sexta-feira, 16 de junho de 2017

DEPOIMENTO SOBRE JOÃO ERNESTO ARARIPE

Fonte: Google

DEPOIMENTO SOBRE JOÃO ERNESTO ARARIPE

Alcenor Candeira Filho

     Nascido em Fortaleza-CE em 1941, o professor João Ernesto Araripe teve a partir dos doze anos de idade uma formação religiosa e militar: de 1953 a 1957 foi aluno do Seminário Arquidiocesano de Fortaleza e de 1960 a 1962 serviu ao CPOR, recebendo em razão de estágios feitos a patente de 2º Tenente do Exército. Ainda em Fortaleza iniciou três cursos superiores, todos na Universidade Federal do Ceará e não concluídos: Faculdade de Engenharia, Instituto de Física e Instituto de Matemática. Graduou-se finalmente em administração de empresas na Universidade Federal do Piauí/ Campus Ministro Reis Velloso.

     Em fins dos anos 60 ingressou no Banco do Brasil S.A. e casou-se com a parnaibana Nancy Pinheiro, fixando residência em Ubajara-CE e em seguida  em Parnaíba, onde começou a dar aulas de Matemática para pequenas turmas que se preparavam para concursos públicos e para vestibulares. Ali estava o embrião do cursinho preparatório para o vestibular – o Cobrão – por ele fundado em 1973 com a seguinte equipe de professores: João Ernesto Araripe (Matemática e Física), Maria da Penha Fonte e Silva (História Geral e do Brasil), Carlos Alberto Teles de Sousa (Inglês), Antônio de Pádua Barbosa Vieira (Geografia), Assis Sousa (Biologia e Química) e Alcenor Candeira Filho (Português e Literatura Brasileira).

     Em 1978 transformou o cursinho em colégio, inicialmente só com o ensino médio. Depois foram instituídos os cursos de ensino fundamental e primário, mantidos até hoje. Nessa época de formalização do colégio, João Ernesto pediu-me sugestões para o nome  da instituição. Forneci-lhe algumas, mas ele sem pestanejar me  disse que era grato pelas sugestões, mas a denominação já estava definida: Unidade Escolar Alcenor Candeira, mantido o nome de fantasia COBRÃO.

     Houve um período em que a procura por vagas nos 1º, 2º e 3º anos do curso de ensino médio do Cobrão era bem maior que a demanda. Campeão  absoluto em aprovação em vestibulares, o colégio mantinha cinco turmas para cada série e os alunos novatos submetiam-se então a testes  seletivos para ingressarem na escola.

     À época o colégio só dispunha de um prédio, no centro da cidade. As salas de aula foram erguidas ao lado da residência do diretor-proprietário, cuja esposa, Nancy,  fazia de sua casa uma extensão do colégio,  recebendo a qualquer hora alunos, que usavam à vontade a piscina e a quadra de esportes. Ali se reunia festivamente a “família Cobrão”. Que o digam os alunos daqueles inesquecíveis tempos.
     Algumas curiosidades:

     - ao longo de toda a existência do Cobrão o professor João Ernesto é sempre o primeiro a chegar ao trabalho, postando-se no portão de entrada para receber alunos, funcionários e professores;
     - à noite, na época em que faltava  energia elétrica com frequência, João Ernesto só entrava em sala de aula com vela e fósforo no bolso, usados sempre que necessário: o importante era não interromper  a aula;
     - as cadeiras da escola eram pregadas no piso e numeradas, de modo que cada aluno usava sempre a “sua” carteira, possibilitando que o professor não perdesse tempo com a tradicional “chamada”: servidor da escola é quem conferia as ausências;
     - a porta do gabinete do diretor é identificada com a placa – COMANDO;
     - Meus dois primeiros livrinhos de poesia – “Sombras entre Ruínas” (1975) e “Rosas e Pedras” (1976) foram feitos no mimeógrafo do Cobrão, com tiragem de 200 exemplares;
     - em 1957 o pai de João Ernesto recebeu uma carta do reitor do Seminário na qual  comunicava que lamentavelmente seu filho seria desligado daquela instituição por falta de vocação para a missão eclesiástica;
     - trabalhei no Cobrão de 1973 a 2005, deixando a atividade docente para exercer o cargo de secretário municipal  de educação

     O professor João Ernesto adotou na sua escola dois princípios simples: primeiro, recrutar professores nem sempre em função de titulação, como ser formado em pedagogia, ter mestrado ou doutorado, mas sim em razão do talento individual e do bom conhecimento da matéria que leciona, quer dizer, o que importa é a habilidade para transmitir aos alunos de forma clara e eficaz o conteúdo da disciplina. Nunca faltou ao professor João Ernesto a consciência de que as nossas faculdades de pedagogia muitas vezes formam professores incapazes de fazer o básico: entrar na sala de aula e ensinar a matéria, com cada aula devidamente planejada. Por isso pelo Cobrão passaram como professores médicos, advogados, economistas, administradores de empresas, engenheiros sem formação (formal) em pedagogia.

     Como declarou Eunice Durham, uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro (VEJA, 26.11.2008), “os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar. (...) O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados”.

     Segundo o professor americano Eric Hanushek (VEJA, 17.09.2008), especialista em combater com números os mitos sobre a sala de aula, “as pesquisas não deixam dúvidas: os Ph.Ds. não apenas não são necessariamente os melhores professores, como muitas vezes figuram entre os piores”.

     O outro princípio a que o professor João Ernesto sempre foi fiel é o de não permitir o absenteísmo, estranho hábito de alguns professores de não aparecer para dar aula. Ao longo de mais de 30 anos de trabalho no Cobrão, testemunhei muitas vezes, por exemplo, João Ernesto pegar o automóvel para tirar de casa o professor “sumido da sala de aula” por causa de chuva.

     Está redondamente enganado quem imagina que o interesse intelectual do professor João Ernesto é voltado apenas para as ciências exatas. Como ex-seminarista sempre teve interesse pelo latim e pelo português. De vez  em quando ele me dasafiava a estudarmos juntos a  língua de Cícero, já que sabia que eu tinha algum conhecimento desse idioma, que estudei no ginásio e no curso preparatório para a faculdade de direito, no Rio de Janeiro. Eu ria da proposta e recitava estes versos do poeta português Cesário Verde:

            “Dó da miséria!... Compaixão de mim!...
            E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
            Pede-nos esmola um homenzinho idoso,
            Meu velho professor nas aulas de latim!...”

