quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Histórias de Évora - Capítulo XXIX


HISTÓRIAS DE ÉVORA

Este romance será publicado neste sítio internético de forma seriada (semanalmente), à medida que os capítulos forem sendo escritos.

Capítulo XXIX

Revelações

Elmar Carvalho

Quando eu tinha sessenta anos de idade e já morava na capital há muitos anos, ao passar um final de semana em Évora, revi o meu amigo Anselmo Miranda, que fora morar em Brasília há mais de três décadas. Na banca de revista do Dourado, situada na Praça Lucas Mendes Furtado, ou simplesmente praça central ou da matriz, soube que ele se encontrava na cidade e estava hospedado na casa de seu irmão Jonas, o secular casarão de seus pais, já falecidos.

Após conversarmos sobre amenidades, cultura e assuntos do cotidiano de nossas vidas, bem como sobre velhos temas eborenses, o Anselmo, sem pruridos de vergonha, receios de censura familiar ou freios inibitórios morais, narrou-me a história de sua avó materna, a matriarca de sua família, sustentáculo de sua mãe e de seus tios.

Como desejo fazer um resumo e também por não ter capacidade de reproduzir suas frases com fidelidade, prefiro contá-la com as minhas próprias palavras, da maneira mais simples possível, porque o que tem importância neste texto é a história em si, e não os atavios e figuras de estilo que pudesse lhe colocar.

Disse-me Anselmo que, quando garoto de seus doze anos, ao brincar no quintal com dois irmãos e alguns amigos, acometido na época por certo tipo de verminose, foi procurar no muro um torrão de barro, que lhe parecesse mais saboroso, para comer. O muro era de adobe, mal conservado, um tanto desaprumado, pelo menos em certos pontos, e apresentava muitas gretas e furos, em que eventualmente se escondiam carambolos e lagartixas.

Ao procurar a sua 'iguaria', acabou encontrando num dos buracos, enrolado num saco plástico, um papel esmaecido, que lhe pareceu ser uma carta, escrita à mão, com caneta tinteiro ou bico de pena. As letras estavam um pouco borradas, mas eram grandes, firmes, bem delineadas e escritas com tinta azul. Anselmo a guardou com cuidado e a levou até sua avó, a quem se dirigia a missiva.

Tudo fazia supor que quem a escrevera tivesse boa instrução, o que era uma raridade na data de sua assinatura: 24 de dezembro de 1936. Estava assinada por Pedro Tavares de Mendonça. Sua avó, com muita delicadeza, retirou a carta do invólucro plástico. Colocou-a sobre a mesa e a desdobrou com toda cautela, para não danificá-la.

Mandou que Anselmo se sentasse à mesa, perto dela. Contraiu as feições; seus olhos marejaram um pouco, mas era uma mulher forte, de fibra e logo se recompôs. Afinal, sozinha, sem a ajuda do marido, cujo paradeiro nunca se soube ao certo, criara os nove filhos, lavando, passando e costurando para algumas famílias abastadas de Évora. O jovem imaginou que lhe seria revelado constrangedor segredo familiar.
– Meu neto, esta carta trouxe de volta uma história antiga de nossa família, que eu pensava já estar enterrada há muitos anos. Mas o destino e a sua curiosidade de garoto desenterraram esse segredo familiar. Vou ler a carta para você.

Leu-a com razoável desembaraço e sem se deixar trair pelas fortes emoções que certamente lhe transtornavam o espírito. Anselmo teve a grande surpresa de descobrir que a sua avó não era analfabeta, como ele pensara desde que se entendera por gente. Ela lhe revelou que desde o momento chocante em que leu essa carta, pela primeira e única vez, tomara a decisão de nunca mais ler nem escrever coisa alguma. Por isso todos pensavam fosse ela iletrada, quando na realidade aprendera a ler e a escrever com considerável desenvoltura. Ao terminar a leitura, fez o seguinte comentário (a que se seguiu a história de sua vida, que sem dúvida daria um belo romance):
– Esta carta foi o presente de natal que seu avô me deu no ano de 1936. Abandonou-me e fugiu com uma mulher nova para lugar incerto e não sabido, como dizem os advogados como ele. Pelo menos deixou a casa e os móveis. Não deixou nenhum níquel para o sustento de nossos nove filhos, que criei com muito esforço e trabalho pesado. Mas Deus nunca me faltou e nem há de faltar.

A carta era iniciada por um longo e lacrimejante pedido de perdão, a que se seguia uma injustificável justificativa, uma justificativa que na realidade nada justificava. O último parágrafo era um patético e exagerado adeus, algo semelhante a um trecho de dramalhão, em que dizia não ter ‘culpa de haver se apaixonado perdidamente’ por sua nova amada, que ‘ninguém mandava em seu próprio coração’. Encerrando, dizia que fora fraco, covarde mesmo, mas não tivera coragem de lhe contar pessoalmente essa sua incontrolável e irresistível paixão.

Dona Rosa Soares de Mendonça, cujo nome de casada sempre foi mantido, desfiou a sua história como se quisesse mesmo desabafar, botar para fora uma história que escondia há muitos anos. Dizia apenas que o marido fora embora para o Amazonas, em busca de fortuna, onde teria morrido, já que nunca mais mandara notícias. Nascera ela em Angical. Quando tinha 15 anos, o advogado Pedro Tavares de Mendonça, vindo não se sabe ao certo de onde, apareceu na cidade e botou banca de advocacia. Era dez anos mais velho que ela.

Quando fez 16 anos foi a uma festa e dançou com ele no clube da cidade. Era considerado um bom partido, apesar de as informações sobre as suas origens familiares serem vagas. Alguns rapazes, talvez enciumados, murmuravam que talvez ele tivesse feito “mal” a alguma moça, irmã e filha de valentões, e tivesse fugido. Também alguns pais, ciosos da honra de suas filhas, disso suspeitavam, todavia sem nenhuma informação concreta.

Rosa, no auge de sua juventude, era considerada a moça mais bela de sua cidade. Séria, prendada, diligente, ainda sabia ler e escrever, mesmo numa época em que a instrução pública era muito incipiente e elitista. O doutor Pedro sabia que para tê-la como mulher teria que se casar. Portanto, não perdeu tempo. Logo a pediu em casamento. Um ano após a cerimônia, alegando que seu escritório de advocacia não prosperara, e já com o primeiro filho nascido, resolveu se mudar para Évora, uma cidade maior, onde com certeza teria mais clientes.

Depois ela passou a desconfiar de que, além dos motivos profissionais, ele desejava uma cidade maior para mais bem dissimular e esconder a sua vocação boêmia, a sua incurável índole de dom Juan. A bem da família e da paz conjugal, procurou não saber de informações e nem de boatos, e tampouco buscou averiguar as suas desconfianças e indícios de infidelidade do marido. O desfecho do seu caráter fora aquela carta e a sua fuga com a amante.

