domingo, 27 de abril de 2025

MÚSICA VIVA

 

Fonte: Google

MÚSICA VIVA


Elmar Carvalho

 

Passarinhos cantando

saltitavam e dançavam

sobre os fios elétricos

– pássaros ou dedos sobre cordas

de violinos, violas ou violões –

eletrocutando corações.

Aladas notas vivas

fazendo acrobacias e coreografias

sobre as paralelas da pauta.

O vento que passava fazia

coro e uma música celeste

se evolava.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

A SAGA DO INOVAÇÃO

Colaboradores do jornal Inovação, sob o cajueiro de Humberto de Campos. 1º plano: Bartolomeu Martins, Vicente de Paula (Potência), Elmar Carvalho e Canindé Correia; 2º plano: Francisco Fontenele de Carvalho (Neco), Diderot Mavignier, Francisco José Ribeiro (Franzé), Sólima Genuína, B. Silva e Reginaldo Costa; 3º plano: Danilo Melo, Jonas Fontenele de Carvalho, Israel Correia, Porfírio Carvalho, Wilton Porto, Alcenor Candeira Filho, Flamarion Mesquita e Paulo Martins

Colaboradores do Inovação, quase todos residentes em Brasília: Porfírio Carvalho, Cícero, Ana Alice, Cândida, Jonas Carvalho, Madeira Basto, Reginaldo Costa, Ivana, Rinaldo e Ernesto Magalhães

Canindé Correia visto por Gervásio Castro


A SAGA DO INOVAÇÃO


Elmar Carvalho

 

Há vários dias o romancista Assis Brasil me pediu que lhe conseguisse uma cópia da entrevista que concedera ao saudoso jornal Inovação, muitos anos atrás. Nas vezes em que fui a Parnaíba, tentei consegui-la através do Francisco José Ribeiro (Franzé), companheiro do Reginaldo Costa na feliz iniciativa de fundarem o periódico. Soube que um filho dele estava escaneando todos os números do Inovação, o que seria muito importante para os pesquisadores e interessados, pois apenas o Franzé e o Reginaldo tinham a coleção completa dos números publicados.

 

Em “Jornal Inovação – um Depoimento”, que publiquei em vários livros e na internet, contei a saga do jornal, suas lutas, suas dificuldades, suas atividades culturais, como biblioteca, suplementos (encartes), pesquisas sociais e promoções de eventos e palestras. Nesse trabalho, eu dizia que a história do órgão bem se prestaria a uma tese de doutorado ou a uma dissertação de mestrado. Tenho conhecimento de que alguns estudantes escreveram ou estão escrevendo a esse respeito.

 

O Reginaldo Costa, seu principal baluarte, escreveu um livro sobre o Inovação, infelizmente ainda não publicado, que será de grande valia para o conhecimento da efervescência cultural que Parnaíba então viveu. Através do Vicente de Paula, o nosso bravo Potência, ou do Canindé Correia, ambos colaboradores assíduos do jornal, recebi, meses atrás, um cd com a digitalização de todos os seus exemplares, graças ao esforço de um dos filhos do Franzé.

 

Acabo de imprimir o número que traz a entrevista de Assis Brasil, concedida ao Francisco Fontenele de Carvalho (Neco), no Rio de Janeiro. Entrevista bem feita, longa, de rico conteúdo, recheada de reminiscências, quando o escritor ainda não retornara ao Piauí, nem mesmo a passeio. A capa assinalava: Ano VII – Nº 50 – Parnaíba, 31 de outubro de 1984. Sei que vai causar muita emoção ao Assis Brasil, quando eu lhe entregar o exemplar que fiz imprimir.

 

Aproveitei para ver, virtualmente, vários números, que tive em minhas mãos, em papel, ainda quase com a tinta fresca, ainda quente, como um pão que tivesse acabado de sair do forno. Emocionei-me. Voltei a me sentir aquele garoto vibrante, entusiasmado, cheio de sonhos e ideais, a exalar poesia e literatura por todos os poros. Recordei as lutas e o idealismo do Reginaldo Costa para publicar o “monstrinho”, como eu e ele, brincando, chamávamos o periódico.

 

Achávamos que estávamos contribuindo para destruir a ditadura militar, que no início do jornal (dezembro de 1977) ainda era muito forte. Folheando digitalmente esses velhos números, recordei os amigos, que foram seus colaboradores assíduos. Em homéricas degustações de crustáceos, que os imbecis chamam de caranguejos, em tirada pacamônica, regadas a cerveja, o Reginaldo Costa, o Canindé Correia, Bernardo Silva, De Paula e este diarista, traçávamos a pauta e planejávamos as estratégias de sobrevivência do jornal, que estava sempre enleado em dificuldades financeiras, sobretudo quando não mais pode ser editado em Parnaíba, em consequência de represálias a sua linha independente e ousada.