     João Ernesto é ouvinte contumaz de música clássica, possuindo valiosa coleção de discos nessa área: Bach, Tchaikovsky, Beethoven, Ravel, Chopin, Vivaldi, Mozart e outros.

     Hoje, aos 76 anos de idade,  ainda dirige o Colégio Cobrão e dá cinco aulas por semana, dedicando-se à educação com o mesmo entusiasmo de quando era jovem.

     Ele e Nancy têm quatro filhos, todos bem encaminhados na vida, e vários netos e bisnetos. Daqui a alguns anos eles com certeza pronunciarão a célebre frase que é privilégio de poucos: “Meu neto, dê cá teu neto”.  

CONGRATULAÇÕES PELA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS

Raimundo Edilson de Moreira Nunes (Didi) e sua esposa Climene 

CONGRATULAÇÕES PELA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS

Antônio Gallas Pimentel
  

                Quando da minha posse na Academia Parnaibana de Letras, recebi muitas mensagens de congratulações de pessoas amigas, algumas pessoalmente, outras através das chamadas redes sociais, facebook, whatsapp etc, principalmente dos amigos que residem em outras cidades ou em outros estados.
            Com o advento da Internet e o aprimoramento das novas tecnologias que tornaram as comunicações mais fáceis e mais rápidas, enviar uma mensagem via whatsapp, facebook, tweeter ou e-mail é coisa fácil e, principalmente porque tornou-se um hábito entre as pessoas.
            Dentre estas mensagens de congratulações e parabéns dirigidas à minha pessoa, uma, em forma de carta, muito me sensibilizou qual me foi entregue pelo próprio signatário, meu colega, aposentado, assim como eu, do Banco do Brasil, sr. Raimundo Edilson de Moreira Nunes, conhecido popularmente como “Seu Didi”. Ei-la ipsis litteris:

            “Caro amigo e colega Gallas,

            Você acaba de ganhar mais um fã. Você e a APL.
            A solenidade/festa ocorrida no Centro de Convenções da OAB-PI – seção Parnaíba – foi simplesmente memorável, para mim, e para todos – acredito.
            Num ambiente liberal, descontraído, saudável e por mim desconhecido, foi-me imensa e grata surpresa participar, a seu convite, de evento de tal magnitude, onde pude sorver, além do espirito de camaradagem ali existente, o alto teor de intelectualidade dos integrantes da mais alta Confraria da terra de Simplício Dias.
            Pelas biografias dos novéis acadêmicos, pude aquilatar a sabedoria e a cultura de todos, expressas nas palavras dos oradores que ali se manifestaram.
            Nestas minhas palavras, quero avisá-lo, de antemão, que longe de mim está a pretensão de disputar o pedestal por você alcançado, tendo em vista duas razões:
1ª - falta-me cabedal necessário para tão ingrata concorrência;
2ª - não desejo tornar-me imortal, e ficar como “alma penada” perambulando por ai – não faz o meu gênero, procrastinando o aparecimento de outras (almas) ou o surgimento de novos talentos na cultura Parnaibana (tudo – relativamente à 2ª razão – brincadeira de minha parte, é evidente, você há de compreender).
            D’ágora em diante, permita-me amigo imortal (não colega nessa seara), transmutar-me em critico literário, e tecer alguns comentários a respeito de suas obras “Eulália” e “La Belle D’jour”, compostas no magnifico e reconhecido internacionalmente estilo do nosso famoso Jorge Amado, que tão bem retratam o povo brasileiro, e particularmente o nordestino, com seu linguajar intimista, coloquial e cheio de sensualidade, igual ao seu – sucinto, porém completo, nos contos que li na manhã seguinte ao evento. “La Belle D’jour” – As estripulias de seu sobrinho (Prodamor ou Prodomor? – penso que personagem fictícia, não?), são semelhantes (não com o mesmo desfecho trágico) as por mim praticadas.
            A história: em Floriano (minha terra) ao lado do colégio onde estudava, havia uma pensão na qual moças do interior (mais do maranhão e todas bonitas e novas) se hospedavam para frequentar os estudos naquele educandário. Descobrimos, eu e o filho do diretor e proprietário do colégio, que do alto da caixa-d’água do prédio podíamos ter uma visão (deslumbrante) das garotas tomando banho (por certo que inteiramente peladinhas). Tínhamos uma visão, repito, como se vê, privilegiada, cinematográfica – ao vivo. Na qualidade de filho, meu companheiro de aventura facilmente “roubava” as chaves do imóvel para a nossa invasão ocular tão esperada aos finais de semana, longe da vigilância dos “velhos”, e desfrute nosso um pouco perigoso, pois a escada para atingir o alto (de madeira) balançava muito, e uma queda poderia ser fatal. Mas valia o risco, não acha você?

            Se o desfecho não foi tão traumático quanto o do seu sobrinho, o efeito foi inapagável na minha memória (dói até hoje), pois, descoberta a estripulia, o sr. Diretor que também era Promotor de Justiça (íntegro e justo) exarou o seguinte veredicto: “mocinho”(era assim que ele se dirigia a todos os seus alunos), eu pensava que o sr. era direito.
            Lá se foi o meu conceito de bom aluno, não só por culpa do filho do dono do colégio mas, e principalmente, dos hormônios, dos sonhos eróticos e do despertar da paixão carnal da juventude. Milagre; mas o seu relato fez ressurgir a libido e o tesão de um velho (melhor, idoso) de 75 anos. Na realidade, sou um cara novo... Minha certidão de nascimento é que é velha.
            “Eulália - descrição mais que perfeita para uma “ZBM”, ambiente tão do meu conhecimento e frequência, nos velhos tempos – bem entendido.
            La na minha Floriano tinha “Os Lajeiros” (da alta) e o “Pau num cessa” (dos lascados). A semelhança era total (já não existem mais) com a sua “Boate Bela Vista”. Por lá no “Pau num cessa” (de 2ª é claro) deparei-me numa noite com uma negra escultural (é o termo correto), de cuja beleza jamais esqueci e, ao adentrar o seu cubículo (e era mesmo), tive uma visão do que era o belo – simples, a porta era uma empanada de fios de plástico (não tinha, portanto, fechadura), iluminação era um tosca lamparina. Pode crer. A condição financeira não me permitia melhor escolha. Para tomar coragem tomavam-se duas ou três talagadas de cachaça (veja que o gosto/preferência já é antigo) tendo como tira-gosto, apenas, uma porção de paçoca, por sinal, mixuruca, vendida na calçada. Grana para a cerveja era miragem.
            Desculpe-me a repetição dos temas. Não foi plágio, todavia, por tudo, meus agradecimentos pelo honroso convite (para o casamento!?).
            Valeu por inteiro, notadamente pela ausência de vaidade ou ostentação.
            Gosto das coisas simples e autênticas.
            Um abração do admirador – Didi / maio / 2017 – PHB”.  