Quando o meu amigo Anselmo terminou o seu relato familiar, aparentemente sem muita emoção, talvez porque tivesse aceitado isso como um fato irrevogável, contra o qual não adiantava se rebelar, imaginei como seria o muro no qual, em esconso furo, ele encontrara a velha e esquecida carta. Não pude deixar de trazer à memória estes versos de Alberto de Oliveira, que li e reli em minha surrada antologia da Fename: ‘É um velho paredão, todo gretado, / Roto e negro, a que o tempo uma oferenda / Deixou num cacto em flor ensanguentado’.


Conquanto desnecessária, faço a ressalva: em lugar de cacto, cujos espinhos também pungem, leia-se carta.”   

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Juiz Auxiliar da Presidência lançará livro no dia 18 de novembro


Juiz Auxiliar da Presidência lançará livro no dia 18 de novembro
  
Com o título “Jurisdição Constitucional: Diálogos Institucionais como Terceira Via entre o Ativismo e a Autocontenção Judicial”, o Juiz Auxiliar da Presidência do TJPI, Antonio Oliveira, lançará livro no auditório do Tribunal de Justiça no próximo dia 18 de novembro.

A obra, na sua essência, reproduz sua dissertação de mestrado, defendida no ano de 2015, em Lisboa, Portugal. Nela o autor presta contribuição à magistratura e ao meio acadêmico, tendo em vista que aborda, entre outros, temas que continuamente se encontram em delicada tensão, tais como constitucionalismo versus democracia, Poder Judiciário versus Poder Legislativo, supremacia Judicial versus supremacia Parlamentar, além de ativismo judicial versus autocontenção judicial.

O evento contará com a presença do Presidente do TJPI, Desembargador Erivan Lopes – responsável pela apresentação do livro -, além de Desembargadores, Magistrados, Servidores do TJPI, Membros do Ministério Público, Advogados, Professores, alunos, amigos e familiares do autor, além de convidados diversos.

Confira trechos da apresentação do livro:

“O leitor, doravante, tem à sua disposição uma das mais instigantes e arrojadas obra de Direito Constitucional contemporâneo. O livro de Antonio Oliveira é fruto de adaptações pontuais da sua dissertação de mestrado, defendida no dia 11 de setembro de 2015, junto à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), em Portugal, perante a seleta banca composta pelos Professores Doutores Marcelo Rebelo de Sousa (Presidente da banca e atual Presidente da República Portuguesa), Luís Pedro Pereira Coutinho (orientador), Alexandre Sousa Pinheiro (arguente) e Alexandra Leitão (vogal), que lhe atribuíram a festejada e merecida nota máxima!

Antonio Oliveira, em seu “Jurisdição Constitucional: diálogos institucionais como terceira via entre o ativismo e autocontenção judicial”, não submete o leitor a uma narrativa enfadonha acerca do papel assumido pelas diversas Cortes Constitucionais mundo afora, tampouco se restringe a conceituar e descrever os famigerados fenômenos da judicialização e do ativismo judicial.

Cuida-se, na realidade, de ousada obra pautada numa densa e refinada pesquisa científica, na qual o autor, lastreado em diferentes teóricos nacionais e estrangeiros, apresenta reflexões críticas sobre o ativismo e a autocontenção judicial, associando esses fenômenos aos modelos de supremacia judicial e supremacia parlamentar, respectivamente.

[...]

Pautado num estilo de escrita suave e de marcante tessitura lógica, Antonio Oliveira consegue abordar com muita clareza o atual comportamento dos Poderes Constituídos no Brasil quanto às suas funções constitucionais – nomeadamente em relação à interpretação constitucional -, demonstrando que o descrédito da população perante os Poderes Políticos tem “legitimado” o Poder Judiciário a preencher os “vácuos” deixados pelos atores políticos, sobretudo o Poder Legislativo. Lado outro, alerta para o perigo de uma instância hegemônica, reivindicadora da pretensa última palavra na interpretação da Constituição, despertando reflexão sobre a adoção de mecanismos que possibilitem o diálogo institucional na construção do melhor sentido e interpretação dos direitos.

As argumentações do Autor, conquanto bastante balizadas no meio acadêmico, não se esgotam unicamente na ótica doutrinária, haja vista que se espraiam por diversos precedentes de distintos Tribunais do país, destacadamente, polêmicos julgados do Supremo Tribunal Federal (STF), que, chamado a se manifestar acerca de uma miríade de demandas, não apenas se contenta em decidir, mas reivindica abertamente o status de último intérprete da Constituição.

[...]

Fica evidente, pelas pistas até aqui deixadas, que o livro do Professor e Magistrado Antonio Oliveira transcende a ciência do Direito Constitucional, porquanto seu conteúdo transita facilmente entre o Direito, a Ciência Política e a Filosofia. Conquanto elaborada em apurado âmbito acadêmico, sua obra não fica adstrita a alunos de pós-graduação e graduação, servindo de preciosa fonte de consulta para profissionais de distintas áreas – jurídica ou não -, ávidos por conhecer e entender assunto tão caro e relevante em tempo coetâneo, mas que escapam das lentes míopes e tradicionais que não vislumbram a expansão global do Poder Judiciário e seus desdobramentos numa sociedade pluralista como a brasileira.

[...]

O Autor é Juiz de Direito no Estado do Piauí – atualmente Juiz Auxiliar da Presidência do TJPI -, onde exerce com escorreita vocação seu mister. Ao lado da judicatura, exerce com elevado entusiasmo e paixão o magistério, no qual se notabiliza na área do Direito Público, designadamente o Direito Constitucional, Direito Processual Penal e Direito Penal, tendo vasta contribuição na pós-graduação lato sensu da Escola Superior da Magistratura do Estado do Piauí (ESMEPI), nos cursos institucionais promovidos pela Escola Judiciária do Piauí (EJUD), além de experiências exitosas na graduação e em cursinhos da área jurídica, sendo reconhecido por seus alunos como docente que alinha com destreza conteúdo, didática e humildade.”

Fonte: ASCOM - TJPI   

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Capitão Francisco Pereira da Silva

