
lado a lado
pelas piruetas de
capetas e palhaços
infiltrou-se nos malabares
e me trouxe meu pai e o circo
encantado de minha infância.

As lágrimas escorriam
e eram estrelas e vaga-lumes
que pingavam da cartola
ensopada de um mago...

A lembrança de meu pai
assomou da sombra do passado
suavemente sentou-se ao meu lado
tomou-me as mãos
as mãos de uma criança.


(*) Texto publicado, como comentário a uma matéria de minha autoria, no blog Bitorocara. Achei apropriado publicá-lo como uma homenagem ao dia dos pais.

sábado, 13 de agosto de 2011

Os intelectuais não se entendem


CUNHA E SILVA FILHO

No passado e no presente a história literária brasileira está mergulhada em intrigas, invejas, ressentimentos, vias de fato, injustiças, indiferenças e, em nível mais elevado de debate, em polêmicas. A começar das incompreensões no próprio seio dos movimentos literários ou periodizações, as dissensões se instalam com grupos novos defendendo suas propostas ou manifestos de independência no que respeita ao estilos ou estilos anteriores, o que, de alguma maneira, explica ou justifica a dinâmica interna e específica do fazer literário. Não deixa de ser um jogo ancestral entre a velha e a nova geração num período histórico considerado.
Quem chega, deseja a desestabilização do estilo anterior, como se o novo fosse sempre “superior” ou “melhor” do que o antigo. Nada mais longe da verdade. O caráter de dinamismo da escrita literária fala mais alto do que as relatividades das vanguardas. O que convém ter em mira é o sentido de modificações que instrumentalizadas pelas realidades sociais e culturais diferentes acompanhando o ritmo da História, sem vezos de alcances de perfeição e formas ideais.
Portugal e o Brasil são dois países em que a polêmica alcançou, mais naquele do que neste, considerável fortuna crítica. Em Portugal, cujas primeiras notícias datam da época dos trovadores e jograis, serve de ponto alto a polêmica conhecida como “Questão Coimbrã”, embate ácido entre o Romantismo e o Realismo, dividindo, no plano intelectual, figuras consagradas da velha geração liderada por Antônio Feliciano de Castilho(1800-1875) apoiado pelo destemido e mordacíssimo romancista Camilo Castelo Branco (1825-1890). Do outro oposto, representando as novas idéias os escritores Antero de Quental (1842-1891) e Teófilo Braga (1843-1924) procurando desqualificar o Romantismo chamado “decadente,” encarnado na produção ficcional de Camilo Castelo Branco.
No Brasil, segundo Naief Sáfadi, a polêmica não é tema tão freqüente assim, podendo-se asseverar que um dos seus capítulos mais conhecidos é aquele alusivo ao poema “A Confederação dos Tamoios” (1857), de Gonçalves de Magalhães (1811-1882) polêmica que resultou na publicação de oito cartas de José de Alencar reunidas em Cartas sobre a Confederação dos Tamoios (1860) escritas sob o pseudônimo de “Ig.” Nelas Alencar assinala como defeito na elaboração daquele poema a ausência de vigor poético e, além disso, refere à precariedade de sua maneira de conceber a figura do índio, segundo ele, artificialmente composto. Ora, o próprio Alencar foi também, por sua vez, vítima de crítica semelhante, que lhe apontavam idealizações exageradas na caracterização física e psicológica do indígena brasileiro. Em defesa de Magalhães, saíram Araújo Porto Alegre (1806-1879) e o imperador D. Pedro II (1825-1891). Defendendo Alencar esteve Pinheiro Guimarães (1832-1877)
Outras polêmicas, na década de 1880, poder-se-iam mencionar aqui. As de Carlos de Laet (1847-1927) com os portugueses Camilo Castelo Branco e Castilho e outra com Valentim Magalhães(1859-1903) sobre uma questão até sem muita relevância, a de saber (!) quem seria o melhor poeta brasileiro Gonçalves Dias (1823-1864), Castro Alves (1847-1871) ou Luís Delfino (1834-1910).
Ainda naquela mesma década, houve uma destacada polêmica entre Júlio Ribeiro (1845-1890), romancista, gramático e filólogo, famoso por sua verve cáustica em assuntos de política (Cartas sertanejas, 1885) e o Pe. Sena Freitas, a propósito do romance naturalista, A carne, zombeteiramente chamado “A carniça” pelo crítico Agripino Grieco ( 1888-1973).