 

Escritores, poetas, intelectuais e artistas plásticos da estirpe de Canindé Correia, Alcenor Candeira Filho, De Paula, Ednólia Fontenele, João Maria Madeira Basto, Wilton de Magalhães Porto, Danilo Melo, Israel Coreia, Jonas Carvalho, Airton Menezes, Ana Alice, Sólima Genuína, Olavo Rebelo, Flamarion Mesquita, Bartolomeu Martins, Paulo Martins, etc. foram seus colaboradores. Várias outras pessoas, que não escreviam, o ajudaram, de uma forma ou de outra.

 

Quase todos éramos amigos fraternos, e estávamos sempre em contato, seja para discutir o jornal, seja para conversar em nossos momentos de lazer. Vendo as fotografias do rio Igaraçu e das ruas inundadas, comprovei, mais uma vez, que naqueles idos já denunciávamos a lenta agonia do Parnaíba, a devastação dos mangues, a exploração predatória dos caranguejos e os descasos da administração pública. 

 

Folheando, através da tela do monitor, essas velhas páginas do Inovação, senti emoção e saudade, do jovem emotivo e sentimental que fui e dos amigos que citei; das longas viagens de motocicleta que fiz, na companhia do Reginaldo Costa, a serviço do jornal ou para acampar, por simples espírito de aventura, em plagas distantes, como Sete Cidades e Camocim.

 

No topo das barracas, o Reginaldo fixava a bandeira improvisada do jornal Inovação. Poderia dizer que essa bandeira continua a tremular, para sempre fincada em minha memória e em meu coração.    

10 de novembro de 2010         

domingo, 20 de abril de 2025

A ERO MOÇA

Fonte: Google

A  ERO  MOÇA

 

Elmar Carvalho


A aeromoça

abre os braços

e mostra as saídas

de emergência ...

 

E eu a sonhar

que ela abrisse

as pernas e mostrasse

as entradas de quintessência.

terça-feira, 15 de abril de 2025

ENTARDECER EM AMARANTE

Fonte: Google

 

ENTARDECER EM AMARANTE


Elmar Carvalho

 

Dia desse, fui assistir ao espetáculo do entardecer em Amarante. Fiquei no passeio do cais, à beira do Parnaíba, no bar do Pelicano. A serra azul do poeta, nesta época de seca prolongada e de baixa umidade, não estava azul, mas apresentava uma cor quase sépia. À medida que começou o ocaso, dois camaleões começaram uma lenta escalada, cada qual em sua árvore.

 

Subiam pachorrentamente, quase como se fossem bicho preguiça, e não lagarto. Quando passavam por um galho, davam uma rápida parada, como para recuperar o fôlego. Pareciam querer contemplar de seu poleiro os momentos finais da agonia solar. Se pegavam parelha, era sobre quem conseguiria subir mais lentamente.

 

Do outro lado, na cidadezinha maranhense de São Francisco, as luzes começaram a se acender. Pude ver a refração das luzes e das árvores na água. Não tive como deixar de me lembrar de um dos poemas dacostianos, que fala do reflexo das folhagens nas águas barrentas do rio. Em irônica brincadeira, dizem que a melhor beleza de Niterói é ver a beleza do Rio de Janeiro. De Amarante jamais se poderia dizer que a sua maior beleza seria a beleza das serras maranhenses, porque ela é uma bela e bucólica cidade rodeada de bucólica beleza. É uma ilha de formosura cercada de natural encanto por todos os lados.

 

A cor sanguínea do crepúsculo aos poucos foi esmaecendo, até a noite descer sobre as serras, sobre o céu e sobre todos e tudo, como se o caos do nada tudo encobrisse, tudo transformasse em nada. Nas últimas luzes do entardecer, uma bela moça, de olhos sonhadores, mergulhou seu olhar nas águas do rio, e por breve momento sua jovem beleza exprimiu suave melancolia; a melancolia de quem pressentiu que tudo muda, que tudo passa, inclusive a juventude e a beleza.

 

A brisa da tarde sacudiu levemente as árvores, e eu me lembrei de outra tarde, em que o vento sacudiu fortemente as faveiras, cujas favas secas vibraram como maracás; como os maracás dos índios que outrora perlongaram as barrancas do Velho Monge. Nessa já longínqua tarde eu conversava com o poeta Virgílio Queiroz, que por feliz coincidência ou atendendo ao chamado misterioso das musas chegou nesse momento. Levantamos um brinde à vida e à poesia e à inefável beleza amarantina, que só não é inefável aos versos de seus poetas, como Da Costa e Silva, Clóvis Moura e Carvalho Neto.