Cidade de Brejo do Piauí

Capitão Francisco Pereira da Silva

Reginaldo Miranda
Da Academia Piauiense de Letras

Hoje vamos acender luzes sobre a memória de um antigo ancestral, que viveu no período colonial, o abastado fazendeiro, militar e político Francisco Pereira da Silva.
Ele nasceu e viveu toda a sua existência na fazenda das Mutucas, depois rebatizada de Malhada, no médio curso do rio Piauí, então termo de Oeiras, depois, sucessivamente, de São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Canto do Buriti e, atualmente, de Brejo do Piauí. Era o penúltimo dos nove filhos do casal de colonizadores portugueses que entraram no Piauí e se estabeleceram na referida fazenda logo depois da instalação da vila da Mocha(1717), descendentes do ilustrado clã dos Pereira, Antônio Pereira da Silva, cavaleiro da Ordem de Cristo e sua esposa Maria da Purificação. Para informação do leitor, foram seus irmãos os que seguem em ordem decrescente de idade: 1. José Pereira da Silva (1.º do nome), fazendeiro, membro da Junta Trina de Governo(1789), foi casado com Maria Josefa Alves da Fonseca; 2. Manoel Caetano Pereira da Silva, fazendeiro, em 8.1.1774, na matriz de N. Sra da Vitória, casou-se com Rosa Maria da Silva, filha de Manoel do Rego Monteiro e D. Maria Teixeira de Andrade; 3. Capitão Antônio Pereira da Silva, seu sócio em empreendimentos agropecuários, também membro da Junta de Governo e sobre quem escreveremos algumas notas; 4. Josefa Maria da Conceição, foi casada com Hilário Vieira de Carvalho(2º); 5.  Maria Pereira da Silva, foi casada com José Vieira de Carvalho(irmão do antecedente);6. Leandra; 7. Simoa; e, 9. Padre João José Caetano Pereira da Silva, residente na fazenda das Mutucas, coadjutor na freguesia de N. Sra. da Vitória(informações de 29.1.1784 e 30.8.1800).
Na carreira militar, desde cedo sentou praça nas tropas da guarnição do Piauí, requerendo confirmação da carta patente no posto de alferes da Companhia de Cavalaria Auxiliar, em 20 de abril de 1796; em 25 de setembro de 1801, solicita confirmação na patente de capitão de ordenanças do 2.º Regimento de Cavalaria Miliciana da Guarnição do Piauí, cujo posto já exercitava por nomeação do capitão-general do Estado.
O capitão Francisco Pereira da Silva exerceu os mais elevados cargos públicos em sua terra, inclusive o de Provedor da Real Fazenda e dos Ausentes, no ano de 1797; nesse mesmo ano, também no exercício do cargo de vereador do Senado da Câmara de Oeiras, que exerceu por diversas vezes, e juiz ordinário mais velho da mesma câmara foi alçado a ouvidor-geral da Capitania e, por força do cargo, exerceu a presidência da Junta de Governo do Piauí, inscrevendo-se assim, entre os governantes da Capitania do Piauí. Nesse aspecto, substituía o irmão Antônio Pereira da Silva (2º), que exerceu os mesmos cargos no exercício anterior.
Em face do exercício desses cargos públicos e por conta de perseguições políticas, no início do ano de 1801, esteve por alguns dias preso em São Luís do Maranhão, a exemplo de muitos outros políticos piauienses do período, logo mais conseguindo a sua liberdade.
Porém, o maior destaque do capitão Francisco Pereira, foi na atividade pecuária e na exploração de seu comércio, de que foi sócio com o referido irmão Antônio Pereira da Silva, estando eles entre os maiores criadores piauienses do período.De 1782 a 1784, foi juntamente com o mesmo irmão, arrematante dos dízimos da freguesia de Oeiras.No ano de 1800, exportaram juntos somente de suas fazendas estabelecidas na freguesia de Jerumenha, inclusive a Rio Grande, hoje cidade de mesmo nome, 380 cabeças de gado vacum para a cidade de São Luís do Maranhão.
Em 9 de janeiro de 1775, na fazenda Buriti, também no vale do rio Piauí, casou-se com Izabel Francisca Soares (em alguns documentos aparece Izabel Maria da Conceição), filha de Manoel Ribeiro Soares, então falecido e de Maria Josefa de Jesus, portugueses, senhores da fazenda da Onça, no rio Piauí; foram padrinhos do matrimônio, seus parentes Ignácio Rodrigues de Miranda e Antônio Pereira de Miranda, donos da fazenda em que foram celebradas as bodas. De seu consórcio deixou o capitão Francisco Pereira da Silva, sete filhos, a saber: 1. Comendador Valentim Pereira da Silva, chefe político de Jerumenha; 2. Maria Josefa da Conceição, foi casada com o major Antônio Pereira da Silva(3.º), Prefeito de Jerumenha ao tempo da Balaiada; 3. Teresa de Jesus Maria, que foi casada com o coronel Joaquim de Sousa Martins, Governador das Armas e irmão do Visconde da Parnaíba; 4. Isabel Brígida da Purificação, foi casada com o T.te-C.el Inácio Francisco de Araújo Costa; 5. Ana Pereira da Silva(Donana), foi casada com o T.te-C.el. Francisco Manuel de Araújo Costa, irmão do antecedente; 6. Major José Pereira da Silva (bat. 25.7.1781), residente na fazenda Malhada, foi casado com a prima Inês Maria do Nascimento; e, 7. Rita, batizada em 29.12.1787.
Quando o governador Carlos César Burlamaque foi injustamente preso no Maranhão, o capitão Pereira foi um dos que se manifestou em abaixo-assinado em seu favor.
Em outubro de 1811, em face de pedido do governo, concorre com mantimentos e cavalgaduras para suprir a tropa capitaneada por José Dias Soares, no combate aos índios Pimenteiras, nas cabeceiras do rio Piauí (CABACap. Cód. 161, p. 149/149v).

São essas algumas notas sobre esse importante criador, militar e político piauiense, que viveu toda a sua vida no Piauí, tendo co-governado a Capitania.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

POLÍTICA PARNAIBANA A PARTIR DE 1950 (Final)


POLÍTICA PARNAIBANA A PARTIR  DE  1950 (Final)

Alcenor Candeira Filho


VIII.    O U T R O S G R A N D E S L Í D E R E S

A)           A) MIROCLES DE CAMPOS VERAS

          Médico, pecuarista e político.  No primeiro governo de Getúlio Vargas ( 1930-1945) exerceu o mandato de prefeito de Parnaíba, duas vezes por nomeação e uma vez por vontade popular nos períodos de 1934-1936 e 1937-1945.
          Prestou relevantes serviços à cidade como médico e como administrador ao longo de mais de cinquenta anos.
          Principais realizações:
- criação da Maternidade Marques Basto
- fundação da Sociedade de São Lázaro, depois Colônia do Carpina
-  idealizador da Sociedade Feminina de Assistência aos Pobres, hoje Abrigo São José
- instalação da Biblioteca Municipal
-construção do Jardim Humberto de Campos
- instalação do Centro Telefônico
- comemorações do 1º Centenário de Parnaíba

B)           EPAMINONDAS CASTELO BRANCO

          Fazendeiro, latifundiário, jornalista e político, o coronel Epaminondas foi chefe político do PSD em Parnaíba, com forte influência em municípios circunvizinhos, a partir de 1928 quando se elegeu deputado estadual, reeleito em 1947, 1951 e 1955. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí, que em 1946 elaborou e aprovou a Constituição Estadual. Foi deputado federal nos anos 30.
          Político e jornalista combativo, tendo fundado vários jornais na cidade.
          Como deputado muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade através de recursos financeiros a ela destinados.

C)           JOSÉ MENDONÇA CLARK
-
          Empresário, diretor comercial dos Estabelecimentos James Frederick Clark, presidente da Associação Comercial de Parnaíba e presidente da Associação Brasileira de Exportadores. Senador da República.
          São precárias as fontes de informação sobre a sua atuação política no Piauí.
          Lembro vagamente que ele era ferrenho adversário dos irmãos Caldas Rodrigues.