            Agradeço ao amigo e colega Didi pelas palavras elogiosas registradas em sua missiva, assim como agradeço também a todos quanto compareceram à nossa festa (minha, do Breno, do dr. Cajubá e do Padinha e da Academia) e se manifestaram acerca do evento. O negrito convite para o casamento!? Foi feito por mim, e explico: encontro-me com o colega Didi na parte interna da agência centro do Banco do Brasil e disse-lhe, em tom de brincadeira “vou mandar-lhe um convite para o meu casamento” em vez de dizer-lhe que seria o convite para a posse na APAL.


            Valeu amigo. Suas palavras me envaidecem e me estimulam a cada vez mais procurar aprimorar meu trabalho literário e jornalístico, norteado pelo senso da responsabilidade e da ética, princípios básicos para o exercício da cidadania em qualquer atividade do ser humano.      

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sociedades de Amigos da Marinha promovem encontro regional em Parnaíba.


Sociedades de Amigos da Marinha promovem encontro regional em Parnaíba.

A Sociedade de Amigos da Marinha do Piauí promove entre os dias 21 e 24 de junho em Parnaíba o Encontro das Soamar Região Norte quando será realizada uma vasta programação com a presença de associados e autoridades civis e militares. A chegada das delegações em avião da Força Aérea Brasileira tem início a partir das 10h no Aeroporto Internacional Prefeito João Silva Filho, bairro Catanduvas, na zona leste.

Na quinta-feira, dia 22, a programação tem início com um almoço no Restaurante La Barca, para presidentes e soamarinos visitantes seguido de um city tour. À noite na Câmara Municipal de Parnaíba será realizada a entrega da Medalha do Mérito Legislativo e título de cidadão parnaibano ao vice-almirante Alípio Jorge Rodrigues da Silva, comandante do 4° Distrito Naval em Belém seguido de jantar no restaurante Mangata, na avenida São Sebastião.

A programação do encontro tem prosseguimento na sexta-feira dia 23 às 9h com uma palestra do vice-almirante Alípio Jorge Rodrigues da Silva, comandante do 4° Distrito Naval e às 10h outra palestra, dessa vez com o comandante do 9° Distrito Naval, vice-almirante Luís Antonio Rodrigues Hecht. Ainda pela manhã o diretor do CCSM, contra-almirante Flávio Augusto Viana Rocha, profere uma palestra antes de serem encerrados os trabalhos técnicos do dia.

No final da tarde da sexta-feira, dia 23 os soamarinos visitam o complexo da Usina Eólica da Pedra do Sal, na Ilha Grande de Santa Isabel. À noite as delegações se confraternizam em um jantar no Andrea’s Buffet tendo como atrações regionais o Grupo de Danças Luiz Filho e o grupo folclórico Rei do Cangaço. No sábado, dia 24, último dia do encontro, os soamarinos participam de um passeio ao Delta do Parnaíba a partir das 8h, seguido de almoço no Restaurante Marina do Delta, porto dos Tatus. Entre as 14h e as 20h será a partida das delegações.

Fonte: APM Notícias/Pádua Marques.

Foto: arquivo SOAMAR.



terça-feira, 13 de junho de 2017

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

        
Fonte: Google
          
          NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

          Valério Chaves – Des. inativo do TJPI
  
                            O poeta é um fingidor
                            Finge tão completamente
                            Que chega a fingir que é dor
                            A dor que deveras sente 
                               ( Fernando Pessoa)

A língua portuguesa como expressão cultural, é induvidosamente um dos monumentos literários dos mais belos da Humanidade e que mais de perto sonda o mais terno dos sentimentos humanos: o Amor.

No dia dos namorados (12 de junho) muitas especulações e declarações serão feitas sobre o amor, porém nenhuma delas poderá dizer o que esse sentimento essencialmente representa na vida de cada um de nós.

Cada pessoa, cada poeta e cada romancista tem uma definição própria e descrevem sugerindo seu entendimento conforme lhe parece mais adequado.

Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, em seu poema “Os ombros suportam o mundo” (do livro “Sentimento do mundo”, 1940), mostra sua forma peculiar de ver o mundo e o amor quando escreveu ”que não seria o cantor de uma mulher” pois não cantaria amores que não tinha e que, quando teve, nunca os celebrou.

O amor drummondiano, como se pode perceber, é trágico e insatisfeito, não tem rumo certo ou ponto de chegada, mas é inevitável e ambivalente.

Contrariamente ao que escreveu em o “Sentimento do mundo” Drummond no poema “Não deixe o amor passar”, com sua incrível sensibilidade certamente dirigindo-se aos namorados, refere-se a esse sentimento como sendo um presente mandado por Deus, dizendo:

“Se o toque dos lábios forem intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo  mágico entre vocês. Se o primeiro e último  pensamento do seu dia for esta pessoa, se a vontade de ficar juntos chega a despertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor. Por isso, preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O Amor”.

Sigmund Freud (1856-1939), por sua vez, em suas contribuições à psicanálise do amor diz em seu texto que é fonte de alegria, mas é também premissa de nossos sofrimentos: quanto mais se ama mais se é feliz, mas quanto mais se ama mais se sofre.

Ainda de Drummond no poema” Amor Natural”, ele termina com estes versos eróticos:

           “Quantas vezes morremos um no outro
           No úmido subterrâneo da vagina
           Nesse amor mais suave do que o sono:
           A pausa dos sentidos, satisfeita,
           Então a paz se instaura
           A paz dos Deuses,
           estendidos na cama, qual estátuas
           Vestidas de suor, agradecendo
           O que a um deus acrescenta o amor terrestre”.   

domingo, 11 de junho de 2017

Link de minha entrevista no Sarau 16

Veja o link abaixo com minha entrevista no Sarau 16

https://www.youtube.com/watch?v=ei0IQTfT8ck


Seleta Piauiense - Danilo Melo

Fonte: Google

Náuseas

Danilo Melo (1965)

Saltitante entre as marquises
O desespero revelado de cada dia
Aqui jaz a substância humana
Armazenada em programas de computador
E a carne meus amigos,

A carne finge que é bela.
Crônicas do massacre urbano e livre
O amor enlatado e vendido com etiquetas de 1a qualidade
Aqui descreve-se a moral do ocidente escrita em boas maneiras.