 

Tudo estava perfeito. Cenário perfeito, conversa perfeita. Mas tudo foi desfeito por um carro de som que chegou, trazendo seu barulho horrendo, sua música horrível. Não sei se alguém poderia chamar aquela zoada de música. A letra, igualmente de baixa extração, dizia, em interminável e insuportável estribilho, que a bunda da moça foi baixando, foi baixando, foi baixando... E nunca uma música pode jamais descer tão baixo assim. 

9 de novembro de 2010

domingo, 13 de abril de 2025

POEMA DA MULHER AMADA

Fonte: Google

 

POEMA DA MULHER AMADA


Elmar Carvalho

 

Amada mulher fatal

o teu amor embora servido

em pequeninas doses é letal

mas eu o tomo lentamente

como um néctar de veneno

em longos e lentos goles (sereno)

como ópio em lenta mente

 

Mulher amada o teu amor

conquistador e guerreiro me toma de assalto

e nem me deixa a oportunidade

de esboçar o meu espanto

e ensaiar o meu sobressalto

de acrobata perdido em pleno salto

                                                     mortal

mas que antes de um desfecho trágico

como que por milagre se salva

entre magia sortilégio e quebranto

pelo gesto carismático de um mágico

 

Amada mulher fatal

o teu amor devastador

não me deu a chance de optar

entre te querer ou não querer

 

               Teresina, 07.12.83 – 18:00h

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Voe, Canarinho

 

Fonte: Google

Voe, Canarinho

 

Por Fabrício Carvalho Amorim Leite

 

Tenho quase certeza de que já escrevi sobre o meu bendito muro — ou pelo menos tentei escrever e esqueci de começar — algo sobre ele, em minha breve e errante passagem como cronista de objetos cotidianos.

 

Uma pessoa normal — ou apenas tida como convencional — talvez nem se perguntasse sobre um objeto tão comum, tão medíocre.

Mas o olhar desse muro me incomoda profundamente.

É o grande muro que faz divisa perpétua com o meu vizinho.

 

Monótono. Monocromático. Mudo.

Um muro frio, impávido, amarelo desbotado.

Bem que pesquisei na internet — e, até agora, não encontrei uma parede sinceramente contente. Há as tentativas: umas pintadas com grafites, outras cobertas de murais ou flores falsas ... mas o meu muro, não.

 

Voltemos a ele.

Eu, atrás da janela com grades.

Ele, sempre de pé.

Todos os dias.

 

Se há algum alento nessa paisagem, ele vem de cima.

No galho mais alto da palmeira imperial do vizinho, avisto ele — o canarinho-da-terra — confundindo-se com a alvorada no seu canto suave:

 

“Tsip, tsi-tit, tsi, tsiti, tsi, tsi, tsiti. ”

Tenho-o observado desde as primeiras chuvas de dezembro. Naqueles dias, ele flertava com entusiasmo.

Exibia os penachos dourados, inflava o peito, soltava um canto que misturava alegria. E estava sempre rodeando várias louras.

Porque é livre. Livre de mim, do muro, do mundo.

Outro dia, uma filha de uma amiga — vinda do Canadá — mirou o meu muro com aqueles olhos que ainda sabem perguntar e tascou:

 

— Mãe, por que neste lugar tem tantas prisões?

 

Eu e a mãe desconversamos. O silêncio nos foi mais doce que a resposta.

 

Depois, vieram as minhas sandices. Imaginei, um dia, oferecer alpiste ou pedacinhos de pão ao canarinho. Talvez um gesto de carinho disfarçado da velha vontade de possuir um pouco dele.

Deixei a ideia.

 

Mas o amarelinho, certo dia, me visitou.

Pousou no muro como quem pisa em algodão. Pus os óculos e vi o que antes era apenas movimento no ar: a esposa elegante, os filhotes cambaleantes, a família inteira saltando sobre o muro.

 

Ziguezagueavam como quem brinca de errar o voo. Um dos pequenos, no entusiasmo, esbarrou a penugem amarronzada na cerca elétrica e quase deu de cara com a parede da casa.

Vieram todos. Como se soubessem que, naquele momento, lhes cabia a tarefa de alegrar um outro passarinho preso — o que está dentro do muro.

Recebi aquela família com um sorriso amarelo. 

Ele me observou. Juro: havia dó nos seus olhinhos.

 

Então partiram. Voaram para longe. Sumiram na copa da palmeira imperial do vizinho.

 

E eu fiquei.

Janela.

Muro.

Silêncio.

Voe, canarinho. E volte, se quiser.

Tu que levas e trazes, sempre, um pedaço de mim.

                                                                                                                                                                                Abril, 2025

terça-feira, 8 de abril de 2025

Procissão do Fogaréu em Campo Maior

Foto meramente ilustrativa   Fonte: Google

 

Procissão do Fogaréu em Campo Maior


Elmar Carvalho

 

Em 29 de abril de 2019 publiquei em meu blog uma crônica em que sugiro ao bispo da Diocese de Campo Maior, Dom Francisco de Assis, a criação da Procissão do Fogaréu. A semente caiu em terreno fértil, pois hoje recebi a seguinte mensagem por WhatsApp, enviada pelo amigo e parente Dr. Domingos José Carvalho, católico praticante e fervoroso:

“Meu prezado irmão e parente, lhe informo que na quinta-feira santa teremos o FOGARÉU, sua ideia foi acatada pela paróquia e diocese.” 