C)           JOSÉ PINHEIRO MACHADO

                           Empresário, professor e político.
                           Governador do Rotary. Um dos fundadores da Faculdade de Administração de Parnaíba e do Igara Clube, do qual foi o primeiro presidente. Fundou em Parnaíba o Instituto Cultural Brasil/Estados Unidos e presidiu a AGESPISA e a Associação Comercial de Parnaíba. Bacharel em Direito e professor da Universidade Federal do Piauí.
                              Exerceu dois mandatos de vereador e presidiu a Câmara Municipal de Parnaíba. Deputado federal em três legislaturas: 1971-1982.
                               Como deputado muito lutou pela criação da Superintendência do Vale do Parnaíba e pela conclusão do Porto de Luís Correia.


D)             ANTÔNIO JOSÉ DE MORAES SOUZA

Empresário e político, com cinco mandatos sucessivos de deputado estadual a partir de 1983 e um de deputado federal (2003-2007). Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Piauí e da Associação Comercial de Parnaíba. Vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria e Secretário Estadual de Indústria e Comércio.
          O deputado Moraes Souza foi político equilibrado e conciliador. Mais cerebral que sentimental. Resolveu vários problemas dentro de seu grupo político provocados pelo temperamento explosivo de seu irmão Mão Santa.
          Como presidente da Federação das Indústrias realizou obras em vários municípios piauienses:
          - construção do edifício sede da FIEPI em Teresina
          -construção de escolas de diversos níveis de ensino
          - construção de centros de saúde
          - construção de quadras poliesportivas.


E)            MANUEL DOMINGOS NETO

                                    Historiador, professor, pesquisador, escritor e político. Deputado federal pelo Piauí (1989-1991) e doutor em História pela Universidade de Paris.
                                   No período da ditadura militar foi preso e torturado por ter sido militante da clandestina “Ação Popular”.
                                   Superintendente da Fundação CEPRO (Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí) no início do segundo governo de Alberto Silva  do qual se afastou por divergências políticas.
                                     Vice-presidente do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
                                     Professor da Universidade Federal do Piauí e da Universidade Federal Fluminense.
                                     Autor de vários livros publicados.

IX.  M I N I S T R O     J O Ã O P A U L O  D O S     R E I S  V E L L O S O

     Economista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Master em Economia pela Universidade de Yale (EUA).
      Ministro do Planejamento durante os governos de Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel (1969-1979).
     Autor de vários livros publicados.
     Atualmente preside o Fórum Nacional onde são discutidas soluções para os problemas econômicos do Brasil.
     A Enciclopédia Wikipédia registra, dentre outras, a seguinte informação sobre o ilustre piauiense:

“Avesso a atividades políticas, recusou um convite para se candidatar ao Senado pelo PDS do Piauí em 1982, após sondagem feita pelo então governador Lucídio Portella”.

     A respeito desse registro faço um esclarecimento: em verdade a candidatura de Reis Velloso ao Senado foi cogitada em Parnaíba. Lembro até de uma festinha na residência do professor José Nelson de Carvalho Pires, onde presenciei o Ministro dançando animadamente, mas sem muito jeito, com simpatizantes de sua candidatura, enquanto em Teresina o governador Lucídio Portella abortou de vez essa pretensão com a frase:“Se soltarem Reis Velloso na Praça da Bandeira, ele não saberá voltar para o Luxor Hotel e por isso não será candidato”.
     O Ministro Reis Velloso, parnaibano que sempre se preocupou com os interesses do Piauí, viabilizou muitos recursos para a execução de obras no Estado. Daí a frase do presidente Geisel: “O ministro Reis Velloso passa o dia planejando para o Brasil e dorme sonhando com o Piauí”.

X.  C O N C L U S Ã O

          O excesso de partidos políticos, muitos dos quais simples agremiações dominadas por pessoas oportunistas, e o elevado custo das campanhas eleitorais no país vêm impedindo o surgimento de novas lideranças.
          Em Parnaíba, por exemplo, consolidou-se apenas uma liderança nova no século XXI:o atual prefeito Florentino Alves Veras Neto, que não conseguiu reeleger-se em 2016.
          Com as recentes modificações nas regras de financiamento de candidaturas e no tempo de duração de campanha eleitoral, houve nas eleições municipais de 2016substancial redução de gastos.
          Parnaíba aguarda a efetiva participação dos jovens na política.


          Parnaíba,outubro de 2016. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Seleta Piauiense - Cineas Santos


Nada Além

Cineas Santos (1948)

O amor bate à porta
e tudo é festa.
O amor bate a porta
e nada resta.    

sábado, 5 de novembro de 2016

LENDO "PULANDO NUVENS"


LENDO "PULANDO NUVENS"