Promíscua continua a poesia procurando a existência
Deserto é o coração, o homem permanece cheio
  
                Todo o cosmo ri de mim quando faço poemas
                minha linguagem é de um mundo atrasado
                Preocupado eternamente com a morte, em vez da vida.

Sente-se fome de si, e náusea.  

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Reforma política fora de época


Reforma política fora de época

Pádua Marques

Na atual conjuntura, para usar uma expressão bem antiga, dos tempos de Jango, a tão propalada reforma política proposta pelo governo e defendida por uma grande maioria de parlamentares, passa mais uma vez à opinião pública como uma reforma oportunista e que na verdade não deve ter efeito nenhum. O atual momento político brasileiro, sem precedentes em escândalos de toda ordem e que não livra dos holofotes nem mesmo o presidente Temer, configura muita cautela.

Há dois anos ninguém que faz parte do governo ou está fora dele poderia imaginar que os escândalos de natureza da compra de apoio político alcançariam esta monta atual.  São milhões e bilhões de reais sendo utilizados por empresas para compra de licitações e favorecimentos em negócios. Muito dinheiro sendo utilizado para compra de silêncio de ministros, assessores, deputados e senadores, acobertamento de maus procedimentos, negócios escusos com bancos oficiais.

Esta ideia de reforma política defendida por uma parcela da classe política com este Congresso Nacional ou boa parte de seus membros sendo investigados não justifica uma tomada de tempo e de paciência. Os senadores e deputados federais, se dado início ao tal e tão esperado documento da reforma, estariam certamente legitimando muitos desvios de conduta dentro de um processo que vai por um bom tempo servir de baliza para a vida institucional do País.

Uma reforma política agora, proposta neste exato momento não soa bem. A mesma ideia que ouvimos recente de uma nova constituinte. Nossa Constituição é de 1988. Ano que vem comemora seus trinta anos. De lá para cá recebeu incontáveis emendas. O que se verifica no Congresso Nacional é a necessidade de, a partir do eleitor, haver mais esclarecimentos sobre o perfil de nossos parlamentares. Enquanto estivermos mandando para Brasília e para as assembleias legislativas o que há de pior dos políticos vamos ficar necessitando fazer reformas a toda hora.

Teremos eleições no ano que vem. Uma reforma política agora, feita às pressas e a olhos vistos com a única intenção desviar a atenção da opinião pública, de favorecer, acobertar, beneficiar situações, partidos, elementos e criar na população a ideia de que há um trabalho sendo realizado para melhorar as ações do governo é altamente falsa. Assim como as pretensas reformas da previdência social e trabalhista, esta tão querida reforma política não tem sentido numa hora de convulsão da governabilidade.


Enquanto isso muitas prefeituras estão fazendo o dever de casa mesmo com a escassez de recursos e as mais variadas limitações. Naqueles municípios onde os prefeitos foram reeleitos certamente se fizeram aos olhos da população uma boa administração, parabéns, continuem. Continuem fazendo por onde merecer a confiança do eleitorado. Mas naquelas prefeituras onde os prefeitos foram derrotados e que agora são da oposição, paciência. Deixem que os vencedores e atuais ocupantes recuperem o tempo e o dinheiro perdido em manter a máquina funcionando. Neste momento o que menos importa, interessa é reforma política. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Expedição (espacial e histórica) ao Igaraçu





Expedição (espacial e histórica) ao Igaraçu

Elmar Carvalho

No dia 13 de maio, novamente naveguei o Velho Monge a bordo do indômito Tremembé. Saímos, por volta das onze horas da manhã, do Sítio Filomena, na Várzea do Simão, em direção à barra ou boca do Igaraçu. Natim Freitas era o comandante, coadjuvado pelo imediato Carlos Eduardo Coutinho, tendo como grumete ou recruta 000 este que escreve estas mal traçadas linhas.

Ao passar pela estação de captação e tratamento d’água de Parnaíba não pude deixar de evocar as várias pescarias de que participei, em suas imediações, na minha já distante juventude do final dos anos 1970. Pescar, pescar já seria uma estória de pescador, porque na verdade eu apenas tomava banho e umas boas talagadas de pinga.

Depois, comia uma caldeirada feita com os mais diferentes tipos de peixes, dos mais diversos formatos e tamanhos, pescados na hora pela tarrafa de hábil pescador que nos acompanhava. Quase sempre participavam da pescaria o Canindé Correia, o Vicente Potência de Paula, eu e outros eventuais convidados. De volta para casa, lavávamos o peritônio com uma cerveja bem gelada no bar do Careca, localizado na estrada do Rosápolis.

Cerca de um quilômetro após, encontramos a embocadura do Igaraçu. Era o nosso destino e meta. Contudo, resolvemos adentrar esse rio, que na verdade é uma espécie de braço do Parnaíba, como adiante explicarei. Fomos até aproximadamente dois mil metros em direção à cidade de Parnaíba, margeando a estrada que se dirige ao Céu, de nome tão bem-posto, por ser um local de paradisíaca beleza.

Vimos belas e frondosas árvores que ornam a mata ciliar, nem sempre bem conservada. Todavia, causou-nos pena constatar que, mesmo antes do término da estação chuvosa, o outrora grande rio dos tapuias já estivesse em estado deplorável; pois, embora o Tremembé seja um casco de pequeno calado, ainda assim roçava o fundo em bancos de areia, o que nos forçava tê-lo de rebocar durante pequenos trechos.

O Igaraçu, ao que tudo indica, era apenas um pequeno riacho ou Igarapé, nascido na região de Rosápolis. Creio fosse apenas um pequeno braço do Parnaíba. Leiamos o que diz Cláudio Bastos, no seu importante Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí: “Resolução provincial nº 244, de 30-8-1849, autoriza a abertura de seu canal com a finalidade de aproximar o porto da cidade de Parnaíba do litoral e atrair navios de curso marítimo. Uma tentativa de abertura foi feita por Evaristo da Silva Meneses, em 1853, que a retoma no ano seguinte. Em 1856 o 1º tte. engº Alfredo de Barros e Vasconcelos, encarregado das obras públicas da província, é enviado a Parnaíba para verificar o andamento dos trabalhos.” Desconheço o resultado prático dessa verificação e se o engenheiro produziu algum relatório a respeito. Tampouco sei se ainda existem vestígios da tentativa de Evaristo.