Algumas outras polêmicas se tornaram suficientemente divulgadas: a de Tobias Barreto (1839-1889), em 1883, com os padres maranhenses Joaquim Albuquerque (1867-1934) e Casemiro da Cunha, sobre questões de clericalismo no meio cultural brasileiro. As polêmicas de Sílvio Romero (1851-1914) com Teófilo Braga, com José Veríssimo (1857-1916) e com o gramático Laudelino Freire (1873-1937)
Famosa ficou também a polêmica de Rui Barbosa (1849-1923) que manteve com o seu ex-professor Ernesto Carneiro Ribeiro() versando sobre a redação do Código Civil Brasileiro (1903). Em resposta às críticas de Carneiro Ribeiro, Rui escreveu a célebre Réplica à defesa da redação do Código Civil Brasileiro, 1904) que lhe valeu, da parte do opositor, uma Tréplica.
Anos depois, outras polêmicas surgiram, como aquela travada entre Cassiano Ricardo (1895-191974) e Fernando de Magalhães tendo por eixo da discussão Cecília Meireles (1901-1964) e a Academia Brasileira de Letras. Osório Borba e Menotti del Picchia (1892-1988) polemizaram sobre o tema da crítica literária brasileira, Osório desanca o regionalismo e o caráter personalista daquela crítica.
Não podemos esquecer entre outras, as polêmicas entre o Pe.. Leonel Franca (1893-1948) e José Oiticica(1882-1957). Em outra ocasião, Oiticica, que era anarquista e gramático, terçou armas com o linguista e filólogo Sílvio Elias (1913-1998).
Finalmente, para não alongar o objetivo deste artigo, que não é o de desenvolver em profundidade o tema da polêmica literária no país, lembraria a polêmica acérrima entre dois críticos de grande valor, mas de diferente tendência teórica e visão cultural : Álvaro Lins (1912-1970) e Afrânio Coutinho(1911-2000). A raiz da polêmica situa-se a partir da publicação da obra de Coutinho, A filosofa de Machado de Assis (1940). A natureza dessa polêmica tem fundamentação argumentativa nos campos da estilística e da visão crítica de autores que influenciaram a ficção machadiana. A meu ver, a diatribe, até extrapolando para o plano pessoal, foi, primeiro, provocada por um ensaio de Lins sobre aquela obra de Coutinho. A reação de Coutinho foi imediata e duríssima.
Todos esses comentários me vieram à baila após recentes leituras de duas crônicas de Ferreira Gullar publicadas na sua coluna do Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, nas quais menciona o nome de Augusto de Campos a respeito de uma afirmação deste sobre o que pensava do escritor e poeta modernista Oswald de Andrade (1890-1954). O fato se resume no seguinte: num encontro de Gullar com Augusto de Campos, no Rio de Janeiro, em 1955, na Spaghettilândia, na Cinelândia, Centro do Rio. Gullar relatou numa das crônicas acima referidas que Augusto chamara Oswald de Andrade de “irresponsável.”, julgamento que Gullar imediatamente rechaçara.
Augusto de Campos, em artigo recente publicado naquele mesmo jornal, desmentiu o que Gullar escrevera a respeito do encontro, afirmando que não houve tal encontro, mas não negou que chamara Oswald de Andrade de “irresponsável”.
Pelo que conheço de Gullar, o que a questão levanta é não só evidência de vaidade da parte que pretende ter sido quem julgou com acerto – o que não foi o caso de Augusto de Campos - e de forma antecipadora um escritor de inegável qualidade como Oswald. Ao contrário, fora Gullar quem acertara em cheio no julgamento justo e antecipado sobre a poesia de Oswald de Andrade.
Quanto a saber se Augusto de Campos, numa releitura mais cuidadosa da obra de Oswald, conseguiu que o autor de Serafim Ponte Grande (1933) fosse reconhecido como figura de relevo na poesia brasileira, isso torna as justificativas de Gullar bastante louváveis.
Agora, ao trazer à discussão a questão do encontro e da opinião negativa de Augusto para um deslocamento de assunto relacionado à dúvida sobre o valor e importância de poemas de Gullar, a história se complica e, então, não há como não tomar o partido de um poeta de alta expressão como Ferreira Gullar. Daí para diante, de um lado e de outro, os entrerveros só a custo conseguem se manter em bases educadas, uma vez que a verrina da polêmica já se instalou nos campos intelectual e pessoal, o que, no último caso, empobrece qualquer polêmica em alto nível conduzida. É uma pena que assim hajam chegado a tais divergências.