 “Meu Deus,  creio que estais aqui presente!”*

  Cunha e Silva Filho

          Será, leitor, que existe crítica literária para certos  livros? Digamos, assim,  para a Bíblia Sagrada,  para As confissões, de Santo Agostinho (354 d.C- 430 d.C),  e para outras  obras  superiores   da cultura universal? Sim e não,  não importa. O que releva é a sua grandeza. Livros há que  são forjados por  inteiro  pelo  universo  fabuloso das subjetividades e sobretudo no terreno das  afetividades,  lexema do campo semântico  que tanto peso  tem na obra ora lançada, que é Pulando nuvens (Teresina: Bienal  Editora, 2016,148 p), do jornalista e escritor Zózimo Tavares, piauiense de coração, mas nascido no Ceará
        A pergunta acima não é uma blague,  mas uma  constatação que me inclina mais  para o não, visto que,  no domínio literário, o que prevalece  é a qualidade da linguagem e o sentido  específico  de como  o tema  foi  trabalhado  artisticamente pelo autor.
        Formalmente,  o livro  é ousado na sua construção e me lembra logo de cara  uma estratégia, tão bem entrevista  numa  ensaio “A ciranda da malandragem” de  Jesus Antônio Durigan acerca da  escrita do contista João Antônio (1937-1996), na  qual  o  ficcionista   não só se vale da imaginação - espaço  do domínio da ficção, da mimese -, mas do que lhe oferece a vida, a realidade que,  no caso do livro,  são textos que se contextualizam e se unificam ao mundo  de esperanças e de anseios de Daniel,  jovem  sintonizado com  os modos  de vida e os costumes  saudáveis de sua geração.
        Deste modo,  se inserem, de maneira alusiva,  ao  texto  geral dos relatos  o capítulo inicial de Feliz Ano Velho, de  Marcelo Rubens Paiva, uma letra de música de Gabriel, o Pensador,  o soneto “Amarante” de Da Costa e Silva (1885-1950),   um excerto de uma peça teatral de Ariano Suassuna (1927-2014), um famoso  fragmento  poético de Gonçalves Dias( 1823-1864), um fac-símile  do poema “O menino que descobriu as palavras,”  de autoria de Cinéas Santos e Gabriel Archango, marcado por Daniel  a lápis e com  as respostas  escritas à mão, um fac-símile  de um “manifesto redigido à mão,  dirigido aos condôminos  de um prédio  e  reivindicando  liberdade  e respeito aos direitos de brincar no espaço comum do moradores. O nomezinho  de Daniel (p.34) aparece no espaço  reservado aos subscritores, assinalado à mão,    um  texto de um jovem  que  sabe expressar-se literariamente,  como  o Dilson Tavares,  irmão de Daniel Tavares,este último assunto nuclear  da obra de Zózimo. 
        Escreve sobre si mesmo e principalmente sobre Daniel.  Ao mesmo tempo  busca  em outros  textos  complemento  de sua inquietação extravasada belamente,  harmoniosamente,  no texto em seu todo, gerando uma unidade de sentido e verossimilhança narrativa,   ao fazer convergir outra vozes que, ao cabo,  se confundem  e de alguma forma, mutatis mutandis, se equivalem.
       Ora,  construir uma obra  assim  exige esforço  e criatividade,  porquanto,  na ficção, ou no gênero híbrido em que se   materializa  este livro, misturando  memórias,  textos alheios,  inserções autorias compatíveis  no campo   da linguagem  literária, inclusive   a parte  referente aos textos virtuais, em forma de anexo  ao texto  geral da obra só a  vivificam ainda mais. Na realidade, decorre desses recursos  do autor a qualidade do texto.
       O  exemplo mais ilustrativo  dessa singularidade  textual, dessa recolha de textos diversos  mas que tenham  direta ou indiretamente  ligação cultural com a vida de  Daniel  Tavares,  é haver Zózimo Tavares pinçado o tocante   texto, acima  citado,  “Daniel mano” (p. 115) escrito para servir, como  título  e, a meu ver,  como  metáfora do livro e do seu  personagem  principal,  Daniel  Tavares,  um  jovem que, aos 21 anos,  filho  do autor,  com  toda  as esperanças  de uma vida  vitoriosa,  é de repente,  pelos insondáveis arcanos da vida terrena, afastado de nós mortais.
      Zózimo Tavares, jornalista   tarimbado,  de estilo  objetivo, contudo não destituído  de uma  profunda sensibilidade que, por vezes, alcança  as fontes do lirismo, como  seria  exemplo,  entre outros  no livro,  aquele  trecho  em que ele,  menino,  em Água Branca, Piauí,  avistava,  da calçada da igreja,  na distância, aquele tempo  católico que lhe parecia  cada vez maior  à medida que   dele se aproximava, situação  tão bem  expressa  da perspectiva  da memória e linguagem   infantis: “Chega dava tontura!”  (“De volta ao começo,” primeira seção,  p. 21).
     Pulando nuvens é mais um  livro sobre a vida,  e não sobre a morte, pela  vida  pulsando  delicadamente  na memória  do autor e cobrindo  todas as lembranças  tenras,   guardadas  no fundo do coração  do  escritor.
   É uma narrativa que se propõe provocar, na sensibilidade dos leitores, o compartilhamento  dos deliciosos  momentos  da presença   querida desse  jovem belo,  forte,   amante da vida  intensa e de todas  as alegrias que a  existência pode  propiciar a quem  sabe amá-la com  o peito aberto às amizades,  aos amores  de juventude,   às predileções culturais,  seja  na música,  no teatro, na   dedicação ao parkour, à arquitetura e às passarelas,  no campo da imagem  publicitária,  na vida familiar. E que exemplo  de  bem-aventurança  familiar   nos dá o autor, até mesmo  no sentido  pedagógico de um  pai extremoso, responsável e intensamente  amoroso de sua família!.
        Tudo isso é  muito bem   relatado  pela  voz paterna que, ao contrário de outros autores,  não faz  da tragédia familiar  um oceano  de  lamúrias, mas conserva, no limite do possível,   resguardar  o que de vivo e amado o filho lhe deixou.
        O  espírito do  livro  se bifurca entre  as recordações  do autor e as do filho  trazido  ao texto  pela força  da linguagem   que  sustenta  a narrativa através da exaltação  à vida – urge sublinhar -   suscitada pelas  múltiplas e preciosas recordações do filho vivo,  falecido precocemente em acidente  ao pular da ponte sobre o rio Longá, em Esperantina,  interior piauiense.
       Em algumas passagens do livro  não há como   se comover até às lágrimas   diante de situações  que são  verdadeiros modelos de amor, de amizade,  de solidariedade, entre o autor e o filho,ou entre o autor e a família.
     Confesso que, durante a leitura desse livro de afetividades – repito -   lamentei  não ter conhecido e abraçado (o abraço forte desse menino-gigante),  esse rapaz que, no verdor dos anos, admirado  pelos amigos e por todos os que por acaso o   conheceram. Daniel, na verdade,  não  foi embora, não. Está vivo e esbelto  não apenas na memória  impressa de Pulando nuvens – milagre do poder da linguagem -, a qual, em forma de arte, se torna, fenomenologicamnte,    vida  perene -  mas também  no pensamento fiel e recorrente das reminiscências   que duram  porque  são eternas.


*Cf. Orações do meu dia a dia,  coordenação do Pe. Lourenço Ferronatto.São Paulo : Associação Católica  Nossa Senhora de Fátima. 1ª ed.,  2016, p.7-8.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

UM ANO SEM A VOZ DO JAIME LINS


UM ANO SEM A VOZ DO JAIME LINS

Antonio Gallas

                Há um ano, precisamente no dia 03 de novembro, calava-se uma das mais eloquentes vozes da comunicação parnaibana. Falecia Jaime Lins – o comunicador da saudade. 

            A notícia do falecimento do nobre radialista pegou-nos a todos de surpresa e deixou um vazio, uma tristeza, não apenas para os seus colegas da comunicação, mas, também para a sociedade parnaibana e, principalmente, para sua grande legião de fãs que se deleitava ao ouvir sua voz na apresentação do programa “Recordação e Saudade”.

            Não faltaram manifestações de apreço e solidariedade à família do radialista falecido.  As emissoras de rádio, TVs e os blogs, até mesmo da capital noticiaram o falecimento de Jaime Lins.

            Vejamos o que foi dito quando da morte deste grande radialista:

Morre aos 68 anos em Parnaíba o radialista Jaime Lins

            “A trajetória do radialista foi marcada pela grande audiência conquistada ao longo de sua atuação, desde a década de 1960 através das Rádios Educadora e Igaraçu AM. Os últimos programas apresentados por Jaime Lins foram levados ao ar pelas rádios FM o programa “Recordação e Saudade” foi o último trabalho deixado por ele”. (Portal Costa Norte em 03 de novembro de 2015. Matéria assinada por Tiago Mendes.)

            “...O conhecimento de Jaime Lins quando falava sobre o rádio e a música popular brasileira ainda hoje impressionam até mesmo seus contemporâneos. Esse conhecimento que lhe garantiu entre os profissionais ainda vivos uma unanimidade todas as vezes que se fazia necessário falar sobre esta parte da comunicação moderna e quando era constantemente convidado a dar palestras dentro e fora de Parnaíba...”         “...Agora essa caixa-preta com tudo aquilo que tinha dentro sobre a música popular brasileira e a história do rádio no mundo e no Brasil em particular foi embora com ele. Será impossível daqui a muitos anos, quando o mundo estiver cada dia mais próximo pelo incremente de novas tecnologias da comunicação, recuperar tudo aquilo que foi acumulado durante décadas e mais décadas de pesquisas e vivências...” (Jornalista Antonio de Pádua Marques em seu artigo “A Caixa Preta de Jaime Lins” publicado nos blogs da cidade.)