A ideia de se construir esse canal, que jogaria maior volume d’água no Igaraçu, foi retomada na primeira metade do século XX pela Associação Comercial de Parnaíba, tendo como um dos principais líderes o grande capitão de indústria José de Moraes Correia, seu presidente.  O canal de São José foi construído e isso revitalizou a navegabilidade, seja em direção a Amarração, seja com destino ao porto de Tutoia – MA.

Creio seja lógico supor que, mesmo com a influência das marés, o volume d’água do Igaraçu no século XIX não permitisse a navegação de grandes embarcações. Portanto, suponho que os navios de Domingos e Simplício Dias da Silva devessem ficar fundeados em Tutoia ou em Amarração, hoje Luís Correia. As mercadorias seriam conduzidas até esses navios em embarcações menores, de pequeno calado. Ou, então, os navios não seriam propriamente navios. Mas, como já deixei bem claro, estou apenas levantando hipóteses. Deixo que os historiadores lancem luzes sobre esse assunto.


Feita essa viagem na história, retomo o meu pequenino e ousado Tremembé, faço a curva e me dirijo ao porto de origem, que será também o final. Não sem antes uma parada logística na churrascaria do Conrado, para uma rápida libação e degustação, como coroamento de nossa aventura fluvial. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

AS MAIORES TRAIÇÕES DA HISTÓRIA

Fonte: Google

AS MAIORES TRAIÇÕES DA HISTÓRIA

Valério Chaves Pinto – Des. inativo do TJPI

A história da existência do homem, desde tempos remotos, está recheada de exemplos de pessoas que apesar de aparentemente confiáveis, se tornaram capazes de trair e prejudicar os melhores amigos, um partido, uma ideologia  e a pátria como forma de obter privilégios ou informações sobre um fato tido como criminoso.

No curso da história do mundo muitas batalhas e guerras foram vencidas não só pela coragem de seus líderes, mas por influência de espiões e traidores épicos que passaram para a história.

Nestes tempos de crises em que muito se discute os valores sociais à luz da ética e da moral relacionados à prática de crimes de corrupção descobertos através da chamada delação premiada, instituída por vários diplomas legais existentes no ordenamento jurídico brasileiro, impossível não citar exemplos de grandes traições que causaram consequências desastrosas para a história da humanidade à custa de recompensas aparentemente desprezíveis.

Mas nem sempre a traição de falsos amigos deu bons resultados.

Alguns episódios tiveram desfecho trágico e entraram para a história tamanha a traição de seus protagonistas, como foi o caso de Judas Escariotes que, mesmo sendo um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo, virou sinônimo de traição depois que beijou e entregou o Filho de Deus aos soldados romanos, recebendo como recompensa 30 moedas de prata.

Outro relato contido no Evangelho do Novo Testamento diz respeito a negação de Pedro perante o Senhor. Confirmando a profecia feita durante a Última Ceia, o apóstolo Pedro querendo se livrar da imaginada agressão dos guardas, por três vezes negou sua associação com Jesus (João, 18:17).  “Em verdade te digo que esta noite, antes de cantar o galo, três vezes me negarás” (Mateus, 26:33-35).

Por esses relatos bíblicos, ver-se que dois apóstolos de Cristo, apesar de terem tido destinos diferentes, cometeram o mesmo erro contra a mesma pessoa (Cristo).  Pedro, que traiu por medo, tornou-se um dos principais líderes da Igreja Primitiva. Judas, que traiu por ambição, foi capaz de suicidar-se por arrependimento.

Quarenta e quatro anos antes da era cristã, o aristocrático romano Marcus Junius Brutus participou do mais conhecido atentado político da Antiguidade. Na ganância de governar a República Romana, colocou em prática um plano para matar Julio César, tornando-se assim no mais famoso traidor da história. Uma conspiração integrada por ele e mais 60 senadores do Império Romano, culminou no assassinato do então ditador e imperador Caio Julio César, golpeado pelas costas com 23 facadas.

Na época do Brasil Colônia, século XVII, Domingos Fernandes Calabar, por ambição de alguma recompensa ou melhorar de fortuna, traiu os colonizadores portugueses ao compactuasse-se com invasores holandeses na conquista de terras no Nordeste brasileiro, tornando-se um dos primeiros traidores da história do país. Depois de preso como desertou covarde, foi punido com a morte.

Em 1792, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, movido por ganância, rompeu compromisso de lealdade aos companheiros inconfidentes, e mediante promessa de nomeações de parentes, uma pensão vitalícia do governo português e perdão de suas vultosas dívidas com a Coroa, delatou todos os planos da Inconfidência Mineira, levando o mártir Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, à forca e ao esquartejamento.

No Livro Quinto das Ordenações Filipinas, promulgadas no começo do século XVII incentivando a traição nos crimes de lesa-majestade, encontra-se a verdadeira origem da traição (modernamente chamada de delação premiada), que previa não só o mero perdão, mas também um prêmio ao indivíduo que apontasse o culpado (Títulos VI e CXVI).

Na sua obra imortal “Dei delitti e delle pene”, publicada no século XVIII, Cesare Beccaria, no capítulo destinado ao estudo das “Acusações  Secretas”, expõe sua opinião contrária aos Tribunais que ofertam impunidade a delatores e traidores cúmplices no processo de um grave delito.

Na peça “Otelo”, o Mouro de Veneza, de William Shakespeare, (que sempre explorava a traição em suas peças) Desdêmona, esposa de Otelo, perdeu a vida por causa da traição de Iago. Este, sentindo-se injustiçado pelo seu comandante com a nomeação de outro para o posto de tenente, decide se vingar. Então, disse para o general Otelo que sua mulher Desdêmona o traiu. Dominado pelo ciúme, o general mata a esposa. Após saber que tudo não passava de uma mentira de seu alferes Iago, suicida-se.

Nota-se, por fim, que a traição, o medo e a ambição, independentemente do tempo ou posição social de seus protagonistas, fazem parte das virtudes e imperfeições humanas como forças incontidas e inevitáveis que nunca compensarão os prejuízos causados à alma traidora.     

terça-feira, 6 de junho de 2017

DEPOIMENTO SOBRE BENEDICTO JONAS E FRANCISCO DE CANINDÉ CORREIA

Canindé Correia, Elmar e Jonas Fontenele de Carvalho
Fonte: Google



DEPOIMENTO SOBRE BENEDICTO JONAS E FRANCISCO DE CANINDÉ CORREIA

Alcenor Candeira Filho

     Tanto na Academia Parnaibana de Letras-APAL quanto no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba-IHGGP, escolhi como Patrono das cadeiras que ocupo Benedicto Jonas Correia, grande professor de Português e de História do Brasil.