Desnecessário dizer o quão contente fiquei. Assim, julgo oportuno republicar o texto referido acima:

Em recente conversa com o professor e multi-instrumentista José Francisco Marques, lhe informei que pedi ao médico Domingos José de Carvalho, meu parente e amigo, para que apresentasse ao bispo da Diocese de Campo Maior uma minha sugestão, qual seja, instituir a Procissão do Fogaréu.

A velha cidade, depois de Oeiras, creio, é a mais antiga freguesia ou curato do Piauí, que teve seus primórdios na antiga igreja de Santo Antônio do Surubim, construída pelo último mestre de campo das Conquistas do Piauí e do Maranhão, a pedido de seu parente e amigo padre Tomé de Carvalho, primeiro vigário de Oeiras, e que bem pode ser considerado o fundador ou, pelo menos, um dos fundadores daquela velha urbe, primeira capital de nosso estado.

Quando eu tinha finalizado a versão que eu considerava definitiva deste texto, encontrei na sala a revista Cidade Verde, edição 213, de 21/04/2019, que traz uma matéria do Fonseca Neto, na qual consta um documento recentemente vindo a público. Trata-se da Resolução expedida da Mesa da Consciência e Ordens, datada de 20 de maio de 1740, assinada pelo bispo Dom Manuel da Cruz, que criava as freguesias da Caatinguinha (Valença do Piauí) e a do Gurgueia (Jerumenha) e elevava à categoria de freguesia os curatos de Piracuruca, do Surubim (Campo Maior), Parnaguá e Poti (depois, Marvão, e hoje Castelo do Piauí). Por via de consequência o curato de Campo Maior, cuja primeira igreja data de 1712, só passou a freguesia em 20/05/1740.

Julgo importante dizer que a Festa do Divino é realizada em Amarante (PI) há mais de 110 anos, mas depois, de certa forma, caiu no esquecimento. Faz cerca de uma década, suponho, foi reativada com toda pompa e circunstância, como se costuma dizer para realçar um fato, por Marcelino Leal Barroso de Carvalho, que foi meu professor no curso de Direito (UFPI). Portanto, uma tradição pode ser retomada ou criada.

Marcelino, que foi diretor geral do Instituto Camillo Filho e auditor-fiscal do Estado do Piauí, a suas expensas comprou um vetusto casarão na Avenida Des. Amaral, e nele instalou o Museu do Divino. Os fiéis carregam um lindo estandarte e envergam uma bela veste talar, uma espécie de opa ou túnica.

Também promove eventos culturais na época da festa, uma espécie de serenata pelas ruas da bucólica e mimosa Amarante, inclusive com a participação do instrumentista professor Melquíades, seu irmão. Eu mesmo, mais de década atrás, tive meu livro Lira dos Cinquentanos lançado por ele, em um solar da Des. Amaral, pertencente a familiares dos irmãos Álvaro e Raimundo Luiz Cutrim Costa. Posteriormente, ele me prefaciou o livro Amar Amarante, que tem uma bela capa de sua filha Ana Cândida Nunes Carvalho. Este opúsculo foi lançado no dia 6 de dezembro de 2013, na solenidade em que recebi o título de Cidadão Amarantino. Seu exemplo teve seguidor, porquanto, em Oeiras, novamente Oeiras, viva Oeiras, Olavo Braz Barbosa Nunes Filho fundou o Museu do Divino, no qual, além das várias peças sacras, há placas com vários poemas de oeirenses ou que falam na velhacap, inclusive o meu Noturno de Oeiras.

Voltando à minha sugestão da criação do Fogaréu, quero dizer que essa procissão é mais do que centenária em várias cidades mineiras e em Oeiras, que tem uma das mais belas Semanas Santas do Brasil, já que a sua procissão de Bom Jesus dos Passos é comovente, sobretudo por causa da multidão que aglutina e do canto melancólico e doloroso de Maria Beú, que nos rasga a alma e nos parte o coração, mormente no momento da lancinante passagem, que parece nos ecoar como um estribilho de miserere, que dilacera e fere:

“Caminheiros, que passais por este caminho, parai um pouquinho, e olhai, por favor, se neste mundo existe uma dor assim tão grande, como a dor de minha dor”.