           

            “Jaime Lins é um importante nome do rádio e já atuou em emissoras no Piauí. Juntamente com outras personalidades foi destaque na comunicação nas décadas de 1970 e 1990. Atualmente, apresentava um programa com seu nome sobre a Música Popular Brasileiro (MPB). Jaime Lins sempre evidenciou largo conhecimento quanto a cultura do rádio e da cultura musical brasileira e a história do rádio”. (Daniel Santos para o Proparnaiba.com)

                “Faleceu mais um dos meus grandes amigos. Claro que a tristeza, feito faca, nos corta o coração. Foram anos e anos juntos, lado a lado, na Rádio Educadora fazendo jornalismo. Ficou uma grande amizade e a certeza de que ele era um homem probo, correto, decente, amigo de verdade”.

         “Até mais, meu amigo. Estou chorando porque acho que pessoas feito você eram para estar perto da gente por mais tempo”. (Bernardo Silva no Blog do B Silva)



         “Quando recebemos a notícia da morte de um ente querido, seja este um familiar ou não, nós choramos.  Quando as lágrimas não nos vêm à face choramos em nosso íntimo, internamente, no dizer popular, choramos por dentro, que é mais doloroso ainda.
Assim foi que na manhã desta terça feira, 03 de novembro, recebemos a notícia do falecimento do nosso colega Jaime Lins.”

         ““... Completaria 69 anos de idade neste mês de novembro. Seria no próximo dia 26. Não quis a festa terrena que certamente seus amigos, seus familiares, seus irmãos evangélicos preparariam para lhe homenagear. Preferiu a festa do céu, que lógico, tem muito mais brilho e muito mais valor”.

         “... Através de seus programas radiofônicos Jaime Lins cultuou a saudade, divulgando músicas que fizeram sucesso no passado e que se perpetuaram na mente e nos corações de quem viveu numa época em que a música, na verdadeira acepção da palavrara, era um deleite não apenas para o coração, mas, principalmente para os ouvidos de quem as escutavam. Seu último programa de rádio foi na extinta Rádio Atlântica FM. Tinha o título de “Recordação e Saudade” e ele costumava dizer que “recordar é viver”. Pois bem: o homem que cultuou a saudade e que dizia que “recordar é viver”... (JAIME LINS - O Comunicador da Saudade. Antonio Gallas para os blogs de Parnaíba e Blog do Poeta Elmar em Teresina-PI).

                Muitas outras palavras  foram escritas e ditas para homenagear  o Jaime Lins. O seu irmão, o jornalista e escritor João Tércio Solano Lopes autor do livro “Parnahyba na história da Aviação” estará lançando brevemente em nossa cidade o livro intitulado JAIME LINS - O Comunicador da Saudade – Memórias de um radialista. No livro que terá aproximadamente  400 páginas, o autor destaca o homenageado como um parnaibano que viveu a fase de ouro do rádio, narrando a infância, as origens e a paixão pelo saudosismo, a família, e como ele (Jaime Lins) conseguiu ser admirado e estimado por todos aqueles que o ouviram ou que privaram da sua amizade. Narra também episódios da década de 60, a trajetória a partir dos alto falantes de bairros até o ingresso nas rádios de difusão (broadcasting radios). Este livro, coube-me   a honra de prefacia-lo.

                        Alguém, não lembro quem,  disse-me certa vez que saudade é a vontade de ver e de vivermos de novo. Quem não gostaria de vermos e de ouvirmos outra vez o Jaime Lins à frente de um microfone apresentando no rádio um programa de saudade?

            O Jaime Lins não morreu! Ele continua vivo em nossa memória, em nossos corações, e vai voltar a fazer seus belos programas até porque foi Jesus Cristo quem disse em João Capítulo 11 Verso 25: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”. E nós cremos, e ele Jaime Lins também creu!  

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Histórias de Évora - Capítulo XXVIII


HISTÓRIAS DE ÉVORA

Este romance será publicado neste sítio internético de forma seriada (semanalmente), à medida que os capítulos forem sendo escritos.

Capítulo XXVIII

Moto contínuo

Elmar Carvalho

No Sábado de Aleluia o Mário Cunha apareceu na casa de Marcos com uma galinha grande e gorda. Perguntou se dona Rita poderia fazer um frito para que eles levassem para o balneário do Rocio, situado no rio Paraguaçu, a uns três quilômetros do centro da cidade. Na época era costume, sobretudo entre os jovens, a subtração de galináceo na Semana Santa, para a comemoração da morte de Judas.

Não era isso entendido como furto, mas como uma brincadeira, que poderia integrar a parte comemorativa da malhação do velho Iscariotes. E normalmente as vítimas eram parentes, vizinhos ou amigos. Dona Rita indagou sobre a origem da galinha, tendo Mário assegurado que fora sua mãe quem lhe dera a “penosa”. Ante a aquisição haver sido lícita, ela prometeu fazer seu famoso e elogiado frito, já saboreado em outras ocasiões.

Ficou acertado, entre os rapazes, que no dia seguinte, Domingo de Páscoa, Mário seguiria em sua bicicleta Gulliver, mais cedo, e o Fabrício, em sua lambreta, pegaria Marcos (e o frito) na casa deste. Combinaram se encontrar no balneário, por volta de onze horas. Fabrício prometeu levar uma legítima cachaça serrana, de doze anos, que comprara de um mascate, de sua confiança, e mais uma paçoca de carne de sol, preparada em sua casa. De modo que estavam bem abastecidos, em termos de comes e bebes.

A região do Rocio, nessa época, era bem preservada, com a mata ciliar exuberante, a proteger o rio, a exibir grandes árvores copadas. O rio se apresentava saudável, estreito e fundo. Na margem direita havia uma espécie de corredeira. A água passava com estrépito por entre grandes pedras, que formavam uma garganta, um tanto apertada, o que imprimia à água uma forte correnteza e turbilhão. Chamavam esse ponto de Passagem da Apertada Hora.

As águas ondulavam e produziam uma toalha de espuma. Um poeta disse que as pedras eram bilros das pedras tecelãs. O turbilhão se transformava em verdadeira hidromassagem. Alguns jovens, no auge da adolescência e da libido, a contemplar as garotas de biquíni na margem próxima, chegavam ao orgasmo sem sequer se tocarem, em verdadeiro onanismo inefável, etéreo, quase imaterial, como corolário de profunda excitação platônica e fantasiosa, turbinada pelo turbilhão da corredeira.

Mas muitos garotos afoitos, sobretudo no período das grandes chuvas, em que o rio se mostrava mais caudaloso, em lugar de êxtase e prazer, ali encontravam a morte. Eram arrastados e ao caírem num rodamoinho não tinham força para vencer a correnteza. Os mais cautelosos se amarravam a uma corda, firmada na margem ou em alguma das pedras. Entretanto, fora desse ponto agitado, as águas eram calmas, e chegavam a formar um remanso na parte mais frequentada, que tinha uma praia de branca, macia e finíssima areia.