     Por que não Benedicto Correia – de quem não fui aluno – numa das cadeiras e o professor José Rodrigues  e Silva – de quem fui aluno durante os cursos ginasial e científico – na outra? Ou ainda um dos dois outros  expoentes do ensino  na cidade, pertencentes à mesma geração – professores João Batista Campos ou Monsenhor Antônio Monteiro de Sampaio?  E o professor Edson da Paz Cunha, um dos fundadores da Academia Piauiense de Letras? Explico: esses  quatro grandes mestres de Língua Portuguesa já estavam homenageados pelos acadêmicos fundadores: João Batista Campos como Patrono da Cadeira nº 17, ocupada por Francisco de Assis Almeida Brasil;  o Monsenhor Sampaio como 1º Ocupante da Cadeira nº 07, que tem como Patrono o Monsenhor Roberto Lopes Ribeiro, e Edson da Paz Cunha como Patrono da Cadeira nº 02, cujo 1º Ocupante é  João Nonon de Moura Fontes Ibiapina. O professor José Rodrigues, por sua vez,  foi convidado na época da criação da Academia para integrar seus quadros na qualidade de membro fundador, tendo declinado do convite.

     Aliás, no discurso que proferi na solenidade comemorativa de nascimento de Benedicto Correia, em 2006, fiz  comentários sobre esses quatro mestres.

     Concluído o curso primário na terra natal, Benedicto Correia foi para Fortaleza-CE, onde estudou no Instituto Miguel Borges e no Colégio Militar do Ceará, transferindo-se para o Colégio Militar do Rio de Janeiro.

     Quando  ingressou na Sociedade Parnaibana de Expansão Cultural, 1948, o jornalista Raimundo Ferraz Filho fez o discurso de recepção, do qual transcrevo o seguinte trecho:

“Quando ainda fazendo o curso do Colégio Militar, Benedicto Jonas Correia era um dos diretores da Sociedade Literária e Científica e redator da revista daquele Educandário, A ASPIRAÇÃO. A sua ausência do Colégio Militar não constituiu, porém, motivo para que a sua colaboração fosse suspensa e por  isso as páginas daquela importante revista continuaram acolhendo as magníficas produções do seu assíduo colaborador”.

          Em 1945,  Benedicto Correia escreveu e publicou, em parceria com Benedicto dos Santos Lima,  O LIVRO DO CENTENÁRIO DE PARNA[ÍBA, importante documentário que compreende estudos históricos, corográficos, estatísticos e sociais do município, no período de 1844 a  1944.

     Ao longo da vida Benedicto Correia cultivou os nobres sentimentos de patriotismo e de profundo amor à terra natal, com participação ativa em várias campanhas cívicas. Lembrarei uma: “Campanha Pró-Manutenção do Nome da Cidade. 

     Em 1943, o nome da cidade amada – Parnaíba – foi substituído por outro: - Poti. Motivo: em São Paulo havia um município homônimo e mais antigo que o nosso. Os parnaibanos não se conformaram e constituíram uma Comissão, integrada por dez membros, para conduzir a campanha pela preservação do nome da cidade. Benedicto Correia foi um deles.  Campanha vitoriosa, ficando a cidade paulista com a denominação de Santana do Parnaíba, livrando-se os parnaibanos de serem chamados de potienses. Aliás, no  terceiro poema da série NOMES, inserido no meu livro PARNAÍBA: MEU UNIVERSO,  refiro-me a esse episódio: “na década de 1940/ os parnaibanos/ quase fomos transformados/ por paulistas/ de Santana do Parnaíba/ com o aval/ da ditadura Vargas/ em potienses/ como se nascidos/ em Poti (ex-Parnaíba)/ e portanto/ na exata/ pronúncia nossa/ filhos da puta/  seríamos/ - não fora/ a firme/ forte/ frente/ formada/ por valorosos/ conterrâneos/ hoje mortos/ que na caneta/ e na voz/ e com a história/ na memória/ mantiveram/o nome/  consagrado/ e imutável/ da invicta Parnaíba.”

     Em 1979, já bastante doente e a poucos meses do falecimento, o professor e jornalista Benedicto Correia indignou-se , a exemplo do povo em geral, com o triste episódio da destruição da praça da Graça, durante a gestão do prefeito João Batista Ferreira da Silva, e encontrou força e coragem para redigir o Editorial intitulado – “31 de Agosto: Do Povo Parnaibano ao Povo Parnaibano” -, publicado em Caderno Especial do Jornal INOVAÇÃO, edição de setembro daquele ano, e transcrito no meu livro ASPECTOS DA LITERATURA PIAUIENSE. O artigo foi escrito para exaltar a coragem cívica dos parnaibanos, que, na noite de 31 de agosto de 1979, revoltados com a destruição da praça da Graça, incendiaram os tapumes que ocultavam  os escombros, os entulhos, os destroços do nosso mais importante logradouro público.

     Em Parnaíba, Benedicto Correia teve ainda destacada atuação no exercício de funções executivas, tanto no setor público quanto no privado.

     Na administração do dr. Mirocles de Campos Veras foi secretário municipal, em cujas funções deu especial atenção à interiorização do ensino primário (com destaque para a criação do Grupo Escolar de Morros da Mariana, a primeira escola do povoado) e à  criação em 1942 da Biblioteca Pública Municipal, que  leva o nome desse grande médico e administrador, organizada e estruturada pelo secretário do município, que adotou, de acordo com as instruções do Instituto Nacional do Livro, o Sistema de Classificação Decimal Dewey, então o mais difundido e  conhecido como classificação universal.

     Foi ainda o primeiro superintendente do Departamento Regional do Serviço Social da Indústria – SESI,  a partir de 1955 até a aposentadoria nos anos 70, realizando uma gestão pautada na competência, no trabalho e na probidade.

     Descendente da tradicional família Moraes Correia, Benedicto Correia é filho do coronel Jonas de Moraes Correia e de dona Maria Firmina Ramos Correia, tendo nascido em 1906 em Parnaíba, onde faleceu em 1980. Esposa: Berenice Correia, com quem teve quatro filhos: Paulo, Maria Aparecida, Teresa de Jesus e Francisco de Canindé Correia, de quem passo a falar agora.