Contudo, enfatizo que toda tradição começa com a sua primeira vez, com o seu primeiro passo. E a nossa episcopal Campo Maior mostra seu fervor católico no Festejo de Santo Antônio do Surubim, que, no gênero, é a maior festa religiosa do Piauí, pelo menos sob a invocação desse santo, que além das trezenas, tem ainda a solenidade de condução e levantamento do mastro, com o seu folclore e crendice.

Ainda me recordo da procissão de Bom Jesus dos Passos. Quando Nossa Senhora se encontrava com Jesus a carregar o pesado lenho, monsenhor Mateus nos comovia com um vibrante sermão, que falava nas dores de Cristo e no acerbo sofrimento de Maria. Essa cerimônia religiosa me fez escrever estes versos, que fazem parte de meu poema Vida in Vitro, apresentado pelo poeta e ator José Teixeira Pacheco como um monólogo, em mais de uma ocasião:

sentes ainda o cheiro dolorido e pisado dos alecrins / da paixão do senhor morto, do horto das agonias, / das chagas vermelhas, maceradas, da túnica / roxa, brilhante, da coroa de espinhos, dos cravos, / não os de cheiro, mas os de ferro, que ferem... / eras infante, então, e como sofreste / e como fizeste sofrer tua mãe, madona, / mater dolorosa e pietá sofrida e consoladora / de teus sofrimentos de então e de sempre.

Na minha sugestão, além de estandarte, de vestes talares, como opas ou túnicas, a que não poderia faltar a imprescindível lamparina ou tocha, poderiam ser incorporados ou não máscaras e elmos, se for o caso. As vestes e as lamparinas poderiam ser vendidas por uma loja do bispado, tanto para financiar as despesas do evento, como as obras sociais diocesanas, ou cada participante faria a sua própria roupa e tocha, conforme modelo padrão elaborado pela Diocese. E, sem dúvida, ainda haveria o benefício econômico do turismo.

Sei que Dom Francisco de Assis, simpático e dinâmico, que por sinal me foi apresentado pelo Dr. Domingos José, haverá de apreciar a nossa sugestão com cuidado e zelo, sem dúvida levando em conta a tradição e a antiguidade da Igreja Católica Apostólica Romana em Campo Maior, onde fica sua cátedra pontifical.    

domingo, 6 de abril de 2025

ALGUNS HAICAIS

 

Fonte: Google

ALGUNS HAICAIS

 

Elmar Carvalho 


          SIMBIOSE AMOROSA                            

 

Eu te amo                                                    

para que me ames                                    

e eu te ame.                                                

 

           ASCENÇÃO                                               

 

A chuva caía                                               

e em cada pingo dizia:                              

– Saiba cair.                                                

 

           TROVÃO                                                    

 

Nuvens novas                                            

brincando de trocar                                    

tiros de foguete e rojão.                            

 

           AMOR

 

Arte de possuir

na mesma medida

em que se é possuído.

 

           CHUVA

 

Bênção dos céus

debulhada em bagos

de água.

  

           RELÂMPAGO

 

Nuvens novas

a brincar com

fogos de artifício.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

EXPEDITO REGO EM PESSOA

 

Fonte das imagens: Google


EXPEDITO REGO EM PESSOA

 

Elmar Carvalho

 

Meu primeiro contato com a incomensurável poesia de Fernando Pessoa foi aos 16 ou 17 anos, através da magnífica Antologia Escolar Portuguesa, organizada por Marques Rebelo, pseudônimo do cronista, contista e romancista Eddy Dias da Cruz. Comprei-a com o santo e escasso dinheirinho de minha mãe; o de meu pai seria empregado na compra dos livros e outros materiais didáticos.

Pela mesma época adquiri a Antologia Escolar Brasileira, do mesmo autor, que tinha o mesmo formato e programação gráfica e visual. Foi nesta última que tive o alumbramento de conhecer maravilhosos poemas do piauiense Mário Faustino. Já conhecia e admirava alguns poucos poemas de Da Costa e Silva, entre os quais Saudade e A Moenda. Desde os dez anos já era viciado em leitura, e já lera os principais poetas do Brasil e de Portugal nas antologias didáticas de meu pai, sobretudo as contidas em livros de Aída Costa.  

Mais tarde, já lastreado em outras leituras e em outras antologias, que fui amealhando, pude perceber que as duas seletas de Marques Rebelo, com textos em versos e em prosa, eram mesmo magníficas, porque o seu organizador fora muito rigoroso na escolha de textos e autores, e selecionara o que esses mestres tinham produzido de mais representativo e de mais excelente. Inclusive, adotou o critério de só admitir autores falecidos, creio que para não sofrer qualquer tipo de pressão ou influência por parte de amigos vivos. Não tinha nenhuma discriminação quanto a gênero literário, estilo, corrente, movimento ou escola literária. Interessava-lhe somente a excelência do texto.