Os amigos se acomodaram debaixo de imensa mangueira, que lhes dava uma refrescante sombra. Tomando sol, a pequena distância, estava um pequeno grupo de garotas. Duas mais recatadas estavam de maiô, enquanto as outras quatro usavam biquíni, a exibir suas coxas e feminis curvas. Nessa idade em que tudo sorri e floresce, Marcos achava que uma mulher tinha a obrigação de ser bela, ao menos bonitinha. Fabrício, invocando os versos de Vinicius, achava que a beleza, conquanto efêmera, era fundamental; pelo menos enquanto durasse.

No meio das moças, estava Laura, de estatura mediana, morena clara, de cabelos e olhos negros, de curvas muito bem delineadas, sem faltas e sem excessos. Mesmo de maiô suas formas eram ressaltadas e se destacavam, aliciantes. Seus olhos eram profundos e negros, como nos versos de Castro Alves. Tinham o negrume das noites sem luar, assim como seus ondulados cabelos tinham o encanto do mar.

Marcos já lhe percebera, algumas vezes, quando passava na frente de sua casa, com destino ao campo de futebol que ficava perto, o olhar discreto, mas interessado. Fabrício já comentara isso, e até dissera que quando tivesse oportunidade iria fazer “o meio de campo” ou a ponte entre eles, pois fora colega dela em um Encontro de Jovens promovido pela igreja Católica. Mas ainda estava encantado com o namoro furtivo e proibido que mantinha com sua bela normalista.

Três ou quatro alentadas doses depois, Fabrício foi até o local onde estavam as moças, já agora debaixo de um imenso pé de tamboril, que estava muito verde e muito frondoso. A árvore lhes propiciava uma sombra agradável e aconchegante, ainda mais porque bem perto havia um grande cajueiro e uma imensa e odorífera cajazeira.

Marcos sabia que ele estava intermediando uma aproximação entre ele e Laura. Ficou um pouco ansioso e apreensivo, mas tentou manter a calma e não saiu de seu lugar, enquanto esperava o retorno do amigo. Via-o gesticular e se mover um pouco, como se estivesse em animada conversação. Fazia gestos incisivos, com os quais parecia sublinhar seus argumentos, como se estivesse querendo convencer a garota de alguma coisa que ela tentasse refutar.

Quando voltou estava radiante, e exibia seu triunfo com sorrisos e gargalhadas.
– Olha, mestre Marcos, você me deve essa conquista. Não foi tão fácil assim não. Quando eu disse pra menina que você estava a fim dela, ela disse que você é meio metido a besta, e que nunca olhou pra ela; que sempre passava todo enxerido, como se não a visse, na porta da casa dela. Eu, então, tive que usar toda a minha astúcia e lábia de vendedor, para explicar que no início você é meio encabulado e tinha receio de um fora. Só então ela deu um meio sorriso e disse para você tirá-la para dançar na festa que vai haver no próximo sábado, no Évora Clube; que lá vocês poderão se acertar. E ainda de quebra deixei uma das lebres praticamente abatida, aquela lourinha, cujos cabelos faíscam ao sol. Um encanto de ninfeta deste bosque fluvial.
– Grande Fabrício, que magnífica notícia você acaba de me dar. Meu dia já está ganho. Um brinde a esse excelente presente que você acaba de me ofertar. Obrigado, cara!

Nisso, ao longe, ia passando um ciclista, a pedalar com todo vigor para vencer a areia do caminho. Fabrício, contente de haver ajudado o amigo a conquistar a garota, lançou-lhe um desafio:
– Agora, Marcos, prove que é mesmo um poeta. Faça um improviso sobre aquele ciclista, que vai pedalando feito um doido naquele areal. O poeta, ainda tonto e esfuziante com a alvissareira notícia, não se fez de rogado:
– Ó bicicleta / em ti o ciclista anda / anda, anda, anda...

Com a cabeça já um pouco anuviada pelo álcool e entontecido pela inebriante perspectiva de namoro com a linda cachopa, Marcos se embolou todo e não conseguiu a desejada rima. Ficou nesse desatinado “anda, anda, anda”, em busca de inspiração, até finalizar de forma canhestra, mas que pretendia apoteótica:
– E nunca para de andar!

Fabrício vergastou esses versos de forma abrupta e irônica:
– Porra, poeta, só se esse ciclista tiver um motorzinho na bunda para conseguir andar tanto assim... Ou então se tiver descoberto o moto contínuo do poeta Leonardo de Carvalho Castelo Branco, que você tanto admira e exalta.


E os três amigos prosseguiram na feliz libação, a degustarem o delicioso frito e a não menos deliciosa paçoca, sem outro compromisso a não ser a falta de compromisso da quadra que viviam.     

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

LITERATURA: UMA ENTREVISTA DE LEYLA PEERRONE-MOISÉS


LITERATURA: UMA ENTREVISTA DE LEYLA PEERRONE-MOISÉS
   
Cunha e Silva Filho

             Este artigo  parte de reflexões despertadas pela leitura  de uma entrevista da conhecida  e conceituada  ensaísta Leyla Perrone-Moisés, sob o título “Em defesa da Literatura”  concedida ao jornalista Leonardo Cazes, publicada no  Globo Caderno Prosa & Verso de 29/10/2016. O núcleo  do tema  é a discussão do papel da literatura  e da crítica literária  de nossos dias, independente do alcance  geográfico face aos caminhos e  perplexidades  em que se encontram  a criação literária, o seu  julgamento e os leitores.
         É evidente que  o tema considerado em seu sentido  lato  envolve discussões derivadas do binômio literatura-crítica literária, i.e.,  questões como  o ensino  da literatura,  currículo  escolar  do ensino médio e estudos literários  na universidade e, por último, o lugar  de maior destaque que vem ocupando a indústria cultural que nada trouxe de bom  para o antigo  prestígio obra literária que, segundo Perrone-Moisés, até os meados do século passado,  teve a literatura.
          Em outras palavras,  o espaço  conquistado  pela indústria do entretenimento, com a sua natureza  passageira, o seu facilitário  junto às massas,  provocou o declínio   do fascínio, sacralização e áurea da literatura  de alta qualidade artística. Nesses tempos diluidores,  tudo passou   por um espécie  de  nivelamento  comum  do bom e do ótimo  e do produto   descartável através  da via  da mera comunicação, inclusive e sobretudo da linguagem.
          Daí, se queixar a ensaísta do rebaixamento ou da importância  da disciplina estudo da literatura no currículo escolar  do ensino médio. Reconhece a ensaísta que  o  fenômeno  não se só  no Brasil  mas é internacional.Naturalmente Perrone-Moisés atribui esse desprestígio dos  estudos literários  a um desvio na formulação de estratégias  de mercado  de trabalho destinado  a  preparar  candidatos  a funções  profissionais  para as quais  a literatura    seria,  por assim dizer,  “inútil.”  A questão, a meu ver,  vai mais fundo,  porque está vinculada  a projetos governamentais  de desenvolvimento    em  plena  efervescência   da globalização   e  das necessidades  imperiosas   de contingentes  de mão de obra, assim como de reserva de mercado. 
        A questão não é tão-somente educacional, porém  político-ideológica. Fenômeno similar  já se havia  registrado no país  no tempo  da ditadura  militar, anos 1970, e na fase do chamado  “milagre brasileiro,”com a criação e difusão dos cursos  profissionalizantes, principalmente no ensino privado, coincidentemente  época em  que se iniciaram mudanças  drásticas  no ensino  de literatura  com  a atenção especial  dispensada  ao papel  da comunicação,   ao aproveitamento   dos estudos linguísticos e à ênfase  dada à teoria da comunicação. Só se falava, nas aulas de literatura  e de língua  portuguesa  a partir do ensino  médio, nas funções da linguagem  formuladas  pelo linguista russo  Roman Jakobson (1896-1982).  Era  o tempo em que os estudos linguísticos  se imbricaram   com  os estudos  literários para o bem e para o mal.
        “Comunicação “ passou a ser a palavra chave e  o lugar  antes  privilegiado  do ensino de literatura brasileira e de língua portuguesa  foi  posto em segundo  plano e se misturando  ao que, mais tarde,  o MEC,  designou como “Linguagens, códigos e suas tecnologias,” segundo  lembra  Perrone-Moisés  em tom  irônico. 
         A ensaísta ainda  , em tom  francamente   crítico,   alude ao novo  plano de ensino médio ao falar  este de ‘linguagem’. Ao que ela,  irônica e perplexa,   se interroga: “Mas de que linguagem se trata?”
       Pondera   Perrone-Moisés  que as os alunos(eu acrescentaria as pessoas em geral)  não só precisam  de estudar  as línguas, mas  sobretudo  necessitam de  exercitar  a reflexão  crítica,  de aprofundar  suas visões da vida  e do mundo. A ensaísta não perde tempo para censurar  uma “falsa democracia”  no meio  do ensino e da educação em âmbito oficial, onde o “essencial”  é apenas  disponibilizar ao  aluno os textos mais   digeríveis, quando o que caberiam  fazer os responsáveis  pela educação   seria  elevar  “progressivamente”  o nível do educando, o que para ela seria, sim,  uma prática  democrática.
  