NOTAS:

1.SÁFADI, Naief. Verbete sobre “Polêmica” na literatura brasileira. In: Dicionário de literatura (direção de Jaccinto do Prado Coelho). 3 ed., 2º vol. L/S. Porto: Figueirinha, p. 838-839. Ver também o verbete “Polêmica” na literatura portuguesa. PRADO COELHO, Jacinto do. Idem, ibidem, p. 837-838.
2. Nomes de escritores cuja indicação de data de nascimento e morte não aparecem neste artigo serão incluídos posteriormente no corpo do texto logo que devidamente localizados. A ressalva vale também para os nomes de obras e datas de publicação. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A MEU PAI


ALCIONE PESSOA LIMA

Lembro quando você me disse: “contenhas tua alegria. Repense o sentimento que te contagia, seja ele amor, saudade ou vaidade, pois tudo passará um dia.
Não cante vitória antes do jogo acabar. Não queira ser amado, sem antes aprender a amar.
Toda essa fantasia te traz uma agonia e pode ser a causa de tua rebeldia.
O ouvi atento, contendo meus desejos de cabotino.
Havia ali um ser a filosofar, prosaico, quase a soluçar.
Senti a sua mão afagando-me, e suas palavras que embalavam os meus sonhos de alforria.
Descortinei a vida, a cada dia.
Descobri que a PAZ tem a sua melodia.
Da memória vêm recordações...
Lições não aproveitadas...
Mas a sua mão na minha.
E aquela voz que guia
Os meus sentimentos, e saltos do trampolim
Dão-me a certeza de que ele nunca esquecerá de mim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lançamento de Escritos Insurgentes



Os jornalistas Genu Moraes e Kenard Kruel irão lançar na próxima sexta-feira, dia 12, às 10 horas (da manhã), no Colégio Eurípides de Aguiar, o livro Eurípides de Aguiar – Escritos Insurgentes, contendo artigos do ex-prefeito de Floriano, ex-deputado estadual, ex-governador, ex-deputado federal e ex-senador Eurípides de Aguiar, líder inconteste da UDN contra a ditadura Vargas e seus interventores federais no Piauí, com anotações de Kenard Kruel e Genu Moraes, autora também da apresentação, e posfácio de Liline Aguiar.
Eurípides Clementino de Aguiar nasceu no antigo município de São José dos Matões, em 19 de janeiro de 1980, exatamente na casa onde funciona hoje a Secretaria de Planejamento e Finanças, em frente à praça central José Sarney. Eurípides de Aguiar atuou como jornalista, médico e político no vizinho Estado do Piauí. Foi prefeito de Floriano (PI) de 1913 a 1915; deputado estadual de 1915 a 1916; governador do Estado de 1916 a 1920; deputado federal de 1921 a 1924; senador da República de 1924 a 1930.
 
A obra sobre Eurípides de Aguiar está organizada em três volumes. O primeiro: Eurípides de Aguiar - A trajetória de um líder é um ensaio biográfico da sua pessoa. O segundo: Eurípides de Aguiar - Documentos reúne quatro mensagens de governo, a tese de seu doutorado "Queimados" e a defesa da acusação de mandante do assassinato do juiz federal Lucrécio Dantas Avelino, além de depoimentos e cartas de amigos. Estes dois primeiros serão lançados até o final do ano. O terceiro e último volume, que foi lançado em primeiro lugar: Eurípides de Aguiar - Escritos Insurgentes é uma obra polêmica, onde são retratados artigos escritos por Eurípides de Aguiar no jornal "O Piauí", nos quais combatia a ditadura Vargas e os interventores federais nomeados por ele no Piauí.