Em junho de 1975 minha família se mudou para Parnaíba, uma vez que meu pai fora chefiar a ECT – Empresa de Correios e Telégrafos nessa cidade, onde morei por vários anos. Levei as duas Antologias Escolares, pelas quais tinha muito orgulho e afeição, tanto que as reli, consultei e folheei várias vezes.   

Certo dia, no apartamento dos Correios, onde morávamos, mostrei uma dessas antologias a um grupo de amigos, enquanto degustávamos um vinho. Um deles, com inusitada insistência, pediu-me lhe emprestasse uma delas. Relutei, mas resistir, como diria o poeta, para rimar com saudade, quem há-de? Pouco depois esse amigo morreu, e eu para sempre perdi a antologia, que havia comprado com o rico dinheirinho de minha mãe. Nos anos 80 ou 90, já morando em Teresina, perdi a outra seleta congênere, em circunstâncias que desconheço ou de que já não me lembro.

Tentei adquirir essas duas monumentais Antologias, mas elas já haviam deixado de ser editadas há vários anos e a própria FENAME-MEC, sua editora, já fora extinta pelo governo Collor de Mello, em 1990. Contudo, creio que em 2001, o historiador e dicionarista biográfico Wilson Carvalho Gonçalves, amigo e conterrâneo de meu pai, que se tornara um grande amigo meu, me presenteou com um exemplar usado da Antologia Escolar Portuguesa. Tentei encontrar a sua congênere Brasileira. O poeta cordelista Sebastião Evangelista, um verdadeiro “sebo” ambulante, me informou ter um exemplar desse florilégio. Dias após ele me vendeu esse exemplar. Como os dois exemplares já não possuíssem as capas duras originais, mandei protegê-las com uma bela capa preta dura, ornadas por letras áureas.

Embora possa não parecer, mas essa digressão memorialística me foi provocada por uma postagem do amigo Carlos Rubem, através de WhatsApp, em que ele me enviou uma fotografia da capa de um velho livro, que pertencera ao médico, poeta e escritor Expedito Rego, titulado O Guardador de Rebanhos e outros poemas, da autoria de Fernando Pessoa. Segundo a Meta AI, “Os poemas de "O Guardador de Rebanhos" são caracterizados por uma linguagem simples, direta e objetiva, que busca descrever a natureza e a vida rural de forma quase primitiva”. Sua autoria foi atribuída a Alberto Caieiro, um de seus vários heterônimos.

A postagem de Carlos Rubem trazia o poema Liberdade, constante no exemplar que pertencera ao saudoso Expedito Rego, que termina com este quarteto:

O mais do que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca...

 

Abaixo, na página em branco, Expedito escreveu os seguintes versos, como se fossem uma continuação ou complementação ao poema de Pessoa:

Por isso que entregou a Judas

O dinheiro... Jamais te iludas:

O livro é mesmo uma garrida

Bobagem de gente sabida!

 

Em rápido comentário por áudio, disse ao Carlos Rubem que Expedito Rego mantivera o estilo, a mesma semelhança de conteúdo, com algo da ironia, do desencanto e do pessimismo do poema pessoano, e com a mesma estrutura formal.

Nesse admirável poema, que já conhecia, existe esta magnífica estrofe:

Quanto é melhor, quando há bruma,

Esperar por D. Sebastião,

Quer venha ou não!

 

Para finalizar esta crônica, direi apenas: de minha parte, prefiro esperar por Jesus Cristo, que subiu aos céus em toda a sua Glória, à vista de muitos, e que prometeu voltar. Porque sei que ele voltará, para instaurar o Reino Divino, no tempo que lhe for determinado por Deus.

domingo, 30 de março de 2025

NO REINO DO SURREAL

Fonte: Google


NO REINO DO SURREAL


Elmar Carvalho

     

           I – FUTEBOL

 último rei

                        dec/apitado

fiz o gol

                                    da vitória

com minha própria

                                    cabeça

nas traves da guilhotina

(e o goleiro era o carr’asco)

 

           II – BASQUETEBOL

 tomaram-me

            tudo inclusive

            o óbolo inútil

            o bolo indigesto

            a bola murcha

            a bala de festim

            a balada calada

                            alada

            mas sem voo

mas ainda me sobrou

            cabeça para arrancá-la

            e enfiá-la

            na cesta

 

           III – VOLEIBOL

     dei um saque

jornada nas estrelas

     em minha

                                     cabeça

de antemão coroada

            com o louro/ouro

                da vitória

minha cabeça descreveu

            uma parábola

                            bola

                       sangrando

                             bola

                                     singrando

o espaço como um

                                                    cometa

      de cauda sangrenta

(depois a fiz troféu da vitória)

sexta-feira, 28 de março de 2025

É DOS CARECAS QUE ELAS GOSTAM MAIS?


Foto vista no livro Poemágico

É DOS CARECAS QUE ELAS GOSTAM MAIS?