     Na infância e na adolescência não tive convivência com  Canindé  apesar de morarmos em Parnaíba.

     Tornei-me seu amigo no Rio  de Janeiro, onde ele fazia o curso de ciências econômicas e eu o de direito e chegamos a fazer com outros parnaibanos algumas edições do jornaleco mimeografado O LINGUINHA, considerado o primeiro jornal marginal do Piauí e que viria a ser tema de uma monografia de conclusão de curso de Licenciatura Plena em História, apresentada pela professora Camila da Silva Miranda à Universidade Estadual do Estado do Piauí/ Campus Professor Alexandre Alves de Oliveira, em Parnaíba, sob a orientação do professor M.s. Idelmar Gomes Cavalcante Júnior, com o título POR UMA QUESTÃO DE (DES)ORDEM: A EMERGÊCIA DA IMPRENSA ALTERNATIVA NO PIAUÍ A PARTIR DO JORNAL LINGUINHA.  O jornaleco, fundado em Parnaíba em fins de 1971 estampava como epígrafe esta quadrinha de minha autoria:

                              “O LINGUINHA é um jornal
                              que talvez não valha nada,
                              mas em tudo o que vai mal,
                              quando pode, dá porrada.”

     O gosto pelo jornalismo alternativo levou-o a escrever para o jornal INOVAÇÃO, fundado em Parnaíba em 1977 por Francisco José Ribeiro e Reginaldo Costa, que durante as comemorações do 7º aniversário de fundação do jornal declarou :

       “Num plano mais amplo, direcionamos nossos olhos para o povo, para os marginalizados que vegetam na periferia da cidade, apesar de pagarem impostos de toda natureza. A visão dessa situação nos estimulou a editar um jornal mimeografado, desvinculado de qualquer força que viesse a nos amordaçar. Hoje, por uma feliz coincidência,INOVAÇÃO entra no 8º ano de existência, de luta ininterrupta. Em nome do grupo INOVAÇÃO gostaria de homenagear aqueles que se empenharam, no início, para que a ideia frutificasse. Destacaria Canindé Correia, Ednólia Fontenele, Olavo Rebelo, Ana Alice, Airton Meneses, Franzé Ribeiro, entre outros”.

     Durante os  dez anos de existência o INOVAÇÃO, que reputo o mais importante e o mais duradouro jornal alternativo do Piauí, cumpriu corajosamente a sua destinação, denunciando mazelas e falcatruas administrativas na cidade de Parnaíba, além de divulgar a poesia, a música e o teatro da terra e colocar-se permanentemente ao lado dos fracos e oprimidos.

     Segundo o poeta Elmar Carvalho, que teve  ativa atuação no MOVIMENTO SOCIAL E CULTURAL INOVAÇÃO, “se alguém algum dia, escrever um ensaio isento e imparcial sobre a cultura parnaibana não poderá olvidar, jamais, o jornal INOVAÇÃO.

     INOVAÇÃO é, atualmente  para algumas pessoas de Parnaíba, um jornal maldito. E incômodo, muito incômodo. Mas vale ressaltar que não obstante isso, ou exatamente por isso, é mais vendável e discutido que a ‘grande’ imprensa de Parnaíba. Creio que em virtude de sua independência, de sua coerência para com a verdade, e de sua não omissão diante de fatos injustos e nocivos à comunidade” (JORNAL DA MANHÃ, Teresina, edição de 28.08.1983).

     Por sua vinculação com o INOVAÇÃO e posições políticas de esquerda, Canindé é taxado por seus desafetos de comunista, o que não corresponde à verdade. Socialista convicto sim; comunista, nunca.

     A principais funções que exerceu foram: superintendente do SESI-PI e secretário municipal de educação na primeira administração do prefeito José Hamilton Furtado Castelo Beanco (1993-1996).
     No período em que foi secretário de educação foram muitas as realizações, destacando-se a construção do CAIC - Escola Municipal Professora Albertina Furtado Castelo Branco e a grande ampliação da Escola Roland Jacob, justamente as duas maiores escolas da rede pública municipal.

     Até hoje não conheci uma pessoa mais desprovida de ambições materiais e de vaidade do que ele. Quando sondado para integrar a Academia Parnaibana de Letras agradeceu a lembrança, mas ponderou que não poderia concorrer porque não era autor de um livro, argumento frágil se se considerar que poderia sanar o óbice com a reunião em livro dos principais textos que escreveu em jornais e dos pronunciamentos  feitos como secretário da educação e superintendente do SESI. Outro exemplo:  presenciei na minha residência Canindé recusar convite feito por José Hamilton Castelo Branco na sua terceira administração para que assumisse importante cargo na Prefeitura. Justificativa para a recusa: já aposentado queria dedicar-se apenas à esposa Tânia Maria (minha irmã), às filhas Ivana e Maria de Fátima e aos netos Jonas e Felipe. Na época não tinham nascido ainda Gabriel e Maria Eduarda.

     Não obstante as considerações acima, Canindé compõe surpreendentemente o quadro de sócios efetivos do Instituro Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba (cadeira nº 13). Será que o colocaram lá sem consultá-lo?

     Desde que nos tornamos amigos houve até hoje apenas uma divergência entre nós: ele é obcecado pelo Fluminense; eu, pelo Flamengo. E segundo o genial  dramaturgo e tricolor  Nélson Rodrigues  “o Fla-Flu (único clássico do futebol brasileiro a merecer a honraria de patrimônio imaterial do Rio de Janeiro) não tem começo. O Fla-Flu não tem fim”.       

segunda-feira, 5 de junho de 2017

GENEALOGIA DO SERTÃO


GENEALOGIA DO SERTÃO

Herculano Moraes
Da Academia Piauiense de Letras

Aos poucos, através de pesquisas confiáveis e percuciente trabalho investigativo, Reginaldo Miranda alarga as fronteiras dos seus estudos e já se afirma como o mais completo historiador deste milênio.

Iniciou timidamente investigando fatos da vida municipal de algumas cidades, como Bertolínia e Regeneração, ampliou para o conhecimento da realidade indigenista, avançou para o conhecimento de fatos, episódios, família e eventos, revelando passagens e acontecimentos pouco conhecidos do grande público, em cujas análises e desenvolvimento impôs um estilo singular, direto e objetivo, propondo ao leitor um reencontro com suas raízes. Em todas as situações, o traço fundamental é a fonte primária da história, num exaustivo trabalho de investigação do fato histórico.