     Na mencionada  entrevista,  Perrone-Moisés levanta a questão de uma tendência atual  da ficção, conhecida  como autoficção, termo cunhado, em 1977,  por Serge Doubrowski,   no âmbito da crítica literária, que funde autobiografia  com  ficção, numa combinação de traços contraditórios para esse tipo de  subgênero  literário. aparentado, segundo  se pode  constatar,da biografia e  das memórias  para  designar esse  tipo de ficção  na qual  o narrado fica a cargo do “eu” do autor, ainda que seja  dirigido em terceira pessoa, ou mesmo em primeira (por que não?). Por acaso, uma terceira pessoa  não poderia escamotear  a primeira ou vice-versa?
       Na opinião dela, esse tipo de subgênero literário é fruto do nosso  tempo e tem a ver com  a impossibilidade com que o escritor,  um autor se defronta  diante  do seus  “limites” de “compreensão da totalidade” num  mundo  altamente  complexo  como  é o que    estamos  vivenciando a duras  penas.
      Ora,  esse fato  determinante conduz o escritor  para uma forma de  escapar  daquela   impossibilidade,  fazendo com que se volte para a sua própria  identidade,    a sua  história  pessoal  e os seus  dilemas específicos.
      No então,  assinala a ensaísta,  a vida  pessoal  de um autor  não constitui em si  uma chancela  para que  sua  autoficção se torne  uma  feliz elaboração  estética.  É precisos que o autor vá mais além das peripécias pessoais e adentre as condições fundamentais  de produção de  textos   que tenham algo mais a  dizer  em termos  de linguagem  e de  composição estética. Seria preciso que a obra de autoficção não só desvele  “autoconhecimento,” mas também  “compreensão dos outros.”  .Ou seja,  não é o dado  narcisista que é relevante, mas  a realização  literária  pela linguagem, pela excelência do nível estético e humano.
        Mais um tópico de que fala a ensaísta refere à sua desfavorável posição com  respeito às abordagens conhecidas como  culturalistas na literatura. Não  negando  a validade da  literatura   como manifestação  histórico-cultural, a ensaísta  toma  posição  mais  ousada  e  muito aderente  ao elemento  da “imaginação” e da forma da linguagem  da escrita literária que,  para ela,  são componentes  intrínsecos  do fenômeno  literário.    
        Ao afirmar que  não se opõe às discussões  de temas políticos e  polêmicos  como  o feminismo,  o homoerotismo, por exemplo,  a ensaísta   reforça a ideias de que literatura não é “panfleto” nem “manifesto.” Nada, segundo ela, contra as questões políticas, desde que  estas não se sobreponham  às qualidades  do fazer   literário, desde que não abra mão  do ato criativo com “valor  estético”  e cognitivo”
         Ao  abordar  a situação da literatura  no meio  universitário,   ela  chama a atenção  para o fato de que hoje em dia  as comunicações acadêmicas em congressos  só interessam, em alguns  casos,  aos iniciados, aos  universitários de letras.Sua entrevista  reage com firmeza contra   quem  entende ser a “obra  de arte” um  produto comerciável,  consumível,  descartável, com  produto  passageiro,  isso tudo na contramão do sentido de “conservação”   e valorização e perenidade   da arte literária.
           No balanço que faz da literatura contemporânea, ela reconhece que a literatura  tem agora uma “presença  frágil” na mídia.”  Para que sobreviva,  ela precisa  de alavancar  meios   de melhorar a leitura e o ensino  da literatura.

       . Contraditoriamente, concluo, a ensaísta frisa que o número de  publicações  literárias  é muito   animador  e  mesmo   grande e suas palavras para a atividade da crítica  literária  ela deixa perceber  que os críticos  perderam o antigo reconhecimento  que alcançou seu apogeu “nos meados do século XX, o mesmo  valendo  para a literatura   que,  no seu juízo,  perdeu  seu  lugar de destaque passando, com o tempo, a se misturar  com  o rótulo geral  e insosso  no meio de  outras   vias de comunicação, resultante, é óbvio, do avanço  incontrolável, da indústria  cultural  e, todas as suas nuanças.O leito  interessado na discussão  de todas  essas questões  encontrará  o aprofundamento   delas  na nova  obra da ensaísta, razão  da entrevista,  Mutações da literatura no século XXI (Companhia das Letras).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Panegírico

CONVITE



            A Academia de Medicina do Piauí tem o prazer de convidá-lo (a) para panegírico dos acadêmicos , Dra. Rosa Amélia Tajra França e Dr. Luiz Nódgi Nogueira Filho, que ocorrerá no dia 03 de novembro de 2016, às 19h30, no Sindicato dos Médicos, Rua Paissandu, 1665, Teresina - Piauí.

            A Academia de Medicina do Piauí sentir-se-á honrada com a sua presença.


Atenciosamente,


Acadêmico Dr. José Itamar Abreu Costa
Presidente da Academia de Medicina do Piauí

  
Traje: Acadêmicos, passeio completo.
Convidados, esporte fino