Elmar Carvalho

 

No cruzamento das ruas Lizando Nogueira com David Caldas, encontrei o Nonato Teixeira, dedicado servidor da Caixa Econômica Federal. Como ele quebrasse um chapéu de lado, como diz a canção popular, disse-lhe que voltaria a fazer uso dos meus. Respondeu-me que usava chapéu por necessidade, uma vez que os raios solares já lhe estavam prejudicando a pele.

 

Contei-lhe que, no dia da eleição, a presidente da seção comentou, ao ver minha carteira de identidade, que eu estava muito novo na fotografia. Disse-lhe, a título de curiosidade, que eu molhara bem os cabelos, para que parecessem curtos, pois na época eu usava uma avantajada e encaracolada cabeleira. Em resposta, ela me disse que hoje eu quase já não os tinha, como se eu próprio não o soubesse. Retruquei-lhe: “E o tempo levou”, em trocadilhesca alusão ao inesquecível filme americano com esse título.

 

Nessa já remota época, após o banho, eu não queria saber de pente, nem de escova; sacudia com força os cabelos, para um lado e para o outro, para cima e para baixo, para que eles ficassem ondulados ao secar. O Nonato, no seu estilo bonachão, aduziu que o tempo nos roubara a juba, ou algo semelhante. Isso me inspirou a fazer estes versos cretinos, sem nenhum valor literário: “Já fui senhor de cabeleira basta, / mas o tempo que todo me devasta, /a vasta madeixa me desbasta.”

 

O poeta Castro Alves, que tinha boa aparência física e teve vários amores, usava uma volumosa cabeleira encaracolada. Conta a história literária que quando ele ia sair para uma de suas noitadas boêmias ou à caça de alguma conquista amorosa, quase sempre vestido de preto, penteava cuidadosamente os cabelos, frente ao espelho, e advertia, embora apenas para si mesmo: “Tremei pais de família! Don Juan vai sair.” Apesar da imponente juba, o poeta aparece, em algumas fotografias, usando também um chapéu.

 

O uso de chapéu não deve ser entendido apenas como sinal de vaidade; ao contrário, pode servir como símbolo e advertência de que existe algo ou alguém acima de nós. Apesar da afirmativa peremptória da antiga marchinha carnavalesca, não tenho certeza se é dos carecas que as mulheres gostam mais. De qualquer sorte, pelo menos a minha, foi contra eu fizesse implante capilar. O meu bolso, penhorado, agradece.

 

Não resta nenhuma dúvida, estou mesmo decidido: voltarei a usar chapéu, seja como proteção contra a devastação dos raios solares, seja por vaidade, que já me é quase finda.

2 de novembro de 2010

domingo, 23 de março de 2025

SEX-APPEAL

 

Fonte: Google

SEX-APPEAL


Elmar Carvalho

 

Movo até o teu

meu amoroso coração

- ânfora de lágrimas e solidão.

 

Teu olhar me revida

com uma impressentida carícia

referta de promessas e delícia.

 

Teus olhos escorregam macios

das penumbras dos cílios armados em cios

e afagam minha pele

eriçada em arrepios.

 

Meus anseios

desvelam tuas vestes

e revelam os empinados penedos

sedosos de teus seios,

sem medos

e sem receios,

e devassam em

tênues e tímidos acessos

os teus mais secretos

úmidos e diletos recessos.

 

E eu te desejo mais que tudo,

mas me contenho e me abstenho

e me deixo ficar inerte e mudo...

quinta-feira, 20 de março de 2025

AS CHAMAS E AS BRUMAS

 


AS CHAMAS E AS BRUMAS


Elmar Carvalho

 

Recebi, outro dia, e-mail de Afonso Lima. Elogiou-me o Blog Literário, do qual sou titular, veiculado no portal 180 Graus. Tratou de vários outros assuntos, inclusive de que havia publicado, recentemente, um livro de poemas.

 

A primeira vez que ouvi falar no Afonso Lima foi em 1977 ou 1978. Estávamos num processo de aproximação entre os intelectuais e escritores de Teresina e Parnaíba. Os poetas dessas duas cidades participaram de obras coletivas comuns, entre as quais citarei Aviso Prévio, da qual participou o Alcenor Candeira Filho, Galopando, de que participamos o Paulo Couto e eu, pelo lado parnaibano, e o Paulo Machado, Rubervam Du Nascimento e Josemar Neres, pela quota teresinense. O livro Em Três Tempos trazia a participação de Paulo Couto, Elmar Carvalho e Kenard Kruel, que se mudara para Teresina, onde reside até hoje.

 

Pois bem, nessa época de interação cultural entre as duas cidades, havia encontros, palestras, lançamentos de livros de que eram partícipes poetas da capital e do litoral. Por esse tempo, estávamos na praia eu, e creio, se não me falha a memória, que Paulo Couto, Menezes y Moraes, William Melo Soares, Emerson Araújo, e talvez outros, quando um dos poetas de Teresina disse, com entusiasmo e inopinadamente, com certo estardalhaço, que naquele momento, por volta de onze horas daquela manhã ensolarada, na capital, o Afonso Lima estava lançando o seu livro Opressão.