De repente, o historiador viu-se às voltas com a genealogia regional. Famílias importantes e tradicionais, cujo parentesco estava disperso por falta de catalogação científica, puderam estabelecer seus vínculos, reencontrando suas próprias raízes, retirando do baú nomes, fatos, episódios e eventos.

Como nos afirma Lucídio Freitas, antes de nós muitos por aqui passaram, cada qual cumprindo seu desiderato, construindo, reconstruindo, preservando, num incessante trabalho de restauração genealógica.

O fio do novelo estende-se ao destino do escritor. Reginaldo Miranda é o escolhido, entre outros, para o resgate da memória familiar de sucessivas gerações.

O escritor que reavivou a memória do tempo, trazendo a saga indígena de nações que cruzaram estas planícies e de aldeias saqueadas, violentadas e destruídas, pela crueldade do conquistador, o escritor que exumou dos túmulos do esquecimento pessoas, fatos e episódios daqueles que construíram o Piauí dos nossos dias; governantes, governados, súditos e auxiliares; o escritor que se revela preocupado em mostrar o que fomos, o que somos e o que desejamos ser, retorna ao gabinete de leitura com esta surpreendente genealogia do sertão.

Um brasileiro ousado, Edgardo Pires Ferreira, levantou as raízes de várias famílias que constituem nossa história humana, provavelmente o mais completo estudo genealógico no Brasil – A MÍSTICA DO PARENTESCO. Seguindo seus passos, Reginaldo Miranda deixa os centros urbanos das grandes cidades, e percorre o sertão, recompondo os tecidos da história de cada um e de todos.


Na curiosidade de saber de onde veio, qual a origem genealógica, quais os principais ramos familiares, dessa grande árvore da vida. Reginaldo Miranda percorre essas origens, os entrelaços familiares e nos presenteia com esse mosaico genealógico singular e inigualável. E nessa busca de identificar origens, lutas, paixões, encontros e desencontros, o historiador entrega aos leitores um dos mais completos e confiáveis estudos de nossa genealogia, incomum em nossa literatura. 

domingo, 4 de junho de 2017

AMOR CIGANO

Fonte: Google

AMOR CIGANO

Elmar Carvalho

A cigana jogou as cartas da sorte
e leu afagando as linhas tortuosas
que sulcam a palma de minha mão.
Falou sussurrando
de ascensões e naufrágios
entrevistos nos presságios.
Prometeu um grande amor
que breve encheria meu vazio coração.
Enfeitiçou-me e se evadiu
por ondulosas colinas
cheias de margaridas e rosas,
eritrinas e neblinas.
E me deixou repleto o coração
apenas de urtigas e saudade
a cigana leviana que leu
e releu a palma de minha mão. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Parnaíba turística, a que foi sem nunca ter sido

Fonte: Google

Parnaíba turística, a que foi sem nunca ter sido

Pádua Marques

Esta semana veio parar em cima de minha mesa de trabalho um folheto de nome Juntos a Bordo, da Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Passageiros. Publicação dessas que todo dia a gente encontra pela cidade na mão de todo mundo que quer vender alguma coisa. No centro de Parnaíba a gente é assediado todo santo dia, principalmente pela manhã, com aqueles folhetos.

Se fosse dinheiro eu voltava pra casa com a burra cheia todo final de manhã. Quando não é de consultório de dentista é de revenda de carros, pneus, loja de perfumes, do Armazém Paraíba, Sebrae, escritórios de advocacia, consultório de olhos e óticas, Comercial Carvalho, cursinhos disso e daquilo. Antigamente era de uma vidente, uma sujeita vinda dos cafundós do Maranhão e que prometia contar tudo sobre sua vida, passado, presente e futuro. Calcule só.

Mas o tal folheto de divulgação da ABRATI, até que bem confeccionado em quatro páginas, trazia informações interessantes sobre destinos turísticos, oferecimento de pacotes de viagens, curiosidades sobre regionalismo, receitas culinárias, essas coisas. Destinos turísticos pra Porto Seguro, na Bahia, Olinda, Chapada Diamantina em Minas Gerais, Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro e até Brasília! Imaginem!

Quem diabos é que tem interesse de conhecer Brasília numa horas dessas, me diga? E aquele folheto me transportou pra uma situação que estou de cabeça branca de falar. A Parnaíba como cidade turística que se meteu a dizer que era, nunca soube e nem sabe até hoje vender seu peixe.

Outro dia estava escutando uma emissora de rádio e ocorreu de estar sendo veiculado anúncio de uma agência de turismo da cidade. Oferecendo pacotes pra o feriado de 14 de agosto, Dia da Parnaíba. Viagens turísticas pra Jericoacoara e outras praias do Ceará. Diabo é isso?! Do Ceará, sim senhor. Achei estranho aquele anúncio. Mas negócio é negócio e um direito de quem faz negócio! Se alguma emissora de Fortaleza estiver veiculando anúncio turístico vendendo a Parnaíba até que compensa.

Alguém há de dizer que é implicância minha. Olhando pelo lado de atrativos naturais e culturais a Parnaíba está como diz o caboclo, é pebada. E olhe que tem e tinha tudo pra estar no tope da lista. Não tem atrativos de festas populares, shows, teatros, bibliotecas, museus. Não tem casario atraente como o que encontramos no interior de Minas Gerais. As lojas de artesanato ficam numa região decadente, o Porto das Barcas. Bem que poderia ter uma ou duas dessas lojas na praça da Graça. Que mal podem fazer?

Você não encontra um turista americano, canadense, belga, italiano, argentino que seja interessado em registrar o casario, as igrejas, no mercado da Quarenta ou da Caramuru. Não encontra um turista sequer comprando bilhete pra uma peça de teatro, fazendo compras no calçadão da Marechal Deodoro. Lá do cais embaixo da ponte eles vão pro delta e de lá escapolem de volta feito sabonete molhado. As pouquíssimas lojas de artesanato no Porto das Barcas, mesmo com boas peças, quadros, e tudo o mais estão com as paredes se esfarelando de podres! Dá medo acontecer uma tragédia!

Fica difícil entender o motivo porque uma cidade como Pedro II, que meteram na cabeça de dizer que era a Suíça piauiense, tenha em determinada época do ano um festival que traz artistas renomados.  E engraçado, o pessoal daqui vai todo pra lá! A Parnaíba mal consegue trazer essas bandas de forró que empestam de bobagens as cidades do Nordeste. O que acontece com essa Parnaíba, meu Deus do céu, que não consegue limpar esse chiclete seco que grudou na chinela japonesa?