 

O nome tinha tudo a ver com a ditadura militar, então ainda a pleno vapor. Depois, embora à distância, pude acompanhar a sua carreira de sucesso, sobretudo no teatro, para onde direcionou o seu esforço, talento e inteligência, como dramaturgo, ator e diretor, sendo correto afirmar que ele se tornou um dos maiores teatrólogos do estado nas últimas décadas.

 

Somos contemporâneos e conterrâneos, já que nascemos em Campo Maior, mas só viemos a nos conhecer no final da década de oitenta, posto que ele se mudou cedo para Teresina, acompanhando sua família, enquanto eu fui morar em Parnaíba, em meados de 1975. Além dele, pelo menos três de seus irmãos são ligados ao mundo intelectual e jornalístico.

 

Carlos Augusto, recentemente falecido, é um dos mais importantes jornalistas do Piauí. Sua participação no jornal da Rádio Pioneira de Teresina marcou época, pois era líder absoluto de audiência; isso lhe deu grande projeção, e lhe permitiu tornar-se deputado estadual, em mais de uma legislatura; atuou também na televisão, na qual, em virtude de ser um estudioso e erudito, fazia comentários judiciosos, com ilações lógicas, pertinentes, recheados de interessantes e anedóticos episódios da História do Piauí, que ilustravam sua fala e atraíam a atenção do ouvinte.

 

Domingos Bezerra, além de jornalista experimentado e talentoso, é poeta de mérito inegável; com ele, quando fui presidente do conselho editorial da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, fizemos notáveis entrevistas, das quais citarei as concedidas por monsenhor Joaquim Chaves, Alcenor Candeira Filho, Celso Barros Coelho, Cineas Santos, padre Raimundo José Airemoraes, Raimundo Nonato Monteiro de Santana, que bem merecem ser enfeixadas em volume. Paulo Henrique é empresário do ramo da comunicação, tendo sido proprietário da rádio Difusora.

 

Afastado de Teresina há vários dias, em virtude dos meus afazeres na Justiça Eleitoral, surpreendi-me agradavelmente ao retornar a minha residência e me deparar com um volume de A Cidade em Chamas, de Afonso Lima, que dessa forma retorna triunfalmente como o poeta de valor que nunca deixou de ser. A dedicatória, que não transcreverei, são palavras de estímulo.  Trata-se de uma bela obra, tanto no aspecto físico, com capa e ilustrações de Paulo Moura, que é um grande artista plástico, também campomaiorense, como no conteúdo.

 

Tem o subtítulo de “Poema trágico de um crime impune”. É um verdadeiro poema épico, tanto pelo assunto, em forma de narrativa, no caso histórica, e não apenas fictícia, como até pelo tamanho, numa época em que virou quase exclusividade os poemas curtos, de apenas 3 a 5 versos. Em linguagem trabalhada, de quem conhece o seu ofício, o poeta aborda os incêndios que aterrorizaram Teresina, na década de 1940, quando vários casebres de palha foram misteriosa e perversamente consumidos pelo fogo, sem que se saiba até hoje, com certeza, quais foram os seus autores e mandantes. Várias obras abordam o assunto, mas sempre na base de suposições, de hipóteses, de especulações.

 

O poema foi elaborado em dez movimentos, e a sua musicalidade e diversidade rítmica e rímica, que englobam versos longos e curtos, com poucas ou muitas sílabas métricas, com rimas toantes e consoantes, em ritmos que, em alguns trechos, trazem ressonâncias de cancioneiros populares, remetem a uma espécie de sinfonia poética, ou até mesmo a algo semelhante a uma ópera ou teatralização poética, sendo de se enfatizar que o autor é um dramaturgo experiente e respeitado.

 

Em algumas passagens faz referências a figuras da mitologia greco-romana, o que denota a cultura literária do autor. Pelas notas e pela bibliografia se percebe que o poeta fez uma acurada pesquisa historiográfica, com o que enriqueceu o poema. Ao longo do texto surgem pessoas do povo, os filhos de ninguém, os miseráveis, os chamados pobres diabos, as principais vítimas da tragédia premeditada e criminosa, mas também aparecem os poderosos da época.

 

Em certas cenas, podemos perceber os costumes e o cotidiano de então, tendo por pano de fundo essa história ainda envolta nas brumas do mistério  e das especulações do imaginário individual e coletivo. Em síntese, é um belo poema, feito com muito esforço, transpiração, inspiração e pesquisa, mas a que não faltam a habilidade e o talento do mestre que o concebeu.  

1º de novembro de 2010